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Mulheres sem pedigree
Sociedade

Mulheres sem pedigree

Mulheres sem pedigree

A ideologia feminista é a principal forma de discriminação e opressão à mulher moderna

Equipe Christo Nihil Praeponere3 de Janeiro de 2014
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Durante a segunda edição da Marcha das Vadias de Campina Grande (PB), em agosto de 2013, um grupo de feministas queimou um boneco da jornalista Rachel Sheherazade, com os seguintes dizeres: "Rachel, cale-se"[1]. Para quem não se lembra, Rachel Sheherazade é a âncora do SBT Brasil, que ficou conhecida nacionalmente, em 2011, após um comentário seu sobre o carnaval cair na internet[2]. Na época, Sheherazade comandava o jornal local da TV de Silvio Santos, em João Pessoa (PB), e acabou caindo nas graças do empresário, vindo a receber um convite para assumir a bancada do principal programa jornalístico da emissora. Desde então, a crítica contundente da jornalista vem suscitando a simpatia de milhares de pessoas Brasil afora, ao mesmo tempo em que perturba o establishment politicamente correto e anticristão.

Do outro lado do Atlântico, no entanto, enquanto os católicos da Catedral de Colônia, Alemanha, assistiam à Santa Missa de Natal, uma ativista do grupo feminista Femen subiu ao altar da igreja totalmente nua e com a inscrição "Eu sou Deus" pintada em seu seio[3]. A cena grotesca chocou os fiéis da Arquidiocese comandada pelo Cardeal Joachim Meisner, provocando reações na opinião pública do mundo todo. Mas para o cúmulo da bizarrice, a iniciativa da militante feminista, ao contrário do que se espera de gente normal, acabou recebendo o apoio de centenas de ativistas dos direitos femininos, com a justificativa de que ela estaria lutando contra a opressão machista da Igreja Católica.

Os dois episódios citados acima dão conta de explicar no que se transformou o feminismo nas últimas décadas. Rachel Sheherazade é uma mulher sem pedigree feminista. Ela é conservadora, casada, mãe e cristã. Ou seja, tudo o que uma mulher "moderna", "livre" e "independente" não poderia ser… pelo menos na cabeça de gente como Simone de Beauvoir, Judith Butler e cia. E é por isso que atividades como as das feministas de Campina Grande podem passar despercebidas; enquanto ações deploráveis como as do grupo Femen são aplaudidas e incentivadas pela militância. Para a ideologia desses grupos, só se é mulher quando se reza pela cartilha deles. Só se é mulher quando se abandona a "opressão" machista do matrimônio para se rebaixar à opressão feminista do movimento.

No final da década de 1920, o escritor inglês G. K. Chesterton resumia o feminismo como "a confusa ideia de que as mulheres são livres quando servem seus empregadores, mas são escravas quando servem seus maridos"[4]. De fato, a ideologia feminista é um compêndio de contradições. Ela contesta a exploração machista, dizendo que os homens tratam as mulheres como objetos de prazer, para depois defender uma suposta emancipação sexual feminina, alegando que a mulher pode ter quantas relações quiser. Ela se revolta com a esposa que cuida do lar e educa seus filhos, tachando-a de inimiga dos direitos femininos por se negar a trabalhar fora, mas não se importa - e às vezes até defende - com a prostituta que se submete a satisfazer as perversões de um homem, a troco de algumas notas de reais. O feminismo se importa com a mulher até descobrir que o sexo do bebê é feminino. Veja-se, por exemplo, o que indica um estudo da Universidade de Oxford, sobre os casos de abortos na Inglaterra, entre os anos de 1969 e 2005: a prática do aborto em mulheres grávidas que rejeitam o sexo do bebê cresceu enormemente, sobretudo quando se trata de nascituros meninas[5].

Rachel Sheherazade é somente um dos inúmeros casos que se poderia citar a respeito do Apartheid feminista. Quando Gianna Jessen - uma jovem americana pró-vida que sobreviveu a uma tentativa de aborto - nasceu, por exemplo, não havia nenhuma ativista dos direitos da mulher no hospital, para defendê-la do aborteiro que há pouco tentara matá-la06. Na época, seguindo o pensamento da eminente feminista Florence Thomas - para quem um nascituro não passa de um "tumor" -, Jessen não mereceria viver07. Na lógica feminista, algumas mulheres são mais mulheres que outras.

Eis a verdadeira face do feminismo: ele é tão inimigo das mulheres quanto o machismo.

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Os tempos de hoje, como nos tempos de Roma
Sociedade

Os tempos de hoje,
como nos tempos de Roma

Os tempos de hoje, como nos tempos de Roma

É impossível não relacionar a decadência moral do Império Romano à fragilidade dos costumes apregoados pela modernidade.

Equipe Christo Nihil Praeponere28 de Dezembro de 2013
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Olhar para alguns capítulos mais distantes da história pode ser ocasião para grandes aprendizados: a lição dos heróis e dos gigantes de outros tempos pode indicar-nos a direção a trilhar enquanto, por outro lado, as imprevisões e erros antigos aconselham ao homem moderno qual caminho não tomar.

A história da Roma Antiga tem suas páginas memoráveis – e isto comprovam tanto os belos monumentos artísticos produzidos na época quanto as importantes obras arquitetônicas que uniam um extremo ao outro do Império. O próprio ambiente de pax romana que surgiu ao alvorecer do primeiro milênio foi o que possibilitou aos habitantes da Cidade Eterna granjear relativa estabilidade e tranquilidade, além de presenciar a expansão da religião cristã, cuja semente só caiu em terreno fértil porque aquela era, no dizer de São Paulo, "a plenitude dos tempos" (Gl 4, 4).

Ao mesmo tempo, porém, à narrativa de alguns costumes decadentes no Império Romano é impossível não relacionar a fragilidade moral dos tempos atuais. Enquanto Jesus nascia, em Belém, na Palestina, o ambiente que o circundava era repleto das mais terríveis maldades, práticas que, infelizmente, o homem contemporâneo tem descido para recuperar, precipitando a civilização em uma nova – e mais devastadora – ruína.

E as semelhanças não são poucas, a começar pela excessiva intervenção do Estado na vida dos indivíduos. O historiador francês Daniel-Rops avalia: "Em todos os tempos e países, a substituição das tendências naturais do homem pela vontade do Estado é sempre um indício de decadência. Um povo está muito doente quando, para viver honestamente e ter filhos, necessita de prêmios ou de regulamentos" [1].

Em Roma, "uma massa popular mais ou menos ociosa, formada por camponeses desenraizados, trabalhadores autônomos agora privados de trabalho, escravos libertos e estrangeiros cosmopolitas" formou um terreno fértil para o parasitismo estatal:

"O antigo romano, tão sólido no seu trabalho, torna-se o 'cliente', o parasita, a quem a 'espórtula' remunera uma fidelidade suspeita. Os imperadores têm de contar com esta plebe lamentável e por isso a rodeiam de atenções. Mas um povo não se habitua à mendicidade e à preguiça sem que a sua alma seja atingida. Em breve a covardia e a crueldade andarão de mãos dadas com o vício, e o vício, como diz a sabedoria popular, é a mãe de todos os males. Já não há quem queira combater nas fronteiras, como não há quem queira trabalhar a terra. E assim aquela imensa multidão, para se distrair, irá procurar nos jogos do circo os prazeres que acabam por degradar a sensibilidade humana." [2]

Muitos dos nossos contemporâneos têm substituído a livre iniciativa, os seus próprios sonhos e projetos, para viver à custa do Estado, granjeando benefícios sem passar pelo fardo duro do trabalho; têm preferido a medíocre política panem et circenses a uma vida de batalha diária na família, no trabalho ou nos estudos - uma vida de sacrifícios, sim, mas de muito maior e mais nobre valor moral.

Ao lado desta dependência lamentável do Estado, é crescente o drama de uma sociedade estéril. Vários países europeus, para conter o "inverno demográfico", veem-se obrigados a dar incentivos à sua população para que ela queira ter filhos. O antinatalismo hoje reinante na Europa é, pouco a pouco, exportado para os países subdesenvolvidos, fazendo com que as famílias diminuam o número de seus filhos aos limites de seu egoísmo. Há até um lobby a nível mundial comprometido com a redução em massa da população do planeta.

Este lobby, pesadamente financiado por grandes organizações internacionais, não se contenta em distribuir à população os instrumentos para a contracepção artificial, transformando o sexo em um "parque das diversões", como também procura implantar, em todo o mundo, o chamado "aborto livre e seguro". Como causa e consequência disto está o grande número de mulheres que procuram clínicas para assassinar seus próprios filhos.

Qualquer semelhança com o decadente Império Romano não é mera coincidência. "Uma inscrição do tempo de Trajano dá-nos a conhecer que, de cento e oitenta e um recém-nascidos, cento e setenta e nove são legítimos, e destes, apenas trinta e cinco são meninas, o que prova suficientemente a facilidade com que as pessoas se desembaraçavam das meninas e dos filhos naturais" [3].

Ao fundo de tudo isto, estava a cegueira de um povo que, ludibriado pelas benesses estatais, divinizava seu imperador. "O culto imperial não cessará de crescer ao longo dos dois primeiros séculos. Todos os sucessivos senhores do Império o estimularão (...) por verem nele, em última análise, uma forma de lealismo e a expressão visível da dedicação dos súditos ao seu senhor" [4].

Se é verdade que o culto a personalidades políticas é bem evidente em países que sofreram com a dominação socialista, todavia o que mais se assemelha à pretensão romana de uma religião universal é, sem dúvida, o projeto globalista new age. Em uma das conferências do Milênio promovidas pela ONU, em 2000, organizou-se uma coalizão chamada United Religions Initiative ["Iniciativa das Religiões Unidas"], cujo propósito é nada menos que "superar as religiões dogmáticas" [5], rumo à ereção de uma nova religião universal.

É claro que esta pretensão internacionalista não pode conviver pacificamente com a religião cristã, essencialmente dogmática, assim como a comunidade dos primeiros seguidores de nosso Senhor representava um verdadeiro insulto ao culto ao Imperador. Novamente, o poder maligno da Besta, narrado no Apocalipse de São João, manifesta-se em toda a sua impiedade e malvadeza. Nunca se viu tanto esforço para emular a decadência de um Império.

Referências

  1. DANIEL-ROPS, Henri. A Igreja dos Apóstolos e dos Mártires. Quadrante: São Paulo, 1988, p. 129.
  2. Ibid., p. 128.
  3. Idem.
  4. Ibid., p. 122.
  5. SANAHUJA, Juan Claudio. Poder Global e Religião Universal. Campinas: Katechesis/Ecclesiae, p. 72.

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Mensagem de Natal
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Mensagem de Natal

Mensagem de Natal

O nascimento de Jesus traduz a certeza de que não estamos sozinhos neste mundo, Deus se fez homem para nos ensinar o dom do amor.

Equipe Christo Nihil Praeponere23 de Dezembro de 2013
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Mais do que um tempo de festa, o Natal constitui uma verdadeira oportunidade de encontro com Deus. No nascimento de Jesus se manifesta a graça do Verbo Encarnado, que, fazendo-se homem igual a nós, veio habitar na Terra para experimentar "as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem"[1].

Mas a atitude dos cristãos que desejam participar desse encontro não pode ser a de alguém soberbo ou autossuficiente. Pelo contrário, para entrar no lugar do nascimento de Jesus é necessário inclinar-se. Com efeito, "se quisermos encontrar Deus manifestado como menino, então devemos descer do cavalo da nossa razão «iluminada»"[2].

O nascimento de Jesus traduz a certeza de que não estamos sozinhos neste mundo. Deus vem ao nosso encontro, faz novas todas as coisas e anuncia-nos uma grande alegria. Este é o autêntico significado do natal: a graça de podermos confiar na simplicidade de um pequeno bebê que veio para nos salvar.

Neste Natal, Padre Paulo Ricardo, juntamente com a sua equipe, deseja que a graça do Menino Jesus chegue a todos os lares, proporcionando uma verdadeira abertura dos corações à fé e à Verdade Divina, na qual encontramos "o Deus que Se esconde na humildade dum menino acabado de nascer"[3].

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Combatendo na esperança
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Combatendo na esperança

Combatendo na esperança

O cristão luta porque sabe que ao seu lado estão os santos e a providência divina

Equipe Christo Nihil Praeponere19 de Dezembro de 2013
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A luz dos povos de que fala o Concílio Vaticano II só pode ser Jesus, porque somente Ele é capaz de iluminar as consciências humanas, trazendo-as de volta para a sua finalidade última: o encontro com Deus. A tarefa de todo cristão, por conseguinte, consiste em fazer com que essa luz "brilhe diante dos homens", a fim de que "vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus" (Cf. Mt 5, 16).

A fé cristã constitui o grande baluarte da civilização. É com base em sua doutrina que se evidencia a identidade do ser humano, principalmente no que diz respeito à vida, à família e à educação; os três princípios inegociáveis da dignidade humana que formam, por assim dizer, o "caminho para a consecução do bem comum e da paz"[1]. Foi precisamente a defesa desses princípios, além, é óbvio, do enraizamento no coração da Igreja - que fez com que os homens extraíssem dos sacramentos a graça necessária para o combate às misérias deste mundo - o alvorecer da cristandade, tida pelo historiador Daniel-Rops como "talvez o período mais rico, mais fecundo e, sob muitos aspectos, mais harmonioso de todos"[2].

Em que pese o esforço irrepreensível dos cristãos ao longo desses dois milênios de história - às vezes até entregando suas vidas em nome da verdade última que é a salvação eterna -, deve-se salientar, em contrapartida, que no cerne de todo esse progresso encontra-se uma profunda esperança na providência divina. Deus é o Senhor da história, o princípio e o fim. Com efeito, a batalha cotidiana do cristianismo alinha-se ao mistério do homem que semeia de manhã e dorme à noite - como na parábola evangélica -, não ao juízo cego de quem, crendo nas ideologias, faz de si mesmo o estandarte da própria glória e, por conseguinte, da própria condenação. Uma vez que "a razão essencial para o sucesso da missão cristã não vem de fora mas de dentro, não é obra do semeador e nem sequer principalmente do solo, mas da semente"[3], por mais adversidades que existam em seu caminho, o autêntico cristão nunca desfalecerá pois reconhece-se apenas como "um pobre e humilde servo da vinha do Senhor". É d'Ele a última palavra.

Neste sentido, a vitória dos pró-vida sobre a cultura da morte no Brasil - sepultando, na tarde desta terça-feira, 17/12, as ameaças à vida contidas no Código Penal, o totalitarismo gay do PLC 122 e a ideologia de gênero do Plano Nacional de Educação - deve ser entendida, em primeiro lugar, como uma salutar bênção de Deus. Infelizmente, não é segredo para ninguém a miséria moral na qual o Estado brasileiro encontra-se mergulhado. Há muito que este país não honra sua altíssima vocação para "Terra de Santa Cruz", de sorte que se os ovos da serpente ainda não foram chocados é porque Deus não o permitiu. Urge, portanto, uma retomada dos valores cristãos, tornando-os mais claros e arraigados na consciência da sociedade, pois "quem deseja a paz não pode tolerar atentados e crimes contra a vida"[4].

A esperança cristã é o motor que move verdadeiramente o coração do homem. E embora a confiança em Deus apareça com frequência, aos olhos do mundo, como coisa própria de alienados ou de pessoas fora da realidade, a verdade é que "já nesta vida - e não só na outra - se darão conta de serem filhos de Deus e que, desde o início e para sempre, Deus está totalmente solidário com eles."[5] A filiação divina é o fundamento da vida cristã. Os cristãos trabalham mesmo sem perspectiva humana de sucesso porque sabem que são filhos de Deus e que, por isso, nenhum mal lhes perturbará. E é assim que, na Santa Missa, o sacerdote pode suplicar em nome de toda a comunidade para que Deus não olhe o seu pecado, "mas a fé que anima vossa Igreja". Sendo ela o próprio Corpo de Cristo, a continuação histórica do mistério da encarnação neste mundo, faz-se fácil entender aquelas palavras de Bento XVI no início de seu pontificado: "Quem crê, nunca está sozinho nem na vida nem na morte"[6]. Ao lado da Igreja militante está a Igreja triunfante no céu que, com suas preces e intercessões, auxilia os peregrinos desta época no combate à carne, ao mundo e ao diabo.

Certamente, a luta contra a cultura da morte não se encerra com essas três batalhas vencidas. O mal nunca descansa. Mas como conforto, a Igreja tem como seu aliado Aquele a qual todas as coisas estão submetidas no Céu e na Terra. Deus proverá!

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