| Categoria: Espiritualidade

As lágrimas da Corredentora

Neste dia em que lembramos as aparições de Nossa Senhora em La Salette, recordemos também as lágrimas que derramou a Virgem das Dores enquanto pendia na Cruz o seu Filho muito amado.

Neste dia em que lembramos as aparições de Nossa Senhora em La Salette, recordemos também as lágrimas que derramou a Virgem das Dores " dum pendebat Filius", enquanto pendia na Cruz o seu Filho muito amado.

Ali, no madeiro bendito de que nos veio a salvação, duas almas santas se uniam em sacrifício: enquanto a carne de Cristo sofria a paixão, sua mãe padecia de compaixão; enquanto Jesus derramava propiciamente o seu sangue, Maria Santíssima deitava as suas lágrimas, chorando tudo o que nossa indiferença e dureza de coração nos tornam incapazes de chorar.

Ouçamos com atenção esta homilia do Padre Paulo Ricardo, proferida no último dia 15 de setembro, na Paróquia Cristo Rei, em Várzea Grande (MT), e aprendamos com a santíssima Mãe das Dores a chorar os nossos crimes, que tanto têm ofendido o coração de seu divino Filho.

Para fazer download deste áudio, clique aqui.

| Categoria: Avisos

Morre aos 91 anos o Padre Gabriele Amorth

Rezemos pelo descanso eterno dessa alma sacerdotal que tanto bem fez à Igreja com sua vida, com seu ministério e com sua doutrina.

Morreu hoje, aos 91 anos de idade, o Padre Gabriele Amorth, sacerdote da Pia Sociedade de São Paulo e um dos exorcistas mais famosos do mundo, que exercia o seu ministério na Diocese de Roma.

O sacerdote faleceu depois de ficar algumas semanas internado, devido a complicações pulmonares, no hospital da Fondazione Santa Lucia, em Roma. A notícia vem da editora italiana San Paolo, com a qual o religioso publicou numerosos livros.

Várias obras de sua autoria foram traduzidas também para o português, como "O Último Exorcista" e "O Sinal do Exorcista", da editora Ecclesiae, e "Exorcistas e Psiquiatras" e "Novos Relatos de um Exorcista", da editora Palavra e Prece.

Rezemos pelo descanso eterno dessa alma sacerdotal que tanto bem fez à Igreja com sua vida, com seu ministério e com sua doutrina. Todos os que passarem por estas linhas, ofereçam a Deus conosco uma Ave-Maria:

Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.

Requiem aeternam dona ei, Domine, et lux perpetua luceat ei. Requiescat in pace. Amen.
Dai-lhe, Senhor, o descanso eterno. E a luz perpétua o ilumine. Descanse em paz. Amém.

Com informações de ANSA.it | Por Equipe Christo Nihil Praeponere

| Categoria: Espiritualidade

Por que o silêncio é tão importante?

Todos os grandes santos, místicos e doutores espirituais observavam e recomendavam o silêncio como um meio seguro para a santidade. Mas por quê? O que há de tão especial na prática do silêncio?

Silêncio. Trata-se de uma palavra ao mesmo tempo atrativa e aterrorizante, capaz de sugerir, de um lado, paz e recolhimento, e de outro, medo e solidão.

Ainda que alguns considerem atrativa a ideia do silêncio, a verdade é que a maioria de nós não se dá muito bem com o recolhimento absoluto. Você já experimentou sentar-se sozinho em um cômodo só para ouvir sons nos quais nunca tinha reparado antes? O tique-taque do relógio. O barulho do ar se movendo pela tubulação. O som da geladeira ligada. Um cortador de grama trabalhando a distância. Tudo junto parece formar um quadro até mesmo um pouco irritante.

Mas talvez o que mais nos amedronte no silêncio é o fato de termos que ficar sozinhos com nossos próprios pensamentos. Ao nos recolhermos de verdade, passamos a ouvir o movimento agitado de pensamentos invadindo as nossas mentes. Nossas ansiedades e aspirações mais profundas, as questões dolorosas e situações difíceis que enfrentamos, tudo parece vir como que borbulhando para a superfície de nossa consciência, deixando-nos desconfortados.

Nós temos medo desse enfrentamento com o mais íntimo de nosso ser, dessa luta com a complexidade de nossos corações. Por isso, nossa tendência natural é abafar o silêncio com constante barulho. Quando estamos sozinhos no carro, ligamos o rádio. Em casa, deixamos a TV sempre ligada, nem tanto para assistirmos ao que está passando, só para manter uma confortante "trilha sonora" de fundo. Uma pausa no serviço ou a espera numa fila é sempre preenchida com compulsivas olhadelas no celular. Queremos tudo, menos o silêncio.

Todavia, apesar de sua natureza inquietante, são inúmeros os santos que aconselham o silêncio como uma prática necessária e indispensável para crescer na verdadeira santidade.

"No silêncio e no recolhimento progride a alma devota, e aprende os segredos das Escrituras", diz a Imitação de Cristo. "Guarda-te de falar muito", adverte São Doroteu de Gaza, "pois isso faz fugirem os pensamentos devotos e a lembrança de Deus". São Maximiliano Kolbe, por sua vez, declarava: "O silêncio é necessário, absolutamente necessário, na verdade. Onde não há silêncio, falta a graça de Deus". E muitos outros exemplos poderiam ser dados.

Ao longo dos séculos, muitas ordens religiosas colocaram esse conselho em prática, incluindo não poucas prescrições de silêncio em suas regras de vida. Talvez a mais famosa e estrita dessas ordens seja a dos Cartuxos, cuja disciplina de recolhimento é tão famosa que acabou transformada em documentário.

Não resta dúvida, portanto: todos os grandes santos, místicos e doutores espirituais prescreveram o silêncio como um meio seguro para a santidade. Mas por quê? O que há de tão especial no silêncio?

É importante entender que o silêncio, como todos os outros instrumentos da vida espiritual, não é um fim em si mesmo. Trata-se de um meio — um método para vir a conhecer Jesus Cristo. O silêncio é necessário porque nossos intelectos se encontram feridos e debilitados após a Queda. A comunhão com Deus, nosso Criador, acontecia fácil e naturalmente, assim como nos é fácil ver e ouvir. Tínhamos constantemente a consciência da sua presença. Mas o pecado rompeu essa comunhão e prejudicou nossa habilidade de conhecer a Deus no nível mais profundo de nosso ser.

Nosso intelecto débil, uma vez no controle da situação, vive agora uma tempestade caótica de pensamentos, sentimentos e emoções — assim como uma agitada nuvem de mosquitos em uma noite quente de verão. Acalmar essa tempestade espiritual e emocional é incrivelmente difícil, e a única forma de conseguir isso é encarando o problema de frente, coisa que só conseguimos fazer quando nos recolhemos o suficiente para ouvir quão perturbadas nossas almas realmente são. É verdade, isso pode ser assustador, e muitos de nós preferiríamos não fazê-lo — mas isso é absolutamente necessário para nosso progresso espiritual.

Além disso, o silêncio é necessário para escutarmos as moções do Espírito Santo e para recebermos e preservamos a graça. Deus não grita. Ele fala calma e suavemente, como o "murmúrio de uma leve brisa" (cf. 1Rs 19, 12). Os chamados do Espírito Santo jamais serão ouvidos em nossa agitação ou ativismo, mas tão somente na calmaria e no recolhimento do coração.

O silêncio também nos ajuda a preservar as graças que Deus nos manda. Assim como os mergulhadores são cuidadosos e diminuem a velocidade de seus movimentos para não desperdiçarem suas preciosas reservas de oxigênio, almas santas falam com cuidado e prudência, a fim de perservarem seu "reservatório" de graça.

Como praticar o silêncio

Agora, você deve estar se perguntando como é possível para um leigo com trabalho, e talvez até família, praticar a virtude do silêncio. Certamente sua esposa não iria gostar se, ao invés de falar com ela, você começasse a gesticular com mímicas, como se fosse um monge! Mas, ainda que a prática do silêncio para quem vive no mundo seja diferente do modo como a vive um religioso, mesmo assim ela é possível e aconselhável. Aqui vão algumas sugestões práticas.

A primeira forma de praticar o silêncio é fugir de conversas frívolas, já que "no muito falar não faltará o pecado" (Pr 10, 19). Por isso, nunca fale simplesmente por falar. As mídias sociais de modo particular encorajam o desperdício de palavras. Já vi no Facebook pessoas reclamando da cutícula, discutindo seus problemas digestivos e até postando frases enigmáticas para implorar por atenção (algo como "Eu não sei se vou aguentar mais" etc). Se você se sente tentado a começar uma coisa desse tipo, não faça. Use a boca (e os dedos, no caso) apenas quando tiver alguma coisa útil a dizer.

Segundo, o silêncio pode ser praticado freando nossas línguas quando sentimos vontade de reclamar. A reclamação é o oposto da gratidão e da ação de graças, e constitui, na verdade, um pecado. É tão fácil reclamar de uma comida, de uma pessoa rude, ou do mau tempo. Mas será que isso contribui com o bem-estar de alguém? Segure sua língua, a menos que você tenha algo louvável a dizer.

Terceiro, podemos praticar o silêncio evitando compartilhar nossa opinião sobre qualquer assunto. Sempre que alguma crise emerge no cenário nacional ou internacional, parece que todo o mundo, em todo lugar, imediatamente tem de emitir sua opinião infalível sobre o tema em questão. Mas a verdade é que muitos de nós não entendemos tão a fundo assim todos esses acontecimentos, e o mundo não tem necessidade de mais palpites. Seja sábio e guarde sua opinião para si próprio.

Quarto, podemos resistir à compulsão de preencher todo momento vago que surge com algum barulho. Se estiver dirigindo, tente deixar o rádio ou a música desligado. Se está em casa, desligue a TV. Evite ficar inconscientemente conferindo o seu celular enquanto estiver no elevador ou em alguma fila. A vida é repleta de momentos em que podemos ficar em silêncio. Abrace-os.

Finalmente, podemos manter silêncio quando sentimos vontade de criticar os outros. É muito fácil perceber os erros dos outros! Mais fácil ainda é repassar aos outros essas coisas, verdadeiras ou não, destruindo as pessoas e manchando suas reputações só para sentirmos que somos melhores. Manter o silêncio quando temos mania de criticar é difícil, mas também é muito saudável.

"A língua é um fogo, um mundo de iniquidade", diz São Tiago. Ela "está entre os nossos membros e contamina todo o corpo; e sendo inflamada pelo inferno, incendeia o curso da nossa vida" (Tg 3, 6). Palavras têm poder, ainda que sejam ditas em voz baixa, e o que dizemos ecoará para a eternidade. Embora não sejamos monges enclausurados, podemos aprender a praticar o silêncio cada um no estado para o qual Deus o chamou, segurando nossas línguas sabiamente a fim de ouvirmos a voz de Cristo e conhecê-lO melhor.

Fonte: The Catholic Gentleman | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

| Categoria: Avisos

Adiado o programa ao vivo de hoje à noite!

Continua marcado para logo mais, às 21h, o lançamento de “O que é uma família?”, mas agora sem aula ao vivo, porque nosso sacerdote está com a voz rouca.

Inicialmente, o lançamento do curso "O que é uma família?" seria feito durante o programa ao vivo de hoje à noite, quando Padre Paulo Ricardo realizaria uma transmissão especial de direção e aconselhamento às famílias.

Um imprevisto surgiu, no entanto: o padre está com a voz rouca e falar muito, como exige uma aula, só tornaria pior a sua situação. Por isso, nosso programa de hoje foi adiado. Além de contar com a compreensão dos nossos alunos, pedimos a eles, bem como a todos os que nos visitam, que aproveitem essa ocasião para rezar pela saúde de nosso sacerdote.

De qualquer modo, continua marcada para hoje à noite a publicação do primeiro módulo de nosso projeto "Como Ser Família", que contará com as seguintes aulas:

  1. O que é uma família?
  2. Por que o homem tem família?
  3. A Redenção da família
  4. A desconstrução da família: um breve histórico
  5. Família: uma "invenção" burguesa?
  6. Sede de sentido

O lançamento de "O que é uma família?" acontecerá às 21h e essas aulas que publicaremos serão exclusivas para alunos. Faremos a divulgação desse conteúdo nas redes sociais e também na página principal de nosso site. Fique de olho!

Se você não fez ainda a sua inscrição, não perca mais tempo e venha logo ser parte ativa de nossa família!

| Categoria: Como Ser Família

A castidade não é uma repressão?

Para muita gente, ser casto é o mesmo que ser um reprimido ou um “quadrado” moralista que receia dar vazão a seus desejos. No entanto, é justamente a pureza de corpo e alma que nos permite amar com sinceridade e sermos sinceramente amados.

Ainda não é nosso aluno? Então o que está esperando? Inscreva-se agora no nosso site e venha ser família conosco!

É comum ouvir, seja da boca de médicos ou de psicólogos, que a castidade cristã é uma forma quase neurótica de repressão sexual; há quem diga ainda, sem pôr freio à língua, que se trata de algo semelhante à castração. A figura do monge casmurro, que de tanto afogar os próprios desejos vê-se obrigado a lançar-se em espinheiros ou a meter-se em banheiras de água fria, já integra hoje o imaginário algo sombrio que muitas pessoas têm a respeito dessa virtude, por assim dizer, "medieval": a santa pureza.

Os que defendem coisas tais, porém, costumam esquecer-se de que toda pessoa, ao relacionar-se com os demais, busca fundamentalmente amar e ser amada [1]. Com efeito, ao ensinar a seus filhos os caminhos que levam ao Céu e, por isso mesmo, à plena realização do homem, a Igreja Católica sempre fez questão de ressaltar que a castidade, longe de representar certa recusa ou falta de estima pela sexualidade humana [2], é justamente a expressão de uma vida sexual sadia e equilibrada; é, numa palavra, escola de amor.

Escola de amor, porque é por meio da pureza de corpo e coração que o homem, na medida em que vai aprendendo a ter domínio de si mesmo, consegue proteger "o amor dos perigos do egoísmo", estimulado pela ânsia de gozar e usar do outro, "e da agressividade" [3], fruto natural de uma vontade escravizada por suas paixões. Ser casto, nesse sentido, significa ter uma personalidade madura, que sabe relacionar-se com os outros, respeitando-lhes a dignidade e vendo neles "pessoas dignas de veneração enquanto criadas à imagem de Deus e, pela graça, filhos de Deus, novas criaturas em Cristo que 'vos chamou das trevas à sua luz admirável' (1Pd 2, 9)" [4].

Está gostando dessas reflexões? Quer saber mais sobre o que a Igreja ensina de fato sobre a castidade? Então se inscreva agora no nosso site! Tornando-se nosso aluno, você terá a oportunidade de aprender conosco #ComoSerFamília!

Referências

  1. Cf. Pedro Trevijano, Orientación Cristiana de la Sexualidad. Madrid: Voz de Papel, 2009, p. 55.
  2. Cf. João Paulo II, Encíclica "Familiaris Consortio", de 22 nov. 1981, n. 33 (AAS 74 [1982] 122).
  3. Id., ibid.; cf. Catecismo da Igreja Católica, § 2339.
  4. Conselho Pontifício para a Família, Sexualidade Humana: Verdade e Significado, de 8 dez. 1995, n. 17.

| Categoria: Como Ser Família

A partir de que idade meu filho pode namorar?

Numa época em que namoro se tornou sinônimo de “diversão”, as pessoas começam, quase que irrefletidamente, a manter relacionamentos cada vez mais jovens. Mas, afinal, com que idade é razoável permitir que os filhos iniciem um namoro?

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Uma pergunta que muitos pais se fazem diz respeito à idade em que seus filhos podem começar a namorar. Para sanar essa dúvida, é preciso, como de costume, dar um passo atrás e enfrentar um questionamento mais fundamental, mas cuja resposta nem sempre é óbvia para todos. Afinal, qual é a finalidade de um namoro? Se dissermos, seguindo a corrente do mundo, que o propósito último do namoro é divertir-se com outra pessoa, então é óbvio que não haverá problema nenhum que as crianças tenham seus namoricos desde pequenas. É o que defendem, aliás, não poucos pedagogos e psicólogos.

No entanto, a coisa muda de figura se mudarmos também a pergunta. Pois bem, a partir de que idade o meu filho deve começar a preparar-se para o casamento? Nas circunstâncias atuais, é claro que nenhum pai espera que seu filho de dez ou doze anos esteja pensando em casar-se. De fato, o mundo mudou muito de meio século para cá, de sorte que aquelas grandes famílias, em que os casais de mais idade — avós, pais, tios e tias etc. — ajudavam os casais mais novos em suas dificuldades e desafios, praticamente já não existem.

Por isso, assim como é razoável casar-se hoje em dia com certa maturidade e preparo, assim também é importante que os jovens só pensem em relacionar-se quando o casamento passa a ser um objetivo concreto de vida.

Deseja saber mais? Ficou interessado? Então venha refletir conosco! Inscreva-se agora e venha participar do nosso curso especial "Como Ser Família"!

| Categoria: Santos & Mártires

De onde vêm as críticas a Madre Teresa de Calcutá?

De onde vêm as críticas à figura de Madre Teresa de Calcutá, canonizada há poucos dias no Vaticano? Por que uma freira que passou a vida inteira servindo aos mais pobres incomoda algumas pessoas?

Sim, talvez você não soubesse, mas há quem não goste de Madre Teresa de Calcutá, a freira que estava sempre sorridente, sempre servindo aos outros e sempre falando de Deus. Embora tenha falecido há quase 20 anos, a sua figura ainda é uma "pedra no sapato" de muitas pessoas.

Por ocasião de sua canonização, realizada neste domingo pelo Papa Francisco, alguns jornais ao redor do mundo fizeram questão de ressuscitar algumas antigas polêmicas, em uma tentativa patética de desacreditar seja a santidade de Teresa, seja a idoneidade da Igreja, acusada de propor ao culto de seus fiéis personagens controversas ou moralmente duvidosas.

Mas de onde vem, afinal, o burburinho de revolta contra a religiosa de Calcutá?

Ainda que as vozes dissonantes se tenham espalhado por toda a mídia ultimamente, o crítico mais famoso de Madre Teresa já morreu. Seu nome era Christopher Hitchens e ele se encontrava, não por acaso, nas fileiras do chamado "novo ateísmo". Em 1994, três anos antes da morte da religiosa albanesa, esse jornalista produziu um documentário atribuindo-lhe o infamante título de "Anjo do Inferno" (engraçado até, para quem não acredita nem em anjos, nem em inferno).

Quando ela foi beatificada pelo Papa São João Paulo II, ainda em 2003, Hitchens voltou a soltar seus cachorros: "Nós acabamos de presenciar a elevação e consagração do dogmatismo extremista, da fé cega e o culto de uma personalidade humana medíocre", ele dizia. "Ela era uma fanática, uma fundamentalista, e uma fraude, e uma igreja que oficialmente proteja aqueles que violam os inocentes (sic) acaba de nos dar outro claro sinal de onde ela realmente se situa em questões morais e éticas".

As palavras de Hitchens são pesadas, é verdade, mas seria possível, afinal, esperarmos algo diferente de alguém que não acreditava nem em Deus, nem em santidade, nem no conceito cristão de "caridade"? Como esperar que um ateu, descrente na vida eterna, compreendesse uma mulher que se gastou completamente por isso? Como esperar que um materialista, para o qual nada havia além deste mundo, compreendesse o discurso e a obra de uma pessoa que testemunhava diariamente o Céu?

Alguém poderá dizer que essas questões não contemplam a totalidade da crítica de Hitchens. Mas, para o teólogo e escritor americano Thomas D. Williams, que consultou toda a literatura "dedicada a manchar o legado de Madre Teresa":

"Todos os argumentos contra ela, na verdade, podem ser resumidos em duas coisas que, para a esquerda, são absolutamente imperdoáveis: sua firme e intransigente oposição ao aborto e sua espiritualidade abertamente cristã que a fazia entregar-se por seus irmãos. Todas as outras razões apresentadas — que ela prestava uma assistência médica precária, que ocasionalmente se irritava com suas ajudantes, que aceitava doações de personagens moralmente ambíguas — não passam de uma máscara para cobrir essas razões que levam a esquerda ao ponto da histeria."

Trocando em miúdos, a razão por que muitos não gostavam — e ainda não gostam de Madre Teresa — é o fato de ela ser profundamente católica.

Santa Teresa de Calcutá não tinha medo de dizer, por exemplo, que "o maior inimigo da paz hoje é o aborto, porque ele é uma guerra direta, um assassínio direto feito pela própria mãe". A religiosa disse-o uma vez, quando foi premiada com o Nobel da Paz, em 1979, e voltou a falar do assunto em 1994, nos Estados Unidos: "Se nós aceitamos que uma mãe pode matar até mesmo seu próprio filho, como vamos dizer às outras pessoas para que não se matem?", ela perguntava, com destemor, a uma plateia que incluía o casal Bill e Hillary Clinton. "Com o aborto, a mãe não ensina a amar, mas mata inclusive o próprio filho para resolver seus problemas. Qualquer país que aceite o aborto está ensinando seu povo não a amar, mas a usar de qualquer violência para chegar aonde quer."

As palavras incisivas dessa humilde freira sobre o aborto, é preciso dizer, não têm nada de religiosas. Madre Teresa não invoca nenhuma revelação divina ou dogma católico para condenar o aborto e a sua legalização. Para se opor a essa prática, basta o bom senso. Mas, quando boa parte da sociedade está cega e incapaz de compreender os elementos mais básicos da lei natural, denúncias como essa inevitavelmente fazem inimigos. O próprio Hitchens não conseguia disfarçar o seu horror a esse discurso.

Outra coisa que o inquietava a respeito de Madre Teresa era o modo como ela tratava os pobres. Hitchens afirma que ela "não era uma amiga dos pobres, mas da pobreza", porque "dizia que sofrer era um presente de Deus e passou a vida toda se opondo à única cura conhecida para a pobreza (sic), que é o empoderamento das mulheres e a sua emancipação de uma vida inteira de reprodução compulsória".

Nesse ponto, porém, as acusações provêm de outra confusão elementar: congregações religiosas e instituições cristãs de caridade não são ONGs ou entidades meramente seculares; não são o Ministério da Saúde, para sair às ruas distribuindo contraceptivos, muito menos alguma sucursal do Partido Comunista ou da Teologia da Prosperidade, para ficar prometendo riquezas e felicidade neste mundo. As Missionárias da Caridade são católicas e, como tal, são regidas pela lei suprema da Igreja, que é a salvação das almas. Por isso, as irmãs de Madre Teresa não só cuidam de aliviar o sofrimento dos pobres, mas também de ministrar-lhes os sacramentos e ensinar-lhes a se unirem a Cristo crucificado; não só empenham seus esforços em trabalhar, mas principal e soberanamente em rezar; não operam somente tendo em vista o pão terreno, mas buscando em primeiro lugar o Pão do Céu.

Aqui reside, enfim, a razão central de todas as críticas a Madre Teresa de Calcutá. O que incomodava particularmente em sua vida era justamente o seu olhar dirigido ao Céu, quando todos hoje em dia insistem em manter os olhos fixos nas ninharias deste mundo. "Ela aberta e destemidamente invocava o amor de Jesus Cristo como a razão por trás de tudo o que fazia, uma prática repugnante para um mundo completamente desprovido de qualquer piedade religiosa", observa Thomas Williams, em artigo publicado no site Breitbart.

Emblemática nesse sentido é a história do jornalista americano que, desconcertado ao ver Teresa lavando um homem coberto de chagas, disse a ela: "Eu não faria isto nem por um milhão de dólares", ao que ela lhe respondeu: "Nem eu".

Era, afinal, tão somente por amor de Deus que Santa Teresa de Calcutá fazia tudo o que fazia. Se já é difícil que muitos de nós, católicos, hipnotizados que estamos pelos amores das criaturas, compreendamos e aceitemos isso, quanto mais não deve ser difícil, então, para aqueles que andam a esmo e não acreditam em Deus! Como sempre há esperança, porém, para eles e também para nós é que Teresa está no Céu. Que, pela sua intercessão, os que não crêem passem a ter fé, porque "quem não crer será condenado" (Mc 16, 16), e os que já crêem, enfim, passem a amar, uma vez que "a fé sem obras é morta" (Tg 2, 26).

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

| Categoria: Como Ser Família

Como falar de sexo com os meus filhos?

Apesar da vergonha que o assunto costuma suscitar, os pais têm o grave dever de falar com os filhos a respeito de sexualidade e ensinar-lhes que sexo, longe de ser um divertimento, tem a ver principalmente com família e com a nossa capacidade de doação.

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Falar de sexo com os filhos, hoje mais do que noutros tempos, é não somente uma prerrogativa, mas um grave dever dos pais, porque é apenas no ambiente doméstico, em que se resguarda o pudor e o respeito à pureza de cada um, que se encontram as "condições psicológicas e morais para uma educação sadia e eficiente em matéria tão delicada" [1].

Não se trata, porém, de iniciar precocemente as crianças nos mistérios da vida, despertando-lhes imagens e curiosidades malsãs, mas de saber vaciná-las o quanto antes contra o que o mundo e a sociedade atuais, hipnotizados por diversão e prazer fácil, vão querer ensinar-lhes no futuro. Os pais de hoje em dia precisam, pois, vencer a vergonha que este tema naturalmente suscita e, "sem exposição solene nem cerimônias misteriosas" [2], mostrar aos adolescentes que sexo tem a ver, antes e sobretudo, com família.

Sim, com família. Porque é por meio da maturidade física que Deus vai preparando os corações para a maturidade do espírito, para a plena formação da vontade e das forças morais do indivíduo. Entrar na puberdade implica não apenas umas tantas alterações no corpo, mas também uma verdadeira transformação interior; implica, fundamentalmente, entrar na vida adulta, ou seja, tornar-se capaz de viver para o outro, com o espírito de entrega e autodoação que se encarna na figura de um pai ou de uma mãe.

Por isso, os adolescentes têm de compreender que o ato sexual, longe de ser um divertido passatempo, está essencialmente vinculado à capacidade procriativa do homem e, portanto, à sua vocação a ser família, a sair de si mesmo para dar-se sem reservas à esposa ou ao esposo, aos filhos e filhas frutos da união entre os dois. Falar de sexo — ainda mais para nós, católicos — é falar das vidas que Deus confia aos cuidados do pais, a fim de que estes as levem consigo para aquela Vida que nunca há de ter fim.

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Referências

  1. Leonel Franca, "Educação Sexual", in: A Formação da Personalidade (Obras Completas, vol. 15). Rio de Janeiro: Vozes, 1954, p. 34.
  2. Wilhelm Stekel, Estados de Angústia Nervosa e seu Tratamento, Berlim, p. 310, apud Leonel Franca, op. cit., p. 36.