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O século da espiritualidade sem Deus
Sociedade

O século da espiritualidade sem Deus

O século da espiritualidade sem Deus

Fenômeno espantoso, mas tristemente real, os homens não têm procurado servir a Deus, mas à sua própria vontade. Desprezando o batismo que muitas vezes receberam em sua infância, descambam para outras religiões, procurando a que mais satisfaz ao seu ego.

Equipe Christo Nihil Praeponere30 de Outubro de 2013
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O primeiro mandamento do Decálogo pede ao homem que ame a Deus sobre todas as coisas. “Ouve, ó Israel! O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças" (Dt 6, 4-5). É tal a importância desta prescrição que Jesus reconhece nela, sem hesitar, “o maior e o primeiro mandamento" (Mt 22, 38).

Também Santo Agostinho teve diante de si a primazia do amor na vida cristã. Uma sentença célebre do santo latino diz: “Ama e faz o que quiseres". Com isto, o doutor da graça não quer dizer que as obras, a prática das virtudes ou as orações não sejam importantes na caminhada quotidiana; ele lembra, ao contrário, que tantos atos de piedade e de fé se resumem no mandamento do amor - e que é justamente por causa dele que o católico teme a Deus e procura cumprir os outros mandamentos. “Eis o amor de Deus: que guardemos seus mandamentos" (1 Jo 5, 3).

Santo Afonso de Ligório explica que “desde que uma alma ama a Deus, levada por esse amor, evitará tudo o que desagrada e fará tudo o que satisfaz a esse amável Salvador". De onde se conclui que todos os pecados e ingratidões que os homens têm cometido contra Deus decorrem da falta de amor para com Ele. Se os Seus filhos O amassem verdadeiramente, prefeririam morrer a pecar, como preferiu São Domingos Sávio. Se de fato amassem o Senhor, não se aborreceriam em permanecer minutos ou horas diante do Santíssimo Sacramento; ao contrário, empenhar-se-iam continuamente na oração, para falar cada vez mais com o objeto de seu amor. Se de fato amassem a Deus, sofreriam penas e mais penas sem desanimar, pois, nas palavras de Santo Afonso, “para um grande amor nada há que seja difícil demais".

No entanto, ama-se a Deus? Infelizmente, não. Se por um lado o nosso século contempla, atônito, “a existência do ateísmo militante, operando em plano mundial" [1], por outro, vê crescerem de maneira escabrosa múltiplas filiais de espiritualidade sem Deus. Trata-se de um fenômeno espantoso, mas tristemente real. Os homens não têm procurado servir a Deus, mas à sua própria vontade. Desprezando o batismo que muitas vezes receberam em sua infância, descambam para outras religiões, procurando aquela que melhor se encaixe aos seus gostos ou caprichos.

E, se a comunidade pentecostal da esquina satisfaz por pouco tempo, não tem problema: segue-se ainda à procura de outras, mais brandas ou “tolerantes". Procede-se com as coisas de Deus como com os bens terrenos: negociando, estabelecendo uma espécie de “barganha" espiritual. Não se procura a religião por causa de uma procura agostiniana da Verdade, mas por uma sede de satisfação pessoal, para resolver alguns problemas temporais e obter algumas consolações.

É claro que este não é um fato novo. São Lucas narra nos Atos o episódio de um certo Simão, “que exercia magia na cidade (...) e fazia-se passar por um grande personagem" (At 8, 9). Diante da pregação dos apóstolos, o mago, deslumbrado, “ofereceu-lhes dinheiro" (v. 18), para que também ele pudesse impor as mãos e fazer com que os fiéis recebessem o Espírito Santo. A resposta de São Pedro foi dura: “Maldito seja o teu dinheiro e tu também, se julgas poder comprar o dom de Deus com dinheiro!" (v. 20). Nos tempos apostólicos, indivíduos como Simão eram repreendidos severamente e instados ao arrependimento; hoje, tais “homens de negócios" exibem-se em redes de televisão sem nenhum pudor ou constrangimento.

“Maldito seja (...), se julgas poder comprar o dom de Deus" – são palavras do primeiro Papa. O dom de Deus é graça, não se compra. A salvação de nossa alma é graça, não se pode negociar. Para obtê-la, é preciso voltar ao primeiro mandamento: amar a Deus sobre todas as coisas, amar-Lhe e conformar-se à Sua vontade - à vontade de Deus, e não à nossa. Afinal, como ensina Santo Afonso, “fazer a própria vontade e seguir sua inclinação não é servir a Deus".

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Mensagem do Padre Paulo Ricardo aos seus alunos
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Mensagem do Padre Paulo
Ricardo aos seus alunos

Mensagem do Padre Paulo Ricardo aos seus alunos

O coração da Igreja e da vida intelectual deve pulsar no movimento ordenado por Jesus: "Vinde a mim" e "Ide e ensinai". Neste vídeo, Padre Paulo Ricardo fala aos seus alunos e exorta: "Ensinem, para não perderem a fé! Sejam discípulos missionários".

Equipe Christo Nihil Praeponere28 de Outubro de 2013
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O método de estudo proposto por Hugo de São Vitor e que foi adotado durante muito tempo pela Igreja, continua sendo ainda o mais adequado para aqueles que querem, de fato, aprender de maneira ordenada.

O último passo da técnica é a eloquência, ou seja, após ler, resumir, memorizar, meditar e contemplar a Verdade, é preciso transmiti-la. O verdadeiro aprendizado somente se conclui quando se ensina outras pessoas.

Ensinar é tão importante quanto aprender, um não se dá sem o outro. E o próprio Jesus deixou esse mandato aos seus discípulos: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações" (Mt 28, 19). Aprenderam com o Mestre, agora devem ensinar.

A analogia perfeita é a do movimento de sístole e diástole, pois, pulsa realmente como um coração. Jesus diz: “Vinde a mim" e em seguida, “ide e ensinai". E esse é o pulsar da Igreja, é o que a move. O que está tão claro no Documento de Aparecida, tantas vezes citado pelo Papa Francisco: a missionariedade da Igreja. Discípulo missionário. Aprender e ensinar. Conhecer Jesus e anunciá-lo. A estrutura do aprendizado cristão está no fato de que é preciso evangelizar.

E a vida intelectual deve refletir a vida eclesial. Não se pode ser católico sozinho, já dizia Tertuliano. É necessário pregar, convencer outras pessoas, levar a Boa Nova, somente assim se poderá aprender, de fato. E, nesse sentido, a sociedade moderna oferece um grande perigo, pois já não é mais permitido pregar a Verdade. Em nome da tolerância e do respeito, ela vem sendo calada, escondida. Com isso o mundo vai se descristianizando, pois onde não há o ensino, não há também o aprendizado. A Europa é um ótimo exemplo, pois enquanto enviava seus missionários para os vários continentes era cristianizado. Hoje, em nome do politicamente correto, deixou de anunciar, passando a respeitar servilmente outras culturas e o resultado é a sua islamização.

Aqueles, portanto, que desejam trilhar o caminho do verdadeiro aprendizado, ensinem. Pulsem no movimento ensinado por Nosso Senhor Jesus Cristo: “Vinde" e “Ide". Vamos.

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Nos passos de Santo Agostinho
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Nos passos de Santo Agostinho

Nos passos de Santo Agostinho

Inúmeros são os exemplos de descrentes que terminaram seu processo de busca na Igreja. É que, como dizia Edith Stein, "quem sai à procura da verdade já está na busca de Deus, ainda que não o saiba".

Equipe Christo Nihil Praeponere24 de Outubro de 2013
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Em sua encíclica Lumen Fidei, o Papa Francisco indicou o caminho para um diálogo com aqueles que, "apesar de não acreditarem, desejam-no fazer e não cessam de procurar" (n. 35). A atitude do Santo Padre nada mais é que de obediência às palavras de Jesus, que pediu a seus discípulos que pregassem "o Evangelho a toda criatura" (Mc 16, 15), indistintamente.

De fato, ninguém está excluído do amor de Deus. Ele sempre está de braços abertos, esperando que o homem aceite seu desígnio de amor e redenção. Ele que, como ensina São Paulo, "quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade" (1 Tm 2, 4), revela-Se àqueles que O procuram de coração sincero. Afinal, "que outra recompensa poderia Deus oferecer àqueles que O buscam, senão deixar-Se encontrar a Si mesmo?", questiona o Papa Francisco.

Nesta verdade, ao mesmo tempo em que se percebe a vontade de Deus de salvar o homem e conduzi-lo à morada eterna, nota-se uma realidade negativa: diante do Senhor, múltiplas atitudes são possíveis, exceto a indiferença. Não são poucos os homens de nosso tempo que, mais que negar a existência de Deus – indo contra a própria razão natural, pela qual qualquer um pode chegar a esta verdade elementar –, sepultam no cemitério de suas mentes qualquer possibilidade de experiência religiosa. Isto quando não a eliminam completamente, tomando a atitude que o Catecismo chama de "uma fuga da pergunta última sobre a existência e uma preguiça da consciência moral" (§ 2128).

Diante do evidente anseio do homem pelo infinito, o indiferentista age tentando abafá-lo. Como alguém com sede que se esforça continuamente por ignorar a sequidão de sua boca ou os sinais evidentes de que seu organismo clama por água. Enquanto sua sede não for saciada, o seu organismo continuará definhando, até a completa falência. Acontece o mesmo com aquele que nega a vocação do homem à transcendência. Para ir sobrevivendo neste mundo, ele vai mendigando em fontes de uma felicidade aparente e passageira, desconhecendo ou tentando ignorar que só a "água viva" de Cristo pode verdadeiramente satisfazê-lo (cf. Jo 4, 10).

Esta atitude de desprezo para com a verdade pode acabar muitas vezes em um caminho sem saída, que é o do pecado contra o Espírito Santo. Por isso diz-se que, diante de Cristo, não é possível ficar indiferente. "Quem não está comigo, está contra mim" (Lc 11, 23), diz o Senhor. Ao ouvir a história comovedora do próprio Deus que se abaixa à mísera condição humana, ou se acolhe a Sua mensagem de amor ou se diz "não" à Sua vontade. Mesmo a tentativa de "dar de ombros" aos apelos divinos tem o seu significado, não podendo o homem ser eximido de culpa, a menos que esteja em ignorância invencível, situação que só Deus pode julgar concretamente.

Ao lado deste homem que, na renúncia a decidir, acaba escolhendo ficar em cima do muro, existe aquele pagão na eminência de se tornar um Agostinho. Ao contemplar no ser humano o desejo pelo Bom e pelo Belo, ele sai em busca da Verdade e, mesmo que ainda não a conceba com "v" maiúsculo e esteja cheio de dúvidas, dispende todos os seus esforços para conhecê-La. Quem quer que comece a trilhar este caminho segue aquele itinerário descrito de forma extraordinária nas "Confissões", de Santo Agostinho. Mais cedo ou mais tarde, ele será ofuscado pela luz da fé e, dando o passo definitivo, poderá exclamar com o doctor gratiae: "Tarde Vos amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei!"

Inúmeros são os exemplos de descrentes que terminaram seu processo de busca na Igreja. É que, como dizia Santa Edith Stein, "quem procura a verdade procura Deus, ainda que não o saiba".

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A presença do cristão no meio do mundo
Espiritualidade

A presença do cristão no meio do mundo

A presença do cristão no meio do mundo

"Transformar em poesia heroica a prosa de cada dia", eis a grandeza da vocação cristã. Nas realidades mais ordinárias, nos trabalhos mais humildes, nas tarefas mais simples, aí está Jesus.

Equipe Christo Nihil Praeponere22 de Outubro de 2013
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Há 35 anos subia ao trono de Pedro o Papa João Paulo II. A Igreja assistia em êxtase ao nascimento de um novo pontificado, marcado, sobretudo, pela coragem do jovem pontífice. Wojtyla foi o paladino de um cristianismo planetário, encarnado na história e consciente de sua tarefa: "Fazer discípulos entre todas as nações" (Mc 16, 15). O comovente apelo do Santo Padre - feito na abertura de seu pontificado - iria ecoar nos quatro cantos da terra, despertando os fiéis para uma nova caminhada missionária: "Não tenhais medo, abram, ou melhor, escancarem as portas para Cristo" [1].

Nas suas viagens, chamava a atenção o beijo que sempre dava no chão do país a que acabara de chegar. Era um gesto instintivo, mas cheio de simbolismo. Com o ósculo, João Paulo II confessava seu amor por aquele povo, indicando que as realidades materiais também fazem parte do ser cristão. A existência cristã não é algo exclusivamente espiritual, fechado num pequeno grupo de privilegiados. Na fé católica, as esferas seculares são, para todos os fiéis, oportunidade de encontro com Deus.

Outro Papa recorda o mesmo. Francisco, durante a Jornada Mundial da Juventude, encorajou os jovens a "levar Cristo para todos os ambientes, até as periferias existenciais, incluindo quem parece mais distante, mais indiferente." [2]. O ensinamento do Santo Padre lembrava que o "Evangelho é para todos, e não apenas para alguns", pois Cristo deseja que "todos sintam o calor da sua misericórdia e do seu amor".

O cristão deve estar no mundo e amá-lo apaixonadamente, a fim de "iluminar e ordenar de tal modo as realidades temporais, a que estão estreitamente ligados, que elas sejam sempre feitas segundo Cristo e progridam e glorifiquem o Criador e Redentor." [3]. Porventura pode ser o cristianismo uma religião de eleitos, sectarista, "de pessoas puras, extraordinárias, que não se misturam com as coisas desprezíveis deste mundo ou que, quando muito, as toleram como algo necessariamente justaposto ao espírito, enquanto aqui vivemos" [4]? Era o que perguntava São Josemaria Escrivá aos seus filhos espirituais.

Sem menosprezar a vida religiosa, louvando os bens espirituais dos que se entregam à clausura, o Santo de Villa Tevere insistia na unidade de vida para os leigos, aqueles que são chamados à santidade no mundo. "Não, meus filhos! Não pode haver uma vida dupla, não podemos ser como esquizofrênicos, se queremos ser cristãos", exortava Escrivá. E dito isso, seguia adiante: "Aí onde estão nossos irmãos os homens, aí onde estão as nossas aspirações, nosso trabalho, nossos amores - aí está o lugar do nosso encontro cotidiano com Cristo. Em meio das coisas mais materiais da terra é que nós devemos santificar-nos, servindo a Deus e a todos os homens."

De fato, o mundo não é uma caixa de maldade, na qual se encontra somente dor e desespero. Se impregnado pelo fermento da vida cristã, pode se converter num imenso templo do Senhor, na própria casa de Deus. "E viu que era bom" (Gn 1, 31), assim narram as Escrituras. Por isso, insistia São Josemaria, "a vocação cristã consiste em transformar em poesia heroica a prosa de cada dia". Nas realidades mais ordinárias, nos trabalhos mais humildes, nas tarefas mais simples, aí está Jesus, como sempre esteve ao lado do pai, José, trabalhando na carpintaria.

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