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Feliz de quem O tiver amado!
Novena de Natal

Feliz de quem O tiver amado!

Feliz de quem O tiver amado!

Ó santo Menino, vejo-vos hoje sobre a palha, pobre, aflito e abandonado, mas sei que um dia vireis, para julgar-me, num trono resplendente e cercado de anjos.

Santo Afonso Maria de Ligório23 de Dezembro de 2017
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Meditação para o 8.º dia da Novena de Natal

“A graça de Deus, nosso Salvador, apareceu a todos os homens e nos ensinou a viver no século presente com piedade, aguardando a beatitude que esperamos, e o futuro glorioso de nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo.” (Tt 2, 11)

Considera que, por essa graça de que aqui fala o apóstolo, entende-se o ardente amor de Jesus Cristo aos homens, amor que não merecemos e que por essa razão é chamada graça. Esse amor em Deus foi sempre o mesmo, mas não apareceu sempre.

Foi primeiro prometido por um grande número de profecias e anunciado por muitas figuras; mas apareceu manifestamente quando o Redentor nasceu, quando o Verbo eterno se mostrou aos homens sob a forma duma criancinha, reclinada sobre palha, chorando e tremendo de frio, começando assim a satisfazer pelas penas por nós merecidas, e fazendo-nos conhecer o afeto que nos tinha pelo sacrifício que fez de sua vida por nós.

“Nisto conhecemos o amor de Deus”, diz S. João, “em ter ele dado a sua vida por nós” (1Jo 3, 16). Apareceu pois o amor do nosso Deus e apareceu a todos os homens. Mas por que não o conheceram todos, e ainda hoje nem todos o conhecem? Eis como Jesus mesmo responde, a essa pergunta: “A luz veio ao mundo, e os homens preferiram as trevas à luz” (Jo 3, 19). Não o conheceram e não o conhecem, porque não querem conhecê-lo, amando mais as trevas do pecado do que a luz da graça.

Procuremos não ser do número desses infelizes. Se no passado fechamos os olhos à luz pensando pouco no amor de Jesus Cristo, procuremos no resto da nossa vida não perder jamais de vista as dores e a morte de nosso Salvador, a fim de amarmos, como devemos, Aquele que tanto nos amou. Assim teremos direito de esperar, segundo as divinas promessas, o belo paraíso que Jesus Cristo nos adquiriu com seu sangue, esperando a beatitude e o glorioso advento de nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo: “Vivendo a esperança, aguardamos a vinda de Cristo Salvador”.

No seu primeiro advento, Jesus veio sob a forma duma criança pobre e desprezada, nascida num estábulo, coberta de míseros paninhos e reclinada sobre palha; no segundo aparecerá como juiz sobre um trono glorioso. “Eles verão o Filho do homem vir sobre as nuvens do céu, com grande poder e majestade” (Mt 24, 30). Feliz de quem o tiver amado! Mas ai de quem não o tiver amado!

Afetos e Súplicas

Ó santo Menino, vejo-vos hoje sobre a palha, pobre, aflito e abandonado; mas sei que um dia vireis, para julgar-me, num trono resplendente e cercado de anjos. Ah! perdoai-me antes desse dia terrível. Então devereis agir como juiz rigoroso; mas hoje sois Redentor e Pai de misericórdia. Eu, ingrato, fui um dos que não vos conheceram, porque não quis conhecer-vos; eis por que, em vez de pensar em amar-vos considerando o amor que me testemunhastes, só pensei em satisfazer-me desprezando vossa graça e vosso amor.

Entrego agora nas vossas mãos a alma que perdi; salvai-a. “Em tuas mãos, Senhor, entrego o meu espírito, porque vós me salvareis, ó Deus fiel” (Sl 30, 6). Ponho em vós todas as minhas esperanças, sabendo que, para resgatar-me do inferno, destes o vosso sangue e a vossa vida. Não me fizestes morrer quando estava em pecado, e esperastes-me com tanta paciência, a fim de que, caindo em mim e arrependido de vos haver ofendido, comece a amar-vos, e vós possais depois perdoar-me e salvar-me.

Ó meu Jesus, quero corresponder a tanta bondade: arrependo-me sobre todas as coisas dos desgostos que vos dei; arrependo-me e amo-vos sobre todas as coisas.

Salvai-me por vossa misericórdia, e a minha salvação consista em amar-vos sempre nesta vida e na eternidade. Maria, minha querida Mãe, recomendai-me a vosso divino Filho. Dizei-lhe que sou vosso servo e que pus em vós a minha esperança; ele vos ouve e nada vos recusa.

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O Menino Jesus não é amado!
Novena de Natal

O Menino Jesus não é amado!

O Menino Jesus não é amado!

Um dia, durante as festas do Natal, São Francisco de Assis andava chorando, inconsolável, pelas florestas. Perguntaram-lhe a causa de sua dor e ele respondeu: “Como quereis que eu não chore, vendo que o amor não é amado?”

Santo Afonso Maria de Ligório22 de Dezembro de 2017
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Meditação para o 7.º dia da Novena de Natal

Veio para o que era seu, e os seus o não receberam.” (Jo 1, 11)

Um dia, durante as festas do Natal, S. Francisco de Assis andava chorando e suspirando pelos caminhos e florestas, e parecia inconsolável. Perguntaram-lhe a causa de sua dor e ele respondeu: “Como quereis que eu não chore, vendo que o amor não é amado? Vejo um Deus amar o homem até a loucura, e o homem ser tão ingrato a esse Deus!” [1] Se a ingratidão dos homens afligia tanto o coração de S. Francisco, imaginemos quanto mais afligiu o coração de Jesus Cristo!

Apenas concebido no seio de Maria, ele viu a cruel ingratidão que devia receber dos homens. Viera do céu para acender na terra o fogo do amor divino; esse único motivo o levou a deixar-se imergir num abismo de dores e opróbrios: “Vim trazer o fogo sobre a terra, e que quero senão que se inflame?” (Lc 12, 49). E via um abismo de pecados que os homens iriam cometer depois de receberem tantas provas de seu amor! Eis, diz S. Bernardino de Sena, o que lhe causou uma dor infinita [2].

Nós mesmos sentimos pena insuportável vendo-nos tratados com ingratidão; é que, segundo a reflexão do bem-aventurado Simão de Cássia, “muitas vezes a ingratidão aflige mais a nossa alma do que qualquer outra dor ao corpo” [3].

Qual não foi pois a dor de Jesus Cristo, nosso Deus, ao ver que corresponderíamos a seus benefícios e amor com ofensas e injúrias!

Ele se queixou pela boca de Davi: “Deram-me males em troca de bens, e ódio em troca do amor que eu lhes tinha” (Sl 108, 5); mas também hoje em dia parece que Jesus Cristo se lamenta: “Sou como um estranho no meio de meus irmãos” (Sl 68, 9), por ver um grande número deles viver sem o amar e sem o conhecer, como se não os tivesse beneficiado, e como se nada houvera sofrido por amor deles. Ah! que caso fazem hoje muitos cristãos do amor de Jesus Cristo?

Nosso Senhor apareceu um dia ao bem-aventurado Henrique Suso sob a forma dum peregrino a mendigar de porta em porta um abrigo; mas todos o repeliam injuriando-o grosseiramente [4]. Quantos se parecem com aqueles de que falava Jó: “Diziam a Deus: Retirai-vos de nós...; e isso depois que enchera suas casas de toda a sorte de bens” ( 22, 17-18).

No passado também nós fomos ingratos; queremos ainda continuar a sê-lo? Oh! não: esse amável Menino, que do céu veio sofrer e morrer por nós para obter o nosso amor, não merece tal ingratidão.

Afetos e Súplicas

É pois verdade, meu Jesus, que descestes do céu para vos fazer amar de mim; viestes abraçar uma vida de penas e a morte da cruz por meu amor, a fim de abrir-vos a entrada do meu coração; e eu vos repeli tantas vezes dizendo: “Retirai-vos de mim, Senhor; não vos quero!” — Ah! se não fosseis um Deus de bondade infinita, e se não tivésseis dado a vossa vida para perdoar-me, não ousaria pedir-vos perdão. Mas ouço que vós mesmo me ofereceis a paz: “Converteis-vos a mim”, dizeis, “e eu me converterei a vós” (Zc 1, 3).

Pois bem, meu Jesus, vós a quem ofendi, vos fazeis meu intercessor. Não quero pois fazer-vos ainda a injúria de desconfiar da vossa misericórdia. Arrependo-me de toda a minha alma de vos haver ofendido e desprezado, ó Bem supremo; recebei-me em vossa graça, conjuro-vos pelo sangue que derramastes por mim. Não, meu Redentor e meu Pai, “não sou digno de ser chamado vosso filho” (cf. Lc 15, 18-21), depois de haver tantas vezes renunciado ao vosso amor; mas vós com os vossos méritos me tornais digno dele.

Agradeço-vos, meu Pai, agradeço-vos e amo-vos. Ah! já a lembrança da paciência com que me suportastes tantos anos e das graças que me prodigalizastes após tantos ultrajes da minha parte, deveria fazer-me arder sem cessar de amor por vós. Vinde, pois, meu Jesus, não quero mais repelir-vos; vinde habitar em meu pobre coração. Amo-vos e quero amar-vos sempre; inflamai-me cada vez mais recordando-me sempre o amor que me tivestes.

Minha Rainha e minha Mãe, ajudai-me, pedi a Jesus por mim: fazei que durante o resto da minha vida, eu seja grato para com esse Deus que tanto me tem amado mesmo depois de haver recebido de mim tantas ofensas.

Referências

  1. Cf. Waddingus, Annales Minorum, anno 1208, n. 12.
  2. Cf. São Bernardino de Sena, Quadragesimale de Evangelio aeterno, Sermo 56, De Passione Domini, art. 1, cap. 2. Opera, II, Venetiis, 1745, p. 349; Quadragesimale nuncupatum Seraphim. Sermo 45. In die Veneris Sancto. 2a pars. Opera, III, Venetiis, 1745, pp. 297-99.
  3. Tristitiam acriorem enim saepe fecit in anima ingratitudo, quam dolor inflictus in corpore.” — Simão de Cássia, De gestis Domini in quatuor Evangelistas, l. 13, De Passione Domini, cap. 26 (Coloniae Ubiorum, 1540, pag. 790, col. 1).
  4. Beato Henrique Suso, Dialogus: Colloquuntur Sapientia et minister eius, c. 6. Opera, latine reddita a R. P. Laurentio Surio Cartusiano, Coloniae Agrippinae, 1588, pp. 37-38.

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O cativeiro de Jesus no ventre da Virgem Maria
Novena de Natal

O cativeiro de Jesus
no ventre da Virgem Maria

O cativeiro de Jesus no ventre da Virgem Maria

Pai eterno, pelo cativeiro de Jesus no seio de Maria, livrai-me das cadeias do pecado e do inferno.

Santo Afonso Maria de Ligório21 de Dezembro de 2017
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Meditação para o 6.º dia da Novena de Natal

Tornei-me como um homem sem socorro, abandonado entre os mortos.” (Sl 87, 5)

Considera os sofrimentos de Jesus Cristo no seio de sua Mãe, onde esteve como numa prisão durante nove meses. É verdade que as outras crianças se acham no mesmo estado, mas não lhe sentem os incômodos, porque não os conhecem. Jesus, ao contrário, tinha pleno conhecimento deles, pois desde o primeiro instante de sua vida, teve o perfeito uso da razão.

Possuía os sentidos e não podia servir-se deles; tinha olhos e não podia ver; tinha língua e não podia falar; tinha mão e não podia estendê-las; tinha pés e não podia andar, de sorte que durante nove meses teve de ficar no seio de Maria como um morto encerrado num sepulcro: “Como um homem sem socorro, abandonado entre os mortos”.

Era livre, porque voluntariamente se fizera prisioneiro de amor naquele cárcere; mas o amor o privava da liberdade e lá o conservava tão estreitamente preso, que não podia mover-se: ele era livre, porém entre os mortos. “Ó paciência do Salvador!”, exclama S. Ambrósio ao considerar os sofrimentos de Jesus no seio de Maria.

O seio de Maria foi pois para o nosso Redentor uma prisão voluntária, porque era uma prisão de amor; não foi todavia uma prisão injusta: Jesus era inocente, mas se oferecera para pagar as nossas dívidas e expiar as nossas iniqüidades.

É pois com razão que a divina justiça o conservou assim encerrado, começando a exigir por esta primeira pena a satisfação que lhe era devida. Eis a que se reduz o Filho de Deus por amor dos homens: priva-se de sua liberdade e se coloca em cadeias para livrar-nos das cadeias do inferno.

E nós poderíamos sem injustiça não corresponder com gratidão e amor à bondade daquele que, sem estar a isso obrigado, mas por puro afeto para conosco, se fez nossa caução e nosso libertador, que se ofereceu para pagar nossas dívidas e de fato as pagou com sua vida divina, e se carregou das penas devidas aos nossos crimes? “Não te esqueças”, diz o autor sagrado, “do benefício que te fez o que ficou por teu fiador, porque ele expôs a sua vida por ti” (Eclo 29, 20).

Afetos e Súplicas

Sim, meu Jesus, o vosso profeta tem razão de advertir-me a não esquecer a graça inapreciável que me fizestes. Eu era o devedor, o culpado; e vós inocente, vós, o meu Deus, quisestes expiar minhas faltas com vossas dores e com a vossa morte. Mas eu, depois disso, esqueci os vossos benefícios e o vosso amor e tive a audácia de voltar-vos as costas, como se não fosseis o meu soberano Senhor, e um Senhor que me amou tanto!

Mas, meu caro Redentor, se no passado fui ingrato, estou resolvido a não cometer mais a mesma falta: os vossos sofrimentos e a vossa morte serão o objeto contínuo dos meus pensamentos; recordar-me-ão sem cessar o amor que me tendes. Maldigo esses dias em que, esquecido do que sofrestes por mim, fiz uso tão mau da minha liberdade; vós ma destes para eu vos amar, e dela me servi para vos ultrajar! Mas hoje, consagro-vos inteiramente essa liberdade que recebi de vós.

Por favor, Senhor, preservai-me da desgraça de me ver outra vez separado de vós e caído na escravidão de Lúcifer. Prendei minha pobre alma aos vossos sagrados pés pelas cadeias do vosso amor a fim de que não se separe jamais de vós. — Pai eterno, pelo cativeiro de Jesus no seio de Maria, livrai-me das cadeias do pecado e do inferno.

E vós, ó Mãe de Deus, socorrei-me. Tendes o Filho do Altíssimo encerrado em vosso seio e estreitamente unido a vós: já que Jesus é vosso prisioneiro, fará o que lhe disserdes, ah! dizei-lhe que me perdoe, dizei-lhe que me torne santo. Ajudai-me, minha Mãe, eu vos conjuro pela graça e honra que Jesus Cristo vos fez de habitar nove meses em vós.

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O que está acontecendo com nossos católicos?
Espiritualidade

O que está acontecendo
com nossos católicos?

O que está acontecendo com nossos católicos?

O que nossos católicos estão precisando, em última análise, não é ir à Missa. Eles já nem vão. Não é rezar em família. Eles já nem rezam mesmo. O que nossos católicos precisam é voltar a ter fé.

Equipe Christo Nihil Praeponere21 de Dezembro de 2017
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Jesus Cristo anda sumido de nossos Natais — justo Ele, que é a razão de existir da festa. Não seria exagerado dizer que, se a Sagrada Família aparecesse hoje em nossas casas, procurando um lugar para ficar, certamente receberia a mesma resposta que ouviu em Belém, dois mil anos atrás, quando “não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2, 7).

O que espanta, no entanto, não são simplesmente as casas de ateus que não acolhem Jesus, de pessoas que nunca conheceram a Igreja ou que pertencem a outra religião. O grande escândalo é que não haja lugar para a Sagrada Família nos lares católicos!

Isso precisa ser dito não só porque muitas famílias substituíram o presépio em suas casas por um sem número de coisas fúteis, vazias e sem nenhum significado verdadeiramente profundo. Sem dúvida, isso também é condenável; mas a falta desses sinais externos aponta para uma ausência muito mais grave. Das poucas famílias que ainda se preocupam em “preparar com bastante antecedência em suas casas um presépio para representar o nascimento de Jesus Cristo”, poucas são as que ainda pensam “em preparar seus corações, a fim de que o Menino Jesus possa neles nascer e repousar” [1].

Cabe perguntar, então, o porquê desse fenômeno. Por que os símbolos cristãos estão desaparecendo cada vez mais de nossas celebrações de fim de ano e, não só isso, por que as pessoas estão se descristianizando cada vez mais?

A resposta para isso se encontra em um comodismo que tomou conta de nossos católicos.

Somos um país de forte tradição católica — tido inclusive por muitos no estrangeiro como o “mais católico do mundo”. Isso significa que a fé católica não nos foi transmitida ontem. Aquilo que recebemos, foi de nossos pais, de nossos avós, de nossos bisavós que o recebemos, em uma cadeia muitas vezes ininterrupta, que remonta aos próprios colonizadores de nossa nação. O Brasil nasceu como Terra de Santa Cruz.

Mas, ao que parece, estamos estacionados, ignorando (ou fingindo ignorar) que a fé não é uma realidade estática, que, uma vez recebida, permanecerá tal e qual, independentemente do que fizermos ou deixarmos de fazer. Não, a fé é algo dinâmico, que demanda cuidados, que precisa ser alimentada, que precisa crescer e se desenvolver. Caso contrário, se nos descuidarmos, ela pode diminuir… e até mesmo desaparecer.

E não é justamente isso o que está acontecendo com nossos católicos?

As pessoas mais velhas, por exemplo, que conservam ainda, em grande parte, uma sólida formação e prática religiosas, não conseguem entender por que seus filhos, tendo sido educados na fé católica desde pequenos, agora, já adultos, se desviaram e não vão mais à igreja, não frequentam os sacramentos, não rezam em casa e nem transmitem a fé que receberam a seus filhos…

É evidente que não há uma única resposta para esse problema, mas uma delas está, sem dúvida nenhuma, no modo frouxo como nós lidamos com a nossa fé, não nos preocupando em enriquecer-nos com a oração, com catequese, com bons livros, com boas pregações etc. É assim que as pessoas, a partir de um determinado momento de sua juventude, viram as costas a Deus e não se dão conta! Se alguém lhes diz que precisam voltar a frequentar a igreja e os sacramentos, elas se defendem dizendo que não deixaram de ser cristãs, que continuam acreditando… mas que não é preciso ser tão “radical”, nem se preocupar tanto com essas “coisas de religião”.

Com todo respeito à pessoa que diz uma coisa dessas, mas sem nenhum respeito pelas palavras que lhe saem da boca, não é preciso ser tão “radical” quando o assunto é a salvação eterna das nossas almas? Grandes empresários se doam radicalmente para fazer crescer o seu negócio, bons alunos se aplicam radicalmente aos estudos só para conseguir entrar em uma boa universidade ou arranjar um bom emprego… Mas, na hora de ser cristão, é preciso ser medíocre? O que explica uma lógica absurda dessas?

Ora, a única coisa que pode explicar falas assim é a falta de fé.

Uma pessoa só abandona a Igreja porque, antes, ela deixou de crer. Ninguém deixa de ir à Missa aos domingos se acredita realmente que, no altar, no momento da consagração, fazem-se presentes verdadeiramente o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Igualmente, ninguém deixa de se confessar se acredita realmente que os padres católicos receberam de Deus o poder para perdoar os pecados dos homens. Quem acredita na existência da graça e do pecado, do Céu e do Inferno, da salvação e da condenação… como vai abandonar os meios que Deus pôs à sua disposição para alcançar a vida e a felicidade eternas? Só se essa pessoa, no fim das contas, deixou de crer… Não é verdade, portanto, que “há muitos fiéis saindo da Igreja Católica”. Há batizados deixando a Igreja, isso sim. Fiéis, no entanto, é a última coisa que essas pessoas foram.

Por isso, para trazê-las de volta, é preciso muito mais do que os “puxões de orelhas” que os mais velhos costumam dar nos mais novos quando querem vê-los na igreja. Quem não sente falta de Deus em sua vida diária, ou abafa a necessidade que têm dEle com um milhão de coisas, por que irá “perder tempo” indo a uma Missa, fazendo uma novena ou rezando um Terço em família? Coisas desse tipo, afinal, só fazem pessoas que crêem de verdade. Só manifesta externamente a sua fé quem já a tem, viva e ardente, queimando no coração.

Neste Natal, o que nossos católicos estão precisando, em última análise, não é ir à Missa. Eles já nem vão. Não é rezar em família. Eles já nem rezam. O que nossos católicos precisam é voltar a crer. O primeiro lugar em que o Menino Jesus precisa nascer é no presépio do coração de nossos católicos. O primeiro lugar em que a estrela de Belém precisa brilhar é na inteligência daqueles que sentam nos bancos de nossas igrejas.

Se não for assim, toda prática religiosa em que eles se engajarem não passará de superstição pagã. Quase como dar sete pulos nas ondas do mar durante a virada do ano.

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