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Por que Jesus quis ser batizado?
Espiritualidade

Por que Jesus quis ser batizado?

Por que Jesus quis ser batizado?

Se São João Batista pregava um batismo de conversão e arrependimento, por que Jesus, que não tinha pecados nem precisava se converter, quis ser batizado por ele?

Pe. Antonio Royo MarínTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere8 de Janeiro de 2018
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Se João Batista pregava um batismo de conversão e arrependimento, como aprendemos das SS. Escrituras (cf. Mt 3, 1-2), por que Jesus, que não tinha pecados nem precisava converter-se, quis ser batizado por ele?

Recordemos, em primeiro lugar, a cena evangélica tal como a narra o evangelista S. Mateus:

Da Galiléia foi Jesus ao Jordão ter com João, a fim de ser batizado por ele. João recusava-se: “Eu devo ser batizado por ti e tu vens a mim!” Mas Jesus lhe respondeu: “Deixa por agora, pois convém cumpramos a justiça completa”. Então João cedeu. Depois que Jesus foi batizado, saiu logo da água. Eis que os céus se abriram e viu descer sobre ele, em forma de pomba, o Espírito de Deus. E do céu baixou uma voz: “Eis meu Filho muito amado em quem ponho minha afeição” (Mt 3, 13-17).

Vejamos agora as consequências de ordem teológica que se depreendem deste episódio da vida de Nosso Senhor.

Antes de tudo, é preciso afirmar que, à semelhança de todas as outras obras de Deus, foi muito conveniente que Cristo fosse batizado e recebesse o batismo de João.

Santo Tomás de Aquino oferece-nos as seguintes razões para provar a conveniência do batismo de Jesus (cf. S. Th. III, q. 39, a. 1, co.):

  1. Em primeiro lugar, Jesus, ao ser batizado, purificou a água, deixando-a limpa com o contato de sua carne santíssima e conferindo-lhe, assim, a virtude de santificar os que depois dele haviam de ser batizados. Por isso, podemos dizer que Jesus foi batizado, não para purificar-se, mas para purificar-nos.
  2. Além disso, embora Cristo não fosse pecador, assumiu a semelhança da carne de pecado, como diz S. João Crisóstomo, e quis, com o seu batismo, que todo o velho Adão submergisse nas águas da regeneração.
  3. Por fim, Jesus, modelo de todas as virtudes e fiel cumpridor da Lei tanto antiga como nova, quis fazer ele mesmo o que nós, por ordem sua, estamos obrigados a fazer. Assim, serviu-nos de exemplo e estimulou-nos a receber o verdadeiro batismo que ele havia de instituir mais tarde.

E foi conveniente que o Senhor recebesse justamente o batismo de João, e não o batismo cristão e sacramental, porque, estando cheio do Espírito Santo desde o primeiro instante de sua concepção, não precisava receber o batismo espiritual.

Desta forma, aliás, Jesus autorizava o batismo de João como preparação para o verdadeiro batismo e, como dito acima, nos estimulava com o seu exemplo a receber este último.

O batismo do Senhor, além disso, foi acompanhado de uma série de circunstâncias e sinais muito chamativos. Também eles foram convenientes e oportunos. Vejamos um por um.

  • Quanto à idade, foi muito razoável que Cristo se batizasse aos trinta anos, pois esta é a idade que, de um modo geral, se considera a mais perfeita, e foi nela que Jesus começou a pregar o Evangelho. Em todo caso, o batismo cristão deve ser recebido logo após o nascimento, para que o recém-nascido não seja privado da graça nem corra o risco de morrer sem este sacramento tão necessário.
  • Quanto ao lugar, foi conveniente e muito simbólico que Jesus se batizasse no rio Jordão, que os israelitas tiveram de atravessar para entrar na terra prometida. O batismo de Cristo, com efeito, nos introduz na verdadeira terra prometida, que é o Reino dos Céus.
  • Além disso, foi muitíssimo oportuno que, durante o batismo de Cristo, os céus se abrissem sobre ele, a fim de significar que, pelo batismo cristão, nos são abertas as portas do reino celestial, fechadas ao primeiro homem por causa do pecado.
  • Foi também convenientíssimo que o Espírito Santo descesse sobre o Senhor em forma de pomba, para significar que todo aquele que recebe o batismo de Cristo se converte em templo e sacrário do Espírito Santo, devendo, por isso mesmo, levar uma vida simples e pura como a de uma pomba.
  • Finalmente, foi conveniente que no batismo de Cristo se ouvisse a voz do Pai manifestando o seu agrado, uma vez que o batismo cristão se realiza pela invocação e o poder da Santíssima Trindade, e no batismo de Cristo se manifestou todo o mistério trinitário: a voz do Pai, a presença do Filho e a descida do Espírito Santo em forma de pomba.

Vale a pena notar ainda duas coisas. Em primeiro lugar, foi muito oportuno que Deus Pai se manifestasse pela voz, porque é próprio do Pai gerar o Verbo, que significa justamente “a Palavra”, de maneira que a própria voz emitida pelo Pai dá testemunho da filiação do Verbo.

Por fim, é preciso ter o cuidado de notar que a pomba que apareceu sobre Cristo simbolizava o Espírito Santo; mas de modo nenhum devemos crer que se tratava do próprio Espírito Santo manifestando-se de forma visível, pois ele não assumiu nenhuma natureza corpórea, diferentemente do Verbo, que assumiu na unidade de sua pessoa a natureza humana de Cristo.

Referências

  • Tradução e adaptação de Antonio R. Marín, Jesucristo y la Vida Cristiana. Madrid: BAC, 1961, pp. 276-278, nn. 248-249.

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Maria: o segredo das famílias santas
Virgem Maria

Maria: o segredo das famílias santas

Maria: o segredo das famílias santas

A devoção a Maria é, comprovadamente, o sinal mais claro de uma família unida e o meio mais eficaz de produzir famílias santas.

Pe. Gabriel M. RoschiniTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere31 de Dezembro de 2017
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A graça, como todos sabemos, não destrói a natureza, mas a eleva e aperfeiçoa. Foi por isso que Deus, ao confiar seu Filho único aos cuidados de Maria e José, quis que Nossa Senhora, como toda boa mãe, fosse o centro e o coração da Sagrada Família. A Ela Jesus, com incrível humildade, e José, com castíssimo amor, dedicavam seus melhores afetos e atenções.

E é também por isso que Maria, ainda hoje, deve continuar sendo a alma e o coração dos lares cristãos: Ela é a Rainha, o modelo, a ajuda e o ânimo para todas as famílias que desejam permanecer unidas e ser santas como santa foi a casinha de Nazaré.


A devoção a Maria é uma fonte viva de benefícios, não só para o indivíduo, mas também para toda a sociedade, seja doméstica, seja civil ou religiosa. No que diz respeito à sociedade doméstica em particular, quatro palavras sintetizam as relações que ligam Maria SS. com a família cristã: Rainha, modelo, ajuda e ânimo.

Vejamos de que maneira o culto de devoção a Nossa Senhora pode ajudar a promover, de modo muitíssimo eficaz, a unidade e a santidade dos nossos lares.

1) Maria, Rainha da família

Maria SS. é e deve ser, em primeiro lugar, a Rainha da família cristã. Esta realeza de Maria tem o seu fundamento sólido nas singulares relações que a unem à grande e eterna família do céu, composta pelas três pessoas divinas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Maria SS., como disse Pio XII, está “misteriosamente aparentada, em virtude da união hipostática, com a SS. Trindade e com Aquele que, só, é por essência a Majestade infinita, Rei dos Reis e Senhor dos senhores, como Filha primogênita do Pai, Mãe terníssima do Verbo, Esposa predileta do Espírito Santo” [1].

Ela é, com efeito, por esse seu divino “parentesco” com a família divina, Rainha de todas as outras famílias; tem, portanto, direito à homenagem, ao obséquio e à servidão de todas elas. Donde a suma conveniência de que todas as famílias, além de consagrar-se ao S. Coração de Cristo Rei, consagrem-se também ao Coração Imaculado e doloroso de Maria Rainha, a fim de reconhecer de uma maneira solene e voluntária esse domínio natural que Ela tem sobre todas as famílias.

Daí a oportunidade de erigir em todos os lares, no lugar mais frequentado da casa, um altarzinho com uma bela imagem de Maria SS., de maneira que todos possam tê-la continuamente diante dos olhos e no coração, tornando-se assim, na prática, Rainha do lar, verdadeira “ama da casa”.

Será também oportuno colocar em todos os cômodos alguma bela imagem de Maria: Ela deve constituir o centro ao redor do qual se desenvolva e no qual se inspire toda a vida doméstica. Diante dela a família deve recolher-se em oração, especialmente durante a récita do Santo Terço. A Ela as crianças devem aprender a pedir perdão depois de qualquer travessura. A Ela, além de flores materiais, devem-se oferecer todas as flores espirituais, bem como as florezinhas que em sua honra produzem e pintam as crianças. A Ela se recorre continuamente nas várias necessidades da família, tanto espirituais quanto materiais. A Ela, enfim, a saudação de todos ao entrar ou sair de casa.

Será de bom conselho renovar todos os anos o ato de consagração a Maria, a fim de trazer outra vez à memória nossos deveres para com a amabilíssima Rainha de todas as famílias. E podemos facilmente imaginar os grandes e incalculáveis efeitos de semelhante presença de Maria em todas as famílias cristãs. O pensamento, tão óbvio, de não entristecer jamais a uma tão excelsa Rainha, sentada em seu trono, será de grande eficácia para impedir as blasfêmias, as palavras feias, as discussões, as imprecações; numa palavra, o pecado em todos os seus aspectos. Não será menor a eficácia de semelhante presença em fazer com que floresçam, tendo-a como exemplo luminoso, as mais belas virtudes cristãs, particularmente as domésticas.

2) Maria, modelo da família

Maria SS., em segundo lugar, deve ser o modelo da família cristã e, de uma maneira muito particular, daquela que é o centro e o coração da família: a mãe. Só será mãe cristã, autêntica e verdadeira, aquela que se amoldar ao exemplo da augusta Mãe de Cristo.

E quais as notas característica de um coração de mãe? São duas: o amor e o sacrifício. Ora, não são estas justamente as duas notas mais melodiosas do Imaculado Coração de Maria? Que poder de amor e que espírito de sacrifício há naquele Coração! Ela é e será sempre a Mestra das mestras na arte de sobrenaturalizar o amor e o sacrifício.

Mas a Virgem SS., na família cristã, além de ser modelo insuperável de mãe, é também o modelo mais completo para os filhos. Com efeito, ninguém, depois de seu próprio e divino Filho, esteve mais perfeitamente do que Ela sujeito a seus pais, cercando-os de respeito, de afeto filial e de infinitas delicadezas. Nela, por conseguinte, devem inspirar-se todos os filhos de família, se queremos que cada família cristã se converta em outra Família de Nazaré.

3) Maria, ajuda da família

Maria SS., em terceiro lugar, é ajuda da família cristã. Entre os poucos, mas significativos episódios referidos pelo Evangelho a respeito de Maria SS., há dois que nos revelam o quão propensa é a Virgem a  socorrer as famílias cristãs. Estes dois episódios referem-se às duas famílias que tiveram grande relação com Cristo: a de Zacarias e a desconhecida família de Caná.

Deviam ser duas famílias muito devotas de Maria SS. e muito conhecidas e amadas por Ela. Foi em favor destas duas famílias que Ela alcançou de Jesus dois milagres, os dois primeiros milagres que Ele realizou: o primeiro, na ordem sobrenatural: a santificação de S. João Batista; o segundo, na ordem natural: a conversão da água em vinho.

Maria SS. ficara sabendo pelo Anjo, no dia da Anunciação, que sua prima Isabel, mulher de Zacarias — que ficara mudo pela incredulidade às palavras do Anjo —, depois de tantos anos de humilhante esterilidade, era agora mãe, e mãe do Precursor de seu divino Filho. Desejosa de participar da inefável alegria de sua santa prima, abandona a celestial solidão de Nazaré, dirige-se às montanhas da Judéia e entra na casa de Zacarias. Levado por Maria, entra ali também Jesus. Assim outrora; assim agora; assim sempre.

À voz da saudação que Maria dirige à dona da casa, Isabel sente-se cheia do Espírito Santo, e o pequeno Batista, saltando no seio de sua mãe, expressa com aquela manifestação de alegria a santificação produzida em sua alma. Com este excelso dom sobrenatural (a voz de Maria foi como o veículo daquela primeiro milagre), Ela recompensou o afeto que lhe tinha aquela família.

O mesmo deve ser dito da visita de Maria a uma outra família, que estava prestes a constituir-se. Aqueles dois jovens esposos tiveram a nobre ideia de convidar Maria para participar da alegria que lhes inundava o coração, ao verem finalmente realizado o seu sonho de amor. Maria aceita, com complacência maternal. Por respeito a Maria — como parece deduzir-se do texto —, convidam também a Jesus com seus primeiros discípulos.

Sempre acontece assim: onde entra Maria, antes ou depois entrará também Jesus, e com Jesus todo o bem, tanto espiritual como material. Foi nesta ocasião feliz que o contrato matrimonial elevou-se à dignidade de sacramento [2], ou seja, foi elevado para significar a inefável união de Cristo com a Igreja e a conferir a graça necessária ao cumprimento de todos os deveres conjugais. Este foi o benefício espiritual. A ele veio somar-se o material.

Aconteceu, pois, que o vinho começou a faltar, e Maria SS., sem que ninguém lho pedisse, dirigiu-se a seu divino Filho, e Ele realizou o milagre — o primeiro, o que abriu a série de seus milagres — da conversão da água em um generoso vinho. Esta mesma ajuda, prestada a estas duas famílias, a Virgem há de prestá-las sem dúvida alguma, ainda que não lha peçam explicitamente, a todas as famílias que lhe oferecerem seus obséquios.

4) Maria, ânimo da família

A Virgem SS. é, em quarto lugar, o ânimo da família cristã. A quantas famílias tem confortado a Consoladora dos aflitos! Em primeiro lugar, confortou a primeira família humana, imediatamente depois de sua clamorosa derrota pela serpente infernal.

Com efeito, das palavras dirigidas por Deus à serpente, a “Mulher” prometida aparece como um raio de esperança entre as trevas da culpa, como promessa de vitória sobre a serpente vencedora. A luminosa visão desta prometida eterna inimiga e vencedora de Satanás foi o que consolou nossos primeiros pais e a seus descendentes nas amarguras da peregrinação terrena. A Ela, pois, dirigiu a humana família, desde o primeiro momento, seu olhar como a uma tábua de salvação, e como a seu supremo ânimo.

Confortou, com sua vinda a este mundo, a sua própria família, ou seja, a seus santos pais, aflitos — segundo uma antiga e venerável tradição — por uma longa e humilhante esterilidade. A alegria trazida por Maria SS. à sua família não era mais do que um símbolo da alegria que Ela havia de trazer a toda a família humana em geral e a cada família que a faz penetrar em suas paredes domésticas.

Estes são, em rápida síntese, os benefícios preciosos e incalculáveis que a devoção terna e sólida à Virgem SS. traz para a família. Se é verdade que a família é o “centro da humanidade”, já que a sociedade, tanto civil como religiosa, não é mais do que a extensão da família, também é verdade que a salvação da família acaba por coincidir com a salvação da sociedade. E a salvação da família é precisamente Maria, Rainha do lar. Eis porque se deve “à SS. Virgem tudo o que de bom tem a família. Nunca será demais repeti-lo” [3].

Referências

  • Tradução e adaptação de Gabriel M.ª Roschini, La Madre de Dios según la Fe y la Teología. Trad. esp. de Eduardo Espert. 2.ª ed., Madrid: Apostolado de la Prensa, 1958, vol. 2, pp. 505-509.

Notas

  1. Cf. L’Osservatore Romano, 19 mai. 1946.
  2. É contudo ponto discutível em teologia sacramental o momento exato em que Cristo teria elevado o matrimônio à dignidade de sacramento da Nova Aliança (Nota da Equipe CNP).
  3. S. de Lestapis, “Marie et la Famille”, em: Marie, vol. 1, Paris, Beauchesne, p. 767.

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Cinco conselhos de um santo para 2018
Espiritualidade

Cinco conselhos de um santo para 2018

Cinco conselhos de um santo para 2018

Dicas valiosas de São Josemaría Escrivá para a tarefa mais importante de nossa existência: a salvação da nossa alma.

Equipe Christo Nihil Praeponere28 de Dezembro de 2017
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Todo começo de ano, as pessoas têm o costume de "fazer promessas". Examinam a própria consciência – coisas que fizeram de modo errado ou de que se arrependeram mais tarde –, elegem suas testemunhas – Deus, a própria consciência, a família ou os amigos mais próximos – e fazem sua lista: "Neste ano, vou fazer isto e isto; e deixar isto, isto e aquilo...". 

Ainda que a pessoa se esqueça do que prometeu nos primeiros dias de janeiro (o que não é nada incomum), os "propósitos de ano novo" são uma boa iniciativa: ilustram o anseio do homem pelo bem e pela perfeição, e ajudam-no a não se conformar com uma vida medíocre, levada "de qualquer modo".

Esta noção de seriedade diante da vida é profundamente cristã. Na famosa parábola dos talentos, Nosso Senhor compara o Reino dos céus a um homem que, tendo viajado para o estrangeiro, deixou seus bens a três servos. Enquanto os dois primeiros trabalharam para multiplicar o que tinham recebido, e foram elogiados por seu senhor, o terceiro, que enterrou na terra o que recebeu, foi repreendido com o apodo de "servo mau e preguiçoso" e jogado nas trevas, onde "haverá choro e ranger de dentes" (cf. Mt 25, 14-30). 

Deus dá a cada ser humano a oportunidade única de viver - não haverá outra "encarnação", como supõem os espíritas - e espera amorosamente que ele trabalhe e desenvolva os talentos que Ele lhe concedeu. "Trabalhai na vossa salvação com temor e tremor" (Fl 2, 12), diz também São Paulo.

Que tal ser aconselhado por um santo para fazer sua lista de propósitos para o ano que se iniciou? Abaixo, seguem algumas pérolas de São Josemaría Escrivá, o santo do quotidiano, com recomendações valiosas para o trabalho mais importante de nossa existência: a salvação da nossa alma.

1. Lutar contra os pecados veniais

"Já sei que evitas os pecados mortais. - Queres salvar-te! - Mas não te preocupa esse contínuo cair deliberadamente em pecados veniais, ainda que sintas o chamado de Deus para te venceres em cada caso. - É a tibieza que torna a tua vontade tão fraca." (Caminho, 327)

"Quem é fiel nas pequenas coisas será fiel também nas grandes, e quem é injusto nas pequenas será injusto também nas grandes" (Lc 16, 10). Quem quer seguir Nosso Senhor, deve deixar de lado a "mentalidade do salário mínimo" e começar a servi-Lo com maior generosidade. Não nos basta seguir os Dez Mandamentos, o chamado de Cristo é que sejamos santos – ou seja, que O amemos de verdade, por completo.

Quantas vezes Nosso Senhor "incomoda" a nossa consciência, alertando-nos para certas palavras ou atitudes que não correspondem à Sua vontade, mas que muitas vezes tratamos como se não fossem nada ou – pior – dizemos serem "somente" pecados veniais. Santo Anselmo pergunta: "Quem terá a ousadia de dizer: isto é só um pecado venial, e, portanto, não é um grande mal? Se Deus é ofendido, como se poderá afirmar que isso é um pequeno mal?"

Por isso, abandonemos de vez os pecados veniais, "vulpes parvulas, quae demoliuntur vineas - as pequenas raposas que destroem a vinha" (Ct 2, 15).

2. Acordar na hora certa

"Vence-te em cada dia desde o primeiro momento, levantando-te pontualmente a uma hora fixa, sem conceder um só minuto à preguiça. Se, com a ajuda de Deus, te venceres, muito terás adiantado para o resto do dia. Desmoraliza tanto sentir-se vencido na primeira escaramuça!" (Caminho, 191)

"O minuto heróico. - É a hora exata de te levantares. Sem hesitar: um pensamento sobrenatural e... fora! - O minuto heróico: aí tens uma mortificação que fortalece a tua vontade e não debilita a tua natureza." (Caminho, 206)

Muitas pessoas têm problemas para dormir; tantas outras, porém, têm o problema oposto: não conseguem levantar-se da cama no outro dia. Às vezes até dormem mais cedo, colocam o despertador para determinado horário, mas, simplesmente não acordam – ou pior, não querem levantar-se! Depois que ativam a "função soneca" do celular, elas cochilam indefinidamente, chegando a perder o horário e deixando de cumprir os seus deveres em casa, na escola ou no trabalho.

É certo: às vezes, a rotina do dia a dia esgota-nos sobremaneira. Todavia, é preciso reconhecer que as perdas de tempo na cama, de manhã, normalmente se devem muito mais à nossa preguiça que ao nosso cansaço físico. Afinal, se aquela hora específica é o momento que tínhamos fixado para acordar, por que adiar para mais tarde?

Em 2018, este pode ser um ótimo propósito para nós: o "minuto heroico", levantar na hora certa, sem negociatas com o celular, "sem hesitar". Além de adiantar muito para o resto do dia, tal prática pode ser feita como verdadeiro exercício de mortificação. E a mortificação - não se pode esquecer - é uma escada imprescindível para subir ao Céu.

3. Fazer alguns minutos diários de meditação

"Meditação. - Tempo certo e a hora certa. - Senão, acabará adaptando-se à nossa comodidade: isso é falta de mortificação. E a oração sem mortificação é pouco eficaz." (Sulco, 446)

"Um tempo de meditação diária - união de amizade com Deus - é coisa própria de pessoas que sabem aproveitar retamente a sua vida; de cristãos conscientes, que agem com coerência." (Sulco, 665)

Em um mundo tomado por uma agitação contínua, na qual as pessoas agem quase que "a toque de caixa", falar de rezar chega a parecer conversa de outro mundo – ou da Idade Média. Com tanta coisa para fazer, parece não sobrar tempo para Deus e para o cuidado de nossa vida interior. Levado pelo ritmo frenético do dia a dia, então, quem é ateu vai simplesmente passando a sua curta existência neste mundo, e quem é cristão vai pouco a pouco se tornando materialista, uma espécie de "ateu prático".

O conselho de São Josemaría é um desafio para o homem moderno: "um tempo de meditação diária", com "tempo certo" e "hora certa". Um momento reservado, escolhido, específico, para Deus. É claro que é possível rezar enquanto se trabalha. São Paulo mesmo pede aos cristãos que rezem sem cessar (cf. 1Ts 5, 17). Isso, no entanto, não pode ser desculpa para deixar de escolher um horário determinado e especial para tratar com Deus. O Cristianismo é a religião do amor. Quando alguém ama, quer estar com a pessoa amada, conversar com ela, desfrutar da sua presença. Ora, como podemos amar a Deus, se não queremos passar alguns poucos minutos diários diante d'Ele?

Em suma, na religião cristã, não se pode descuidar da oração, que é realmente a porta da santidade.

4. Não esquecer o exame de consciência

"Se lutas de verdade, precisas fazer exame de consciência. - Cuida do exame diário: vê se sentes dor de Amor, porque não tratas Nosso Senhor como deverias." (Sulco, 142)

"Há um inimigo da vida interior, pequeno, bobo; mas muito eficaz, infelizmente: o pouco empenho no exame de consciência." (Forja, 109)

"Que o sol não se ponha sobre o vosso ressentimento" (Ef 4, 26), diz o Apóstolo. Trata-se de um conselho importantíssimo para qualquer convivência sadia entre as pessoas. Ora, se é preciso cuidar do relacionamento com os outros, muito mais da nossa intimidade com Deus!

Por isso, um belo propósito para este ano é não deixar que o dia termine sem fazer um diligente exame de consciência. Quem ama, procura sempre melhorar, corrigindo os próprios erros, a fim de agradar a pessoa amada. Um exame bem feito, todos os dias, ao final da noite, além de fortalecer a união com o Senhor, torna mais concreto e responsável o nosso amor a Ele, eliminando as ofensas e imperfeições que atingem o Seu coração. Não se pode, portanto, negligenciar a importância do exame de consciência para a nossa vida espiritual.

5. Perseverar no trabalho

"Deves sentir cada dia a obrigação de ser santo. - Santo!, que não é fazer coisas esquisitas: é lutar na vida interior e no cumprimento heróico, acabado, do dever." (Forja, 60)

"Obstáculos?... Às vezes, existem. - Mas, em algumas ocasiões, és tu que os inventas por comodismo ou por covardia. - Com que habilidade formula o diabo a aparência desses pretextos para que não trabalhes...!, porque sabe muito bem que a preguiça é a mãe de todos os vícios." (Sulco, 505)

"'Passou-me o entusiasmo', escreveste-me. - Tu não deves trabalhar por entusiasmo, mas por Amor; com consciência do dever, que é abnegação." (Caminho, 994)

Não é verdade que o trabalho seja um castigo decorrente do pecado original. "O trabalho não é um castigo - ensina o Catecismo da Igreja Católica -, mas a colaboração do homem e da mulher com Deus no aperfeiçoamento da criação visível" (§ 378). Por isso, antes mesmo que o primeiro homem pecasse, Deus o pôs no jardim do Éden "a fim de o cultivar e guardar" (Gn 2, 15). 

Se a queda desfigurou o trabalho humano – o ser humano passou a comer o pão "com trabalhos penosos" e "com o suor do seu rosto" (cf. Gn 3, 17-19) –, Nosso Senhor, que passou a Sua vida oculta no serviço simples e escondido da carpintaria de Nazaré, devolveu-lhe a beleza e o significado originais. O homem não trabalha simplesmente para cumprir uma pena. Trabalha para ser santo. Para lutar "na vida interior e no cumprimento heroico, acabado, do dever".

O segredo de todos esses conselhos, todavia, está no amor. "Tu não deves trabalhar por entusiasmo, mas por Amor", diz o santo do quotidiano. Qualquer propósito para 2018 será em vão se não tiver como motor principal a caridade. Os sentimentos, o "entusiasmo", os arrepios dos primeiros anos de conversão, todas essas coisas passam. Ao contrário, o amor, fundado na vontade firme, na "determinada determinación" de agradar a Deus, permanece. Dia após dia, renovemos as nossas "promessas" de entrega e fidelidade a Ele. E teremos, sem dúvidas, um ano muito melhor do que este que passou.

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Mistérios: um ato falho de Allan Kardec
Doutrina

Mistérios: um ato
falho de Allan Kardec

Mistérios: um ato falho de Allan Kardec

Como o fundador do Espiritismo admitiu, sem querer, a noção católica de “mistério”.

Frei Boaventura Kloppenburg27 de Dezembro de 2017
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Allan Kardec, apesar de ter escrito que “para o espiritismo não há mistérios”, reconheceu em inúmeras obras os limites da razão humana e a infinitude do poder divino. Será mesmo que os espíritas, ao defenderem que os mistérios não são mais do que “leis físicas ainda não descobertas”, estão realmente sendo fiéis à doutrina do “codificador” do Espiritismo?

É razoável não crer em alguma coisa só porque não se é capaz de penetrar a fundo o seu significado? Qual é, enfim, a razão por que os espíritas rejeitam a divindade de Cristo, a Santíssima Trindade, o inferno e outra longa série de verdades ensinadas por Cristo? Não é simplesmente porque “não compreendem” e lhes contradiz a maneira de ver?

É o que Frei Boaventura Kloppenburg procura responder neste texto, extraído de um importante livro apologético de sua autoria.


“Quando se nos quer impingir um princípio incompreensível ou uma tese que não convém esmiuçar, dá-se-lhe o nome de mistério e proíbem-se indagações. É a escuridão. Proscreve-se a análise, a elucidação, o livre exame, o estudo”.

Quantas vezes tivemos de ler frases como estas! Só porque defende o mistério, a Igreja é acusada de mil crimes contra a razão humana. E é, no entanto, precisamente a razão humana que nos diz que deve haver mistérios.

Queiram os espíritas acompanhar o seguinte raciocínio. Deus é infinito em todos os seus atributos, é a sabedoria infinita, que sabe tudo e tudo compreende; nós homens, por mais evoluídos que nos reputemos, somos sempre limitados e não vemos nem sabemos nem compreendemos tudo.

Estas duas afirmações são perfeitamente razoáveis. O próprio Allan Kardec haveria de subscrevê-las, como veremos logo mais. Mas daí segue que podem existir verdades conhecidas e perfeitamente compreendidas pela sabedoria incriada, Deus, e que a inteligência criada e limitada, o homem, não atinge em sua essência. Ainda isso é altamente razoável.

Continuemos, pois, o pensamento. É possível ainda que Deus revele aos homens a existência de certas verdades que, em si mesmas, só Ele conhece, sem revelar-nos a natureza íntima destas mesmas verdades.

Ora, suponhamos que Deus, em sua bondade e condescendência, de fato nos revele semelhantes verdades. Qual deveria ser então a atitude do homem perante tais revelações? Seria razoável pôr em dúvida a veracidade ou a sabedoria de Deus? Certamente não.

A própria razão humana, por conseguinte, nos manda tomar a seguinte atitude diante de Deus. O homem aceita, de joelhos e agradecido, o que Deus lhe revela, mesmo que não o consiga compreender perfeitamente. Até no mundo material há inúmeros fatos de cuja existência não se pode razoavelmente duvidar, mas cuja essência ou natureza íntima nos permanece oculta. É, por exemplo, verdade certa que existe a vida, mas até hoje ninguém conseguiu explicar satisfatoriamente sua essência ou natureza. Louco seria quem negasse a vida ou a eletricidade como fato só porque não lhe compreende a essência.

Semelhantemente há, no mundo material em que vivemos, um sem-número de fatos ainda inexplicáveis e não raras vezes até aparentemente contraditórios. Basta perguntar aos especialistas em biologia, em física, em química etc.

Ora, todo homem razoável, ainda mais o espiritualista que, como os espíritas, admite a existência dum mundo espiritual e duma vida do homem depois da morte, deve conceder que também neste mundo espiritual podem existir fatos semelhantes. E, pois, se Deus nos revela misericordiosamente a existência de tais fatos, sem nos falar claramente de sua essência, competirá a nós homens aceitá-las como fatos, muito embora sejam talvez de dificílima compreensão. Sumamente irrazoável seria rejeitá-los.

Pois bem, quando os católicos empregam a palavra mistério, eles entendem precisamente o seguinte: é uma verdade divinamente revelada (como fato), cuja compreensão ou natureza, em parte ou em todo, supera, transcende ou ultrapassa as capacidades naturais da razão humana.

Tais mistérios, porém, podem ser estudados, analisados e esmiuçados à vontade (e esse trabalho recebeu o nome de Teologia e nunca foi proibido pela Igreja, digam embora os espíritas mil vezes o contrário), mas sob uma condição fundamental: que não se negue o fato.

O mesmo acontece no mundo material. Estabelecido, por exemplo, que existe a eletricidade (fato), a razão humana começa o trabalho de investigação, análise e estudo para explicar a natureza deste fenômeno; mas também aí permanece a regra fundamental: que não se negue o fato.

Um exemplo de mistério teológico. Deus nos revelou, por Cristo Jesus, que os que morrerem impenitentes e maus “irão para o suplício eterno” (cf. Mt 25, 45), segundo uma expressão muitas vezes repetida por Cristo. Daí tiramos a conclusão: a existência de um estado e lugar de “suplício eterno”, chamado também por Jesus “inferno”, é um fato.

Por outro lado, sabemos também que Deus é infinitamente bom e misericordioso; é outro fato inegável. Deus revelou evidentemente estes dois fatos. Daí surge o problema teológico: como combinar os dois mencionados fatos? Todo o mundo, inclusive os teólogos católicos, concede que estamos diante dum problema de difícil solução.

Os espíritas pensam resolver o problema negando o primeiro fato revelado (isto é: existe um inferno). Mas isso não é solução nenhuma. É absolutamente fundamental ater-se aos fatos.

O católico acabará talvez dizendo: “Não vejo solução clara; é um mistério”, mas continuará aceitando como certo ambos os fatos, pois ele vê que ambos foram revelados por Deus, que não se engana nem nos pode iludir. O católico não duvida dos fatos, mas pode ter mil dificuldades. Duvidar e ter dificuldades são coisas muito diferentes.

É irracional e indigna do homem a atitude dos católicos? Absolutamente não! Irracional é a posição dos espíritas que negam um fato evidente, porque, como tal, garantido pela autoridade divina. Irracional é a exigência dos espíritas, quando reclamam com Allan Kardec: “É preciso que a razão possa tudo analisar, tudo elucidar, antes de nada aceitar”. Com este princípio os espíritas não deveriam nem aceitar a eletricidade.

Aliás, Allan Kardec, apesar de ter escrito que “para o espiritismo não há mistérios” (Obras Póstumas, 10.ª ed., p. 201), escreveu também as seguintes palavras muito bem pensadas e muito racionais e cristãs:

O homem, cujas faculdades são restritas, não pode penetrar nem abarcar o conjunto dos desígnios do Criador; aprecia as coisas do ponto de vista da sua personalidade, dos interesses factícios e convencionais que criou para si mesmo e que não se compreendem na ordem da natureza. Por isso é que, muitas vezes, se lhe afigura mau e injusto aquilo que considera justo e admirável, se lhe conhecesse a causa, o objetivo, o resultado definitivo. Pesquisando a razão de ser e a utilidade de cada coisa, verificará que tudo traz o sinete da sabedoria infinita e se dobrará a essa sabedoria, mesmo com relação ao que não lhe seja compreensível (A Gênese, ed. de 1949, p. 67).

O grifo é nosso para mostrar que, mesmo segundo Allan Kardec, podem existir o que denominamos mistérios e que, por conseguinte, não é necessário nem mesmo possível que a “razão possa tudo analisar, tudo elucidar, antes de nada aceitar”. Ainda outras vezes fala Kardec do mesmo modo: “Há muitas coisas”,  escreve ele em O Livro dos Espíritos, 22.ª ed., p. 79, “que não compreendeis, porque tendes limitada a inteligência. Isso porém não é razão para que a repelais”. E outra vez: “Deus pode revelar o que à ciência não é dado apreender” (ib., p. 56).

Ele fala também do “orgulho dos homens, que julgam saber tudo e não admitem haja coisa alguma que lhes esteja acima do entendimento”(ib., p. 105). E mais: “Dos efeitos que observamos, podemos remontar a algumas causas. Há, porém, um limite que não nos é possível transpor. Querer ir além é, simultaneamente, perder tempo e cair no erro” (Obras Póstumas, 10.ª ed., p. 31).

E queremos citar mais este texto áureo:

Muita gente há, infelizmente, que toma suas próprias opiniões pessoais como paradigma exclusivo do bom e do mau, do verdadeiro e do falso; tudo o que lhes contradiga a maneira de ver, a suas idéias e ao sistema que conceberam, ou adotaram, lhes parece mau. A semelhante gente evidentemente falta a qualidade primacial para uma apreciação sã: a retidão do juízo. Disso, porém, nem suspeitam. É o defeito sobre que mais se iludem os homens (O Livro dos Médiuns, 20.ª ed., p. 280).

Não teriam sido ele, Kardec, e seus adeptos vítimas deste defeito? Qual é, no fundo, a razão por que rejeitam a divindade de Cristo, a Santíssima Trindade, o inferno e outra longa série de verdades ensinadas por Cristo? Não é simplesmente porque “não compreendem” e lhes contradiz a maneira de ver?

Mas diz ainda com muito acerto o mesmo Allan Kardec: “O primeiro indício da falta de bom-senso está em crer alguém infalível o seu juízo” (O Livro dos Espíritos, p. 44); e:

O homem que julga infalível a sua razão está bem perto do erro. Mesmo aqueles, cujas idéias são as mais falsas, se apóiam na sua própria razão e é por isso que rejeitam tudo o que lhes parece impossível (ib., p. 28).

Kardec condenou-se a si mesmo e aos espíritas em geral quando escreveu:

[...]  em geral, os homens apreciam a perfeição de Deus do ponto de vista humano; medindo-lhe a sabedoria pelo juízo que dela formam, pensam que Deus não poderia fazer coisa melhor do que eles próprios fariam (A Gênese, p. 77).

E mais:

Os homens de saber e de espírito, tomando a inteligência que possuem para medida da inteligência universal e julgando-se aptos a compreender tudo, não podem crer na possibilidade do que não compreendem. Consideram sem apelação as sentenças que proferem (O Evangelho segundo o Espiritismo, 39. ed., p. 109).

Aí temos, pois, Allan Kardec, o defensor do mistério… Repitamos com Kardec: “Procuremos em tudo a justiça e a sabedoria de Deus e curvemo-nos diante do que ultrapasse o nosso entendimento” (A Gênese, p. 78). É exatamente a noção católica de mistério.

Referências

  • Extraído e levemente adaptado de Fr. Boaventura Kloppenburg, Resposta aos Espíritas. Rio de Janeiro: Vozes, 1954, pp. 5-9.

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