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“Harry Potter me converteu”
Testemunhos

“Harry Potter me converteu”

“Harry Potter me converteu”

Os livros de Harry Potter ajudaram esta mãe de família a perceber “como um antigo pecado não confessado estava emperrando” a sua vida. Conheça o seu testemunho.

Toni CollinsTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere31 de Outubro de 2018
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Este texto, escrito em 2001, é o testemunho de uma mãe de família católica que, preocupada com a formação moral de seus filhos e havendo passado por uma experiência com o mundo do ocultismo, quer alertar as famílias para os males da magia e da feitiçaria, principalmente quando a cultura ao nosso redor tende a ridicularizar a oposição a essas práticas como exagero ou até mesmo “fanatismo”.

Não se trata propriamente de um “anátema” aos livros de Harry Potter, mas sim de um convite a refletir sobre a educação que damos a nossos filhos e as influências a que os deixamos expostos — e é com esse espírito que gostaríamos que todos lessem este texto, pois o que está em jogo aqui, mais do que a avaliação de uma obra de literatura (hoje, aliás, não tão em alta quanto alguns anos atrás), é a salvação das almas de nossas crianças.

A matéria original em inglês, de autoria de Toni Collins, foi adaptada aqui e ali para esta publicação.


Harry Potter: você por acaso se lembra de quando ele entrou na sua vida? Notou que crianças que mal conseguiam concentrar-se na leitura de uma carta de Pokémon eram capazes, de repente, de ler por horas a fio? Seus filhos repentinamente vinham da escola para casa contando, entusiasmados, histórias de magos e bruxas?

Os livros de Harry Potter, escritos por J. K. Rowling, ganharam milhões de crianças e adultos. Trata-se indiscutivelmente da obra mais rapidamente abraçada pelo público infantil na história. Você teria de se esconder no mais remoto dos eremitérios para evitar de ver os livros, e estar tão isolado quanto para evitar a controvérsia em torno deles.

São abundantes, de fato, as controvérsias, e Harry Potter mexe com as emoções de muitos. Alguns pais se entusiasmam com o fato de seus filhos se dedicarem à leitura pela primeira vez. Eles dizem amar o modo como os livros pintam o bem contra o mal, e usam os livros para ajudar seus filhos a aprender a diferença entre o que é certo e errado. Mas outros pais ficam profundamente perturbados com o assunto tratado pela saga. Eles se preocupam em ver tantas crianças abraçando um mundo de magia e bruxaria.

Quanto a mim, sou uma mãe que se enquadra nesta última categoria. Frequentemente me vejo no desconforto de tentar explicar aos amigos mais queridos o porquê de eu ficar tão incomodada com os livros. Não é fácil dizer a alguém: “Eu sei que você ama esses livros, mas…”.

Quando eu toco nesse assunto, vejo-me obrigada a compartilhar, mesmo que a contragosto, um pouco de meu testemunho antes de ser católica. Mas tem ficado difícil se abrir a respeito do próprio passado, principalmente porque aqueles de nós que passaram pelas mesmas experiências tendem a possuir, também, uma espécie de receio quanto à popularidade de Harry Potter. Apesar de meu incômodo com os livros, tenho de admitir que eles me ajudaram a perceber como um antigo pecado não confessado estava emperrando minha vida.

Astrologia, hipnotismo e bruxaria

Tendo sido batizada em um lar de católicos não-praticantes, passei minha infância frequentando várias igrejas protestantes. Aprendi a fazer minhas orações antes de dormir. Meus pais enfatizavam a educação moral em casa. Eu tinha um sentimento profundo e permanente da presença de Deus em minha vida. Sabia que Ele me amava e sempre soube que podia me voltar para Ele.

Mas, tanto quanto posso me lembrar, pela época em que meus pais se divorciaram, quando eu tinha 14 anos, Deus deixou de ser enfatizado em minha casa. Lembro-me de haver uma ênfase pesada na importância da astrologia para explicar as personalidades das pessoas, um fascínio com adivinhação e uma incrível festa temática do “zodíaco” que eu e minha mãe demos, cheia de luzes ambientes e jogos de levitação para entretenimento.

Não muito tempo depois, fui assistir a um espetáculo de hipnose, que depois comecei a frequentar. O show dava a uma jovem vaidosa como eu a oportunidade de cantar em frente a uma plateia. Considerava a hipnose uma fraude até a noite em que aquele hipnotizador me escolheu para o finale do seu show. Dizendo que meu corpo era “rígido como uma barra de ferro”, ele me fez deitar ao longo de duas poltronas reclináveis e então ficou em cima de mim.

Tê-lo ali, agindo sobre meu corpo aerotransportado, ensinou-me que algo realmente acontece quando você é hipnotizado. Meus amigos cristãos tentaram me dizer que esse “algo” não era saudável para mim espiritualmente, mas eu não dei ouvidos. Eu realmente pensava que não podia me afetar, que tudo não passava de diversão. Mas olhando para trás na minha vida, eu agora posso dizer que o final dos dois anos que eu passei assistindo ao show daquele hipnotizador coincidiu com minha decisão consciente de voltar as costas a Deus.

Consequência direta de ter sido hipnotizada? Provavelmente não. Posso assegurar a você, no entanto, que autorizar alguém a regularmente tomar o controle de minhas escolhas conscientes não fez bem algum à minha fraca vida de fé.

O evento mais assustador de minha vida aconteceu quando eu me arrisquei a fazer uma bruxaria. Eu cresci como uma menina de poucos amigos e havia me transformado em uma adolescente solitária, sempre à procura de amor. Um dia, escolhi um desses livrinhos que sempre são vendidos nos caixas de supermercados, e esse que comprei era sobre feitiços de amor. Levei-o para casa, tranquei-me no quarto e comecei a lançar um feitiço sobre o meu “namoradinho” da escola. Eu não me lembro das palavras que usei (graças a Deus), mas jamais esquecerei o que aconteceu.

Comecei a lançar o feitiço. ! Uma imensa porta preta (como o monólito de Uma Odisseia no Espaço) bateu com força como se viajasse de minha mão esquerda para a direita. “Deus não quer que você faça isso”, disse uma voz bem fundo dentro de mim. ! Uma porta tão grande quanto bateu forte na outra direção, e uma voz respondeu: “Tanto faz, Deus não existe”, eu me senti tentada a escutar. ! A porta bateu de volta na direção original e uma voz disse, devagar mas com firmeza: “Sim… Ele… existe”.

Coloquei o livro de magia no chão, para nunca mais pegá-lo. Fiquei bastante mexida com aquilo e sabia que havia encontrado algo além deste mundo. A dúvida havia entrado na minha vida pela primeira vez, e eu sabia que poderia ter abraçado um universo sem Deus no instante em que aquela segunda porta bateu. Eu sabia que algo ali queria que eu me afastasse de Deus para sempre, e esse algo teve a sua oportunidade quando eu tomei parte no mundo da bruxaria.

Teria esse ato abortado de bruxaria deixado consequências? Certamente sim. Pouco tempo depois, quando saiu o filme O Exorcista, aquele meu namorado enamorou-se pelo demônio, ao mesmo tempo atraído por ele e desejando ter o seu poder. Eventualmente ele começou a cruzar as ruas de Hollywood procurando por relacionamentos homossexuais, e eu dei fim à nossa amizade.

Eu também senti as consequências, mas elas não viriam à tona enquanto eu não abandonasse a Deus e voltasse a Ele, então, tornando-me católica. A essa altura eu descobri em mim uma incrível sensibilidade para o oculto. Qualquer coisa mesmo que remotamente associada a esse mundo — horóscopos, ler a mão, livrarias de astrologia ou cura através dos cristais — era capaz de me perturbar profundamente. Era como se eu sentisse um “borbulhar” obscuro dentro de minha alma, puxando-me para o preternatural. Eu lutava contra isso rezando pelas pessoas envolvidas em tais práticas e, ao mesmo tempo, protegendo-me de qualquer exposição a coisas desse gênero.

E Harry Potter?

Junto com isso, veio Harry Potter. Fui apresentada a ele quando minha melhor amiga descobriu que a saga havia feito seu filho mais velho gostar de leitura pela primeira vez na vida. Em seguida, Harry Potter já estava em todo lugar, e minha filha de 18 anos estava lendo os livros. Mas eu senti aquele “borbulhar”, e por isso sabia que precisava descobrir se meus medos tinham algum fundamento na realidade.

Muito assustada para ler os livros logo de cara, comecei a ler o que outras pessoas tinham a dizer sobre eles. Comecei a notar um padrão. Dos comentaristas que eu li e que diziam amar os livros de Harry Potter, praticamente nenhum havia passado por uma alguma experiência com o oculto. Para eles, a saga não passava de uma fantasia agradável do mesmo gênero de J. R. R. Tolkien e C. S. Lewis. Em contraste, quase todo comentarista que eu lia e que havia passado por alguma experiência com o oculto achava os livros perturbadores, quase como se eles fossem cartilhas de iniciação à magia.

Por que a diferença de opiniões? Li os primeiros dois livros, Harry Potter e a Pedra Filosofal e Harry Potter e a Câmara Secreta, e cheguei a uma resposta. A maior parte dos livros são, de fato, uma fantasia agradável. A autora, Joanne Rowling, faz cócegas em nossa imaginação com contos de unicórnios, jogos de quadribol e corujas mensageiras.

Mas em meio a esses charmosos retratos encontram-se seções mais tenebrosas, particularmente na parte inicial da educação recebida por Harry. Essa combinação — elementos mais sombrios introduzidos no começo e um acabamento agradável que só pode ser considerado imaginativo — deixa muitos leitores com uma sensação geral boa a respeito dos livros.

Então por que eu senti tal pavor ao ler Harry Potter? Por que outras pessoas que deixam o ocultismo, de modo geral, não gostam dos livros? John Gibson, que se converteu do neopaganismo para o catolicismo e cuja história de conversão encontra-se registrada em Surprised by Truth 2 (“Surpreendidos pela Verdade II”, sem tradução para o português), escreveu-me o seguinte: “Antes e acima de tudo, a maioria das pessoas que se envolveram com o oculto possuem como que uma impressão digital disso em suas almas. Isso nos dá uma espécie de sensibilidade ao oculto que outras pessoas não têm.”

Uma impressão digital na alma” — era essa a diferença que eu estava vendo entre os leitores que amavam Harry Potter e aqueles de nós que não o fazíamos. Aquela “impressão digital” estava sendo cutucada novamente toda vez que eu lia Harry Potter, e nossas almas iam se remexendo. Nós estávamos reconhecendo coisas com as quais já tínhamos tido contato no passado e que havíamos rejeitado por amor a Deus.

Para esclarecer o que eu quero dizer aqui, permitam-me oferecer apenas algumas histórias de pessoas cujas vidas, em algum ponto, entrelaçaram-se com o oculto e que hoje externam preocupações a respeito de Harry Potter.

“Só existe um tipo de magia”

Clare McGrath Merkle é uma ex-curandeira Nova Era, bem versada no ocultismo e convertida ao catolicismo. Sua preocupação com os livros de Harry Potter é profunda, porque ela reconhece em suas páginas muitas das artes que ela praticava. Ela e suas amigas de ocultismo — psicólogas, médicas e outras profissionais (que também eram feiticeiras e bruxas) — defendiam seus estudos juntas “como sendo da categoria de magia branca, quase como a escola de magia de Harry Potter”, isto é, Hogwarts.

Mas, tendo ela mesma deixado o mundo do oculto para entrar no aprisco da Igreja Católica, ela agora reconhece que, na verdade, só existe um tipo de magia, “conhecida por vários nomes, como magia negra, ocultismo, satanismo ou artes das trevas”.

Jacqui Komschlies dá um alerta similar: “Nós precisamos lembrar que a bruxaria, na vida real, não só pode como leva à morte — e a morte do tipo eterno”. Por mais de dez anos ela ficou fascinada com o sobrenatural, desenvolvendo um “apetite” pela leitura de histórias de “magos, magia, poder e aventura”. Eventualmente, ela descobriu que o sobrenatural estava tomando controle de seus pensamentos.

Um dia os espíritos, os poderes e as deusas que povoavam até mesmo seus sonhos começaram a falar com ela. Assustada, ela invocou Deus. Ele a resgatou, e as vozes cessaram.

Hoje ela adverte: “Nosso mundo está explodindo de interesse por bruxaria de verdade. Digite ‘Como posso me tornar uma bruxa?’ no Google e você terá listas para dezenas de sites relacionados. Uma matéria chega a trazer um processo de oito passos para se tornar uma bruxa por conta própria.”

Ainda que Vivian Dudro não tenha nenhum passado com o ocultismo, ela partilha das mesmas preocupações de Jacqui sobre o crescente fascínio das crianças com o oculto. Uma pesquisa feita por ela mesma mostra que, “em San Francisco, as histórias de Harry Potter já inspiraram numerosas crianças a procurar outros livros a respeito de bruxas, magos e fantasmas. As livrarias da cidade encheram suas prateleiras de contos juvenis com histórias desse gênero… A tendência me preocupa porque não só se trata de um pecado sério, mas o ocultismo é a porta principal pela qual o diabólico entra na vida de uma pessoa” [3].

“Brincando com fogo… do inferno”

Steve Wood, editor da St. Joseph’s Covenant Keepers, uma comunidade virtual de pais sob o patrocínio de S. José, ponderou sobre o assunto a partir de sua própria experiência com o oculto. Tendo lido os primeiros livros da saga, ele sustenta uma opinião forte a respeito:

Antes de minha conversão ao cristianismo, eu estive envolvido em Nova Era e falsos movimentos religiosos que realmente praticavam várias das coisas casualmente descritas nos romances de Harry Potter… Tenho conduzido jovens do próprio mundo descrito nesses livros a um compromisso com Cristo… Eu pessoalmente confrontei e atendi indivíduos possessos envolvidos com satanismo e ocultismo. À luz dessa experiência, advirto os pais que expor os filhos ao ‘fascinante’ mundo de Harry Potter é brincar com fogo do inferno.

Não são apenas os leigos que se preocupam com Harry Potter. O padre Phillip Scott é um sacerdote que vive perto de uma comunidade de “góticos” na Flórida. Os jovens dessa comunidade praticam “missas” satânicas, vivem o ocultismo e realizam malefícios espirituais, frequentemente amaldiçoando a ele e a seus irmãos no sacerdócio.

O padre Phillip acredita que a entrada nesse estilo de vida horrendo começa com a curiosidade, e ele acredita que livros como Harry Potter podem estimular essa curiosidade. Em uma entrevista com Steve Wood, o padre conta ter atendido um jovem cuja mente estava povoada com imagens dos livros de Harry Potter. O mais assustador é que os livros não haviam sido escritos à época que o rapaz fora atendido; olhando para trás, o padre Phillip reconheceu nas páginas de Harry Potter exatamente as imagens que haviam atormentado aquele rapaz. Para este sacerdote, os livros de J. K. Rowling são um “veneno”.

Feitiços e poções

O que são algumas dessas imagens e quais os seus respectivos riscos? Em seu livro de 1991, Ungodly Rage (também sem tradução para o português), Donna Steichen partilhou esta citação perspicaz de uma ex-praticante da Wicca, Carmen Helen Guerra:

Quando eu era uma bruxa, eu realizava rituais, evocava espíritos e entidades, fazia feitiços, queimava velas e misturava poções. A única coisa que eu não fazia era voar a bordo de uma vassoura, mas eu provavelmente teria descoberto como fazer isso se tivesse tido tempo para tanto. Mas aonde isso me levou? Para a escuridão, a depressão e a criação de uma aura de melancolia ao meu redor. Eu vivia sob constantes ataques demoníacos. A casa em que eu vivia estava cheia de atividades fantasmagóricas… devido a “convidados” de rituais meus que haviam permanecido. Meus familiares e amigos tinham medo de mim. Eu sabia que não tinha futuro; tudo o que eu tinha era um presente sombrio. Eu estava presa por juramentos e pelo “destino”. Mas eu tinha poder, algo que eu sempre quis. Não era culpa de Satanás. “Ele não existia”, assim eu pensava. Eu desisti de tudo, e procurei a Jesus com os joelhos no chão… Ele me libertou da opressão em que eu vivia e devolveu-me a alma — que eu havia tão estupidamente entregado ao mal em troca de poder.

O que isso tem a ver com Harry Potter? Ainda que estejam travestidos com luzes e doçuras, o primeiro livro da série traz rituais (como a “Cerimônia de Seleção”); feitiços (como Hermione lançando o feitiço do “corpo preso” sobre Neville); espíritos e outras entidades não-humanas (Voldemort possui o corpo de Quirrell e há uma miríade de fantasmas em Hogwarts); velas (milhares flutuando sobre as mesas em Hogwarts); e poções (com aulas especiais do professor Snape).

Pode não ser agradável pensar nisso, mas realmente existem pessoas que praticam bruxaria, que lançam feitiços e fazem rituais, e procuram resultados. J. K. Rowling escreve como se esses poderes pudessem ser usados para o bem, e é esse o grande perigo dos seus livros. Rituais, feitiços e poções são usados por bruxas no mundo real, e só funcionam pelo poder de espíritos maus. Em si mesmos, eles não podem jamais levar ao bem. Retratar essas práticas intrinsecamente más como se pudessem ser “domadas” para o bem é uma mentira perigosa.

Rowling fomenta ainda mais confusão a esse respeito por retratar a bruxaria não como um problema moral, mas como uma questão de herança genética. No mundo de Rowling, a habilidade de praticar magia é herdada. Mas, na realidade, você não precisa pertencer a uma determinada linha de sangue para fazer trabalhos de bruxaria. Tudo o que você precisa fazer é atrair maus espíritos, mudar a sua vontade e trocar Jesus Cristo pelo mundo do ocultismo.

Nós temos duas falsidades, portanto, apresentadas às crianças que lêem esses livros: primeiro, que o “status” de bruxos está escrito em seus genes; e segundo, que se eles forem os “sortudos”, podem usar os poderes que têm para o bem. Essas são mentiras nocivas que se aprendem, porque a realidade é muito diferente e nada inofensiva. Basta perguntar às pessoas que se envolveram com isso no mundo real.  

O alerta da Igreja

O Catecismo da Igreja Católica afirma de modo inequívoco: “Todas as práticas de magia ou de feitiçaria com as quais a pessoa pretende domesticar os poderes ocultos, para colocá-los a seu serviço e obter um poder sobrenatural sobre o próximo — mesmo que seja para proporcionar a este a saúde —, são gravemente contrárias à virtude da religião. […] A Igreja adverte os fiéis a evitá-lo” (n. 2117).

Essa é uma linguagem forte no Catecismo, a mesma linguagem usada para condenar a luxúria, a fornicação e o aborto. Os católicos não podem em boa consciência menosprezar esse alerta. Se Harry estivesse usando luxúria, fornicação ou aborto para salvar seus amigos em Hogwarts, nós ainda consideraríamos esses livros alimento aceitável para crianças?

É importante destacar que a bruxaria sobre a qual Rowling escreve contrasta frontalmente com o mundo mágico retratado por Tolkien e Lewis. As boas personagens da Terra Média e de Nárnia não lançam feitiços sobre ninguém, não evocam espíritos, não convivem com eles como vizinhos queridos, não realizam rituais tampouco preparam poções. As boas personagens em Hogwarts, no entanto, fazem todas essas coisas.

Na Terra Média, um anel transporta você para outro mundo e, em Nárnia, relâmpagos aparecem em algum momento crítico para realizar alguma poderosa façanha. Mas em Hogwarts o malvado Voldemort encanta um diário para possuir a alma de uma garota. Essas são diferenças profundas e substanciais, e requerem que vejamos a magia de Rowling sob uma luz bem diferente da “magia” de Tolkien e Lewis.

À primeira vista, Harry Potter parece um nobre garotinho que colocará sua própria vida em risco para salvar seus amigos. Ele defende os fracos, conforta os abatidos e luta contra o mal. Mas eu descobri que ele também tinha uma má propensão a quebrar as regras da escola e a mentir.

De fato, ao fim do primeiro livro, Harry salva o mundo do malvado Lord Voldemort contando covardemente uma mentira. Fazer isso para salvar o mundo pode parecer aceitável à primeira vista, mas temos de lembrar que esta é uma obra de ficção, e a autora poderia facilmente ter encontrado uma forma honesta de Harry salvar o mundo. Uma leitura atenta do segundo livro mostra que mentir, a partir de então, tornou-se muito mais fácil para Harry do que era no primeiro livro. Assim o caráter de Harry vai se enfraquecendo, ao invés de fortalecer-se.

Também me preocupa a forma como Harry é autorizado a evitar a devida disciplina. Ele é famoso e talentoso, uma celebridade. Várias vezes, tanto no primeiro quanto no segundo livro, quando Harry quebra as regras da escola, ou ele é esperto o suficiente para se safar ou artificioso o bastante para não ser castigado

Repetidamente ameaçado com expulsão, ele é sempre perdoado. No pior de todos os casos, ele é ameaçado com expulsão de Hogwarts se voar em sua vassoura. Mas quando ele de fato o faz, e com grande talento, ele na verdade é recompensado com uma posição privilegiada no time de quadribol da escola.

Como muitos heróis do esporte, ele não recebe uma punição sequer, precisamente por ser um grande atleta. A mensagem que fica é de que, se você for bonito o suficiente, talentoso o suficiente, forte o suficiente, ou esperto o bastante, você não precisa se preocupar com seguir as regras em seu cantinho do universo. Isso dificilmente me parece ensinar a diferença entre o que é certo e errado.

Um agente de conversão

Há muitas outras coisas que eu vejo de errado nos livros de Harry Potter, mas deixei para o final um modo importante por meio do qual eles mudaram minha vida… para melhor.

Vocês se lembram do feitiço que eu havia tentado fazer quando era jovem? Não tendo sido educada como católica, nunca me havia ocorrido de levar aquele ato para o confessionário. Em meu grande desconforto com os livros, sentindo aquele “borbulhar” na minha alma só de olhar para eles, eu finalmente me dei conta de que precisava da graça da Confissão por haver tentado, uma vez, lançar um feitiço sobre alguém. Eu poderia ter argumentado que não precisava me confessar (pois certamente não havia preenchido todos os requisitos para o cometimento de um pecado mortal), mas fiquei muito feliz por ter feito isso.

Por meio da minha confissão, Deus em sua misericórdia concedeu-me um grande dom: seu perdão abençoou minha vida e eu experimentei benefícios palpáveis vindos do sacramento que eu recebi naquele dia. Aquele “borbulhar”, aquela força oculta e poderosa que costumava atrair-me para o oculto, tudo isso se foi. Eu ainda rezo por bruxas e adivinhos quando deparo com eles, e com frequência peço a Deus proteção contra o mundo do ocultismo, mas não mais com o medo paralisador que eu sentia antes.

Feliz liberdade! Nesse sentido, eu devo ver Harry Potter como um agente de minha conversão. É nesse sentido que eu espero que você também o veja como um agente de conversão na vida de seus filhos.

Nem todos que lêem Harry Potter serão espiritualmente prejudicados. Ao mesmo tempo que eu vejo nos livros o perigo de estimularem um interesse pelo ocultismo, sou a última a me preocupar com crianças protegidas pelos sacramentos e bem educadas na sua fé.

Se seus filhos ainda não leram Harry Potter, eu espero que você lhes dê várias razões para que não o façam. Mas, se eles já tiverem lido os livros, como tantas crianças nos Estados Unidos, no Brasil e mundo afora, eu espero que você use esta matéria para incentivar uma discussão dentro de sua família. Compartilhe com seus filhos o ensinamento da Igreja sobre a magia, e fale com eles da influência destrutiva que o ocultismo exerce sobre as pessoas.

Se Harry Potter se tornar para sua família uma prevenção contra o ocultismo, ao invés de um portão que conduz a ele, ele terá feito, ainda que involuntariamente, um grande favor a seus filhos.

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Crescendo na fé com as encíclicas do Papa Pio XII
Doutrina

Crescendo na fé com
as encíclicas do Papa Pio XII

Crescendo na fé com
as encíclicas do Papa Pio XII

O Papa Pio XII escreveu de tudo; suas encíclicas podem ser lidas com grandes proveito espiritual; e nós com certeza seremos católicos mais sábios depois de as termos lido e meditado.

Peter KwasniewskiTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere12 de Fevereiro de 2019
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Há 60 anos, mais exatamente no dia 9 de outubro de 1958, morria Eugenio Maria Giuseppe Giovanni Pacelli, que serviu a Igreja como Papa Pio XII, de 1939 a 1958. Embora haja muita agitação envolvendo Papas mais recentes (principalmente após o Vaticano II), as pessoas raramente se dão ao trabalho de aprender a respeito dos Papas anteriores ao Concílio.

A imagem de Pio XII já vem se desgastando há um bom tempo com alegações absurdas de cumplicidade com os nazistas — acusações que, mesmo havendo sido abundantemente refutadas, são sempre trazidas à tona de novo para encher novos bolsos jornalísticos. A verdadeira grandeza do homem e o enorme legado que ele deixou à Igreja, no entanto, raramente são objeto de consideração.

É surpreendente a facilidade com que os católicos somos capazes de esquecer os grandes documentos de um Pontífice falecido, como se o seguinte ofuscasse ou até mesmo fizesse calar a obra de seu predecessor. Nossa visão do desenvolvimento da doutrina cristã deve ser não hegeliana (na qual um estágio posterior confronta e suplanta um anterior, só para ser ele mesmo subsumido em uma nova e inesperada síntese), mas newmaniana [1] (na qual tudo o que é importante e veio antes é cultivado e carregado ao longo do tempo, a fim de formar a base do pensamento e da ação subsequentes).

O Papa Pio XII é um exemplo disso. Ele era intelectualmente ousado, estava pronto para lidar com qualquer assunto, dialogava com o pensamento moderno e sempre estava à procura de novas formas para explicar as antigas verdades da fé. Mas ele também era fiel à herança de Leão XIII, Pio X, Bento XV e Pio XI, Papas que sempre estavam em suas referências e dos quais ele se servia como um compositor que escreve um tema com variações.

Summi Pontificatus, de 1939, foi a encíclica inaugural de Pio XII. Com a paz precária que vivia a Europa sendo aniquilada pela blitzkrieg nazista, o Papa apresenta a visão católica dos princípios que mantêm os homens e as nações em unidade e implora ao mundo que retorne à sã doutrina da Igreja sobre as realidades políticas. Ainda que Pio XII voltasse a tratar de questões sociais em muitos documentos ao longo dos quase 20 anos subsequentes, ele não mais escreveu uma encíclica social e, até hoje, a própria Summi Pontificatus é raramente classificada assim, por não conformar-se ao padrão da encíclica Rerum Novarum.

Seu esquecimento é muito de se lamentar, no entanto, pois em muitos de seus parágrafos a Summi Pontificatus articula princípios sociais básicos em linguagem particularmente vigorosa. O Papa enfatiza que a tendência moderna ao estatismo (a “onicompetência” do Estado secular) é um erro pernicioso a se combater, e que o conceito cristão de um Estado fundado nos preceitos da lei natural exige que se dê suporte ao desenvolvimento da excelência moral e religiosa dos seus cidadãos.

Duas encíclicas inovadoras emergiram em 1943: Mystici Corporis Christi e Divino Afflante Spiritu.

Sua Santidade, o Papa Pio XII.

Dos documentos papais dedicados à eclesiologia (o estudo da Igreja enquanto tal), a Mystici Corporis Christi é seguramente o mais importante e deveria ser de leitura obrigatória para todos os católicos. Por que a Escritura chama a Igreja de “corpo” e, em particular, de corpo de Cristo? Qual a diferença entre um corpo físico, um corpo moral e um corpo místico? Como a Igreja foi gerada ao longo do tempo, e como Cristo quis “precisar” de nós, seus membros? Em que consiste nossa união com Cristo, e a união dos outros com Ele? Por que nós devemos amar a Igreja, e qual a melhor forma de fazê-lo? É com essas questões que lida essa meditação cheia de beleza e rica de doutrina.

Divino Afflante Spiritu é normalmente exaltada como uma encíclica que provocou uma “revolução copernicana” na exegese católica, a qual teria abandonado o “literalismo ingênuo” de Leão XIII na encíclica Providentissimus Deus. Mas esse é apenas (mais) um exemplo daquela interpretação tendenciosa dos documentos da Igreja que se tornou como que a marca registrada dos apparatchiks universitários. Na realidade, uma leitura imparcial mostra que Pio XII queria harmonizar as legítimas descobertas da ciência exegética moderna com as verdades inegociáveis da fé, tais como a inspiração divina e a inerrância de qualquer declaração autoral na Sagrada Escritura. Nesse sentido, o que ele fez foi menos modificar do que aumentar e refinar o pensamento de Leão XIII, lançando as bases para a Constituição Dogmática sobre a Revelação Divina Dei Verbum, do Concílio Vaticano II.

Célebres, e com razão, são as encíclicas Mediator Dei, de 1947, e Humani Generis, de 1950. Em ambas Pio XII se opôs firmemente às tendências na Igreja que eram, e ainda são, nocivas à saúde do culto e da teologia católicas (já que as duas são inseparáveis).

A Mediator Dei contém um ensinamento positivo substancial sobre a natureza, o propósito e a simbologia eficaz da sagrada liturgia. Quando eu li pela primeira vez essa encíclica, anos atrás, fiquei assombrado com minha profunda ignorância do que acontecia na igreja todos os domingos. Desde então, cresceu em mim a certeza de que a pior aflição que assalta a Igreja pós-conciliar é o esquecimento do que seja o santo Sacrifício da Missa e, em particular, como ele envolve a mim, aqui e agora. Além disso, essa encíclica nos previne contra as próprias tendências litúrgicas que se tornariam dominantes em nossa época, como o antiquarianismo.

O dogma do 4.º Concílio Ecumênico, o de Calcedônia, que proclamou as naturezas divina e humana em Cristo como sendo distintas sem separação e unidas sem confusão, é o objeto da majestosa encíclica Sempiternus Rex Christus, de 1951, escrita por ocasião do 1.500º aniversário daquele Concílio; as encíclicas Evangelii Praecones, de 1951, e Fidei Donum, de 1957, falam da promoção das missões católicas ao redor do mundo, as quais estavam florescendo durante seu pontificado; a encíclica Sacra Virginitas, de 1954, exalta a virgindade consagrada; a encíclica Musicae Sacrae, de 1955, defende a música sacra tradicional e critica a música religiosa secularizada (o que faz desse documento ainda mais relevante hoje do que era 63 anos atrás); a encíclica Haurietis Aquas, de 1956, trata da devoção ao Sagrado Coração de Jesus com grande intensidade e pureza de fé; a encíclica Miranda Prorsus, de 1957, advertia os católicos de então, hipnotizados que estavam pelo cinema, pela rádio e pela televisão, a tomarem o cuidado de não entregar suas almas à indústria do entretenimento.

Cada uma das encíclicas acima pode ser lida com grande proveito espiritual, estejamos nós sozinhos na tranquilidade de nosso quarto ou reunidos em um grupo de oração e de estudos. E nós com certeza seremos católicos mais sábios depois de as termos lido.

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Nove encíclicas que você precisa ler do Papa Pio XI
Doutrina

Nove encíclicas que
você precisa ler do Papa Pio XI

Nove encíclicas que
você precisa ler do Papa Pio XI

Se houve alguma vez um homem que soube qual seria a forma do futuro, esse homem foi Pio XI. Para beber hoje de sua sabedoria, nada é tão importante quanto revisitar o seu magistério como Papa.

Peter KwasniewskiTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere11 de Fevereiro de 2019
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O último dia 10 de fevereiro marca o 80.º aniversário da morte do Papa Pio XI, que reinou no trono de Pedro de 1922 a 1939. Em um mundo de produção textual instantânea e incessante, talvez não deveríamos surpreender-nos com o fato de alguém que começou seu pontificado há quase um século ser esquecido em grande parte.

Mas Pio XI merece ser mais bem conhecido e mais afetuosamente amado por suas encíclicas esplêndidas, cheias de amor, clareza e coragem. De fato, esses documentos são uma fonte preciosa, não só para o tenso período entre guerras durante o qual esse Papa foi chamado a servir à Igreja de Cristo, mas para todas as épocas.

Achille Ratti veio de uma família humilde, teve a carreira tranquila de um acadêmico com doutorado em Teologia e serviu à Igreja como prefeito da Biblioteca Vaticana. Seus êxitos subsequentes como núncio na Polônia e como arcebispo de Milão fizeram dele uma boa opção para o trono de São Pedro após a morte de Bento XV.

Não demorou muito para que a Igreja e o mundo notassem a fibra de que era feito o novo Pontífice. Sua encíclica inaugural, Ubi Arcano Dei Consilio, de 1922, descrevia a situação do mundo após a Primeira Guerra Mundial com uma argúcia espiritual de que nenhum historiador secular era capaz, e propunha, como única solução cogente que se adotasse de maneira séria a doutrina social católica.

Essa insistência em implementar o magistério social da Igreja — um esforço em articular uma alternativa genuinamente católica ao socialismo crescente, ao fascismo efervescente e ao capitalismo selvagem — ocuparia Pio XI em muitas de suas mais de 30 encíclicas. O velho adágio “quanto mais as coisas mudam, mais elas permanecem as mesmas” parece especialmente pertinente às encíclicas de Pio XI. Hoje, os fiéis enfrentam os mesmos desafios sobre os quais ele escreveu, ainda que a “clave” ou o “andamento” da música tenha mudado.

A próxima encíclica na ordem, e de enorme significado para o magistério da Igreja, foi a amplamente debatida Quadragesimo Anno, promulgada em 1931 por ocasião dos 40 anos da Rerum Novarum de Leão XIII. De todas as encíclicas sociais desde Leão XIII até João Paulo II, nenhuma é tão forte, incisiva e completa quanto esta, com sua análise dos fundos internacionais e das correntes de exploração que dão forma aos mercados econômicos. Já é passada a hora de resgatarmos o patrimônio de nossa fé, retomando as mais ricas fontes da sabedoria social da Igreja, entre as quais merece ser contada indubitavelmente essa encíclica.

O Papa Pio XI.

Característica fundamental do ensinamento de Pio XI foi, também, o reinado de Jesus Cristo sobre todos os homens, sociedades, nações e instituições. Essa visão do primado e do domínio absoluto de Cristo motivava seus pensamentos, desejos, intervenções e conselhos. E é essa visão que permanece altamente relevante para nós. A Igreja Católica só florirá neste período de “pós-modernidade” à medida que conhecer e viver os ensinamentos que o Papa Pio XI tão corajosamente proclamou em sua encíclica Quas Primas, de 1925, uma das mais importantes cartas papais do século XX. Por meio desse documento, Pio XI estabeleceu uma nova festa, em honra a Cristo Rei — uma festa que se tornou familiar aos católicos em todo o mundo, ainda que sua intenção original tenha sido de alguma forma obnubilada pelas mudanças litúrgicas subsequentes.

A clássica encíclica Casti Connubii, de 1930, com sua visão nobre e realista do Matrimônio, é a melhor abordagem jamais promulgada por um Papa ao entendimento católico sobre esse sacramento. Nós corremos o sério risco de interpretar mal o ensinamento seguinte de João Paulo II sobre o casamento se não procurarmos lê-lo à luz da Casti Connubii e em continuidade com ela. Não há melhor encíclica para preparar os noivos católicos ao Matrimônio.

Foi também esse Papa que nos brindou com a Magna Charta da educação cristã da infância e da juventude: a encíclica Divini Illius Magistri, de 1929. Os pais que educam seus filhos em casa notarão com alegria que Pio XI defende essa situação como a norma e o padrão dados por Deus, ao passo que a educação em escolas é a exceção moderna, carregada de perigos para a formação moral e religiosa das crianças.

Isso, evidentemente, não impede o Papa de explicar os princípios que todos os educadores, seja dentro da família, seja numa profissão, devem observar na educação de discípulos cristãos. Essa encíclica tem uma importância particular para os dias de hoje, quando muitos dos males deplorados por Pio XI, como a educação sexual, se tornaram “rotina”. Muito do que ele tem a dizer, também, sobre pedagogia efetiva e a hierarquia dos sujeitos permanece válido e aplicável.

As duas encíclicas de 1937 sobre as aberrações soviética e nazista — Divini Redemptoris e Mit Brennender Sorge — transportam poderosamente o leitor para as eras sangrentas às quais elas foram dirigidas. Apesar de seus aspectos específicos para aquele tempo, há uma filosofia política católica articulada nessas encíclicas que permanece verdadeira para nossa época, bem como um crítica potente de erros que, mesmo tendo sido continuamente refutados pelos fatos, de alguma forma nunca pararam de surgir nas sociedades, seja nas afluentes e ociosas, seja nas pobres e desesperadas.

Na encíclica Ad Catholici Sacerdotii, de 1935, o Papa Pio XI abre o coração a todos os padres do mundo e a todos os que se tornarão sacerdotes. Esse documento é um dos tratados mais apaixonados, eloquentes e equilibrados jamais escritos a respeito da natureza, dos privilégios e das exigências do sacerdócio católico. Por essa razão, sua leitura deveria ser exigida de todos os seminaristas. Pio XI ao mesmo tempo canta elevados elogios a essa magnífica vocação e aponta para suas exigências irrenunciáveis. A impressão que fica, na mente de quem lê a encíclica, é que o estado de vida sacerdotal, assim como o chamado a vivê-la, é um dom sublime e gratuito do Pai das luzes — chamado que mais pessoas deveriam escutar e estado ao qual mais pessoas deveriam aspirar. Eu acredito, na verdade, que a simples leitura dessa encíclica faria aumentar o número de vocações ao sacerdócio.

Eu mencionaria por último a fascinante encíclica sobre o cinema, Vigilanti Cura, de 1936, escrita numa época em que essa forma de entretenimento estava atingindo seu ápice. Se houve alguma vez um homem que soube qual seria a forma do futuro, esse homem foi Achille Ratti. Aqui ele lamenta a iniciação à luxúria promovida por muitos filmes e oferece orientações rigorosas para a censura exercida pelos bispos e associações de fiéis leigos, baseada em princípios precisos, sensíveis à arte e moralmente saudáveis. Por isso, se nós pudermos retornar, de uma forma ou de outra, à sanidade singela e cândida de Vigilanti Cura, nós teremos dado um grande passo rumo à santidade.

O ocaso da vida do Papa Pio XI coincidiu com as trevas espessas que fariam irromper a Segunda Guerra Mundial. Em seu leito de morte, Pio XI ofereceu sua vida pela paz no mundo. Suas encíclicas colocam-nos em contato com um Papa de catolicismo inflexível que, justamente por se preocupar genuinamente com seu povo, não permitia que ele errasse por caminhos falsos, mas, ao contrário, apontava repetidamente para o caminho da vida traçado pela experiência e pela tradição católicas. De nossa parte, faríamos muito bem se bebêssemos de sua sabedoria, não nos deixando desviar por “lobos em pele de cordeiro” e evitando os falsos caminhos que o nosso mundo apresenta como os “expedientes inevitáveis” de uma sociedade pós-moderna.

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Discernir a própria vocação ou “fazer o que der na telha”?
Espiritualidade

Discernir a própria vocação
ou “fazer o que der na telha”?

Discernir a própria vocação
ou “fazer o que der na telha”?

Não se resolve o problema da vocação com um ato de desistência e um dar de ombros como quem diz: “Farei o que eu quiser”. Se há um chamado de Deus para mim, eu preciso descobri-lo no silêncio da oração e por “uma vida cristã seriamente vivida”.

Equipe Christo Nihil Praeponere8 de Fevereiro de 2019
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Há alguns anos nós publicamos aqui uma matéria a respeito do chamado “discernimento vocacional perpétuo”. O texto e a expressão não eram de autoria nossa; pegamo-los emprestados de Michael W. Hannon, que escreve no site norte-americano First Things. Por muito tempo republicamos esta tradução em nossas redes sociais, mas, reavaliando melhor as ideias apresentadas pelo autor, decidimos despublicá-la e, agora, até para a edificação dos que nos lêem, queremos apresentar o porquê dessa atitude.

Expliquemos, em primeiro lugar, o porquê de havermos escolhido esse texto para publicação: a sua crítica é importante para levantar da inércia os homens e mulheres de nossa época, que ficam indefinidamente pensando no que querem ou no que vão fazer de sua vida, sem no entanto tomar uma atitude ou assumir responsabilidades de gente adulta. É essa inércia e indecisão — conectadas a uma espécie de “discernimento vocacional perpétuo” — que fazem nossos jovens trocarem de curso universitário como quem troca de roupa e viverem com os próprios pais até os 30 e 40 anos, quando em outros tempos eles já teriam constituído uma família ou entrado em uma congregação religiosa.

A solução apresentada por Michael Hannon, no entanto, ao mesmo tempo que procura condenar esse extremo de indecisão e imobilidade, pode facilmente levar à precipitação e a uma visão distorcida de “vocação”. No período talvez mais forte do texto, ele chega a dizer que “não necessariamente Deus nos diz o que fazer a respeito das grandes decisões da vida, incluindo a escolha entre a vida religiosa e a vida secular (sic). Ele nos abençoa com algumas opções boas e virtuosas e, então, deixa a decisão para nós”.

Alto lá…! Se por “deixar a decisão para nós” se entende que Deus não viola o nosso livre-arbítrio, não nos obrigando a seguir este ou aquele caminho, sim, está certo. Mas se por isso se entende que Ele não nos indica e não nos inspira com sua graça este ou aquele caminho, então, está errado. A palavra “vocação”, afinal de contas, significa “chamado”. Se é um chamado, há alguém que chama. (Se é um chamado à vida religiosa ainda por cima, ou à vida matrimonial, caminhos de santidade, é Alguém, com “a” maiúsculo, que chama.) Se Deus nos chama, de nossa parte o que precisamos fazer é escutar. Daí a necessidade de discernirmos, sim, nossa vocação pessoal, para além da vocação geral que, é óbvio, todos os batizados têm à santidade.

Também nessa questão há uma confusão séria presente no texto de Michael Hannon. À pergunta: “Se um cristão não deve presumir que Deus irá querer revelar-lhe sobrenaturalmente a sua ‘vocação pessoal’, como então ele deve conhecer a vontade de Deus para a sua vida?”, o autor diz o seguinte:

Eu me arriscaria a dizer que, se ele tem frequentado a igreja semanalmente e recebeu pelo menos uma catequese razoável ao longo do caminho, ele provavelmente já conhece a vontade de Deus para a sua vida. Cristo a resume sucintamente nos Dez Mandamentos, e ainda mais sucintamente em Mt 22, 34-40: “Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu entendimento” e “Amarás teu próximo como a ti mesmo”. Nisso, bem como nos mandamentos da Igreja, consiste toda a instrução de que precisamos para alcançarmos a nossa felicidade e chegarmos à salvação eterna.

Sim, é verdade que a vontade de Deus a respeito da humanidade foi revelada de modo definitivo em Nosso Senhor Jesus Cristo, de modo que — como diz uma célebre passagem de S. João da Cruz, presente inclusive no novo Catecismo da Igreja Católica —, “se [...] alguém quisesse interrogar a Deus, pedindo-lhe alguma visão ou revelação, não só cairia numa insensatez, mas ofenderia muito a Deus por não dirigir os olhares unicamente para Cristo sem querer outra coisa ou novidade alguma” (§ 65). Mas isso não significa que não devamos pedir a Deus que nos mostre, na oração (e sem prescindir da humanidade santíssima de Nosso Senhor!), aquilo que Ele tem reservado de modo particular para a nossa vida.

Convém aqui não misturarmos um capítulo importante de Teologia Dogmática com outro capítulo, igualmente necessário, de Teologia Mística. A frase de São João da Cruz, acima, é substancialmente diferente da do monge ucraniano citado por Hannon em seu texto: este, perguntado por um repórter se Deus falava com ele na oração, respondeu: “Ele não fala comigo, porque ele já falou tudo por meio do Evangelho e por meio das obras dos Santos Padres, dos santos”. É óbvio que, se pelo verbo falar se entende o modo como os seres humanos costumam se comunicar, falando com a boca e ouvindo com os ouvidos, Deus não fala com as pessoas a não ser de modo extraordinário.

Mas uma mínima experiência de vida de oração, uma leitura breve de um bom tratado de teologia mística, são suficientes para nos mostrar que Deus fala, sim, conosco, comunicando-nos as suas graças, movendo-nos com o seu Espírito e dizendo, sim, o que devemos ou não fazer, não só em matéria de “vocação pessoal”, mas principalmente nesses casos. Para dispensar longas citações, limitemo-nos a Santo Tomás de Aquino comentando o versículo “Porque os que são movidos pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus” (Rm 8, 14): “Esses são regidos como por certo condutor e diretor, que é o que faz em nós o Espírito, enquanto nos ilumina interiormente sobre o que devemos fazer [illuminat nos interius quid facere debeamus]” (Sup. Rom., c. VIII, l. 3).

— Ah, mas ele era “Santo” Tomás de Aquino… Deus falava interiormente com os santos mesmo… Por que eu deveria supor que Ele falaria comigo? Não seria presunção? — Absolutamente, não. Vejamos o que diz a esse respeito, por exemplo, o padre Antonio Royo Marín (Teología de la Perfección Cristiana, n. 638):

Consideremos com frequência que o Espírito Santo habita dentro de nós mesmos. Se deixássemos de lado todas as coisas da terra e nos recolhêssemos em silêncio e paz em nosso próprio interior, ouviríamos sem dúvida sua doce voz e as insinuações do seu amor. Não se trata de uma graça extraordinária, mas totalmente normal e ordinária em uma vida cristã seriamente vivida.

O problema do “discernimento vocacional perpétuo” não se resolve, portanto, com um ato de desistência e um dar de ombros como quem diz: “Farei o que eu quiser”. Se existe uma vocação de Deus para nós, precisamos descobri-la no silêncio da oração e através de “uma vida cristã seriamente vivida”. Como diz o Papa Bento XVI, em uma citação feita pelo próprio Michael Hannon ao fim de seu texto: “Ao ouvir a Deus e caminhar com Ele eu me torno realmente eu mesmo. O que importa não é a realização dos meus próprios desejos, mas a Sua vontade. Assim a vida se torna autêntica.”

Existe ainda, é claro, toda uma reflexão teológica sobre a docilidade que devemos ter ao Espírito Santo, assim que tomamos conhecimento da vontade de Deus a nosso respeito. Dela, no entanto, esperamos falar oportunamente noutra ocasião. Por ora, simplesmente procuremos nos libertar dessas ideias errôneas a respeito de vocação e vida de oração. Não tratemos a Deus como um “desconhecido” que falou no passado e agora nos abandonou à nossa própria sorte. Não, a oração cristã é uma via de mão dupla, na qual nós falamos com Deus e Ele responde sim às nossas petições, conforme promessa do próprio Cristo: “Pedi e vos será dado. Batei e vos será aberto. Porque todo aquele que pede, recebe. Quem procura, acha. A quem bate, será aberto.” (Mt 7, 7-8)

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Aborto e contracepção, dois “frutos da mesma planta”
Pró-Vida

Aborto e contracepção,
dois “frutos da mesma planta”

Aborto e contracepção,
dois “frutos da mesma planta”

“A cultura pró-aborto aparece sobretudo desenvolvida nos mesmos ambientes que recusam o ensinamento da Igreja sobre a contracepção.”

Papa São João Paulo II6 de Fevereiro de 2019
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Publicamos abaixo trecho da encíclica Evangelium Vitae, de São João Paulo II, na qual ele afirma, com muita razão, que o aborto e a contracepção são “frutos da mesma planta”.

A lição é importante porque, quando as pessoas pensam no problema do aborto, a solução imediata que muitas vezes lhes vem à mente é justamente ensinar aos jovens como “prevenir” a gravidez, colocando nas suas mãos todos os métodos contraceptivos à disposição no mercado.

Mas, se queremos educar as futuras gerações para o respeito ao outro e para a maturidade, será esse mesmo o caminho que devemos trilhar? Ou não precisaríamos, antes, de uma verdadeira mudança de mentalidade, que começasse dentro de nossas próprias famílias?


Para facilitar a difusão do aborto, foram investidas — e continuam a sê-lo — somas enormes, destinadas à criação de fármacos que tornem possível a morte do feto no ventre materno, sem necessidade de recorrer à ajuda do médico. A própria investigação científica, neste âmbito, parece quase exclusivamente preocupada em obter produtos cada vez mais simples e eficazes contra a vida e, ao mesmo tempo, capazes de subtrair o aborto a qualquer forma de controle e responsabilidade social.

Afirma-se frequentemente que a contracepção, tornada segura e acessível a todos, é o remédio mais eficaz contra o aborto. E depois acusa-se a Igreja Católica de, na realidade, favorecer o aborto, porque continua obstinadamente a ensinar a ilicitude moral da contracepção.

Bem vista, porém, a objeção é falaciosa. De fato, pode acontecer que muitos recorram aos contraceptivos com a intenção também de evitar depois a tentação do aborto. Mas os pseudovalores inerentes à “mentalidade contraceptiva” — muito diversa do exercício responsável da paternidade e maternidade, atuada no respeito pela verdade plena do ato conjugal — são tais que tornam ainda mais forte essa tentação, na eventualidade de ser concebida uma vida não desejada.

De fato, a cultura pró-aborto aparece sobretudo desenvolvida nos mesmos ambientes que recusam o ensinamento da Igreja sobre a contracepção. Certo é que a contracepção e o aborto são males especificamente diversos do ponto de vista moral: uma contradiz a verdade integral do ato sexual enquanto expressão própria do amor conjugal, o outro destrói a vida de um ser humano; a primeira opõe-se à virtude da castidade matrimonial, o segundo opõe-se à virtude da justiça e viola diretamente o preceito divino “não matarás”.

Mas, apesar de terem natureza e peso moral diversos, eles surgem, com muita frequência, intimamente relacionados como frutos da mesma planta. É verdade que não faltam casos onde, à contracepção e ao próprio aborto se vem juntar a pressão de diversas dificuldades existenciais que, no entanto, não podem nunca exonerar do esforço de observar plenamente a lei de Deus. Mas, em muitíssimos outros casos, tais práticas afundam as suas raízes numa mentalidade hedonista e desresponsabilizadora da sexualidade, e supõem um conceito egoísta da liberdade que vê na procriação um obstáculo ao desenvolvimento da própria personalidade. A vida que poderia nascer do encontro sexual torna-se assim o inimigo que se há de evitar absolutamente, e o aborto a única solução possível diante de uma contracepção falhada.

Infelizmente, emerge cada vez mais a estreita conexão que existe, a nível de mentalidade, entre as práticas da contracepção e do aborto, como o demonstra, de modo alarmante, a produção de fármacos, dispositivos intrauterinos e preservativos, os quais, distribuídos com a mesma facilidade dos contraceptivos, atuam na prática como abortivos nos primeiros dias de desenvolvimento da vida do novo ser humano.

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Ela perdoou o assassino do próprio filho e...
Espiritualidade

Ela perdoou
o assassino do próprio filho e...

Ela perdoou
o assassino do próprio filho e...

...como recompensa, viu a alma dele ser libertada do Purgatório. “Querida mãe, porque mostraste misericórdia para com meu assassino”, disse-lhe em aparição o filho, “Deus mostrou misericórdia para comigo.”

Pe. François Xavier SchouppeTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere5 de Fevereiro de 2019
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A caridade cristã, aquela misericórdia que Jesus Cristo tanto recomenda no Evangelho, compreende não apenas a assistência corporal dada aos necessitados, mas todo o bem que fazemos ao nosso próximo trabalhando para sua salvação, suportando-lhe os defeitos e perdoando-lhe as ofensas. Todas essas obras de caridade podem ser oferecidas a Deus pelos fiéis defuntos e possuem grande valor satisfatório.

São Francisco de Sales conta que, na cidade de Pádua, onde ele cumpriu parte de seus estudos, havia um costume detestável: os jovens se divertiam passeando pelas ruas à noite, armados com arcabuzes e gritando a todos os que encontravam: “Quem está aí?As pessoas eram obrigadas a responder, sob pena de levarem um tiro. Com isso, muitos eram feridos e até mesmo assassinados.

Aconteceu uma noite de um estudante, não tendo respondido à pergunta, ser acertado na cabeça por uma bala e ficar mortalmente ferido. O autor deste crime fugiu aterrorizado e procurou refúgio na casa de uma boa viúva que ele conhecia e cujo filho era seu companheiro de turma. Ele confessou a ela aos prantos que havia acabado de matar um desconhecido e implorou que lhe desse um abrigo em sua casa. Tomada de compaixão e não suspeitando ter diante de si ninguém menos que o assassino de seu filho, a senhora escondeu o fugitivo em um lugar seguro, onde os oficiais de justiça não seriam capazes de encontrá-lo.

Nem meia-hora havia transcorrido quando um tumulto se ouviu à sua porta. Um cadáver foi carregado e colocado diante dos olhos da viúva. Infelizmente, era seu filho que havia sido morto, e o assassino dele encontrava-se escondido em sua casa. A pobre mãe irrompeu em gritos de dilacerar o coração e, chegando ao esconderijo do assassino, disse-lhe: “Homem miserável! Que te fez o meu filho para que tu o assassinasses assim, de maneira tão cruel?”

O pobre desgraçado, descobrindo que havia matado seu amigo, começou a chorar em alta voz, arrancar os cabelos e apertar as mãos em sinal de desespero. Prostrando-se no chão, ele implorou o perdão de sua protetora e suplicou-lhe que o entregasse ao magistrado, a fim de expiar o crime tão terrível que havia cometido.

A mãe inconsolável lembrou-se naquele momento que era uma cristã e o exemplo de Jesus Cristo, rezando por seus algozes, deu-lhe impulso para realizar um ato heroico. Ela disse que, desde que ele pedisse perdão a Deus e emendasse de vida, ela o perdoaria e retiraria qualquer acusação contra ele.

Esse perdão foi tão agradável a Deus que Ele quis dar à generosa mãe uma prova impressionante disso, permitindo que a alma de seu filho lhe aparecesse, resplendente de glória e dizendo que ele estava prestes a gozar da bem-aventurança eterna. “Deus mostrou misericórdia para comigo, querida mãe”, disse aquela alma bendita, “porque tu mostraste misericórdia para com meu assassino. Por causa do perdão que tu lhe concedeste, eu fui libertado do Purgatório, onde, não fosse a assistência que tu me prestaste, eu teria de passar por longos anos de intenso sofrimento.”

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