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O Papa é infalível em tudo o que diz ou faz?
Doutrina

O Papa é infalível
em tudo o que diz ou faz?

O Papa é infalível em tudo o que diz ou faz?

Muita gente tem sobre a infalibilidade do Papa uma noção que a Igreja nunca, e em parte alguma, ensinou. Neste texto, confira uma resposta às principais objeções que as pessoas têm a esse dogma.

Dom Tihamer Toth29 de Junho de 2018
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Sinto, meus irmãos, que alguns gostariam de fazer certas objeções — objeções que ouviram, ou leram, contra a infalibilidade do Papa. Não se pode imaginar quanta ideia errônea circula por aí a respeito desse dogma e quanta gente há que levanta contra ele objeções, porque tem sobre a infalibilidade do Papa uma noção que a Igreja nunca, e em parte alguma, ensinou.

Ouçamos o que alguns dizem sobre essa questão.

1. “Tudo o que ouvimos até agora é certo. É preciso que seja assim. Não duvido. Mas que o Papa seja infalível em tudo, não posso crê-lo.”

Mas onde é que a Igreja ensina semelhante coisa, meus irmãos? Onde é que ela ensina que o Papa é infalível em tudo? É unicamente nas questões de fé e de moral, e, ainda, somente quando ele não se pronuncia como doutor particular [1], mas quando, oficialmente, como chefe da Igreja, proclama uma decisão que atinge toda a Igreja. É só então — e não noutros casos.

Suponhamos, por exemplo, que seja eleito Papa alguém que antes era um grande matemático. E eis que se apresenta a ele um professor de matemática e lhe diz: “Santíssimo Padre, há anos que lido com um problema, e agora consegui resolvê-lo. Vede se a solução está exata.” O Papa examina-a. “Está exata” — diz ele enfim. E agora a solução está certamente exata porque o “Papa infalível” assim a achou? De modo algum. Por quê? Porque Cristo não lhe deu a infalibilidade para isso. E por que não? Porque isso não interessa à salvação dos homens, e a infalibilidade não é necessária nesse caso.

Tomemos outro exemplo. O Papa Pio XI, antes do seu pontificado, era o sábio bibliotecário da biblioteca Ambrosiana em Milão. Suponhamos que um historiador fosse ter com ele, levando um velho manuscrito, e lhe dissesse: “Santíssimo Padre, descobri um manuscrito extremamente importante, mas não posso decidir se não é falsificado.” O Papa examina-o e responde: “O documento é autêntico.” É ele agora seguramente autêntico porque o “Papa infalível” o disse? Absolutamente não. E por quê? Porque Cristo não lhe deu a infalibilidade para isso.

Se o Papa calcula mal, ou engana-se em História, isso não interessa à salvação eterna dos fiéis. Mas quando decide em matéria de fé e de moral, não pode enganar-se. Porém, mesmo aqui, somente se ele toma uma decisão aplicável à Igreja universal, e na qualidade de chefe de toda a Igreja.

Interior da Basílica de São Paulo Extramuros, em Roma. Detalhe das pinturas dos últimos Papas.

2. Outros apresentam outra objeção. Consideram inconveniente que o Papa, em virtude da infalibilidade, “seja elevado a uma glória sobre-humana”, como se “deixasse de ser mortal”, e até mesmo que esteja seguro da sua salvação eterna, visto como — dizem eles —, se ele é infalível, “então não pode mais pecar”.

Precisarei, irmãos, dizer-vos que absolutamente não se trata disto?

a) “O Papa está circundado de glória sobre-humana”? Quando o Papa é coroado, é conduzido solenemente em procissão à Basílica de São Pedro. Mas o mestre de cerimônias faz parar a procissão e, acendendo um punhado de estopa, diz ao Papa: Beatissime Pater, sic transit gloria mundi, que quer dizer: “Santo Padre, assim passa a glória do mundo”. A vossa também passará — mas sois infalível, porque as duas coisas são independentes.

b) “O Papa deixa de ser um mortal”? Na terça-feira gorda tem lugar o célebre carnaval italiano. Mas, no dia seguinte, as igrejas estão cheias de fiéis para receber as cinzas. Na capela do Vaticano um velho sacerdote, vestido de branco, está ajoelhado diante do altar; outro sacerdote desce do altar e, enquanto impõe as cinzas na fronte do Papa e o Papa inclina a cabeça branca, a Igreja pronuncia sobre ele a mesma fórmula que sobre os milhões de fiéis nesse dia: Memento, homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris, “Lembra-te, homem, de que és pó e ao pó hás de tornar”. Também vós, Santíssimo Padre, volvereis ao pó — mas sois infalível, porque, as duas coisas são independentes.

c) “E o Papa não pode mais pecar”? A infalibilidade não significa isso. Ele não pode enganar-se em questões de fé e de moral, mas pode enganar-se na sua própria vida moral. As fraquezas da natureza humana subsistem no Papa, ele também pode cometer pecados e — ai! — a história narra tristes quedas morais relativamente a alguns. Cristo, que suportou até mesmo um Judas entre seus Apóstolos, não escolheu os Papas unicamente dentre os santos.

Sim, tem havido entre eles mais santos e personagens virtuosos do que em qualquer família reinante; mas houve também — infelizmente — um Alexandre VI. E não há Papa que ouse aproximar-se do altar sem recitar, nas orações ao pé do altar, o que todo padre recita: Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa, “Por minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa”.

Uma tarde em cada semana, quando os derradeiros raios do sol poente iluminam as janelas do Vaticano, por trás de uma dessas janelas, um sacerdote de vestes brancas levanta-se da mesa de trabalho, percorre um corredor silencioso e bate a uma porta. Um simples padre levanta-se para lhe atender ao chamado. “Queria confessar-me”, e o Papa ajoelha-se no confessionário. Ao cabo de alguns minutos, sobre o Papa ajoelhado, sobre o Papa que se confessou, descem as palavras da absolvição: Ego te absolvo, “Eu te absolvo”. Então o Papa se confessa? Certamente. O Papa infalível também pode pecar? Sim, pode, pois as duas coisas são independentes.

Nós não fazemos, pois, do Papa “um ente sobrenatural”; o Papa não deixa de ser “um homem mortal, frágil e suscetível de cair”, apesar do que cremos e confessamos a seu respeito.

Referências

  • Extraído e levemente adaptado de A Igreja Católica. Rio de Janeiro: José Olympio, 1942, pp. 92-96.

Notas

  1. “O Papa se pronuncia ex cathedra, ou infalivelmente, quando ele fala: (1) como Doutor Universal; (2) em nome e com a autoridade dos Apóstolos; (3) em um ponto de fé e moral; (4) com o propósito de obrigar cada membro da Igreja a aceitar e acreditar em sua decisão.” (Cardeal John Henry Newman, The True Notion of Papal Infallibility)

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Pelas almas do Purgatório, Missas e mais Missas!
Espiritualidade

Pelas almas do Purgatório,
Missas e mais Missas!

Pelas almas do Purgatório, Missas e mais Missas!

De tudo o que podemos fazer pelas almas que estão no Purgatório, não há absolutamente nada mais precioso do que oferecer por elas o santo sacrifício da Missa.

Pe. François Xavier SchouppeTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere29 de Junho de 2018
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De tudo o que podemos fazer pelas almas que estão no Purgatório, não há absolutamente nada mais precioso do que a imolação de nosso Divino Salvador sobre o altar. Além de ser doutrina expressa da Igreja, manifesta em seus Concílios, muitos fatos milagrosos, devidamente autenticados, não deixam margem alguma de dúvida a esse respeito.

Entre os discípulos de São Bernardo, que perfumavam o celebrado vale de Claraval com o odor de sua santidade, havia um cuja negligência contrastava tristemente com o fervor de seus irmãos. Não obstante a sua dupla função de padre e de religioso, ele se permitia cair em um deplorável estado de tibieza.

O momento da morte chegou e ele compareceu diante de Deus sem demonstrar o mínimo sinal de emenda. Enquanto a Missa de Réquiem era celebrada, um religioso venerável e de virtude incomum recebeu uma iluminação interior e descobriu que, embora o falecido não se tivesse perdido eternamente, sua alma se encontrava em uma condição das mais miseráveis.

Na noite seguinte, apareceu-lhe a alma do seu irmão de comunidade, em um estado infeliz e lastimável. “Ontem”, ele disse, “descobriste qual foi o meu deplorável destino. Observa agora as torturas às quais sou condenado, em punição por minha culpável tibieza.”

Ele então conduziu o velho homem à beira de um grande poço, de cujas profundezas, repletas de chamas ardentes de fogo, saía nuvens de fumaça. “Contempla o lugar”, ele disse, “onde os ministros da Divina Justiça cumprem ordens de me atormentar; eles não cessam de me lançar dentro desse abismo, e só me tiram para me precipitar aí novamente, sem que me seja dado um só momento de descanso.”

Na manhã seguinte, o religioso se dirigiu a São Bernardo para lhe dar a conhecer a visão que tivera. O santo Abade, que havia sido agraciado com uma aparição similar, recebeu tudo isso como um alerta do Céu para sua comunidade. Convocou então um capítulo e, com lágrimas nos olhos, relatou a todos as duas visões, exortando seus religiosos a socorrer com sufrágios generosos esse pobre irmão falecido, bem como a aprender com seu triste exemplo a conservar o próprio fervor, evitando a mínima negligência no serviço de Deus.

O santo Abade e seus fervorosos discípulos apressaram-se em oferecer orações, jejuns e Missas pelo pobre irmão falecido. Este foi rapidamente libertado e apareceu, cheio de gratidão, a um religioso mais velho da comunidade que havia se dedicado particularmente à sua causa. Perguntado sobre o sufrágio que lhe havia sido mais proveitoso, ele, ao invés de responder, tomou o velho homem pela mão e, conduzindo-o a uma igreja onde estava sendo celebrada a Santa Missa, disse, apontando para o altar: “Observa o grande poder redentor que me rompeu as cadeias, contempla o preço de meu resgate: é a Hóstia consagrada, que tira os pecados do mundo!”

Eis outro incidente, relatado pelo historiador Fernando de Castela, e citado pelo Padre Rosignoli. Havia em Colônia, entre os estudantes das classes mais avançadas da universidade, dois religiosos dominicanos de notável talento, sendo um deles o bem-aventurado Henrique Suso. Os mesmos estudos, o mesmo estilo de vida e, acima de tudo, o mesmo desejo pela santidade, fizeram com que os dois dessem início a uma amizade íntima, partilhando mutuamente os favores que recebiam do Céu.

Quando terminaram seus estudos, vendo que estavam prestes a se separar e retornar cada um para o próprio convento, os dois amigos consentiram e prometeram um ao outro que o primeiro dos dois que morresse deveria ser assistido pelo outro durante um ano inteiro com a celebração de duas Missas por semana, uma de Réquiem na segunda, como era costume, e uma na sexta-feira, à medida que as rubricas o permitissem. Eles assim combinaram, deram um no outro o ósculo da paz e deixaram Colônia.

Por muitos anos ambos continuaram servindo a Deus com o mais edificante fervor. O irmão cujo nome não é mencionado foi o primeiro a ser chamado por Deus, e Henrique recebeu as notícias com os mais perfeitos sentimentos de resignação à vontade divina. O tempo acabou fazendo com que o beato se esquecesse, no entanto, do contrato que eles haviam feito. Ele rezou muito pelo amigo, fez penitências e muitas outras boas obras por ele, sem se lembrar, porém, de oferecer as Missas que lhe prometera.

Uma manhã, enquanto meditava recolhido na capela, o beato viu aparecer de repente diante dele a alma de seu amigo falecido, a qual, olhando para ele com ternura, reprovou-o por ser infiel à própria palavra dada, e na qual ele tinha todo o direito de confiar. Henrique, surpreso, quis desculpar seu esquecimento enumerando as orações e mortificações que ele havia oferecido, e que continuava a oferecer, por seu amigo, cuja salvação lhe era tão cara. “Será possível, meu caro irmão”, ele acrescentou, “que tantas orações e boas obras que ofereci a Deus não lhe sejam ainda suficientes?

“Não, meu irmão”, replicou a alma sofredora, “isso não é suficiente. Só o Sangue de Jesus Cristo poderá extinguir as chamas pelas quais sou consumido; é o santo sacrifício da Missa que me libertará desses pavorosos tormentos. Imploro-te que mantenhas tua palavra e que não me recuses o que justamente me deves.” O bem-aventurado apressou-se em atender ao apelo da alma sofredora e, para reparar sua falta, celebrou e fez com que se celebrassem mais Missas ainda do que havia prometido.

No dia seguinte, a pedido de Henrique, vários padres se uniram a ele no oferecimento do santo sacrifício da Missa pelos falecidos, repetindo esse ato de caridade por vários dias. Depois de algum tempo o amigo do beato novamente lhe apareceu, mas agora em uma condição bem diferente: seu semblante era de alegria, e ele estava cercado de uma luz maravilhosa. “Muito obrigado, meu fiel amigo”, ele disse. “Vê, pelo Sangue do meu Salvador eu sou libertado de meus sofrimentos. Agora estou indo para o Céu a fim de contemplar Aquele que tão frequentemente nós adorávamos juntos sob o véu do Sacramento.”

Henrique Suso se prostrou para agradecer a Deus, que é todo misericordioso, e entendeu mais do que nunca o valor inestimável do santíssimo sacrifício do altar.

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Menino de 10 anos é criado como “drag queen” nos Estados Unidos
NotíciasSociedade

Menino de 10 anos é criado
como “drag queen” nos Estados Unidos

Menino de 10 anos é criado como “drag queen” nos Estados Unidos

Desmond é uma criança do sexo masculino que, com o apoio de seus pais, afirma ser um “drag queen”. E tudo começou por influência da televisão.

Marcia Segelstein,  National Catholic RegisterTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere28 de Junho de 2018
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Uma rede norte-americana de televisão apresentou recentemente, em um de seus programas, um menino do sexo masculino que, com o apoio de seus pais, afirma ser um “drag queen”, ou, como ele mesmo se chama, um “drag kid”.

Quem assistir à reportagem da NBC, disponível na internet, verá uma jornalista toda sorridente conversando com Desmond Napoles, de 10 anos, cujo nome nas redes sociais é “Desmond Is Amazing” (o que em português se poderia traduzir, literalmente, por: “Desmond é maravilhoso”). Durante uma entrevista com o menino, que exibe brincos de diamantes, ela pergunta se ele é transgênero (ao que ele responde que não) e se identifica a si mesmo como gay (ao que ele responde que sim). “Quando você saiu do armário?”, ela pergunta. “Desde que eu nasci”, ele responde.

Ao longo da matéria, durante a qual se fala também com os pais de Desmond, é possível ter acesso à história por trás de tudo. Sua mãe explica que, quando ele estava começando a andar, ele se sentava em seu colo enquanto ela assistia a um reality show de “drag queens”. Ele ficava hipnotizado, ela conta, e eventualmente começou a se vestir igualmente em casa. A repórter pergunta a Desmond como era assistir àquele programa de TV, e o menino responde que ficava impressionado com “como elas eram bonitas e quão maravilhosas elas pareciam”, o que o levou a pensar: “Eu quero ser maravilhoso também.”

O pai e a mãe de Desmond consultaram um terapeuta a respeito do interesse do menino em se vestir como um travesti. Eles foram aconselhados a se manter neutros, não estimulando nem desencorajando o filho. A partir disso, então, eles deixaram a criança tomar as rédeas da situação e passaram a lhe dar apoio.

Um vídeo de Desmond desfilando como travesti durante uma parada gay em 2015 tornou-se viral, dando origem a uma “estrela das redes sociais”. Ele agora tem mais de 40 mil seguidores no Instagram e seu próprio canal no YouTube. Ele ganhou uma matéria na revista de moda feminina Vogue e começou uma carreira de modelo. Quando não está na escola, Desmond está ocupado em desfiles e sessões de fotografias.

Em suas aparições, a criança está sempre com o rosto exageradamente coberto de maquiagem e as unhas repletas de esmalte, mas sua mãe não vê nada de sexual no que ele está fazendo. Para ela, trata-se apenas de uma criança se divertindo. Quando a repórter pergunta à mãe se ele não é novo demais para fazer tudo aquilo, ela menciona o fato de que Mozart começou a tocar o piano com três anos de idade. Aparentemente, a seus olhos, travestir-se é um talento de Desmond.

A história de Desmond não estaria completa, evidentemente, se a repórter não acrescentasse que o menino usa suas plataformas nas redes sociais para apoiar outras crianças e inspirá-las a sair do armário. “Eu sou feroz e maravilhoso”, a criança diz à repórter. “As drag kids irão dominar o mundo.”

Há muita coisa a ser destrinchada nessa história. Pode alguém em sã consciência realmente acreditar que é bom e saudável uma criança de 10 anos de idade procurar fama e atenção se vestindo como os travestis de um programa de televisão? Pode alguém realmente achar que essa criança crescerá equilibrada, segura e feliz?

É de se perguntar, ainda, como esse menino começou a se identificar como homossexual tendo a frágil idade de 10 anos. Eu não estou certo do que é mais aterrador: ele entender de fato o que isso significa, ou não. Também não sei por onde começar com relação aos pais, que parecem quase que alegremente inconscientes do que se tornou a infância do próprio filho.

Mas para mim há um outro absurdo: isso é um programa de televisão retratando um menino de 10 anos que gosta de usar roupas e maquiagens extravagantes; trata-se de uma jornalista entrevistando uma criança e perguntando se ela é gay e quando ela “saiu do armário”. Ainda que os dias de bom jornalismo se tenham ido há muito tempo, tudo tem limites. Seja lá qual for a sua opinião a respeito dessa criança e desses pais, o fato de uma rede de televisão considerar essa triste história digna de divulgação é uma desgraça. É abusivo e de extremo mau gosto, e a NBC deveria sentir vergonha disso.

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Os sofrimentos juninos dos Pastorinhos de Fátima
Virgem Maria

Os sofrimentos juninos
dos Pastorinhos de Fátima

Os sofrimentos juninos dos Pastorinhos de Fátima

Para Lúcia, Francisco e Jacinta, junho de 1917 “foi um mês de sofrimento inaudito e parecia não ter fim essa tempestade”. Conheça um pouco do que aconteceu, por permissão de Nossa Senhora, a essas almas eleitas.

Carmelo de Coimbra26 de Junho de 2018
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Meditemos sobre os sofrimentos e as provações por que passaram os três Pastorinhos de Fátima, Lúcia, Francisco e Jacinta, no mês de junho.

A presente exposição foi retirada de uma biografia da Irmã Lúcia, publicada pelo Carmelo de Coimbra, Portugal [1].


O dia 13 de junho foi um teste. Como a Lúcia era muito amiga de festas, em casa estavam para ver o que ela escolheria, sendo neste dia a festa de Santo Antônio. Uma festa na aldeia para as crianças deste tempo, que não tinham outras distrações, não se podia perder. Todos estavam a ver o que eles fariam. Costumavam nesse dia abrir os rebanhos de madrugada para os recolherem às 9 horas e irem à festa. Ao aproximar-se o dia, a mãe e as irmãs diziam-lhe:

Sempre estou para ver se tu deixas a festa para ires para a Cova da Iria falar lá com essa Senhora [2].

No dia 13 guardaram silêncio. A pequena saiu bem cedo com o rebanho, pensando recolhê-lo a tempo de ir à Missa das 10 horas. Mas antes das 8 horas já estava o irmão a chamá-la. Tinham chegado umas pessoas que lhe queriam falar e ele ficava com o rebanho. Era um grupo de pessoas que vinham de outras terras que ficavam a uns 25 km ao redor de Fátima e queriam acompanhá-la à Cova da Iria.

Sendo ainda muito cedo, convidou-os a ir à Missa das 8 horas e depois iriam para a Cova da Iria. Voltaram da Missa e as pessoas esperaram por ela à sombra das figueiras. Lúcia sentia como fel o silêncio que reinava à sua volta… pelas 11 horas foi ao encontro dos primos e na companhia dessas pessoas dirigiram-se para o local das Aparições. Ali rezaram o terço enquanto esperaram a chegada da Senhora.

Como em maio, a Aparição fez-se anunciar por um relåmpago. E a Senhora chegou. Lúcia fez a mesma pergunta de Maio:

— Vossemecê que me quer?
— Quero que venhais aqui no dia 13 do mês que vem, que rezeis o terço todos os dias e que aprendam a ler. Depois direi o que quero.
— Pedi a cura dum doente.
— Se se converter, curar-se-á durante o ano.
— Queria pedir-Lhe para nos levar para o Céu.
— Sim; a Jacinta e o Francisco levo-os em breve. Mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer servir-Se de ti para Me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção a Meu Imaculado Coração. A quem a aceita, prometer-lhe-ei a salvação e estas almas serão amadas de Deus, como flores colocadas por Mim para enfeitar o Seu Trono.
— Fico cá sozinha? — perguntei, com pena.
— Não, fiha. E tu sofres muito? Não desanimes. Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus.

Foi no momento em que disse estas últimas palavras que abriu as mãos e nos comunicou, pela segunda vez, o reflexo dessa luz imensa. Nela nos víamos como que submergidos em Deus. A Jacinta e o Francisco parecia estarem na parte dessa luz que se elevava para o Céu e eu na que se espargia sobre a terra. À frente da palma da mão direita de Nossa Senhora, estava um coração cercado de espinhos que parecia estarem-lhe cravados. Compreendemos que era o Imaculado Coração de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade, que queria reparação [3].

Nossa Senhora desta vez ainda não lhes recomendou segredo, mas os Pastorinhos a isso se sentiram movidos. Era também uma proteção para não contarem tudo o que a Senhora lhes disse, mas começou a ser motivo de novo sofrimento.

Lúcia começa a embrenhar-se mais na espessura da noite, numa grande solidão. Saber que os primos iam em breve para o Céu e ela ficaria sozinha na Missão que lhe era confiada, fazia-a sofrer tanto! A Jacinta confortava-a recordando a promessa da Senhora de que teria o Seu Imaculado Coração como um refúgio, mas… era muito doloroso. Impressiona ver uma criança de dez anos a braços com tanta responsabilidade e tanto sofrimento! E surgiu a voz da tentação, porque o demônio não deixa que o trabalho de Deus se faça sem tentar os que Ele chama. É o tempo da prova, um tempo difícil, mas se bem aproveitado, tem a função de enraizar mais na fé e fortalecer os alicerces da vida.

Depois da Aparição de Junho, ao ver que em vez de tudo se esfumar, os acontecimentos continuavam e tomavam proporções já tão grandes, a mãe de Lúcia muito preocupada com as supostas mentiras da filha e dos sobrinhos, fica aliviada quando o Pároco lhe manda dizer que leve a Lúcia à residência paroquial para ele a interrogar. Era o primeiro passo da Igreja.

Pensando que o Pároco ia resolver aquele grande problema que lhe caíra em casa, a mãe muito séria, comunica à Lúcia com alguma satisfação na voz:

— Amanhã vamos à Missa logo de manhãzinha. Depois, vais a casa do Senhor Prior. Ele que te obrigue a confessar a verdade, seja como for; que te castigue; que faça de ti o que quiser, como que te obrigue a confessar que tens mentido, eu fico contente [4].

Nessa tarde a pequena ainda falou com os primos e confessou-lhes a apreensão que sentia diante das ameaças da mãe. Eles informaram-na que o Pároco também os mandou ir, mas que não lhes meteram esses medos. Para se alentarem mutuamente, rematam:

Paciência! Se nos baterem, sofremos por amor de Nosso Senhor e pelos pecadores [5].

Sempre a pensar no bem dos outros, sempre com o desejo de salvar almas.

Para sua surpresa, Lúcia que estava à espera de ver diante de si uma cara de ferro e terríveis ameaças, vê se interrogada com muita paz e amabilidade, embora o interrogatório tenha sido minucioso e maçador. Mas o Pároco não se convenceu e deixou a pequena num mar de sofrimento, ao dizer-lhe que “aquilo podia muito bem ser um engano do demônio” [6].

Foi uma aguda seta no íntimo da sua consciência. Daqui vieram noites sem dormir ou com pesadelos terríveis que lhe perturbavam o sono; desânimo, abandono da prática do sacrifício, vontade de tudo abandonar e dizer que afinal era mentira e, sobretudo começou a formular o propósito firme de nunca mais voltar aos encontros marcados com a Celeste Aparição nos dias treze. E comunicou aos primos a sua resolução. A Jacinta disse lhe com toda a convicção:

— Não é o Demônio, não! O Demônio, dizem que é muito feio e que está debaixo da terra, no inferno; e aquela Senhora é tão bonita! E nós vimo-La subir ao Céu [7]!

Dissuadiu-a de dizer que não tinha visto nada, porque então é que estava a mentir. Com o Francisco, ajudou a prima com muita oração e sacrifícios. Os dois foram para ela uma maravilhosa retaguarda. Conhecendo o sofrimento da prima, os dois Pastorinhos foram-na consolando e aconselhando como puderam e, sobretudo, mais com o silêncio do que com a palavra.

Nestes momentos, a ajuda silenciosa é mais eficaz. Com ela sofriam, por ela oravam e ofereciam sacrifícios. A tentação confessada está meio vencida, porque fica a porta aberta à ajuda de quem Deus coloca ao lado daquele que está a sofrer essa batalha. Lúcia teve a seu lado aqueles dois anjos que, iluminados pelo Espírito Santo, a aconselhavam como se fossem grandes mestres e ela recebia com humildade a ajuda dos mais novos.

Foi um mês de sofrimento inaudito e parecia não ter fim essa tempestade. Ao lado dela estavam os dois primitos desolados ao ver aproximar-se o dia treze de Julho e a Lúcia a afirmar que não ia com eles, que falasse a Jacinta com aquela Senhora. Atormentada por pesadelos noturnos, durante os quais se via nas garras do demônio e arrastada para o inferno, procurava todas as oportunidades de se esquivar, até à companhia destes dois sinceros amigos, para sozinha chorar à vontade e não ouvir razões de ninguém. No dia doze,

A resolução estava tomada e eu bem resolvida a pô-la em prática. Pela tarde, chamei a Jacinta e o Francisco e informei-os da minha resolução. Eles responderam-me:
— Nós vamos. Aquela Senhora mandou-nos lá ir.
A Jacinta prontificou-se a falar ela com a Senhora, mas custava-lhe que eu não fosse e começou a chorar.
Perguntei-lhe por que chorava.
— Por tu não quereres ir.
— Não; eu não vou. Olha: se a Senhora te perguntar por mim, diz-lhe que não vou, porque tenho medo que seja o demônio [8].

E foi esconder-se detrás de um silvado, para não ter de responder às numerosas pessoas que já começavam a chegar. Os dois primos estavam desolados, mas não afrouxaram a sua intercessão por ela, nem a confiança em Nossa Senhora. À noite, quando regressou à casa, a mãe censurou-a por passar todo o dia na brincadeira… mais um espinho sofrido em silêncio, sem se desculpar! Se a mãe pudesse ver por dentro o coração da sua mais pequena!…

Referências

  1. Carmelo de Coimbra, “Um caminho sob o olhar de Maria”. Coimbra, Portugal: Edições Carmelo, pp. 56-60.
  2. Memórias da Irmã Lúcia I, 2.ªs Memórias, c. II, n. 4, p. 82.
  3. Idem, 4.ªs Memórias, c. II, n. 4, p. 175.
  4. Idem, 2.ªs Memórias, c. II, n. 5, p. 84.
  5. Ibidem.
  6. Ibidem.
  7. Memórias da Irmã Lúcia I, 2.ªs Memórias, c. II, n. 6, p. 85.
  8. Ibidem.

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