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A Guarda do Papa
Igreja Católica

A Guarda do Papa

A Guarda do Papa

Esta é a missão da Guarda Suíça Pontifícia: dar a própria vida, se necessário for, para proteger a do Sumo Pontífice.

Equipe Christo Nihil Praeponere3 de Março de 2013
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O encerramento do pontificado de Bento XVI foi marcado por um ato que pôs em evidência um dos muitos personagens do Vaticano: a Guarda Suíça Pontifícia. Coube a ela cerrar as portas do Palácio Apostólico de verão, em Castel Gandolfo, onde o agora Papa Emérito passará os próximos dois meses. Após esse gesto, depôs as armas e foi substituída pela Gendarmaria (Corpo de Polícia do Estado do Vaticano). Mas, uma pergunta ficou no ar: quem são esses homens cuja função é cuidar da segurança do Papa?

Por volta de 1505, o então Papa Julio II pediu ao monarca da Suíça que lhe mandasse um grupo de homens para fazer a sua segurança pessoal. Em 22 de janeiro de 1506, 150 homens suíços, comandados pelo Capitão Kaspar von Silenem, escolhidos entre os mais fortes, robustos e nobres representantes dos cantões de Uri, Zurique e Lucerna, adentraram ao Vaticano e atravessaram a Praça do Povo, onde foram abençoados por aquele Pontífice.

Encarregados de garantir a segurança do Papa, enfrentaram em 06 de maio de 1527 a mais sangrenta batalha, quando Roma foi invadida por cerca de dezoito mil homens pertencentes ao exército de Carlos V, o qual guerreava contra Francisco I. Naquele dia, um grupo de mil homens do exército inimigo batalhou contra a Guarda do Papa, em frente à Basílica de São Pedro. Os suíços lutaram bravamente e 108 deles morreram no combate, mas, para comprovar sua coragem e dedicação, das fileiras contrárias tombaram 800 dos mil invasores. Além disso, fizeram uma espécie de cordão de isolamento em torno do Papa Clemente VII, levando-o em segurança até o Castelo de Santo Ângelo.

Recruta levanta os três dedos da mão, símbolo da Santíssima Trindade, durante a cerimônia de juramento.

Esta é a missão da Guarda Suíça Pontifícia: dar a própria vida, se necessário for, para proteger a do Sumo Pontífice. Assim, é evidente que para ser admitido ao corpo da Guarda é necessário que o candidato passe por um rigoroso processo de seleção. Os principais requisitos são:

  1. Ser católico: dado que a pessoa a ser protegida é ninguém menos que a autoridade máxima temporal da Igreja Católica Apostólica. Além disso, é dever do Guarda Suíço velar pelos peregrinos católicos, pela Cúria Romana e pelo próprio Túmulo do Príncipe dos Apóstolos. Por fim, ele deve participar cotidianamente das diversas celebrações litúrgicas no Vaticano. Nada mais justo, portanto, que professe a fé católica.
  2. Ter cidadania suíça: em honra aos 108 suíços que tombaram gloriosamente na batalha ocorrida em 1527, somente são admitidos homens dessa nacionalidade no corpo de segurança pontifício.
  3. Ter boa saúde: os candidatos passam por uma rigorosa bateria de exames físicos e psicológicos.
  4. Ser solteiro: exceção feita somente aos oficiais, sargentos e cabos. É proibido que durmam fora do Vaticano.
  5. Ter concluído o curso básico de preparação: ministrado pelo exército suíço. Além disso, devem obter um certificado de aptidão.
  6. Ter boa conduta: como a pessoa irá servir diretamente ao Papa, deve ter uma conduta irreprovável.
  7. Ter formação profissional: é desejável que o candidato tenha uma boa formação, além da vontade e eficiência. É esperado que ele demonstre capacidade de aprendizagem e um certo nível de maturidade.
  8. Idade: Para ser admitido, o candidato deve ter entre 19 e 30 anos de idade.

A Guarda Suíça tem diversas atribuições, dentre elas, prestar segurança às inúmeras autoridades estrangeiras que visitam oficialmente o Vaticano, assistir o Papa durante as suas viagens apostólicas e também em suas aparições públicas na Praça de São Pedro. Por isso, nem sempre estão trajados com o uniforme pelo qual são reconhecidos. Muitas vezes estão à paisana, como guarda-costas e misturam-se à multidão, utilizando equipamentos de segurança de última geração. Tudo para garantir a segurança do Pontífice. Hoje ela é composta por 109 membros, sendo cinco oficiais, 26 sargentos e cabos e 78 soldados.

O uniforme é outro aspecto interessante da Guarda Suíça e pelo qual são reconhecidos. Imputa-se o seu desenho original a Michelangelo, mas o modelo atual foi redesenhado por Jules Répond, então Capitão da Guarda. Elaborado em malha de cetim, nas cores azul-real, amarelo-ouro e vermelho-sangue, é composto de meias que aderem às pernas e são presas na altura do joelho por uma liga dourada e a parte superior também apresenta um corte inusitado. O capacete é ornado com uma pluma de cor vermelha e as luvas são brancas.

Trata-se de um uniforme bastante elegante, que simboliza a nobreza e o orgulho de servir ao Sumo Pontífice. Embora, de maneira inegável, seja curioso para os tempos atuais. Por causa disso, chama a atenção dos peregrinos católicos que visitam o Vaticano. No site oficial da Guarda Suíça Pontifícia existe um campo para que os peregrinos enviem suas fotos tiradas com os guardas na Praça de São Pedro. No dia 06 de maio de 2006, o Papa Emérito Bento XVI, presidiu uma Missa Solene celebrando os 500 anos da Guarda Suíça Pontíficia. Em sua homilia afirmou:

"Entre as numerosas expressões da presença dos leigos na Igreja católica, encontra-se também a da Guarda Suíça Pontíficia, que é muito singular porque se trata de jovens que, motivados pelo amor a Cristo e à Igreja, se põem ao serviço do Sucessor de Pedro.
Para alguns deles a pertença a este Corpo de Guarda limita-se a um período de tempo, para outros prolonga-se até se tornar opção para toda a vida. Para alguns, e digo-o com profundo prazer, o serviço no Vaticano contribuiu para maturar a resposta à vocação sacerdotal ou religiosa. Mas para todos, ser Guardas Suíços significa aderir sem limites a Cristo e à Igreja, prontos por isso a dar a vida. O serviço efetivo pode terminar, mas dentro permanece-se sempre Guardas Suíços."

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Bento XVI, o Papa Emérito
Bento XVI

Bento XVI, o Papa Emérito

Bento XVI, o Papa Emérito

Chega ao fim o papado de Bento XVI, o papa teólogo

Equipe Christo Nihil Praeponere1 de Março de 2013
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Ontem, 20 horas em Roma, os portões da residência papal de Castel Gandolfo se fecham, a Guarda Suíça se retira. Chega ao fim o papado de Bento XVI, o papa teólogo. Ao toque dos sinos, a multidão de fiéis aglomerada na frente dos aposentos do Santo Padre dá seu último adeus aquele que esteve à frente da Barca de Pedro por quase uma década. É um momento histórico que, mesmo registrado pelas centenas de câmeras dos jornalistas, não pode ser esmiuçado, contado, explicado, apenas meditado. É o adeus de um pai.

Bento XVI deixou o Vaticano por volta das 17h07min (horário local). Acompanhado por seu secretário, Dom Georg Gäenwein, o agora Papa Emérito se dirigiu para Castel Gandolfo, onde ficará até o término das reformas de sua nova residência, o antigo convento Mater Ecclesiae. A partida do Papa foi marcada por momentos de profunda comoção e lágrimas. No caminho para o heliporto, outro momento de profunda emoção: o chofer que o serviu durante anos não conseguiu segurar as lágrimas. Também na Praça de São Pedro se podia ver muitas pessoas emocionadas, algumas chorando.

Durante o trajeto, Bento XVI sobrevoou a Basílica de São Pedro, enquanto centenas de católicos assistiam a sua despedida pelos telões espalhados na praça. Uma multidão de fiéis também o aguardava na frente da residência papal em Castel Gandolfo para sua última aparição pública como romano pontífice. Na mensagem dirigida aos peregrinos, já na sacada de sua atual residência, Bento XVI disse que, em poucas horas, não seria mais o papa, "mas um simples peregrino encerrando seu caminho nesta terra".

O Papa agradeceu aos fiéis pela presença e lhes deu uma mensagem de confiança e de fé. "Sinto-me muito apoiado pela vossa simpatia. Vamos para a frente juntos com o Senhor para o bem da Igreja e do mundo", insistiu. O Santo Padre reforçou que não vai abandonar o serviço a Cristo, mas que pretende continuar trabalhando para Deus com todo o seu coração. "Gostaria ainda, de trabalhar, com o meu coração, com o meu amor, com a minha oração, com a minha reflexão, com todas as minhas forças interiores, para o bem comum e o bem da Igreja, da humanidade", declarou.

Hoje, 01/03, o Cardeal Decano Ângelo Sodano convocou formalmente os Cardeais eleitores para início das Congregações Gerais, nas quais se decidirá a data de abertura Conclave. Enquanto não se elege um novo papa, os assuntos da Igreja ficam sob a responsabilidade do Cardeal Tarcísio Bertone, o Camerlengo. Devido às alterações no Motu Proprio Normas Nonnullas feitas por Bento XVI, o início da eleição do novo pontífice deve ser mais cedo que o habitual.

O Papa Bento termina seu pontificado e apesar das inúmeras dificuldades, classificadas por ele como "águas turbulentas", soube imprimir sua marca na Igreja, deixando nela um legado de fé, amor e sobretudo humildade. O Papa Emérito ensinou aos católicos uma verdade há muito esquecida, devido ao processo de relativismo no qual muitos estão inseridos: "ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo" (Deus caritas est). Bento XVI ajudou a humanidade a encontrar uma pessoa: Cristo!

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Bento XVI dá adeus ao Colégio dos Cardeais
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Bento XVI dá adeus ao Colégio dos Cardeais

Bento XVI dá adeus ao Colégio dos Cardeais

"Parece que esta foi a nossa experiência ontem na Praça. Ver que a Igreja é um corpo vivo, animado pelo Espírito Santo, e vive realmente da força de Deus."

Equipe Christo Nihil Praeponere28 de Fevereiro de 2013
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Termina hoje o pontificado do Papa Bento XVI. A poucas horas do início do tempo de Sede vacante, o Santo Padre se reuniu nesta manhã com mais de 100 Cardeais para uma saudação de despedida. O encontro aconteceu na Sala Clementina, no Vaticano. O Papa assegurou que estará com eles em oração e manifestou sua intenção de ser fiel e obediente ao novo Pontífice. "Entre vós, entre o Colégio dos Cardeais, está também o futuro Papa, ao qual já hoje prometo a minha incondicionada reverência e obediência", declarou Bento XVI antes de iniciar um singelo gesto de saudação pessoal a cada um dos membros do Colégio Cardinalício presentes na cerimônia.

Bento XVI recordou a última Audiência Geral, realizada na tarde de ontem, 27/02, para expressar sua alegria por ver a Igreja viva. "Parece que esta foi a nossa experiência ontem na Praça. Ver que a Igreja é um corpo vivo, animado pelo Espírito Santo, e vive realmente da força de Deus", disse ele. Lembrando as palavras de Romano Guardini, afirmou que "a Igreja se desperta no ânimo das pessoas. A Igreja vive, cresce e se desperta nos ânimos que, como a Virgem Maria, acolhem a palavra de Deus e a concebem por obra do Espírito Santo".

O Papa também agradeceu aos Cardeais pelos oito anos em que estiveram juntos em mútua colaboração. Bento XVI relacionou a convivência com o Colégio Cardinalício à experiência dos discípulos de Emaús que caminharam sob a luz do Senhor ressuscitado. "Nesses oito anos, vivemos com fé momentos belíssimos de luz radiosa no caminho da Igreja, junto a momentos em que algumas nuvens se adensaram no céu", declarou. O Pontífice pediu aos Cardeais que busquem a comunhão e saibam expressar a universalidade da Igreja: "Juntos, podemos pedir para que nos ajude a crescer ainda nessa unidade profunda, de modo que o Colégio dos Cardeais seja como uma orquestra, onde as diversidades, expressão da Igreja universal, concorrem à superior e concorde harmonia".

Nesta tarde, às 16h55min, o Papa Bento XVI sairá do Pátio de São Dâmaso em direção ao heliporto do Vaticano. Sua chegada a Castel Gandolfo está prevista para as 17h15min, onde será recebido pelo Cardeal Joseph Bertello, Presidente do Governatorato da Cidade do Vaticano, Dom Marcello Semeraro, Bispo de Albano e ainda o Presidente da Câmara e o Pároco de Castel Gandolfo. O último ato público de Joseph Ratzinger como Papa será às 17h30min, para uma aparição e um breve discurso à população local. Após o início da Sede vacante, previsto para às 20h, a Guarda Suíça cessará o seu serviço em Castel Gandolfo terminando o ministério de Bento XVI como Papa.

No dia primeiro de março, o Cardeal Decano Angelo Sodano convocará as Congregações Gerais dos Cardeais. Provavelmente, tais reuniões se darão a partir do dia 4. No âmbito destas reuniões os Cardeais estabelecerão a data de início do Conclave.

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O Testamento de Bento XVI
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O Testamento de Bento XVI

O Testamento de Bento XVI

Em sua última audiência pública, o Papa Bento XVI se despediu dos fiéis e deu a todos uma grande lição de fé católica: uma fé que professa a presença e a ação de Deus na história da Igreja.

Equipe Christo Nihil Praeponere27 de Fevereiro de 2013
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Todos deveríamos saber disto, mas nem sempre nos damos conta: a Igreja não é somente um sujeito da fé; a Igreja é também objeto de fé. Ou seja, a Igreja não somente crê, mas ela deve ser crida.

Bento XVI tem consciência de que a Igreja é portadora de um mistério divino. Como a lua, ela é reflexo de Cristo "luz dos povos". Por isto, nos convida a uma visão de fé:

"Deus guia a sua Igreja, ele sempre a sustenta, também e sobretudo, nos momentos difíceis. Não percamos nunca esta visão de fé, que é a única visão verdadeira do caminho da Igreja e do mundo. No nosso coração, no coração de cada um de vós, haja sempre a alegre certeza que o Senhor está ao nosso lado, não nos abandona, está perto de nós e nos envolve com o seu amor".

Estas foram as suas últimas palavras. Poderíamos dizer: este foi o seu testamento. Nada poderia ser mais marcadamente católico, pois nós católicos, ao contrário dos protestantes, cremos que o organismo visível da Igreja não é uma "invenção" humana, mas o Corpo do Cristo ressuscitado que continua vivo na história.

A Igreja é uma forma de Jesus estender o mistério de sua Encarnação ao longo da história.

É a falta de fé neste mistério da Igreja que tem criado tantos equívocos, paranoias e explicações fantasiosas no espaço midiático dos últimos dias. Grande parte da mídia está longe da verdade, porque está longe da visão de fé que, nos recorda o Papa, "é a única visão verdadeira do caminho da Igreja".

Mas que os jornalistas não compartilhem esta visão e esta fé é algo que não deveria nos surpreender. Afinal, as estatísticas nos mostram de forma clara que o percentual de prática religiosa no meio jornalístico é mais baixo do que nos outros segmentos da sociedade.

O que causa espécie e até indignação é que teólogos, isto mesmo, teólogos (!) não sejam capazes desta fé.

Recentemente um grupo de estudiosos, capitaneados por ninguém menos do que nossos velhos conhecidos Leonardo Boff e Hans Küng, está recolhendo assinaturas na internet no esforço de "redesenhar" a forma como a autoridade é vivida dentro da Igreja católica.

Os autores do manifesto alegam que esta reengenharia da estrutura da Igreja é uma exigência do Vaticano II. Mas, a verdade é que a "nova Igreja" que brota dos sonhos de nossos teólogos liberais, pelo que se lê, seria mais facilmente encontrada nos escritos de Martinho Lutero do que na "Lumen gentium" ou em outros documentos do concílio.

Foi neste mesmo afã revolucionário que, tão logo recebida a notícia da renúncia de Bento XVI, os nossos "scholars" puseram mãos à obra e começaram a traçar o perfil do futuro Papa. A coisa toda é apresentada como arrojada e inovadora, mas se trata da velha e conhecida eclesiologia protestante: somos todos iguais, vamos então construir a Igreja que "nós queremos". Afinal, Igreja é isto, uma construção humana.

Para estes teólogos o papado é uma excrescência medieval e a cúria romana um tumor a ser extirpado. A Igreja romana centralizadora deveria morrer e dar lugar a uma Igreja da colegialidade em todos os níveis (inclusive dos leigos!).

É claro que se trata de pura retórica manipuladora. Os únicos leigos a quem esta turma já deu voz foram os seus títeres ideológicos, que, aliás, embora tenham chegado ao poder, estão envelhecendo e diminuindo em número.

Não é à toa que, com toda propaganda e esforço só conseguiram até agora pouco mais de duas mil assinaturas para o seu abaixo-assinado internacional.

Gostaria de vê-los consultar os milhões de jovens da geração Bento XVI que aguardam, ansiosos e confiantes, que o Senhor, com a próxima fumaça branca que sair da Sistina exorcize o que ainda resta da "fumaça de Satanás" que eles ajudaram a inocular dentro da Igreja.

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