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“Definitivamente satânica”: um exorcista fala da ideologia de gênero
Sociedade

“Definitivamente satânica”: um
exorcista fala da ideologia de gênero

“Definitivamente satânica”: um exorcista fala da ideologia de gênero

Este exorcista está convencido de que “a forma como essa coisa de gênero tem se espalhado é demoníaca”, por mais que as pessoas não enxerguem, ou se recusem a fazê-lo.

Equipe Christo Nihil Praeponere30 de Novembro de 2018
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Crianças “treinadas” desde cedo para “descobrir” a própria sexualidade ou questionar o próprio “gênero”, pais punidos pelo Estado por não aceitar que seus filhos recebam a “educação sexual” tendenciosa da escola, programas de TV cada vez mais abertamente ideológicos e pervertidos, inclusive para o público infantil… A lista de investidas que os ideólogos de gênero têm promovido nos últimos anos, em todas as áreas, parece não ter mais fim. Talvez seja necessário, em um futuro próximo, isolar-se numa caverna para escapar à sua influência.

Um episódio recente de promoção dessa agenda — protagonizado pela famosa cantora Celine Dion, cuja posição favorável à família e contra o divórcio já foi elogiada em outros tempos por sítios católicos — acendeu o alerta de muitos para o poder de sedução e de manipulação dessa ideologia. A artista fez campanha para a linha internacional de roupas infantis “NuNuNu”, inaugurando uma marca com a finalidade de “liberar as crianças dos papéis tradicionais de menino e menina”.

Não fosse isso o suficiente, a empresa em questão tem em seu histórico um mural de fotos para lá de controverso, com máscaras sem rosto, espelhos refletindo caveiras, bodes segurando livros infantis, crianças com tatuagens de piratas e anéis sombrios.

Para o monsenhor John Esseff, padre há 65 anos e exorcista experiente, que conversou com a escritora católica Patti Armstrong, colunista de National Catholic Register, “a forma como essa coisa de gênero tem-se espalhado é demoníaca”. O sacerdote exerce seu ministério na diocese de Scranton, no estado norte-americano da Pensilvânia, já foi diretor espiritual de Santa Teresa de Calcutá e ajudou a fundar e dirigir um instituto de formação para exorcistas.

“Quando uma criança nasce”, ele se pergunta, “quais as primeiras coisas que se dizem dela? Que é um menino ou que é uma menina. É a coisa mais natural do mundo de se dizer. Dizer que não há nenhuma diferença, ao contrário, é algo satânico. Eu não sei nem mesmo quantos gêneros deve haver agora, mas há apenas dois criados por Deus.”

Ainda que o demônio esteja em guerra com a humanidade desde o princípio, o padre John destaca que os ataques satânicos neste período da história têm-se tornado mais intensos. “O maligno sente que, de alguma forma, ele pode fazer essas coisas sem ser reconhecido. Ele é um mentiroso, e há grandes mentiras sendo contadas.”

Diante das fortes declarações do exorcista, houve quem sugerisse na internet que religiosos contrários à ideologia de gênero estariam acusando de “satanismo” a cantora Celine Dion. De fato, tanto o comercial quanto a marca apoiada por ela encontram-se repletos de elementos sombrios e perturbadores. Mas, ainda que não fosse o caso, nem por isso a proposta veiculada se tornaria menos perigosa. Muito pelo contrário, quanto mais disfarces usa o demônio, maior o seu poder de infiltração e conquista.

Trata-se, a propósito, de um grande erro da nossa época em relação ao mal: achar que a ação do demônio limita-se a rituais ocultistas, a possessões ou a manifestações malignas evidentes e indisfarçáveis. Não, o que o sacerdote acima está alertando é que Satanás age de modo sutil, muitas vezes “sem ser reconhecido”.

Como consequência de as pessoas não mais acreditarem na Verdade, não mais terem fé na Revelação divina, não mais levarem a sério o Credo e os preceitos da religião cristã, não mais escutarem a Palavra de Deus, elas acabam dando ouvidos às mentiras e ilusões do inimigo de Deus — entre as quais se inclui justamente a ideologia de gênero.

O Papa Bento XVI notou certa vez, com perspicácia, que por trás dessa ideia de que, à parte sua sexualidade como dado natural, o ser humano poderia moldar como bem entendesse o seu “gênero”, está uma “revolução antropológica”, uma noção não só herética de humanidade, mas avessa à própria razão natural. Não estivessem já confundidos pelas ideologias e obstinados em sua malícia, os homens de nossa época seriam facilmente curados com uma simples aula de catequese. Se desde crianças tivessem aprendido que o ser humano é corpore et anima unus — “uno de corpo e alma”, na expressão do Catecismo (n. 362) —, não se deixariam enganar por uma ideia tão maluca e distante tanto do bom senso quanto da realidade das coisas.

Ideias como essa, no entanto, não são apenas “mentirinhas” de mau gosto, contos sem nenhuma influência no dia-a-dia das pessoas… Quantas vidas não foram e não estão sendo “transtornadas”, no sentido mais literal da palavra, por uma teoria supostamente “científica” e com ares de modernidade!

Ponhamos de vez em nossa cabeça: a falta de fé e, com ela, as heresias e apostasias de nosso tempo não são inofensivas, ao contrário do que nossa época liberal tem sido levada a acreditar. Não é preciso invocar espíritos maus ou praticar rituais satânicos para estar a serviço do Anticristo. Na verdade, nunca foi tão fácil pertencer a esse corpo maligno que, “macaqueando” o Corpo místico de Cristo, a Igreja, constrói um verdadeiro império, e de proporções mundiais.

Se Santo Tomás de Aquino já falava, no século XIII, do Anticristo como cabeça dos maus (cf. Suma Teológica, III, q. 8, a. 8), nunca como agora esse organismo teve contornos tão nítidos, tão visíveis e tão… humanos. Na educação, nos governos civis, nos meios de comunicação, o satânico está por toda parte — e a ideologia de gênero é apenas um instrumento, muito poderoso e destruidor, desse sistema perverso.

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O corpo incorrupto de Santa Catarina Labouré
Santos & Mártires

O corpo incorrupto
de Santa Catarina Labouré

O corpo incorrupto de Santa Catarina Labouré

Muitos já ouviram falar da Medalha Milagrosa, mas poucos conhecem o corpo igualmente milagroso de Catarina Labouré, a vidente de Nossa Senhora das Graças, encontrado intacto mais de 50 anos depois de sua morte.

Joan Carroll CruzTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere27 de Novembro de 2018
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Catarina Labouré, a vidente de Nossa Senhora a quem se deve a existência da Medalha Milagrosa, nasceu no seio de uma numerosa família de camponeses na pacífica vila de Fain-les-Moutiers, na França. Sua mãe morreu quando ela contava ainda nove anos de idade. Foi quando a menina tomou a bem-aventurada Virgem Maria por mãe e protetora. Piedosa desde a mais tenra infância, Catarina jejuava duas vezes por semana, não obstante as tarefas domésticas fatigantes que realizava na fazenda do pai. Além disso, participava diariamente da Santa Missa na capela das Irmãs da Caridade, a um quilômetro e meio de casa.

Havendo tomado a decisão de entrar para a vida religiosa, Catarina negou duas propostas de casamento, e seu pai, esperando desencorajar a filha, mandou-a viver junto com um irmão, que conduzia um restaurante em Paris, onde ela obedientemente servia às mesas. As circunstâncias, ao fim e ao cabo, permitiram que ela entrasse para a Ordem das Irmãs da Caridade, na Rue du Bac, em Paris, e foi ali que se cumpriu a sua vocação.

Como jovem postulante, ela costumava ver Nosso Senhor em frente ao Santíssimo Sacramento durante a Missa, e por três vezes teve visões místicas e simbólicas de São Vicente de Paulo sobre o relicário que continha seu coração incorrupto, conservado na capela da casa onde se deram todas as suas visões. Sem dúvida, as mais extraordinárias eram as que envolviam a Virgem Maria.

No dia 18 de julho de 1830, véspera da festa de São Vicente de Paulo, fundador de sua Ordem, Santa Catarina foi despertada durante a noite por seu anjo, que lhe apareceu com o aspecto de uma criança de cerca de cinco anos, toda radiante, e que a conduziu para dentro da capela. Ali ela recebeu a visita de Nossa Senhora, que tomou o assento reservado ao diretor das irmãs. Prostrando-se diante da aparição, Catarina recebeu a graça de pôr suas mãos dobradas sobre os joelhos da Virgem, que lhe disse: “Vem aos pés deste altar. Ali serão derramadas graças sobre ti e sobre todos os que pedirem por elas, ricos e pobres.”

A segunda aparição ocorreu em 27 de novembro de 1830, enquanto Catarina fazia sua meditação vespertina. Ao ouvir o farfalhar da seda, que ela reconheceu da primeira aparição, Catarina olhou para o lugar de onde vinha o som e contemplou a Santíssima Virgem de pé, na capela, próxima a uma imagem de São José. A pequena esfera que a aparição mantinha perto de seu coração lentamente desapareceu e imediatamente seus dedos se adornaram de anéis, e destes saíam raios de luz, símbolos das graças que ela concederia a todos os que lhas pedissem.

Devagar foi aparecendo em volta de Nossa Senhora uma moldura ovalada com letras brilhantes que diziam: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós”. No mesmo instante, uma voz dizia:

Tu deves cunhar uma medalha a partir deste modelo. As pessoas que a usarem depois de indulgenciada receberão grandes graças, especialmente se a usarem em torno do pescoço; graças serão distribuídas abundantemente sobre aqueles que tiverem confiança.

A visão voltou as costas a Catarina e então apareceu o monograma da Virgem, que é encontrado no verso da Medalha Milagrosa.

A terceira visão foi praticamente idêntica a esta segunda, com a diferença de a Virgem ter-se movido para cima do tabernáculo e atrás dele, lugar que é agora ocupado por uma imagem esculpida com base nessa visão.

Esta alma privilegiada reportou tais visões apenas a sua superiora e a seu diretor espiritual, e muitas dificuldades tiveram de ser superadas antes de as medalhas serem cunhadas e distribuídas.

Depois de sua profissão, Catarina foi mandada para o abrigo da Rue de Reuilly, onde passou os próximos 46 anos de sua vida, realizando os trabalhos mais servis e repugnantes em favor dos mais velhos e dos enfermos. Suas irmãs de congregação sabiam todas que uma no meio delas era a aclamada vidente da Medalha Milagrosa, mas a identidade de Catarina só foi revelada em seu leito de morte. Tendo predito por várias vezes que não chegaria a ver o ano de 1877, a santa morreu em 31 de dezembro de 1876.

Observando as leis de Paris a respeito do enterro em jazigos particulares, seu venerável corpo foi posto dentro de um caixão triplo, em uma cripta na capela da Rue de Reuilly, 77, onde permaneceu intocado por 56 anos. Logo em seguida ao anúncio de sua beatificação, deu-se o costumeiro reconhecimento das relíquias. Em 21 de março de 1933, uma delegação de médicos e sacerdotes juntou-se na cripta para a exumação. O caixão externo de madeira tinha caído aos pedaços, mas o segundo caixão, de chumbo, encontrava-se bem preservado e não foi sem grande dificuldade que conseguiram retirá-lo do exato lugar onde fora colocado e no qual permanecera por mais de meio século.

O caixão foi levado então a uma sala especialmente preparada para se examinar a relíquia. O agente funerário cortou a tampa do caixão chumbado e retirou-a, deixando entrever um caixão interno de madeira, que também estava aberto. Quando o médico suspendeu o pano que cobria o corpo, seus restos foram encontrados perfeitamente intactos. Uma testemunha ocular escreveu:

As mãos haviam deslizado para o lado, mas estavam brancas e em seu aspecto natural. O cordão do rosário havia apodrecido e as contas haviam se desprendido no caixão. A pele do rosto tinha a aparência levemente estriada, mas estava inteira. Os olhos e a boca estavam fechados [1].

Duas senhoras que haviam conhecido a Irmã Catarina reconheceram com facilidade as características de sua santa amiga.

O cirurgião da comunidade, Dr. Robert Didier, que foi testemunha da exumação, deixou registrado que:

…ao abrir o caixão, deparamos com uma massa acinzentada de serragem que havia tomado a forma do corpo; nessa superfície havia algumas evidências de mofo, mas nenhuma decomposição, apenas um odor levemente azedo.

Depois de remover a serragem cuidadosamente com a mão, era possível ver o pano mortuário; ele encontrava-se intacto, levemente úmido e podia ser facilmente retirado.

Limpo o corpo, tinha a aparência perfeitamente preservada, e em roupas que haviam mantido sua coloração e consistência normal.

As cornetas do hábito da religiosa haviam ficado sobre seu rosto, e isso, junto com o peso do pano mortuário e da serragem, fez achatar-se-lhe o nariz.

As mãos e o rosto tinham uma cor rosada com leves tons de marrom, mas também estavam intactos. Dois dedos da mão esquerda estavam um pouco enegrecidos, mas nós percebemos de imediato que a cor escura devia-se não à necrose do tecido, mas sim à tinta do hábito que havia passado para a mão do lado da rachadura do caixão de chumbo. Havendo apurados esses fatos, colocamos o pano de volta e fechamos o caixão para o traslado do corpo [2].

Após esse rápido exame, o corpo da santa foi trasladado em procissão solene para a casa principal das irmãs, onde foi recebido pelas irmãs, noviças e postulantes de sua Ordem, bem como pelos padres e noviços lazaristas. O caixão de chumbo, coberto com um tecido branco de seda no qual iam bordadas, em ambos os lados, imagens da Medalha Milagrosa, abria caminho em meio aos filhos e filhas de São Vicente de Paulo.

Às dez horas do dia seguinte, na presença de várias testemunhas, inclusive do cardeal e do cônego, que era o Promotor da Fé da Congregação dos Santos, o corpo foi mais uma vez desvelado em outra sala especialmente preparada para isso. O Dr. Didier registrou, então, o seguinte:

O corpo foi cuidadosamente retirado do caixão e colocado sobre uma mesa comprida.

O rosto, por conta de seu primeiro contato com o ar, havia se escurecido levemente desde o dia anterior; as roupas perfeitamente preservadas foram removidas com cuidado. Cabe notar que do lado esquerdo do corpo — o lado em contato com a rachadura do caixão de chumbo —, a roupa estava um pouco úmida e algumas partes do corpo (o braço esquerdo e o ombro) haviam experimentado um leve desgaste.

A pele nesta região estava um pouco inchada, enrijecida e exibia em sua superfície alguns resíduos esbranquiçados. Examinando o corpo, pudemos notar a perfeita flexibilidade dos braços e das pernas. Esses membros só haviam experimentado uma leve mumificação. A pele estava intacta e estriada por toda parte. Os músculos estavam preservados e podiam ser facilmente dissecados em uma aula de anatomia.

Nós cortamos o esterno ao meio. O osso mostrava uma consistência elástica e cartilaginosa e podia ser cortado com facilidade pela faca do cirurgião. Aberta a cavidade torácica, ficou-nos fácil remover o coração. Ele tinha encolhido bastante, mas manteve sua forma. Podíamos facilmente ver dentro dele os capilares fibrosos e restos das válvulas e músculos. Retiramos também algumas das costelas e a clavícula. Desmembramos os braços, que serão conservados à parte. As patelas dos joelhos foram removidas. Os dedos e as unhas dos pés encontravam-se em perfeitas condições. O cabelo permaneceu preso ao couro cabeludo.

Os olhos estavam em suas órbitas e as pálpebras meio fechadas. Nós podíamos afirmar que o globo ocular, mesmo caído e encolhido, achava-se íntegro, e até a coloração da íris, cinza azulada, permanecia.

Para garantir a preservação do corpo, injetamos uma solução de formaldeído, glicerina e ácido carbólico [3].

O corpo da santa foi colocado depois na capela da casa principal, sob o altar lateral de Nossa Senhora do Sol, onde repousa até hoje atrás de uma cobertura de vidro. As mãos erguidas e entrelaçadas por um rosário são feitas de cera. As mãos incorruptas da santa, que foram amputadas, são mantidas em um relicário especial, conservado agora no claustro das noviças, na casa principal. O coração da santa também foi colocado em um relicário especial, rica e reverentemente adornado, na capela da Rue de Reuilly, onde a santa havia rezado com tanta frequência enquanto cumpria seus deveres de estado.

A capela onde ocorreram as visões de Santa Catarina Labouré é, sem dúvida nenhuma, uma das mais veneradas no mundo, não só por ter recebido várias visitas de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa e de São Vicente de Paulo, mas também por haver nela várias relíquias preciosas:

  • próximo ao corpo incorrupto de Catarina, por exemplo, está o altar de São Vicente de Paulo, fundador da Ordem, na frente de cuja estátua está exposto um relicário contendo o seu coração;
  • do outro lado da capela, sobre o altar lateral, encontra-se outro relicário magnífico: uma estátua de cera contendo os ossos de Santa Luísa de Marillac, religiosa que fundou, junto com São Vicente, a congregação das Filhas da Caridade;
  • do lado do altar principal está a cadeira de veludo azul que a própria Virgem Maria tomou como assento em sua primeira aparição a Catarina Labouré (os que visitam a capela são autorizados a tocar e beijar a cadeira, e muitos deixam sobre ela pedacinhos de papel em que vão escritos seus pedidos de oração).

Santa Catarina foi canonizada em 27 de julho de 1947. Sua memória litúrgica é celebrada no dia 28 de novembro, um dia após a festa da Medalha Milagrosa.

Referências

  1. Rev. Edmond Crapez, C. M., Blessed Catherine Labouré, Daughter of Charity of St. Vincent de Paul (Emmitsburg, MD: St. Joseph’s Provicial House, 1933), pp. 235-36.
  2. Ibid., pp. 239-40.
  3. Ibid., pp. 240-41.

Notas

  • Traduzido e levemente adaptado de “The Incorruptibles”, Charlotte: TAN Books, 2012, pp. 267-272.

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“Rei de tremenda majestade”
Liturgia

“Rei de tremenda majestade”

“Rei de tremenda majestade”

Celebrar a solenidade de Cristo Rei, ao fim do ano litúrgico, é celebrar o “Rei de tremenda majestade” diante do qual inevitavelmente teremos de comparecer ao término de nossa vida terrestre. Preparemo-nos!

Equipe Christo Nihil Praeponere23 de Novembro de 2018
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O que significa celebrar, ao fim do ano litúrgico, a solenidade de Cristo, Rei do Universo?

Para responder a esta questão, poderíamos repassar algumas das preciosas lições da encíclica Quas Primas, de 11 de dezembro de 1925, com a qual o Papa Pio XI estabeleceu para o mundo inteiro essa festa litúrgica. Poderíamos lembrar, por exemplo, que embora o reino de Cristo seja “principalmente espiritual” e se refira “às coisas espirituais” (n. 10), “erraria gravemente aquele que negasse a Cristo-homem o poder sobre todas as coisas humanas e temporais” (n. 11).

Poderíamos comentar a causa histórica dessa instituição: o crescimento do laicismo, que persegue os cristãos e condena-os a guardarem a sua fé em uma gaveta, sob a alegação de que “o Estado é laico”. Poderíamos citar, então, como em 1925 o mundo acabava de sair da Primeira Guerra Mundial e assistia à ascensão de governos fortemente contrários à Igreja e a sua missão espiritual; como nessa época surgiram o nacional-socialismo na Alemanha, o fascismo na Itália, o socialismo na Rússia e no leste da Europa, sem falar do regime anticlerical de Plutarco Elías Calles no México, que deu origem à Guerra dos Cristeros.

Mas, como o próprio Pio XI reconhece no documento em questão:

Mais do que os documentos solenes do Magistério eclesiástico, têm eficácia na informação do povo nas coisas da fé e no levantá-lo às alegrias interiores da vida as festividades anuais dos sagrados mistérios. Os documentos, o mais das vezes, são tomados em consideração por poucos homens eruditos, as festas, porém, comovem e ensinam a todos os fiéis; aqueles só falam uma vez, esses, porém, por assim dizer, todo ano e em perpétuo; aqueles impressionam, de maneira salutar, sobretudo a mente, estas, porém, não só a mente mas também o coração, enfim todo o homem. Na verdade, sendo o homem composto de alma e de corpo, precisa ser solicitado pelas solenidades exteriores, de forma que pela variedade e beleza dos ritos sagrados, receba no ânimo os ensinamentos divinos e, convertendo-os em substância e sangue, sirvam-lhes ao progresso de sua vida espiritual (n. 13).

Sendo nós compostos, portanto, de corpo e alma, e podendo ter acesso às riquezas da liturgia católica pelo menos através da internet, deixemo-nos solicitar “pela solenidades exteriores” com que a Igreja desde sempre adornou o culto divino:

No vídeo acima, extraído da composição de Mozart para a Missa de Exéquias, a orquestra impressiona-nos com um canto a Jesus Cristo, “Rei de tremenda majestade”. Rex treméndae maiestátis, qui salvándos salvas gratis, salva me, fons pietátis, diz o texto litúrgico. “Rei de tremenda majestade, que de graça salvais os que devem ser salvos, salvai-me, fonte de piedade”.

A sequência Dies irae, da qual é retirada esta breve oração, está presente na Missa pelos defuntos da Forma Extraordinária do Rito Romano. Na Forma Ordinária, porém, ainda é possível cantá-la como hino facultativo na última semana da Liturgia das Horas (a sua composição para o canto gregoriano pode ser ouvida e aprendida aqui). Em episódio do programa “Ao vivo com Pe. Paulo”, já tivemos a oportunidade de meditar sobre esse hino completo.

Celebrar a solenidade de Cristo Rei, ao fim do ano litúrgico, é celebrar o “Rei de tremenda majestade” diante do qual compareceremos ao término de nossa passagem neste mundo. O belo arranjo de Mozart pode nos ajudar a ter uma noção (ainda que muito insipiente) do que será esse encontro terrível e ao mesmo tempo consolador entre a misericórdia divina e a grande miséria que somos nós.

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“Aos 10 anos, tive meu primeiro contato com pornografia”
Testemunhos

“Aos 10 anos, tive meu
primeiro contato com pornografia”

“Aos 10 anos, tive meu primeiro contato com pornografia”

Aluna conta sua experiência com o mal terrível da pornografia, por influência de amigas, e fala dos efeitos colaterais que isso deixou em sua alma, sequelas das quais ela procura se livrar até hoje.

Equipe Christo Nihil Praeponere23 de Novembro de 2018
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Padre Paulo Ricardo,

Quando ouvi o senhor falar sobre a idade média com que as crianças estão sendo expostas a pornografia nos Estados Unidos (11 anos), lembrei de mim mesma quando, aos 10 anos, tive contato pela primeira vez com esse mal terrível.

Moro na mesma cidade e na mesma casa, desde que nasci, e a maioria da vizinhança também é a mesma. Naquela época, eu e as demais crianças do conjunto brincávamos juntas, praticamente todos os dias, de casinha, de boneca, jogando bola na rua e outras brincadeiras saudáveis de que toda criança brinca. Havia duas irmãs, muito amigas minhas, que tinham um irmão mais velho e, certo dia, elas encontraram revistinhas pornográficas (mangás eróticos japoneses) no quarto dele.

Elas esconderam as revistas e, quando eu estava na casa delas, vieram me mostrar o achado. No primeiro momento foi um choque ver tudo aquilo, mas, com o passar das semanas, eu só ia à casa delas para ficarmos vendo aquilo, por longas horas. Toda vez tinha revistas diferentes, pois o irmão trocava com outros colegas, que também tinham coleções. A ansiedade tomava conta de mim e, sem perceber, eu já estava viciada.

Depois de um tempo, nós não nos contentávamos mais em somente ver, mas sim em “brincar de fazer sexo” (uma colocava uma toalha dentro da calça para fingir que era um homem, enquanto as outras ficavam deitadas). Que vergonha!

Bem, eu não lembro exatamente quanto tempo isso durou, mas o processo de cura e libertação desse mal se iniciou quando o próprio irmão das meninas flagrou a gente em uma dessas “brincadeiras”. Foi uma das situações mais constrangedoras e pavorosas que eu já passei em toda a minha vida, mas foi extremamente necessária! Eu fui para casa imediatamente, porque ele me expulsou de lá e, no outro dia, a mãe delas contou o ocorrido para os meus pais, que brigaram muitíssimo comigo e eu chorei um “mar de lágrimas”…

Em um segundo momento, dando continuidade a esse processo de cura, eu estava em casa, pela manhã, brincando na sala. Minha mãe sempre ouvia uma rádio católica daqui e o programa do padre Marcelo Rossi estava começando e eu continuei brincando. Em um dado momento, ele começou a descrever que uma menina, ainda criança, estava enfrentando um problema com a pornografia e meu coração disparou. Ele foi rezando e meu coração palpitava ainda mais forte, e eu tinha certeza que era comigo. Fechei os olhos e rezei também! E ali mesmo, na sala, senti o próprio Cristo me chamando a caminhar com Ele e a não sair de seus caminhos. Foi o meu querigma!

Deus me livrou de um mal ainda maior, pois eu nunca me masturbei, nem naquelas “brincadeiras” e nem depois, apesar de as tentações terem sido enormes. Foi a mão dEle que segurou a minha, literalmente. Hoje continuo virgem, com grande alegria, e rezando pela minha vocação!

No entanto, tenho consciência de que fiquei com sequelas, pois me sentia excitada com muita facilidade e frequência, tinha pensamentos impuros até na hora da Santa Missa, nos momentos em que eu fechava os olhos, o que me fazia sofrer muito. Eu pedia para que Jesus me curasse daquilo, pois eu não podia recebê-Lo com o coração tão cheio de tudo aquilo! Sei que foi Ele que me deu a força e a graça necessárias para que eu fosse afastada daquelas cenas terríveis, que me machucaram tanto…

Ouvindo tudo o que o senhor falou no curso “O Mal da Pornografia e da Masturbação”, lembrei do que passei e não tive como deixar de escrever. Entendo como as pessoas sofrem com esse mal terrível que é a pornografia, ainda mais no mundo de hoje no qual, como o senhor disse, “a gente olha para um outdoor e só furando os olhos para não ver”!

Hoje estou mais madura, tanto na fé, quanto na razão. Mas, se eu não rezar e não vigiar quanto ao que vejo e ouço, a excitação que sinto é algo que me surpreende, mesmo depois de tanto tempo!

Sou filha de pais semianalfabetos, muito simples e católicos. Eles me passaram e passam muitos valores, muitos ensinamentos, me colocaram bem cedo na catequese, mas nunca falaram sobre sexo para nós (tenho um irmão mais novo). Entretanto, não foi culpa deles, de forma nenhuma, esse acontecimento, pois mesmo não falando sobre o assunto, eles nunca nos deixaram assistir a novelas (até hoje!), porque diziam que “não é coisa de Deus”; não nos deixavam dormir tarde e nem assistir a filmes violentos, porque estavam nos protegendo… E como eu agradeço a Deus por eles, todos os dias, de joelhos, por terem me dado a vida e a base para seguir na fé católica apostólica romana, na qual encontro meu verdadeiro bem, meu caminho de felicidade, meu amor maior: Jesus Cristo!

Hoje sou católica praticante, muito ativa na minha comunidade paroquial e participante de Missas, quase que diárias. O seu apostolado entrou na minha vida em outro momento muito difícil pelo qual passei, há uns três anos. Quem sabe um dia eu ainda mande esse outro testemunho…

Deus lhe dê muita saúde, padre, e que o senhor continue transbordando esse amor e esse zelo pelo Cristo! Muito obrigada, muito obrigada mesmo pelo que o senhor faz e se deixa fazer!

Abraço fraterno!
Com carinho e orações,
S. O.

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