| Categoria: Santos & Mártires

O dia em que o padre negou a Comunhão a uma santa

Certa vez, um sacerdote negou a Eucaristia a Santa Catarina de Sena. A santa, é claro, se conformou com a vontade de Deus, mas algo extraordinário aconteceu depois.

Inúmeros episódios de recepção incomum da Eucaristia são relatados na vida de Santa Catarina de Sena, a mística dominicana do século 14.

Uma dessas comunhões aconteceu durante a Festa da Conversão de São Paulo, em 25 de janeiro.

Estando fraca por conta de tribulações espirituais, Santa Catarina entrou na igreja de São Domingos, mas, ao invés de juntar-se às suas irmãs, ficou em um canto próximo à porta, do lado de um altar inutilizado. Uma das irmãs, notando a sua presença, saiu ao seu encontro e levou-a para junto do resto da comunidade, a fim de receber a Santa Comunhão. Chegada a sua vez, o padre simplesmente passou adiante, sem dar a Catarina a hóstia consagrada. Quando o mesmo se repetiu em duas outras Missas, a santa enxergou nisso um sinal de sua indignidade e se dobrou à vontade de Deus.

O que se passava, na verdade, era o seguinte: o prior do mosteiro havia dado ordens para os sacerdotes não ministrarem a Comunhão à santa, a fim de evitar que manifestações místicas de Catarina distraíssem o povo que vinha participar das celebrações.

Depois da segunda Missa, no entanto, quando a santa já se tinha resignado a toda a situação, uma luz brilhante circundou o altar e, no meio dela, apareceu uma visão da Santíssima Trindade: o Pai e o Filho sentados em tronos e o Espírito Santo sobre eles em forma de pomba. De repente, uma mão de fogo segurando o Santíssimo Sacramento surgiu da visão e a hóstia consagrada foi colocada sobre a língua de Santa Catarina, já arrebatada em êxtase.

O bem-aventurando Raimundo de Cápua, confessor de Catarina, conta que não era raro essas coisas acontecerem com sua filha espiritual:

"Várias pessoas dignas de crédito me asseguraram que, quando assistiam a Missas em que Catarina recebia a Santa Comunhão, eles viam manifestamente a hóstia consagrada escapando das mãos do sacerdote e voando para a sua boca. Eles me diziam que esse prodígio acontecia até mesmo quando eu lhe dava a hóstia consagrada. Devo confessar que nunca percebi isso mui claramente, só notava um certo tremor na hóstia, quando eu a apresentava aos seus lábios. Então, a hóstia entrava em sua boca como uma pedrinha lançada de longe com força. Outro frei também me disse que, quando dava a Catarina a Sagrada Comunhão, ele sentia a hóstia consagrada fugindo, não obstante os seus esforços para segurá-la."

O mesmo Raimundo de Cápua dá testemunho de outra ocasião, quando ele celebrava a Santa Missa sem a presença de Catarina. No momento apropriado após a Consagração, ele partiu a hóstia, mas, ao invés de se dividir ao meio, ela foi separada em três partes, duas grandes e uma pequena. Essa pequena parte, "enquanto eu atentamente observava, me parecia ter caído no corporal, do lado do cálice acima do qual eu tinha feito a fração. Eu a vi claramente cair sobre o altar, mas não conseguia distingui-la no corporal". Depois de procurar em vão, Raimundo continuou com a Missa. Depois, ele cobriu cuidadosamente o altar e pediu ao sacristão para vigiar as proximidades.

Correndo para encontrar Catarina, o sacerdote relatou o incidente da partícula perdida e deu voz à sua suspeita de que talvez ela a tivesse recebido misticamente. Catarina disse-lhe, então: "Padre, não fique mais preocupado com a partícula da hóstia consagrada. Eu verdadeiramente lhe digo, como meu confessor e pai espiritual, que o próprio Esposo Celeste a trouxe para mim e eu a recebi de Sua divina mão".

Fonte: Eucharistic Miracles | Tradução e adaptação: Equipe Christo Nihil Praeponere

[*] O quadro acima é A Comunhão Milagrosa de Santa Catarina de Sena, e foi pintado por Domenico di Pace Beccafumi.

| Categoria: Igreja Católica

Homens, confessem-se agora mesmo!

Diocese nos Estados Unidos reage a “crise da masculinidade” e lança campanha para chamar os homens de volta aos lares e à vida da Igreja.

"Homens, confessem-se agora mesmo!" É o apelo de um bispo dos Estados Unidos, que iniciou em setembro de 2015 um movimento para trazer os homens de volta à vida da Igreja e encorajá-los a responderem ao seu chamado de pais, esposos, filhos e irmãos.

A iniciativa de Thomas Olmsted, bispo da cidade de Phoenix, no Arizona, deu origem a uma exortação apostólica intitulada Into the Breach ("Na Brecha", lit.), que convoca os homens à batalha espiritual que acontece todos os dias à sua volta, desde as suas casas e paróquias até os seus ambientes de trabalho e de estudo.

"Para mim, trata-se simplesmente de um chamado para a ação", comenta Steven Pettit, de uma organização de homens leigos de Phoenix. "Os homens raramente escutam essa mensagem nas homilias e, muitas vezes, eles não acreditam que a Missa seja para eles. Esse é, portanto, um chamado para eles acordarem. O bispo de Phoenix está falando com cada homem: 'Você tem que se envolver, e aqui estão as razões, aqui estão as coisas que você é chamado a fazer como homem'."

O alcance do documento ultrapassa as fronteiras do Arizona. Várias dioceses nos Estados Unidos já estão criando grupos de oração masculinos para se ajudarem na vivência da fé cristã, a partir das linhas da exortação. Além disso, a mensagem já foi traduzida para várias línguas, como o alemão, o francês, o espanhol e também o português.

Também foi realizado um pequeno vídeo de promoção do documento, intitulado A Call to Battle ("Um Chamado para o Combate", lit.), que pode ser assistido abaixo, com legendas em português:

Uma das "brechas" que essa verdadeira campanha de evangelização tenta conter é a perda da fé católica entre as famílias e a falta de participação dos homens nos sacramentos. "O mundo está sob o ataque de Satanás", adverte Thomas Olmsted. "Muitos homens católicos não estão dispostos a 'permanecer firmes na brecha'. Um terço deixou a fé e muitos dos que ainda são 'católicos' praticam a fé com timidez e sem o mínimo compromisso de transmitir a fé aos seus filhos".

Para reverter esse quadro, a diocese de Phoenix aposta na doutrina católica de sempre, em contraposição às seduções do mundo moderno, bem como no valor da paternidade, considerado essencial para todo homem. "Para viver plenamente, todo homem deve ser um pai!", diz a exortação.

O documento propõe ainda alguns hábitos para o homem católico, como o de rezar todos os dias, fazer um exame de consciência diário, ler as Sagradas Escrituras, participar mais frequentemente da Santa Missa e confessar-se regularmente. Constatando que "grandes quantidades de homens católicos estão em grave perigo mortal como consequência dos níveis epidêmicos de consumo de pornografia e do pecado da masturbação", o bispo Olmsted faz um apelo: " Meus irmãos, confessem-se agora mesmo! Nosso Senhor Jesus Cristo é um Rei misericordioso que perdoará aqueles que humildemente confessam os seus pecados, mas não perdoará aqueles que se recusam. Abram suas almas ao dom de sua misericórdia!"

Para ler a exortação Into the Breach na íntegra em inglês, é só clicar neste link.

Com informações de National Catholic Register | Por Equipe CNP

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| Categoria: Sociedade

Qual o problema de ser “bela, recatada e do lar”? (II)

“Bela, recatada e do lar”. Algumas pessoas protestaram contra o nosso texto. E nós fazemos questão de responder.

Voltemos ao assunto da semana passada, quando as redes sociais protestaram em massa contra o perfil feminino formado pelo trinômio "bela, recatada e do lar".

Aparentemente, algumas leitoras não entenderam a proposta da matéria que postamos aqui. Por esse motivo, vamos apresentar agora uma nova reflexão, reforçando alguns pontos que talvez tenham ficado obscuros e trazendo à luz outros que não foram mencionados anteriormente.

Antes de qualquer coisa, é importante que as pessoas leiam o texto antes de tecerem as suas críticas. Surgiram por aqui pessoas falando de tudo — do luxo do casal Temer, da diferença de idade entre os dois, da revista Veja e até mesmo das primeiras damas que o Brasil já teve —, menos do foco do texto: a escolha de algumas mulheres pela modéstia e pelo cuidado do lar. É isso o que estava em jogo no artigo, e nós o clarificamos muito bem quando pedimos que os leitores abstraíssem "da figura de Marcela Temer, do conteúdo do artigo [de Veja] e de qualquer conotação política" que o assunto trouxesse consigo. Não nos interessa, sinceramente, o que a atual esposa de Michel Temer fez ou deixou de fazer. O nosso texto foi sobre a reação indignada de algumas mulheres (mormente as feministas) ao perfil feminino "bela, recatada e do lar", em uma tentativa de explicar o fenômeno que se observou nas redes sociais: mulheres aparecendo com gestos e trajes vulgares, ridicularizando a expressão e até fazendo paródias para inverter o seu significado.

Algumas coisas precisam ser explicadas, em primeiro lugar. Quando nos referimos, no outro texto, a "beleza", "recato", "pudor" e "família", estávamos falando de realidades objetivas, não de palavras "ao vento". Por que essa explicação é necessária? Porque desde o princípio nós partimos do pressuposto de que as pessoas sabem identificar o que é algo belo, o que é um comportamento recatado e o que é uma roupa modesta. Mas nós erramos. Infelizmente, as pessoas não sabem. Na verdade, a nossa época está convencida de que todas essas coisas não passam de "construções sociais": não existiria um padrão objetivo de beleza ou de moralidade, mas tão somente a vontade das pessoas humanas, as quais definiriam de modo arbitrário o que é bom, o que é belo e o que é justo. Esse pensamento não é de hoje: foi o que deu origem à arte moderna — a "arte" das formas geométricas abstratas e de significado insondável —, ao relativismo religioso — para o qual "todas as religiões são iguais", inclusive as que cultuam Satanás — e à crise da educação moderna — que, sem verdade objetiva em que se fundar, torna-se incapaz de transmitir valores sólidos às pessoas.

Essa mesma ideia é uma constante nos comentários de quem protestou contra o nosso artigo. Alguém comentou que o problema não é que as mulheres sejam "belas, recatadas e do lar", mas que isso seja estabelecido como "padrão de comportamento", porque, no fim das contas, "qualquer mulher pode ser o que ela quiser".

Primeiro, não é verdade que todas as pessoas aceitem bem o fato de uma mulher querer ser "recatada". Hoje, tão logo uma jovem comece a se vestir com roupas mais sóbrias e modestas, surge uma legião de todos os cantos para fazer zombaria, isso quando não são os de sua própria família a intervir com humilhações, acusações e até restrições vexatórias. Também não é verdade que todas as pessoas convivam tranquilamente com o fato de uma mulher querer ser "do lar". Quando uma mulher decide ficar em casa para ajudar o seu marido e cuidar dos próprios filhos, toda a sociedade se volta contra ela numa fúria infernal. Atualmente, é bem verdade, tudo está montado para que as mulheres sequer tenham a opção de ficar em casa. Parece consolidada em nossos tempos a "estranha ideia de que as mulheres são livres quando servem os seus empregadores, mas escravas quando ajudam os seus maridos".

Segundo, qual o problema em estabelecer a modéstia e a vida familiar como "padrões" para as pessoas? Não estamos a todo momento recebendo influências de todas as partes? Os revolucionários da mídia, por exemplo, trabalharam duro para transformar a mentalidade e o comportamento do povo brasileiro com suas novelas e minisséries repletas de adultério e vazias de crianças. Em pouco tempo, as famílias reduziram o número de filhos e o índice de divórcios aumentou vertiginosamente. Onde estão os protestos contra esse tipo de influências? Por que não reagir contra as "imposições da mídia" quando os meios de comunicação são usados para destruir a família? Dois pesos e duas medidas?

Terceiro, não é verdade que "as pessoas podem fazer o que quiserem". A liberdade humana tem as suas balizas, algumas de natureza física — os seres humanos não podem voar nem fazer que os seus filhos venham através de ovos, por mais que queiram —, e outras de natureza moral. Algumas feministas podem até ser a favor da prostituição e da pornografia, por exemplo (que las hay, las hay), mas nem por isso os dois mundos deixam de ser destruidores e degradantes para as mulheres. Elas podem até se enveredar por esse caminho, mas as consequências sempre vêm, mais cedo ou mais tarde.

No âmbito humano, portanto, não existe apenas o poder, mas também o dever, e isso precisaria nos levar a refletir sinceramente sobre a questão de Deus, sobre a existência ou não de um Criador. Será mesmo que todas as coisas que temos não passam de "convenções sociais"? É tudo fruto da "vontade" humana ou existe uma razão divina inscrita na própria natureza da realidade? Será que as pessoas realmente podem fazer o que lhes "der na telha" ou existem leis transcendentes para orientar a nossa conduta e, sobretudo, para nos ajudar a encontrar a felicidade? É possível, enfim, manipular a natureza como bem entendemos ou nós recebemos as coisas de um Criador?

Saibamos olhar para as consequências dos nossos atos e, tendo examinado os frutos, seremos capazes de avaliar a árvore (cf. Mt 7, 16). As nossas mulheres estão mais felizes, depois que conquistaram a "autonomia" e a "independência" que tanto desejaram? Estão mais felizes com seus filhos únicos ou com seus cachorros de estimação? Estão mais realizadas com seus relacionamentos vazios, instáveis e sem perspectiva de futuro? Ou o feminismo as enganou?

Por outro lado, existe também a necessidade de um profundo exame de consciência por parte dos homens: dos homens que só sabem usar as mulheres, como quem usa um preservativo e o joga fora; dos homens que se entregam aos jogos e às bebidas, quase "obrigando" as suas esposas a saírem de casa; dos homens, por fim, que se ausentaram da educação de seus filhos — filhos que, por sua vez, vivem imersos no "universo paralelo" da pornografia e dos video games, crescendo sem nenhuma noção do que seja sacrifício, família ou paternidade.

A culpa da decadência da nossa civilização, obviamente, não é exclusiva deste ou daquele sexo, mas uma obra conjunta, assim como foi a queda no jardim do Éden (cf. Gn 3). Cabe lembrar, porém, que a troca de dedos em riste entre Adão e Eva não levou a lugar algum. Não se começa nenhum processo de reconstrução com acusações mútuas, mas com "acusações próprias", ou seja, com confissões. Todos erramos, mas, até que a morte nos procure e nos transporte para a nossa morada definitiva, há sempre um lugar na casa do Pai esperando o nosso arrependimento e a nossa mudança de vida. Foi o que Jesus de Nazaré veio pregar e trazer efetivamente à humanidade, através de Sua obra de redenção.

Por isso, homens e mulheres: convertam-se! É esse o grande apelo que deve ser feito, para além de qualquer polêmica, necessária ou desnecessária. "O Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido" (Lc 19, 10).

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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| Categoria: Política

Um paralelo entre as Cruzadas e o terrorismo islâmico

As guerras islâmicas contra a Cristandade começaram muito antes que alguém sequer ouvisse falar de alguma Cruzada.

Por James A. Lyons* | Tradução: Equipe CNP — Que o Islã precise passar por uma reforma interna, não é apenas uma questão abstrata de teologia, mas um fato que se relaciona diretamente aos meios com que o Ocidente deve combater o terrorismo islâmico e ao modo como somos vistos pelo mundo muçulmano.

Por exemplo, o ISIS, a maior ameaça terrorista no mundo hoje, ao assumir a responsabilidade pelo atentado do ano passado em Paris, condenou os Estados Unidos e os seus aliados como "nações cruzadas". O mesmo fez Osama bin Laden, ao protestar contra "os cruzados e as Nações Unidas", depois de assumir a autoria pelos atentados de 11 de setembro.

A alusão abusivamente indiscriminada às Cruzadas tem a intenção clara de convencer os muçulmanos de que são eles que estão sendo atacados, não nós quem estamos tentando nos defender da jihad. Mais do que isso, a referência é criada para evocar sentimentos de culpa e derrotismo entre os liberais do Ocidente, que têm vergonha da civilização ocidental e são indiferentes, para dizer o mínimo, à sua sobrevivência. Não surpreende, portanto, que Barack Obama, discursando ano passado sobre o tema do terrorismo, tenha tentado minimizar o elemento islâmico das barbaridades do ISIS: "Antes que nos consideremos superiores e pensemos que isso se restringe a este ou aquele lugar, lembrem-se que, durante as Cruzadas e a Inquisição, pessoas cometeram atos terríveis em nome de Cristo."

Vamos revisitar direito a história. As Cruzadas foram uma série de guerras iniciada pelos europeus ocidentais em resposta às devastadoras derrotas infligidas pelos turcos seljúcidas ao Império cristão Bizantino. A Primeira Cruzada aconteceu em 1096 e foi a mais bem sucedida de todas, tomando o domínio de Jerusalém.

Mas os ganhos foram apenas temporários, requerendo o dispêndio de repetidos esforços para manter os pequenos Estados feudais construídos na Terra Santa. Acre, a última fortaleza dos cruzados, hoje localizada em Israel, veio abaixo no ano de 1291.

As Cruzadas, portanto, ocuparam um curto período de pouco mais de dois séculos e meio na história. Elas foram limitadas em escopo e constituíram essencialmente um contra-ataque, visando retomar as terras que tinham sido invadidas pelos muçulmanos.

Como as Cruzadas se comparam à jihad islâmica? Após a morte de Maomé, em 632, os seus sucessores, os califas — os mesmos que o líder do ISIS, Abu Bakr al-Baghdadi, diz haver ressuscitado — começaram gratuitamente a sua guerra de conquista contra os bizantinos. Dentro de uma década, a jihad havia tomado o território até então cristão do Egito, bem como a Palestina e a Síria.

Os exércitos muçulmanos varreram todo o norte da África e chegaram à Espanha em 711, e só foram definitivamente parados na França por Carlos Martel, avô de Carlos Magno, no ano de 732. (Ao mesmo tempo, forças muçulmanas varriam o Oriente, subjugando a Pérsia e alcançando as fronteiras da China.) Repetidos ataques continuaram em todo o Mediterrâneo, incluindo os cercos árabes de Constantinopla e as conquistas de Chipre, Sicília e Creta.

Motivados pela jihad islâmica e pelo desejo de saquear e escravizar — de modo idêntico ao que faz o Estado Islâmico hoje —, sequer um desses ataques foi defensivo. As terras conquistadas não eram domínios islâmicos livres de ocupação, mas terras cristãs cujos habitantes experimentaram os mesmo horrores por que hoje passam a Síria, o Iraque e, agora, a Líbia: amputações, decapitações, escravidão e exploração sexual (tudo explicitamente autorizado pelo Alcorão). Ao assistirmos os vídeos terríveis do Estado Islâmico decapitando pessoas e escravizando sexualmente mulheres, lembremo-nos de que essas cenas se repetiram milhares de vezes antes: em Jerusalém, no ano de 637; no Egito, em 639; na Espanha, em 711; e em Constantinopla, em 1453. A única diferença é que hoje há câmeras e comunicação instantânea em todo o mundo.

A jihad islâmica contra a Cristandade começou mais de quatro séculos e meio antes que alguém sequer ouvisse falar de alguma Cruzada. Os cruzados só detiveram a jihad de 1110 a 1350, um curto período de tempo depois do qual ela foi retomada com força total.

Maior parte da Ásia Menor — atual Turquia — foi rapidamente subjugada com o fim das Cruzadas. Os guerreiros islâmicos do novo Império Otomano atravessaram a Europa por Galípoli em 1356. Rápida e sucessivamente a jihad se abateu sobre a Grécia, a Bulgária, a Sérvia, a Albânia e o sul da Romênia.

Constantinopla caiu em 1453. (Isso completou a primeira parte de uma profecia atribuída a Maomé, e citada com paixão pelos jihadistas de hoje, de que primeiro eles tomariam Constantinopla e, depois, Roma.) A Bósnia, a Croácia, a Hungria, a Polônia e o sul da Áustria, todas caíram. Corsários muçulmanos devastaram as costas da Itália, da Espanha, da Sardenha e da Córsega, chegando a alcançar ao norte a Irlanda e a Escandinávia. (São também dessa época as batalhas marítimas contra os piratas da Barbária, que permaneceram em atividade até o século XIX.)

O avanço islâmico só começou a ser seriamente atenuado em 1683, com o fracasso do segundo cerco turco de Viena. Embora a ideologia da jihad ofensiva não tivesse mudado, suas capacidades não podiam suportar a revolução científica e tecnológica que ganhava espaço na Europa cristã.

Em suma, a agressiva jihad islâmica foi travada contra os cristãos e durou 450 anos. Por 250 anos, os cruzados cristãos contra-atacaram. Depois que aquele contra-ataque fracassou, porém, uma nova jihad foi conclamada e, ao que tudo indica, ainda está longe de chegar ao seu término.

Está mais do que claro, portanto, quem são os verdadeiros agressores. Recorrer a um episódio histórico tão distante e particular para sugerir, ainda que remotamente, uma explicação para o que faz o Estado Islâmico hoje, não passa de desonestidade intelectual.

Fonte: The Washington Times | Tradução e adaptação: Equipe CNP

[*] Alguns trechos do texto foram modificados, mas, como a maior parte do texto foi traduzida fielmente do original, mantivemos o nome do autor do artigo em inglês.

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| Categoria: Espiritualidade

As três conversões e o amor esponsal

A vida espiritual não é uma “linha reta”, mas uma escada ascendente, em que somos chamados a progredir continuamente no amor a Deus. Ninguém faz planos para viver de salário mínimo eternamente.

O início da vida espiritual é marcado por um sentimento de profunda gratidão para com Deus. O recém convertido medita sobre sua vida passada e percebe o quanto o Senhor o amou, mesmo não sendo ele merecedor de tamanha graça, dada a quantidade de misérias nas quais costumava chafurdar. Esta relação é a do servo com o Senhor. Trata-se de um amor inicial, por meio do qual a pessoa abandona aqueles pecados mais grosseiros, à procura de uma vida mais em conformidade com os mandamentos da Lei Divina.

O processo de conversão segue para a segunda fase. Muitos autores espirituais escreveram sobre esse período de transição, cuja meta é a amizade com Deus [1]. A pessoa passa por um período de aridez — ou noite escura dos sentidos, como dizia São João da Cruz —, que nada mais é do que uma purificação do amor, a fim de que ela vença o egocentrismo e as próprias paixões. Há o convite a um relacionamento mais íntimo com Jesus, o qual deseja chamar-nos "amigos".

A segunda conversão é o tempo da generosidade: Deus nos dá a oportunidade de subir a escada da salvação, atrás do verdadeiro motivo para nossa existência, isto é, a coroa do céu. Quando Padre Paulo Ricardo iniciou a campanha #ProjetoSegundaMorada, ele pensava justamente na necessidade de progredirmos no amor a Deus, por meio de uma entrega mais determinada à Sua vontade. Ninguém faz planos para viver de salário mínimo eternamente. Neste sentido, também o amor a Deus não pode se resumir a algumas formalidades. De fato, mostramos nosso amor quando agimos por gratuidade, não por causa de uma dívida a ser paga. É na segunda conversão, portanto, que se inicia o grande combate contra os pecados veniais e contra aquelas imperfeições que danificam nossa fraternidade com a Pessoa de Cristo.

Notem: há uma enorme diferença entre a dedicação do empregado ao patrão e a dedicação do amigo ao outro. Enquanto o primeiro age por interesse, ainda que seja legítimo e justo, o segundo faz o bem pelo amado, mesmo que este não possa retribuir. Deus não quer nosso amor simplesmente porque Ele nos consola com Sua graça e providência; temos de nos converter ao ponto de chegarmos à conclusão de que valeria a pena viver para Cristo ainda que não houvesse um Céu. Isso explica o porquê de Deus permitir a chamada aridez espiritual neste período do caminho para a perfeição. Ele se esconde para que o procuremos com determinada determinação.

Os escritores espirituais falam também de uma terceira conversão. A primeira, como vimos, é identificada pelo amor de gratidão: o servo ama seu senhor. No segundo estágio, por sua vez, o servo é convidado a tornar-se amigo de seu senhor, demonstrando uma capacidade de amar independentemente dos benefícios desse amor. Já a terceira conversão consiste no amor esponsal.

Infelizmente, o contexto supersexualizado no qual vivemos gera certa confusão no entendimento deste tipo de amor, sobretudo quando se refere aos homens. Como um homem pode ter um amor esponsal por Jesus? Trata-se de uma questão aparentemente muito capciosa, mas que, na verdade, diz respeito ao mais íntimo do ser humano.

O pecado original corrompeu a alma humana, tornando-a refém do diabo. Pelo batismo, no entanto, essa infeliz condição é anulada através da graça santificante, a qual Deus infunde no coração do homem para que ele viva segundo seu organismo espiritual. Deus quer habitar dentro de nosso interior, pois, como diz Santo Agostinho, Ele é " interior intimo meo et superior summo meo — maior do que o que há de maior em mim e mais íntimo do que o que há de mais íntimo em mim" [2]. Vejam: Deus quer possuir definitivamente nossa alma, ainda que sejamos criaturas mesquinhas, facilmente seduzidas pelas paixões profanas.

É disso que se trata o amor esponsal: uma união total e incorruptível com nosso criador. No texto do Cântico do Cânticos, lemos a declaração de amor de Jesus a sua Igreja, que somos nós. Esse amor consiste numa entrega apaixonada até o sacrifício na cruz, pelo que fica clara agora a comparação do apóstolo entre o amor de marido e mulher e o amor de Jesus pela Igreja (cf. Ef 5, 25. 29. 32). Somos chamados a ocupar todos os espaços de nossas vidas com a presença de Deus; isso significa um amor exclusivo, pois não se pode servir a dois senhores: ou odiará a um e amará o outro, ou dedicar-se-á a um e desprezará o outro (Mt 6, 24). O jovem rico cumpria os dez mandamentos, mas não correspondeu ao chamado de Jesus porque possuía muitas riquezas (cf. Mt 19, 22).

A realidade do amor esponsal ilumina outros mistérios do cristianismo como o próprio celibato dos padres e dos religiosos. Em consequência da responsabilidade de suas vocações, eles são chamados a uma continência ainda mais perfeita para que tenham a Deus como único amor de seus corações. A desistência e os escândalos que ocorrem dentro do ambiente clerical deve-se justamente à falta de vivência desse amor por Jesus e pela Igreja.

O amor esponsal está na raiz de uma vida santa. Por isso o primeiro mandamento ensina logo o amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo. Quem possui esse amor sabe enxergar no outro um filho também amado pelo Senhor. Porque viviam esse amor, os santos foram os que mais fizeram bem à humanidade, procurando no semelhante Aquele que habita dentro de cada um nós, a grande descoberta de Santo Agostinho. Lembremo-nos sempre: Ele está dentro de nós, não fora!

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Cf. GARRIGOU-LAGRANGE, Reginald. As 3 vias e as três conversões. 4a. Rio de Janeiro: Editora Permanência, 2011, 104p.
  2. Santo Agostinho, Confissões, III, 6, 11.

| Categoria: Notícias

Igreja é furtada e hóstias são jogadas em rio no Espírito Santo

A notícia é de que apenas o sacrário foi levado durante o crime, o sacrário que contém justamente o que de mais valioso têm as nossas igrejas: o próprio Jesus Cristo.

Segundo informações do G1:

"Uma igreja de São João do Sobrado, no distrito de Pinheiros, na região Norte do Espírito Santo, foi furtada na madrugada desta quinta-feira (21). As hóstias e o sacrário da paróquia foram encontradas jogadas em um rio do município durante a manhã.

Segundo a Polícia Militar, foi furtado apenas o sacrário, uma peça parecida com um cofre, que continha as hóstias. O furto foi descoberto pela manhã. A polícia informou que os bandidos usaram alguma ferramenta para remover a fechadura da porta da frente e entrar no templo."

Nós sabemos, pela fé, que Jesus Cristo, o mesmo que nasceu em Belém, viveu em Nazaré, foi crucificado em Jerusalém, ressuscitou e subiu aos céus, está verdadeiramente presente em cada mínima parte, de cada hóstia consagrada, nos tabernáculos do mundo inteiro. Essa notícia que recebemos, portanto, não é de um furto pura e simplesmente, mas de uma verdadeira profanação.

Fotos: Juscimar da Silva Pereira/ Leitor A Gazeta

A todos os internautas que passam por aqui e vêem essas fotos, pedimos, portanto, que parem por um instante o que estiverem fazendo e façam um ato de desagravo a Jesus no Santíssimo Sacramento do altar.

Orações do Anjo
Ensinadas pelo Anjo de Portugal aos três pastorinhos de Fátima

Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam.

Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.

Ato de reparação
Papa Pio XI

Dulcíssimo Jesus, cuja infinita caridade para com os homens é por eles tão ingratamente correspondida com esquecimentos, friezas e desprezos, eis-nos aqui prostrados na Vossa presença, para Vos desagravarmos, com especiais homenagens, da insensibilidade tão insensata e das nefandas injúrias com que é, de toda parte, alvejado o Vosso amorosíssimo coração.

Reconhecendo, porém, com a mais profunda dor, que também nós, mais de uma vez, cometemos as mesmas indignidades, para nós, em primeiro lugar, imploramos, a Vossa misericórdia, prontos a expiar não só as próprias culpas, senão também as daqueles que, errando longe do caminho da salvação, ou se obstinam na sua infidelidade, não vos querendo como pastor e guia, ou, conculcando as promessas do batismo, sacudiram o suavíssimo julgo da Vossa santa lei.

De todos estes tão deploráveis crimes, Senhor, queremos nós hoje desagravar-Vos, mas, particularmente, da licença dos costumes e imodéstia do vestido, de tantos laços de corrupção armados à inocência, da violação dos dias santificados, das execrandas blasfêmias contra Vós e Vossos Santos, dos insultos ao Vosso Vigário e a todo o Vosso clero, do desprezo e das horrendas e sacrílegas profanações do Sacramento do divino amor, e, enfim, dos atentados e rebeldias das nações contra os direitos e o magistério da Vossa Igreja. Oh! se pudéssemos lavar, com o próprio sangue, tantas iniquidades!

Entretanto, para reparar a honra divina ultrajada, Vos oferecemos, juntamente com os merecimentos da Virgem Mãe, de todos os santos e almas piedosas, aquela infinita satisfação, que Vós oferecestes ao eterno Pai sobre a cruz, e que não cessais de renovar, todos os dias, sobre nossos altares.

Ajudai-nos, Senhor, com o auxílio da Vossa graça, para que possamos, como é nosso firme propósito, com a viveza da fé, com a pureza dos costumes, com a fiel observância da lei e caridade evangélicas, reparar todos os pecados cometidos por nós e por nosso próximo, impedir, por todos os meios, novas injúrias de Vossa divina Majestade e atrair ao Vosso serviço o maior número de almas possíveis.

Recebei, ó benigníssimo Jesus, pelas mãos de Maria santíssima reparadora, a espontânea homenagem deste nosso desagravo, e concedei-nos a grande graça de perseverarmos constantes, até à morte, no fiel cumprimento de nossos deveres e no Vosso santo serviço, para que possamos chegar à pátria bem-aventurada, onde Vós com o Pai e o Espírito Santo viveis e renais, Deus, por todos os séculos dos séculos. Amém.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

| Categoria: Sociedade

Qual o problema de ser “bela, recatada e do lar”?

Polêmica que causou alvoroço nas redes sociais é uma ótima oportunidade para refletirmos sobre os valores que temos transmitido aos nossos filhos.

Reportagem publicada esta semana na revista Veja causou alvoroço nas redes sociais, depois de descrever Marcela Temer, a esposa do vice-presidente da República, como uma mulher "bela, recatada e 'do lar'". Aparentemente, os adjetivos não foram bem aceitos pelo público na Internet. Alguns veículos de comunicação chamaram a matéria de "machista" e "intolerante".

Agora abstraiam, por um momento, da figura de Marcela Temer, do conteúdo do artigo e de qualquer conotação política que ele tenha. O verdadeiro debate aqui é de natureza moral. Qual é, no fim das contas, o problema de uma mulher ser ou mesmo identificar-se como "recatada, modesta e do lar"? De onde surgem tantas reações negativas a esse perfil?

A resposta para essa pergunta deve ser encontrada no tsunami cultural que tem devastado o mundo todo, principalmente a partir da década de 70. Tudo começou com uma simples "onda" (alguns sutiãs queimados aqui, outros livros de protesto acolá), mas, graças à atuação da mídia, as coisas tomaram proporções catastróficas. Até algum tempo atrás, ser "bela, recatada e do lar" não só era uma característica comum às mulheres, como toda a sociedade estava projetada para formar as mulheres deste modo, seja dentro da família, seja dentro das escolas. "Modéstia", "recato", "pudor" e "maternidade" nem sempre foram xingamentos. Antes de as pessoas enlouquecerem, eram todas metas que os pais almejavam para a educação das suas filhas. Protestos para usar shortinho nas escolas eram impensáveis há alguns anos.

Por que o quadro social e familiar mudou tanto?

As feministas dirão que os tempos são outros, porque as mulheres se emanciparam. Os fatos mostram, no entanto, que os tempos são péssimos, porque as mulheres, na verdade, se deixaram manipular. E é fácil demonstrar como.

Olhemos, em primeiro lugar, para o que aconteceu esta semana nas redes. Não é curioso que os protestos ao perfil "bela, recatada e do lar" tenham viralizado com tanta rapidez, ganhando espaço até mesmo nos veículos informativos de grande circulação? — Vejam, dizem as notícias, trata-se de mulheres esclarecidas, que não se deixam enganar pelo discurso do patriarcado opressor e misógino! Elas resistem à manipulação! — A pergunta que deve ser feita é: que grande mérito existe em "resistir" a um discurso com o qual já ninguém está mais de acordo? Qual a grande coisa em criticar "vestidos na altura dos joelhos" quando quase nenhuma mulher os usa? O que há de "resistência" em falar mal das donas de casa, quando o que as mulheres querem é justamente ficar longe de casa? É muito fácil falar de "empoderamento" quando se é carregado pela correnteza de um rio. Só uma coisa verdadeiramente viva é capaz de nadar contra a corrente.

Dizendo mais claramente, não é preciso ter coragem nenhuma para usar um shorts curto ou uma blusa decotada quando está todo o mundo fazendo o mesmo. Ousadia quem tem é a mulher que, em tempos de pouco tecido, escolhe cobrir o seu corpo com respeito; que, em tempos de ódio à maternidade, escolhe ter uma família numerosa; que, em tempos de depravação geral, escolhe viver o recato e a decência. Essa é uma mulher de bravura, que não adere simplesmente às "modas" do momento.

Quanto à ideologia por que morre de amores a nossa elite cultural, um olhar acurado às suas raízes justifica ainda mais o uso do termo "manipulação". O movimento feminista adora falar de "libertação sexual" e de "empoderamento da mulher", apontando o dedo à Igreja, à imagem da Virgem Maria e à família burguesa, como se fossem eles os grandes inimigos da emancipação feminina.

A verdade é que nada escraviza tanto as mulheres quanto o feminismo moderno. O feminismo que lhes diz que não serão felizes enquanto não tiverem uma carteira de trabalho e não se sujeitarem a seus patrões (para substituir os maridos de que elas querem prescindir). O feminismo que lhes diz que não serão livres enquanto não transformarem os seus úteros em túmulos (para que não sacrifiquem a sua "realização profissional"). O feminismo que lhes diz que não serão iguais enquanto não superarem os homens em imoralidade e em depravação. E, por fim, o feminismo que lhes diz que não deveriam sequer ter a opção de ficar em casa para cuidar dos próprios filhos, porque isso ajudaria a perpetuar "os mitos da família, da maternidade e do instinto materno". Palavras da ativista Simone de Beauvoir, documentadas para quem as quiser ler.

Na verdade, o grande problema de uma "mulher, recatada e do lar" — seja quem for, desde Nossa Senhora a uma humilde mãe de família — é que ela lembra às pessoas do nosso tempo o fracasso da educação que temos recebido e repassado aos nossos filhos e filhas. Nós deixamos de acreditar no amor e já estamos convencidos de que não é possível viver senão movidos por nossas carências afetivas e impulsos sexuais desordenados.

Educar uma pessoa — qualquer pessoa, seja mulher, seja homem — para a virtude, para o respeito ao próprio corpo e ao próximo, é tarefa difícil, que exige paciência, dedicação e perseverança. Mas nós, pelo visto, não queremos nada disso. Estamos satisfeitos com nossa medíocre "felicidade animal", com nosso desleixo generalizado, com nossa falta de amor próprio.

Enquanto tivermos alma, no entanto, o profundo vazio de nosso coração continuará clamando bem alto para que voltemos à casa do Pai. E sentirmo-nos orgulhosos por comer a lavagem dos porcos só vai aumentar ainda mais a nossa miséria.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Leia também: Qual o problema de ser "bela, recatada e do lar"? (II).

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Milagres Eucarísticos: o que são e como começaram?

Manifestações sobrenaturais relacionadas ao sacramento da Eucaristia são tão antigas quanto a própria Igreja. E estão acontecendo até os dias de hoje.

As páginas dos Evangelhos estão repletas de milagres: multiplicações de pães, ordens sobre as forças da natureza, curas de cegos e paralíticos, ressurreições de mortos etc. Quem lê tudo isso simplesmente com os olhos da carne diz que Jesus Cristo foi um grande taumaturgo; quem se atenta para o modo como Ele operava todas essas maravilhas, no entanto, é obrigado admitir que esse homem era o próprio Deus.

Homens antes de Cristo operaram milagres, é verdade — Moisés, por exemplo, fez descer várias pragas sobre o Egito, e muitos prodígios realizados por Elias estão todos narrados no Primeiro Livro dos Reis —, mas nenhum deles fazia tais coisas por força própria. Ninguém pode fazer milagres a não ser Deus: para que alguém os opere, precisa antes ter recebido a força d'Ele. Foi assim com Moisés, foi assim com Elias e foi assim com todos os patriarcas e profetas do Velho Testamento. De Jesus, ao contrário, d'Ele próprio, "saía uma força que curava a todos" (Lc 6, 19).

Além disso, ninguém antes de Cristo jamais disse ser o Bom Pastor, o Pão do Céu ou o Filho de Deus. Em nenhum profeta do Antigo Testamento alguém lê frases como: "Antes que Abraão fosse, eu sou" (Jo 9, 58), "Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim" (Jo 14, 6), ou ainda "Eu e o Pai somos um" (Jo 10, 30). Por isso, os milagres de Cristo atestam também a verdade da Sua pregação. "Se este ensinamento não fosse verdadeiro — ensina Santo Tomás de Aquino —, não poderia ter sido confirmado por milagres feitos pelo poder divino" [1].

Também os chamados milagres eucarísticos são todos realizados para comprovar a verdade da doutrina cristã. Trata-se, sem dúvida, de um milagre típico deste tempo em que vivemos — o tempo da Igreja, da economia sacramental —, mas seu fundamento está nas próprias palavras do Senhor: "A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue, verdadeira bebida" (Jo 6, 55). Quando instituiu a Eucaristia, Cristo não queria fazer uma mera refeição, ou instaurar um memorial simbólico: Ele não disse, ao tomar o pão, "isto representa o meu corpo", mas "isto é o meu corpo"; nem sugeriu, ao tomar o vinho, que aquele líquido lembraria o Seu sangue, mas afirmou solenemente: "este é o cálice do meu sangue" (cf. Mt 26, 26-29; Mc 14, 22-25; Lc 22, 14-23; 1 Cor 11, 23-25).

O testamento de Cristo é forte e pode parecer até excessivo. — Crer que Ele foi concebido de uma virgem, que ressuscitou dos mortos, é até "tolerável"; mas que Se faça presente, todos os dias, num pedaço de pão? — Naturalmente, esse escândalo não foi diferente em outros tempos. Muitas vezes, pessoas dentro da própria Igreja foram tentadas a perguntar ao Senhor: "Isto é muito duro. Quem o pode suportar?" (Jo 6, 60). É por isso que Deus operou e continua a operar inúmeros milagres eucarísticos, para mostrar aos homens que Ele é fiel às suas palavras, e que o sacramento da Comunhão não é um faz de conta, mas a Sua presença viva e real, nos altares do mundo inteiro.

Os primeiros milagres eucarísticos

O primeiro relato que se tem de um milagre ligado a este sacramento se encontra em um escrito de São Cipriano de Cartago, ainda em meados do 3.º século.

Em um texto chamado De lapsis ("Dos lapsos", lit.) — sobre a readmissão, na Igreja, daqueles que negaram a Cristo na hora do martírio —, o santo relata alguns exemplos de como Deus castigou pessoas que se aproximaram indignamente da Santa Comunhão.

Depois de narrar o episódio impressionante de uma criança que, após ter comido um pouco de pão oferecido aos ídolos, começou a vomitar entrando em contato com o sangue do Senhor, ele prossegue em sua pregação:

"Uma mulher adulta e de idade avançada, que se introduziu secretamente em nosso meio enquanto celebrávamos o sacrifício, tomando para si não um alimento, mas uma espada, e recebendo em sua boca e coração como que um veneno letal, começou a se sentir sufocada e a debater-se depois de ter comido e, sendo pressionada não mais pela perseguição, mas por seu delito, desmaiou palpitando e tremendo. O crime de sua consciência dissimulada não ficou oculto nem sem punição por muito tempo. Aquela que tinha enganado o homem sentiu a vingança divina.

Outra mulher, que tentou abrir com suas mãos indignas a arca de Deus, na qual estava encerrado o Santo do Senhor, foi detida por um fogo que surgia de dentro e não ousou aproximar-se.

Um outro, que, manchado de pecado, ousou tomar parte com os outros no sacrifício celebrado pelo sacerdote, não conseguiu comer e trazer nas mãos o Santo do Senhor, porque, ao abri-las, viu que carregava cinzas." [2]

Por que episódios como esses aconteceram?

Porque, no tempo de São Cipriano, alguns pastores começaram a admitir qualquer um à Comunhão, banalizando o sacramento da Eucaristia. Eles diziam que não era preciso fazer penitência pelos pecados passados e que todos, independentemente da vida que levavam, podiam aproximar-se da mesa eucarística. Por isso, para mostrar que quem come e bebe indignamente o Corpo do Senhor realmente come e bebe a própria condenação, como sempre ensinou a Igreja, desde os tempos de São Paulo (cf. 1 Cor 11, 29), Deus realizou milagres desse gênero, a fim de incentivar os fiéis ao respeito e à reverência devidos ao Santíssimo Sacramento do altar.

Conta-se um relato parecido relacionado a São João Crisóstomo († 407), bispo de Constantinopla. Um homem levou a sua esposa, que pertencia à seita do arianismo, à igreja do bispo. Mesmo em heresia, a mulher entrou na procissão e recebeu a hóstia consagrada, guardando-a nas mãos até que chegasse em casa. Quando pôs a partícula na boca para comer, ela percebeu, para a sua surpresa, que a hóstia tinha se petrificado. Impressionada com o acontecimento, a mulher correu sem demora em direção ao santo, mostrou-lhe a pedra com as marcas dos seus dentes e implorou a absolvição de seus pecados.

Acreditaste porque me viste?

Séculos mais tarde, as pessoas começaram a questionar outros aspectos da Eucaristia, principalmente o da presença real de Cristo no sacramento.

Foi então que começaram a surgir os grandes e mais conhecidos milagres eucarísticos, alguns preservados até os dias atuais: em Lanciano, no século 8.º; em Ferrara, em 1171; em Santarém, em Orvieto e em Paris, nos anos 1200; em Siena, em 1730 etc. Em alguns destes, as hóstias consagradas sangravam; em outros, elas se transformavam em carne humana, e a aparência do vinho, em sangue. Em outras ocasiões ainda, a hóstia simplesmente levitava, ou era preservada por um longo período de tempo.

Fatos semelhantes acontecem com bastante frequência no mundo inteiro, ainda hoje. Tome-se como exemplo o que aconteceu na cidade de Chirattakonam, no sul da Índia, em 5 de maio de 2001, quando uma figura de Nosso Senhor coroado de espinhos foi vista em uma hóstia exposta no ostensório. O pároco do lugar, Frei Johnson Karoor, dá o seu testemunho:

"Abri a igreja para a celebração da missa, me preparei e fui abrir o Tabernáculo para ver que coisa tinha acontecido à Eucaristia que estava no Ostensório. Imediatamente reparei que nela estava figurado um rosto humano. Fiquei muito perturbado e pedi aos fiéis que se ajoelhassem e começassem a rezar. Pensava que só eu via o rosto e perguntei ao coroinha que coisa ele via no Ostensório. Ele respondeu: 'Vejo a figura de um homem.' Notei que os fiéis olhavam fixamente o Ostensório. Começamos a adoração e a figura do homem, com o passar do tempo era cada vez mais nítida. Não tive a coragem de falar nada e comecei a chorar."

A intenção de tantos prodígios é clara: manifestar aos homens a verdade da transubstanciação; mostrar que, quando o sacerdote pronuncia, na própria pessoa de Cristo (in persona ipsius Christi), as palavras da consagração, o pão não é mais pão, e o vinho já não é vinho, mas o corpo, sangue, alma e divindade de Nosso Senhor. Os olhos de quem presencia ou lê um milagre eucarístico devem dirigir-se, portanto, a cada celebração da Santa Missa: a partir de tantos fatos extraordinários, somos chamados a enxergar, com os olhos da fé, a ação maravilhosa de Deus na celebração "ordinária" do sacramento.

No mais famoso milagre eucarístico já testemunhado pela Igreja, em Lanciano, a carne e o sangue vivos de Cristo apareceram nas mãos de um monge que duvidava. Ao chamar os fiéis para admirarem o que acabava de acontecer, ele não se envergonhou em dizer que "o Santo Deus quis desvendar-se e tornar-se vísivel" a fim de "confundir a minha incredulidade". Uma vez curado desse mal, porém, o monge deveria renovar e fazer crescer todos os dias a sua fé. Lanciano não se repetiria mais. O milagre de toda Missa, no entanto, continuaria a acontecer diariamente, e ele precisava colher os frutos desses santos mistérios.

É por isso que todas as pessoas são chamadas a ir além dos milagres. Quando ficamos impressionados com o corpo de um santo incorrupto ou com alguma hóstia preservada de um milagre eucarístico, Jesus nos repete as mesmas palavras que dirigiu certa vez a São Tomé: "Acreditaste porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem ter visto!" (Jo 20, 29). Felizes os que deram crédito às palavras de Cristo, mesmo sem terem visto milagre nenhum! Felizes os que ouvem as palavras do sacerdote na Missa e sabem que o próprio Deus está presente ali, porque não nos engana e nem pode enganar-Se! Felizes os que são capazes de afirmar, com o Catecismo de São Pio X, o motivo primeiro de nossa fé: "Eu acredito que no Sacramento da Eucaristia está verdadeiramente presente Jesus Cristo, porque Ele mesmo o disse, e assim no-lo ensina a Santa Igreja" [3].

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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Referências

  1. Suma Teológica, III, q. 43, a. 4.
  2. De lapsis, 26 (PL 4, 486-487).
  3. Catecismo de São Pio X, n. 596.