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As vítimas de Boko Haram

Na Nigéria, chega a dois mil o número de mulheres sequestradas pelos fundamentalistas islâmicos.

O Oriente Médio não é a única região do mundo a lidar com o problema do terrorismo. Desde 2009, a Nigéria tem visto a ascensão, principalmente ao norte do seu território, do grupo fundamentalista islâmico Boko Haram. A facção, que também é chamada de "Estado Islâmico da África Ocidental" (ISWAP, em inglês), milita principalmente pelo fim da educação ocidental no país.

"As ideias centrais da seita são a estrita adesão ao Corão e à Hadith (os ditos do Profeta Maomé)" [1]. "A sua meta é criar o reino de Deus na terra através da rígida aplicação da lei islâmica, ou sharia. Qualquer coisa que se ponha no caminho dessa meta deve ser destruído. Para Boko Haram, a violência não é uma perversão do Islã, mas um meio justificável tendo em vista o 'fim puro' que é almejado" [2].

Abu Qaqa, um porta-voz do grupo, explica: "O nosso objetivo é colocar a Nigéria em uma situação difícil e inclusive desestabilizá-la, para substituí-la pela sharia". Ele também afirma que a agenda do grupo é "levar a Nigéria de volta ao período pré-colonial, quando a lei da sharia era praticada".

De 2002, quando foi fundado, até 2009, o grupo era comandado por Mohammed Yusuf. Até então, nenhum incidente violento por parte da facção fora registrado, embora várias autoridades muçulmanas locais já acendessem um alerta para o perigo da seita. Depois de um conflito com o governo nigeriano, em julho de 2009, porém, Yusuf foi morto e os seus seguidores decidiram mudar de estratégia, unindo à militância política a prática de ataques suicidas, sequestros e assassinatos.

Os atentados no país, constantes nos últimos anos, atingem tanto muçulmanos quanto cristãos. O novo líder da facção, Abubakar Shekau, declara abertamente a sua pretensão de " encharcar a terra da Nigéria com o sangue dos cristãos e dos chamados 'muçulmanos' que contradizem o Islã" [3].

Em 2011, durante a Vigília de Natal, 40 católicos foram mortos enquanto saíam da Missa. Os fiéis foram atingidos por duas explosões com carros-bomba.

Os líderes da religião islâmica, por sua vez, são acusadas pelos fundamentalistas de conluio com o governo nigeriano. "De acordo com a retórica do grupo, uma nação secular promove a idolatria, é dizer, a adoração do Estado", explica o estudioso John Campbell. "O compromisso de fidelidade à bandeira e o canto do hino nacional são manifestações de tal idolatria e, por isso, são puníveis com a morte. O Estado é formado e sustentado pelos valores e pela educação ocidentais, e ambos são contrários à vontade de Alá".

Em 2012, após assassinar mais de 180 pessoas na cidade de Kano, a maior da região norte da Nigéria, Abubakar Shekau publicou um vídeo assumindo a autoria do atentado. "Eu gosto de matar qualquer um que Deus me mande matar – assim como eu gosto de matar galinhas e carneiros", declarou [4].

Em abril de 2014, Shekau também assumiu ser responsável pelo sequestro de 276 garotas em uma escola da cidade de Chibok. Ele reaparece em um vídeo postado na Internet, segurando um rifle e cercado por outros homens mascarados, ameaçando vender as jovens. "Eu sequestrei as suas filhas. Eu as venderei no mercado humano, por Alá. Alá disse que eu devo vendê-las. Eu vou vender mulheres", ele diz.

Desde o começo de 2014, o número de mulheres sequestradas pelos terroristas já passa a casa dos milhares. Testemunhos de jovens que foram libertas revelam as condições em que são mantidas as reféns. Elas são obrigadas a "se casarem" com os membros do grupo. Como, porém, não há monogamia no Islã, o termo mais exato para o que fazem é "estupro". As mulheres são forçadas a terem relações sexuais com vários homens.

"Transformaram-me em objeto sexual. Faziam turnos para se deitar comigo. Estou grávida e não sei quem é o pai", relata Asabe Aliyu, de 23 anos.

Grávida de quatro meses, Hamsatu, de 25 anos, conta que o pai de seu filho é membro do Boko Haram e que ela foi forçada a ter sexo com outros membros da milícia que tomaram o controle da sua cidade.

Outra garota, de nome Hauwa, sequestrada em setembro de 2013, dá o seu depoimento:

"Eu era forçada a participar com eles das operações. Geralmente me colocavam para carregar as balas. Faziam-me deitar no chão durante as operações, mas eu apenas segurava as balas. Quando eles me pediram para matar o primeiro homem, meu corpo começou a tremer e eu caí no chão. Eles me obrigaram a levantar e assistir enquanto eles matavam a segunda pessoa. Nesse ponto, como eles nos tinham ensinado a atirar, eu pensava que deveria pegar uma arma deles e me matar."

"Quando vi que seria forçada a casar, fingi sentir dores no estômago. Eles ficaram preocupados com que eu fosse HIV positivo, então me disseram para fazer o teste em um hospital. Foi assim que eu consegui escapar."

As experiências trágicas dessas jovens mobilizaram o mundo inteiro para a campanha Bring back our girls ["Tragam de volta as nossas garotas"], que pede o resgate de todas as mulheres sequestradas pelo Boko Haram. Segundo o movimento, das quase 300 reféns de Chibok, 230 ainda estão nas mãos do grupo terrorista.

Enquanto isso, Boko Haram continua a atormentar o norte da Nigéria. No começo deste ano, centenas de pessoas foram assassinadas na cidade de Baga, no que foi considerado um verdadeiro massacre, o pior ataque já perpretado pela facção criminosa. A Anistia Internacional estimou em 2 mil o número de mortos.

O governo nigeriano tem tido pouco sucesso para reprimir os fundamentalistas islâmicos. A derrota se deve, segundo os especialistas, à falta de investimentos e à corrupção no exército nacional.

O bispo Oliver Doeme, da diocese de Maiduguri, uma das mais atingidas pelo grupo terrorista, lamentou o fracasso do poder público em conter os militantes. "Tanto cristãos quanto muçulmanos estão sendo afetados, mortos e expulsos de suas casas, aldeias e cidades. Ambos foram dispersados e se tornaram refugiados em sua própria pátria", diz o prelado. "A vida se tornou tão banal que pode ser tirada a qualquer momento".

Subam aos céus, da Igreja no mundo inteiro, as orações dos fiéis cristãos por tantas famílias, mulheres e crianças que sofrem nas mãos dos terroristas de Boko Haram. Que, no seu sofrimento, unam a sua entrega à oferta amorosa de Cristo crucificado (cf. Cl 1, 24). E que o mundo islâmico possa abrir os olhos para reconhecer que, definitivamente, "não é razoável a difusão da fé mediante a violência" [5].

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. International Crisis Group. Curbing Violence in Nigeria (II): The Boko Haram Insurgency. In: Africa Report, n. 216, 3 abr. 2014. p. 9.
  2. John Campbell. Boko Haram: origins, challenges and responses. Norwegian Peacebuilding Resource Centre, out. 2014. p. 2.
  3. The Washington Post. The man behind the Nigerian girls' kidnappings and his death-defying mystique. 6 mai. 2014.
  4. BBC News. Nigeria's Boko Haram leader Abubakar Shekau in profile. 9 mai. 2014.
  5. Papa Bento XVI, Aula Magna na Universidade de Ratisbona (12 de setembro de 2006).

| Categoria: Espiritualidade

O perigo das 'grandes amizades'

O verdadeiro amigo não se importa em ser deixado de lado, nem vê o outro como propriedade, mas se importa somente com a salvação da alma do próximo.

A caridade fraterna é parte imprescindível da espiritualidade cristã. Sem ela, cairíamos com facilidade na tentação do individualismo, algo, infelizmente, tão difundido em nossa época. Tamanha é a sua importância que não poucos santos dedicaram verdadeiros tratados ao assunto. Também enxergamos isso na liturgia. Neste Tempo Pascal, por exemplo, lemos por três vezes no Evangelho o capítulo da vida de Jesus em que Ele, dirigindo-se aos apóstolos, chama-os de amigos: "Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai" (Jo 15, 15). A bem da verdade, uma autêntica vida espiritual é aquela que se adquire na intimidade com Cristo. Essa intimidade nos ajuda a perceber o Seu amor, a aceitá-lo em nossos corações e, mais importante, a retribuí-lo amando o próximo.

"Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos" (Jo 15, 13). Assim diz Jesus aos seus discípulos, numa das páginas mais belas do Evangelho de São João. Trata-se de um discurso sincero, que brota de um coração livre. Jesus ama de verdade. O Seu amor é benevolente e beneficente, pois não deseja outra coisa senão o bem de seus irmãos e possui verdadeira eficácia. Não pede nada em troca. Antes, entrega-se diligentemente para que o outro seja capaz de entrar no céu. O bem que Jesus nos dá é o bem da salvação eterna.

Todos são chamados a essa espécie de amizade. Um bom amigo é capaz de inspirar atitudes santas, afastando o risco dos ambientes depravados e promíscuos. "Quem o achou, descobriu um tesouro" (Eclo 6, 14). Quantos não conheceram a Igreja e seus sacramentos por meio de uma sólida amizade? Os testemunhos são numerosos. Neste sentido, seria oportuno que fizéssemos um adequado exame de consciência: temos procurado a amizade daqueles que estão afastados da Igreja, oferecendo nossa atenção e auxílio? Que tipo de exemplos oferecemos a nossos amigos? Escândalos? Comodismo? Egoísmo? O amparo de Nossa Senhora pode ser uma grande força para crescermos neste aspecto.

A amizade, quando bem orientada, também é um dos alicerces da vida contemplativa, de modo que não se pode alcançar esse grau de oração sem um prudente discernimento sobre o significado da caridade fraterna. Parece óbvio a qualquer um que almeje a santidade os perigos que existem no relacionamento com quem se dedica ao pecado. Tudo ameaça ruir se não se coloca logo um ponto final. Não que seja proibido o contato com essas pessoas. A regra cristã exige justamente o contrário. Mas para levá-las a Deus. A cumplicidade com o erro está fora de cogitação. Todavia, há outro risco nessa seara, tanto mais perigoso pois menos evidente, que pode igualmente causar sérios estragos para o progresso espiritual. É preciso afastá-lo com firmeza e determinação, ainda que custe. Falamos das grandes amizades.

É natural que, no trato com as várias pessoas de nosso ambiente, afeiçoemo-nos a umas mais que a outras. De fato, somos propensos a querer estar perto de quem comunga de nossos interesses pessoais e gostos. Isso parte sobretudo da personalidade de cada indivíduo. Notem a advertência da Sagrada Escritura: "Dá-te bem com muitos, mas escolhe para conselheiro um entre mil" (Eclo 6, 6). Uma regra salutar. Há amigos para os momentos de recreação, mas não muitos para a tempestade. Prova-se uma amizade pelo fogo da tribulação.

Contudo, tais amizades, se não forem guiadas pelo espírito da oração e da ascese, podem converter-se em graves obstáculos ao crescimento no amor a Deus. Em seu Caminho de Perfeição, Santa Teresa d'Ávila faz toda uma ponderação quanto às grandes amizades, desde os aspectos mais externos — como manifestações efusivas de afetividade — aos recônditos do coração — como o medo de não ser correspondido. "Essas grandes amizades", alerta, "poucas vezes servem para se ajudarem mutuamente a crescer no amor divino". Mais grave que isso: "O demônio as estimula para introduzir partidos nas ordens", avisa a Santa.

Um olhar pouco sóbrio pode, a princípio, achar muito rígido o que diz Santa Teresa. Afinal, que poderia existir de maldade no relacionamento entre dois grandes amigos? Nada, desde que as duas partes estejam orientadas para a busca da santidade. Desde que as duas partes tenham um coração indiviso, isto é, voltado somente para Deus. Não é, porém, o que frequentemente acontece. Santa Teresa fala de "danos muito notórios à comunidade". Ela os elenca: "O sentir o agravo feito à amiga, o desejar com que presenteá-la, o buscar tempo para conversar com ela, muitas vezes mais para dizer-lhes coisas descabidas e quanto lhe quer bem, que para falar no amor de Deus".

Escravidão. Eis a palavra certa para definir tais gêneros de amizade. E não é, por acaso, assim que se sentem aqueles que são aparentemente desprezados por seus amigos mais próximos, com quem tanto gostam de estar? Não se sentem atraiçoados? Um rancor nasce em seus peitos como se tudo fosse desabar. Ora, isso é o sinal mais palpável da perniciosidade desses relacionamentos. A vontade de amar a Deus enfraquece e, aos poucos, vai se instalando uma frouxidão espiritual nociva, que pode conduzir a graves abismos. Tornamo-nos reféns de nossas paixões. Tornamo-nos escravos.

A verdadeira amizade, ensina Santa Teresa, é aquela nutrida pelas almas chamadas à perfeição: "Desejam ardentemente que o amigo tenha amor a Deus". Não há outra preocupação. Não se enxerga o amigo como propriedade. A correção fraterna, o cuidado pela conversão, a presença nos momentos de dificuldade serão todos dedicados ao crescimento da santidade. E isso feito de forma desinteressada, pois "há grande cegueira neste desejo de sermos amados". Teresa conclui: "Melhor amizade será esta que dizer toda sorte de ternuras que não se usam, nem hão de se usar nesta casa. Tais são, por exemplo: 'minha vida', 'minha alma', 'meu bem' e outras semelhantes com que se chamam ora a umas pessoas, ora a outras".

Em nossas amizades, devemos ser como que faróis, não freios, para a caminhada de nossos amigos rumo à santidade. Às vezes, acontece de sermos solicitados somente nos momentos de dificuldade, na hora das lágrimas. Quase nunca para os momentos de recreação e divertimento. Que importa? Mais vale uma amizade para as lágrimas que para as gargalhadas, pois "há amigo que só o é para a mesa, e que deixará de o ser no dia da desgraça" (Eclo 6, 10).

Peçamos a Deus, com o auxílio da Virgem Maria, o dom desta verdadeira amizade: a amizade que leva os outros para o céu!

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referência

| Categoria: Testemunhos

'Hoje eu retirei o meu DIU'

Como um casal saiu da maior rede de abortos dos Estados Unidos para entrar no mundo fantástico da moral cristã e da Igreja Católica

Desde que minha esposa e eu começamos a namorar, ela sempre usou algum tipo de contracepção. Ela pulava de método em método, mudando com muita frequência. Usou de tudo, do anel ao injetável, do preservativo ao DIU (dispositivo intrauterino). Mesmo depois que nos casamos, tinha sempre algum tipo de "prevenção" no meio. Foi só depois que Abby deixou a Planned Parenthood e que fomos confrontados por novas informações sobre contracepção, que começamos a olhar um pouco mais a fundo para as nossas próprias responsabilidades reprodutivas. Ambos tínhamos caminhos diferentes para a nossa vida sem o controle de natalidade. Mas acabamos chegando a um acordo, e nunca esquecerei o momento em que Abby disse: "Hoje eu retirei o meu DIU".

Por oito anos minha esposa esteve envolvida na indústria de aborto e controle de natalidade, trabalhando na Planned Parenthood. Ela não só estava vendendo o produto, como também era uma cliente. Quando o assunto era controle de natalidade, eu deixava a decisão para ela. A Planned Parenthood e outras traficantes de pílulas adoram gritar: "É uma escolha da mulher!" Pois bem, esse era o dogma ao qual tínhamos aderido naquele momento. Eu pensava estar ajudando ao deixar que ela tomasse as decisões por ela – e, em última instância, por nossa família. É claro que eu estava chateado por não termos mais filhos, mas, naquela hora, a carreira dela parecia ser mais importante. Nós tínhamos um filho e isso parecia ser o suficiente.

Quando Abby finalmente deixou a Planned Parenthood em 2009, nós dois não tínhamos qualquer problema que fosse com anticoncepcionais. Iria levar algum tempo para que os nossos argumentos em defesa da contracepção fossem desmontados. Com a saída dela da Planned Parenthood, ambos deixamos de defender o aborto para nos tornarmos pró-vidas de carteirinha. Então, eu pensava que qualquer coisa era possível.

Tudo começa com a nossa recém-descoberta religião

Pessoas de várias crenças e ideias chegam de diferentes maneiras ao Planejamento Familiar Natural (NFP, em inglês). Muitos o utilizam porque é saudável e respeita o funcionamento natural do corpo da mulher. Abby e eu fomos apresentados ao NFP na igreja, e as nossas razões para usá-lo incluíam razões religiosas, além das relativas à saúde.

Considerando que quase todo novo amigo que fizemos depois da conversão de Abby era católico, não demorou muito para que começássemos a frequentar regularmente as Missas dominicais. E era exatamente ali onde precisávamos estar. Quem imaginou que poderíamos aprender sobre contracepção e um pouco de biologia reprodutiva indo à igreja? Depois de alguns meses assistindo regularmente à Missa, nós decidimos começar o Rito de Iniciação Cristã para Adultos (RCIA, em inglês). Queríamos ao menos aprender sobre a Igreja Católica e descobrir se fazer parte dela era o melhor para nós.

Em nossa primeira aula, deram-nos uma Bíblia, uma cópia do Catecismo e uma edição do livro "Teologia do Corpo para Iniciantes", de Christopher West.

Para mim, tudo começou com esse livro. Eu não tenho o costume de simplesmente pegar um livro e começar a ler. Mas, dessa vez, por alguma razão, eu o fiz. Não vou entrar em cada detalhe sobre o livro, que abrange um vasto material. Todavia, no momento em que terminei de ler, eu sabia que queria me tornar católico e estava 100% de acordo com o ensinamento católico sobre a contracepção. Tudo o que a Igreja ensinava simplesmente fazia todo o sentido para mim. Não foram só os aspectos religiosos que me chamaram a atenção. Eu estava mais impressionado em olhar o design natural dos nossos corpos e o que eles significavam. Nós fomos feitos para reproduzir. Isso requer um homem e uma mulher juntos no ato sexual. É verdade que o sexo faz sentir prazer e todas aquelas coisas boas, mas se você retira o seu propósito e reduz tudo ao orgasmo, ele se torna um ato bem egoísta, ao invés de ser um ato de amor do qual pode sair uma nova vida. A fim de que os nossos corpos e de que o sexo cumpram o seu propósito natural, a relação sexual deve ter, ao mesmo tempo, o prazer e a abertura à reprodução. Deixo Christopher West dizer isso melhor:

"Quando divorciamos o sexo de sua natural orientação a uma nova vida, o que resta para evitar que se justifiquem todos e quaisquer meios para atingir o clímax sexual? Quando esterilizamos o sexo, nós desorientamos essencialmente o ato. Ele não aponta mais para a necessidade do casamento e o crescimento de uma família. O nome do jogo se torna procurar libido para a própria satisfação e, então, a relação natural e vaginal é tratada como uma entre um milhão e uma formas de conseguir prazer sexual. Quando separamos o sexo de sua consequência mais natural, inevitavelmente perdemos a nossa bússola moral."

Então, ali estava eu, com uma perspectiva completamente nova sobre sexo, casamento, Igreja e vida em geral. Eu estava muito animado para destrinchar o ensinamento católico e aprender mais, mas meu próximo desafio seria fazer Abby pular a bordo do mesmo trem comigo. Essa era a prioridade número 1...

Mas, no fim das contas, isso nem foi um grande desafio. No primeiro domingo depois de terminada a leitura do livro, estávamos na Missa. Eu estava achando tudo bastante normal na celebração, mas, ao meu lado, no decorrer da liturgia, Abby passava por uma grande conversão e mudança de filosofia. Eu não sabia no momento, mas Abby passou a Missa inteira olhando todas as famílias e todas as crianças sentadas ao seu redor. Ela percebeu, então, que queria que a nossa família crescesse, e a única coisa que ela podia pensar era: "Eu preciso tirar esse DIU de dentro de mim!"

Naquela tarde, quando chegamos em casa após a Missa, Abby me disse que queria tirar o DIU. Minha primeira resposta foi: "Sério? Você tem certeza?" Abby: "Certeza absoluta. Eu quero isso fora de mim amanhã, o mais depressa possível."

Ótimo! Eu não ia mais precisar convencê-la a livrar-se do controle de natalidade. Ela chegou lá por conta própria. Chega a ser engraçado como nós tivemos estradas completamente diferentes para chegar exatamente ao mesmo destino. Estávamos ambos no mesmo barco e sequer sabíamos.

No dia seguinte, Abby telefonou para a sua médica e disse a ela que queria tirar o DIU. Eis como foi a conversa:

Abby: Oi. Eu preciso ter o meu DIU retirado hoje mesmo.
Recepcionista: Está tendo algum problema?
Abby: Não. Só preciso tirá-lo imediatamente.
Recepcionista: Ok, podemos ver você em três semanas.
Abby: Não, nada bom. Preciso falar com uma enfermeira.

Enfermeira: Oi. Você quer tirar o seu DIU?
Abby: Sim. Não estou tendo nenhum problema, mas preciso que ele seja tirado hoje.
Enfermeira: Bem, não temos nenhuma consulta disponível para hoje. Podemos ver você em algumas semanas.
Abby: Escute, eu sei como retirar essa coisa. Ou a médica tira isso hoje ou eu mesma tiro. Tem que ser hoje.
Enfermeira: Você pode vir à 1 da tarde hoje?
Abby: Vejo você, então.

Assim que Abby teve o DIU retirado, toda conversa que tínhamos sobre aumentar a nossa família era empolgante e uma grande injeção de ânimo em nosso matrimônio. Só a ideia de ter mais filhos já fez com que nos aproximássemos um do outro. O sexo se tornou cheio de significado. Nossa fé se tornou mais profunda. Não houve fogos de artifício ou uma festa para celebrar nossa decisão de abandonar a contracepção, mas posso dizer que isso colocou o nosso casamento em um belo caminho, em uma direção completamente nova.

O que aconteceu a partir disso...

As coisas não se tornaram mais fáceis depois que decidimos ter mais filhos. Uma vez retirado o DIU, passamos por um ano de infertilidade – menos do que muitos casais que sabíamos que usavam contraceptivos hormonais e de outros tipos. Nós aceitamos que talvez não teríamos mais filhos, embora fosse algo difícil de engolir. Mas, depois de muito trabalho entre Abby e sua médica, conseguimos conceber nosso segundo bebê... o primeiro de 3 bonitos garotos. Alex, Luke e Carter vieram um após o outro, em três anos consecutivos. Esses garotos são a prova para nós de que estar no plano de Deus e abertos à vida é a melhor vida para se viver. Agora, usamos o NFP (Planejamento Familiar Natural) e ele funciona muito bem para nós.

Se não tivéssemos passado por esse um ano de infertilidade, eu não sei se teríamos estudado sobre o NFP. Não sei se teríamos aprendido tanto sobre fertilidade e a ordem natural do sexo. Durante esse período, também aprendemos muito mais sobre os outros efeitos colaterais do controle hormonal de nascimentos.

Como agora, em nosso casamento, nós não usamos nenhum produto químico ou látex. Nós temos uma relação sexual saudável, natural e aberta à vida. Ambos entendemos que a fertilidade dela é nossa e nós trabalhamos nisso juntos. A boa notícia é que o NFP nos aproximou enquanto casal. Nada jamais vai se intrometer entre minha esposa e eu em nosso leito de novo. Talvez os nossos filhos de 2 anos e 1 ano e meio, mas nada além disso!

Por Doug Johnson | Tradução e adaptação: Christo Nihil Praeponere

| Categoria: Sociedade

Uma nova ideologia do sexo

Saiba como a pornografia, através de exposições cada vez mais agressivas e antinaturais, está criando a cultura do estupro

A pornografia está em alta. Cinquenta tons de cinza, a adaptação do drama erótico de E.L. James para o cinema, arrecadou nada menos que US$ 500 milhões de dólares em bilheteria. Com o sucesso, uma sequência do filme já está em fase de negociações. Mas não para por aí. Uma série de longas no mesmo estilo deve ser lançada em breve. After, uma espécie de versão adolescente do livro de James, é um dos mais aguardados. Embora se passe em um colégio, o enredo é exatamente o mesmo: uma jovem virgem que se entrega aos caprichos sexuais do namorado.

A razão para o sucesso de filmes, livros e outros produtos com alto teor sexual pode ser atribuída a vários fatores. Entre eles, à so called Liberdade Sexual. Nunca se falou tanto sobre sexo como nos dias de hoje. Essa banalização, porém, tem gerado muitas controvérsias, sobretudo no que diz respeito à juventude. Um artigo publicado pelo jornal britânico The Telegraph traz dados alarmantes sobre as consequências da pornografia para os mais jovens. "A pornografia mudou o panorama da adolescência para além de qualquer reconhecimento", afirma o jornal. Dos aspectos mais preocupantes, o artigo destaca o aumento das relações anais. "O sexo anal", escreve a articulista Alisson Pearson, "tornou-se padrão entre os adolescentes agora". Alisson cita alguns estudos que mostram como práticas do tipo causam sérios problemas emocionais e distúrbios psicológicos, principalmente nas mulheres. E conclui: "Nós precisamos educar e encorajar nossas filhas a lutar contra a pornografia".

Há, além disso, outro agravante ainda mais perigoso. O universo pornográfico está criando "uma nova ideologia do sexo, em que as mulheres são objetos para serem abusados e consumidos e os homens, agressores sexuais, que usam garotas e mulheres para obterem o máximo de prazer possível". É o que alerta Jonathon van Maren, do LifeSiteNews. Em sua coluna, Maren relaciona a pornografia ao desenvolvimento de um comportamento violento, baseado na lógica do estupro. Segundo o colunista, o sexo anal, em todas as suas variedades mais agressivas, é frequentemente apresentado pela mídia pornográfica como uma via autêntica de prazer. Não é nenhum exagero. A esse respeito, basta pensar no carnaval que se fez anos atrás, quanto à declaração de uma famosa cantora, considerada modelo para os jovens. Com efeito, os rapazes tendem a querer imitar tais relações com suas namoradas. Elas, por sua vez, sentem-se coagidas a aceitar.

Dados como esses nos obrigam a questionar alguns aspectos da cultura em voga, marcada sobretudo pelo niilismo. Ora, o desregramento sexual é desaconselhado desde antes do cristianismo. Em seus escritos, Aristóteles indica a busca das virtudes como condição sine qua non para o alcance da vida boa, isto é, a felicidade suprema [1]. O ser humano, ensinava, deve controlar seus desejos pelo bem maior. E o motivo é evidente: a libertinagem sexual não somente mata a capacidade de amar, como desfigura a natureza do ser humano e da sociedade. Primeiro, porque se trata de atitudes que não visam o bem comum. Ao contrário, o outro é considerado apenas como objeto de prazer. É descartável. Segundo, porque se trata de práticas governadas pela ilusão; prendem o indivíduo em um mundo de fantasias e desejos ilusórios. A realidade, por conseguinte, torna-se um fardo. Isso por si só mostra o quão equivocada está a ideia por trás da liberdade sexual. Essa liberdade é falsa. Não existe liberdade quando o homem se torna refém de suas paixões. Não existe liberdade quando se fere a dignidade alheia em nome do próprio prazer.

Aliás, não se pode deixar de ressaltar um ponto importante nesta questão. Todas as vezes que a Igreja se posiciona quanto à sexualidade, logo ela é acusada de moralista e castradora. O ensinamento dos papas, dos santos e, em última análise, do próprio Cristo, é ridicularizado, ora por artigos pseudo acadêmicos, ora por programas de nível duvidoso. Os frutos da revolução sexual, porém, mostram o que, de fato, não é novidade alguma: a moral católica está certa. Está certa porque valoriza o homem em todas as suas dimensões, ordenando a sexualidade segundo sua reta natureza. Não é o caso da pornografia. Está certa porque defende o primado do amor contra os abusos da concupiscência. Também não é o caso da pornografia. E a mídia secular, vimos, já não pode dissimular isso.

Qualquer pessoa honesta e boa de juízo consegue perceber algo de profundamente perverso em um material que induz à violência, ao desprezo pelo semelhante, ao prazer a qualquer custo. Por mais que nos acusem de moralismo, o óbvio é irrefutável: a pornografia está gerando a cultura do estupro. Esse é, sem dúvida, o fruto mais podre da revolução sexual.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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Referências

  1. Adler, Mortimer J.. Aristóteles para todos: uma introdução simples a um pensamento complexo. São Paulo: É Realizações, 2010, 208 p.

| Categorias: Testemunhos, Pró-Vida

'Fomos abençoados por tê-los conhecido': pais de trigêmeos prematuros encontram sentido no impensável

Bernadette, Christine e Adam sobreviveram por apenas quatro horas. O suficiente para marcar para sempre os membros da família Taylor.

Quando o médico revelou aos recém-casados Jason e Marie Taylor, ambos com seus 30 anos, que eles esperavam trigêmeos, o casal não cabia em si de tanta felicidade. "Nós estávamos muito, muito entusiasmados", conta Jason. No ultrassom, aparecia a imagem de duas meninas e um menino. Os pais orgulhosos se apressaram em dar-lhes um nome: Bernadette, Christine e Adam.

A primeira gestação do casal foi fruto de um relacionamento vivido na graça de Deus, já a partir do namoro. Desde o momento em que se apaixonaram, Jason e Marie ansiavam por começar uma família, mas decidiram fazer o seu relacionamento "do jeito de Deus", vivendo a castidade até que se comprometessem mutuamente, no altar, em maio de 2012.

Mesmo o sonho de ter muitos filhos, porém, não impediu que os dois se surpreendessem com a notícia dos trigêmeos. "Meu Deus, o que vamos fazer com tantos bebês?", eles pensavam. "Temos apenas um número limitado de braços". Em uma outra visita ao hospital, alguns médicos ousaram falar com eles sobre uma espécie de "redução seletiva", mas o casal nem deu atenção. Ainda que Marie fosse enfermeira e soubesse que os médicos fariam aquela pergunta, ela se sentiu mal em escutar alguém se oferecer tão tranquilamente para matar um ou dois dos seus filhos. "Aquilo foi realmente perturbador para nós dois, já que esperávamos tão ansiosamente por nossos filhos", disse Jason.

De fato, mal recebeu a boa nova, o casal começou a preparar a casa para a chegada dos novos hóspedes, prevista para fevereiro de 2013. Três bercinhos foram comprados e cuidadosamente enfileirados no quarto de cima, enquanto a barriga de Marie só aumentava... Todas as noites, antes de cair no sono ao lado de sua esposa, Jason se inclinava para conversar com os seus filhos: "Ei, Adam! Ei, Bernadette! Ei, Christina! Estou ansioso por conhecê-los. Amo vocês!" Antes de sair para o serviço, ele dizia às crianças: "Cuidem de sua mãe!"

O impensável

Mas o corpo de Marie começava a ter problemas para se adaptar às exigências daquelas três vidas que cresciam dentro dela. Além do refluxo severo, ela experimentava palpitações, dores no peito e fortes dores de cabeça. Um dia, enquanto assinava alguns cartões de 'obrigado' pelo casamento na mesa da cozinha, Marie repentinamente apagou. Quando voltou a si, tratou de telefonar ao seu marido para pedir ajuda.

Apesar das dificuldades, um ultrassom de novembro revelava que Marie e os seus bebês estavam bem. Com 22 semanas, Marie se parecia mais com uma gestante de 35 semanas.

Um dia depois do ultrassom, porém, Marie começou a sentir "pequenas dores agudas" no abdômen, que se foram tornando cada vez mais regulares. Naquela noite, o casal decidiu ir ao hospital para descobrir o que estava acontecendo.

Chegando lá, os dois não acreditaram quando os médicos disseram que Marie estava com 4 cm de dilatação e tinha entrado em trabalho de parto. O jovem casal se apegou à esperança de que os médicos pudessem fazer algo para impedir que o quadro progredisse, a fim de manter os bebês a salvo.

Mas a situação piorou e o médico revelou ao casal que as crianças estavam prestes a nascer. Com 22 semanas, os pequeninos trigêmeos não tinham muitas chances de sobreviver. Eles não apenas tinham crescido pouco por conta de serem três, como seus pulmõezinhos não se tinham aperfeiçoado o suficiente para que pudessem respirar. Como enfermeira, Marie sabia que tentativas de oxigenação em pulmões pouco desenvolvidos podiam fazê-los arrebentar, causando morte imediata. Os doutores advertiram os pais que, depois do parto, os bebê não receberiam intervenção médica.

Enquanto permanecia ao lado de sua esposa, testemunhando o inimaginável pesadelo que se desenrolava diante dos seus olhos, Jason percebeu que estava dando toda a sua atenção a Marie. Ele se deu conta de que os seus filhos provavelmente estavam tão assustados com o que acontecia quanto eles dois. Então, o jovem pai se inclinou e, ofegante, confortou os seus filhos com as palavras amorosas de costume: "Ei, eu amo vocês, meus filhos... Estou ansioso para conhecê-los..."

Os pais se prepararam para saudar os seus filhos e passar com eles o máximo de tempo que pudessem.

Enfim, nas primeiras horas do dia 15 de novembro de 2012, Bernadette, Christine e Adam nasceram, pesando de 360 a 450 gramas cada um. "Eles saíram cheios de vida e se movendo", disse Jason. "Continuei na esperança de que eles pudessem ser os únicos trigêmeos a sobreviverem com 22 semanas, mas eles se foram rapidamente".

Apesar da profunda dor de presenciar os seus filhos partindo, o casal ficou impressionado ao ver como eles estavam perfeitamente formados, com seus narizinhos, seus frágeis dedinhos, as unhas e, acima de tudo, com seus rostinhos adoráveis. "Nós os seguramos. Tivemos tempo de examiná-los com cuidado e sentimos realmente como se os tivéssemos conhecido um pouco", disse Jason.

Mais tarde, o resto da família chegou ao hospital para dar suporte ao casal e se despedir das três pequenas crianças. Uma enfermeira tirou o "carimbo do pezinho" dos três. Eles foram vestidos com uns pequenos chapéus e envoltos em roupinhas coloridas.

Para a mãe, tudo foi uma incrível mistura de emoções: "Nós seguramos os bebês, choramos, olhamos para eles e os examinamos, conversamos com eles e os batizamos. Enfim, nós os amamos."

Durante quatro horas, Bernadette, Adam e Christine foram amados, respeitados e acalentados por cada momento de suas curtas existências.

Em busca de sentido

Logo após a morte das crianças, Jason e Marie se perguntavam sobre o que devia ser feito com os seus restos mortais, não sabendo se o hospital deixaria que eles levassem os seus corpos.

O pai de Marie interveio. "É claro que devemos dar a eles um funeral adequado", ele disse. "Eles tiveram uma vida, assim como qualquer pessoa. Nasceram, foram batizados, viveram e morreram."

O irmão de Marie fez um pequeno caixão de madeira com três cruzes em cima. Os trigêmeos que cresceram, viveram e morreram juntos, seriam agora colocados juntos no seu paradeiro final de descanso.

Jeff Gunnarson, da Campaign Life Coalition, assistiu ao funeral e contou ao LifeSiteNews.com que ficou "profundamente emocionado" ao escutar o testemunho de Jason sobre a vida de seus filhos, acrescentando que era difícil encontrar algum olho seco na multidão.

"Jason explicou às pessoas ali reunidas que a vida de seus filhos foi preciosa", ele conta. "Ele mencionou as frágeis e pequenas unhas de suas filhas e o belo traço do queixinho de seu filho. Disse que, mesmo prematura, cada criança já mostrava traços distintos de personalidade. Ele mostrou que cada pessoa tem uma vida única e irrepetível."

"Acredite-me, qualquer um naquela multidão com um pingo de indiferença ao valor de um bebê de 22 semanas teria deixado o funeral repensando sua posição pró-aborto. Jason transmitiu como são maravilhosamente formados esses pequenos filhos de Deus. Ele foi capaz de enxergar, naquele sério e triste, mas também profundo momento de despedida, um raio pró-vida de esperança que trouxe lágrimas aos nossos olhos e fez com que sentíssemos gratidão por testemunhar um tão belo amor."

Um testemunho de vida

Como qualquer pai que tivesse que enterrar seus filhos, Jason e Marie se pegaram perguntando "por quê". Nos dias mais sombrios, eles se viram lutando com Deus na oração, perguntando a Ele por que havia permitido aquela dor, aquele luto, aquele sofrimento, aquela perda.

O momento mais difícil para Marie foi acordar no meio da noite que sucedeu a sua perda. Assim que o pesadelo do dia anterior caiu sob a sua cabeça, ela se deu conta de que não estava mais grávida. "Senti-me realmente desesperada, perguntando a mim mesma como poderia vir alguma coisa boa de tudo isso", ela conta.

À procura de respostas para questões tão difíceis, os dois se voltaram para a fé. "Não sabíamos por que não tínhamos conseguido ficar com eles", disse Marie. "Mas, seja qual for a razão, Deus permitiu que eles fossem tirados de nós. Temos fé de que eles estão agora no Céu, descendo para tentar nos puxar para lá com eles. Acreditamos que temos três pequenos anjos lá em cima, intercedendo por nós, a fim de que também nós um dia cheguemos lá."

Ao invés de focar na sua perda, o casal decidiu dar atenção às bênçãos que recebeu. "De qualquer modo, esses bebês são um testemunho de vida. É isso o que eles são. É isso o que temos de ver em tudo isso", diz Marie.

Apesar da dor e da perda, os pais nunca pensariam em tirar a vida de seus filhos. Eles sabem que o luto e o sofrimento não têm a palavra final.

Os trigêmeos já têm feito a diferença nas vidas de todos os que os conheceram. Os vizinhos se uniram para ajudar Jason e Marie. Os membros da família superaram as suas pequenas diferenças e ficaram juntos. A fé em Deus e os laços familiares foram fortalecidos; os corações frios foram aquecidos.

"De alguma forma, o simples fato de ver as suas vidas muda um coração", diz Jason. "A esperança e a oração" dos dois é que, compartilhando a sua experiência, outros "sejam encorajados" a enfrentar escolhas difíceis relacionadas à vida.

Eles colocaram no YouTube um emocionante tributo em memória aos seus três filhos. Os pais escreveram e gravaram uma canção cordial e inspiradora que acompanha a sua história, a qual é contada pelas fotos e pelo texto. O vídeo já recebeu mais de 4 milhões de visualizações.

"Graças a Deus, as vidas dos nossos bebês podem, de alguma forma, fazer a diferença, ainda que seja apenas fortalecendo e encorajando as pessoas que já estão no movimento pró-vida", diz Jason.

Gunnarson denominou o testemunho dos Taylor como "corajoso e surpreendente". Eles mostraram ao mundo que trazer crianças de 22 semanas ao mundo, mesmo sem longas perspectivas de vida, é "a coisa mais natural e mais saudável a se fazer". Ainda que Bernadette, Christine e Adam não fossem capazes de sobreviver senão por algumas horas, foram horas preciosas de existência – horas que dão testemunho do valor e dignidade de cada pessoa humana.

Fonte: LifeSiteNews.com | Tradução e adaptação: Equipe CNP

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O pedido esquecido de Nossa Senhora

Quase 100 anos após a aparição da Virgem em Fátima, a humanidade ainda teima em ignorar os seus apelos à conversão e à penitência.

Quando Nossa Senhora apareceu aos três pastorinhos de Fátima, a 13 de maio de 1917, ela fez-lhes uma pergunta: "Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser mandar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido, e de súplica pela conversão dos pecadores?" Na ocasião, os jovens Francisco, Jacinta e Lúcia responderam que sim, assumiram o pedido da Virgem Maria e toda a sua vida se transformou em uma verdadeira entrega a Deus, pelo resgate das almas.

Impossível não se lembrar do episódio da Anunciação, quando o Céu, de um modo nunca antes visto, dependeu da liberdade de uma única criatura para descer sobre a Terra. Às palavras do anjo, dizendo que Maria Santíssima conceberia e daria à luz o próprio Filho de Deus, ela prontamente respondeu: "Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1, 38). Naquele momento, também ela, de modo muito singular, assumia para si a missão de "suportar todos os sofrimentos", "em ato de reparação (...) e de súplica pela conversão dos pecadores" – missão que o profeta do templo resumiria na famosa expressão: "Uma espada traspassará a tua alma" (Lc 2, 35).

É essa a missão a que se referiu o Papa Bento XVI em 2010, quando peregrinou à cidade de Fátima. "Iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída" [1], disse ele na ocasião. De fato, ainda hoje, Nossa Senhora dirige a toda a humanidade o mesmo apelo que fez aos três pastorinhos na Cova da Iria. "Rezai, rezai muito, e fazei sacrifícios pelos pecadores", dizia ela. "Muitas almas vão para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas".

Às portas do centenário das aparições da Virgem em Portugal, a hora é propícia para um profundo exame de consciência. O terceiro segredo de Fátima revelou a visão de um Anjo "apontando com a mão direita para a terra" e clamando, com voz forte: "Penitência, Penitência, Penitência!" Diante desse quadro, a pergunta a ser feita é: A humanidade realmente tem se penitenciado? O que tem sido feito para atender aos pedidos de Nossa Senhora?

É preciso bater no peito e reconhecer o quão pouco foi feito pelo homem moderno para corresponder aos apelos da Mãe de Deus.

Primeiro, por parte daquelas pessoas que, mesmo se assumindo "católicas", não só rejeitaram o conteúdo de Fátima – que, por ser uma revelação particular, não obriga ao assentimento nenhum fiel católico [2] –, mas abandonaram totalmente as próprias verdades da fé. Também em Fátima, Bento XVI chamou a atenção para o fato de que "muitos dos nossos irmãos vivem como se não houvesse um Além, sem se importar com a própria salvação eterna" [3]. Sem dúvidas, este é o grande mal deste século: que o homem viva como se Deus não existisse, totalmente alheio às realidades eternas e aos cuidados da sua alma.

Para que acontecesse uma efetiva mudança no mundo e os corações fossem elevados ao Alto, porém, Nossa Senhora indicou o caminho da penitência. Entra aqui a necessidade do exame por parte daqueles que crêem, mas ainda se encontram "estacionados" na vida espiritual. De fato, é muito comum ver pessoas instigadas pelas aparições da Virgem em Fátima, Lourdes, La Salette... Mas, quantas dessas pessoas despendem os mesmos esforços e as mesmas horas para cumprir os desejos de Deus, expressos pela boca de Maria Santíssima?

De fato, ela disse: "Rezem o Terço todos os dias". Mas, quantas são as famílias que se têm dedicado à oração do Santo Terço? E quantas o têm rezado diariamente, como pediu Nossa Senhora?

Ela também disse: "Sacrificai-vos pelos pecadores". Ora, quantos têm verdadeiramente jejuado e feito penitências pela conversão do mundo? Quantos têm se levantado de madrugada ou feito vigílias em família para rezar pelas almas que mais precisam?

Ela disse: "Não ofendam mais a Deus, Nosso Senhor, que já está muito ofendido". E qual tem sido a conduta das pessoas? Será que têm se preocupado em adquirir verdadeira santidade de vida? Como está vivendo a juventude católica, que se reúne nos grupos de oração, vai às Missas e estuda a sua fé? Como têm vivido aqueles que, por sua vida, deveriam brilhar como "a luz do mundo" (Mt 5, 14) e espalhar por todos os cantos "o bom odor de Cristo" (2 Cor 2, 15)?

Neste dia em que a Igreja celebra a memória de Nossa Senhora de Fátima, é urgente lembrar que, no fim das contas, de nada adiantam alardes, previsões e surtos de curiosidade malsã sobre o futuro. "Se não vos converterdes, diz o Senhor, perecereis todos do mesmo modo" (Lc 13, 3). O que Jesus e Maria querem dos homens é que sejam santos, rezem e se mortifiquem – este é o único necessário de que fala Nosso Senhor, todo o mais nos será tirado (cf. Lc 10, 42).

Conversão, penitência e oração: eis, pois, o centro do Evangelho e o núcleo da mensagem de Fátima – e também o de todas as outras recentes aparições da Virgem Maria. Ainda hoje, não existe outra escada por onde subir ao Céu – nem outro caminho para chegar à paz.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Papa Bento XVI, Homilia durante Missa na Esplanada do Santuário de Fátima (13 de maio de 2010).
  2. Cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 67
  3. Papa Bento XVI, Celebração das Vésperas com os Sacerdotes, Religiosos, Seminaristas e Diáconos (Fátima, 12 de maio de 2010).

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Como cordeiro levado ao matadouro

Mesmo carregando o pesado fardo do pecado e sofrendo as mais terríveis dores até a própria morte, Cristo “ficou calado, sem abrir a boca”.

São João Batista não foi o único a comparar Nosso Senhor a um cordeiro, quando disse a famosa frase: "Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo" (Jo 1, 29). No Antigo Testamento, ao profetizar sobre o servo sofredor, Isaías recorre à mesma analogia, porém, sob outro aspecto: "Oprimido, ele se rebaixou, nem abriu a boca! Como cordeiro levado ao matadouro ou ovelha diante do tosquiador, ele ficou calado, sem abrir a boca" (Is 53, 7).

O grande orador francês Jacques Bossuet, comentando esse exato trecho das Escrituras, tece as seguintes e belas considerações:

"Se um homem se vê incapaz de resistir à violência, ele pode às vezes salvar a si mesmo fugindo; se não pode evitar ser levado como prisioneiro, pode ao menos se defender quando é acusado; ou, se é privado dessa liberdade, pode sempre achar algum alívio na sua angústia, seja reclamando veementemente da injustiça com a qual está sendo tratado, seja gemendo e lamentando por causa de seus sofrimentos. Não no caso de nosso Divino Senhor. Por Sua própria vontade, Ele deixa de lado todos esses poderes; no Filho de Deus, eles foram todos agrilhoados, até mesmo a Sua língua foi amarrada. Quando O acusam, Ele não responde; quando O batem, Ele não murmura, nem mesmo um mínimo gemido ou suspiro, como os fracos e oprimidos proferem, na esperança de revirar alguma piedade nos corações de seus algozes. Ele não abre a boca (Is 53, 7). Mais do que isso, Ele nem mesmo desvia a Sua cabeça dos golpes cruéis que chovem sobre ela; Ele permanece imóvel, não fazendo esforço para fugir de nem uma única pancada." [1]

A imagem passada pelo panegirista é exata: ele não quis dar muita atenção ao fato de que Cristo, sendo Deus, podia fazer cessar todo aquele crime com um simples ato de vontade divina. Também enquanto homem, a Sua humilhação foi perfeita. Tão perfeita, que o profeta, ao falar de Seu silêncio, prefere compará-Lo a um cordeiro mudo que a um ser humano. Qualquer homem – discorre bem Bossuet – procuraria fugir, defender-se ou mesmo gritar contra aqueles que o prendiam. Cristo, não. Ele quis elevar ao extremo a imagem do cordeiro: tirou os pecados do mundo, mas sem gritar nem levantar a voz (cf. Is 42, 2); foi imolado verdadeiramente, mas em silêncio.

O Seu silêncio e paciência são ainda mais admiráveis se se leva em conta, como diz Santo Tomás de Aquino, que as dores que Ele sofreu são as maiores pelas quais um homem poderia passar [2]. Não apenas pelo gênero dolorosíssimo de sua morte, que foi a crucifixão. Os estudiosos modernos têm feito os seus cálculos e não hesitam em concluir que existem métodos de execução mais cruéis do que a morte na cruz. Sem entrar no mérito da questão, porém, não é apenas isso o que faz a paixão de Cristo ser o pior de todos os sofrimentos. É o fato de ser a Sua humanidade perfeitíssima o que tornam soberanamente piores os seus suplícios. Senão, vejamos.

Santo Tomás considera, entre as causas da dor interna do Redentor: "em primeiro lugar, todos os pecados do gênero humano". Essa dor nele "excedeu todas as dores de qualquer pessoa contrita, seja porque proveniente de uma sabedoria e caridade maiores, que fazem aumentar a dor da contrição, seja também porque foi uma dor por todos os pecados ao mesmo tempo" [3]. Em segundo lugar, o Aquinate põe a causa da "perda da vida corporal, que por natureza é horrível à condição humana". Noutro lugar, porém, além de ressaltar a repugnância natural de qualquer homem à morte, ele lembra que "Cristo foi virtuosíssimo. Logo, amou a sua vida de modo superlativo. Por isso, a dor pela perda de sua vida foi máxima" [4].

Como remate, o Doutor Angélico trata de ressaltar "a extensão do sofrimento pela sensibilidade do paciente":

"Porque Cristo tinha uma ótima compleição física, já que seu corpo fora formado milagrosamente por obra do Espírito Santo, (...) nele era agutíssimo nele o sentido do tato, com o qual se percebe a dor. Igualmente a alma, com suas forças interiores, captava de modo intenso todas as causas de tristeza."

Eis, pois, a grandeza da entrega de Cristo. Mesmo carregando o pesado fardo de todos os pecados; mesmo experimentando com agudez singular cada pancada, cada chicote, cada espinho, cada prego; mesmo tendo diante de Si a própria morte, Ele "ficou calado, sem abrir a boca".

Olhemos para o silêncio paciente do Cordeiro de Deus. Consideremos a insignificância dos sofrimentos por que passamos e, ao mesmo tempo, a impaciência com que enfrentamos todos eles; o pequeno ruído que fazem as dores que padecemos e, em contraste, os grandes murmúrios que soltamos diante delas; as cruzes serenas que nos visitam e, por outro lado, as palavras amargas com que as recebemos de Deus.

Por amor, entreguemos também nós a nossa vida, "como cordeiro levado ao matadouro", como "ovelha diante do tosquiador". Sem gritarias. Sem espalhafatos. Porque foi assim que morreu Nosso Senhor. E é também assim que queremos morrer, dia após dia, até o final das nossas vidas (cf. Lc 9, 23).

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. BOSSUET, Jacques. The Passion of Jesus Christ. In: Great French Sermons. London: Sands and Co., 1917. p. 80 (tradução nossa).
  2. Suma Teológica, III, q. 46, a. 6.
  3. Comentários às Sentenças de Pedro Lombardo, III, 15, q. 2, a. 3.
  4. Suma Teológica, III, q. 46, a. 6, ad 4.

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Entre a propaganda e a verdade: a história secreta da Ideologia de Gênero

Uma propaganda é capaz de fazer o certo parecer errado e o errado parecer certo. O caso da Ideologia de Gênero não foge à regra

David Reimer, vítima das loucuras dos ideólogos de gênero. Suicidou-se em 2004.

Uma peça publicitária só pode ser bem-sucedida se souber cativar o público com as palavras e as imagens certas. A linguagem simbólica exerce enorme influência sobre o homem. Todas as grandes empresas, partidos políticos e meios de comunicação têm, por de trás de sua figura pública, um afiado esquema de marketing. "Um bom governo sem propaganda dificilmente se sai melhor do que uma boa propaganda sem um bom governo", dizia o ministro da comunicação nazista Goebbels. É fato. E a experiência do último século é a prova cabal de como ideologias malignas podem conquistar o apoio das massas, apelando a jargões risíveis porém populares.

A Ideologia de Gênero é uma grande peça publicitária. Apoiada pelo discurso dos "direitos sexuais", da "tolerância" e da "misericórdia", palavrinhas politicamente corretas e além de qualquer suspeita, muitos são levados a considerá-la algo inofensivo ou mesmo um grande progresso para a civilização. Aquele que a ela se opõe, por outro lado, é visto como pessoa antiquada, de visão obtusa e reacionária, ainda que salte "aos olhos a profunda falsidade dessa teoria". Foi também assim que rotularam a imprensa judia quando esta denunciou as obscenidades do nacional-socialismo, logo que Hitler subiu ao poder. Ora, quem, em sã consciência, se posicionaria contra um projeto político que apenas visava a "reconstrução" da Alemanha? De maneira análoga, como é possível se opôr à felicidade daqueles que desejam a mudança de sexo?

Uma boa propaganda não somente convence, como também modifica a história. O passado secreto da Ideologia de Gênero está longe de ser misericordioso, tolerante e feliz. Tudo começou na década de 1950, nas clínicas universitárias. Neste período, inúmeras cirurgias de mudança de sexo (precisamente de homem para mulher) foram realizadas de forma experimental. Na década de 1970, quando vieram os resultados científicos de todas aquelas experiências, não havia qualquer índice de que o procedimento fosse seguro. Pior. As evidências de que se tratasse de algo nocivo eram gritantes. As clínicas decidiram não mais realizar aquele tipo de operação. But where there's a will there's a way.

Três pesquisadores decidiram levar adiante o projeto: Dr. Alfred Kinsey, Dr. Harry Benjamin e o psicólogo John Money. O currículo destes três paladinos da Ideologia de Gênero não é nada honroso.

Dr. Alfred Kinsey, um biólogo e sexólogo cujo legado dura ainda hoje, acreditava que todos os atos sexuais eram legítimos — incluindo pedofilia, bestialidades, sadomasoquismo, incesto, adultério, prostituição e orgias. A fim de obter dados para suas pesquisas, Kinsey autorizou experimentos horríveis em bebês e crianças pequenas. Seu intuito principal era justificar a opinião de que crianças de qualquer idade teriam prazer com o sexo — ele chegou a advogar a normalização da pedofilia. O transexualismo entrou em sua agenda quando foi apresentado ao caso de um homossexual que queria tornar-se uma garota. Kinsey consultou um conhecido seu, um endocrinologista chamado Harry Benjamin. Benjamin conhecia bem os travestis (homens que se vestem de mulher). Assim, ambos viram uma oportunidade para mudar aquele rapaz fisicamente, para além da roupa e da maquiagem. Os dois tornaram-se colaboradores profissionais no primeiro caso do que Benjamin mais tarde chamaria "transsexualismo".

Benjamin pediu a vários psiquiatras que avaliassem o rapaz quanto à possibilidade de uma cirurgia para feminilizar sua aparência. Os médicos não chegaram a um consenso. Mas isso não pôde pará-lo. Por sua própria conta, Benjamin começou a dar hormônios femininos ao garoto. Levaram-no para a Alemanha e lá o operaram parcialmente. Benjamin, por sua vez, perdeu todo contato com seu paciente, tornando qualquer acompanhamento a longo prazo impossível.

O terceiro co-fundador do hoje movimento transgênero foi o psicólogo Dr. John Money, um dedicado discípulo de Kinsey e membro do grupo de pesquisas transexuais, chefiado por Benjamin.

O primeiro caso transgênero de Money veio em 1967, quando foi consultado por um casal canadense, os Reimers, para que reparasse uma circuncisão mal-feita no filho deles de dois anos, David. Sem qualquer razão médica, Money lançou-se em um experimento para fazer fama por conta própria e avançar suas teorias sobre gênero, não importando as consequências para a criança. Disse aos perturbados pais que o melhor caminho para assegurar a felicidade de David era mudar cirurgicamente sua genitália de masculino para feminino e educá-lo como uma garota. Como muitos pais fazem, os Reimers seguiram a orientação do doutor, e David foi rebatizado de Brenda. Money assegurou aos pais que Brenda se adaptaria a ser uma menina e que ela nunca saberia a diferença. Ademais, pediu ao casal que mantivesse aquilo em segredo. E assim se fez — pelo menos por um tempo.

Médicos ativistas iguais ao Dr. Money sempre buscam a fama primeiro, especialmente se controlam a informação que a mídia divulga. Money jogou um jogo de "prenda-me se for capaz", divulgando o sucesso da mudança de gênero do garoto para comunidades médicas e científicas e construindo sua reputação como um dos principais especialistas no emergente campo da mudança de gênero. Levou décadas até que a verdade fosse revelada. Na verdade, a adaptação de David Reimer para ser uma garota foi completamente diferente dos relatórios brilhantes inventados por Money para os artigos dos jornais. Aos 12 anos, David estava severamente depressivo e recusava-se a voltar a ver Money. No desespero, seus pais quebraram o segredo e lhe contaram a verdade sobre a "mudança de gênero". Aos 14 anos, David decidiu submeter-se a uma nova cirurgia para viver como garoto.

Em 2000, aos 35 anos, David e seu irmão gêmeo finalmente expuseram os abusos sexuais aos quais o Dr. Money os havia imposto na privacidade de seu escritório. Os rapazes contaram como Dr. Money tirava foto deles nus quando tinham apenas sete anos de idade. Mas fotos não eram o suficiente para Money. O pedófilo doutor também os forçou a terem relações sexuais incestuosas um com o outro.

As consequências dos abusos de Money foram trágicas para os dois garotos. Em 2003, apenas três anos após seu passado de tortura ter se tornado público, o irmão gêmeo de David, Brian, morreu de overdose. Pouco tempo depois, David também cometeu suicídio. Money, por sua vez, foi finalmente exposto como um farsante. Mas isso não ajudou a amenizar o luto da família, cujos gêmeos agora estavam mortos.

Certamente, nenhum jornal secular ou programa de TV, quando estiver em pauta a chamada Teoria de Gênero, revelará esses episódios expostos acima ao público. De fato, reina aquilo que Pio XI denominou, certa vez, de conspiração do silêncio, pois "não se explica facilmente como é que uma imprensa, tão ávida de esquadrinhar e publicar até os mínimos incidentes da vida cotidiana", pode calar-se tão vergonhosamente sobre tais coisas. Vários estudos feitos por ex-discípulos de Kinsey e Money comprovam a perniciosidade da Ideologia de Gênero, principalmente das cirurgias de mudança de sexo. Charles Ihlenfeld, um endocrinologista que trabalhou por seis anos com o Dr. Benjamin, chegou a declarar publicamente: "Há muita insatisfação entre as pessoas que fizeram a cirurgia... Muitas terminam em suicídio" — como no caso dos gêmeos Reimers.

Não se iludam com propaganda, não se iludam com promessas, não se iludam com mentiras. A Ideologia de Gênero é uma farsa. E das mais grosseiras.

Com informações de: LifeSiteNews.com | Por Equipe CNP