| Categoria: Sociedade

Como a Revolução Sexual arruinou a amizade

É difícil para as pessoas cultivarem amizades quando imagens de pessoas nuas pululam em seus cérebros com toda a fixação de um viciado em crack.

Por Jonathon Van Maren | Tradução: Equipe CNP — O panorama cultural de nosso século XXI está bagunçado com os infortúnios da Revolução Sexual, ainda que você tenha escutado exclusivamente suas armas propagandistas, a mídia e a academia, e provavelmente pense que todo o experimento tenha sido uma maravilha. A terra dos "não-homens", como resultado da "guerra dos sexos", está bagunçada com dúzias de novas doenças sexualmente transmissíveis, cérebros saturados com o crescimento da pornografia, casamentos desfeitos e futuros aniquilados.

Um dos infortúnios da Revolução Sexual, porém, é emblemático: a amizade.

É uma ironia da modernidade que as elites seculares acreditem ser perfeitamente razoável assumir que a humanidade tem a habilidade de mudar o clima e pôr fim à pobreza, mas é incapaz de manter-se dentro de suas calças. Nós podemos fazer qualquer coisa, se nós nos focarmos nisso — exceto, é claro, pararmos de cair numa piscina de paixão primitiva no momento em que somos apresentados a uma oportunidade de (des)aventura sexual. É porque a "abstinência", informam-nos os gurus da Revolução Sexual, é "irrealista". Portanto, toda amizade é agora suspeita — amizade entre pessoas de sexo diferente especialmente, mas não só essa.

A cultura pop confirma e acentua esta nova concepção. Notem bem: quase todo seriado na TV tem os personagens deitando-se na cama um com o outro, como se isso fosse simplesmente uma questão de tempo para o alarme indicar que o período da "amizade" acabou e que o dos "amigos com benefícios" pode agora prosseguir. Na verdade, o esmagador hit da NBC nos anos 1990, o sitcom Friends, tinha quase todo personagem dormindo com o outro em algum momento. Neste ponto, o sexo é de pouca importância, e os velhos e nostálgicos hippies professores de história e de literatura aplicam retroativamente uma motivação sexual para cada expressão de amor e afeto que encontram. Desde Abraham Lincoln dividindo a cama com um amigo (como eles poderiam não ser gays?) à antiga amizade do israelita rei Davi com Jonathan, às linhas aparentemente homossexuais dos sonetos de Shakespeare. Tudo agora é suspeito.

A noção de que "intimidade" necessariamente significa "relação sexual" — o que, obviamente, não é verdade — é um daqueles extraordinários reducionismos acerca da pessoa humana. A ideia de que dois seres humanos não podem dividir uma proximidade pessoal e uma relação significativa sem qualquer componente sexual pressupõe que o ser humano, em toda a sua glória e complexidade, não pode ser interessante para ninguém sem demandar algo — e algo físico — dele. Pressupõe que amigos verdadeiros, amigos que dividem uma base comum para discutir sobre vida, liberdade e busca da felicidade, vão, ao final do dia, calcular o valor dessa amizade e trocá-la por um prazer físico fugaz, independentemente do custo. Pressupõe que o físico sempre vencerá o cérebro e o intelecto no julgamento moral que as pessoas fazem.

Ora, essa atitude é estúpida, ofensiva, imoral e, penso, incrivelmente intolerante, na medida em que lança um pano de suspeita sobre muitos relacionamentos que nos tempos passados seriam considerados perfeitamente comuns. Ao passo que a Revolução Sexual tem nos roubado muito — não apenas o tesouro de um longo matrimônio —, provavelmente a amizade atinge quase o topo das perdas. Como escreveu C. S. Lewis, "a amizade não é necessária, como a filosofia e a arte… ela não tem nenhum valor de sobrevivência; ao contrário, é uma daquelas coisas que damos valor para que sobreviva".

Isto não quer dizer, obviamente, que a amizade não tem necessidade de limites (especialmente entre amizades do mesmo sexo). Mas, como disse um amigo meu, talvez nossa cultura tenha "matado a amizade porque nós estamos muito fixados em distrações que terminamos por negligenciar ao invés de nutrir a amizade com aqueles que deviam precisar de nós — e eles não estarão lá para nós no futuro quando precisarmos deles, porque nós estamos tão supersexualizados que tudo o que nos interessa é alimentar nossos prazeres sensuais". As estatísticas nos dizem que 64-68% dos homens e 19% das mulheres veem pornografia toda semana. É difícil para as pessoas cultivarem amizades quando imagens de pessoas nuas pululam em seus cérebros com toda a fixação de um viciado em crack. E quando você passa a manhã gastando um bom tempo vendo pessoas como objetos, torna-se substancialmente mais difícil voltar para o mundo real durante o dia.

Como escrevi antes, amizade duradoura é uma daquelas coisas que fazem a vida ser uma jornada extraordinária. Não é só pelo caminho que você está trilhando; é pelas pessoas que você convidou para lhe acompanhar. Elas estão lá porque você as quer lá, e por nenhuma outra razão que não seja a alegria da sua companhia. Se você as quer lá para ter algo delas, então não é verdadeira amizade. C. S. Lewis notou que "aqueles que não podem conceber a amizade como um amor substancial, mas apenas como um disfarce ou uma elaboração do Eros, traem o fato de que nunca tiveram um amigo". E que suposição terrível e reducionista é ver as pessoas desfrutando da companhia um do outro e assumir que a única coisa que eles têm para oferecer uns aos outros é favores sexuais. Não comprem as mentiras cuidadosamente propagandeadas pela hipersexualizada cultura pop e pornográfica. Para mim, a paisagem "liberal" que eles divulgam parece um abismo e um lugar solitário.

Fonte: LifeSiteNews.com | Tradução e adaptação: Equipe Christo Nihil Praeponere

| Categorias: Cursos, Padre Paulo Ricardo

Terceira Guerra ou Governo Mundial?

O que essa escolha fatídica, que põe em efervescência o mundo atual, têm a ver com um frade agostiniano de 500 anos atrás, chamado Martinho Lutero?

Terceira Guerra ou Governo Mundial? O que essa escolha fatídica, que põe em efervescência o mundo atual, têm a ver com um frade agostiniano de 500 anos atrás, chamado Martinho Lutero? Como a Revolta Protestante realmente mudou a história da humanidade até os nossos dias?

São apenas algumas das perguntas que você verá respondidas pelo Padre Paulo Ricardo, em nosso próximo curso de férias, sobre "A Igreja e o mundo moderno"!

Teremos 5 dias de transmissões ao vivo, de 23 a 27 de janeiro, exclusivas para os nossos assinantes. Durante elas, o nosso sacerdote dará a você a chave para interpretar, à luz da fé católica, os eventos que têm marcado a memória recente da humanidade.

Não deixe passar esta oportunidade de aprender história com quem realmente estudou e tem domínio do assunto! Seja nosso aluno e venha fazer parte de nossa família apostólica!

| Categoria: Virgem Maria

Aparecida, uma devoção genuinamente popular

Nossa Senhora da Conceição Aparecida é um farol luminoso sobre a altíssima vocação do povo brasileiro: a vocação à santidade.

No chamado prólogo do Evangelho de São João, o apóstolo amado faz a seguinte afirmação acerca dos seguidores de Cristo: "Mas a todos aqueles que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus" (Jo 1, 12-13). Nestas palavras acertadas do evangelista, alguns teólogos viram, com razão, o fundamento para a fé na virgindade perpétua de Maria e na sua imaculada conceição [1]. De fato, Jesus, o primogênito de Deus, não nasceu do sangue de Maria, nem da vontade de sua carne, mas sim de um desígnio todo espiritual da vontade salvífica de Deus.

A piedade popular, "verdadeira expressão da atividade missionária espontânea do povo de Deus", soube acolher esses privilégios de Nossa Senhora, celebrando-os, ao longo da história da Igreja, de modos variados e singelos [2]. No Brasil, isso se torna particularmente evidente no belíssimo testemunho dos romeiros de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, título concedido à pequena imagem milagrosa da Virgem Maria, cujo tricentenário de sua descoberta por três simples pescadores, em 1717, comemora-se neste ano. Com essa santa devoção, os brasileiros exprimem a sua total confiança na intercessão da Virgem Santíssima, de quem o povo desta terra é especial devedor.

A devoção à Mãe Aparecida é genuinamente popular. Ela não se origina em uma aparição mística de Maria, como em Lourdes ou em Fátima, mas do amor e da confiança filial de pobres devotos. Como expressou-se o papa São João Paulo II na sua primeira visita ao Brasil, "os templos materiais aqui erguidos são sempre obra e símbolo da fé do povo brasileiro e do seu amor para com a Santíssima Virgem" [3]. Não se trata de uma demonstração ostentosa de poder; trata-se, antes, de uma resposta ao auxílio perpétuo da Virgem Maria a esta nação.

E é desse testemunho de fidelidade que se pode colher a mensagem de Nossa Senhora ao Brasil. Embora ela não tenha se manifestado por meio de uma visão mística, manifestou-se, porém, nos inúmeros favores que há 300 anos ela concede aos seus filhos brasileiros. Isso exige, por sua vez, uma atitude de conversão e de penitência, como nas outras devoções marianas. Em Fátima ou em Aparecida, o papel da Virgem Maria na Igreja sempre será o de cooperadora na salvação dos homens; ela "nos aponta as vias da Salvação, vias que convergem todas para Cristo, seu Filho, e para a sua obra redentora" [4].

A Igreja sempre entendeu a piedade popular como "uma certa sede de Deus, que somente os pobres e os simples podem experimentar" [5]. Aí está a razão de a Virgem Santíssima apresentar-se no Brasil por meio da imagem que hoje veneramos. Ela quis despertar no peito do próprio camponês essa sede mais intensa, essa consciência de que, sem a presença de Cristo em nossas vidas, nada podemos fazer, senão pecar e destruir. Nossa Senhora da Conceição Aparecida é um farol luminoso sobre a altíssima vocação do povo brasileiro: a vocação à santidade.

Com efeito, não podemos deixar de mencionar os inúmeros perigos que rondam a fé do povo brasileiro e põem em xeque essa sua vocação à santidade. De muitos modos, o inimigo de Jesus e de Maria procura falsear a genuína fé católica, promovendo sincretismos nocivos, que descaracterizam o verdadeiro culto mariano. Ao mesmo tempo, o avanço agressivo das seitas procura afugentar os fiéis do colo de Maria, conduzindo-os a uma falsa teologia da prosperidade, que barateia o Evangelho de Cristo com promessas de bem-estar econômico. Foi pensando nisso que São João Paulo II chamou a atenção dos bispos para protegerem a piedade popular dos brasileiro: "Estou certo de que os Pastores da Igreja saberão respeitar esse traço peculiar, cultivá-lo e ajudá-lo a encontrar a melhor expressão, a fim de realizar o lema: chegar 'a Jesus por Maria'" [6].

Desde o início da devoção à Mãe Aparecida, o traço característico mais marcante dos romeiros era a recitação conjunta do rosário. Do mais simples ao mais nobre, todos se curvavam perante a imperatriz do Brasil para rezar piedosamente o Santo Terço. Nas aparições em Lourdes e em Fátima, por sua vez, é justamente a récita diária do Rosário a oração recomendada pela Virgem aos pequenos videntes. Percebe-se, portanto, o quão necessária é essa oração tradicional para a conversão das almas. Nossa Senhora não insistiria tanto neste ponto se não fosse algo de especial importância. Nesta ocasião dos 300 anos, temos de repetir a súplica do papa São João Paulo II: "Quem dera renascesse o belo costume – outrora tão difundido, hoje ainda presente em algumas famílias brasileiras – da reza do terço em família" [7].

Ninguém pode negar o estado de calamidade no qual se encontra o Brasil. É chegada a hora, destarte, de voltarmos nossos olhares para a Senhora Aparecida e suplicarmos a tão urgente conversão de nosso país. Ela também deseja que seu Coração Imaculado triunfe nestas terras de Santa Cruz!

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Cf. Introdução ao Evangelho de São João. BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada: Santos Evangelhos. Trad. de José A. Marques. Braga: Edições Theologica, 1985.
  2. Papa Francisco, Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, 24 de nov. 2013, n. 122.
  3. São João Paulo II, Homilia, 4 de jul. 1980.
  4. Ibidem.
  5. Papa Paulo VI, Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi, 8 de dez. 1975, n. 48.
  6. São João Paulo II, Homilia, 4 de jul. 1980.
  7. Ibidem.

| Categoria: Cursos

Igreja rabugenta?

No passado, a Igreja era mãe e mestra, e formava sábios e santos. Hoje, para muitas pessoas, ela não passa de uma velha ranzinza e intransigente que só o que sabe fazer é reclamar e condenar os outros.

No passado, a Igreja Católica era mãe e mestra, e formava sábios e santos; hoje, no entanto, para muitas pessoas, ela não passa de uma velha ranzinza e intransigente que só o que sabe fazer é reclamar e condenar os outros.

Mas por que motivo, afinal, a Igreja não é mais vista como antes? Por que agora, aparentemente, ao invés de as pessoas lá fora serem evangelizadas pela pregação cristã, somos nós quem devemos sair a aprender com o mundo? Que ideologia está por trás dessa impressionante mudança de mentalidade que aconteceu especialmente nos últimos 500 anos?

Venha concluir as suas férias em grande estilo, estudando conosco, de 23 a 27 de janeiro, "A Igreja e o mundo moderno"!

Padre Paulo Ricardo revisitará a história e nos ensinará a interpretar, à luz da fé católica, os eventos que têm marcado a memória recente da humanidade. Nosso curso intensivo será transmitido todos os dias, às 9h da noite, e será exclusivo para nossos alunos.

Não perca mais tempo, faça já a sua inscrição e aventure-se conosco nesta grande jornada!

| Categoria: Cursos

Uma chave de leitura para entender os tempos atuais

Venha concluir as suas férias de verão em grande estilo, estudando história conosco!

Que tal concluir as suas férias de verão em grande estilo, estudando conosco, aqui, no site do Padre Paulo Ricardo?

Neste ano especial, em que lembramos tantos acontecimentos importantes, como os 100 anos de Fátima e os 500 da Revolta Protestante, nada como revisitar a história e aprender a interpretar, à luz da fé católica, os eventos que marcaram a memória recente da humanidade.

Para isso, daremos continuidade às nossas aulas de História da Igreja, mas de uma maneira diferente. Antes de adentrarmos de vez a história contemporânea, Padre Paulo Ricardo ministrará um curso intensivo, a fim de dar aos nossos alunos uma chave de leitura para compreender os tempos atuais.

Venha participar, ao vivo, do nosso curso especial de férias, de 23 a 27 de janeiro! Nossas transmissões acontecerão todos os dias, às 21h (horário de Brasília), e serão exclusivas para os nossos assinantes. Não perca mais tempo, venha fazer parte de nossa família e aventure-se conosco nesta jornada para entender "a Igreja e o mundo moderno"!

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| Categoria: Espiritualidade

Fomos criados para o amor

Que desejo será mais veemente e violento do que aquele inserido por Deus na alma e que lhe faz dizer do fundo do coração: “Estou ferida de amor”?

Neste texto recolhido do Ofício das Leituras de hoje, terça-feira da 1.ª semana do Tempo Comum, São Basílio Magno lembra-nos que a vocação cristã é ao amor. Fomos criados por Deus para amá-lO, é o que está escrito desde o princípio na natureza do nosso ser e, não obstante todos os artifícios do homem moderno para apagar dos corações e das consciências o nome santíssimo de Jesus, só O amando seremos verdadeiramente realizados.

Sendo assim, a missão dos pastores da Igreja não é outra senão "suscitar a centelha do amor divino" escondida no coração de cada ser humano. O que deve fazer cada sacerdote, cada bispo — e até cada pai de família, que "apascenta" o pequeno rebanho de seus filhos — é ignem mittere in terram, "lançar fogo sobre a terra", como queria o próprio Filho de Deus humanado (Lc 12, 49).

Peçamos a este santo bispo da Igreja antiga, São Basílio, aclamado no mundo inteiro como "magno", que nos ajude a viver o chamado de Cristo em toda a sua grandeza. Certos de que "o amor de Deus não é matéria de ensino nem de prescrições", simplesmente procuremos amá-lO, não nos limitando ao cumprimento de regras. Nossa fé não é um "manual de boas maneiras", mas um relacionamento de amor com Deus.

Da Regra mais longa, de São Basílio Magno, bispo
(Resp. 2,1: PG 31, 908-910)

Possuímos inata capacidade de amar

O amor de Deus não é matéria de ensino nem de prescrições. Não aprendemos de outrem a alegrar-nos com a luz, ou a desejar a vida, ou a amar os pais ou educadores. Assim — ou melhor, com muito mais razão —, não se encontra o amor de Deus na disciplina exterior. Mas, quando é criado, o ser vivo, isto é, o homem, a força da razão foi, como semente, inserida nele, uma força que contém em si a capacidade e a inclinação de amar. Logo que entra na escola dos divinos preceitos, o homem toma conhecimento desta força, apressando-se em cultivá-la com ardor, nutri-la com sabedoria e levá-la à perfeição, com o auxílio de Deus.

Sendo assim, queremos provar vosso empenho em atingir este objetivo. Pela graça de Deus e contando com as vossas preces, nós nos esforçaremos, segundo a capacidade dada pelo Espírito Santo, por suscitar a centelha do amor divino escondida em vós.

Antes de mais nada, nós dele recebemos antecipadamente a força e a capacidade de pôr em prática todos os mandamentos que Deus nos deu. Por isso não nos aflijamos como se nos fosse exigido algo de incomum, nem nos tornemos vaidosos pensando que damos mais do que havíamos recebido. Se usarmos bem destas forças, levaremos uma vida virtuosa; no entanto, mal empregadas, caíremos no pecado.

Ora, o pecado se define como o mau uso, o uso contrário à vontade de Deus daquilo que ele nos deu para o bem. Pelo contrário, a virtude, como Deus a quer, é o desenvolvimento destas faculdades que brotam da consciência reta, segundo o preceito do Senhor.

O mesmo diremos da caridade. Ao recebermos o mandamento de amar a Deus, já possuímos capacidade de amar, plantada em nós desde a primeira criação. Não há necessidade de provas externas: cada qual por si e em si mesmo pode descobri-la. De fato, nós desejamos, naturalmente, as coisas boas e belas, embora, à primeira vista, algumas pareçam boas e belas a uns e não a outros. Amamos também, sem ser necessário que nos ensinem nossos parentes e amigos e temos espontaneamente grande amizade por nossos benfeitores.

O que haverá, pergunto então, de mais admirável do que a beleza divina? Que coisa pode haver mais suave e deliciosa do que a meditação da magnificência de Deus? Que desejo será mais veemente e violento do que aquele inserido por Deus na alma liberta de toda impureza e que lhe faz dizer do fundo do coração: Estou ferida de amor? É na verdade totalmente indescritível o fulgor da beleza de Deus.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

| Categorias: Testemunhos, Sociedade

Uma artista contra a corrente

Em meio a tantos divórcios de famosos em 2016, o exemplo de Celine Dion irradia a beleza do verdadeiro sentido do matrimônio.

O ano que se passou não se resumiu a crises no campo da política e da economia mundial. 2016 também experimentou o gosto amargo do divórcio, como anunciaram as manchetes dos grandes jornais. De repente, casais famosos terminaram suas relações e puseram um fim em suas promessas matrimoniais — tristes decisões que não deixam de provocar angústia na sociedade e também na Igreja, levando muitos até mesmo a questionar se valeria a pena a luta pela indissolubilidade do matrimônio.

"Não nos podemos deixar vencer pela mentalidade divorcista", exortou São João Paulo II certa vez, em um discurso ao Tribunal da Rota Romana [1]. Apesar de parecer absurdo, é verdade que muitos católicos, mesmo crendo na indissolubilidade do matrimônio, desistem de defender publicamente a fé, por considerá-la apenas um ideal cristão, sem significado para o mundo moderno. Contra esse estado de tibieza, o Santo Padre pedia uma "confiança nos dons naturais e sobrenaturais de Deus ao homem" [2]. De fato, somente essa confiança pode impedir a proliferação da chaga do divórcio e de suas consequências nefandas para a sociedade.

É preciso também desmascarar certa propaganda midiática, cujo forte apelo sobre o público tende a desesperá-lo da graça na vida familiar. Não é verdade que o matrimônio indissolúvel seja apenas uma doutrina católica. Trata-se, antes, de uma norma jurídica natural que, quando vivida de maneira aberta ao verdadeiro amor e sacrifício pelo cônjuge e pelos filhos, se torna acessível a todos, mesmo para aqueles que ainda não vivem plenamente a fé cristã. É o que se pode observar, em alguns casos particulares, no próprio meio midiático.

No início de 2016, a cantora canadense Celine Dion emocionou seus fãs ao testemunhar sua dor pela perda do marido, o produtor René Angelil, morto em decorrência de um câncer na garganta.

Angelil teve de lutar contra a doença por dois longos períodos antes de vir a falecer, em 14 de janeiro do ano passado. Celine Dion estava no auge de seu sucesso — a cantora acabara de gravar My Heart Will Go On, tema do filme Titanic —, quando o marido foi diagnosticado com câncer pela primeira vez, em 1999. Preocupada com ele, a cantora decidiu interromper sua carreira para cuidar da família, retornando aos palcos somente em 2002.

Celine Dion sempre demonstrou uma devoção maior pela família do que pela carreira. O retorno à música teve uma condição: permanecer ao lado do marido e do filho, isto é, sem grandes turnês internacionais. A cantora, então, assinou um contrato para shows apenas em Las Vegas, nos Estados Unidos, onde se apresentou durante seis anos no seu próprio Coliseu, o Caesars Palace.

Depois de um tempo de recuperação, René Angelil foi novamente diagnosticado com câncer, em 2014. E outra vez Celine interrompeu os shows para se dedicar integralmente ao marido. Após a morte dele, a artista deu uma entrevista comovente à jornalista da TV CBS, Katie Couric, na qual disse que a maior conquista de sua vida não era a carreira, mas sua família. "Agora, talvez outra pessoa poderia fazê-la feliz de uma maneira diferente?", perguntou-lhe a jornalista. "Ele foi o único homem que eu beijei na minha vida, que eu namorei, então, hoje, eu diria que não", respondeu a cantora canadense.

De fato, Celine Dion não é uma santa nem uma exímia católica. Pode-se questionar muitas de suas atitudes. Mas seu belo testemunho de respeito e amor à família devem ser louvados, sobretudo agora em que se exalta tanto o oposto entre o meio artístico. E isso se torna ainda mais imperioso quando se descobre a origem desse zelo de Celine Dion: ela o aprendeu da mãe, que lhe deu a vida e o exemplo do amor incondicional.

Celine é a 14ª filha de Ademar Charles e Teresa Dion. A cantora revelou em 2002 que quase foi abortada. Quando sua mãe Teresa ficou aflita por saber que estava grávida, ela foi até um padre para aconselhar-se. "Ele lhe disse que ela não tinha direito de ir contra a natureza. Então, eu tenho que admitir que de um jeito, eu devo minha vida àquele padre", contou Celine Dion, explicando que "uma vez que o aborto estava fora de questão, sua mãe a amou apaixonadamente". E esse amor por crianças e pela família lhe foi transmitido. Em uma outra entrevista de 2012, a cantora afirmou que sua vida é ser mãe: "É o meu maior prêmio. Eu me arrisco com a música, mas não com minha família".

Esse testemunho, sem dúvida, responde à pergunta inicial deste texto: sim, vale a pena lutar pela família indissolúvel, pois, como explicava São João Paulo II, "este bem encontra-se precisamente na base de toda a sociedade, como condição necessária da existência da família" [3]. Neste sentido, "a sua ausência tem consequências devastadoras, que se difundem no tecido social como uma chaga [...] e influenciam negativamente as novas gerações, perante as quais é obscurecida a beleza do verdadeiro matrimônio" [4]. Provado está que o casamento não é somente um ideal cristão, mas uma verdade natural, acessível a todos os homens de boa-vontade, até que a morte os separe. Tenhamos a coragem de nós também testemunharmos isso.

Com informações de LifeSiteNews.com | Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. São João Paulo II, Discurso aos prelados auditores, oficiais e advogados do Tribunal da Rota Romana na inauguração do Ano Judiciário (28 de janeiro de 2002), n. 5.
  2. Ibidem.
  3. Idem, n. 8.
  4. Ibidem.

| Categorias: Igreja Católica, Doutrina

A dúvida respondida por São João Paulo II

Na primeira metade de seu pontificado, devido a sérias controvérsias suscitadas na Igreja, São João Paulo II se viu obrigado a confirmar a Tradição católica de não ordenar mulheres.

Depois dos agitados anos 1960, quando a Igreja também se viu questionada pelas revoluções mundo afora, o problema relativo à ordenação de mulheres já não era uma novidade para os teólogos. O tema estava entre os principais assuntos discutidos nas academias, sobretudo após a iniciativa dos anglicanos de incluírem entre os seus sacerdotes também as mulheres. Foi aí que o então Sumo Pontífice Paulo VI, exercendo o ministério petrino de confirmar os irmãos na fé, publicou a Declaração Inter Insigniores, com a qual dirimia qualquer dúvida acerca da Tradição católica. A Igreja "não se considera autorizada a admitir as mulheres à ordenação sacerdotal", explicou o Santo Padre na época. Todavia, o debate estava longe de acabar ali.

As discussões continuaram a fervilhar nos anos seguintes com cada vez mais veemência e caráter reivindicatório. A seu favor, os defensores das ordenações femininas argumentavam que a decisão de Jesus de escolher apenas homens para o ministério apostólico baseava-se somente em um contexto sociológico e que, por isso, tal decisão seria disciplinar, como no caso do celibato dos padres. Ao contrário da doutrina, que não pode ser contestada pelo fiel católico, a disciplina, embora deva ser obedecida enquanto estiver em vigor, pode ser ab-rogada. E era esse o desejo deles.

Em 1978, assume o trono de São Pedro o cardeal polonês Karol Wojtyla. É durante o seu governo que o Papa será desafiado a dar uma resposta definitiva para a questão. O estopim da queda de braço ocorreu nos Estados Unidos, em 1979, na Catedral de Washington. Na ocasião, a irmã Therese Kane, então presidente da US Leadership of the Women Religious, havia sido escolhida para representar as freiras no encontro com o Santo Padre. Foi durante a sua fala que ela explodiu a bomba:

"Nós temos ouvido a poderosa mensagem de nossa Igreja, dirigida à dignidade e à reverência de todas as pessoas [...]. A Igreja deve responder oferecendo a possibilidade de as mulheres, como pessoas, serem incluídas em todos os ministérios."

A mensagem da irmã Therese Kane ganhou o mundo e não podia passar despercebida dentro dos círculos católicos. Apesar do constante ensinamento do Magistério sobre o assunto, a força daquele gesto desencadeou uma nova onda de discussões que exigiram do Papa uma posição inequívoca. E foi o que ele fez, já mesmo na ocasião da visita aos Estados Unidos, explicando repetidas vezes que a Igreja não possuía a faculdade de ordenar mulheres. "Chamando só homens como seus apóstolos, Cristo agiu de maneira totalmente livre e soberana. Fez isto com a mesma liberdade com que, em todo o seu comportamento, pôs em destaque a dignidade e a vocação da mulher", explicou novamente o Santo Padre, agora em 1988, na Carta Apostólica Mulieris Dignitatem (n. 26). No mesmo documento, São João Paulo II ainda esclareceu que:

"Se Cristo, instituindo a Eucaristia, a ligou de modo tão explícito ao serviço sacerdotal dos apóstolos, é lícito pensar que dessa maneira ele queria exprimir a relação entre homem e mulher, entre o que é 'feminino' e o que é 'masculino', querida por Deus, tanto no mistério da criação como no da redenção. É na Eucaristia que, em primeiro lugar, se exprime de modo sacramental o ato redentor de Cristo Esposo em relação à Igreja Esposa. Isto se torna transparente e unívoco, quando o serviço sacramental da Eucaristia, no qual o sacerdote age 'in persona Christi', é realizado pelo homem. É uma explicação que confirma o ensinamento da Declaração Inter Insigniores, publicada por incumbência do Papa Paulo VI para responder à interrogação sobre a questão da admissão das mulheres ao sacerdócio ministerial."

A intervenção clara de São João Paulo II serviu para tranquilizar "muitas consciências que, em boa fé, se deixaram agitar talvez não tanto pela dúvida, como pela insegurança. Elas "encontraram a serenidade graças ao ensinamento do Santo Padre", como observaria o cardeal Ratzinger anos depois.

Por outro lado, algumas oposições ao ensinamento constante do Magistério ordinário da Igreja não cessaram e se fizeram ainda mais atrevidas, chegando ao cúmulo de ordenações clandestinas. O desafio estava lançado à Santa Sé e São João Paulo II não o deixaria sem resposta. No dia 22 de maio de 1994, data em que se celebrava a Solenidade de Pentecostes, o Santo Padre mandou publicar a Carta Apostólica Ordinatio Sacerdotalis:

"Portanto, para que seja excluída qualquer dúvida em assunto da máxima importância, que pertence à própria constituição divina da Igreja, em virtude do meu ministério de confirmar os irmãos (cf. Lc 22, 32), declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja." (grifos nossos)

A definição de São João Paulo II, apesar de clara, ainda foi objeto de dúvidas entre alguns prelados e fiéis. Questionava-se se a declaração possuía caráter dogmático. Em forma de dubium, chegou à Congregação para a Doutrina da Fé a seguinte questão: "Se a doutrina, segundo a qual a Igreja não tem faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, proposta como definitiva na Carta Apostólica Ordinatio sacerdotalis, deve ser considerada pertencente ao depósito da fé." A resposta da mesma congregação foi: "Afirmativa". Roma locuta!

Toda esta controvérsia nos ensina como a Igreja costuma usar o instrumento do dubium (plural dubia) para esclarecer alguma dificuldade interpretativa que possa surgir de um documento magisterial. Ensinar com clareza o caminho de Deus é um grande ato de misericórdia e de caridade para os fiéis. Afinal, não há nada mais importante para as ovelhas do que ouvir, com clareza, a voz do bom pastor e dele receber a vida eterna.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere