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Sacerdote recorda conversão de Alfred Hitchcock ao final de sua vida
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Sacerdote recorda conversão de
Alfred Hitchcock ao final de sua vida

Sacerdote recorda conversão de
Alfred Hitchcock ao final de sua vida

“Em uma das cenas principais na qual o padre está caminhando pelas ruas de Quebec, ele vê Cristo carregando sua cruz, e sob os braços da cruz vemos o sacerdote caminhando pelo centro.”

ACI Digital20 de Dezembro de 2012
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O sacerdote jesuíta Mark Henninger recordou o tempo que passou junto ao famoso diretor de cinema Alfred Hitchcock, ao final de sua vida, período em que Hitchcok teve um momento intenso de conversão após um longos anos de distância do catolicismo.

Em um artigo publicado no dia 6 de dezembro no jornal americano The Wall Street Journal, o sacerdote recordou que em 1980 foi convidado por um amigo seu, o Pe. Tom Sullivan, a visitar a casa de Hitchcock em Bel Air (Estados Unidos).

Ao recordar como conheceu famoso diretor de cinema, o Pe. Henninger disse que "Hitchcock despertou, olhou para cima e beijou a mão do (Padre) Tom e agradeceu-lhe".

"Hitchcock estava afastado da Igreja há bom tempo", recordou o Pe. Mark Henninger . "O mais notável foi que depois de receber a comunhão, (Hitchcock) chorou em silêncio, com lágrimas rodando por suas bochechas enormes", destacou ainda o sacerdote.

Pe. Mark continuou visitando o renomado diretor até a sua morte em 29 de abril daquele ano. O sacerdote refletiu sobre como foi extraordinário que Hitchcock tenha se deixado guiar por Deus ao final de sua vida.

Algo "suspirava em seu coração", escreveu o sacerdote, "e as visitas responderam a um profundo desejo humano, uma real necessidade humana".

A história do Pe. Henninger no The Wall Street Journal foi publicada como resultado da estreia de um relato biográfico chamado "Hitchcock", em algumas salas de cinema nos Estados Unidos, em novembro.

Hitchcock foi criado na religião católica em Londres (Reino Unido), e foi educado em uma escola salesiana no primário e jesuíta no segundo grau. A carreira de Hitchcock como diretor durou de 1925 até 1976.

O filme "A Tortura do Silêncio", de 1953, foi a única produção de Hitchcock com referência a um sacerdote.

O personagem principal no filme é um padre, que termina sendo investigado por um assassinato que não cometeu. Mais ainda, ele escutou a confissão do assassino, e por isso não pôde defender-se a si mesmo.

Em declarações ao grupo ACI, Ben Akers, diretor da Escola Bíblica Católica de Denver nos EUA, disse que "Hitchcock tenta colocar uma cruz em cada cena desse filme, porque a cruz se sustenta sobre a decisão que este sacerdote tem que fazer".

Akers explica que "em uma das cenas principais na qual o padre está tomando a decisão de limpar ou não seu nome, o que significaria romper o segredo de confissão e deixar o sacerdócio, ele está caminhando pelas ruas de Quebec, e vê Cristo carregando sua cruz, e sob os braços da cruz vemos o sacerdote caminhando pelo centro".

O diácono Scott Bailey, que está estudando para ser um sacerdote na Arquidiocese de Denver, é também um grande fã da obra cinematográfica de Hitchcock e, em particular, do mencionado filme. "É um incrível retrato de um sacerdote, e acredito que realmente atinge o alvo no que se refere ao significado, à realidade do segredo de confissão".

"Este terminou sendo um filme realmente impressionante, e muito católico. O sacerdote realmente põe sua vida em risco por não dizer nada".

O retrato de um sacerdote tão comprometido com a santidade do sacramento da confissão ajudou o diácono Bailey a refletir sobre sua próxima ordenação ao sacerdócio, e o papel que terá como confessor.

"Acima de tudo, vejo nisso uma imensa responsabilidade. É emocionante e aterradora ao mesmo tempo".

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A Via Sacra e as almas do Purgatório
Espiritualidade

A Via Sacra e as almas do Purgatório

A Via Sacra e as almas do Purgatório

Enquanto meditamos as Estações da Cruz, percorrendo o mesmo caminho que Jesus percorreu até chegar ao Calvário, a Igreja nos concede a graça de sufragar as benditas almas do Purgatório.

Pe. François Xavier Schouppe/Equipe CNP15 de Março de 2019
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Poucas coisas há que sejam tão eficazes para conceder o repouso eterno às almas dos fiéis defuntos como a devoção da Via Sacra. Consideremos este santo exercício, primeiro em si mesmo e, depois, nas indulgências com que é enriquecido.

Em si mesmo, trata-se de uma maneira solene e muito excelente de meditar sobre a Paixão de nosso Salvador, sendo, por consequência, o mais salutar exercício de nossa santa religião. Literalmente falando, a Via Crucis, como também é chamada, ou simplesmente “Caminho da Cruz”, é o trajeto percorrido pelo Deus humanado enquanto Ele carregava o peso de sua cruz, desde o pretório de Pilatos, onde foi condenado à morte, até o alto do Calvário, onde foi crucificado.

Após a morte de seu divino Filho, a bem-aventurada Virgem Maria, seja sozinha seja em companhia das santas mulheres, frequentemente repetia aquele doloroso caminho. Seguindo o seu exemplo, os fiéis da Palestina — e no correr dos anos numerosos peregrinos de países os mais distantes — procuraram visitar aqueles santos lugares, cobertos pelo suor e pelo sangue de Jesus Cristo; e a Igreja, a fim de encorajar-lhes a piedade, abriu a esses peregrinos seus tesouros de bênçãos espirituais.

Como, porém, nem todos podem ir à Terra Santa, a Santa Sé autorizou que fossem erigidas, nas igrejas e nas capelas de todo o mundo, cruzes, pinturas ou baixos-relevos representando as tocantes cenas que se passaram na estrada verdadeira ao Calvário, em Jerusalém. Ao permitir a construção dessas santas “estações”, como são chamadas, os Pontífices Romanos, que compreendiam toda a excelência e eficácia desta devoção, se dignaram também enriquecê-las de todas as indulgências que tinham uma visita de verdade à Terra Santa.

Ainda hoje, segundo o Manual das Indulgências, “concede-se indulgência plenária ao fiel que fizer o exercício da via-sacra, piedosamente”, podendo essa indulgência aplicar-se aos defuntos como sufrágio e levando-se em conta o seguinte (conc. 63):

  1. “O piedoso exercício deve-se realizar diante das estações da via-sacra, legitimamente eretas.
  2. Requerem-se catorze cruzes para erigir a via-sacra; junto com as cruzes, costuma-se colocar outras tantas imagens ou quadros que representam as estações de Jerusalém.
  3. Conforme o costume mais comum, o piedoso exercício consta de catorze leituras devotas, a que se acrescentam algumas orações vocais. Requer-se piedosa meditação só da Paixão e Morte do Senhor, sem ser necessária a consideração do mistério de cada estação.
  4. Exige-se o movimento de uma para a outra estação. Mas, se a via-sacra se faz publicamente e não se pode fazer o movimento de todos os presentes ordenadamente, basta que o dirigente se mova para cada uma das estações, enquanto os outros ficam em seus lugares.”

Mencione-se ainda que a Via Sacra é um ato de piedade com o qual se pode ganhar a indulgência plenária em cada dia do ano. O mesmo se dá com a “adoração ao Santíssimo Sacramento pelo menos por meia hora” (conc. 3); a “leitura espiritual da Sagrada Escritura ao menos por meia hora” (conc. 50) e a “recitação do Rosário de Nossa Senhora na igreja, no oratório ou na família ou na comunidade religiosa ou em piedosa associação” (conc. 48). Estamos falando, portanto, de uma devoção que, seja por conta da excelência de seu objeto, seja em razão das indulgências que lhe são anexas, constitui um sufrágio de altíssimo valor para as santas almas do Purgatório.

Encontramos um exemplo disso na vida da Venerável Irmã Maria de la Antigua, que por muito tempo teve o piedoso costume de fazer as Estações da Cruz todos os dias para o alívio das almas falecidas; mas depois, por motivos injustificados, começou a fazê-las raramente, até finalmente omiti-las por completo. Nosso Senhor, que sempre teve grandes desígnios para essa piedosa virgem, e que desejava fazer dela uma vítima de amor para consolo das pobres almas do Purgatório, dignou-se dar-lhe uma lição que serve de aprendizado para todos nós.

Uma religiosa do mesmo convento em que ela vivia, e que morrera há não muito tempo, apareceu-lhe dizendo em tom de lamento: “Minha querida irmã, por que deixaste de fazer as Estações da Cruz pelas almas no Purgatório? Antes, tu tinhas o costume de aliviar-nos todos os dias por meio deste piedoso exercício, mas agora… por que nos privas desta assistência?”

Enquanto ainda falava esta alma, Nosso Senhor mesmo apareceu a sua serva e reprovou-lhe a negligência. “Fica sabendo, minha filha”, Ele acrescentou, “que as Estações da Cruz são muito proveitosas às almas no Purgatório e constituem um sufrágio do mais alto valor. Eis o porquê de eu haver permitido que esta alma, para seu próprio bem e para o bem de outros, te viesse implorar esse ato de misericórdia. Fica sabendo também que foi por conta de tua fidelidade na prática desta devoção que foste favorecida com uma frequente comunicação com os mortos. É por esta razão também que aquelas almas, agradecidas, não cessam jamais de rezar por ti, e de defender a tua causa no tribunal da minha justiça. Torna conhecida, pois, às tuas irmãs este tesouro, e dize-lhes para colher dele abundantes frutos, para si mesmas e para as almas dos fiéis defuntos.”

Uma boa Via Sacra para meditação neste tempo da Quaresma pode ser encontrada aqui. Também estão disponíveis na internet as meditações compostas por São Josemaría Escrivá para esta devoção, que podem ser acessadas aqui.

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Fiquemos tristes, mas não sejamos idiotas!
Espiritualidade

Fiquemos tristes,
mas não sejamos idiotas!

Fiquemos tristes,
mas não sejamos idiotas!

Por que ficamos tristes? O que é que “conturba” a nossa alma, nos aflige por dentro, fazendo com que muitas vezes percamos o sorriso no rosto, o sono, o apetite e até, quem sabe, a vontade de viver?

Equipe Christo Nihil Praeponere13 de Março de 2019
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Há uma passagem do Salmo 42, presente nas orações ao pé do altar da Missa Tridentina, que deveria nos fazer meditar. “Quare tristis es, anima mea, et quare conturbas me? — Por que te entristeces, minh’alma, a gemer no meu peito?”, pergunta o Autor Sagrado, para logo em seguida ajuntar, com uma frase imperativa: “Spera in Deo — Espera em Deus!”

A pergunta do salmista deveria ser uma constante em nossas vidas: Por que ficamos tristes? O que é que “conturba” a nossa alma, nos aflige por dentro, fazendo com que muitas vezes percamos o sorriso no rosto, o sono, o apetite e até, quem sabe, a vontade de viver? Sem querer, evidentemente, dar uma resposta única a um problema amplo, é por não responderem a essas perguntas no tempo e com a precisão devidas que tantas pessoas podem acabar afundando em problemas como a depressão, já considerada por tantos como o “mal do século”.

Lembremo-nos que a tristeza é a reação natural que manifestamos diante de um mal, diante da ausência de determinado bem. Ficamos tristes porque perdemos algo que nos era valioso, alguém que nos era querido e assim por diante. Por isso, a grande “sabedoria da tristeza”, por assim dizer, reside justamente na hierarquia das coisas que temos por bens e por males. A pergunta aqui é: O que é mais importante na minha vida? O que ocupa as primeiras posições na minha “escala de prioridades”?

Já aqui podemos entrever o primeiro erro em que as pessoas normalmente caem nessa matéria: achar que elas não têm controle sobre suas alegrias e tristezas. “É inevitável”, elas dizem, “é natural” (e, portanto, não há nada a fazer a respeito, pensam), e com isso elas se entregam aos seus sentimentos, sem lhes oferecer resistência alguma, como um caniço que é agitado de lá para cá pelo vento…

No homem e na mulher cristãos, no entanto, não deve ser assim. E não é questão de ser insensível, mas de submeter, com uma vontade firme, aquilo que sentimos à verdade que acessamos por nossa inteligência, como um cavaleiro que toma as rédeas de um animal e o conduz para onde ele quer, e não para onde o cavalo, agitado e desgovernado, deseja ir. Na vida espiritual, essa ordem é ainda mais admirável, pois envolve as verdades da fé, que acessamos por nossa inteligência, iluminada pela graça de Deus: temos assim “corpo, alma e espírito” (cf. 1Ts 5, 23); o cavalo submete-se ao cavaleiro, mas o cavaleiro é conduzido não apenas pelo que pensa ou deixa de pensar, mas pela vontade divina.

E o que Deus quer de nós, senão que O amemos sobre todas as coisas, como diz o primeiro Mandamento? O que Ele pede de nós, senão que O aceitemos como nosso Bem, acima de todos os bens desta terra? Pois então, se é isso o que Ele pede a todos — não só aos padres e às religiosas, não só a esta ou àquela “classe” dentro da Igreja —, se deve ser Ele o nosso tesouro mais precioso nesta vida, voltemos às nossas tristezas e façamos um exame de consciência: O que me entristece? Quais têm sido os motivos de minhas “caras feias”, de minhas angústias, de minhas noites sem dormir? Foi um negócio que não deu certo no trabalho? Foi o fim de um relacionamento amoroso? Foi uma palavra ou atitude de um amigo que me desagradou?

Sejam quais forem as nossas respostas, a primeira pergunta que devemos fazer é: essas coisas pelas quais “minhas lombrigas se agitam” dentro de mim são males de verdade ou, ao contrário, não são bens que meu egoísmo, minha vaidade ou meus vícios interpretam como males? Tomemos por exemplo o rompimento de um relacionamento que claramente nos estava afastando de Deus. “Eu sinto tanta falta”, você pode dizer, “eu amava tanto essa pessoa”. Muito bem! Mas, se essa pessoa era para você “causa de juízo e condenação” — dizendo bem claramente, se você e essa pessoa estavam na lama do pecado mortal, um levando o outro para o inferno —, como não reconhecer nesse rompimento doloroso a mão providente de Deus, que quer a nossa salvação e a nossa felicidade eterna?

Mas não nos limitemos a essa análise “mínima”, poderíamos dizer, pois detestarmos o pecado mortal é o mínimo de que precisamos para levar uma vida na graça de Deus. Suponhamos que os males a respeito dos quais falamos sejam males de verdade. Ainda na esteira dos relacionamentos amorosos, suponhamos que o seu “romance” que terminou fosse um namoro casto, levado na graça de Deus, onde os dois procuravam fazer a vontade dEle, mas, em algum ponto do caminho, ambos descobriram que não era o caso de ficarem juntos… Agora, você diz, “eu sinto falta da pessoa”, “sinto falta das conversas”, “não me conformo com o fim” etc. Muito bem! Reconheço que é um mal a perda desse seu “grande” amor. Mas, diga-me uma coisa, quando você peca e se afasta de Deus, você tem se descabelado com a mesma proporção? Antes de se confessar, você se amargura tanto quanto, agora, está chorando por causa dessa criatura que você perdeu? Ou a perda do Criador é para você um mal menor?

Eis a verdade, caro leitor! A verdade é que, por mais “juras de amor” que façamos a Deus em nossos momentos de oração, nossas tristezas denunciam nossas prioridades! Nossas tristezas apontam o dedo para nós e nos acusam: Amamos mais as criaturas do que ao Criador! Estamos mais apegados aos bens da terra que ao nosso único e verdadeiro Bem! Sofremos menos por perder a Deus do que por perder as ninharias deste mundo!

Você reconhece em si este mal? Então, é hora de aplicar o remédio. E ele se chama oração. E não há outro. E não há como escapar. Porque é na oração, meditando sobre qual deve ser a hierarquia de nossos amores e pedindo a Deus que aumente a nossa fé nessa realidade — realidade que nossas “lombrigas” não querem aceitar, que nosso coração insiste em rejeitar —, é na oração que iremos, pouco a pouco, fortalecendo a nossa vontade tão fraca, tão sensual, tão inclinada às coisas deste mundo…

Portanto, fiquemos tristes, sim, mas com as coisas certas, e na medida certa, com as proporções certas! Tristes, sim, mas com sabedoria! Soframos, sim, mas não à toa! Angustiemo-nos, sim, mas — se nos permitem a expressão mais dura — façamo-lo sem sermos idiotas! Se já estamos perdendo neste mundo tanta coisa — dinheiro, pessoas, propriedades, cargos importantes —, não nos esqueçamos que, com a morte, perderemos todo o resto e só o que nos sobrará… será Deus. Ele nos basta e nós precisamos convencer-nos disto, aumentando dia após dia a nossa fé! O preço de não o fazermos é sermos arrastados por nossos sentimentos, é deixarmos que os instintos animalescos dominem nossa razão… é terminarmos andando por aí feito burros sem freio, chorando pelo que não deveríamos chorar e alegrando-nos com o que nos deveria fazer temer e tremer (cf. Ef 6, 5).

Com isso, voltamos ao salmo da liturgia antiga. “Quare tristis es, anima mea, et quare conturbas me? — Por que te entristeces, minh’alma, a gemer no meu peito?”, perguntemos à nossa alma, mas não tardemos em lhe responder: “Spera in Deo — Espera em Deus!” Sim, porque nEle temos tudo e, tendo a Ele, nada nos falta. A maior tragédia deste mundo é não estar na graça dEle e, se ela ainda não nos pesa o suficiente, somos nós que precisamos mudar.

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Para onde está nos levando o culto da mudança?
Doutrina

Para onde
está nos levando o culto da mudança?

Para onde
está nos levando o culto da mudança?

Para quem crê, o que vem primeiro não é a mudança, mas a imutabilidade. Para nós, o progresso é medido não pelo acesso à água potável, à eletricidade ou à internet sem fio, mas pelas “três idades da vida interior”.

Peter KwasniewskiTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere12 de Março de 2019
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O ato de mudar constantemente é exaltado pela modernidade. Romantizam-se em nossa época a variedade, o desenvolvimento, o progresso, a novidade. A evolução é vista como um paradigma do conhecimento e da realidade como um todo. Aqueles que se apegam à sabedoria perene, a verdades permanentes, à moral tradicional, à herança cultural dos antepassados, a monumentos artísticos, a ritos e costumes consolidados, são tidos como ultrapassados, limitados, fora de moda, atrasados. Eles não “seguem o fluxo”, não “acompanham os tempos”, caminham “na contramão da história”.

Se observarmos, porém, a história da filosofia, da ciência e da religião modernas, veremos para onde o culto da mudança nos levou: à própria rejeição do princípio da não-contradição (segundo o qual uma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo); na mesma linha, à rejeição das essências imutáveis das criaturas, enraizadas no logos eterno de Deus; à rejeição do sentido, de modo que nada possui significado nem significância; à rejeição pelo ser humano de sua condição de criatura e, portanto, de sua dependência e passividade; à rejeição da Revelação divina definitiva transmitida, por meio de Cristo, à natureza humana e a cada indivíduo, para a sua salvação.

Em todos esses caminhos, o movimento da modernidade só no que tem dado é um abismo profundo, um fosso do qual ela não consegue sair: uma corrida selvagem, desesperadora e sem sentido por poder, posses e prazeres, até que as pessoas morram com o conforto vazio dos analgésicos. A modernidade é como uma reductio ad absurdum cósmica, uma demonstração do que acontece quando Deus é esquecido — Deus, que dá sentido a todas as coisas, inclusive ao sofrimento e à morte. Nós estamos testemunhando em primeira mão o que acontece quando as pessoas tentam viver sem referência a um horizonte eterno, a uma verdade que nós não inventamos, a uma bondade que nós fomos feitos para amar e a uma beleza que fomos criados para procurar.

Mas não surpreende que “o mundo” — o mundo apartado de Deus, sobre o qual Nosso Senhor e seus Apóstolos falam em termos tão fortes como se fosse o próprio oposto dEle — pense e se comporte dessa maneira. O mundo segue o príncipe deste mundo, o qual pronunciou o primeiro non serviam a introduzir o egoísmo, a discórdia, a feiúra, o ódio e a anarquia no universo que Deus havia criado em perfeita ordem. O que assusta, o que escandaliza, no sentido exato da palavra, é quando os próprios administradores da Igreja — homens aos quais sacramentalmente foi confiado o ofício de ensinar, reger e santificar as ovelhas de Cristo — começam a pensar e a agir dessa forma, imperceptivelmente escapulindo para o non serviam de Lúcifer.

A decadência rumo ao demoníaco está acontecendo hoje no non serviam dos que rejeitam a doutrina inequívoca de Nosso Senhor nos Evangelhos sobre a indissolubilidade do matrimônio e a necessidade de não se lançar a pérola da Eucaristia à vara dos impenitentes; no non serviam dos que ousam convidar não-católicos ao banquete sacrificial que representa a própria unidade do Corpo Místico de Cristo; no non serviam, enfim, dos que tratam a liturgia como propriedade sua, alterando-a por mero capricho, ao invés de guardá-la como a preciosa herança dos santos, providencialmente transmitida a nós para a santificação de nossas próprias almas.

É aí que nós vemos como o demônio nunca dorme. Não estando em paz com Deus, ele não se cansa de procurar agitar-nos, afastando-nos do Deus imutável que é nossa fortaleza, nossa segurança, nossa rocha de refúgio, nosso salvador, nosso protetor, nossa força invencível. A batalha da vida espiritual acontece não “lá fora” no mundo, mas bem aqui no meu coração, no seu coração. Perderemos a nossa paz enquanto o mundo está em chamas? Deixaremos nós o único porto onde há segurança, atraídos ao mar aberto onde é certo que perderemos? Tornar-nos-emos tão preocupados com a luta a ponto de esquecer a vitória imortal já conquistada e partilhada conosco no banquete celeste da Sagrada Comunhão? Cairemos no mais sutil de todos os erros — a saber, que se a Igreja parece vacilar e cair, então deve ser porque Cristo não mais é capaz de nos salvar —, como se nosso olhar finito e falível sobre o mundo pudesse realmente mensurar o que está acontecendo no vasto e invisível domínio dos anjos e das almas?

“O mistério da iniquidade já está em ação”, escreve São Paulo em sua Segunda Carta aos Tessalonicenses (2, 7), e a isso acrescenta São João: “O dragão se irritou contra a mulher e foi fazer guerra ao resto de sua descendência, aos que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus” (Ap 12, 17). O dragão do non serviam faz guerra contra aquela que disse: “Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua Palavra” (Lc 1, 38) — tua Palavra imortal, imutável, irrefutável e invencível.

A fé cristã vê a mudança de modo fundamentalmente diferente de como a vê a modernidade. Para quem crê, o que vem primeiro não é a mudança, mas a imutabilidade. Para nós, o progresso é medido não pelo acesso à água potável, à eletricidade ou à internet sem fio, mas pelas “três idades da vida interior”: a via purgativa, a iluminativa e a unitiva. A única novidade que conta é a de Cristo, novo Adão, no qual fomos batizados e até cuja estatura somos chamados a crescer através de uma contínua conversão (cf. Ef 4, 13). As mudanças são boas apenas quando se subordinam ao fim de transformar nossos vícios em virtudes, nossa alienação de Deus em amizade com Ele. Qualquer outra mudança é, na melhor das hipóteses, acidental e, na pior, destrutiva e feita para nos distrair.

A fé cristã, que é a continuação e o complemento da fé hebraica, é baseada em três realidades imutáveis: o Deus uno e simples, trino e bem-aventurado, Pai, Filho e Espírito Santo; a união hipostática da divindade e da humanidade em Jesus Cristo, uma aliança ontológica que não pode ser quebrada jamais; e o depósito da fé confiado pelo mesmo Cristo a seus Apóstolos, e destes a seus sucessores até o fim dos tempos. O depósito da fé não muda e não mudará jamais.

São Vicente de Lérins, em seu grande Commonitorium, escrito no século V, introduz dois termos contraditórios e explica sua diferença precisa:

  • a primeira palavra, profectus, se refere a um avanço na formulação de algo em que acreditamos, uma articulação de algo já sabido como verdadeiro mas ainda não expresso com toda a plenitude de que é capaz a mente humana quando guiada pela fé e inspirada pelo Espírito Santo;
  • a outra palavra, permutatio, significa uma mudança, uma distorção, um desvio do original.

São Vicente insistia que a fé verdadeira da Igreja admite profectus, mas nunca permutatio. É possível investigar profundamente o nexus mysteriorum, o nexo que existe entre os mistérios da fé, e contemplar o brilho de novos aspectos de beleza, mas não se pode jamais tirar um coelho de uma cartola — ou uma pomba de uma mitra, alguém poderia dizer. Isso é assim porque, como bem explica o prof. Michael Pakaluk:

As teorias de desenvolvimento existem para estabelecer identidade de doutrina, não diferença. […] Newman, quando demonstrou seu argumento de forma dedutiva e em latim, para teólogos em Roma, depois de sua conversão, afirmou que, objetivamente, a doutrina é dada de uma vez por todas na revelação de Cristo, e ela nunca muda. Nossa recepção subjetiva da doutrina pode mudar, mas ela não o pode fazer nunca de um modo que faça parecer uma mudança no conteúdo objetivo da mesma.  […] É claro que nenhuma contradição pode ser propriamente descrita como um desenvolvimento, assim como um machado posto à raiz de uma árvore não pode fazê-la “desenvolver-se”.

O que São Vicente de Lérins afirma sobre a doutrina também inclui os princípios da moral cristã, sobretudo a realidade das ações intrinsecamente más — ações que não poderão ser boas jamais, seja qual for a intenção que lhes subjaza, sejam quais forem as circunstâncias. A Igreja tem sido absolutamente clara em relação a esses atos, seguindo fielmente seu divino Mestre. Houve profectus, como vemos no ensinamento de Papas modernos como Pio XII e João Paulo II, mas nunca permutatio, com os mandamentos sendo virados do avesso e de cabeça para baixo. A lei da caridade, do ato bom e agradável a Deus, assim como a lei da fé que governa nosso assentimento à verdade, é imutável.

A crise na Igreja, como tão bem explica a encíclica Veritatis Splendor, é uma crise de fé e de caridade — uma crise de adesão à verdade revelada, uma crise de vontade de viver a verdade, sofrer por ela, morrer por ela. Essa, de uma forma ou de outra, é sempre a batalha entre o non serviam de Satanás e o “não se faça a minha vontade, mas a tua” de Cristo; entre a liberdade destrutiva do pecado e a liberdade edificante da obediência; entre a excitação enfadonha da mudança perpétua e o romance realizador do amor divino. É certo que a guerra entrou em uma nova fase, e com uma nova intensidade, mas Cristo Nosso Senhor é o mesmo, sua verdade permanece e sua vitória é certa.

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Uma lição do Cardeal Newman para tempos obscuros
Doutrina

Uma lição do Cardeal Newman
para tempos obscuros

Uma lição do Cardeal Newman
para tempos obscuros

A verdade que esquecemos? Que a Igreja tem uma doutrina que cresce, mas sem deixar de ser a mesma. O risco que corremos? Tornarmo-nos protestantes.

Equipe Christo Nihil Praeponere8 de Março de 2019
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Em tempos de grande confusão doutrinal como os nossos, em que se multiplicam as ideias religiosas que deformam a fé recebida dos Apóstolos, poucas coisas são tão importantes quanto compreender em que consiste o autêntico “desenvolvimento da doutrina cristã” ao longo dos séculos.

Permitam-nos explicar, em primeiro lugar, do que mais exatamente gostaríamos de falar, partindo da biografia de um egresso do anglicanismo: o beato John Henry Newman. O que fez esse homem se tornar católico, com muita simplicidade, foi a sua busca incessante da Verdade. Newman, ao perceber que as descobertas advindas de seu estudo — principalmente de seu contato com a história do cristianismo primitivo — contrariavam a fé anglicana da qual ele sempre fora adepto, não hesitou em mudar o caminho que estava trilhando e começar uma rota totalmente diferente.

Uma obra marcante nesse processo de conversão foi o Essay on the Development of the Christian Doctrine (infelizmente, sem tradução para o português), em cuja introdução ele deixa bem claro que “aprofundar-se em história é deixar de ser um protestante”: “O que quer que ensine a história, o que quer que ela omita, o que quer que ela venha a exagerar ou extenuar, dizer ou desdizer, o cristianismo histórico ao menos protestantismo não é”.

Quando começou a escrever essa obra, no entanto — como bem lembrado pelo Cardeal Müller —, Newman ainda pertencia à comunhão anglicana. A religião de Henrique VIII era vista por ele como uma via media entre o catolicismo romano e o protestantismo, uma alternativa que não abraçava a Tradição por inteiro, mas também não a abandonava por completo.

O Cardeal Newman, em pintura de John Everett Millais.

O homem, no entanto, não estava satisfeito com o “caminho mediano” que estava seguindo. Suas decepções com aspectos internos da Igreja Anglicana, que já no século XIX tendia fortemente ao que Newman chamava “liberalismo em matéria religiosa”, deixavam-no permanentemente inquieto. (Mais detalhes a esse respeito podem ser lidos em seu célebre Discurso do “Biglietto”.)

Uma coisa, porém, o impedia de abraçar o catolicismo (e foi justamente esse problema que ele resolveu no ensaio supracitado): como conciliar a pregação cristã dos primeiros séculos com os “acréscimos” posteriores feitos pelos Papas e Concílios? De onde vieram, por exemplo, o dogma da transubstanciação, o batismo de crianças, a Comunhão sob uma só espécie, a supremacia papal e tantas outras doutrinas e práticas que a Igreja Católica foi confirmando e determinando ao longo da história?

Percebam que esta não é uma questão ociosa. Uma das principais acusações que as miríades de seitas protestantes lançam hoje contra a Igreja é justamente a de que ela teria “adulterado” as Sagradas Escrituras, acrescentando e retirando indevidamente mandamentos e proibições da doutrina de Cristo. Como responder a essas acusações?

Reconheçamos, em primeiro lugar, que houve, sim, desde os tempos apostólicos até hoje, um verdadeiro desenvolvimento doutrinal no seio da Igreja Católica. Jesus Cristo não entregou a seus discípulos um Denzinger ou um “Manual de Teologia Dogmática” contendo, tintim por tintim, todos os desdobramentos de sua pregação. Esses detalhes não estão “escritos” na Bíblia como gostariam os adeptos do sola Scriptura, mas estão contidos, sim, nos Livros Sagrados, do mesmo modo como a árvore está na semente [1], mas só aos poucos vai mostrando a sua forma e atingindo a plenitude do seu crescimento (cf. Mc 4, 30-32).

É natural que seja assim porque, explica o Cardeal Newman,

se o cristianismo é uma religião universal, cabível não apenas em um local ou período, mas em todos os tempos e lugares, ele não pode senão variar em suas relações com o mundo à sua volta, o que significa que ele irá se desenvolver. Princípios requerem uma aplicação bem variada à medida que variam as pessoas e as circunstâncias, e devem assumir novas formas de acordo com a forma de sociedade que estão para influenciar. Assim, todas as sociedades cristãs, ortodoxas ou não, desenvolvem as doutrinas da Escritura [2].

A pergunta que precisa ser feita, portanto — e é este o trabalho da teologia e da investigação histórica —, é se os desenvolvimentos deste ou daquele ramo do cristianismo estão de acordo com o “tronco” original fixado pelo próprio Cristo, isto é, se são “desenvolvimentos” de verdade ou se não passam de “corrupções” da doutrina ensinada pelo Salvador. O desafio está em discernir o verdadeiro do falso, o trigo do joio, por assim dizer.

Para este processo de discernimento, Newman estabeleceu a partir da história da Igreja sete regras, bastante úteis como resposta não só aos protestantes, mas também aos “católicos” de nossa época que, ou desconhecem a verdadeira doutrina da Igreja, ou procuram de todos os modos subvertê-la.

Segundo Newman, uma autêntica “evolução” da doutrina cristã deveria levar em conta, por exemplo, aspectos como a identidade de tipo e a continuidade de princípios.

Para fazer de um livro inteiro um breve parágrafo, digamos simplesmente que, assim como um grão de mostarda não pode se tornar uma laranjeira, ou assim como o que é hoje não pode não ser amanhã, o corpo doutrinal dos cristãos deve permanecer em essência e nos princípios o mesmo, desde a sua origem até a consumação dos tempos. Afinal, “o céu e a terra passarão”, palavras de Nosso Senhor [3], “mas minhas palavras não passarão” (Mc 13, 31).

Por exemplo: se Cristo disse que sua carne era verdadeira comida e seu sangue, verdadeira bebida (cf. Jo 6, 55); se desde o princípio os cristãos acreditavam que no pão e no vinho consagrados na Missa estavam realmente presentes o Corpo e o Sangue de Cristo; se o fomento da piedade eucarística fez um Santo Tomás de Aquino, no século XIII, compor hinos belíssimos a este sacramento, como um Pange lingua e um Adoro te devote, não pode ser que, do século XVI em diante, a Eucaristia de repente se transforme para os cristãos em uma mera ceia “simbolizando” a presença de Cristo… Uma “evolução” desse tipo não é desenvolvimento algum, mas corrupção.

Ainda outro exemplo. Se Jesus ensinou que “quem repudia sua mulher e se casa com outra, comete adultério contra a primeira” (Mc 10, 11); se São João Batista, enquanto Cristo ainda vivia neste mundo, perdeu a própria vida por causa desta verdade e, com ele, no século XVI, São João Fischer e São Thomas More derramaram o próprio sangue para não aceitar os sucessivos casamentos de Henrique VIII, não é possível que nós simplesmente decretemos — sejam quais forem os subterfúgios de que queiramos nos servir — que “agora mudou”, porque “os tempos são outros” e nós “somos Igreja do novo milênio”... Ora, que sejamos deste ou daquele milênio pouco importa; a verdade é que nós só seremos Igreja se continuarmos a crer no que creram os católicos de todos os tempos e lugares (quod ubique, quod semper, quod ab omnibus creditum est, na fórmula já consagrada de São Vicente de Lérins).

Que risco corremos se nos esquecermos disso? O risco de transmitir às pessoas uma doutrina em que mexemos tanto, que “adaptamos” tanto, que ela acabou se tornando mais nossa que de Cristo; o risco de afastar as pessoas do único caminho da salvação, que não somos nós, mas Cristo; o risco, enfim, de nos tornarmos mais uma entre as tantas seitas protestantes que hoje pululam no mundo inteiro.

Lembremo-nos sempre, portanto, que um só é o nosso mestre: Cristo Jesus (cf. Mt 23, 10); que ninguém pode pôr um fundamento diferente deste (cf. 1Cor 3, 11); e que, mesmo se alguém nos anunciasse um evangelho diferente do que nos anunciaram os Apóstolos e a fé da Igreja de dois mil anos, “que ele seja anátema” (Gl 1, 8).

O bem-aventurado John Henry Newman compreendeu bem essas verdades. E por isso mesmo cruzou o Tibre.

Referências

  1. Essa comparação nós a tomamos emprestada do Cardeal Newman, Development (I, 2, 16), London, New York, and Calcutta: Longmans, Green, and Co., 1909, p. 73.
  2. Development (I, 2, 3), London, New York, and Calcutta: Longmans, Green, and Co., 1909, p. 58.
  3. Uma explicação sistemática do tema da “evolução do dogma” pode ser encontrada em: Ludwig Ott, Manual de Teología Dogmática, 7.ª ed., Barcelona: Herder, 1969, pp. 32-35.

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