| Categoria: Pró-Vida

Fantástico - O Show da Morte

Depois de apresentar uma reportagem unilateral, forçada e tendenciosa, claramente direcionada a induzir à aprovação do aborto no Brasil, o programa Fantástico, mais do que “o show da vida”, merece outro epíteto.

Por Pe. José Eduardo | Fonte: Facebook

Ontem, o Fantástico - O Show da Vida, apresentou uma reportagem unilateral, forçada e tendenciosa, claramente direcionada a induzir à aprovação do aborto no Brasil.

Débora Diniz apresentou números de uma pesquisa, digamos…, minimamente intrigante.

Segundo ela, uma em cada cinco mulheres até os quarenta anos teria abortado e, no último ano, o Brasil teria assistido silenciosamente o discreto espetáculo de 500 mil abortos clandestinos.

Curiosamente, dizia-se que o número de abortos no Brasil há dois anos era de 1,5 milhões, por ano. Então, se esses dados fossem verdadeiros, no Brasil estariam se fazendo hoje 1 milhão a menos de abortos! UMA REDUÇÃO DE 200%, POR ANO!!! Se, realmente fosse assim, em 3 ou 4 anos não teríamos mais abortos no Brasil!!

Eles perceberam que a MENTIRA do 1,5 milhões não cola mais!

Porém, esses números atuais, também, não são verdadeiros, como vou mostrar abaixo, mas não conseguem disfarçar que o número de abortos está caindo vertiginosamente no Brasil. Então, para enganar, é preciso mentir menos.

Deixemos de lado as já conhecidas declarações da promotora do aborto Adrianne Germain, que confessou o financiamento ao aborto clandestino por parte daqueles que militam pelo aborto legal -- ela mesma confessa ter feito isso! (Cf. Population and Reproductive Health. Oral History Project, Adrienne Germain Interviewed by Rebecca Sharple) --, e vamos direto aos números.

Se 500 mil mulheres praticassem o aborto clandestino no Brasil, deveríamos ter, segundo as mais recentes pesquisas (para as quais apenas metade das mulheres que praticam o aborto clandestino fazem a curetagem), pelo menos 250 mil curetagens ao ano pelo SUS, apenas por motivos de aborto provocado. Ora, como segundo a maior parte dos médicos, apenas 1/4 das curetagens (no máximo) seriam de mulheres que praticaram o aborto provocado, logo, o número total de curetagens deveria chegar a 1 milhão por ano.

Acontece que, no SUS, há apenas cerca de 200 mil curetagens ao ano, número que está caindo cada vez mais (10% ao ano, segundo dados do próprio dataSUS).

Ora, se segundo os médicos, 1/4 das curetagens se deve ao aborto provocado, teríamos 50 mil internações por esse motivo; porém, se de cada duas mulheres que pratica o aborto uma deve se submeter à curetagem, chegamos ao resultado de 100 MIL ABORTOS AO ANO!

Em outras palavras, o quadro é exatamente o contrário daquele apresentado pela reportagem do Fantástico.

Ademais, é uma mentira que o número de abortos cai quando este é aprovado. A realidade é absolutamente inversa: nos países que legalizaram o aborto, se faz pelo menos cinco vezes mais abortos que no Brasil!

Por exemplo, nos EUA se fazem 800 mil abortos por ano, enquanto que, no Brasil, se fazem 100 mil. No Reino Unido, que tem 50 milhões de habitantes, se fazem 120 mil abortos; se tivessem 200 milhões de habitantes, como no Brasil, fariam 500 mil abortos, que é 5 vezes o número de abortos no Brasil. Na Espanha, a população é de 40 milhões de habitantes, e se praticam 120 mil abortos; ou seja, 5 vezes mais que no Brasil. Na Suécia, há 10 milhões de habitantes, e se praticam 40 mil abortos; ou seja, se tivessem 200 milhões de habitantes, fariam 800 mil abortos, 8 vezes mais que no Brasil.

Desde a legalização, na Suécia, o número de abortos cresceu 5.500%, e, na Espanha, subiu 600%, nos EUA subiu 700%, ENQUANTO NO BRASIL ESTÁ DIMINUINDO.

Mesmo nessa alegada pesquisa, a idade das mulheres é de até 40 anos, ou seja, inclui aquelas que teriam praticado o aborto há 20 anos atrás, quando a aprovação da prática era muito maior no Brasil. Não esqueçam que, em todas as pesquisas realizadas desde 1994, a aprovação à legalização do aborto, bem como a sua prática, está diminuindo vertiginosamente no Brasil (de acordo com os números do dataSUS, 10% ao ano).

Então, a pesquisa referida pela Débora Diniz não se refere só às mulheres que fizeram o aborto hoje, mas inclui aquelas que o fizeram há 20 anos atrás, quando os números eram bem outros.

Se nos restringirmos aos dados de hoje, os números são os seguintes: existem 2,8 milhões de partos ao ano e apenas 100 mil abortos. Isso significa que, para cada 28 mulheres que tem um bebê, apenas 1 pratica o aborto. E este número está diminuindo ano após ano!!! Esta é a realidade presente, não a de 20 anos atrás, justamente porque o aborto não foi legalizado e o grau de consciência das pessoas está cada vez maior!

Ora, daqui a 20 anos, o número de mulheres que terão praticado o aborto no Brasil até os 40 anos será muito menor -- e talvez, a julgar pelos números de agora, possa cair para 1/14 --, a não ser que, como a Débora Diniz propõe e o Fantástico insinua, se legalize o aborto no Brasil.

Querem saber por que esses números falsos estão sendo divulgados? Porque quem controla as estatísticas do aborto são os mesmos institutos ligados às redes de clínicas clandestinas de aborto. A maior parte dos estudos estatísticos de aborto procede dos dados e das metodologias propostas pelo Instituo Alan Guttmacher, que é de propriedade da Instituição que detém a maior rede de clínicas de aborto nos EUA; e pelo IPAS, que é internacionalmente conhecido na literatura especializada como um dos principais promotores tanto do aborto legal quanto do clandestino.

O que se pode esperar das estatísticas manipuladas por esses organismos??? Tragam gente séria para debater, e veremos quem está com a razão!!!

O que mais choca, no entanto, é a unilateralidade e enviezamento da redação do programa! Não poderiam ter chamado um pró-vida para o contraditório?… A Dra. Isabella Mantovani já desmontou essa retórica repetidamente, e de modo definitivo:

Manifeste-se! Escreva no site do programa, denuncie a falácia nas mídias sociais. De fato, o Fantástico, mais do que "o Show da vida", merece o epíteto de O SHOW DA MORTE!

Por Pe. José Eduardo

| Categoria: Pró-Vida

Aborto: chegou a hora de reagir!

Conheça a verdadeira luz no fim do túnel para bloquear o assalto abortista no Brasil.

1. Uma descarada tentativa

No último dia 29/11, o Supremo Tribunal Federal (STF) absolveu cinco funcionários de uma clínica de abortos do Estado do Rio de Janeiro, incluindo o médico que praticava os abortos, alegando que o aborto não é crime desde que praticado até o terceiro mês de gestação, usurpando publicamente, como alegaram diversos deputados, as funções do Poder Legislativo.

No próximo dia 7/12, o STF julgará sobre a despenalização do aborto no caso de mulheres que contraíram o zika vírus. Note: não se trata somente do aborto de crianças com microcefalia. Nem todos os bebês de gestantes que contraíram zika vírus nascem com microcefalia. Bastará que a gestante que tenha contraído zika vírus não queira levar a gravidez adiante para obter o aborto. O argumento será o trauma da incerteza. Mas, com este argumento será possível, mais tarde, em outro julgamento, legitimar todos os abortos, se isto já não for feito neste mesmo.

Trata-se da mais descarada tentativa de legalizar o aborto no Brasil.

2. A quem pressionar?

Ora, os juízes do STF, não sendo eleitos pelo povo, não são suscetíveis a pressões. Quando do julgamento acerca da constitucionalidade do aborto por anencefalia, não obstante a uma gigantesca oposição popular, o STF julgou pela não penalização desse tipo de aborto.

Portanto, parece não ser eficaz nenhum tipo de manifestação, nota de repúdio, petição pública ou qualquer outra ação que se dirija diretamente ao STF.

Resta-nos, portanto, uma alternativa: pressionar mais uma vez o poder legislativo, para que ponha limites à intromissão do STF em suas competências.

3. Uma luz do fim do túnel: PL 4754/2016

A propósito, na Câmara dos Deputados, há um Projeto de Lei tramitando na Comissão de Constitucionalidade, Justiça e Cidadania (CCJC), pronto para ser pautado e votado: trata-se do PL 4754/2016, relatado pelo Dep. Marcos Rogério (DEM-RO), que define como crime de responsabilidade a usurpação de competências do legislativo por parte de juízes do STF. No caso, esses juízes seriam processados no Senado Federal, podendo sofrer um impeachment.

É notório o ativismo judiciário, que não se cansa de intrometer-se no poder legislativo. Atualmente, não há a quem recorrer. Temos uma classe de intocáveis no Brasil.

Se o PL 4754/2016 for aprovado, o povo poderá pressionar o Congresso Nacional toda vez que um abuso de poder como estes for cometido! Tal medida traria maior oxigenação em nossa democracia.

Trata-se de uma verdadeira luz no fim do túnel para bloquear o assalto abortista no Brasil.

Para ler a íntegra do Projeto de Lei 4754/2016, acesse: http://bit.ly/2gRUakA.

Para acompanhar a tramitação deste projeto, acesse: http://bit.ly/2gkWhKn.

4. O que fazer concretamente?

Abaixo, apresento o telefone e o e-mail do Presidente da CCJC e do Dep. Marcos Rogério, relator do projeto.

Precisamos incentivar e apoiar os parlamentares a se posicionarem firmemente neste caso. Telefone, escreva! Peça que seja pautado e aprovado o PL 4754/2016 já na próxima semana. Mostre o quanto isto é importante para o povo brasileiro.

Envie também um e-mail, com suas próprias palavras, à lista de todos os deputados que são membros da CCJC, manifestando o seu apoio para que eles pautem o quanto antes este projeto.

Os bebês brasileirinhos agradecem!!!


COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE CIDADANIA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS FEDERAIS - CCJC

PRESIDÊNCIA DA CCJC

PRESIDENTE DEPUTADO OSMAR SERRAGLIO - PMDB / PR

Telefone: (61) 3215-5845
Fax: (61) 3215-2845
E-mail: dep.osmarserraglio@camara.leg.br

SECRETARIA da CCJC:

Telefone: (61) 3216-6494
FAX: (61) 3216-6499

RELATOR DO PROJETO DE LEI 4754/2016, DEPUTADO MARCOS ROGÉRIO - DEM / RO

Telefone: (61) 3215-5930
Fax: (61) 3215-2930
E-mail: dep.marcosrogerio@camara.leg.br

E-MAILS DOS DEPUTADOS TITULARES

dep.paeslandim@camara.leg.br; dep.paulomaluf@camara.leg.br; dep.paulopereiradasilva@camara.leg.br; dep.rodrigopacheco@camara.leg.br; dep.sorayasantos@camara.leg.br; dep.valtenirpereira@camara.leg.br; dep.venezianovitaldorego@camara.leg.br; dep.vitorvalim@camara.leg.br; dep.geneciasnoronha@camara.leg.br; dep.joaocampos@camara.leg.br; dep.josecarlosaleluia@camara.leg.br; dep.josefogaca@camara.leg.br; dep.joziaraujo@camara.leg.br; dep.lincolnportela@camara.leg.br; dep.maiafilho@camara.leg.br; dep.marcosrogerio@camara.leg.br; dep.osmarserraglio@camara.leg.br; dep.paeslandim@camara.leg.br; dep.paulomaluf@camara.leg.br; dep.paulopereiradasilva@camara.leg.br; dep.rodrigopacheco@camara.leg.br; dep.sorayasantos@camara.leg.br; dep.valtenirpereira@camara.leg.br; dep.alceumoreira@camara.leg.br; dep.andremoura@camara.leg.br; dep.antoniobulhoes@camara.leg.br; dep.arthurlira@camara.leg.br; dep.carlosbezerra@camara.leg.br;

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O que as mortes repentinas nos ensinam

Nada mais certo que a morte e, ao mesmo tempo, nada tão incerto quanto a hora em que ela vem.

O Brasil e o mundo acordaram em choque no dia de hoje, 29 de novembro, com a trágica notícia do acidente aéreo envolvendo a equipe de futebol da Chapecoense. A delegação do clube viajava para a Colômbia, onde disputaria um título sul-americano inédito. O avião que conduzia os jogadores e outros profissionais caiu próximo de Medellín. Segundo as autoridades colombianas, há mais de 70 mortos e apenas 5 sobreviventes.

Poucas palavras servem, na verdade, para um momento como este. Quanta dor não devem estar sentindo neste momento, especialmente os amigos e familiares mais próximos das vítimas! Por eles, por todos os que experimentaram nessa tragédia a perda de seus entes queridos, não nos esqueçamos de oferecer as nossas orações e, se possível, o nosso conforto. Também pelas almas desses jogadores que se vão, rezemos para que recebam de Deus o "repouso eterno" e sejam iluminados pela "luz perpétua", como pedimos na tradicional oração do Réquiem.

De nossa parte, é necessário que tiremos, desses fatos, lições para a nossa vida. Diferentemente dos homens, Deus se comunica conosco não só por meio de palavras e ações, mas também através dos acontecimentos da história.

Por isso, para ajudar-nos a fazer uma verdadeira meditação nesse sentido, nada melhor que recorrer à sabedoria de um doutor da Igreja, Santo Afonso de Ligório, autor da excelente obra de espiritualidade "Preparação para a morte". Transcrevemos abaixo o capítulo 5.º desse livro, que fala sobre a "incerteza da hora da morte".


Incerteza da hora da morte

Santo Afonso Maria de Ligório

Estote parati, quia qua hora non putatis, Filius hominis veniet.
Estai prevenidos, porque na hora em que menos pensais virá o Filho do Homem (Lc 12, 40).

PONTO I

É certíssimo que todos devemos morrer, mas não sabemos quando. "Nada há mais certo que a morte, porém nada mais incerto que a hora da morte" [1]. Meu irmão, estão fixados ano, mês, dia, hora e momento em que terás que deixar este mundo e entrar na eternidade; porém nós o ignoramos. Nosso Senhor Jesus Cristo, a fim de estarmos sempre bem preparados, nos disse que a morte virá como um ladrão, oculto e de noite: Sicut fur in nocte, ita veniet (1Ts 5, 2). Outras vezes nos exorta a que estejamos vigilantes, porque, quando menos o esperamos, virá Ele a julgar-nos: Qua hora non putatis, Filius hominis veniet (Lc 12,40). Diz São Gregório que Deus nos oculta, para nosso bem, a hora da morte, a fim de que estejamos sempre preparados para morrer: De morte incerti sumus, ut ad mortem semper parati inveniamur [2]. A morte pode levar-nos em qualquer momento e em qualquer lugar; por isso, se queremos morrer bem e salvar-nos, é preciso, diz São Bernardo que a estejamos esperando em qualquer tempo ou lugar: Mors ubique te exspectat; tu ubique eam exspectabis [3].

Ninguém ignora que deve morrer; mas o mal está em que muitos vêem a morte a tamanha distância que a perdem de vista. Mesmo os anciãos mais decrépitos e as pessoas mais enfermas não deixam de alimentar a ilusão de que hão de viver mais três ou quatro anos. Eu, porém, digo o contrário. Devemos considerar quantas mortes repentinas vemos em nossos dias. Uns morrem caminhando, outros sentados, outros dormindo em seu leito. É certo que nenhum deles julgava morrer tão subitamente, no dia em que morreu. Afirmo, ademais, que de quantos no decorrer deste ano morreram em sua própria cama, e não de repente, nenhum deles imaginava que devia acabar sua vida neste ano. São poucas as mortes que não chegam inesperadas.

Assim, pois, cristão, quando o demônio te provoca a pecar, com o pretexto de que amanhã confessarás, dize-lhe: Quem sabe se não será hoje o último dia da minha vida? Se esta hora, se este momento, em que me apartasse de Deus, fosse o último para mim, de modo que já não restasse tempo para reparar a falta, que seria de mim na eternidade? Quantos pobres pecadores tiveram a infelicidade de ser surpreendidos pela morte ao recrearem-se com manjares intoxicados e foram precipitados no inferno? Sicut pisces capiuntur hamo, sic capiuntur homines in tempore malo: "Assim como os peixes caem no anzol, assim são colhidos os homens pela morte num momento ruim" (Ecle 9, 12). O momento ruim é exatamente aquele em que o pecador ofende a Deus. Diz o demônio que tal desgraça não nos há de suceder; mas é preciso responder-lhe: E se suceder, que será de mim por toda a eternidade?

Afetos e súplicas

Senhor, não é este o lugar em que me devia achar agora, mas sim no inferno, tantas vezes merecido por meus pecados: Infernus domus mea est ( 17, 13). Mas São Pedro me adverte que "Deus nos espera com paciência e amor, não querendo que ninguém se perca, mas que todos se convertam à penitência" (2Pd 3, 9). Por isso, meu Deus, tivestes paciência extremada para comigo e me suportastes. Não quereis que me perca, mas que, arrependido e penitente, me converta a Vós. Sim, meu Senhor, retorno a vós, prostro-me a vossos pés e peço misericórdia. Para me perdoardes, Senhor, é preciso grande e extraordinária misericórdia, porque vos ofendi com pleno conhecimento do que fazia. Outros pecadores também vos ofenderam, mas não dispunham das luzes que me outorgastes. Apesar disso, mandais que me arrependa de minhas culpas e espere o vosso perdão. Pesa-me, meu querido Redentor, de todo o coração de vos ter ofendido e espero o perdão pelos merecimentos de vossa Paixão. Ó meu Jesus, que sois inocente, que quisestes morrer qual réu na cruz e derramar todo o vosso sangue para lavar minhas culpas! O sanguis innocentis, lava culpas poenitentis: "Ó sangue inocente, lavai as culpas de um penitente!"

Ó Pai Eterno, perdoai-me por amor a Cristo Jesus! Atendei-lhe as súplicas agora que, como meu advogado, intercede por mim. O perdão, porém, não me basta, ó Deus digno de amor infinito; desejo ainda a graça de amar-vos. Amo-vos, ó Soberano Bem, e vos ofereço para sempre meu corpo, minha alma, minha vontade, minha liberdade. Doravante, não só quero evitar as ofensas graves, mas também as mais leves, e fugir de toda a má ocasião. Ne nos inducas in tentationem. Livrai-me, por amor de Jesus, de toda ocasião em que possa ofender-vos. Livrai-me do pecado, e castigai-me depois como quiserdes. Aceito todas as enfermidades, dores e perdas que vos aprouver enviar-me, contanto que não perca vosso amor e vossa graça. Petite, et accipietis: Prometestes dar tudo que vos for pedido (Jo 16, 24). Rogo-vos que me concedais somente a perseverança e o vosso amor.

Ó Maria, Mãe de misericórdia, rogai por mim, que confio em vós!

PONTO II

O Senhor não nos quer ver perdidos. Por isso, com ameaça de castigo, não cessa de advertir-nos que mudemos de vida. "Se não vos converterdes, vibrará sua espada" (Sl 7, 13). Vede — diz em outra parte — quantos são os desgraçados que não quiseram emendar-se, e a morte repentina os surpreendeu quando não esperavam, quando viviam despreocupados, julgando terem ainda muitos anos de vida: Cum dixerint pax, et securitas, tunc repentinus eis superveniet interitus (1Ts 5, 3). Disse-nos também: "Se não fizerdes penitência, todos haveis de perecer" (Lc 13, 5). Por que tantos avisos do castigo antes de infligi-lo, senão porque quer que nos corrijamos e evitemos morte funesta? Quem dá aviso para que nos acautelemos, não tem a intenção de matar-nos — diz Santo Agostinho [4].

É mister, pois, que preparemos nossas contas antes que chegue o dia do vencimento. Se durante a noite de hoje devesses morrer, e ficasse decidida assim a tua salvação eterna, estarias bem preparado? Quanto não darias, talvez, para obter de Deus a trégua de mais um ano, um mês, um dia sequer! Por que agora, já que Deus te concede tempo, não pões em ordem tua consciência? Acaso não pode ser este teu último dia de vida? "Não tardes em te converter ao Senhor, e não o adies, porque sua ira poderá irromper de súbito e no tempo da vingança te perderás" (Ecle 5, 7). Para salvar-te, meu irmão, deves abandonar o pecado. "E se algum dia hás de abandoná-lo, por que não o deixas desde já?", pergunta Santo Agostinho [5]. Esperas, talvez, que chegue a morte? Mas esse instante não é tempo do perdão, senão da vingança. "No tempo da vingança, te perderás".

Se alguém te deve soma considerável, tratas de assegurar o pagamento por meio de obrigação escrita, firmada pelo devedor, dizendo: Quem sabe o que pode suceder? Por que, então, deixas de usar da mesma precaução, tratando-se da alma, que vale muito mais que o dinheiro? Por que não dizes também: quem sabe o que pode ocorrer? Se perderes aquela soma, não estará ainda tudo perdido e ainda que com ela perdesses todo o patrimônio, ficaria a esperança de o poder recuperar. Mas se, ao morrer, perdesses a alma, então, sim, tudo estaria irremediavelmente perdido, sem esperança de recobrar coisa alguma. Cuidas em arrolar todos os bens de que és possuidor, com receio de que se percam quando sobrevier morte repentina. E se esta morte imprevista te achasse na inimizade para com Deus? Que seria de tua alma na eternidade?

Afetos e súplicas

Ah! meu Redentor, derramastes todo o vosso sangue, destes a vida para salvar minha alma, e eu, quantas vezes a perdi, confiando em vossa misericórdia! Abusei de vossa bondade para vos ofender; mereci, por isso, que me deixásseis morrer e precipitásseis no inferno. Estamos, pois, como que numa competição. Vós usando piedade comigo, eu vos ofendendo; vós a correr para mim, eu fugindo de vós; vós, dando-me tempo para reparar o mal que pratiquei, eu, valendo-me desse tempo para acrescentar injúria a injúria. Senhor, fazei-me conhecer a grandeza das ofensas que vos fiz, e a obrigação que tenho de amar-vos.

Ah! meu Jesus! Como podeis amar-me ao ponto de ir à minha procura, quando eu vos repelia? Como cumulastes de tantos benefícios a quem de tal modo vos ofende? De tudo isto vejas quando desejais não me ver perdido. Arrependo-me de ter ultrajado a vossa infinita bondade. Aceitai, pois, esta ovelha ingrata que volta a vossos pés. Recebei-a e ponde-a aos ombros para que não fuja mais. Não quero apartar-me de vós, mas amar-vos e pertencer-vos inteiramente. E desde que seja vosso, gostosamente aceitarei qualquer trabalho. Que desgraça maior poderia afligir-me do que viver sem vossa graça, afastado de vós, que sois meu Deus e Senhor, que me criou e que morreu por mim? Ó malditos pecados, que fizestes? Induzistes-me a ofender a meu Salvador, que tanto me amou.

Assim como vós, meu Jesus, morrestes por mim, assim deverei eu morrer por vós. Morrestes pelo amor que me tendes. Eu deverei morrer de dor por vos ter desprezado. Aceito a morte como e quando vos aprouver enviá-la. Mas, já que até agora pouco ou nada vos hei amado, não quisera morrer assim. Dai-me vida para que vos ame antes de morrer. Para isso, renovai meu coração, feri-o, inflamai-o com o vosso santo amor. Atendei-me, Senhor, por aquela ardentíssima caridade que vos fez morrer por mim. Amo-vos de toda a minha alma. Não permitais que vos perca. Dai-me a santa perseverança. Dai-me o vosso amor.

Maria Santíssima, minha Mãe e meu refúgio, sede minha advogada!

PONTO III

"Estai preparados" — O Senhor não disse que nos preparemos ao aproximar-se a morte, mas que estejamos preparados. No transe da morte, nesse momento cheio de perturbação, é quase impossível pôr em ordem uma consciência embaraçada. Isto nos diz a razão. Nesse sentido Deus também advertiu-nos, dizendo que não virá então perdoar, mas vingar o desprezo que fizéssemos da sua graça (Rm 12, 19). "Justo castigo — disse Santo Agostinho — para aquele que não quis salvar-se quando pôde; agora, quando quer, não o pode" [6]. Dirá todavia alguém: Quem sabe? talvez nesse momento me converta e me salve. Mas quem é tão néscio e se lança num poço dizendo: Quem sabe? atirando-me, talvez fique com vida e não morra? Ó meu Deus, que é isto? Quanto o pecado cega o espírito e faz perder até a razão! Quando se trata do corpo, os homens falam como sábios, e como loucos, quando se trata da alma.

Meu irmão, quem sabe se esta reflexão que lês será o último aviso que Deus te envia? Preparemo-nos sem demora para a morte, a fim de que não nos encontre de improviso. Santo Agostinho disse que o Senhor nos oculta a última hora da vida com o fim de que todos os dias estejamos preparados para morrer: Latet ultimus dies, ut observentur omnes dies [7]. São Paulo nos previne que devemos procurar a salvação não só temendo mas tremendo: Cum metu et tremore vestram salutem operamini (Fl 2, 12). Conta Santo Antonino que certo rei da Sicília, para manifestar a um particular o grande medo com que se sentava no trono, o fez sentar à mesa com uma espada suspensa sobre sua cabeça por um fio delgado, de sorte que o convidado, vendo-se nessa terrível situação, mal podia levar à boca uma migalha de alimento. Todos estamos em semelhante perigo, já que dum instante para outro pode cair sobre nós a espada da morte, resolvendo o negócio da eterna salvação [8].

Trata-se da eternidade. "Se a árvore cair para o norte ou para o sul, em qualquer lugar onde cair aí ficará" (Ecle 11,3). Se na morte nos acharmos na graça de Deus, qual não será a alegria da alma vendo que tudo está seguro, que já não pode perder a Deus e que, para sempre, será feliz? Mas, se a morte surpreende a alma em estado de pecado, que desespero se apoderará do pecador ao dizer: "Então erramos" (Sb 5, 6), e para minha desgraça já não há remédio em toda a eternidade! Foi este receio que fez exclamar o bem-aventurado João de Ávila, apóstolo da Espanha, quando lhe anunciaram a aproximação da morte: "Oh! se tivesse um pouco mais de tempo para me preparar para a morte!" [9]. Foi por isso que o abade Agatão, ainda que morresse depois de haver exercido a penitência durante muitos anos, dizia: "Que será de mim? Quem conhece os juízos de Deus?" [10] Também Santo Arsênio tremia à vista da morte e, perguntando-lhe os seus discípulos a causa, respondeu: "Meus filhos, já não é novo em mim esse temor: tive-o sempre, em toda a minha vida" [11]. Mais que ninguém tremia o Santo Jó, dizendo: "Que será de mim quando Deus se levanta para me julgar, e que lhe direi se me interrogar? ( 31, 14).

Afetos e súplicas

Ó meu Deus! Quem me tem amado mais do que vós? E quem vos desprezou e ofendeu mais do que eu? Ó sangue, ó chagas de Cristo, sois minha esperança! Pai Eterno, não olheis meus pecados. Fitai as chagas de Jesus Cristo; contemplai vosso Filho muito amado, que morre de dor por mim e vos implora que me perdoeis. Pesa-me do íntimo de minha alma, meu Criador, de vos ter ofendido. Criastes-me para que vos ame, e vivi como se me tivésseis criado para vos ofender. Pelo amor de Jesus Cristo, perdoai-me e dai-me a graça do vosso amor.

Se outrora resisti à vossa santa vontade, agora já não quero resistir, mas fazer tudo o que me ordenais. Ordenais que deteste os ultrajes que voz fiz: detesto-os de todo o coração. Ordenais que me resolva a não vos tornar a ofender; pois bem, faço o firme propósito de antes perder mil vezes a vida do que a vossa graça. Ordenais que vos ame de todo o coração; pois bem, de todo o coração vos amo e a nada quero amar senão a vós. De hoje em diante, sereis o único amado de minha alma, o meu único amor. Peço-vos o dom da perseverança, e de vós o espero obter. Pelo amor de Jesus Cristo, fazei com que vos seja sempre fiel e possa dizer com São Boaventura: "Um só é meu amado; um só é meu amor". Não quero que minha vida sirva para vos desagradar, senão para chorar as ofensas que vos fiz e para vos amar muito.

Ó Maria, minha Mãe, intercedei por todos os que a vós se recomendam e rogai também a Jesus por mim!

Referências

  1. Essa citação, atribuída por Santo Afonso a um autor antigo de pseudônimo "Idiota", encontra-se ipsis litteris em um opúsculo de autor incerto intitulado De excellentia SS. Sacramenti et de dignitate sacerdotum, "Sobre a excelência do Santíssimo Sacramento e a dignidade dos sacerdotes" (PL 184, 991).
  2. Moralia in Iob, l. 12, c. 38, n. 43 (PL 75, 1006).
  3. Meditationes piissimae de cogn. hum. conditionis, c. 3, n. 10 (PL 184, 491).
  4. Sermo 22, c. 3, n. 3 (PL 38, 150).
  5. Cf. Confessiones, l. 8, c. 12, n. 28 (PL 32, 762); Possidius, Vita S. Augustini, c. 27 (PL 32, 57).
  6. De libero arbitrio, l. 3, c. 18, n. 52 (PL 32, 1296).
  7. Sermo 39, c. 1, n. 1 (PL 38, 241).
  8. Summa theol., pars IV, tit. 14, c. 8, par. 3 (IV, Veronae 1740, col. 818).
  9. Mugnos L., Vita dell'apostolico predicatore il P. M.o Giovanni d'Avila, l. 3, c. 23 (Milano 1667, 400-401).
  10. Cf. Vitae Patrum, l. 3, n. 161 (PL 73, 793).
  11. Cf. Vitae Patrum, l. 3, n. 163 (PL 73, 794).

| Categoria: Cursos

As raízes do método histórico-crítico

Desde quando a teologia deixou de servir a Deus para se render a interesses políticos?

"Politizando a Bíblia" ( Politicizing the Bible) é o sugestivo título de um livro do teólogo americano Scott Hahn, famoso por sua conversão do protestantismo à Igreja Católica. Neste estudo, o autor faz revelações surpreendentes sobre os bastidores do "método histórico-crítico" de ler e interpretar as Sagradas Escrituras.

Essa obra também foi selecionada pelo Padre Paulo Ricardo para dar sequência aos estudos de nosso curso "Aprenda a ler a Bíblia". Quão isento e objetivo é, afinal, esse método largamente adotado nas universidades e praticamente inconteste entre os teólogos modernos? Desde quando a teologia deixou de servir a Deus para se render a interesses políticos?

Venha conhecer conosco "as raízes do método histórico-crítico" e a secularização por que passaram nos últimos tempos as Escrituras Sagradas!

Para assistir às aulas 10 e 11 de nosso curso bíblico, no decorrer das quais Padre Paulo introduz o tema em questão e apresenta o pensamento de Marsílio de Pádua, acesse a página de nosso curso e comece já os seus estudos!

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| Categoria: Sociedade

Jesus Cristo é entronizado como Rei da Polônia

Ato solene foi celebrado pelos bispos no Santuário da Divina Misericórdia, em Cracóvia, e contou com a presença do presidente da Polônia, Andrzej Duda.

Em cerimônia realizada no Santuário da Divina Misericórdia, em Cracóvia, os bispos católicos da Polônia fizeram, na presença do presidente do país e de inúmeros peregrinos, a entronização de Jesus Cristo como Rei da Polônia. O ato público aconteceu durante a Missa do último sábado, dia 19 de novembro, e reuniu do lado de fora do templo cerca de 6 mil fiéis. O mesmo rito foi repetido no dia seguinte, domingo, em catedrais e paróquias de toda a Polônia.

Não é a primeira vez que os bispos poloneses proclamam oficialmente o reinado de Nosso Senhor em seu país. As últimas cerimônias aconteceram em Jasna Góra, em 1997, e em Łagiewniki, no ano 2000. Que um rito solene como esse conte com a participação de um chefe de Estado, no entanto, é um fato inédito para a Polônia. O presidente Andrzej Duda, católico convicto, participou de toda a Missa acompanhado por sua mãe e por alguns ministros de seu governo.

Foto: Eliza Bartkiewicz/episkopat.pl

"A razão providencial e mais próxima para esse ato deve ser encontrada nas revelações supostamente recebidas pela serva de Deus Rozalia Celakówna", explica o padre Paul McDonald. "De acordo com ela, o Senhor pediu para ser devidamente entronizado como Rei da nação polonesa, de um modo especial e não apenas nos corações dos poloneses. Isso salvaria a Polônia da próxima guerra que viria".

À parte essa revelação privada, no entanto, também o Magistério da Igreja tem um ensinamento bem claro a respeito da soberania de Cristo sobre os povos. Uma das manifestações mais importantes nesse sentido é a Carta Encíclica Quas Primas, escrita pelo Papa Pio XI e publicada em 11 de dezembro de 1925. Nela é possível ler frases como as seguintes:

" Não recusem os chefes das nações prestar testemunho público de reverência e de obediência ao império de Cristo junto com seus povos, se quiserem, com a incolumidade do seu poder, o incremento e o progresso da pátria."

" Se os homens, pública e privadamente, reconhecem o poder soberano de Cristo, necessariamente virão benefícios incríveis à inteira sociedade humana, como liberdade justa, tranquilidade e disciplina, paz e concórdia. A dignidade régia de nosso Senhor, como de alguma maneira torna sagrada a autoridade humana dos príncipes e dos chefes de Estado, assim enobrece os deveres dos cidadãos e a sua obediência."

"O dever de venerar publicamente Cristo e de lhe obedecer diz respeito não somente aos particulares, mas também aos magistrados e governantes."

Isso significa dizer que Nosso Senhor deve reinar sobre os corações, mas também sobre toda a sociedade. Se somos realmente diferentes dos animais; se possuímos de fato uma alma, para além de nosso organismo físico, rejeitar publicamente a religião significaria deformar a própria natureza humana, chamada que é a amar a Deus com todo o seu ser, tanto individualmente quanto em conjunto. A mídia e a classe intelectual vêem com maus olhos ações desse tipo porque já foram contaminadas pelo vírus do "laicismo". Esquecidas do verdadeiro significado da expressão "Estado laico" — que consiste na justa e sadia separação entre a esfera civil e a espiritual —, o que elas querem, na verdade, é um "Estado ateu", que não faça menção alguma do nome de Deus, desprezando com isso a própria razão, e ignore completamente a religião de seus súditos, transformando-se assim numa verdadeira tirania.

De fato, as tragédias do século XX — que Papas como Pio XI fizeram questão de denunciar — mostram que o silêncio a respeito do Criador conduz fatalmente à divinização das criaturas, àquilo que os antigos chamavam de "idolatria". Não é que as pessoas deixem de acreditar em Deus; o que elas fazem é substituir o verdadeiro por deuses falsos: o Estado, o dinheiro, o sexo, a fama etc.

Considerando tudo isso, reconhecer Cristo como Rei significa, ao mesmo tempo, um grande "não", especialmente por parte das autoridades civis. Com isso, elas estão declarando: "Não, não vamos tomar o lugar de Deus"; "Não vamos aprovar leis que contrariem a realidade das coisas, tal como foram criadas por Deus"; " Não vamos construir outra Torre de Babel com os nossos atos de governo"; "Não vamos incentivar a destruição da natureza humana leis iníquas". Para o bem de todos os homens, portanto, que se repita em muitos outros lugares, em todo o mundo!, essa consagração realizada na Polônia. E que viva Cristo Rey!

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

| Categorias: Sociedade, Fé e Razão

A Torre de Babel e o desejo de tomar o lugar de Deus

Ao brincar de Deus tomando decisões de dar e tirar a vida, de recriar a identidade de alguém pela teoria de gênero e de redefinir o matrimônio, o mundo moderno tem pecado gravemente contra Deus Criador.

Por Maria Cintorino — A história tem o hábito de repetir a si mesma. Não importa o quão avançado se torne o homem moderno, o mundo ainda parece cometer os mesmos erros do passado e deixar-se enganar pelas mesmas mentiras. Uma delas é a noção de que o homem pode tomar o lugar de Deus [1], esforço que não é estranho ao ser humano. Foi com sucesso, afinal, que a serpente convenceu Adão e Eva de que, comendo do fruto da árvore proibida, eles seriam "como Deus, conhecedores do bem e do mal" (Gn 3, 5). Desde o momento da queda, a serpente repete a sua mentira geração após geração.

Ela plantou esse desejo de tomar o lugar de Deus, por exemplo, nos corações dos povos sumérios, a mais antiga civilização de que se tem notícia. Para satisfazer esse desejo, eles pretenderam edificar uma torre tão alta que atingiria os céus. Embora também a quisessem construir como símbolo de sua unidade, os sumérios revelaram o verdadeiro propósito de começarem a construção da Torre de Babel, proclamando: "Façamos para nós uma cidade e uma torre que chegue até o céu. Assim nos faremos um nome. Do contrário, seremos dispersados por toda a superfície da terra" (Gn 11, 4). Suas palavras imitam aquelas com as quais Deus criou o homem: "Façamo-lo à nossa imagem e segundo nossa semelhança" (Gn 1, 26). Assim, ao construírem a Torre de Babel, os sumérios tentavam parodiar o ato criador de Deus.

Sua ambição e orgulho, porém, deram em nada. Deus, conhecendo as intenções de seus corações, percebeu que a construção da torre refletia o desejo dos homens de tomarem o lugar dEle. Se desse certo, Deus sabia que sua ambição só aumentaria, já que nada os impediria de fazer o que se propusessem (cf. Gn 11, 7). Por isso, a fim de castigá-los por seu pecado, Ele desce dos céus e confunde as línguas do povo. Ao invés de conseguir a unidade e a honra a que aspiravam, o povo da Suméria não consegue mais entender a si mesmo. A construção da torre chega a um fim abrupto devido à desordem e à confusão, e os seres humanos terminam se espalhando por toda a terra (cf. Gn 11, 9). A torre com que se pretendia representar a unidade e o poder dos sumérios acabou se tornando símbolo de desunião e fracasso.

A mentalidade dos sumérios reflete a da sociedade de hoje. O homem moderno, como aqueles que construíram a Torre de Babel, procura tomar o lugar de Deus, por exemplo, quando O elimina da vida pública e abandona a "fé no Criador" e a "escuta da linguagem da criação", como ensinava o Papa emérito Bento XVI. "O homem pretende fazer-se sozinho e dispor sempre e exclusivamente sozinho o que lhe diz respeito". As eventuais consequências dessas ações levam-no à autodestruição.

Quando o ser humano se coloca como "criador", ele faz com que qualquer coisa, moral ou imoral, se torne permissível. Deixando de guiar-se pela lei natural, ele cria leis que contradizem o seu próprio bem e que tratam o seu próximo como um objeto descartável. A vida de uma criança por nascer, vista não mais como uma bênção, torna-se uma inconveniência para muitos. A sua própria existência depende de uma decisão se ele deve ou não viver ou morrer. Os enfermos e os mais velhos se tornaram descartáveis, já que a sociedade tem o "direito" de legalmente mascarar o homicídio praticando a eutanásia de seus entes queridos a fim de poupar-lhes mais dor e sofrimento. Não fosse o suficiente, em alguns lugares, o suicídio assistido por médicos agora também proporciona o falso conforto de ter os membros de sua família "morrendo com dignidade".

Mas o homem moderno não se contenta em ditar a Deus quando e como a vida deve entrar e sair do mundo. Ele também "instrui o Criador" sobre a própria natureza do homem. Não mais denominada simplesmente como "masculina" e "feminina", a humanidade agora pode escolher entre 63 gêneros para se identificar a si mesma. A natureza básica fundamental do homem e da mulher que Deus criou e planejou para cada pessoa agora se torna resultado de uma escolha pessoal. Disfarçada de "autodescoberta", a crise de gênero tenta recriar o homem, lançando fora a identidade fundamental de toda e cada pessoa, que é "ser criatura e, pela graça, filho de Deus, herdeiro da vida eterna". Quando o homem compromete sua própria natureza, ele põe em perigo sua identidade e a própria imagem que Deus criou para que ele fosse.

Com isso, é minada a sacralidade da família, que é o núcleo da sociedade. A promulgação e a aceitação geral das uniões homossexuais destroem tudo o que é verdadeiro, bom e belo na pessoa humana e na família. O matrimônio de acordo com a ordem natural tem como fins próprios tanto o bem do casal quanto o bem da existência, porque o amor e a vida estão intrinsecamente unidos. Ao reconhecer as uniões homossexuais, o ser humano rejeita Deus como autor do matrimônio e repudia o casamento tanto natural quanto sobrenaturalmente.

O resultado só gera cada vez mais confusão e desordem. Esquecido de sua identidade, o ser humano acredita piamente que nada é impossível para ele atingir ou recriar. Em seu encontro com os bispos poloneses na última Jornada Mundial da Juventude, o Papa Francisco mencionou uma conversa privada que teve com o Papa emérito Bento XVI, na qual ele disse: "Santidade, esta é a época do pecado contra Deus Criador". Francisco continua: "É inteligente! Deus criou o homem e a mulher; Deus criou o mundo assim, assim e assim; e nós estamos a fazer o contrário". Ainda que essa referência tenha sido feita especificamente em relação à crise de gênero, ela soa verdadeira para todas as formas pelas quais os membros da sociedade perdem sua identidade como criaturas feitas à imagem e semelhança de Deus e, consequentemente, tentam agir como Deus. Os resultados dessas ações levam, como adverte o Papa Bento, à "autodestruição do homem e portanto [a] uma destruição da própria obra de Deus".

Ao brincar de Deus tomando decisões de dar e tirar a vida, de recriar a identidade de alguém pela teoria de gênero e de redefinir o matrimônio, o mundo moderno tem pecado gravemente contra Deus Criador. O ser humano tem distorcido a própria natureza com que foi criado. O Papa Francisco diz com propriedade que "estamos a viver um momento de aniquilação do homem como imagem de Deus". Ao tentar ser como Deus, o homem esqueceu quem é e perdeu a própria dignidade que recebeu em virtude da imagem e semelhança com que foi criado. Em vez de enxergar o mundo e a si mesmo como um belo mistério com o qual se maravilhar — mistério que aponta para a grandeza e a sabedoria de Deus —, o ser humano põe a paciência de Deus à prova, ultrapassando os limites de sua soberania sobre a terra, a qual lhe foi dada no Jardim do Éden. Sua busca por emancipar-se de Deus Criador só termina em sua própria destruição.

É verdade, a humanidade não aprendeu com os seus erros ao longo dos anos. O homem moderno continua tentando recriar a si mesmo e o mundo à sua volta, continua a dar ouvidos às mentiras da serpente. Com isso, ele não se torna nem um pouco diferente dos sumérios que pensavam, também eles, serem capazes de tomar o lugar de Deus, construindo uma torre para atingir os céus.

Fonte: Crisis Magazine | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

Notas e referências

  1. O original inglês usa a expressão "be like God". Embora no Gênesis a frase com que são tentados nossos primeiros pais seja exatamente esta: "Sereis como deuses" (3, 5), no texto demos preferência várias vezes à expressão "tomar o lugar de Deus". A intenção é deixar claro aos leitores que nem todo desejo de "ser como Deus" é pecaminoso, conforme explicação cristalina de Santo Tomás de Aquino.

| Categoria: Santos & Mártires

O primeiro corpo incorrupto da história da Igreja

Foi no século II que viveu a primeira santa a experimentar o fenômeno da incorruptibilidade. Conheça a história de Santa Cecília e saiba como seu corpo foi encontrado preservado ainda no século XVI.

Por Joan Carroll Cruz — A história indica que a primeira santa a experimentar o fenômeno da incorruptibilidade foi Santa Cecília, a padroeira dos músicos. O ano de seu nascimento é desconhecido, mas acredita-se que ela tenha morrido por volta do ano 177 depois de Cristo.

Cecília pertencia a uma rica e distinta família romana, que, apesar do desejo da menina de permanecer virgem, ofereceu a sua mão em casamento a um jovem nobre chamado Valeriano. Na noite de núpcias, Cecília conseguiu convencer o seu esposo a respeitar o seu voto de virgindade e, depois, converteu-o à fé, quando ele foi favorecido com uma visão do seu anjo da guarda. Valeriano e o seu irmão, Tibúrcio, também convertido por ela, foram perseguidos e instados a renunciarem à religião cristã. Como ambos heroicamente se recusassem a fazê-lo, foram decapitados e enterrados ao longo da Via Ápia. Cecília foi presa por ter sepultado os seus corpos e, por esse "crime", teve que escolher entre sacrificar aos deuses pagãos e enfrentar a morte. Ela prontamente afirmou a sua fé e preferiu o caminho do martírio.

Por causa de sua nobreza e juventude, os seus algozes decidiram executá-la em segredo, para evitarem as previsíveis críticas do povo. Cecília foi presa no banheiro de sua casa para morrer por asfixia pelos vapores d'água. Ela permaneceu um dia e uma noite inteiros nesse ambiente sufocante, sem que lhe acontecesse qualquer mal.

Um executor experiente, então, foi enviado para decepar-lhe a cabeça, mas, devido à falta de coragem em matar uma mulher tão jovem e bela, ele não conseguiu cortar a sua cabeça com os três golpes prescritos pela lei. O carrasco acabou fugindo, deixando a santa no pavimento de seu banheiro, viva e totalmente consciente, com a cabeça cortada pela metade. Deitada para o lado direito, com as mãos cruzadas em oração, ela voltou a sua cabeça para o chão e continuou rezando na mesma postura por três dias e três noites. A posição dos seus dedos, três estendidos na mão direita e um na esquerda, foram a sua última e silenciosa profissão de fé na Santíssima Trindade.

Os primeiros cristãos vestiram o corpo da mártir com uma rica túnica de seda e de ouro e colocaram-no em um caixão de cipreste na mesma posição em que ela expirou. Aos seus pés foram colocados os mantos e panos de linho usados para coletar o seu sangue. Ela foi sepultada nas Catacumbas de São Calisto por um bispo de nome Urbano, que também tinha batizado o seu marido e o seu cunhado.

No ano 822, durante o período de restauração da igreja dedicada à sua memória, o Papa Pascoal I quis transferir os restos da santa a um lugar de honra em sua catedral, mas não conseguia localizar o seu túmulo. A santa apareceu-lhe em uma visão extraordinária enquanto ele rezava e contou-lhe o lugar em que estava o seu corpo. A relíquia foi encontrada exatamente no lugar indicado. O Papa, então, colocou o corpo, junto com os ossos do seu marido, do seu cunhado e do mártir Máximo, logo abaixo do altar do templo.

Setecentos e setenta e sete anos depois, em 1599, ocorreu uma das mais documentadas exumações do corpo de um santo, quando o Cardeal Paolo Emilio Sfondrati, amigo de São Filipe Néri, ordenou a restauração de algumas partes da basílica. No dia 20 de outubro daquele ano, enquanto se trabalhava embaixo e perto do altar-mor, dois sarcófagos de mármore branco foram descobertos: eles correspondiam à descrição deixada por Pascoal I das urnas que continham as relíquias dos santos mártires. O Cardeal mandou que se abrisse o sarcófago na presença de testemunhas de inquestionável integridade. Depois que a cobertura de mármore foi removida, o caixão original de cipreste foi encontrado em ótimo estado de conservação. O prelado, com compreensível emoção, levantou a tampa, deixando à vista o tesouro que havia sido guardado pelos papas Urbano e Pascal. Os restos mortais foram encontrados na mesma posição em que a santa tinha morrido, quase 1500 anos antes. Através de um manto de seda que modestamente cobria o seu corpo, era possível ver o vestido dourado da santa, a ferida mortal no seu pescoço e as roupas manchadas de sangue. O Papa Clemente VIII foi imediatamente informado da descoberta e enviou o Cardeal Barônio para examinar o caso, juntamente com Antonio Bosio, explorador das catacumbas de Roma, que nos deixaram inestimáveis documentos descrevendo essa exumação.

Olhando através do velho manto que cobria o seu corpo, eles notaram que Cecília era de baixa estatura, e que a sua cabeça estava voltada para baixo, mas, devido a uma "santa reverência", não fizeram mais nenhuma examinação. Bosio registrou a sua opinião de que a santa foi encontrada na mesma posição em que havia expirado [1].

O Cardeal Sfondrato quis guardar como memorial desse tocante evento um pedaço do tecido coberto de sangue, e distribuiu pequenas relíquias a vários cardeais em Roma. Mas após inspecionar o último pedaço, que ele tinha reservado para si, o prelado descobriu grudado ao tecido um pequeno fragmento do osso da santa, que tinha sido deslocado pela espada e que um cristão primitivo tinha colhido sem perceber enquanto estancava a ferida da santa mártir. Sfondrato preservou essa relíquia como um querido e inestimável tesouro e colocou-a junto dos crânios de São Valeriano, São Tibúrcio e São Máximo, em relicários separados para exposição [2].

O Cardeal também quis reter um pequeno pedaço do vestido da santa e, enquanto o segurava, sentiu debaixo das roupas da virgem as cordas e nós de uma camisa que ela provavelmente usava como cilício [3].

A urna da santa foi colocada em uma sala situada na parte de cima da nave da basílica, onde podia ser vista através de uma janela com grades. A plataforma e a urna foram cobertas com cortinas de seda douradas, e a sala foi esplendidamente decorada com candelabros, belas lamparinas e flores de prata e ouro. Depois, o santuário foi inundado de um misterioso e agradável odor de rosas que procedia do caixão [4].

Por ordem do Papa Clemente VIII, a relíquia foi deixada exposta ali até a festa de Santa Cecília, no dia 22 de novembro, e tão grande era a multidão de fiéis romanos que acorreram à basílica que a Guarda Suíça foi chamada ao local para manter a ordem [5].

Após o período de um mês de exposição, a relíquia, ainda repousando no antigo caixão de cipreste, foi colocada em um novo caixão de prata, comissionado pelo próprio Papa como símbolo de sua veneração pela santa mártir. Na presença de 42 cardeais e representantes diplomáticos de vários países, o Papa celebrou uma Missa Solene durante a qual o corpo da santa foi novamente depositado sob o altar principal.

Um escultor de talento incomum, Stefano Maderno (1576-1636), que parecia empenhado em desempenhar o seu ofício durante a restauração da basílica, esculpiu uma imagem da santa, que é reputada como uma das mais celebradas e conhecidas obras de arte da Itália. Acredita-se que Maderno tenha representado a santa na exata posição em que permaneceu o seu corpo incorrupto. Essa estátua é encontrada imediatamente em frente ao altar-mor em um nicho de mármore preto, que foi designado pelo artista para dar a impressão de um sarcófago aberto. Fazendo isso, Maderno introduziu um novo design de altar, que foi frequentemente imitado depois [6].

Acredita-se que a Basílica de Santa Cecília tenha sido construída no local em que estava a mansão de sua família. A segunda capela, na nave lateral à direita, é chamada de caldário (caldarium, em latim) e é o quarto onde a santa foi condenada à morte. Aí são encontrados os restos de uma antiga banheira romana; os dutos, que continham a água aquecida, estão preservados. A peça de mármore sobre o altar é aquela em que se acredita que Cecília tenha sobrevivido ao primeiro martírio por asfixia, e pode muito bem ser a laje que marcou o lugar de sua morte.

Por Joan Carroll Cruz | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere
CRUZ, Joan Carroll. The Incorruptibles. Charlotte: TAN Books, 2012, pp. 1-4.

Referências

  1. Ludwig von Pastor, The History of the Popes — Drawn from the Secret Archives of the Vatican and other Original Sources, v. XXIV. Londres: Kegan, Paul, Trench, Trubner & Co., 1933, p. 521.
  2. Ibid., p. 522.
  3. Prosper Guéranger, Life of Saint Cecilia, Virgin and Martyr. Filadélfia: Peter F. Cunningham, 1866, p. 283.
  4. Ibid., p. 284.
  5. Pastor, op. cit., p. 523.
  6. Ibid., p. 525.

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Cidade retomada por cristãos no Iraque ficou dois anos sem Missa

“Depois de dois anos e três meses de exílio, celebramos a Eucaristia na Catedral que os jihadistas quiseram destruir”, disse com satisfação o arcebispo sírio-católico de Mossul.

A notícia está perto de completar um mês, mas, mesmo assim, vale a pena deixar registrado que os sinos de uma igreja católica voltaram a repicar na cidade iraquiana de Qaraqosh, retomada das mãos do Estado Islâmico na segunda metade de outubro. Para se ter uma ideia da importância dessa conquista, é preciso considerar a proximidade entre Qaraqosh e Mossul, separadas por pouco mais de 30 quilômetros de distância — Mossul que, como se sabe, é considerada até o momento a "capital" dos jihadistas no Iraque.

Nesta que é a segunda maior cidade do país, não restou praticamente nenhuma família cristã. Em 2014, os muros de suas casas foram pichados com uma letra do alfabeto árabe, equivalente ao nosso "n", em referência a Jesus, o Nazareno. Aos seus proprietários três opções eram oferecidas: converter-se ao islamismo, pagar um imposto religioso ou morrer pelo fio da espada. A maioria arriscou o exílio.

No dia 30 de outubro, no entanto, os cristãos que ainda restam na região celebraram uma verdadeira vitória em Qaraqosh: a de rezar, em meio a paredes queimadas e um altar em ruínas, o santo sacrifício da Missa. A catedral em que os fiéis se reuniram é dedicada à Imaculada Conceição e a liturgia dominical foi presidida pelo arcebispo sírio-católico de Mossul, Yohanna Petros Mouche. "Depois de dois anos e três meses de exílio, celebramos a Eucaristia na Catedral que os jihadistas quiseram destruir", afirmou o prelado, em verdadeira ação de graças.

As fotos tiradas na ocasião já circularam por toda a Internet e dispensam comentários. De qualquer modo, uma breve reflexão se faz necessária. Ao vermos com que alegria esses homens celebram a santa liturgia, arriscando para isso as suas próprias vidas, é inevitável pensarmos na falta de consideração, no desleixo e na preguiça com que tantas vezes tratamos o mistério eucarístico em nossas vidas. Enquanto a fé cristã se tornou, no Oriente Médio, questão de vida ou morte, o Ocidente está paralisado pela incredulidade, pelo afastamento de Deus, pela inércia. Temos tempo para tudo, menos para participarmos da Santa Missa; tempo para todo tipo de lazeres, menos para rezar. E ainda queremos arranjar desculpas para a nossa falta de compromisso!

É duro dizer isto, mas felizes são os cristãos do Iraque e da Síria! Sim, verdadeiramente bem-aventurados são eles (cf. Mt 5, 4. 10), porque, embora muitas de suas igrejas estejam em ruínas, suas almas estão em Deus, Aquele que constitui o único tesouro que devemos preocupar-nos em acumular. Enquanto isso, nossos templos, que parecem intactos, conservam de pé apenas a sua fachada, tal como a Basílica de São Bento em Núrsia, na Itália, recentemente atingida por um forte terremoto. Grande sinal é a ruína dessa igreja, devastada não por artifícios humanos, mas pelas mãos do próprio Deus — Ele que fala pelos acontecimentos da história e que realmente castiga, porque nos ama e deseja a nossa conversão. Oxalá ouvíssemos hoje a sua voz (cf. Sl 94, 8) e transformássemos os nossos corações em verdadeiros templos onde habitam a Santíssima Trindade!

Por Equipe Christo Nihil Praeponere