CNP
Christo Nihil Praeponere"A nada dar mais valor do que a Cristo"
Evangelize compartilhando!
Todos os direitos reservados a padrepauloricardo.org®
A peregrinação de uma mãe com Alzheimer
Testemunhos

A peregrinação
de uma mãe com Alzheimer

A peregrinação de uma mãe com Alzheimer

“A maior coisa que tenho feito como padre é ter o corpo de Jesus Cristo, o Filho de Deus, em minhas mãos. A segunda maior coisa tem sido cuidar do corpo fraco e debilitado de minha mãe, criada à imagem e semelhança de Deus.”

Pe. Thomas Milota,  Christ is Our HopeTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere25 de Junho de 2018
imprimir

A peregrinação de Betty Lou começou no dia 2 de maio de 1933. Ela cresceu com seus cinco irmãos mais novos em Freeport, Illinois, estudou em um colégio dominicano, casou-se com um bom católico de Cedar Rapids, Iowa, e criou seus quatro filhos em Bensenville. Foi uma esposa e católica fiel, cantava no coro da Igreja e servia de voluntária em sua paróquia. Um dia, 11 anos atrás, ela saiu do mercado às 8h da manhã e desapareceu.

Nós, amigos e familiares, já tínhamos notado que havia algo de errado antes de isso acontecer, mas não tínhamos ainda juntado as peças do quebra-cabeça. As compras se acumulavam aos montes na geladeira, e ela começava a fazer repetidas vezes as mesmas perguntas. Datas de aniversários caíram no esquecimento. Esperávamos que o problema não fosse o que todos temíamos, mas não havia jeito de tocar no assunto.

O que aconteceu no dia do desaparecimento? Betty Lou acabou voltando para casa depois de sua visita matinal ao mercado, mas não sem deixar a todos ansiosos e perplexos, rezando e procurando-a como loucos. Família, amigos e paroquianos organizaram uma busca mal sucedida por todo o Condado de DuPage. Tínhamos quase perdido a esperança de a encontrar quando, 12 horas após o sumiço, ela enfim apareceu na cul-de-sac em que vivia. Apesar de tantos esforços, foi só a oração que a trouxe de volta. É como se Deus nos estivesse dizendo: “Confiem em mim! Betty Lou é minha filha querida. Eu a trarei de volta para casa”.

Tinha começado o fim da peregrinação.

Levamos Betty Lou a um geriatra. O médico fez uma bateria de exames, incluindo uma consulta a um psicólogo comportamental. Betty Lou foi, enfim, diagnosticada com Alzheimer. Ela viveu ainda por sete anos com meu pai até que pudéssemos interná-la em uma clínica especializada. Um ano e meio mais tarde, o bispo R. Daniel Conlon permitiu gentilmente que eu a acolhesse na casa paroquial da igreja São Pedro e São Paulo, da qual eu era pároco na época.

Embora me sentisse feliz por ter minha mãe ao lado e poder-lhe proporcionar os melhores cuidados, ela teve uma crise e foi levada às pressas para o hospital. Diagnosticaram-na com um problema que ela tinha já desde algum tempo: uma perfuração intestinal e uma grave hemorragia interna. Disseram que a morte era certa. A família veio correndo do Texas, e os parentes mais próximos se hospedaram na casa paroquial. Meus irmãos nunca passaram tanto tempo na igreja! Os paroquianos trouxeram comida e ofereceram apoio moral. Contatamos um asilo. Mas Deus e sua amiga íntima, Betty Lou, tinham outros planos.

Betty Lou teve alta do asilo há 19 meses e tem sobrevivido ao seu diagnóstico há 24.

Uma peregrinação é uma viagem de sacrifícios em direção a um lugar sagrado, e Betty Lou percorre agora a peregrinação mais importante da sua vida em direção ao lugar mais sagrado de todos. Sua viagem final, que, para nós, chegaria ao fim dois anos atrás, continua. Embora saibamos que chegará o momento decisivo em que ela dará o último passo, nós, familiares e amigos, estamos decididos a não deixá-la sozinha nesta etapa terrena de sua peregrinação.

Estamos todos percorrendo com ela esse caminho. Ao longo dos últimos 11 anos, a irritação que sentíamos com suas reiteradas perguntas converteu-se em alegria por cada palavra saída de sua boca. Conseguimos às vezes captar algum sentido em suas palavras quase sempre murmuradas, lembrando-nos assim de que Betty Lou continua conosco. Sua frase predileta e mais repetida é “Ave, Ave, Ave”. Quando lhe perguntamos: “Você ama Nossa Senhora, não é?”, a resposta é um enfático “sim” acenado com a cabeça.

Ela ainda faz suas orações de costume, embora as palavras lhe saiam agora quase incompreensíveis e as tenhamos de completar. Ela ainda consegue se alimentar, ainda que, de vez em quando, alguém precise ajudá-la segurando-lhe a mão e cantando um hino à Imaculada Conceição. Se o ajudante não cantar, Betty Lou canta por si mesma e deixa de comer. De um modo ou de outro, ela tem feito com que todos — família, amigos, médicos, enfermeiros, auxiliares, funcionários, motoristas de ambulância, conhecidos e cuidadores — cantem e rezem a Nossa Senhora.

Tenho aprendido muitas coisas à medida que vou caminhando com Betty Lou, mas algumas lições merecem ser destacadas. A primeira e mais importante delas é que não podemos deixar sozinhas no fim de sua peregrinação as pessoas a quem amamos. Esta primeira lição tem duas caras, uma divina e outra humana. Por um lado, cada um de nós tem o dever de cuidar dos que têm necessidade. É o que diz Nosso Senhor no Evangelho segundo S. Mateus: “Todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes” (Mt 25, 40).

Minha mãe já não reconhece o marido, de 61 anos, ainda que ele esteja aqui perto, ao lado dela todos os dias, dando-lhe de comer. Uma vez me disseram: “Não se esqueça: ela pode não se lembrar de quem você é, mas você sabe quem ela é”. Por outro lado, Deus não se esquece dos que lhe são fiéis. Minha mãe vive em um mundo onde todas as pessoas que lhe dão banho, trocam suas roupas e a alimentam são rostos novos a cada novo encontro. Esse isolamento seria aterrador, não fossem duas pessoas que ela ainda conhece muito bem: Nosso Senhor e a Virgem Maria. O que resta à minha mãe, quando tudo parece ter-se desvanecido? O seu relacionamento com estas duas pessoas. Rezar com ela é a coisa mais importante que fazemos todos os dias.

A segunda lição é que os pacientes de Alzheimer não perdem a identidade. Não há dúvidas de que minha mãe está sendo despojada pouco a pouco de tudo o que caracterizava a sua vida neste mundo. Ela já não é mais capaz de cozinhar. Ela já não pode mais dançar ou caminhar. Até mesmo a sua capacidade de falar, ou de ao menos se fazer entender, está desaparecendo. Diante disso, o que sobra? Ela ainda canta e reza.

Já me perguntei várias vezes: “O que sobrará de mim, no fim das contas?” Espero que não seja raiva ou frustração. Espero poder seguir o exemplo de minha mãe, fazendo de minhas últimas ações uma canção e uma prece.

Um padre amigo meu lembrou-me certa vez: “Lembre-se do que aprendemos no seminário. A memória intelectual reside na alma, e a alma humana é imortal. Isso significa que, embora o corpo dela esteja debilitado e a mente não possa mais se expressar, há lembranças que ela guardará eternamente”. A essa altura da vida, a identidade de Betty Lou carece de ambiguidades e complexidades desnecessárias. Ela é agora aquilo que sempre foi no mais íntimo da alma: uma mulher mais preocupada com os outros do que consigo mesma, uma doce mulher que quer amar e ser amada, uma mulher de grande fé.

Minha mãe é valiosa, não pelo que pode dar ou fazer por mim. A dignidade dela nasce do fato de que Deus a criou à sua imagem e semelhança. E ela continua a levar dentro de si esta semelhança. A maior coisa que tenho feito como padre é ter o corpo de Jesus Cristo, o Filho de Deus, em minhas mãos. A segunda maior coisa tem sido cuidar do corpo fraco e debilitado de minha mãe, criada à imagem e semelhança de Deus.

Betty Lou não desapareceu. Ela está em peregrinação para o Lugar Sagrado. Ela disse a um de seus cuidadores há alguns dias que, daqui a pouco, ela estará em outro lugar. Ela às vezes olha pausadamente para longe, para um destino que não podemos ver. Sem ser presunçosa, Elizabeth Louise tem grande fé em que Aquele do qual ela ainda se lembra, a quem conhece e ama, a levará para casa e lhe dará tudo o que o coração dela sempre desejou.

Referências

  • O presente texto é uma tradução levemente adaptada do artigo “Betty Lou’s Pilgrimage”, de autoria do Pe. Thomas Milota, publicado em Christ is Our Hope, Diocese de Joliet, Illinois, vol. 11/4 (jul. 2018), pp. 12-13.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

Copa dos Imundos
Pró-Vida

Copa dos Imundos

Copa dos Imundos

Enquanto a Copa do Mundo de futebol é assistida por milhões de pessoas ao redor do globo, há uma outra Copa sendo jogada nas ruas, nos parlamentos e nos tribunais… É a “Copa dos imundos”.

Dom Antônio Augusto Dias Duarte,  Arquidiocese do Rio25 de Junho de 2018
imprimir

Aos leitores dessas próximas linhas encabeçadas por esse título provocativo, proponho uma reflexão séria e sincera, diante do grandíssimo perigo que o Brasil está enfrentando nos atuais dias.

Enquanto a Copa do Mundo de futebol é assistida por milhões de pessoas em todo o mundo, é preciso dizer que a assim denominada “Copa dos imundos” iniciou-se no mesmo país que sedia essa competição internacional.

A Rússia foi a primeira nação do mundo que sucumbiu às garras dos imundos propagadores do aborto pelo mundo. Logo a seguir da Revolução bolchevista-marxista, em 1917, a ditadura instaurada por Lênin e seus companheiros comunistas aprovou, em 1920, esse crime hediondo contra a vida dos bebês, que é um imenso e verdadeiro genocídio que se alastra pelos séculos 20-21.

Com a promoção e a realização dessa “Copa dos Imundos”, de matriz ateia,  em outros países vários legisladores, juristas, médicos, advogados, sociólogos, diversas fundações internacionais e ONGs formaram equipes identificadas por cores bem significativas nas suas camisas: a preta do ódio à maternidade, a roxa da aversão aos valores da vida, a vermelha do sangue dos bebês abortados e a cinza da indiferença diante do sofrimento das mulheres forçadas a fazer esse crime. O mais dramático e ofensivo desse campeonato imundo é que nenhuma dessas equipes quer levantar a taça da vitória sozinha, mas todas elas pretendem ser vencedoras desse cruel torneio de morte dos inocentes.

Com essa Copa cruel se pretende instaurar a cultura da morte, na qual tudo vale a pena, desde que crianças indefesas sejam mortas dentro do ventre de suas mães.  Mães que são abandonadas, não só pelos homens que as engravidaram, mas também por instituições de saúde, por médicos eticamente mal formados e, infelizmente, pelas suas famílias e por pessoas amigas, nas horas mais difíceis de suas vidas, que são as horas de decisão sobre como levar adiante a vida de um filho recém concebido, o que fazer para cuidá-lo, sobretudo quando vem com alguma doença incurável, como alimentá-lo, como inseri-lo num mundo culturalmente a favor do seu assassinato.

Infelizmente, muito dinheiro ensanguentado circula pelo mundo para que governos, tribunais internacionais, congressos médicos, conferências em vários países, ONGs com nomes disfarçados, como a poderosa ONG com Direito de Decidir (Free Choice) e as mídias comprometidas com essa cultura da morte, julguem, encontrem falsos argumentos científicos, e terminem promovendo essa “Copa dos Imundos”.

Antes da Copa do Mundo de futebol começar, no dia 14 de junho de 2018, na capital da Argentina as “torcedoras do aborto” comemoravam, com alegria e bandeiras azuis, a vitória apertada, por apenas quatro votos a mais, a aprovação, na Câmara Federal dos deputados, a lei do aborto em todo esse país sul-americano.

“Torcedoras do aborto” nas ruas da Argentina.

Depois de dois dias a equipe bicampeã da Copa de futebol, a Argentina, que tem um dos melhores jogadores do mundo, Leonel Messi, empatava com a Islândia, país nórdico, com pouca tradição futebolística no cenário internacional. Muitos argentinos e argentinas choravam em Buenos Aires por esse pífio resultado, que pode comprometer o tricampeonato para esse país, onde se valoriza mais uma bola vitoriosa dentro da rede adversária do que um bebê dentro do ventre materno.

No Brasil, mulheres e homens que participam dessa “Copa dos Imundos” projetam macular, no próximo 22 de junho, com suas presenças agressivas, a Igreja da Candelária, um lugar de oração e de silêncio no centro do Rio de Janeiro, além de ser um dos patrimônios culturais da Cidade Maravilhosa, com gritos e pichações a favor do aborto, ofensas à Igreja Católica e frases depreciativas sobre a maternidade, dizendo que as mulheres são donas exclusivas do seu útero, agindo da mesma maneira como se comportaram há anos atrás diante de um lugar sagrado, a Catedral de Buenos Aires, ofendendo os jovens, que deram um abraço a essa igreja, com palavras de baixo calão, mostrando seus seios desnudos e fazendo gestos despudorados.

Num outro campo onde se joga bastante essa “Copa dos Imundos”, há um time misto com nove homens e duas mulheres, treinados por um partido, o PSOL, que tem no seu programa partidário a mesma genética abortista dos bolchevistas russos de 1920. É muito triste assistir a um jogo no qual já se sabe, previamente, o resultado, que é favorável à constitucionalidade do aborto, uma vez que, nas audiências públicas programadas para o início de agosto no Supremo Tribunal Federal, a grande maioria das pessoas e instituições, que terão voz dentro delas, são publicamente conhecidas como promotoras do aborto no Brasil.

O que mais chama a atenção nessas equipes favoráveis à vitória do aborto sobre a vida é a discrepância do tempo, já que na Argentina querem liberar o aborto até os três meses e duas semanas, e no Supremo Tribunal Federal se vai acolher a ADPF 442, impetrada pelo PSOL, até os três meses de idade do feto.

O que acontece nesse intervalo de duas semanas ninguém é capaz de explicar, pois no Brasil não se é pessoa humana até a décima segunda semana, enquanto que na Argentina não se é pessoa humana até a décima quarta semana. Parece que os juízes brasileiros e os legisladores argentinos, discordando sobre estas duas semanas, estão favorecendo o preconceito entre vizinhos, já que no Brasil se é uma pessoa com três meses e “nuestros hermanos argentinos” são mais retardados na sua humanização!

Esta “Copa dos Imundos” tem que ter um fim no Brasil e no mundo!

Mas como finalizar um processo mundial mantido com muito dinheiro sanguinolento e com organismos internacionais tão poderosos favoráveis à legalização e normalização do aborto em todos os países do mundo?

Ressuscitando em todos os brasileiros o valor e a beleza do patriotismo e da consciência de nação!

Parece que só na Copa do Mundo de futebol que os brasileiros gostam de vestir a camisa verde e amarela, de pintar seus rostos com essas mesmas cores, de ostentar com alegria a bandeira nacional, de apresentar uma nação unida em torno de um só objetivo, que é elevar o nome do Brasil como hexacampeão de futebol.

Quem é patriota de verdade no Brasil quer ver não só taças serem levantadas na final de uma Copa do Mundo, com a qual se poderá colocar mais uma estrela de campeão na camisa verde e amarela. Quem é patriota quer que os brasileiros e as brasileiras tenham a possibilidade de verem a luz brilhante dos olhos de mães que chegaram ao final de suas gestações sem a ameaça de abortarem seus filhos; querem levantar a taça da cultura da vida, conquistada graças aos esforços feitos em equipe, onde “jogando” com amor à pátria, a de hoje e a do futuro, “suportando” os pontapés e agressões dos antipatriotas-abortistas,  sabem vencer o ódio deles com o respeito sagrado ao direito inviolável à vida, cláusula pétrea da Constituição “cidadã” de 1988.

Não é por acaso que o Hino Nacional brasileiro, que se canta com a mão direita sobre o coração, tenha como estribilho presente a referência à maternidade e à filiação:

Dos filhos deste solo és Mãe gentil
Pátria amada
Brasil!

O Hino Nacional também exorta aos verdadeiros patriotas que não fujam à luta contra tudo e contra todos que querem matar futuros cidadãos brasileiros no seio materno, e deixarem mulheres, as grandes e melhores agentes de humanização de uma nação, sofrendo doenças psicológicas e arriscando suas vidas nessas operações de aborto.

Ao lado do patriotismo, encontra-se a própria cultura brasileira enraizada no primeiro ato público em favor da vida, que foi realizado no dia 26 de abril de 1500. Uma missa celebrada pelo frei Henrique de Coimbra, digno filho de São Francisco de Assis, num domingo, na Praia da Coroa Vermelha, no litoral da Bahia. Nesse dia e ano plantou-se em terras brasileiras a semente dos valores que criaram uma nação brasileira aberta ao acolhimento de todas as raças, cores, condições sociais e culturas. A Eucaristia celebrada às margens do Oceano Atlântico introduziu na Terra de Santa Cruz o fruto mais imediato da Crucifixão e Morte de Cristo no Calvário há mais de 2000 anos: a comunhão da Humanidade com Deus e a comunhão dos homens entre si, como irmãos dessa família divina, que é constituída por todos os povos.

A cultura brasileira é uma cultura a favor da vida e não da morte, e além das estatísticas evidenciarem essa natureza cultural do brasileiro — aproximadamente 80% dos brasileiros são contra o aborto —, é bom recordar essa realidade aos 11 ministros do STF, que ganhariam mais tempo para julgarem causas realmente mais favoráveis ao bem do Brasil. A nossa nação só será uma nova nação quando se abrirem “as portas” dos corações das brasileiras grávidas, para que por aí passem futuros construtores da civilização do amor e da paz.

Como a primeira missa na Terra da Santa Cruz, depois batizada com o nome Brasil, foi rezada por um filho espiritual de São Francisco de Assis, o santo que soube louvar a Vida do planeta Terra, encerremos essa reflexão séria e sincera sobre como uma nova estratégia dará à cultura da vida mais uma vitória sobre a cultura da morte.

A estratégia da Oração de São Francisco: “Onde houver ódio, que eu leve amor; onde houver ofensa, que eu leve o perdão; onde houver discórdia, que eu leve a união; onde houver dúvidas, que eu leve a fé; onde houver erros, que eu leve a verdade; onde houver desespero, que eu leve a esperança; onde houver tristeza, que eu leve a alegria; onde houver trevas, que eu leve a luz”.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

Betty Lou’s Pilgrimage
Testemunhos

Betty Lou’s Pilgrimage

Betty Lou’s Pilgrimage

“The greatest thing that I have done as a priest is hold Jesus Christ, the Son of God, in my hands. The second greatest thing I have done is hold the ailing, broken body of my mother, who was created in God’s image and likeness.”

Fr. Thomas Milota25 de Junho de 2018
imprimir

Betty Lou’s pilgrimage began on May 2, 1933. She was raised with her five younger sisters in Freeport, Illinois, attended a Dominican High School, married a good Catholic man from Cedar Rapids, IA, and raised her four children in Bensenville, Illinois.  She was faithful in marriage and in her Catholicism, singing in church and volunteering at her parish. One day, 11 years ago, she left for the grocery store at 8 a.m. and disappeared.

We, her family and friends, had noticed signs of a problem before that day, but had not put together the pieces of the puzzle.  Large amounts of unused groceries would multiply in the refrigerator and she would ask the same questions repeatedly. Birthdays and anniversaries were missed.  We hoped that it was not what we thought it might be, but our attempts at discussing the topic were rebuked.

What happened the day she disappeared? Betty Lou would eventually return from her early morning jaunt to the grocery store, but not before a day filled with worry, anxiety, doubt, frantic searches and prayer. Family, friends, and parishioners mobilized a futile search for Betty Lou throughout DuPage County.  We had almost lost hope of finding her when, 12 hours after her departure, she drove into the cul-de-sac where she lived. Despite our best search efforts, it was prayer alone that proved effective.  God seemed to be saying to us, “Trust me!  Betty Lou is my dear daughter. I will bring her home.”

The final pilgrimage had begun. We brought Betty Lou to a doctor who specializes in geriatric medicine. The doctor began a complete battery of tests, including a visit with a behavioral psychologist. Betty Lou was definitively diagnosed with Alzheimer’s disease. She lived with my Dad for 7 more years until we were able to admit her to a memory care facility. A year and a half later, Bishop Conlon graciously allowed me to bring Betty Lou to live with me at the rectory at Saints Peter and Paul Parish in Naperville, where I was the pastor at the time.

Although I was happy to have my ailing mother with me in the rectory and to ensure her care was impeccable, she collapsed and was rushed to the hospital only a couple weeks after her arrival. She was diagnosed with a condition she had had for some time:  a perforated colon and serious internal bleeding. We were told death was imminent. Family flew in from Texas, and the entire immediate family spent each day at the rectory. My siblings had never spent so much time at church! Parishioners brought food and offered moral support. Hospice was called.  God and his close friend, Betty Lou, had different plans.

Betty Lou graduated from Hospice 19 months ago and has outlived her diagnosis by 24 months.

A pilgrimage is a sacrificial journey to a sacred place, and Betty Lou now makes the most important pilgrimage of her life to the most sacred of places. The final pilgrimage we thought would end two years ago continues. Although the time will come when she will step forward to take a hand that will lead her away from us, we, her family and her friends, are determined that she will not make the earthly leg of her pilgrimage alone.

We are all making this pilgrimage with her. Over the last 11 years, we have gone from being annoyed by frequently repeated questions to cherishing every word she utters. We may, at times, be able to glean some meaning from her infrequently uttered words reminding us that Betty Lou is still with us.  Her favorite and most oft repeated phrase is “Ave, Ave, Ave.” When we ask her, “You love Blessed Mother, don’t you?” we get an emphatically affirmative nod.

She still prays her prayers, although the words are now almost unintelligible and we must finish them. She still eats, even though, at times, a requirement of her eating is that the feeder hold her hand and sing “Immaculate Mary.” If the feeder does not sing, then Betty Lou sings and does not eat. One way or another, she has motivated her family, friends, doctors, nurses, technicians, orderlies, ambulance drivers, acquaintances and caregivers to sing and to pray to the Blessed Mother.

I have learned a great deal as I have walked this pilgrimage with Betty Lou, but a couple lessons stand above the others. The first and most important lesson is that we must not let those we love make their final pilgrimage alone. This first lesson has a human and a divine piece. On one hand, each of us has a responsibility to care for those in need. We read the words of our Lord in the Gospel of Matthew, “'…whatever you did for one of these least brothers of mine, you did for me.’”

My mother no longer recognizes her husband of 61 years, yet he is there with her every day feeding her. I was once advised, “Remember! She may not know who you are, but you know who she is.” On the other hand, God does not forget his faithful people. My mother lives in a world in which those who bathe her, change her, and feed her are new acquaintances every time they assist her. This isolation would be particularly terrifying for her except for the two people she still knows intimately: Her Lord and His Blessed Mother. What is left of my mother when everything else has seemingly been stripped away? Her relationship with these two persons. Praying with her is the most important thing we do each day.

The second lesson is that Alzheimer’s patients do not lose their identity. There is no doubt that my mother is slowly and systematically being stripped of so much that made up her life here on earth. She can no longer cook or bake. She can no longer dance or walk. Even her ability to speak, or at least make herself understood, is rapidly being taken from her. When all is said and done, what remains? She still sings and prays. I have often wondered, what will be the last thing of me that will remain? I hope it is not anger and frustration. I hope I can follow my mother’s example making my last act a song and a prayer.

A priest friend once reminded me: “Remember what we learned in seminary.  The intellectual memory resides in the soul and the human soul is immortal.  This means that although the body is damaged and the mind cannot express itself as it desires, there are memories she retains eternally.” At this point in her life, Betty Lou's identity lacks all ambiguity and unnecessary complexity. What she is now is who she has been all of her life in the depth of her soul: a woman more concerned about others than herself, a sweet woman wanting to love and be loved, a woman of great faith.

My mother has value and worth, but not for what she can give me or do for me.  Her dignity arises from the fact that God created her in His image and likeness.  She continues to carry that likeness in her.  The greatest thing that I have done as a priest is hold Jesus Christ, the Son of God, in my hands. The second greatest thing I have done is hold the ailing, broken body of my mother, who was created in God’s image and likeness.

Betty Lou has not disappeared. She is on the greatest pilgrimage of her life to the Sacred Place. She said to one of our caregivers recently that she will soon go somewhere else, and she often stares into places we cannot see. Elizabeth Louise has great faith without presumption that the One she remembers, knows, and loves will call her home and make her what her heart has always desired.


Fr. Thomas Milota is a priest of the Diocese of Joliet and has served as pastor of Saints Peter and Paul Parish in Naperville, the Director of Pastoral Formation at the Pontifical North American College and Director of the Joliet Diocesan Respect Life Office. He is presently on temporary leave to care for his mother full-time.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

O que Santo Tomás diria sobre os videogames?
Doutrina

O que Santo Tomás
diria sobre os videogames?

O que Santo Tomás diria sobre os videogames?

É possível usar de modo sadio e equilibrado dos lazeres proporcionados pela internet? Descubra a resposta a partir de uma seção pouco conhecida da obra de Santo Tomás de Aquino: a teologia dos divertimentos.

Equipe Christo Nihil Praeponere20 de Junho de 2018
imprimir

Pode parecer impressionante, mas Santo Tomás de Aquino, do longínquo século XIII, possui uma das reflexões mais interessantes e profundas a respeito de jogos e diversões — e isso numa época em que não existia nem computador, Xbox, nem PlayStation… A atualidade do Doutor Angélico mostra como o ser humano é essencialmente o mesmo: ainda que mudem os tempos, “nada há de novo debaixo do sol” (Ecle 1, 9).

Estas breves considerações que pretendemos fazer, no entanto, são mais do que necessárias nos últimos anos, à medida que se aperfeiçoam os gráficos dos videogames e em que aumentam — especialmente para os jovens, mas não só para eles — os riscos de “refugiar-se numa espécie de mundo paralelo ou expor-se excessivamente ao mundo virtual” [1].

Partamos logo, então, à madura análise de Santo Tomás de Aquino sobre esse assunto, que se encontra na Suma Teológica, II-II, q. 168.

A primeira coisa que faz esse santo Doutor é examinar se pode haver alguma virtude nas atividades lúdicas. Pode até parecer estranho para alguns, mas a sua resposta é positiva. Trata-se da virtude moral da eutrapelia, “que tem por objeto regular, segundo a reta ordem da razão, os jogos e diversões” [2]. O Aquinate explica:

Assim como o homem precisa de repouso para refazer as forças do corpo, que não pode trabalhar sem parar, assim também é preciso que o cansaço mental se dissipe pelo repouso mental. O repouso da mente é o prazer, como acima se explanou ao se falar das paixões. Daí a necessidade de buscar remédio à fadiga da alma em algum prazer, afrouxando o esforço do labor mental. Essas palavras e ações nas quais não se busca senão o prazer da alma chamam-se divertimentos ou recreações. Lançar mão delas, de quando em quando, é uma necessidade para o descanso da alma. Por isso, é preciso praticá-los de vez em quando.

Com isso, Santo Tomás afasta desde o princípio o extremo da austeridade excessiva de quem “rechaça até a recreação honesta e saudável” [3]. “Nas ações humanas”, continua ele, “tudo o que vai contra a razão é vicioso. Ora, é contra a razão ser um peso para os outros, não lhes proporcionando, por exemplo, nenhum prazer e impedindo o prazer deles.”

Na mesma questão, porém, o santo alerta para três cuidados importantes que devem ser tomados nessa matéria.

O primeiro é o de não recrear-se com atos ou palavras indecentes e nocivos ao próximo, coisa que constituiria, por si só, pecado mortal. Aqui poderiam ser mencionados certos tipos de música e de dança que, incitando a sensualidade, facilmente conduzem as pessoas envolvidas ao pecado. Não é diversão legítima aquela que nos faz cair no vício.

O segundo é não perder totalmente a seriedade de alma, a exemplo de Santa Isabel da Hungria, que “jogava às vezes e achava-se presente nas reuniões de divertimentos, sem que com isso perdesse a sua devoção” [4].

Nossa vida é um dom muito precioso que nos foi confiado por Deus: fomos colocados neste mundo para uma finalidade, que é amá-lo e cumprir com a sua santa vontade, buscando a glória do Céu. Há um verdadeiro combate acontecendo nos ares (cf. Ef 6, 12), com nossa alma correndo sério risco de perder-se, especialmente em tempos como os nossos. Nossa vida não deve ser levada de qualquer modo, como se fosse uma brincadeira. Por isso, diz o romano Cícero — citado pelo Aquinate — que “também em nosso divertimento deve brilhar a luz de um espírito virtuoso”.

A terceira advertência de Santo Tomás é, enfim, a mais séria e negligenciada de todas: existem circunstâncias apropriadas para brincarmos. O santo Doutor da Igreja menciona as palavras acertadíssimas de Cícero: “Certamente, podemos nos entregar a jogos e brincadeiras, mas, como no sono e em outros descansos, só depois de satisfeitas as nossas obrigações graves e sérias”. Noutras palavras, como diz um ditado famoso: primeiro o dever, depois o lazer.

É São Francisco de Sales quem manifesta o porquê disso:

Se dás muito tempo ao jogo, ele já não é um divertimento, mas fica sendo uma ocupação, de modo que, em vez de aliviar o espírito e o corpo, sai-se do jogo cansado e estafado, como acontece aos que jogaram xadrez por cinco ou seis horas sem parar, ou, então, tendo gasto muitas forças e energias, como quem joga bola por muito tempo, continuamente. [5]

Ora, não é verdade que os jogos virtuais, para muitas crianças, jovens e até adultos, ao invés de ser um simples passatempo de fim de semana, se converteu na dissipação completa do tempo de que dispõem? A internet e os videogames não se tornaram, na verdade, a grande fonte de perda de tempo para a nossa época?

São Francisco de Sales menciona, em sua época, pessoas que “jogaram xadrez por cinco ou seis horas sem parar”, mas quantos já não repetiram essa mesma cifra com atividades semelhantes, e repetem-na incessantemente, fazendo com que toda a sua vida se passe diante de uma tela de celular, de TV ou de computador?

Justamente nessa falta de equilíbrio é que se aplica a justa intervenção paterna. Se as crianças não têm limites, são os pais os responsáveis por ordenar segundo a reta razão as atividades de lazer de seus filhos. Se a falta de moderação é dos adultos, porém, é necessário tomar consciência do problema e agir de modo efetivo para aproveitar melhor o tempo que nos é dado por Deus. Que diferença não faríamos no mundo, se estivéssemos buscando as coisas de Deus com a mesma determinação que temos para usufruir das tecnologias deste mundo!

Atentemo-nos, por fim, a um último conselho de São Francisco de Sales e aprendamos de uma vez a dar valor às coisas que realmente importam:

Sobretudo, toma todo o cuidado, Filotéia, que teu coração não se apegue a estas coisas, porque, por melhor que seja um divertimento, não devemos atar a ele o coração e o afeto. Não digo que não se ache gosto no jogo, quando se está jogando, porque senão não seria um divertimento; digo somente que não se deve ir a ponto de desejá-lo ansiosamente, como uma coisa de grande importância. [6]

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.