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Igreja e comunismo: um século de embates
DoutrinaHistória da Igreja

Igreja e comunismo:
um século de embates

Igreja e comunismo: um século de embates

A Igreja Católica nunca se deixou enganar pelas trapaças do socialismo e do comunismo. Encíclicas atrás de encíclicas denunciaram, desde o princípio, a falsa ideologia de Marx e Hegel.

Brian Kranick,  Crisis MagazineTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere13 de Novembro de 2017
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Os últimos cem anos, de 1917 a 2017, têm sido como uma recapitulação do protoevangelho, quando Deus disse à serpente: “Porei inimizade entre ti e a mulher” (Gn 3, 15). Trata-se de uma guerra secular que representa o período mais acentuado desta inimizade. Tudo começou em 1917, com as revelações de Nossa Senhora de Fátima, de um lado, e a Revolução Russa, que levou à implantação do comunismo ateu, de outro. Quais seriam as chances de tamanha coincidência?

Ao longo dos últimos cem anos, a forma mais grotesca que o “corpo místico” do Anticristo já adotou é, sem sombra de dúvida, o materialismo ateu, incorporado mundo afora por governos socialistas e comunistas. A serpente tornou-se Leviatã. Antes da Revolução de Outubro, Maria já advertira, em julho de 1917, que a Rússia espalharia “os seus erros pelo mundo, provocando guerras e perseguições contra a Igreja”. O resto, como sabemos, é história.

Este centenário da Revolução de Outubro é uma grande oportunidade para trazer à memória o “horrendo flagelo” — como lhe chamou Pio XI (cf. Encíclica “Divini Redemptoris”, de 19 mar. 1937, n. 7) — que vergastou o mundo através das perversas armadilhas do socialismo e do comunismo. Isto é particularmente importante na medida em que as elites culturais do Ocidente e seus simpatizantes vêm há tempos forcejando por minimizar os males do marxismo, como parece ser a intenção do jornal The New York Times, com sua “série de apaixonadas e saudosas recordações dos bons e velhos tempos do comunismo do século passado” [1].

Talvez seja mesmo chegada a hora de passar em revista esses tempos felizes do “século vermelho” com uma relaxante leitura de O Livro Negro do Comunismo ou O Arquipélago Gulag, de Solzhenitsyn. Mas, afinal, o que poderia ser mais enriquecedor do que dedicar um tempo a ler sobre o Grande Salto Adiante e a Revolução Cultural de Mao Tsé-Tung? Melhor ainda: que tal estourar um saco de pipocas e assistir a’Os gritos do silêncio [2], um filme para divertir toda a família?

Alguns, porém, talvez se perguntem: “E quanto ao socialismo do século XXI?” Ora, basta dar uma rápida olhada nas notícias que chegam da Venezuela. Há não muito tempo, a Venezuela era uma país próspero, abundante em petróleo; numa palavra, um milagre socialista! Mas agora, após dezoito anos de marxismo, entre Chávez e Maduro, o país não passa de um inferno socialista. Muitos ali têm passado fome — uma especialidade comunista —, não lhes sobrando outra alternativa senão roubar ou comer animais de zoológico, prática na qual parecem ter especial predileção por carne de búfalo e porco-do-mato.

Isso, infelizmente, não é incomum às experiências socialistas; antes, pelo contrário, constitui a regra geral. A alimentação venezuelana, contudo, deve ainda assim ser mais agradável que a dieta à base de mato e casca imposta aos reclusos na prisão estatal da Coreia do Norte. Os fatos históricos revelam que os demagogos comunistas foram responsáveis pela morte de 140 milhões de pessoas [3], desde Lênin até Stalin, passando por Mao Tsé-Tung, Pol Pot, Kim Jong-un, Chávez, Che Guevara, Fidel Castro… e a lista poderia ir-se alongando. Lênin disse, no final das contas, que é preciso quebrar uns tantos ovos para fazer uma omelete: 140 milhões de ovos quebrados; eis aí uma omelete gigante!

A Igreja, por sua vez, nunca se deixou enganar pelas trapaças do socialismo e do comunismo. Encíclicas atrás de encíclicas denunciaram, desde o princípio, a falsa ideologia de Marx e Hegel. De fato, o Catecismo o afirma claramente: “A Igreja rejeitou as ideologias totalitárias e atéias, associadas, nos tempos modernos, ao ‘comunismo’ ou ao ‘socialismo’” (n. 2425). O Catecismo, porém, é curto e sucinto, ao passo que as encíclicas papais são ricas em detalhes e categóricas em suas condenações.

Em 1846, o Papa Pio IX promulgou a encíclica “Qui Pluribus”, sobre fé e religião, na qual já combatia vigorosamente as ideias de Marx, que em 1848 publicaria O Manifesto Comunista. Pio IX ali se referia à “nefanda doutrina do comunismo, contrária ao direito natural, que, uma vez admitida, lança por terra os direitos de todos, a propriedade e até mesmo a sociedade humana”. Ele advertia contra “as mais perversas criações de homens que, trajados por fora com peles de ovelha, por dentro não passam de lobos rapaces”.

Sua Santidade, o Papa Leão XIII.

Em 1878, o Papa Leão XIII escrevia sobre os males do socialismo na encíclica “Quod Apostolici Muneris”. O Pontífice começa a carta referindo-se à “praga mortífera que se tem difundido no seio mesmo da sociedade humana, conduzindo-a ao abismo da destruição”. Leão XIII aponta em seguida que “as facções dos que, sob diversas e quase bárbaras designações, chamam-se socialistas, comunistas ou niilistas, espalhados ao redor do mundo e unidos pelos laços estreitíssimos de uma perversa confederação, já não se põem ao abrigo da sombra de reuniões secretas, senão que, marchando aberta e confiadamente à luz do dia, ousam levar a cabo o que há muito tempo vêm maquinando: a derrocada de toda a sociedade civil”.

A encíclica também chamava a atenção para o projeto socialista de destruição do matrimônio e da família. Para os socialistas, com efeito, não pode haver maior fidelidade, nem mesmo a Deus e à família, do que a obediência ao Estado todo-poderoso. Leão XIII afirmava ainda que “os fundamentos da sociedade repousam, antes de tudo, sobre a união indissolúvel entre os esposos, conforme as exigências da lei natural”. E no entanto “as doutrinas socialistas aspiram por dissolver quase por completo os elos desta união”.

Treze anos depois, em 1891, Leão XIII voltou a escrever outra encíclica, “Rerum Novarum”, a respeito do trabalho, do capital e da classe operária. Trata-se do texto fundacional da doutrina social católica nos tempos modernos. Dizia o Pontífice: “Os socialistas, para curar este mal, instigam nos pobres o ódio invejoso contra os que possuem e pretendem que toda a propriedade de bens particulares deve ser suprimida”. Isto, declarou a Igreja, “é sumamente injusto” e “o remédio proposto está em oposição flagrante com a justiça, porque a propriedade particular e pessoal é, para o homem, de direito natural”.

O socialismo ergue-se sobre as bases da cobiça, ou seja, uma transgressão do nono e décimo Mandamentos. Eis o que diz a “Rerum Novarum”: “A autoridade das leis divinas vem pôr [...] o seu selo, proibindo, sob pena gravíssima, até mesmo o desejo do que pertence aos outros”. O socialismo se baseia, além disso, na falsa ideia da luta de classes. Também para dissipar este erro Leão XIII levantou a voz: “O erro capital na questão presente é crer que as duas classes são inimigas natas uma da outra, como se a natureza tivesse armado os ricos e os pobres para se combaterem mutuamente num duelo obstinado. Isto é uma aberração tal que é necessário colocar a verdade numa doutrina contrariamente oposta”.

Como já o fizera em encíclicas anteriores, Leão XIII insiste em defender contra as investidas socialistas as instituições familiar e matrimonial: “À família [...] será forçosamente necessário atribuir certos direitos e certos deveres absolutamente independentes do Estado”. “Querer, pois, que o poder civil invada arbitrariamente o santuário da família é um erro grave e funesto.”

Sua Santidade, o Papa Pio XI.

Em 1931, o Papa Pio XI divulgou a carta “Quadragesimo Anno”, por ocasião do 40.ª aniversário da encíclica “Rerum Novarum”, à qual chamou a “Carta Magna” da doutrina social católica. Pio XI afirma sem rodeios: “Declaramos: o socialismo quer se considere como doutrina, quer como fato histórico, ou como ‘ação’ [...] não pode conciliar-se com a doutrina católica”. O Pontífice foi ainda mais longe, ao dizer: “Se este erro, como todos os mais, encerra algo de verdade [...], funda-se contudo numa concepção própria da sociedade humana diametralmente oposta à verdadeira doutrina católica. ‘Socialismo religioso’ e ‘socialismo católico’ são termos contraditórios: ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista”.

Mas o que pensar do socialismo mitigado? Também este fustigou-o o Papa de forma bastante sucinta: “Citamos novamente a juízo o comunismo e o socialismo, e vimos o quanto as suas formas, ainda as mais mitigadas, se desviam dos ditames do Evangelho”. Reiterá-lo-ia anos depois o Papa João XXIII, em sua encíclica “Mater et Magistra”, de 1961: “Entre comunismo e cristianismo, o Pontífice [Pio XI] declara novamente que a oposição é radical, e acrescenta que não se pode admitir de maneira alguma que os católicos adiram ao socialismo moderado”.

E, para ser justo, Pio XI repreendeu também o “individualismo” e o capitalismo extremos por não respeitarem a dignidade humana do trabalhador, cuja atividade não pode ser vendida como um “um simples gênero comercial”. O Pontífice apontava ainda que o remédio mais necessário consiste, não na reação violenta dos socialistas em ordem ao desmantelamento do livre mercado, mas, antes de tudo, na “reforma dos costumes”. De fato, a postura da Igreja frente a esses problemas sempre foi ponderada, resguardando os direitos tanto do empregado quanto do empregador, mediante uma volta à caridade cristã e ao zelo pelo bem do próximo.

Sua crítica mais dura, no entanto, reservou-a Pio XI à “peste comunista”, cujas ações e intenções são desmascaradas nos seguintes termos: “guerra de classes sem tréguas nem quartel e completa destruição da propriedade particular”; “a tudo se atreve, nada respeita; uma vez no poder, é incrível e espantoso quão bárbaro e desumano se mostra”; “aí estão a atestá-lo as mortandades e ruínas”; “ódio declarado contra a Santa Igreja e contra o mesmo Deus”; “a impiedade e iniquidade do comunismo”; “doutrinas que porão a sociedade a ferro e fogo”; “abre caminho à subversão e ruína completa da sociedade.”

Mas o Papa não parou por aí. Em 1937, veio a lume outra de suas encíclicas, a “Divini Redemptoris”, a respeito do comunismo ateu. O Pontífice não poupou palavras. Exortou a que “os fiéis não se deixem enganar! O comunismo é intrinsecamente perverso e não se pode admitir em campo nenhum a colaboração com ele, da parte de quem quer que deseje salvar a civilização cristã”. É um “sistema cheio de erros e sofismas”. A encíclica tinha em mente o “perigo ameaçador” do “comunismo, denominado bolchevista e ateu, que se propõe como fim peculiar revolucionar radicalmente a ordem social e subverter os próprios fundamentos da civilização cristã.”

O comunismo é particularmente nocivo, já que “priva a pessoa humana da sua dignidade”. “Os direitos naturais [...] são negados ao [...] indivíduo para serem atribuídos à coletividade”. E é precisamente por isso que “qualquer direito de propriedade privada [...] tem de ser radicalmente destruído”. É a coletividade que legisla em matérias de matrimônio e família. “O matrimônio e a família são apenas uma instituição civil e artificial”, dependente “da vontade dos indivíduos ou da coletividade”. É o ressurgimento das “cartas de divórcio”. A difusão do comunismo foi possível graças à propaganda diabólica dos “filhos das trevas” e à “conspiração do silêncio” orquestrada pela imprensa não-católica, silêncio devido em parte às “diversas forças ocultas que já há muito porfiam por destruir a ordem social cristã”. Isso soa familiar.

Em 1991, o Papa João Paulo II publicou a “Centesimus Annus”, em comemoração ao centenário da “Rerum Novarum”. Esta nova encíclica reafirmava o ensinamento segundo o qual a raiz do totalitarismo moderno encontra-se na negação da dignidade transcendental da pessoa humana. O socialismo “considera cada homem simplesmente como um elemento e uma molécula do organismo social, de tal modo que o bem do indivíduo aparece totalmente subordinado ao funcionamento do mecanismo econômico-social”. “Luta de classes em sentido marxista e militarismo têm, portanto, a mesma raiz: o ateísmo e o desprezo da pessoa humana, que fazem prevalecer o princípio da força sobre o da razão e do direito”. Como sabiamente notou Fulton Sheen, “o comunismo pretende estabelecer o impossível: uma irmandade entre os homens prescindindo da paternidade divina”.

George Orwell conhecia bem o engodo socialista, adaptando-lhe o mantra em sua obra A Revolução dos Bichos: “Todos os animais são iguais”, e no entanto, como dirá o porco a certa altura da história, “alguns animais são mais iguais do que outros”. A sua verdadeira face, uma hora ou outra, acaba sendo descoberta. É o “duplipensar” do Partido. E como são estranhamente atuais o “pensar criminoso” e a “patrulha ideológica” de 1984 no ambiente politicamente correto que se respira nas universidades norte-americanas e em tantos governos europeus! O Muro de Berlim veio abaixo e a União Soviética dissolveu-se, mas o marxismo cultural está forte como nunca.

As vanguardas progressistas da esquerda são os herdeiros ideológicos da socialismo e do comunismo do século XX. Eles fazem avançar a revolução ao adotarem os “erros da Rússia” e atacarem a propriedade privada, o livre mercado, a liberdade individual e a livre expressão, o casamento e a família tradicionais, a liberdade de consciência e a liberdade de culto. Talvez não haja agora mesmo um “império do mal”, um único Estado totalitário; o que há, isso sim, é um totalitarismo das inteligências, a pressão imperiosa exercida pelos media, pela educação, pelos governos e sistemas judiciais. O Big Brother continua à espreita.

Mas ainda há esperança. A Igreja triunfou, sim, do comunismo ateu, e Cristo garantiu-nos que as portas do inferno não hão de prevalecer contra ela. Nos sombrios idos de 1917, em meio à Primeira Guerra Mundial e à difusão dos males do comunismo ateu, a Virgem Maria prometeu: “No fim, o meu Imaculado Coração triunfará”. Sim, o Leviatã continua furioso e com o chicote em mãos; sua cabeça, porém, já foi esmagada.

Referências

  1. Robert Tracinski, “Why Is The New York Times Trying To Rehabilitate Communism?”, em: The Federalist, 3 ago. 2017.
  2. Em inglês, The Killing Fields, filme de 1984 sobre a ditadura comunista de Pol Pot no Camboja.
  3. Cf. os dados levantados por Paul Kengor em The Politically Incorrect Guide to Communism.

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Jejuar não mata, comer demais sim!
Espiritualidade

Jejuar não mata,
comer demais sim!

Jejuar não mata, comer demais sim!

O homem é como o peixe: morre pela boca. Os banquetes e mesas fartas têm aberto mais covas no cemitério que a peste e a fome, enquanto a frugalidade e o jejum nunca fizeram mal.

Mons. Ascânio Brandão13 de Novembro de 2017
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A gula é um vício feio. Come-se para viver e não se deve viver para comer. Fazer da mesa um ideal é triste.

A Igreja nos preceitua o jejum para remédio da alma e para remédio do corpo. Sim, o jejum é medicinal, e muita doença se cura hoje com jejum. Por exemplo, a úlcera no estômago.

O homem é como o peixe: morre pela boca. Os banquetes e mesas regaladas e bem regadas têm aberto mais covas no cemitério que a peste e a fome, enquanto a frugalidade e o jejum nunca fizeram mal.

Os Trapistas, os Cartuxos e outras Ordens austeras e penitentes jejuam quase o ano todo, e vivem longos anos. Quando Leão XIII quis mitigar o rigor do jejum da ordem de S. Bruno, na Cartuxa, o Superior Geral mandou a Roma uma comissão de 10 frades robustos, corados, fortes e nenhum deles tinha menos de oitenta anos. E jejuaram a vida toda!

Jejum não mata! Cuidado com a gula. Esta, sim, é mortífera e perigosa!

O velho Hipócrates, Pai da medicina, viveu cento e quarenta anos sempre forte, robusto. Perguntaram-lhe, então, por que pôde viver tanto e conservar-se tão bem, ao que respondeu:

Sempre comi pouco. Nunca me levantei da mesa sem ter ficado com um pouco de apetite...

“A gula mata mais gente que a espada”, disse Santo Agostinho. O Apóstolo nos aconselha a que sejamos bem sóbrios. Fratres, sobrii estote… “Irmãos, sede bem sóbrios!...” (1Pd 5, 8)

O vício da gula, retratado por Jacques de l'Ange.

Não imitemos estes gozadores da vida, materialões grosseiros que vivem para a mesa.

A vida é tão preciosa e séria! Por que desperdiçá-la assim fazendo do ventre um deus? Diz a Escritura que muitos homens fazem do estômago o seu deus: — quorum deus venter est…O deus deles é o ventre” (Fl 3, 19).

Que coisa feia! Oh! sejamos sóbrios! É tão delicado, tão nobre e tão cristão!

O jejum quaresmal bem observado, por exemplo, não faz mal. O jejum purifica nossa alma e nos santifica. Sejamos fiéis à lei da Igreja. Diz o Prefácio da Quaresma: — “Senhor, Vós, pelo jejum corporal, reprimis os vícios, elevais o espírito e nos concedeis a virtude e o prêmio por Cristo Nosso Senhor”.

Que mais podemos desejar?

Este jejum, tão descuidado pelos cristãos fracos e negligentes de hoje, é vida para alma, saúde para o corpo e penhor de salvação.

E como é grosseiro e feio o vício da gula!

Referências

  • Transcrito e levemente adaptado do livro Meu ponto de meditação, Taubaté: Editora SCJ, 1941, p. 53s.

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Obrigado a todos e mãos à obra!
Padre Paulo Ricardo

Obrigado a todos e mãos à obra!

Obrigado a todos e mãos à obra!

Um agradecimento, um pedido e uma prestação de contas do Padre Paulo Ricardo.

Padre Paulo Ricardo10 de Novembro de 2017
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Gostaria de expressar, antes de tudo, a minha gratidão a todas as pessoas que nesses últimos dias entraram em contato conosco, pelo mais diversos meios, por ocasião de meus 50 anos de vida. Muito obrigado pelo carinho, pelas orações e pelos sacrifícios! É realmente uma alegria muito grande sermos família juntos!

Muitas pessoas manifestaram o desejo de me dar um presente. Como já expliquei recentemente, durante a comemoração de meu jubileu sacerdotal, não quero nenhum presente para mim mesmo. Se tem algo, no entanto, em que você pode nos ajudar, é na construção do Centro de Catequese Santa Teresinha do Menino Jesus, localizado na paróquia Cristo Rei, onde sou vigário, na cidade de Várzea Grande (MT). (Para saber melhor em que consiste esse projeto e conhecer os meios concretos de nos ajudar, clique aqui.)

Foi em junho que iniciamos essa campanha para reativar as obras de nosso centro catequético e, graças a Deus e à sua colaboração, conseguimos arrecadar, até o momento, R$ 248.121,70.

A todos os que já contribuíram com essa iniciativa, fica registrado aqui o nosso agradecimento.

Se você ainda não contribuiu, porém, ou se contribuiu e deseja nos ajudar mais, não deixe de visitar a página de nossa campanha e escolher a forma que achar mais conveniente de fazer a sua doação: por depósito, por cartão de crédito ou por boleto bancário.

Informo, por fim, que essa é uma iniciativa independente de nosso apostolado na internet. Tudo o que for arrecadado através do site que indicamos acima será destinado exclusivamente às obras de construção do Centro de Catequese Santa Teresinha do Menino Jesus.

Muito obrigado desde já pelas orações e pela generosidade em dar esse presente às nossas crianças!

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A felicidade não é deste mundo
EspiritualidadeSantos & Mártires

A felicidade não é deste mundo

A felicidade não é deste mundo

Em uma de suas cartas, Santa Zélia Martin, a mãe de Santa Teresinha do Menino Jesus, ilustra o que “acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não se torna rico diante de Deus”.
Equipe Christo Nihil Praeponere9 de Novembro de 2017
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Em uma das muitas cartas escrita ao seu irmão Isidoro Guérin, Zélia Martin,a piedosa mãe de Santa Teresinha do Menino Jesus, relata um fato corriqueiro da vida de Alençon [1], do qual extrai para si e seu irmão — e, agora, também para nós — uma importantíssima lição espiritual.

Ela indaga ao irmão se havia conhecido um senhor, “dono do moinho grande”, que estava a construir com sua esposa “uma casa magnífica”, em frente a um bom estabelecimento da cidade, Le Grand Café de La Renaissance. Segundo Santa Zélia, “esta casa era já a delícia dos dois”, que planejavam mudar-se “e não sair de lá senão por sua morte”. A mulher, principalmente, cheia de satisfação, dizia a quem quer que a encontrasse:

“Oh! meu Deus! que feliz que eu sou! Não me falta nada: tenho saúde, tenho riqueza, compro tudo o que me apetece, não tenho filhos que me perturbem o descanso, enfim, não conheço ninguém com tanta sorte como eu.”

Certamente alguns de nós já ouvimos história ou conhecemos caso semelhante. O próprio Jesus conta no Evangelho segundo São Lucas (12, 13-21) a parábola de um homem rico que, não tendo onde pôr a fartura de sua colheita, decidiu derrubar seus celeiros e construir maiores, a fim de abrigar todos os seus bens e dizer a si mesmo: “Meu caro, tens uma boa reserva para muitos anos. Descansa, come, bebe, goza a vida!”. A resposta do Céu para ele, no entanto, era outra: “Tolo! Ainda nesta noite, tua vida te será tirada. E para quem ficará o que acumulaste?”.

A mãe de Santa Teresinha, conhecendo a sabedoria evangélica, continua a sua carta dizendo que sempre tinha ouvido dizer: “Ai de quem fala deste modo!”. O desfecho da vida deste casal anônimo ela o relata em seguida:

“Mas voltemos à nossa história:

No Sábado, pela seis horas da tarde, o Senhor e a Senhora Ch... foram visitar a sua esplêndida moradia e passar a tarde com os parentes no Café do Renascimento. Pelas oito e meia o marido disse à esposa: ‘Tenho de pôr uma carta no correio e já é tarde; vem comigo’. Partiram imediatamente e ao regressarem, disseram: Para chegar mais depressa vamos pelo atalho que atravessa o nosso jardim. De facto o jardim dava para aquele sítio e terminava mesmo em frente do Café onde estavam à espera deles.

Mas ao cabo do jardim andavam a abrir uma fossa e era preciso passar de lado, por cima de umas tábuas. Como já não se via bem, o marido aproximou-se demais e caiu lá dentro. A seguir caiu a senhora, arrastando consigo uma pedra que matou o marido. Chamou por socorro e acorreram aos gritos. A ela encontraram-na gravemente ferida e levaram-na para casa da irmã onde expirou daí a uns dez minutos.

Por volta das nove horas e meia oiço muitos passos junto de casa e forte vozearia. Vou a ver: transportavam os corpos em duas macas. E aqui está a história dum casal tão feliz!...”

O angustiante fim que teve esse casal é o mesmo que teve o rico insensato do Evangelho e pode ser concluído com as palavras exatas do Senhor: “Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não se torna rico diante de Deus” (Lc 12, 21).

Todavia, o tom assustador com que Zélia conclui a história não nos deveria assustar, mas fazer-nos refletir sobre a ilusão em que vivemos muitos (tantos de nós!) com as coisas deste mundo. Quando vamos entender, afinal, que a conquista de uma casa nova, ou do último lançamento de um carro, ou de um título acadêmico importante — uma vida abastada, enfim — nada disso pode saciar nosso coração? Por que, então, continuarmos perseguindo a todo custo essas coisas, enquanto descuramos, ao mesmo tempo, de nossa salvação eterna?

Ouçamos, por fim, a conclusão que Santa Zélia Martin dá a todo o caso:

“Meu caro amigo, estou tão persuadida disto que te acabo de dizer, que em certas épocas da minha vida em que eu me julgava realmente feliz não era sem tremer que eu pensava nisso, porque é certo e provado pela experiência que a felicidade não é deste mundo... Não, a felicidade não é deste mundo, e quando tudo prospera é mau sinal. Deus, na Sua infinita sabedoria, assim o quis, para nos recordar que a terra não é a pátria verdadeira.”

Guardemos conosco o ensinamento precioso desta sábia mãe de família, que sabia buscar as coisas do alto (cf. Cl 3, 1). Fixemos também em nosso coração essa verdade tão sublime, que a família Martin viveu plenamente ao educar as suas filhas para o Céu. Meditando sempre em nossa morte e na eternidade, com certeza resistiremos à tentação da avareza.

Referências

  1. Carta da Senhora Martin ao irmão, em 28 de março de 1864. In: PIAT, P. Stéphane Joseph. História de uma família. 3. ed. Braga, Apostolado da Imprensa, pp. 60-61.

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