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A atriz que está desmascarando a indústria pornográfica
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A atriz que está desmascarando
a indústria pornográfica

A atriz que está desmascarando a indústria pornográfica

Depois de oito anos estrelando filmes adultos, Shelley Lubben abandonou tudo para começar uma nova vida. Hoje, ela trabalha resgatando pessoas da pornografia e revelando a verdadeira face dessa que é uma “indústria da morte”.

LifeSiteNews.comTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere11 de Janeiro de 2016
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"Se a pornografia é tão ruim quanto alguns dizem ser, por que há tantas pessoas trabalhando nisso?"

Há, evidentemente, muitas respostas para essa questão. Algumas mulheres fazem-no por desespero, porque precisam de dinheiro; muitas – se não a maioria – foram abusadas sexualmente; outras, ainda, foram enganadas pela mídia e levadas a acreditar que a indústria pornô seria um empreendimento sexy e cheio de glamour.

Mas, para descobrir em primeira mão qual é realmente a experiência das mulheres dentro da indústria pornográfica, nada como conhecer a história de alguém que experimentou na carne como é ser uma atriz pornô.

Shelley Lubben era estrela de filmes adultos nos anos 1990 e entrou nesse mundo muito cedo, como prostituta. "Trabalhar com sexo é um círculo vicioso", ela conta ao repórter Jonathon van Maren, do sítio americano LifeSiteNews.com. "Depois que eu me destruí na prostituição, mentiram para mim que eu ficaria livre de DSTs e que eu faria muito dinheiro. Eu era mãe solteira, então, que diacho!, por que não fazer sexo em frente a uma câmera? Mas, absolutamente, foi a coisa pior e mais horrível na qual eu me envolvi em toda a minha vida."

"Eu fui criada pela televisão"

No começo, Lubben pensava que, diferentemente da prostituição, onde maior parte dos homens não queriam usar preservativos, a indústria pornô pelo menos a manteria segura de DSTs. Mentira, não havia segurança nenhuma porque, como ela revela, a indústria do sexo toda está cheia dessas doenças.

"Nós não usávamos camisinha nos filmes pornô. Não são permitidos preservativos, somos forçadas a fazer sexo sem proteção – e eu nem seria capaz de avaliar a quantidade de pessoas que alteram os seus testes de HIV. (...) Nós sabemos que a maioria dos artistas pornô tiveram uma DST uma vez ou outra, e estima-se que a maioria deles tenha herpes. Não são feitos testes para herpes, então todas essas pessoas estão envolvidas em muitas doenças.

O próprio Departamento de Saúde Pública de Los Angeles vem fazendo uma monitoração e eles apareceram com milhares e milhares de casos de clamidíase e gonorreia. Eles são o maior grupo na Califórnia a ter tantas DSTs. Então, quando as pessoas consomem pornografia, elas estão contribuindo para o tráfico sexual, elas estão contribuindo para as DSTs, estão contribuindo com pessoas que são, em sua maioria, dependentes de álcool e drogas. Estou falando da maioria. Nem toda estrela pornô é viciada em drogas, mas a maioria é. E, só para dizer, quando eu passei pelo tratamento de recuperação, eu estava com transtorno de estresse pós-traumático. Eu tive todo tipo de desordens, traumas sérios."

Como terminou se envolvendo com as indústrias de exploração sexual, é ela mesmo quem explica:

"Bem, eu fui abusada sexualmente com nove anos de idade por um adolescente e sua irmã. Experimentei atividade heterossexual e homossexual muito chocante com uma idade muito precoce. Ao mesmo tempo, eu fui criada pela televisão – eu era livre para assistir a filmes adultos, de terror e de conteúdo sexual. Basicamente, eu aprendi o que eram amor e sexo dos abusos e da negligência dos meus pais, porque eles simplesmente permitiam que assistíssemos a essas coisas.

Assim que eu cresci, revoltei-me com a ausência do meu pai na minha vida e comecei a procurar sexo com garotos porque eles diziam que me amavam. Então, eu criei esse ciclo na minha cabeça: de que eu seria amada se tivesse sexo com uma pessoa. Meu pai me chutou para a rua por isso, e eu terminei em San Fernando, Los Angeles, onde um cafetão me atraiu, e eu era muito ingênua. Na verdade, eu era rebelde, não ingênua. Ele me comprou por 35 dólares e, então... Você sabe, eu tive que escapar dele fisicamente, porque ele se tornou muito abusivo, e então uma 'madame' me achou e foi onde tudo começou."

"Todo o mundo está anestesiado"

Uma vez dentro do sistema, Lubben ficou presa num ciclo de degradação e destruição:

"Eu odiava a prostituição, me sentia culpada. Então, comecei a fazer striptease para sobreviver. Eu não tinha educação alguma – a maioria dessas meninas que entram na pornografia não têm realmente uma educação, talvez haja algumas que digam ter diploma, mas eu nunca vi nenhuma –, mas a maior parte das garotas não vêm de famílias, digamos, muito saudáveis, de onde elas saiam com uma boa auto-estima. Na verdade, eu nunca encontrei estrelas pornôs com famílias realmente saudáveis. Isso não significa que elas não existam, mas provavelmente elas existem na mente delas, porque, é claro, elas vão querer dizer que o trabalho com sexo as 'empoderou', porque, na verdade, se você não pode com seu inimigo, você acaba se juntando a ele. Você não quer que as pessoas pensem que você é fraca quando você está na pornografia; você quer agir como se amasse o que faz, como se amasse ser violentada e ser chamada de nomes degradantes. Tudo não passa de um monte de mentiras. Pessoas fazem filmes pornô porque precisam do dinheiro e a maioria delas não tem outras opções ou educação."

A indústria pornô é obscura, má e incrivelmente violenta. É o que apontam as estatísticas e é o que Lubben percebeu na sua experiência:

"Tudo já era violento na minha época, mas eu me envolvi na pornografia hardcore só porque estava repleta de raiva contra os meus pais. Mas, no meu tempo, eu jamais deixaria alguém rasgar a minha boca ou colocar algum objeto estranho nela, ou fazer algo que causasse um prolapso retal. Eu nunca faria isso. Teria saído fora. Hoje em dia, as garotas acabam tendo que fazer essas coisas, porque é o que vende. Então, é muito triste que isso seja culpa da nossa sociedade, mas você sabe, agora todo o mundo está anestesiado ao sexo 'mais leve'. Todos querem tudo mais forte, mais bruto e mais sombrio e, eu sequer consigo imaginar o que será da nossa sociedade daqui a 20 anos. Não vai dar, será... Teremos que nos mudar para as montanhas ou algo do tipo, porque eu duvido que qualquer moça normal será simplesmente capaz de andar pela rua a esse ponto."

"A pornografia é tráfico sexual"

É chocante de várias formas que a indústria pornográfica seja tão mainstream e popular, considerando que, ao mesmo tempo, tem havido várias vozes falando abertamente contra a exploração sexual. Perguntada se a indústria pornô alimenta essa realidade, Lubben é categórica:

"Muitas pessoas pensam que a pornografia é um combustível para o tráfico sexual, e elas estão certas. Mas isso só acontece porque a pornografia é tráfico sexual. Ela é considerada uma indústria de morte porque é exploradora; todas nós fomos coagidas a fazer alguma cena que não queríamos fazer. Nós íamos para médicos falsos e clínicas fraudulentas para as quais eles nos mandavam. De fato, as clínicas deles – a principal clínica de estrelas pornô foi fechada alguns anos atrás, por conta dos protestos de muitas de nós –, mas tínhamos uma ex-atriz pornô, com PhD em sexologia, que vestia um jaleco branco e dizia às garotas: 'Me chamem de doutora Sharon Mitchell.' Então, todas as garotas achavam que ela era uma médica, e elas iam lá para receber orientação médica e tratamento para DSTs e para testes. Essa é apenas uma das fraudes que acontecia.

Outra eram as falsas promessas: 'Se você fizer esta cena, você vai conseguir tanto dinheiro, ou vai sair na capa do filme' ou 'Você não terá que fazer esse tipo de cena mais'. Tudo é baseado em mentiras. Você tem que ser forte para aguentar esse negócio.

Sabe, a maior parte desses filmes é feita em locais privados, em mansões privadas ou quartos de hotel aonde não haja nenhum acesso do governo. São, tipo, duas jovens garotas, com 18, 19, 20 anos de idade, em um set cheio de homens mais velhos. O produtor é homem, a equipe é de homens... então, é claro, somos intimidadas a fazer cenas que não queremos fazer. Não dá pra contar quantas vezes eu apareci e eles disseram: 'Você tem que fazer esta cena', e eu dizia: 'Não, não foi o que o meu agente disse', ou 'Não foi o que me disseram', e eles respondem: 'Bem, ou você faz ou não lhe pagamos, nós processamos você.' Agora, com a Internet, eles dizem às meninas: 'Se você não fizer esta cena, vamos mandar o seu vídeo para os membros da sua família, vamos arruinar a sua reputação, você nunca vai conseguir outro emprego, vamos tomar o que você tem, vamos machucá-la fisicamente', ou ameaçam processá-las. Isso é tráfico sexual. Toda estrela pornô já foi explorada uma vez ou outra na indústria do sexo."

Foi por causa disso que, depois de oito anos, Shelley Lubben finalmente deixou a indústria pornográfica. Ela encontrou um pastor, que depois se casou com ela e permaneceu ao seu lado durante dez longos e dolorosos anos de recuperação. Em 2007, ela deu início à Fundação Pink Cross, que trabalha para tirar artistas da indústria pornô, oferecendo-lhes esperança e cura, e para advertir as pessoas afundadas nessa indústria da dor e da escuridão que os espera.

Antes de desligar o telefone, Jonathon von Maren fez uma última pergunta a Lubben: "Se você pudesse dizer uma última palavra a quem está assistindo a pornografia, o que você diria?" Ela não precisou pensar muito:

"Você está contribuindo para a sua própria morte, e para a morte da sua família e da sua esposa. Não dá para dizer quantos viciados em pornografia perderam as suas famílias e empregos. É realmente triste. E eles estão contribuindo para que crianças sejam abusadas. Se você quer uma boa razão para não ver pornografia, pense sobre a pornografia infantil. Apenas pense, neste exato momento em que eu estou falando com você, que há criancinhas pequenas que estão sendo drogadas e estupradas. Como qualquer um seria capaz de ver pornografia sabendo disso?"

Depois de ouvirem o testemunho de Shelley, muitas pessoas, de fato, chegaram à mesma conclusão: a pornografia é uma força destruidora, ela tem destruído e arruinado inúmeras vidas. Para o bem de nossas famílias, de nossa sociedade e de nós mesmos, é preciso romper o silêncio, calcular os danos e cortar essa praga de uma vez para sempre.

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O que significam o ouro, o incenso e a mirra?
Espiritualidade

O que significam o ouro,
o incenso e a mirra?

O que significam o ouro, o incenso e a mirra?

Os presentes dos Magos podem parecer estranhos a um primeiro olhar, mas nos ensinam a reconhecer Deus na pequenez do Menino Jesus.

Equipe Christo Nihil Praeponere7 de Janeiro de 2016
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Quando nasce uma criança, é costume que os familiares e amigos mais próximos demonstrem o seu afeto e estima com presentes dos mais diversos tipos: roupinhas e sapatinhos para agasalhar o bebê; fraldas e produtos para cuidar da sua higiene; e, um pouco mais tarde, quando ele começar a segurar as coisas com as mãos, brinquedos para que tenha com que se divertir. Os padrinhos do recém-nascido talvez até comprem uma banheira, um carrinho ou um berço, ajudando a completar o enxoval.

Mas, quando o Menino Jesus nasceu em Belém, deitado al freddo e al gelo sobre uma manjedoura, os primeiros presentes que recebeu, de três estranhos, não foram nada comuns. O Evangelho diz que Magos vindos do Oriente, "abrindo seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra" (Mt 2, 11).

Ora, o que uma criança que mal acabara de nascer podia fazer com ouro, incenso e mirra? À parte o valor incontestável do ouro, o que uma pobre família de Nazaré ia querer com objetos dessa natureza? Qual o significado dessas três coisas que os Magos oferecem a Jesus e que são lembradas, todos os anos, na Solenidade da Epifania do Senhor?

Durante a Missa da Epifania de 2010, o Papa Bento XVI, expressando a mesma perplexidade dessas perguntas, reconheceu que os dons apresentados pelos Magos:

"Sem dúvida, não são dons que correspondem às necessidades primárias ou quotidianas. Naquele momento, a Sagrada Família certamente teria tido mais necessidade de algo diferente do incenso e da mirra, e nem sequer o ouro podia ser-lhe imediatamente útil. Mas estes dons têm um profundo significado: são um ato de justiça. Com efeito, segundo a mentalidade em vigor nessa época no Oriente, representam o reconhecimento de uma pessoa como Deus e Rei: ou seja, são um ato de submissão. Querem dizer que a partir daquele momento os doadores pertencem ao soberano e reconhecem a sua autoridade."

A reflexão de Bento segue a linha de outros autores da Tradição da Igreja, que associam os três presentes dados ao Menino Jesus com o reconhecimento de Sua identidade e missão divinas. Uma antiga homilia, de autor incerto, lembra que "a qualidade dos presentes oferecidos dava testemunho da divindade que eles consideravam haver no menino" [1], com o ouro se referindo à Sua realeza; o incenso, à Sua divindade; e a mirra, à Sua humanidade.

O Papa São Gregório Magno († 604), em uma de suas homilias, oferece uma interpretação completa [2] do que sejam esses presentes. Primeiro, ele recorre a uma explicação literal, dizendo para que servem o ouro, o incenso e a mirra:

"Os magos tinham ouro, incenso e mirra: o primeiro, evidentemente, corresponde a um rei; o incenso é usado no sacrifício a Deus; a mirra, por fim, embalsama os corpos dos mortos."

Depois, ele dá o sentido alegórico e místico dessa passagem, explicando aquilo em que devemos crer:

"Os Magos que adoram o Cristo também O proclamam com presentes místicos: que Ele é rei, com o ouro; que é Deus, com o incenso; e que é mortal, com a mirra. De fato, são muitos os hereges que acreditam em Deus, mas de modo algum acreditam que Ele reina em todos os lugares. Esses certamente Lhe oferecem incenso, mas o ouro não querem ofertar. São muitos também os que O estimam como rei, mas O negam enquanto Deus. Esses, como se pode ver, oferecem-Lhe ouro, mas o incenso não querem ofertar. Há muitos, enfim, que O exaltam tanto como Deus como quanto rei, mas negam que Ele tenha assumido a carne mortal. Esses oferecem-Lhe muito ouro e incenso, mas a mirra da mortalidade assumida não querem ofertar.

Nós, ao contrário, ao Senhor que nasce ofereçamos ouro, a fim de confessarmos que Ele reina onde quer que seja; ofereçamos incenso, para crermos que aquele que apareceu no tempo é o Deus que existe antes dos tempos; e ofereçamos mirra, para crermos que também assumiu a nossa carne mortal aquele em cuja divindade impassível acreditamos."

Por fim, São Gregório faz uma interpretação moral dessa passagem, mostrando como também nós podemos ofertar ao Menino Jesus ouro, incenso e mirra:

"Porém, no ouro, no incenso e na mirra, outras coisas se pode entender. O ouro, por exemplo, designa a sabedoria, que Salomão atesta quando diz: 'Desejável tesouro se encontra na boca do sábio' (Pr 21, 20). Pelo incenso se exprime aquilo que a força da oração incendeia diante de Deus, como atesta o Salmista: 'Seja elevada diante de tua presença a minha oração como incenso' (Sl 140, 2). Na mirra, enfim, vai figurada a mortificação da nossa carne, de onde a Santa Igreja dizer de seus servidores fiéis, até a morte, que 'suas mãos destilaram mirra' (Ct 5, 5).

Ao Rei que nasce, portanto, ofereçamos ouro, se em Sua presença resplandecemos na luz da sabedoria celeste; ofereçamos incenso, se pelo santo amor à oração queimamos os pensamentos da carne no altar do coração, a fim de andarmos no suave odor do desejo das coisas celestes; ofereçamos mirra, se pela abstinência mortificamos os vícios da carne. A mirra age, de fato, impedindo que a carne se putrefaça. A putrefação da carne mortal significa servir ao impulso da luxúria, como é dito pelo profeta: 'Conspurcaram-se os jumentos em sua imundície' (Jl 1, 17). Os jumentos se conspurcarem em sua imundície quer dizer os homens terminarem a vida na fetidez da luxúria. Ofereçamos a Deus a mirra, portanto, se pelo bálsamo da continência conservamos este corpo mortal livre da corrupção da luxúria." [3]

Outra leitura moral do que seja a mirra é encontrada nos Padres Gregos, que põem o seu significado nas "boas obras": "Assim como a mirra preserva da corrupção o corpo dos defuntos, assim também as boas obras conservam Cristo continuamente crucificado na memória do homem, o qual, por sua vez, é conservado no Cristo", diz um texto atribuído a São João Crisóstomo. "Tu, pois, quando vieres à igreja para rezar a Deus, traz presentes em tuas mãos e dá aos que não têm, pois é enferma a oração quando não munida da virtude das esmolas." [4]

Mais do que o ouro, o incenso e a mirra, portanto, Deus quer que ofereçamos a Ele obras espirituais. O que Ele espera de nós verdadeiramente são uma fé viva, uma oração pura e uma vida santa.

Não temamos, neste tempo do Natal, oferecer tudo isso diante da criança que nasce em Belém. O Menino Jesus não é um infante qualquer, mas o sacramento que une Deus e o homem, que faz descer o Céu à Terra. O que que muitos teólogos modernos teimam em negar, os Magos já o sabiam. Vident enim hominem, et agnoscunt Deum: na gruta de Belém, eles "veem um homem, mas reconhecem Deus" [5].

Referências

  1. Eruditi Comentarii in Evangelium Matthaei, Homilia 2, super 2 (PG 56, 642).
  2. Cf. Catecismo da Igreja Católica, § 115-119.
  3. Homiliae in Evangelia, I, 10, 6 (PL 76, 1112). As citações das Sagradas Escrituras foram traduzidas diretamente da Vulgata Clementina.
  4. Eruditi Comentarii in Evangelium Matthaei, Homilia 2, super 2 (PG 56, 642).
  5. Suma Teológica, III, q. 36, a. 8, ad 4.

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A Mãe de Deus e a falsa mãe do mundo
EspiritualidadeDoutrina

A Mãe de Deus e a falsa mãe do mundo

A Mãe de Deus e a falsa mãe do mundo

Ante o crescimento de um culto materialista a entidades maternas pagãs, é preciso lembrar que a única e verdadeira mãe da humanidade é aquela cujo fruto nos alimenta para a eternidade.

Equipe Christo Nihil Praeponere31 de Dezembro de 2015
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No primeiro dia de janeiro, a Igreja celebra a Solenidade de Maria, Mãe de Deus. Não é sem propósito que a liturgia coloca a celebração desse importante dogma de nossa fé, cuja proclamação foi motivo de grande júbilo para os cristãos primitivos, no início do novo ano. Nestes tempos em que a sociedade costuma dirigir seus pensamentos para as coisas mundanas, temos de recordar a maravilhosa notícia da maternidade de Maria.

O dogma da maternidade divina de Maria está ligado a um artigo inegociável do credo cristão: a encarnação do Verbo. Por volta do século V, graves crises cristológicas surgiram, causando grande perturbação no seio da Igreja. Dizia-se, entre outros absurdos, que Jesus não possuía duas naturezas — a humana e a divina —, mas somente esta última. Nestório, um importante bispo da época, defendia outra tese: Jesus seria um simples homem elevado à divindade por pura graça de Deus. Com essa afirmação, ele intentava pôr fim ao piedoso título de Theotókos (Mãe de Deus), atribuído pela comunidade a Maria, porque o considerava um grande escândalo (não muito diferente do que postulam certas seitas atuais).

Ocorre que a afirmação de Nestório, como a das demais heresias cristológicas, provocava uma séria dificuldade para a doutrina da remissão dos pecados. Segundo ensinam os Santos Padres, o que não foi assumido não foi redimido. Isto significa que só há verdadeira salvação se Jesus for o Verbo de Deus verdadeiramente encarnado. Se o que morreu na cruz era apenas um homem, esse sacrifício não teve valor algum. Foi o que notou São Cirilo de Alexandria na sua contundente defesa do título Theotókos. Ora, Maria é Mãe de Deus porque em Jesus há apenas uma pessoa (a divina) e duas naturezas (a divina e a humana). E a maternidade diz respeito a uma pessoa, não a uma natureza.

De fato, este dogma mariano é mais bíblico do que se imagina. Inspirada pelo próprio Espírito Santo, Isabel proclamou: Donde me vem esta honra de vir a mim a Mãe de meu Senhor? (Lc 1, 43). Nestas palavras acertadas, exprime-se toda a alegria com que os católicos costumam dirigir-se a Nossa Senhora, aquela que vem às pressas socorrer as necessidades de seus filhos (cf. Lc 1, 39). Maria está inseparavelmente ligada à redenção porque "foi dela que o Verbo assumiu, como próprio, aquele corpo que havia de oferecer por nós". Não se tratava de um corpo extrínseco nela introduzido, recorda Santo Atanásio; o anjo disse-lhe: de ti (cf. Lc 1, 35), "para se acreditar que o fruto desta concepção procedia realmente de Maria" [1].

A falsa mãe do mundo

Na hora derradeira, Jesus entregou Sua mãe para toda a humanidade, na pessoa do apóstolo amado (cf. Jo 19, 25-26). Desde o princípio, os cristãos acolheram Maria em suas casas, como fez São João, para dedicar-lhe a merecida reverência. E o fizeram na certeza de que quem acolhe a mãe, acolhe também o filho. Ao contrário, aqueles que negaram pousada para a mãe, em Belém, negaram a própria salvação que batia às suas portas, em busca de um lugar para reclinar a cabeça (cf. Mt 8, 20). Jesus nunca pregou em Belém, durante Seu ministério público, porque não havia lugar para Ele naquela região (cf. Lc 2, 7).

Maria é, pois, a mãe que nos dá o verdadeiro alimento que salva: o pão vivo descido do céu. Infelizmente, assistimos a uma nova onda de paganismo, a qual tem minimizado a importância da fé cristã em nossa sociedade, para ressaltar os novos deuses dos tempos modernos. A maternidade de Maria é posta de lado — por vezes, até ridicularizada —, ao passo que a nova mãe do mundo, a Gaia, como dizem alguns, ganha o espaço que antes era da Mãe de Deus. Isso explica o porquê de as igrejas estarem vazias, na virada do ano, e as praias estarem cheias: as luzes efêmeras dos fogos de artifício têm mais valor que a Luz perene irradiada por Cristo.

Pessoas reunidas no que parece ser um culto neopagão.

Uma sociedade materialista moldará deuses materialistas, os quais assegurem as suas "cebolas do Egito". Por isso, prefere-se cultuar a mãe que dá o alimento que passa do que a Mãe que introduz na vida eterna. Mas esse culto à Mãe da Terra, longe de trazer libertação, prende o ser humano nos vícios da carne, nas paixões mundanas e no próprio egoísmo. O homem esquece-se de sua finalidade, que é o Céu, para concentrar esforços numa jornada sem propósito: este mundo mesmo "onde a ferrugem e as traças corroem" (Mt 6, 19).

Mãe de Deus e da Igreja para sempre

O Concílio Vaticano II ensina que a "maternidade de Maria na economia da graça perdura sem interrupção". Isso significa que, mesmo após assunta aos Céus, Maria "não abandonou esta missão salvadora, mas, com a sua multiforme intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna" [2]. Quantos têm desperdiçado este auxílio precioso por culpa ora de más teologias, ora do paganismo que se propaga nos grandes meios de comunicação.

Caminhamos para o centenário das aparições da Mãe de Deus em Fátima, Portugal. É uma ótima oportunidade para redescobrirmos o valor da espiritualidade mariana, lembrando-nos dos pedidos que a Senhora fez à humanidade: oração e mortificação pela paz no mundo e pela salvação dos povos. Enquanto alguns fazem troça desses pedidos, os católicos têm o dever de ecoar pelos quatro cantos da Terra a mensagem daquela cujo coração triunfará no último dia. Como salientou Bento XVI durante visita a Portugal, "iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída" [3]. Não somos deste mundo, não somos filhos desta terra. Nossa verdadeira Mãe leva-nos a escolher os bens que não passam. Confiemos a ela este novo tempo que se inicia para que tenhamos verdadeiramente um "feliz ano novo".

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Mulheres com dificuldades para engravidar recebem milagres na Terra Santa
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Mulheres com
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recebem milagres na Terra Santa

Mulheres com dificuldades para engravidar recebem milagres na Terra Santa

Depois de visitarem o lugar onde Maria teria amamentado o Menino Jesus, famílias com problemas de fertilidade são milagrosamente agraciadas com filhos. Para um frade, as cartas que chegam todos os dias à Gruta do Leite são “a prova de que Deus existe”.

Judith SudilovskyTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere30 de Dezembro de 2015
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Escondida atrás da Praça da Manjedoura, próxima à basílica que marca, de acordo com a tradição cristã, o lugar onde Jesus nasceu, está a Gruta do Leite. Esse é o local onde, de acordo com outra tradição, Maria amamentou o Menino Jesus e onde algumas gotas de seu leite caíram sobre as pedras, transformando a cor marrom amarelada de seu calcário macio em branco cremoso. Inspirados por uma devoção multissecular, que remonta possivelmente aos primeiros cristãos, mulheres e casais com problemas de fertilidade têm vindo a essa gruta para rezar a Nossa Senhora, na esperança de que a sua intercessão os ajude a ganhar um bebê.

Atualmente, os peregrinos podem levar para casa pequenos pacotes de pó branco extraído da gruta. Juntos, os casais realizam uma "quaresma" que inclui beber pequenas quantidades do pó e recitar uma oração. Os pacotes são vendidos a um preço simbólico, mas só podem ser adquiridos na gruta, já que a demanda seria enorme para administrar.

O irmão franciscano Lawrence Bode, zelador do santuário, tem guardado os registros dos últimos 12 anos. Ele já recebeu cerca de 4.000 cartas de casais, atribuindo o nascimento de seus filhos ao milagroso "leite em pó" extraído da gruta. O frade estima que haja o dobro de crianças cujos pais não lhe escreveram. "Na semana passada, eu fui para a caixa de correios e havia cerca de 10 fotos de bebês", ele conta. "As pessoas rezam pela cura, para que elas tenham um bebê e sejam mães. A cada dois dias, temos uma criança. É um lugar maravilhoso em que trabalhar, gerando bebês de todo o mundo. As cartas são o testemunho da evidência tangível dos milagres."

As correspondências e fotos que Lawrence guarda em fichários, e outras tantas que decoram as duas paredes do seu pequeno escritório, vêm de de todos os cantos do mundo, incluindo Brasil, Argentina, Índia, Filipinas, México, Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Sri Lanka, Bermudas, Irlanda e Espanha. Mais recentemente, o frade diz ter recebido cartas até mesmo de Taiwan e da China.

Em cada testemunho enviado ao santuário, vão registradas as dificuldades que as famílias enfrentavam para conseguir um filho. Um casal da Índia lutava para engravidar já havia 20 anos. Depois que aderiram à devoção, o marido escreveu relatando a sua imensa alegria pelo nascimento de uma menina. Um líder da comunidade episcopal dos Estados Unidos escreveu há cerca de seis anos. Ele enviou uma foto sua, trazendo no peito, orgulhoso, o seu filho recém-nascido, em um canguru. Ele e a esposa também tinham problemas de fertilidade. Da Argentina, uma jovem escreveu contando o nascimento de sua filha depois de 10 meses tentando engravidar. Dois casais da região da Palestina, que também mandaram fotos ao santuário, foram abençoados de modo especial: um teve trigêmeos; o outro, quadrigêmeos.

O irmão Lawrence diz que geralmente brinca com os casais para tomarem cuidado com a quantidade de pó que eles tomam, porque pode fazer multiplicar o número de filhos. Ele também conta – desta vez, falando sério – que nunca pergunta aos casais se eles fazem tratamento médico ao mesmo tempo em que peregrinam à gruta. O religioso reconhece que, em algumas ocasiões, pode ser o caso de um simples sucesso médico, mas assegura que a fé e as orações das famílias também podem ajudar no decorrer do processo.

Outras cartas atribuem ao mesmo "leite em pó" milagres como a cura de um câncer, de uma cegueira ou de uma paralisia. Algumas famílias – conta o irmão Lawrence – voltam ao santuário com os seus filhos para agradecer. Foi o caso dos palestinos pais de quadrigêmeos e de um casal do norte da Galiléia que recebeu a cura de uma filha que estava em coma. "É uma sensação maravilhosa saber que há esperança para os casais, para os doentes e até para quem está perdendo a fé. Eu rezo pelas pessoas que têm essa devoção todos os dias da minha vida", diz o frade. "Essa é a prova de que Deus existe. Estamos falando de milagres. Nos dias de hoje, você fala de milagres e as pessoas não acreditam."

Em vários lugares da gruta, é possível perceber buracos no teto, da largura de um dedo, sinalizando o lugar onde as pessoas rasparam um pouco do pó para levar para casa. Hoje, quem zela pelo santuário vigia para que as pessoas não tentem mais fazer isso. A Gruta do Leite sofreu uma restauração dois anos atrás, durante a qual foram removidas fuligens antigas do teto e, para acomodar grupos maiores de peregrinos, foi adicionada uma capela superior maior em cima da capela antiga, construída sobre a gruta por volta do ano de 385. O irmão Lawrence observou que, em algum momento durante as recentes reformas, armazenou-se uma considerável quantidade do pó da gruta para ser oferecida aos fiéis que vêm ao santuário. O frade acredita que há o suficiente para "durar pelo menos 100 anos".

Velho devoto da Virgem Maria desde antes de entrar na vida religiosa, Lawrence afirma que a sua devoção "triplicou" desde que ele se juntou aos franciscanos e passou a cuidar da Gruta do Leite. O religioso está convicto de que, quando as graças acontecem pela mediação de Maria e pelo uso do "leite em pó", é sempre Deus quem opera por meio dessas realidades, assim como Ele sempre agiu na história, por meio dos Seus profetas e dos próprios objetos inanimados (cf. 2 Rs 2, 9-14). "Assim como nós pomos a nossa fé em Jesus, também pomos a fé em sua mãe", explica o frade.

No primeiro dia do ano, uma Missa especial em honra a Maria é celebrada na Catedral de Santa Catarina, que fica ao lado da Basílica da Natividade. Centenas de fiéis cantam e rezam em procissão, carregando um ícone da Virgem Maria até a Gruta do Leite, onde eles recebem a bênção de um sacerdote. Com isso, os católicos cumprem a profecia evangélica que diz: "Todas as gerações me proclamarão bem-aventurada" ( Lc 1, 48).

Enquanto os cristãos só comemoram o nascimento de Jesus durante o tempo do Natal, Lawrence diz celebrar a natividade todos os dias em que nasce um bebê graças à intercessão de Nossa Senhora do Leite. "Jesus nos diz que, se temos a fé de um grão de mostrada, podemos mover uma montanha", ele afirma. "Os milagres vêm com a fé das pessoas. Não é mágica. Tem a ver com fé e a devoção de cada um."

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