| Categoria: Espiritualidade

Sou tão pecador, a santidade é mesmo para mim?

Nosso Senhor, quando desceu a este mundo, não veio para os justos, mas para os pecadores.

Quantas vezes, examinando a nossa consciência, não nos angustiamos com as ofensas que já cometemos contra Deus! Talvez sejam pecados passados, e até já confessados; podem ser quedas que experimentamos ainda agora em nossa caminhada... Em um instante, porém, parece que todos os nossos erros vêm à tona e sentimo-nos frágeis e impotentes diante do mal, incapazes de levantar a cabeça e seguir em frente, rumo ao Céu.

Quando observamos as Sagradas Escrituras e a Tradição da Igreja, no entanto, encontramos um grande alívio para a nossa alma. É a certeza de que não estamos sozinhos. As tristezas e interrogações que acometeram os grandes santos e santas de Deus são capazes de lançar uma luz extraordinária no nosso próprio sofrimento. Basta ler um pouco de suas histórias e de seus escritos para que imediatamente sejamos consolados e o nosso coração seja apaziguado. Mais do que isso, a grande família dos servos de Deus nos precede no Céu. Por isso, o que ela tem a oferecer-nos é muito maior do que algumas letras impressas nas páginas de algum livro antigo. Nossa união com os santos – ensina-nos o Catecismo da Igreja Católica (§ 946-962) – é uma verdadeira comunhão espiritual. Como "nada nos pode separar do amor de Deus" (Rm 8, 38), eles intercedem por nós e verdadeiramente nos auxiliam em nossos combates nesta terra.

Assim, quem está com a consciência manchada pelo pecado é chamado a recordar, por exemplo, o Salmo 50, composto por ninguém menos que Santo Davi, o rei do Antigo Testamento.

Nesta obra-prima da literatura religiosa, o salmista aflito pede que a misericórdia de Deus apague o seu pecado, o qual está sempre diante dele. Oferecemos abaixo a tradução que consta na Liturgia das Horas. Aproveite para rezar com o Autor Sagrado:

"Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia!
Na imensidão de vosso amor, purificai-me!
Lavai-me todo inteiro do pecado,
e apagai completamente a minha culpa!

Eu reconheço toda a minha iniquidade,
o meu pecado está sempre à minha frente.
Foi contra vós, só contra vós, que eu pequei,
e pratiquei o que é mau aos vossos olhos!

Mostrais assim quanto sois justo na sentença,
e quanto é reto o julgamento que fazeis.
Vede, Senhor, que eu nasci na iniquidade
e pecador já minha mãe me concebeu.

Mas vós amais os corações que são sinceros,
na intimidade me ensinais sabedoria.
Aspergi-me e serei puro do pecado,
e mais branco do que a neve ficarei.

Fazei-me ouvir cantos de festa e de alegria,
e exultarão estes meus ossos que esmagastes.
Desviai o vosso olhar dos meus pecados
e apagai todas as minhas transgressões!

Criai em mim um coração que seja puro,
dai-me de novo um espírito decidido.
Ó Senhor, não me afasteis de vossa face,
nem retireis de mim o vosso Santo Espírito!

Dai-me de novo a alegria de ser salvo
e confirmai-me com espírito generoso!
Ensinarei vosso caminho aos pecadores,
e para vós se voltarão os transviados.

Da morte como pena, libertai-me,
e minha língua exaltará vossa justiça!
Abri meus lábios, ó Senhor, para cantar,
e minha boca anunciará vosso louvor!

Pois não são de vosso agrado os sacrifícios,
e, se oferto um holocausto, o rejeitais.
Meu sacrifício é minha alma penitente,
não desprezeis um coração arrependido!

Sede benigno com Sião, por vossa graça,
reconstruí Jerusalém e os seus muros!
E aceitareis o verdadeiro sacrifício,
os holocaustos e oblações em vosso altar!" (Sl 50, 3-21)

Esse belo texto bíblico merece uma meditação profunda, porque descreve de modo exato a situação em que se encontram muitas almas, atormentadas pelas "cabeçadas na parede" que deram durante a vida.

O que fazer com os nossos pecados?

A primeira coisa a fazer com os nossos pecados é indicada por Santa Teresinha do Menino Jesus: devemos lançar todos eles na fornalha ardente do amor de Deus [1]. Diante do mal que cometeu, o cristão deve dar o passo do rei Davi, que reconheceu a sua iniquidade e implorou o perdão divino. O pecador verdadeiramente arrependido, comenta Orígenes, "se inquieta e se aflige devido ao seu pecado". Ao contrário, "há quem, depois de ter pecado, se sinta completamente tranquilo e não se preocupe com o seu pecado nem tocado pela consciência do mal cometido, mas viva como se nada tivesse acontecido. Sem dúvida, esse não poderia dizer: Tenho sempre consciência do meu pecado (Sl 50, 5)" [2].

"Foi contra vós, só contra vós que eu pequei", ajunta Davi. Com isso, o salmista aponta o destinatário de sua prece e, ao mesmo tempo, o único que lhe pode trazer a reconciliação: Deus. Por isso, quando erramos, não nos basta o conforto humano. Um ombro amigo e as palavras de um psicólogo podem ser muito úteis, mas não substituem a nossa relação íntima com Cristo. Para readquirir a paz da alma, é preciso muito mais do que os ouvidos dos homens, incapazes que são de perdoar os nossos pecados.

"E a Confissão, então, o que é?", alguém pode perguntar. A Confissão – entenda-se, aos sacerdotes da Igreja – é o remédio que o próprio Cristo encontrou para, ao mesmo tempo, dispensar o perdão divino e saciar o nosso anseio por consolo humano. Nas mãos que traçam o sinal da Cruz e dizem: "Eu te absolvo dos teus pecados", estão as próprias mãos do Redentor, porque Ele mesmo prometeu a Sua assistência aos padres da Igreja (cf. Jo 20, 22-23). O protestante que diz se trancar no quarto para "confessar diretamente a Deus" certamente pode ser perdoado, mas nunca receberá o alívio de ouvir da boca de um verdadeiro ministro e representante de Deus, que os seus pecados foram realmente apagados e que a sua alma, agora, passou do vermelho escarlate ao branco da neve (cf. Sl 50, 9).

Este é, pois, o primeiro passo a tomar: arrepender-se, propor-se firmemente a não mais pecar e acusar os próprios pecados diante de Deus e da Igreja.

Mas, para restaurar plenamente a nossa comunhão com Deus, é preciso ir além. A palavra "penitência" – que as pessoas geralmente usam para designar os Pai-nossos e as Ave-Marias que os sacerdotes nos mandam rezar após a Confissão – diz respeito a uma atitude interior, que devemos manter continuamente viva em nosso coração. É por isso que Davi diz que o seu pecado está sempre à sua frente. Devemos ter as nossas faltas a todo momento diante de nós, seja para não as cometermos de novo, seja para lembrarmos que somos sempre necessitados, mendigos da misericórdia do Senhor.

Isso, porém, não significa, de jeito nenhum, "chorar sobre o leite derramado". Há pessoas que, mesmo depois de terem recebido o perdão de Deus – que verdadeiramente absolve os pecados no tribunal do sacramento da Confissão –, ainda ficam remoendo as suas culpas, incapazes que são de se perdoarem a si mesmas.

Para elas, é preciso lembrar a vida dos grandes santos que, antes de se determinarem realmente por Deus, eram em verdade grandes pecadores. Quem nunca ouviu, por exemplo, a história de Santo Agostinho? São Jerônimo, como ele mesmo conta, não era mais virgem depois que começou a seguir a Cristo. Santa Maria Egipcíaca, depois de muitos anos na prostituição, abandonou tudo e viveu uma invejável vida de penitência no deserto... O bem-aventurado Bártolo Longo chegou a ser sacerdote satânico antes de se converter!

Como esses, há tantos outros exemplos, não só na história da Igreja, como nos próprios Evangelhos: afinal, quem foi Maria Madalena, antes de ser santa; quem era Zaqueu, antes de conhecer Nosso Senhor?

Mais importante que o nosso passado, porém, é o que Deus, em Sua providência maravilhosa, reserva para cada um de nós. Por isso, é preciso concordar com Oscar Wilde, quando diz que "todo santo tem um passado e todo pecador tem um futuro" [3].

Você, que lê estas linhas e tem verdadeiramente horror pelos seus pecados, acredite firmemente que Deus quer fazer de você um grande santo. Não se inquiete porque você foi isto ou aquilo, porque tem este ou aquele vício, ou porque já perdeu a sua pureza, ou porque tem tal ou qual defeito. Se caiu, levante-se! "O grave não é que aquele que luta, caia, mas que permaneça caído", já dizia São João Crisóstomo [4]. Não pergunte, portanto: "Sou tão pecador, a santidade é mesmo para mim?", porque Jesus Cristo, Nosso Senhor, quando desceu a este mundo, não veio para os justos, mas para os pecadores (cf. Mt 9, 13). Deixe que o sangue d'Ele, derramado na Cruz, cure e transforme a sua vida.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Últimos Colóquios, Caderno Amarelo, 11 de julho, n. 6.
  2. Homilias sobre os Salmos, apud São João Paulo II, Audiência Geral (8 de maio de 2002), n. 2.
  3. In: Collected Works of Oscar Wilde. Ware: Wordsworth, 2007, p. 568.
  4. Exortação a Teodoro, II, 1. In: ARRARÁS, Felix. João Crisóstomo: vida e martírio (trad. de Henrique Elfes). São Paulo: Quadrante, 1993, p. 170.

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Conheça a história dos monges que cantam e rezam na terra de São Bento

​Depois de 200 anos, a identidade de Núrsia finalmente está completa, graças à presença dos monges que cantam e alegram a cidade com as suas cervejas e os seus conselhos. "É como se, com os monges aqui, tudo fosse dar certo."

No coração da Itália, em meio às montanhas da região da Úmbria, está a pacata cidade de Núrsia ( Norcia, no italiano), com suas estreitas ruas de pedra e paisagens extraordinárias. Famoso por suas linguiças suínas e trufas negras, o povoado de quase 5 mil habitantes é também a terra natal de São Bento, pai da vida monástica.

Por séculos, a comuna de Núrsia contou com a presença de monges beneditinos, que traziam segurança e conforto espiritual aos seus moradores. Mas, em 1810, com a promulgação do Código de Napoleão, os religiosos foram obrigados a deixar o local, sem que lhes fosse dado um prazo para retornar.

Espiritualmente órfãos, os nursini fizeram uma petição e recolheram entre si mais de 4 mil assinaturas, pedindo ao superior de São Bento que enviasse beneditinos de volta à terra do seu fundador. Finalmente, em 2000, o anseio dos moradores locais foi satisfeito e a vida monástica voltou a florescer em Núrsia: com mais dois religiosos, o padre norte-americano Cassian Folsom fundou na comuna o Mosteiro Beneditino Maria Sedes Sapientiae ("Maria, Sede da Sabedoria"), começando o apostolado de trabalho e oração ("Ora et labora") que resume a Regra de São Bento.

"A vida monástica é muito simples e ordinária", explica o prior da comunidade, padre Cassian. "Você levanta, reza, faz o seu trabalho, vai para a cama e, no dia seguinte, faz tudo de novo. São Bento, em certo sentido, é o padroeiro do ordinário, faz encontrar a presença de Deus no ordinário."

Um álbum de louvor a Deus

Há alguns meses, no entanto, a rotina comum dessa discreta casa religiosa ganhou os holofotes do mundo. É que as vozes desses monges foram reunidas no álbum Benedicta, uma excelente produção de canto gregoriano, que chegou a figurar entre os mais vendidos de música clássica.

O que explica tamanho sucesso, na opinião do premiado produtor Christopher Alder, é o transcendente embutido nas canções. ­"O canto que nós gravamos significa algo para eles, e você pode ouvir isso na sinceridade com que eles cantam", ele diz. "Há algo, no melhor sentido, hipnotizante ou meditativo. Quem ouve sente que entra em contato com o passado."

As faixas do CD reúnem orações e antífonas rezadas todos os dias pelos monges e dedicadas à Mãe de Deus. "Eu amo música, e a música, para a vida monástica, é uma parte essencial da nossa oração. O canto faz parte do ar que respiramos e, já que fazemos isso com tanta frequência, a coisa vem naturalmente depois de algumas décadas", ele garante. "Nós cantamos os louvores de Deus nove vezes por dia. Se você soma tudo, são cinco horas, mais ou menos, todos os dias, faça chuva ou faça sol, 365 dias por ano, o tempo todo."

Perguntado se as mesmas canções, interpretadas por artistas pop, obteriam o mesmo resultado, padre Cassian responde vigorosamente que não: "Você tem que acreditar no que está cantando", ele diz. "O canto é uma forma de expressarmos o nosso amor por Deus."

O padre Basil Nixen, regente de coro, aposta na beleza e na serenidade da música para chamar as pessoas a um encontro com Deus. "No fim, nós sempre tentamos agradar a Deus quando cantamos, então agradar às outras pessoas é mais fácil do que agradar à pessoa mais importante", ele afirma, em entrevista à CBS News.

"Para alegrar o coração"

Quando não estão rezando, uma das atividades dos monges é a produção de cervejas. A Birra Nursia, com o lema bíblico: "Ut laetificet cor – Para alegrar o coração" (Sl 103, 15), já é conhecida mundo afora e comercializada em Portugal, na Irlanda e nos Estados Unidos.

"Nós aprendemos a arte dos monges trapistas na Bélgica. Transformamos uma garagem embaixo do mosteiro em sala de fermentação e todos os monges ajudam a engarrafar as cervejas", conta o padre Cassian, em entrevista à Religion & Ethics. "A cerveja é muito boa e tem servido, de um modo extraordinário, como atração para a evangelização porque, mesmo se as pessoas não são de ir à igreja, quase todos gostam de tomar cerveja. Então, eles vêm ao mosteiro por causa da cerveja e logo começam a falar de outras coisas, coisas mais importantes."

"O povo da cidade recorre aos monges quando está com problemas, quando quer conversar com alguém sobre a sua vida familiar", ele diz. "Ter os monges de volta, depois de quase 200 anos, ajuda a completar a identidade da cidade. É como se, com os monges aqui, tudo fosse dar certo."

Introibo ad altare Dei

A música e a cerveja, no entanto, são aspectos apenas secundários do trabalho desses monges. O mosteiro de Núrsia faz parte de uma rede de comunidades tradicionais ao redor do mundo, preocupadas em zelar pela "sacralidade" do tesouro litúrgico da Igreja.

Para tanto, eles não têm problemas em celebrar a Missa nas duas formas do Rito Romano, intentando realizar aquele "enriquecimento mútuo" tão necessário e tão pedido pelo Papa Bento XVI. Verdadeiramente, "aquilo que para as gerações anteriores era sagrado, permanece sagrado e grande também para nós".

"O Rito Antigo, ou a tradição litúrgica da Igreja, para nós, é um patrimônio, não uma peça de museu, mas algo vivo", diz o padre Cassian, em entrevista à EWTN. A iniciativa atrai principalmente os jovens, que constituem, hoje, a maioria de seus membros. A média de idade dos religiosos é de 33 anos.

O Amado às portas

O prior do mosteiro beneditino é também o membro mais velho da casa. Com 63 anos, a fama de Cassian Folsom, dentro e fora da cidade de Núrsia, é de santidade. Recentemente, a luta contra um câncer ajudou a catalisar esse processo de ascensão espiritual. Em 2006, ele já tinha vencido a doença, mas ela voltou uma segunda vez e, mesmo com o tumor na fase de remissão, o padre Cassian sabe que pode acontecer tudo de novo.

"Como qualquer um diagnosticado com câncer, isso muda a sua vida", ele declara. "Acho que a doença tem me dado uma paciência maior, uma tolerância maior, fazendo-me olhar para as coisas como se nem tudo importasse tanto quanto eu achava que importava."

A repórter do Religion & Ethics, Judy Valente, pergunta ao religioso se ele não esperava merecer "algo mais do que dois diagnósticos de câncer", já que tinha dedicado a sua vida para o serviço de Deus. A resposta dele é uma lição espiritual:

"Isso é apenas parte da vida, é tudo. Eu diria isto: nós podemos olhar para a morte como uma ladra ou como uma mensageira. Um ladrão vem e rouba o que temos de mais valioso e, por isso, nós temos medo. Um mensageiro que vem para dizer-nos que o nosso Amado está às portas, nós recebemos de modo bem diferente, não? Então, este é o tipo de escolha que devemos fazer: se a morte é uma ladra ou uma mensageira. Para mim, é uma mensageira."

É com essa mensageira em mente que o padre Cassian e os seus religiosos rezam, todas as noites, o cântico do velho Simeão: " Nunc dimittis servum tuum, Domini, in pace – Deixai agora, Senhor, vosso servo ir em paz" (Lc 2, 29). Por viverem em constante oração, todos os seus trabalhos vão se orientando, quase que de modo automático, à única coisa verdadeiramente necessária: a vontade divina.

Questionado se o sucesso de Benedicta afetará de alguma forma a personalidade e os hábitos do mosteiro de Núrsia, o padre Basil Nixen assegura que não. "Este é o ponto de nossas vidas: nós não viemos aqui para ter sucesso, mas para procurar a Deus".

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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Papa reconhece milagre e José Sánchez del Río será canonizado

Aprovado o decreto que vai elevar à honra dos altares o bem-aventurado José Luis Sánchez del Río, o menino mexicano que queria morrer por Cristo Rei

O Papa Francisco reconheceu, no último dia 21 de janeiro, o milagre que vai elevar à honra dos altares o beato José Luis Sánchez del Río, o menino mexicano que queria morrer por Cristo Rei.

O milagre aconteceu em 2008 e a agraciada foi Ximena, uma bebê vítima de meningite, tuberculose, convulsões e um infarto cerebral – para quem, "humanamente, já não havia esperança de vida". O relato do milagre foi feito há alguns dias pela mãe da criança, Paulina Gálvez Ávila, na página do Facebook dedicada ao mártir cristero.

Ximena nasceu nos Estados Unidos, no dia 8 de setembro de 2008. Com um mês de vida, seus pais levaram-na à cidade de Sahuayo, na costa oeste do México, terra natal do beato José Sánchez del Río. Com apenas alguns dias, ela começou a ter febres e foi internada em um hospital da cidade.

Logo a bebê recebeu alta, mas, como a febre não baixava, decidiram levá-la à cidade de Aguascalientes, onde o Dr. Rosendo Sánchez assumiu o seu caso. A situação não melhorava e, considerando o risco em que se encontrava Ximena, os seus pais decidiram chamar um sacerdote e dar à menina o sacramento do Batismo.

Os médicos continuaram tentando solucionar a questão, até descobrirem um problema no sistema respiratório de Ximena: ela tinha água em um dos pulmões e precisava ser operada. "O Dr. Rosendo falou conosco e nos informou que teria que submetê-la a uma operação muito delicada, já que ela poderia ter uma hemorragia e morrer", conta a mãe. "Consentimos e dissemos a ele que fizesse o necessário para salvar Ximenita, e que a entregávamos nas mãos de Deus."

Depois da cirurgia, o médico analisou um pedaço do pulmão da menina e confirmou o diagnóstico de tuberculose. Ximena voltou à unidade de terapia intensiva, mas começou a ter convulsões incontroláveis:

"No dia seguinte, quando passei pela terapia intensiva, disseram-me que ela havia convulsionado. Ao vê-la, comecei a rezar. Então, ela começou a ter convulsões de novo. Pedi às enfermeiras que viessem rapidamente. Aplicaram-lhe uma injeção, mas não parava. Fizeram um encefalograma e uma tomografia, mas tudo foi em vão. Pedi a elas que me deixassem vê-la, mas, antes de entrar, fecharam a porta e a doutora me disse que minha bebê estava em estado vegetativo, e que eles já tinham iniciado os trâmites correspondentes. Quando chegou o Dr. Rosendo, eu, chorando, pedi a ele, por favor, que salvasse a minha filha. Eles induziram o coma e deram-nos 72 horas para ver se ela sobreviveria, já que 90% do seu cérebro estava morto."

Enquanto isso, a família se apegava à oração. "Fomos à Missa todos os dias para pedir a Deus e a Joselito que intercedessem por minha bebê", ela conta. Foi quando o milagre aconteceu:

"Antes de desligarem os aparelhos, pedi-lhes que me deixassem estar com ela e abraçá-la. Quando desligaram, pus o meu bebê nas mãos de Deus e na intercessão de Joselito e, nisso, ela abriu os seus olhos e sorriu para mim, olhou para os médicos e começou a rir com eles. (...) Levaram-na para fazer uma tomografia e um encefalograma e, nesse dia, 80% do seu cérebro estava recuperado. Estive com ela o dia todo. No dia seguinte, eles fazem novos estudos e seu cérebro aparece totalmente recuperado."

A equipe que cuidou do caso ficou impressionada não só pela cura inexplicável que aconteceu, mas também porque Ximenita, hoje com 7 anos, "está perfeitamente bem" e não tem absolutamente nenhuma sequela. "Eles ficaram surpreendidos porque acreditavam que, se sobrevivesse, ela provavelmente não caminharia, não falaria, não veria ou não escutaria, devido ao infarto cerebral", conta a senhora Ávila. "Humanamente não havia esperança de vida. Foi Deus quem fez tudo, pela intercessão de Joselito."

O bem-aventurado José Luis Sánchez del Río – ou Joselito, como é carinhosamente chamado por seus devotos – foi um dos mártires da perseguição religiosa comandada por Plutarco Elías Calles, que presidiu o México de 1924 a 1928. Ele foi morto com apenas 14 anos, no dia 10 de fevereiro de 1928, tendo nos lábios o nome de Cristo Rei, a quem se recusou a negar, mesmo sob dolorosas torturas. Sua história ficou particularmente conhecida depois do filme For Greater Glory ("Cristiada", no Brasil), de 2012, retratar o seu martírio.

O decreto que reconhece a autenticidade do milagre de Joselito foi assinado pelo Santo Padre e promulgado pela Congregação para a Causa dos Santos, mas ainda não foi definida uma data para a cerimônia da canonização. Até lá, porém, já é possível fazer orações e novenas em sua honra. Peçamos, pois, ao jovem mártir mexicano que nos ajude a tomar a nossa cruz, dia após dia, no seguimento Cristo Rei e de Sua mãe, a santa Virgem de Guadalupe.

Beato José Luis Sánchez del Río,
rogai por nós!

Por Equipe CNP | Com informações de News.va

| Categoria: Notícias

Assassinada no Paquistão porque se negou a dormir com muçulmanos

“Como vocês ousam fugir de nós?”, teriam perguntado os criminosos, antes de matarem Kiran Masih, de 17 anos. “Garotas cristãs só existem para uma coisa, para o prazer dos homens muçulmanos.”

Uma jovem cristã de 17 anos foi brutalmente assassinada no Paquistão porque se recusou a manter relações sexuais com jovens muçulmanos. O caso aconteceu na noite do dia 13 de janeiro, em um bairro de classe alta da cidade de Lahore, extremo leste do país.

Kiran Masih, de 17, Shamroza, de 18, e Sumble, de 20 anos, voltavam do trabalho para casa, na comunidade cristã de Baowala, quando foram abordadas por quatro muçulmanos, aparentemente alcoolizados, dentro de um carro. Um deles fez comentários insinuantes e ofensivos às jovens, dizendo que elas entrassem no carro para "um passeio e um pouco de diversão". Elas explicaram que eram cristãs e não praticavam sexo fora do matrimônio, recusando energicamente a proposta dos rapazes.

A reação delas despertou a ira dos muçulmanos, que ameaçaram levá-las à força para dentro do carro. Aterrorizadas pela situação, que ia ficando cada vez mais perigosa, as garotas começaram a correr, em um surto de pânico. Isso só aumentou a raiva dos agressores, e um deles gritou: "Como vocês ousam fugir de nós? Garotas cristãs só existem para uma coisa, para o prazer dos homens muçulmanos."

Os homens conduziram o carro com violência em direção às garotas e atropelaram as três. Shamroza e Sumble foram jogadas para o lado e caíram com força no chão: a primeira quebrou algumas costelas e a outra teve uma fratura no quadril. Kiran, porém, teve menos sorte. O impacto do carro a arremessou para cima e ela caiu em cima do capô do veículo. Percebendo que outro carro vinha atrás deles, o veículo saiu em disparada, lançando com nova violência o corpo da jovem ao chão. Ela teve um traumatismo craniano e vários de seus ossos quebrados. O resultado foi uma hemorragia interna que a matou em questão de minutos.

Os detalhes do crime foram obtidos por Naveed Aziz, correspondente de uma associação cristã no Paquistão. Ele visitou as casas das vítimas, que estão "abaladas" e "inconsoláveis pela perda da amiga próxima".

Os familiares pedem justiça, mas, dada a condição abastada dos jovens que praticaram o crime e o alto nível de corrupção das instituições, são remotas as esperanças de que a investigação siga adiante e traga algum resultado. Para Wilson Chowdhry, presidente da British Pakistani Christian Association, não há dúvidas de que o crime permanecerá impune:

"Em qualquer outra nação, os criminosos teriam sido presos, condenados por homicídio e sentenciados a uma longa pena. No Paquistão, contudo, só os pobres vão para a prisão e os ricos cometem o crime que quiserem sem punição. A violência contra os cristãos é raramente investigada e altamente improvável de ser enfrentada com justiça. O padrão nesses casos é que os cristãos paguem um suborno para os policiais cumprirem o seu dever, e que os criminosos ofereçam mais subornos para a polícia parar a investigação."

O assassinato de Kiran evidencia a condição de inferioridade em que são tratadas as mulheres na cultura islâmica. Estatísticas de uma ONG muçulmana estimam que, "todos os anos, cerca de 700 mulheres cristãs no Paquistão são sequestradas, estupradas e forçadas ao casamento muçulmano". "São quase dois casos por dia e o mundo não faz nada", comenta Wilson Chowdhry. "Alguns imãs imorais chegam a declarar que tais atos de conversão por meio da violência são recompensados no céu".

Impossível não relacionar essa ideia, que o jornalista considera "aterrorizante", à crescente onda de abusos sexuais que tem invadido a Europa nos últimos meses. Na véspera do Ano Novo, como se sabe, mulheres de várias cidades da Alemanha foram alvo de abusos sexuais por parte de homens "de ascendência árabe e norte-africana". O clérigo de uma mesquita salafista de Colônia, porém, não se surpreende "que os homens quisessem atacá-las". Para o clérigo, a culpa é "das próprias mulheres, porque estavam seminuas e usando perfume".

Curiosamente, esse comentário deplorável, que faria as feministas rasgarem as vestes no Ocidente, está sendo cuidadosamente ignorado pela mídia do mundo inteiro. O motivo? Os jornais têm que levar adiante a farsa do "multiculturalismo", custe o que custar; têm que incutir na cabeça das pessoas que "tanto vale uma religião quanto outra" ou que "qualquer cartilha moral é válida" – bem à moda do "relativismo religioso" que São João Paulo II tanto denunciou em seu magistério [1]. Enquanto isso, a honra e a dignidade das mulheres é ultrajada, sem que ninguém consiga propor uma solução efetiva para o problema que já toma proporções cada vez maiores. De fato, "a caridade, sem verdade, cai no sentimentalismo" [2].

"Quando Jesus se aproximou de Jerusalém e viu a cidade, começou a chorar e disse: 'Se tu também compreendesses hoje o que te pode trazer a paz!'" (Lc 19, 41-42). Que a Europa seja capaz de redescobrir os valores que lhe podem "trazer a paz". Que as mulheres retomem a consciência da sua dignidade e mostrem ao mundo que não foi "para o prazer" dos homens que elas foram criadas, mas para serem filhas de Deus e habitantes do Céu! "Sem identidade" [3], sem essa sadia visão do feminino e do ser humano – que os próprios europeus perderam, antes mesmo que os muçulmanos as tomassem –, não há salvação nem para a Europa, nem para lugar nenhum.

Por Equipe CNP | Com informações de BPC Association

Referências

  1. Papa João Paulo II, Carta Encíclica Redemptoris Missio (7 de dezembro de 1990), n. 36.
  2. Papa Bento XVI, Carta Encíclica Caritas in Veritate (29 de junho de 2009), n. 3.
  3. Papa Francisco, Discurso com os líderes de outras religiões na Albânia (21 de setembro de 2014): "Sem identidade, não pode haver diálogo."

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Uma decisão histórica das Filipinas contra os anticoncepcionais

O Congresso filipino coloca um freio no avanço da “cultura da morte” e dá um exemplo de soberania e sensatez ao resto do mundo

Filipinos protestam contra lei que exigia fundos para contraceptivos e educação sexual nas escolas.

A ousada decisão do Congresso filipino de não mais financiar programas de contracepção no país não agradou nem um pouco às organizações internacionais. Desde o anúncio da medida, em janeiro deste ano, as Filipinas vêm enfrentando duras críticas por, supostamente, terem "dado um sério passo atrás na obrigação de proteger a saúde maternal, a redução da mortalidade infantil e a prevenção do HIV", como atacou o grupo Human Rights Watch.

No início do mês, o Congresso filipino decidiu remover os $21 milhões do fundo governamental para o financiamento de contraceptivos para famílias pobres, conforme exigia uma controversa lei de saúde reprodutiva, aprovada em 2012, e sob pressão da ONU. Phelim Kine, vice-diretor asiático da Human Rights Watch, descreveu a ação como uma "vitória para membros da Igreja Católica nas Filipinas que têm amargamente se oposto aos serviços de contracepção gratuitos". Em uma declaração, Kine disse que a oposição da Igreja inclui "falsas preocupações acerca da segurança e da confiabilidade de métodos contraceptivos como a camisinha".

O Arcebispo Ramon Arguelles, da Arquidiocese de Lipa, rebateu as acusações, dizendo que a medida do governo era "pró-filipinos". "Eu espero que tudo seja gasto na construção de escolas, que deem maior educação e formação moral aos jovens, e oportunidade de trabalho para os adultos", exortou o arcebispo.

Na mesma linha se posicionou o porta-voz da conferência dos bispos, padre Jerome Secillano. "É bom saber que nenhum orçamento será reservado para a aquisição de contraceptivos", declarou o sacerdote, acrescentando que aquelas eram "notícias bem-vindas".

A decisão do Congresso filipino vem um ano após a visita do Papa Francisco ao país, quando o Santo Padre alertou as autoridades locais para o risco das "colonizações ideológicas". Durante o encontro com as famílias, o Santo Padre incentivou-as a "dizer 'não' a qualquer colonização política, assim também como família devemos ser muito sagazes, muito hábeis, muito fortes, para dizer 'não' a qualquer tentativa de colonização ideológica da família". Recordando a encíclica Humanae Vitae, de Paulo VI, Francisco ainda insistiu na necessidade da "abertura à vida" dentro do matrimônio: "(Paulo VI) olhou os povos da terra e viu esta ameaça da destruição da família pela falta de filhos".

A cruzada da Igreja contra o controle populacional

A briga da Igreja contra os anticoncepcionais é antiga. Foi durante o pontificado de Pio XI que a Santa Sé fustigou as primeiras manifestações da mentalidade antinatalista. Com a encíclica Casti Connubii, o Papa afirmou que o ato conjugal, por ser destinado primeiramente pela natureza à geração de filhos, não pode ser alienado, e que, por isso, "aqueles que, em seu exercício, frustram deliberadamente seu poder e propósito, pecam contra a natureza e cometem um ato vergonhoso e intrinsecamente mau" (n. 54).

Também São João XXIII, na encíclica Mater et Magistra, considerando a sacralidade da vida humana e a questão do aumento demográfico no mundo, deplorava o uso de "expedientes que ofendem a ordem moral estabelecida por Deus e atacam os próprios mananciais da vida humana" (n. 188). Era o começo dos anos 60 e a voz inequívoca do Bispo de Roma já se lançava contra "métodos e meios que são indignos de um ser racional e só encontram explicação num conceito puramente materialista do homem e da vida" (n. 190).

Mas o matchpoint veio mesmo em 1968, com a publicação da encíclica Humanae Vitae. Além de frustrar as expectativas da grande mídia (e, infelizmente, de algumas autoridades eclesiásticas), que queria porque queria a aprovação da Igreja para o controle populacional, Paulo VI fez uma profecia assaz válida para o mundo de hoje:

Considerem, antes de mais, o caminho amplo e fácil que tais métodos abririam à infïdelidade conjugal e à degradação da moralidade [...] É ainda de recear que o homem, habituando-se ao uso das práticas anticoncepcionais, acabe por perder o respeito pela mulher e, sem se preocupar mais com o equilíbrio físico e psicológico dela, chegue a considerá-la como simples instrumento de prazer egoísta e não mais como a sua companheira, respeitada e amada.

Pense-se ainda seriamente na arma perigosa que se viria a pôr nas mãos de autoridades públicas, pouco preocupadas com exigências morais. Quem poderia reprovar a um governo o fato de ele aplicar à solução dos problemas da coletividade aquilo que viesse a ser reconhecido como lícito aos cônjuges para a solução de um problema familiar? Quem impediria os governantes de favorecerem e até mesmo de imporem às suas populações, se o julgassem necessário, o método de contracepção que eles reputassem mais eficaz? Deste modo, os homens, querendo evitar dificuldades individuais, familiares, ou sociais, que se verificam na observância da lei divina, acabariam por deixar à mercê da intervenção das autoridades públicas o setor mais pessoal e mais reservado da intimidade conjugal (n. 17).

Na mosca. O que era simplesmente um temor do Santo Padre tornou-se fato em nossos dias. Graças à falsa segurança dos anticoncepcionais, inúmeras famílias têm sido arruinadas pela praga da traição e da promiscuidade. Ademais, não é incrível que os índices de gravidezes indesejadas e de doenças sexuais sejam tão altos agora, quando nunca foi tão fácil o acesso à camisinha? É que os anticoncepcionais, longe de serem seguros, favorecem uma mentalidade utilitarista e imprudente, que não reconhece a sacralidade do corpo humano; antes, transforma-o em instrumento de satisfação imediata e, muitas vezes, de dinheiro fácil. Bento XVI estava mesmo certo: na luta contra as doenças sexualmente transmissíveis, a camisinha mais atrapalha do que ajuda.

Igualmente preocupante é a ingerência de certas autoridades mundiais na vida familiar e na soberania de outros países que, em troca de apoio econômico e militar, são obrigados a adotar a agenda antinatalista das fundações internacionais. Vejam o exemplo da China para terem ideia da dimensão do problema.

Lembremo-nos, ainda, dos efeitos colaterais de alguns métodos contraceptivos, como a chamada pílula. Não faz muito tempo, a revista Época publicou uma séria denúncia sobre casos de embolia pulmonar, trombose e acidente vascular cerebral (AVC) ligados ao uso de pílulas anticoncepcionais. Mais: os anticoncepcionais, embora se queira esconder amiúde das mulheres, são abortivos. É fato!

Os filhos são uma bênção

Madre Teresa de Calcutá foi, por muitos anos, uma pedra no sapato dos defensores da contracepção. Isso porque a missionária, em todas as suas viagens, não deixava de repetir o seu mantra às autoridades civis e à população em geral: "Não ao aborto, não aos contraceptivos". Madre Teresa defendia esses princípios não porque fosse uma fanática religiosa ou coisa parecida, mas porque estava convencida da verdade acerca do matrimônio e, sobretudo, da maternidade. Não se pode negar que a criação dos filhos seja difícil — e ninguém melhor que Madre Teresa entendeu isso, visto que diariamente se dedicava às crianças de seu orfanato; por outro lado, a família existe justamente para que o homem e a mulher cresçam no amor e aprendam a virtude da abnegação, coisa, aliás, muito em falta na sociedade de hoje, que prefere descartar o próximo a sacrificar-se por ele.

Não é por acaso que o atual crescimento da violência e da corrupção esteja acompanhado de um declínio acentuado na vida familiar. A família precisa ser a escola da santidade. Porém, quando essa concepção se perde, o que resta são os traumas e os rancores.

A Igreja entende — e aceita — que, em alguns casos, e por razões realmente graves, os casais estabeleçam um espaçamento maior entre a geração de filhos, desde que se recorra a métodos honestos e abertos à vida, como a abstinência conjugal e o conhecido Método de Ovulação Billings. Trata-se da autêntica "paternidade responsável", como dizia Paulo VI (cf. Humanae Vitae, n. 7-10). Mas, ao mesmo tempo, é sempre dever dela recordar as famílias sobre a generosidade na correspondência à própria vocação. Os filhos, se acolhidos com visão sobrenatural, são sempre uma bênção.

Neste mundo, que parece estar de joelhos ante a "cultura da morte", a decisão das autoridades filipinas é mesmo muito "bem-vinda". Que este exemplo de sensatez e amor à família ilumine as demais autoridades do planeta contra a perversa ideologia antinatalista.

Por Equipe CNP | Com informações de ChurchMilitant.com

| Categoria: Pró-Vida

O zika vírus e a reascensão da eugenia

Muito antes de juristas brasileiros virem em defesa do aborto de microcefálicos, Adolf Hitler já os tinha incluído em seus programas de extermínio.

Não é novidade o pedido que alguns juristas e acadêmicos de Direito farão à Suprema Corte brasileira, requerendo um suposto "direito ao aborto" de crianças com microcefalia. Na década de 1930, na Alemanha, o programa nazista de extermínio de crianças deficientes (a Kinder-Euthanasie) incluía, entre as doenças genéticas passíveis de execução, a síndrome de Down, a paralisia, a hidrocefalia e, também, a microcefalia [1]. A princípio, o objetivo era matar as crianças com até 3 anos de idade. Mais tarde, o plano de Adolf Hitler se estenderia também aos adultos.

Certamente, Ana Carolina Cáceres – a brasileira de 24 anos, portadora de microcefalia, que se graduou recentemente em jornalismo – não teria sobrevivido ao regime nazista. Como ela, tampouco teriam passado as irmãs Ana Victória (16) e Maria Luiza (14), também portadoras da síndrome. Fossem concebidas hoje, porém, a vida dessas mulheres estaria em risco muito mais cedo: elas poderiam ser descartadas antes mesmo de nascerem.

Fora ou dentro do útero, no entanto, meses ou anos depois da concepção, são realidades meramente circunstanciais. Nada disso muda a essência do que os promotores do aborto, aproveitando-se do pânico gerado em torno do zika vírus, pretendem advogar junto ao Supremo Tribunal Federal: a ideia de que alguns seres humanos são mais dignos de viver do que outros.

O nome disso é eugenia.

Dar um novo nome às coisas não altera a sua substância, pelo que "saúde reprodutiva", "direito de escolha" e "controle de natalidade" não passam de eufemismos construídos para disfarçar a realidade.

Nem pode mudá-la o fato de algumas pessoas aparentemente esclarecidas estarem do lado de lá. Na verdade, quando o eugenismo surgiu na Europa, ainda no final do século XIX, muitos nomes de peso também deram sua aprovação à ideia, chegando a defendê-la pública e notoriamente: Winston Churchill, H. G. Wells e Bernard Shaw são apenas alguns exemplos. Francis Galton, um homem inteligente, responsável por cunhar a expressão "eugenia", chegou a falar dela como uma espécie de "nova religião". O entusiasmo pela coisa só pareceu cessar após a Segunda Guerra Mundial, quando as pessoas viram a que tudo isso realmente levava: pilhas de cadáveres em campos de concentração.

A essência dessa forma de pensamento, todavia, não está por trás só do pedido do aborto de microcefálicos, mas de todo o movimento pela legalização do aborto.

Como se sabe, o problema de quem defende essa prática não é com esta ou aquela má formação específica. Seja sob um viés feminista – como o defendido pela antropóloga Débora Diniz –, seja sob uma ótica aparentemente social – como a colocada pelo dr. Drauzio Varella –, o que se pretende é o aborto total, sem exceções. Por isso, perderíamos muito de nosso tempo tentando defender apenas os fetos microcefálicos quando, na verdade, quem está ameaçado em seu direito à vida são todos os nascituros, portadores ou não de microcefalia, sem ou com deficiência.

São eles as verdadeiras vítimas da eugenia moderna. Tratados como "cidadãos de segunda categoria" simplesmente porque não podem ser vistos – ainda que a ciência confirme a sua humanidade, desde a concepção. Considerados "indignos de viver" porque submetidos a uma liberdade total e irrestrita por parte da mulher – que deixa de arbitrar sobre o seu corpo para ter poder de vida e de morte sobre o próprio filho. Ameaçados, enfim, pelos próprios juristas e acadêmicos de Direito, que, passando por cima da lei natural e das leis de nosso país [2], deixam sem proteção a vida dos membros mais indefesos da nossa sociedade.

Tudo isso, aliado ao silêncio cúmplice de todos, forma um cenário que a humanidade já conheceu antes: tragicamente, os nossos tempos não são diferentes dos que precederam a barbárie nazista.

Mas, assim como algumas vozes se levantaram corajosamente contra a eugenia, antes mesmo que ela fosse aplicada na prática, também nós precisamos dar o nosso "grito" de alerta, antes que seja muito tarde. Como escreve o escritor britânico G. K. Chesterton, em seu livro profético Eugenics and other evils ("Eugenia e outros males"),

"A coisa mais sábia do mundo é gritar antes de ser ferido. Não é bom gritar depois, especialmente depois que você foi ferido de morte. As pessoas falam sobre a impaciência das multidões, mas os bons historiadores sabem que maior parte das tiranias só foi possível porque os homens reagiram muito tarde. Geralmente, é essencial resistir a uma tirania antes que ela exista. E não é resposta alguma dizer, com um vago otimismo, que a conspiração apenas está no ar. Um golpe vindo de um machado só pode ser evitado enquanto ainda está no ar." [3]

Por enquanto, parece que a conspiração está apenas no ar. Mas, de notícia em notícia, já é possível antever o golpe de machado que se aproxima de nossas cabeças. O alvo, leitor, são homens e são mulheres, são pobres e são ricos, são brancos e são negros – em suma, são os nossos filhos. Se não lutarmos por eles, ninguém o fará por nós.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Assine a petição do CitizenGo! pedindo à OMS que não instrumentalize a epidemia do zika vírus para promover o aborto.

Referências

  1. LIFTON, Robert Jay. The Nazi Doctors: Medical Killing and the Psychology of Genocide. Basic Books, 2000, p. 52.
  2. Cf., v.g., Constituição Federal, art. 5.º, caput; Código Civil (Lei 10.406/02), art. 2.º etc.
  3. CHESTERTON, Gilbert K. Eugenics and Other Evils. London: Cassell and Company, 1922, p. 3.

| Categoria: Sociedade

O diabo do canal Fox: quando Satanás fica bonzinho

A nova estrela do canal Fox é ninguém menos que o próprio diabo. Trata-se de mais uma guinada da televisão para o satanismo.

E se Lúcifer também tivesse um lado bonzinho? Na nova série da Fox, que estreou no último dia 25 de janeiro, o telespectador é levado a acreditar em um diabo que tirou férias do inferno. Sem os tradicionais chifres e caudas, em Lúcifer, o inimigo de Deus é apresentado como um galã sedutor e inteligente — os ingredientes necessários para atrair audiência, principalmente a feminina.

Lúcifer repete uma fórmula aparentemente já consagrada na dramaturgia americana: a exaltação dos vilões. Com uma dose de ironia e sagacidade, os pilantras da vez têm agradado mais ao público que os mocinhos, habitualmente apresentados como figuras ingênuas e frágeis. Até a Disney cedeu à tentação do mal. Na nova versão de A Bela Adormecida, por exemplo, a bruxa Malévola (que dá nome ao filme) é retratada como heroína e as três fadas não passam de velhas atrapalhadas e burras.

Mas não é só nos Estados Unidos que as coisas estão assim.

No Brasil, as redes sociais vibram a cada nova maldade ou frase impiedosa dita pelos antagonistas das principais novelas do país. Apesar do sucesso, há quem enxergue nisso tudo um problema grave. "O universo que as novelas abordam no meu modo de ver é um tanto quanto doentio demais, há muita glamourização do vilão, da maldade", criticou recentemente José Mayer, ele mesmo um conhecido ator global.

De fato, a dramaturgia tem o poder de ditar pensamentos, hábitos, maneiras de se vestir e de se comportar. É assim desde as tragédias gregas. E embora muitos insistam na chamada separação entre o "real e o fictício", a verdade é que essa distinção nem sempre acontece. Mais: o número de pessoas que tende a reproduzir o que vê na televisão é muito maior que o das que dizem fazer o tal discernimento. Prova disso é o mercado publicitário. As grandes marcas não hesitam em pagar cachês milionários para terem os artistas desses seriados em suas propagandas.

Quando o primeiro trailer da série Lúcifer foi divulgado, em meados de 2015, alguns entusiastas saudaram o lançamento com a frase "Viva o diabo". Com tom de brincadeira, o público deixou-se levar pela nova versão do maligno, que agora promete ajudar a prender criminosos. O enredo da série parte de um anjo decaído que, entediado com o determinismo de Deus, decide tirar férias em Los Angeles após demitir-se do cargo de "chefão do inferno". Em seu novo posto, ele se alia a uma policial para desvendar os crimes que afetam a famosa cidade dos anjos.

Imaginem uma adaptação moderna de Hitler, em que o nazista empedernido aparecesse mais politicamente correto e amiguinho dos judeus. A simples hipótese já nos causa asco. Por isso mesmo a nova série da Fox é de um profundo mau gosto. Em que pese a conversa de que esta versão nada tem que ver com o cristianismo, mas com um personagem de quadrinhos, seríamos profundamente ingênuos se negássemos a sua malícia.

Sigam o raciocínio: Lúcifer não é uma adaptação moderna de um personagem fictício qualquer, como em outros casos recentes; o demônio é uma entidade que, além de ser real para muitas confissões religiosas, está ligada ao que há de pior e mais perverso na humanidade: o pecado. E nesta série, esse personagem odioso é apresentado como uma figura redimida ou, ao menos, simpática. É preciso dar razão ao abaixo assinado que já circula no Estados Unidos, pedindo o cancelamento do programa.

Infelizmente, existem muitas pessoas que não creem na existência do diabo — mesmo teólogos e gente de dentro da Igreja. Por essa razão, o tema é frequentemente motivo de piada e zombarias (até Marchas para Satanás já fizeram). Ocorre que essa atitude imprudente é a mais desejada pelo inimigo, como fica claro no famoso livro de C. S. Lewis, Cartas de um diabo a seu aprendiz. Por brincadeira e desdém, uma porção de incautos consagra-se ao diabo sem se dar conta do que está fazendo. E os grandes promotores dessa onda de ocultismo são, em grande parte, os filmes, as músicas e outras formas de entretenimento, a princípio, inocentes. É o que explica o exorcista Padre Duarte Souza Lara:

Quem é o diabo?

A figura de Lúcifer, um anjo decaído, está presente em grande parte das religiões ou mitologias pagãs. "Demônio", "Satanás", "Belzebu": com frequência, a ele são atribuídos os mais diversos nomes. Para o credo cristão, porém, mais do que um personagem mitológico, a existência do diabo é uma verdade de fé. O Catecismo da Igreja Católica afirma o seguinte: "O Diabo e os outros demônios foram por Deus criados naturalmente bons; mas eles, por si, é que se fizeram maus" (n. 391).

As Sagradas Escrituras também falam dele por várias vezes. Só no Novo Testamento aparecem 511 referências ao anjo inimigo de Deus. Em um de seus confrontos, Jesus o chama de "homicida" ( 1 Jo 3, 8) e "pai da mentira" (Jo 8, 44). No livro do Apocalipse, João escreve sobre uma luta no Céu entre o grande dragão e São Miguel Arcanjo, que acabou com a expulsão do outrora anjo de luz (cf. Ap 12, 9). Mas o que teria provocado essa guerra entre a então mais bela das criaturas de Deus e o humilde arcanjo Miguel?

A realidade é bem diferente da que propõe a Fox. Os Padres da Igreja ensinam que, antes de criar o ser humano, Deus criou as criaturas celestes. Dentre essas criaturas, a mais poderosa era Lúcifer, o anjo da luz. Esses anjos tiveram de passar por uma provação divina, uma espécie de teste, para que Deus visse a sinceridade do amor deles. Nessa provação, Lúcifer rebelou-se contra seu Senhor, desejando tornar-se igual a Ele, mas sem o auxílio da graça. Com efeito, sua decisão pelo mal tornou-se irrevogável, pois, incapazes de fazer penitência, os "que aderem ao mal de maneira imutável, a misericórdia divina não os liberta", como explica Santo Tomás de Aquino (cf. Suma Teológica, I, q. 64, a. 2). Não se trata de uma deficiência do amor de Deus, já que Ele continua a amá-lo. O diabo é quem, livremente, escolheu dar o grito non serviam para depois afundar no inferno.

Por outro lado, uma coisa é certa na série Lúcifer: neste mundo, o diabo não se mostra como aquela caricatura horrorosa, com chifres, cauda e tridente, que costuma aparecer nos vitrais de igrejas e outras obras de arte.

Lúcifer é mesmo muito bonito. E foi a beleza de seu fruto que hipnotizou Eva, enchendo seus olhos de malícia. Lúcifer é mesmo muito sedutor. E foi com sua voz aveludada que, por inveja do homem, ele conduziu nossos primeiros pais ao caminho da morte. Lúcifer é mesmo muito inteligente. E é com essa inteligência que ele continua a persuadir a muitos de sua inexistência, enquanto ganha os holofotes do mundo, as ruas das grandes metrópoles e, sobretudo, os corações de tantas pessoas ingênuas que se deixam levar pelas suas ofertas.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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| Categoria: Sociedade

Mais de 4 bilhões de horas foram gastas com pornografia em 2015

Em 2015, internautas do mundo todo passaram 501.425 anos assistindo pornografia em algum site pornô

4.392.486.580 é o número de horas que foram gastas com pornografia no ano de 2015. Isto significa que em um ano, internautas do mundo todo passaram 501.425 anos assistindo pornografia em algum site pornô. Em apenas um site, os acessos chegaram a escandalosos 87.849.731.608 — ou seja, para cada uma pessoa no planeta, 12 vídeos pornôs foram vistos. Os dados são do LifeSiteNews.com.

O fascínio pelo sexo explícito é antigo. Mesmo para algumas religiões de rígida moral, o paraíso é descrito como um lugar de sortilégio. Os muçulmanos, por exemplo, creem em um Céu cheio de virgens para eles. Na antiga Grécia, o sexo era venerado como um deus: estátuas fálicas decoravam as casas e partes da grande Atenas, onde surgiu a palavra "pornografia" para definir os escritos sobre prostitutas da época. Com o tempo, o termo passou a designar "tudo o que descrevia as relações sexuais sem amor", como explica o historiador francês Sarane Alexandrian.

Na Idade Média, a influência do cristianismo ordenou a sexualidade para a vida conjugal, sacralizando-a no matrimônio. Isto desenvolveu uma nova visão acerca do corpo humano. Ele deixou de ser idolatrado como um objeto de prazer para converter-se no Templo do Espírito Santo. Com a purificação da sexualidade, não mais governada pela concupiscência, homem e mulher passaram a tratar-se como uma só carne, dois indivíduos unidos definitivamente pelos laços matrimoniais. Foi apenas com o Renascimento que a sexualidade voltou a ser banalizada como nos tempos da Grécia e de Roma.

A nossa era assiste a uma onda pornográfica inigualável. O que antes estava restrito às salas discretas das locadoras e das bancas de jornais, tornou-se agora acessível a todos os públicos pela democratização da internet. Desde a mais tenra idade, os jovens já são expostos à pornografia. Embora haja quem considere isso um progresso, inúmeros estudos têm classificado a pornografia como uma nova espécie de droga, tendo como um de seus efeitos mais malignos o aumento da agressividade. Eis o que nos diz este estudo publicado no Journal of Communication:

[...] 22 estudos de sete diferentes países foram analisados. O consumo (de pornografia) foi associado com agressão sexual nos Estados Unidos e internacionalmente, entre homens e mulheres [...] Associações foram mais fortes para agressões sexuais verbais do que para físicas, apesar de ambas serem significantes.

Sejamos francos: esses resultados não são nenhuma novidade. Quando se cresce em uma cultura que não valoriza a sexualidade em todas as suas dimensões, mas, ao contrário, defende a ideia de que o corpo humano seja apenas um instrumento do qual se pode obter prazer incontrolável, não deveríamos nos assustar com o aumento de estupros, gravidezes indesejadas, violência doméstica etc. Na verdade, essas coisas nada mais são do que a consequência mais grave de uma mentalidade que, como dizia Bento XVI na encíclica Deus Caritas Est, ensina o homem a considerar "o corpo e a sexualidade como a parte meramente material de si mesmo a usar e explorar com proveito". O ser humano se torna uma mercadoria, "uma 'coisa' que se pode comprar e vender" (n. 5).

A crítica que geralmente fazemos aos movimentos feministas deve-se justamente ao que expusemos acima. A "cultura do estupro", como dizem, não é gerada pelo patriarcalismo cristão e europeu. Sociólogos não religiosos admitem a contribuição imprescindível do cristianismo, em especial, da Igreja Católica, para a emancipação feminina [1]. A "cultura do estupro" tem a ver como uma noção deturpada a respeito do homem e da mulher, que encontrou eco na chamada Revolução Sexual e se propaga por meio da pornografia. Trata-se de uma noção que reduz a intimidade do casal a apenas uma noite de prazer e nada mais. E as feministas que defendem esse tipo de mentalidade alimentam o monstro que pretendem combater.

O machismo nunca será vencido com "Marchas de Vadias". Embora não queiram aceitar, a melhor maneira de domar a fera dentro do homem é ensinando-o a viver a continência pré-matrimonial. A castidade não é simplesmente não fazer sexo, como pensam as mentes vulgares desta época, mas enxergar a pessoa humana como uma criatura amada por Deus. Os pais têm o dever de inculcar isso na mente dos filhos para que a sedução do sexo fácil não os escravize. Os pais precisam tornar-se amigos de seus filhos, companheiros de jornada, agindo com paciência, compreensão, sem medo de perguntas embaraçosas, para que os jovens não busquem na pornografia aquilo que eles poderiam aprender corretamente em casa. Este é o caminho: educar para o Céu.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Cf. STARK, Rodney. O crescimento do cristianismo: um sociólogo reconsidera a história. São Paulo: Paulinas, 2006, p. 119.