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Estudantes mortos no Quênia eram cristãos
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Quênia eram cristãos

Estudantes mortos no Quênia eram cristãos

Porta-voz de grupo terrorista e palavras dos sobreviventes revelam: atentado que matou 148 pessoas na Universidade de Garissa visava cristãos

Equipe Christo Nihil Praeponere8 de Abril de 2015Tempo de leitura: 3 minutos
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148. Foi o número de pessoas mortas no atentado terrorista do dia 2 de abril, na Universidade de Garissa, no leste do Quênia. Estima-se em cerca de 80 o número de feridos. As vítimas são, em sua maioria, estudantes.

O grupo somaliano Al-Shabaab ("A Juventude", em árabe), ligado a Al-Qaeda, já assumiu a autoria do ataque. Um porta-voz da facção disse que eles atacaram a escola porque "ela está em terra muçulmana colonizada por não-muçulmanos". Em outras palavras, a maioria dos alunos de Garissa não são adeptos do Islã. Por isso, morreram.

Não se pode ignorar, também, que o Quênia faz parte de uma aliança militar para combater o terrorismo na Somália. "O Quênia está em guerra com a Somália. Nosso povo continua lá, eles estão lutando e sua missão é matar os que são contrários ao Al-Shabaab", disse o sheik Ali Mohamud Rage, em nome do grupo islâmico.

Depoimentos de sobreviventes, no entanto, revelam detalhes de quem era o alvo dos ataques.

O jovem Collins Wetangula, vice-presidente do grêmio estudantil da universidade, estava se preparando para tomar banho quando o colégio foi invadido. Ele e outros três colegas se trancaram no quarto quando ouviram os disparos. "Ninguém gritava porque as pessoas achavam que isso faria com que os atiradores soubessem onde estavam", afirmou. Quando os atiradores chegaram ao seu dormitório, ele os ouviu abrindo as portas e perguntando às pessoas escondidas se eram muçulmanas ou cristãs. "Se você fosse cristão, era alvejado ali mesmo. A cada disparo da arma eu achava que iria morrer", conta Collins.

Não é a primeira vez que um atentado desse tipo acontece no Quênia. O país, de maioria cristã, convive frequentemente com a falta de segurança e com a impiedade de grupos extremistas. O atentado do último dia 2 é o maior desde 1998, quando dois caminhões-bomba explodiram próximos à embaixada dos Estados Unidos no país.

Desta vez, os testemunhos são clamorosos: estudantes foram alvejados por sua fé. A mídia, no entanto, tenta omitir o fato. Fala da morte de "civis" – ou de "não-muçulmanos", quando muito. A verdade é que muitas das pessoas atingidas pelos atiradores islâmicos eram cristãs; tinham em comum não apenas a humanidade, mas também a fé em Cristo.

Não é coincidência que o genocídio desses homens e mulheres tenha acontecido justamente na Quinta-Feira Santa, dia em que a Igreja do mundo inteiro celebra a entrega sacrifical de Cristo na Última Ceia. Assim como no Getsêmani, há dois mil anos, Cristo poderia ter escapado da mão de Seus perseguidores (cf. Mt 26, 53), no Quênia, muitos cristãos – enquanto outros foram alvejados sem a mínima cerimônia – poderiam sobreviver declarando-se muçulmanos e negando a sua fé cristã. No entanto, eles preferiram dizer a verdade, mesmo sabendo que isso custaria suas próprias vidas. Sim, a barbárie impetrada pelos muçulmanos é injustificável – também o foi a crucificação de Cristo. A entrega amorosa de si, porém, é admirável – assim como o sacrifício de Nosso Senhor no Calvário, há dois mil anos.

Em Roma, na Sexta-Feira Santa (3), durante homilia na celebração da Paixão do Senhor, o frei Raniero Cantalamessa falou justamente sobre os mártires de hoje. Comentando uma reflexão de Blaise Pascal, segundo a qual "Cristo está em agonia até o fim do mundo", ele disse que "Jesus está em agonia até o fim do mundo em cada homem ou mulher submetidos aos mesmos tormentos". "Os cristãos – acrescentou o pregador do Papa – não são, certamente, as únicas vítimas da violência homicida que há no mundo, mas não se pode ignorar que, em muitos países, eles são as vítimas marcadas e mais frequentes."

Condenando a "indiferença perturbadora das instituições mundiais e da opinião pública em face de tudo isto", o padre Cantalamessa chamou a atenção para o silêncio pusilânime do Ocidente. "Corremos todos o risco, tanto instituições quanto pessoas do mundo ocidental, de ser Pilatos que lavam as mãos", concluiu.

Como remédio contra a indiferença, subam aos céus as orações da Igreja universal: pela paz no mundo, pelo Quênia... e, enfim, pelos terroristas, que matam pensando estar fazendo a vontade de Deus (cf. Jo 16, 2). Que o Senhor toque os seus corações e os converta, também eles, de carrascos em vítimas, de assassinos em mártires.

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A Igreja Católica não era aquilo que eu imaginava ser
Testemunhos

A Igreja Católica não era
aquilo que eu imaginava ser

A Igreja Católica não era aquilo que eu imaginava ser

Conheça o belo testemunho de Joathan, o jovem que, graças ao Papa Francisco e à formação do site, abandonou o protestantismo para abraçar a fé católica.

Equipe Christo Nihil Praeponere7 de Abril de 2015Tempo de leitura: 7 minutos
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A Jornada Mundial da Juventude de 2013 foi um evento decisivo para o jovem Joathan, de Mossoró, Rio Grande do Norte. Depois de cinco anos no protestantismo, o seu coração inquieto conheceu o sucessor de São Pedro e voltou para casa. Conheça o seu belo testemunho e descubra como a formação do site fê-lo deixar o mundo e as suas ilusões para abraçar a fé católica.

Olá, meus caros da Equipe Christo Nihil Praeponere!

Sei que o Reverendíssimo Padre Paulo Ricardo é um homem muito atarefado, mas gostaria que, se possível, pelo menos uma parte desta mensagem chegasse até ele. Na verdade, gostaria de ter falado sobre minha história a vocês há muito tempo, mas após ver a postagem "Católico e protestante debatem em avião", senti que já era hora de contar como o Pe. Paulo Ricardo ajudou a me levar a Roma. Aí vai:

"Eu peço que vocês sejam revolucionários, que vão contra a corrente; sim, nisto peço que se rebelem: que se rebelem contra esta cultura do provisório que, no fundo, crê que vocês não são capazes de assumir responsabilidades, que não são capazes de amar de verdade. Eu tenho confiança em vocês, jovens, e rezo por vocês. Tenham a coragem de 'ir contra a corrente'. Tenham a coragem de ser felizes!" (Papa Francisco, Encontro com os Voluntários da JMJ, 28 de julho de 2013)

Amado padre,

Parecia que seria uma semana normal, mas, na realidade, a partir dali minha vida mudaria por completo. Começava a Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro. Um evento que parecia sem importância para mim, afinal, há cinco anos eu tinha ingressado em uma igreja protestante.

Aos 12 anos, batizado e nascido em uma família católica, aceitei o convite de um amigo para assistir a um culto na Assembleia de Deus. No início do culto, o pastor informava à comunidade que ali se encontrava um jovem que queria aceitar a Jesus como seu Salvador. Naquele ambiente totalmente novo, aquilo parecia irresistível.

Eu, inocente, era esse jovem. Fascinado com a alegria daquelas pessoas, pela forma calorosa com a qual fui recepcionado, levantei a mão e fui conduzido até o púlpito para que a assembleia fizesse uma oração. No dia seguinte, fui à primeira aula de um curso de novos convertidos.

Naquelas aulas aprendi que adorar imagens era errado, que o sacerdote pode casar, que somos salvos apenas pela fé no Senhor Jesus, que a Bíblia é a única fonte infalível de fé e que nos seus 2.000 anos a Igreja Católica havia se perdido e se tornado um antro de perdição. Poucos anos depois, me tornei professor convidado do curso e lecionava a aula sobre Bíblia, quando aproveitava para reverenciar os reformadores protestantes, que teriam tornado as Sagradas Escrituras acessíveis a todos, firmados nos postulados da sola Scriptura e na livre interpretação pessoal.

Cinco anos depois, algo me incomodava. Meu coração sofria um turbilhão de emoções, de pensamentos desordenados. As palavras daquele Papa sorridente, de alguma forma, preenchiam um vazio dentro de mim. As imagens que eu via, na televisão, daquela miríade de jovens exultando alegria com sua fé católica me perturbavam.

Após a Jornada, notei que, no Instituto Federal do Rio Grande do Norte, onde eu estudava, havia um grupo universitário de oração tímido, mas bastante ativo, e que aquelas quatro pessoas davam um testemunho genuíno da sua fé (enquanto isso, o grupo de oração protestante estava desativado porque os irmãos evangélicos não se interessavam mais em manter os encontros).

"Como é possível?" – eu me perguntava. Meus pastores haviam ensinado que a Igreja Católica era a grande babilônia, a prostituta do Apocalipse! Qual a explicação para a alegria daqueles jovens com sua fé? Eu ouvira suposições de que o Papa era o Anticristo. Mas como Francisco confortava tanto meu coração?

Apesar de pertencer a uma igreja pentecostalista, eu não era como os outros. Preferia me recolher aos estudos de teologia, à oração individual e silenciosa, à evangelização nos hospitais e favelas. Buscava, dia e noite, a santificação. Mas como não me identificava com minha própria igreja, minha fé enfraquecia, minha busca sempre falhava. Meu pastor passou a proibir os jovens de irem ao shopping, ao cinema, as meninas de fazer um penteado curto. Segundo ele, não era coisa de cristão. E eu não podia concordar com aquilo.

Havia um vazio dentro de mim. Faltava algo. Finalmente, percebi que não era compatível com a Assembleia de Deus. Não podia encontrar ali o cristianismo de que gostaria. Por isso, no começo do ano, havia me afastado de uma vez por todas da igreja. O remédio para minha angústia foi o mundo e as ilusões que ele tem para oferecer.

Na verdade, meu choque ao ver aqueles jovens na JMJ ou aqueles do grupo de oração católico é que eles pareciam ser o que eu sempre quis ser também. Eles amavam ardentemente sua fé, sua Igreja, seu Papa. Aquilo que eu passei a observar ia de encontro com o que eu sempre havia pensado sobre religião. Se igreja protestante tinha erros, a católica muito mais!

Essa inquietação me fez ir atrás de respostas. Lembrei que tinha um site de um padre que eu odiava, em virtude dos seus vídeos criticando a fé protestante. O padre Paulo Ricardo! Acabei me tornando assinante do site e as aulas sobre o culto aos santos e às imagens e a sua intercessão foram o estopim para eu descobrir que não conhecia nada sobre catolicismo e deveria me aprofundar mais no assunto.

Foi então que eu descobri que os católicos não adoram os santos. Que, ao contrário do que eu ensinava nas aulas sobre a Bíblia, as indulgências e o purgatório faziam sentido, sim! Que, mesmo após a morte, continuamos pertencentes ao Corpo Místico de Cristo e nem a própria morte pode nos separar de Seu amor e da comunhão dos santos! Logo percebi que as doutrinas católicas nunca se chocavam com as Sagradas Escrituras e que estas só podiam existir graças à Sagrada Tradição (única fonte de fé dos primeiros cristãos) zelada pelo Magistério da Igreja, o fidei depositum.

Definitivamente, a Igreja Católica não era aquilo que eu imaginava ser.

Logo, comecei a frequentar as missas na Paróquia de São José. Ia aos sábados, visto que tinha menos gente e seria mais difícil alguém me reconhecer. Eu reparava em cada detalhe. Observava as imagens no Altar, me perdia a cada gesto feito pela assembleia na liturgia. Por que aquilo tudo? Eu não sabia. Só sabia que, de alguma forma, me sentia bem em estar ali.

Foi aí que eu percebi que estava diante de uma numerosa família de santos e anjos. Mais que uma comunidade eclesial, a Igreja é uma família na qual Cristo se faz real e substancialmente presente na Eucaristia, que alimenta e mantém firme aqueles que vão ao Seu encontro. Só então pude entender o verdadeiro significado da parusia tão falada no Novo Testamento. Não se trata apenas da vinda do Senhor no final dos tempos, mas também de sua presença real e gloriosa na Eucaristia. Eu tinha de fazer parte dessa família!

Padre, a Igreja é tão bela e minhas descobertas foram tão extraordinárias que é difícil resumir em um e-mail – dá para escrever um livro! Ah, eu poderia ainda falar sobre como me tornei escravo de amor de Nossa Senhora. Ainda relutei durante vários meses para ter meu encontro com Ela e ele só foi possível depois que descobri, através do senhor, o Tratado da Verdadeira Devoção. Mas fica para a próxima!

O fato é que aquele vazio já é passado. Conheci uma pequena comunidade nova chamada Missão Fides in Deum, onde me tornei vocacionado e hoje sou missionário. Aqui não me canso de retransmitir tudo o que aprendo com o senhor e numerosos outros santos, como Santa Teresa de Ávila e os santos doutores João da Cruz, Teresa de Lisieux, Tomás de Aquino, Agostinho e todo o vasto Magistério da Igreja, além – é claro – da minha querida e amada Beata Chiara Luce, um exemplo extraordinário para jovens católicos que, assim como eu, travam uma batalha espiritual diariamente nas universidades a fim de rejeitar o que é efêmero e dizer sim ao que é eterno e à vida em plenitude. O senhor – com seu site – me ajudou a chegar aqui! Não sei como agradecê-lo!

Hoje, menos de dois anos depois do que relatei aqui, minha vida é totalmente diferente. Amar Jesus Cristo e dedicar a vida à Igreja é o verdadeiro caminho da felicidade, não obstante a pesada cruz que isso requer que suportemos. Sim, padre, vale a pena!

Que o Senhor Jesus abençoe cada vez mais seu trabalho para que mais e mais católicos voltem à Mãe Igreja para beber da água de vida eterna, dos sacramentos e do rico magistério católico, a fim de que seja possível que mais homens como eu, afastados e sedentos de Deus, encontrem a verdade, "algo completamente novo. Como uma esperança que lhes cabe, como uma resposta que sempre procuraram secretamente", como diz o Papa Bento XVI.

Inobstante toda a distância de Mossoró a Cuiabá, peço que meu anjo da guarda vá a seu encontro e transmita meu mais sincero e agradecido abraço!

Que Santa Luzia, padroeira de nossa Diocese, seja luz no múnus que o Senhor te confiou e Maria Santíssima, Senhora de Todos os Santos, interceda e ampare sempre todos vocês da Equipe Christo Nihil Praeponere.

Contem com minhas orações!

Mossoró/RN, 21 de março de 2015

Em Cristo,

Joathan.

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A verdadeira alegria Pascal
Espiritualidade

A verdadeira alegria Pascal

A verdadeira alegria Pascal

A certeza de ser amado por um Amor que não passa

Padre Paulo Ricardo6 de Abril de 2015Tempo de leitura: 4 minutos
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Os extremos da Quaresma são marcados por duas alegrias: a do Carnaval e a da Páscoa. A primeira é uma alegria carnal que, nos dias atuais, chega a ser pecaminosa. E, mesmo nas décadas passadas, quando se festejava apenas a "joie de vivre" (a alegria da vida), como dizem os franceses, a festa do Carnaval era marcada por uma alegria mundana.

Todavia, festejar a vida biológica, criada por Deus, de certa forma, é salutar. Comemorar a alegria do dia a dia, as coisas simples e boa que confortam a vida é sinal de saúde. A ausência desse júbilo, por conseguinte, pode significar uma doença, um desequilíbrio.

A alegria da vida cotidiana, porém, é ligada antes de tudo à parte animal do homem que sente prazer ao encontrar um bem, muitas vezes material. Santo Tomás de Aquino ensina que este tipo de prazer está ligado a um bem, enquanto a tristeza a um mal. A alegria do homem é sempre correspondente ao bem que se está festejando. Assim, se o bem é passageiro, a alegria também o será.

Apesar de efêmeras, as alegrias deste mundo não são necessariamente más. E quando existe o saudável ordenamento no homem, elas serão indicações das alegrias eternas. Existem coisas que libertam o homem da tristeza, como um banho quente e um copo de vinho, diz Santo Tomás de Aquino. Todavia, por causa do pecado original, as alegrias mundanas tendem a substituir a alegria de Deus.

Do outro lado da Quaresma existe a alegria pascal. Ela não é baseada na bios, mas sim, na zoe, que é a vida eterna, a "outra" vida. E a verdadeira alegria espiritual reside nela.

Quando Jesus, a cabeça, ressuscita, introduz a humanidade na vida divina. Seu corpo ressuscitado não tem mais somente a vida biológica, embora muitos confundam ressurreição com reviver, Ele não voltou à vida antiga, mas sim, a Sua vida divina (Ele é Deus) transbordou para Sua humanidade e Ele começou a participar da vida de Deus. Esta é a alegria pascal: encontrar a nova vida, a zoé, que está em cada um.

No dia em que se celebrou o Sábado Santo, a Igreja recordou também os 500 anos do batizado de Santa Teresa de Jesus, uma grande mulher que alcançou o ápice da santidade e deu a conhecer ao mundo tantas nuances da vida espiritual que a tornam deveras especial.

Santa Teresa de Jesus, após 20 de vivência de oração intensa, de profunda amizade com Deus, ao adentrar na sétima morada, descobriu um mundo completamente novo. Antes, ela cria que os fenômenos místicos que experimentava eram oriundos do céu, porém, quando mergulhou na última morada, entendeu que tudo estava dentro dela. Entendeu que é no homem interior que habita a Trindade, e passou a viver da Trindade dentro dela.

Embora o seu corpo estivesse sofrendo muito, ela tinha paz e a alegria espiritual durante todo o tempo. Ela não era capaz de pecar, pois já estava enraizada no Amor, já gozava da plena liberdade daqueles que amam.

São Paulo, em sua Carta aos Gálatas (cap. 5), ao listar os frutos do Espírito Santo, aponta também a alegria. É justamente a alegria que vivia Santa Teresa, a alegria espiritual. Santo Tomás de Aquino afirma que a alegria é a consequência mais óbvia do amor.

O amor-caridade produz naquele que ama duas situações: a primeira é a constatação de que Deus é a fonte de todo bem. Portanto, alegrar-se com tal bem-aventurança é motivo de grande alegria. A segunda, provém do fato de que a alegria é a reação diante de um bem presente e possuído, que não suporta a ausência. A alegria é estar na presença do Sumo Bem.

A alegria pascal é muito diferente da alegria do carnaval. De nada adiantam as alegrias efêmeras, com prazo de validade. Melhor são aquelas que não passam. E não passam porque Aquele que as inspira também não passa.

Esta alegria está ao alcance de todos, e claro, estando nas últimas moradas a vivência é plena, completa, como Santa Teresa. Mas, aos outros, basta estar em estado de graça, em amizade com Deus, para experimentar a alegria de se saber amado e amar Aquele que não passará. Amar e servir. Esta é a verdadeira alegria espiritual.

As duas alegrias, portanto, são muito distintas. A primeira é passageira, mas a segunda, é a alegria dos santos e que a todos é permitido gozar. É por isso que, na Páscoa, a Igreja canta à Virgem Maria, a alegria do seu coração:

Regina coeli, laetare, Alleluia!
(Rainha dos céus, alegrai-vos, aleluia!)


Quia quem meruisti portare, Alleluia!

(Porque aquele que merecestes carregar em vossos braços. Aleluia!)


Resurrexit, sicut dixit, Alleluia!

(Ressuscitou como disse, aleluia!)

A alegria de Nossa Senhora por saber que Aquele que ela amava não estava ausente e que a pedra fechando o sepulcro não havia sido o ponto final. Jesus morreu em sua natureza humana, é verdade, mas continuava vivo como Deus. A grande alegria de ver que no meio da maior tragédia, embora tudo diga o contrário, permanece a certeza de ser amado.

Ao receber o cadáver de Seu Filho em seus braços, não teria o demônio tentado Maria? Sim, mas ela não vacilou, pois tinha certeza da presença do Deus-amor diante da catástrofe iminente.

Assim, que os próximos cinquenta dias sejam, para cada um de nós, dias de grande alegria espiritual. A certeza de que se é amado por um amor que não passa.

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Um grande silêncio reina sobre a terra
Espiritualidade

Um grande silêncio reina sobre a terra

Um grande silêncio reina sobre a terra

Não podendo o homem, por si mesmo, ascender à companhia de Deus, Ele mesmo desce à companhia dos mortos, para, com Sua graça, torná-los santos

Equipe Christo Nihil Praeponere4 de Abril de 2015Tempo de leitura: 1 minutos
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Hódie siléntium magnum in terra est. Assim começa uma antiga homilia de Sábado Santo. "Que está acontecendo hoje? Um grande silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei está dormindo; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque o Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam há séculos. Deus morreu na carne e despertou a mansão dos mortos."

Jesus, ao mesmo tempo em que tem o Seu corpo no sepulcro, desce com Sua alma aos abismos – como confessamos no Credo, Ele "desceu à mansão dos mortos". Não podendo o homem, por si mesmo, ascender à companhia de Deus, Ele próprio descende à companhia dos mortos, para, com Sua graça, fazê-los santos.

Cumpre-se, hoje, mais uma profecia: "Quanto a ti, meu povo, por causa da aliança que contigo fiz, selada com sangue, vou libertar teus cativos desta cisterna sem água" ( Zc 9, 11). O seu povo são os justos do Antigo Testamento que, pela dívida do pecado original, jazem "cativos" e sedentos na "cisterna sem água" das profundezas; a aliança "selada com sangue" é o sacrifício que Ele consuma na Cruz e, também, a causa de sua descensão. Se os méritos da paixão de Nosso Senhor se aplicam aos vivos pela graça dos Sacramentos, aplicam-se aos mortos pela descida de Cristo aos infernos. Sim, Ele desce aos infernos. Não ao inferno dos condenados, de onde nem mesmo Deus, o autor da liberdade, os pode tirar; mas ao "seio de Abraão", o lugar onde os santos Patriarcas esperam, aflitos, o dia de sua libertação. Desce aos infernos, para aspergir com Seu sangue os filhos de Adão e instaurar a nova Páscoa. Desce aos infernos para dar aos homens aquilo que, desde o príncipio, Ele lhes havia preparado.

"Vosso pai Abraão – disse Jesus, certa vez, aos judeus – exultou por ver o meu dia. Ele viu e se alegrou" (Jo 8, 56). Ei-lo, é hoje o Seu dia. Exultemos e alegremo-nos com os santos Patriarcas, porque também nós fomos conduzidos, pela assombrosa descida do Verbo ao mundo, da morte à vida, das trevas à luz, do pecado à graça, dos infernos ao Céu.

"Deus morreu na carne e despertou a mansão dos mortos". Enquanto Ele não ressuscita dentre os mortos, porém, silentium magnum in terra manet. "Um grande silêncio reina sobre a terra".

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