CNP
Christo Nihil Praeponere"A nada dar mais valor do que a Cristo"
Evangelize compartilhando!
Todos os direitos reservados a padrepauloricardo.org®
Como podemos ajudar as almas do Purgatório?
Espiritualidade

Como podemos
ajudar as almas do Purgatório?

Como podemos ajudar as almas do Purgatório?

O que são os chamados “sufrágios”? Que boas obras nós, os vivos, podemos realizar para socorrer as almas que padecem no Purgatório? Eis o que ensinam a Igreja e a própria Sagrada Escritura.

Pe. François Xavier Schouppe9 de Maio de 2018
imprimir

Se Deus consola tão benignamente as almas do Purgatório, sua misericórdia brilha com ainda mais força no poder, que Ele concede a sua Igreja, de encurtar a duração de seus sofrimentos. Desejando executar com clemência a severa sentença de sua justiça, Ele consente em abater e mitigar a dor; fá-lo, porém, de maneira indireta, através da intervenção dos vivos. A nós Ele concede todo o poder de socorrermos nossos irmãos aflitos com sufrágios, isto é, por meio de impetração e satisfação.

A palavra sufrágio, em linguagem eclesiástica, é um sinônimo para oração. Entretanto, quando o Concílio de Trento declara que as almas no Purgatório são assistidas pelos sufrágios dos fiéis, o sentido da palavra é mais abrangente, incluindo, de modo geral, tudo o que formos capazes de oferecer a Deus em favor daqueles que partiram desta vida. De fato, nós podemos oferecer a Deus não somente nossas orações, mas todas as nossas boas obras, na medida em que elas sejam impetratórias ou satisfatórias.

Para entender essas expressões, tenhamos em mente que cada uma de nossas boas obras, quando praticadas em estado de graça, possui ordinariamente um triplo valor aos olhos de Deus:

  1. A obra é meritória, ou seja, aumenta o nosso mérito, dando-nos direito a um novo grau de glória no Céu.
  2. É impetratória (de “impetrar”, “obter”), ou seja, como uma oração, ela tem a virtude de alcançar graças de Deus.
  3. É satisfatória, ou seja, tem a capacidade de satisfazer à Justiça Divina e pagar o débito de nossas penas temporais diante de Deus.

O mérito é inalienável e permanece como propriedade da pessoa que realiza a ação. Os valores impetratório e satisfatório, ao contrário, podem beneficiar a outrem, em virtude da comunhão dos santos.

Entendido isso, coloquemo-nos uma questão prática. Quais são os sufrágios por meio dos quais, de acordo com a doutrina da Igreja, nós podemos ajudar as almas do Purgatório?

“A Virgem, São Nicolau Tolentino e as almas do Purgatório”, por Bartolomeo Guidobono.

A essa pergunta nós respondemos: eles consistem em orações, esmolas, jejuns e penitências de qualquer tipo, indulgências e, acima de tudo, o santo sacrifício da Missa. Todas as obras que nós realizamos em estado de graça, Jesus Cristo permite que as ofereçamos à Majestade Divina para o alívio de nossos irmãos no Purgatório.

Por essa admirável disposição, ao mesmo tempo em que protege os direitos de sua justiça, nosso Pai celestial multiplica os efeitos de sua misericórdia, que é exercida então, ao mesmo tempo, em favor da Igreja padecente e da Igreja militante. A assistência misericordiosa que Ele permite prestarmos a nossos irmãos sofredores é, de fato, de excelente proveito para nós mesmos. Trata-se de uma obra não apenas vantajosa para os falecidos, mas também santa e salutar para os vivos. Sancta et salubris est cogitatio pro defunctis exorare, “É santa e piedosa a ideia de rezar pelos defuntos” (2Mc 12, 46, Vulg.).

É possível ler, nas Revelações de Santa Gertrudes (cf. Legatus Div. Pietatis, l. 5, c. 5), que, tendo uma humilde religiosa de sua comunidade coroado com uma morte piedosa sua vida exemplar, Deus dignou-se mostrar à santa o estado da falecida na outra vida. Gertrudes viu a alma da monja adornada de inefável beleza e querida por Jesus, que a fitava com amor. Entretanto, por conta de uma leve negligência sua, ainda não expiada, ela não podia entrar no Céu, sendo obrigada a descer à sombria morada do sofrimento. Mal havia ela desaparecido nas profundezas, porém, a santa viu-a voltar e subir em direção ao Céu, transportada pelos sufrágios da Igreja: Ecclesiae precibus sursum ferri.

Até no Antigo Testamento orações e sacrifícios eram oferecidos pelos mortos. A Sagrada Escritura relata como louvável a piedosa ação de Judas Macabeu depois de sua vitória sobre Górgias, general do Rei Antíoco. Os soldados haviam pecado, tomando dos espólios alguns objetos oferecidos aos ídolos, coisa que pela lei eles estavam proibidos de fazer. Então Judas, chefe do exército de Israel, mandou que se fizessem orações e sacrifícios pela remissão de suas culpas e pelo repouso de suas almas.

Vejamos como esse fato é contado na Escritura:

No dia seguinte ao sábado, Judas e seus homens foram recolher os corpos dos que tinham morrido na batalha, a fim de sepultá-los ao lado dos parentes, nos túmulos de seus antepassados.

Foi então que encontraram, debaixo das roupas dos que tinham sucumbido, objetos consagrados aos ídolos de Jâmnia, coisa que a Lei proíbe aos judeus. Então ficou claro, para todos, que foi por isso que eles morreram.

Todos louvaram, então, a maneira de agir do Senhor, justo Juiz, que torna manifestas as coisas escondidas.

E puseram-se em oração, pedindo que o pecado cometido fosse completamente cancelado. Quanto ao valente Judas, exortou o povo a se conservar sem pecado, pois tinham visto com os próprios olhos o que acontecera por causa do pecado dos que haviam sido mortos.

Depois, tendo organizado uma coleta individual, que chegou a perto de duas mil dracmas de prata, enviou-as a Jerusalém, a fim de que se oferecesse um sacrifício pelo pecado: agiu assim, pensando muito bem e nobremente sobre a ressurreição. De fato, se ele não tivesse esperança na ressurreição dos que tinham morrido na batalha, seria supérfluo e vão orar pelos mortos. Mas, considerando que um ótimo dom da graça de Deus está reservado para os que adormecem piedosamente na morte, era santo e piedoso o seu modo de pensar.

Eis por que mandou fazer o sacrifício expiatório pelos falecidos, a fim de que fossem absolvidos do seu pecado. (2Mc 12, 39-45)

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

A herança protestante do espiritismo
Doutrina

A herança protestante do espiritismo

A herança protestante do espiritismo

Saiba como a “teoria do livre exame”, propugnada pela Reforma Protestante, influencia também a religião espírita e o seu modo de ver as Sagradas Escrituras.

Frei Boaventura Kloppenburg9 de Maio de 2018
imprimir

“Achamos que religião não se deve discutir. Abram-se as portas dos templos, preguem-se as verdades das Escrituras e do Evangelho, e o povo que decida de acordo com os seus sentimentos. Defendemos a liberdade de cada um crer do seu modo e cultuar Deus segundo a sua maneira de crer.”

Será que o autor destas linhas cogitou com seriedade no que a pena escrevia? Terá ele refletido nas consequências de semelhante princípio?

Pois temos aí a forma mais extrema do subjetivismo sentimental; temos o relativismo levado ao absurdo; temos a negação em princípio de todas as verdades absolutas; temos a capitulação definitiva da razão em favor do puro sentimento; temos o liberalismo religioso em sua formulação mais crassa e nua; temos a contestação radical dos valores eternos do Evangelho.

Imaginemos Cristo pregando sobre as Três Pessoas em Deus, sobre a necessidade de perdoar aos inimigos, sobre a recompensa ou punição na outra vida, sobre a necessidade de crer em suas palavras, sobre a obrigação de se fazer batizar e de comer a sua carne e beber o seu sangue etc. E de repente aparece aí o nosso espírita para aplicar o seu princípio: — Alto lá! Liberdade! Isso assim não! Cada um vá para casa e “decida de acordo com os seus sentimentos”!…

E lá se vão os atentos ouvintes. Um deles “sente” que isso de Três Pessoas em Deus não é verdade; outro “sente” que não precisa perdoar aos inimigos; mais um terceiro “sente” que vai reencarnar; fulano “sente” que não tem nenhuma necessidade de batismo; sicrano “sente” que aquilo do inferno é puríssima alegoria; beltrano “sente” que não, que deve ser assim mesmo; mais outro “sente” que vai logo direitinho para o céu, sem mais formalidades; e assim por diante, cada qual decidindo “de acordo com os seus sentimentos”…

Que tal? E Jesus, satisfeitíssimo com o estrondoso efeito de seus ensinamentos…

Allan Kardec.

E o nosso espírita continua: “Paulo determinou que cada um examinasse as Escrituras e escolhesse o que lhe parecesse bom.” Infelizmente, seguindo aliás um costume muito geral entre os espíritas, nosso improvisado exegeta deixou de indicar o lugar exato em que o grande Apóstolo teria dito tão grande disparate. E garantimos, pelo único botão do nosso burel, que esta frase é puríssima invenção e não se encontra em parte nenhuma das epístolas paulinas.

Depois dessa falsa citação, segue a triunfante conclusão: “Cada um escolha de acordo com a sua compreensão, e não de acordo com a compreensão alheia.” Para então rematar com mais esta calúnia: “Entretanto, as Escrituras foram por muito tempo guardadas e sonegadas ao exame, como a luz debaixo do alqueire, até que a Reforma viesse levantar o pesado alqueire e abrir as Escrituras.”

Também Allan Kardec proclama energicamente esta mesma “liberdade”, declarando que o “direito de examinar pertence a todos e as Escrituras não são mais a arca santa na qual ninguém se atreverá a tocar com a ponta do dedo sem correr o risco de ser fulminado” [1].

Os espíritas querem, no dizer de León Denis, “por si mesmos, achar a solução dos grandes problemas e a fórmula do seu Credo” [2].  Toda essa atitude é uma herança da revolta de Lutero e chama-se “teoria da livre interpretação”.

O próprio Lutero bem depressa verificou dolorosamente que o resultado de tudo isso é que, segundo uma expressão dele mesmo, “há tantos credos quantas cabeças”.  É inevitável. É o que estamos vendo entre os protestantes.

Com o princípio da livre interpretação a Bíblia tornou-se um dos livros mais perniciosos da humanidade. Cada um encontra um texto para os seus desejos e caprichos — e pronto: é um perfeito “cristão”!

Martinho Lutero.

Lutero descobre na Escritura um texto que autoriza o landgrave de Hesse a tomar segunda mulher; Henrique VIII não encontra dificuldades para interpretar favoravelmente as passagens que se referem ao divórcio; Carlstadt sustenta com a Bíblia em mão que a poligamia pode ser lícita; Allan Kardec “descobre” aí a doutrina da reencarnação; outro encontra que Jesus foi fazer uma “sessão espírita” no monte Tabor

É uma consequência lógica daquele princípio protestante, sustentado e propagado também pelos espíritas: que cada um tem o direito de interpretar a Bíblia a seu modo e segundo o seu talante. A isso chegaremos infalivelmente enquanto sustentarmos que qualquer alfaiate ou negociante da esquina, sem maiores estudos e conhecimentos, tem o direito e liberdade de fazer exegese e decidir de acordo com os seus próprios sentimentos ou a sua compreensão.

Mas essa mesma confusão prova que o princípio da livre interpretação não pode estar certo. Se a Bíblia vem de Deus, e não temos dúvida a esse respeito, então deve ter o seu valor objetivo, igualmente válido para todos, quer queiram quer não.

Se Jesus disse, por exemplo, “quem crer e for batizado, será salvo; quem não crer será condenado”, então estas palavras devem ter um certo e determinado sentido, intencionado por Cristo, e todo o mundo deverá ou aceitar este sentido ou renegar a Cristo e assumir as consequências desta sua atitude.

Já São Pedro verificou o efeito desastroso da exegese feita por sapateiros e alfaiates: “Nosso caríssimo irmão Paulo vos escreveu segundo a sabedoria que lhe foi dada, como também faz em todas as suas epístolas, nas quais há algumas coisas difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para a sua própria ruína, como o fazem também com as demais Escrituras” (2Pd 3, 16). Isso também está na Bíblia!

Referências

  1. Allan Kardec, A Gênese (c. I, n. 29). Trad. de Evandro Noleto Bezerra. 2.ª ed. Brasília: FEB, 2013, p. 26.
  2. León Denis, O problema do ser, do destino e da dor. 32.ª ed. Brasília: FEB, 2012, p. 25.

Notas

  • Extraído e levemente adaptado de Fr. Boaventura Kloppenburg, Resposta aos Espíritas. Rio de Janeiro: Vozes, 1954, pp. 15-17. Os trechos acima que vão entre aspas foram todos retirados de artigos, escritos por espíritas, em ataque à Igreja Católica, conforme explica Fr. Boaventura na introdução de sua obra (pp. 3-4). “Destinam-se as presentes linhas principalmente àqueles católicos que, não possuindo suficientes conhecimentos filosóficos, religiosos, leram contudo ou ouviram os impiedosos ataques espíritas contra a Igreja, perturbando-se com isso, talvez, sua fé e confiança nesta maravilhosa Instituição de Cristo, que é a Igreja Católica.”

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

Ex-batista conta como a Igreja Católica mudou a sua vida
Testemunhos

Ex-batista conta
como a Igreja Católica mudou a sua vida

Ex-batista conta como a Igreja Católica mudou a sua vida

Nascida em berço protestante, Ana Clara percorreu muitos caminhos até se tornar católica. “A Igreja mudou a minha vida e me dá uma vontade real de ser melhor e fazer a vontade de Deus.” Conheça brevemente esta história.

Equipe Christo Nihil Praeponere8 de Maio de 2018
imprimir

Ela foi criada em uma comunidade protestante batista, deixou de acreditar em Deus, simpatizou com o espiritismo, até que, por fim, decidiu dar uma chance para a Igreja Católica. “Se até eu pude ser resgatada”, ela diz, “qualquer pessoa no mundo tem essa chance também.”

Leia este breve testemunho de Ana Clara, enviado ao nosso suporte em 2016, e comprove como as orações e os conselhos de boas amizades podem ser decisivos para mudar vidas.


Salve Maria Santíssima!

Boa tarde, equipe do site!

Conversando com amigos em um grupo de Facebook, escrevi uma breve história da minha conversão ao catolicismo e, como o padre Paulo Ricardo teve uma influência considerável nesse processo, um de meus amigos pediu para eu mandar um e-mail de agradecimento. Ei-lo, então.

Copiei o que escrevi no grupo e fiz pequenas alterações. Espero que sirva para que vocês e o padre Paulo tenham confirmação de que o site e as orações e mortificações que vocês fazem importam muito. Saibam, também, que vocês estão em minhas orações e nas minhas intenções do terço.

Fui criada na igreja protestante, uma batista, e era bem ativa até cerca dos meus 16 anos. Quando fui ficando mais velha, não entendia por que as pessoas não mudavam totalmente por Cristo depois de O “aceitarem” (o batismo não é um sacramento nem um ritual de passagem na [igreja] batista, é uma cerimônia solene apenas), por que Deus não falava comigo (apesar de a batista não ser pentecostalista, há muita influência dos carismas por lá), por que tinha tanta hipocrisia, por que algumas pessoas seriam salvas só por terem aceitado Jesus, mesmo não buscando melhorar.

Eu sei que isso não se aplica a todo protestante, mas eu tinha muitas outras dúvidas, essas eram as piores. O fato é que eu acabei achando que Deus simplesmente não deveria existir, porque a Igreja Católica era uma versão ultrapassada do protestantismo, e este não era suficiente.

Depois disso, entrando na faculdade, envolvi-me um pouco com o esquerdismo, e isso me deixou mais materialista. Eu não me sentia bem, mas continuava fazendo coisas pensando somente nas consequências imediatas e, à medida que os anos iam passando e eu ia quebrando a cara — ou machucando outras pessoas, o que era pior —, a sensação de que a vida era uma coisa terrível ia crescendo.

E não é que eu fosse uma jovem rebelde sem causa. Eu trabalhava, lia muito, tentava ser uma boa filha etc., mas eu sentia que a vida não era só aquilo e não sabia explicar o que era. Até que, ano passado, depois de terminar um relacionamento com uma pessoa que era mais materialista e imediatista do que eu, percebi que existiam algumas coisas que importavam muito no mundo, sobretudo alguns valores morais, e aí foi o comecinho.

Comecei a organizar umas doações e umas coisinhas de caridade e senti-me muito bem com aquilo. Foi aí que decidi dar outra chance ao cristianismo e virei… espírita (risos)! Eu passava mal quando tomava o “passe”, não gostava das reuniões, mas achava que tinha que fazer o bem e achava que já tinha tentado as outras duas (protestantismo e catolicismo), então não fazia mal dar uma chance para Jesus de novo (era o que eu pensava que estava fazendo).

Mas tinha uma coisa que me incomodava muito no espiritismo: o fato de não haver inferno. Não existia condenação maior do que voltar à terra para evoluir. Aquilo era muito prático e cômodo, mas me incomodava muito porque parecia extremamente injusto.

Até que, no começo desse ano, com aquelas cenas lamentáveis ocorridas no processo de impeachment da ex-presidente, em meio à incerteza, eu, que tinha mudado de opinião política, vi pessoas que se diziam minhas amigas me discriminando porque eu não pensava mais exatamente como elas. Tive diversas crises existenciais e conversei muito com um amigo, ex-colega de faculdade, que sempre foi católico e conservador.

Um dia, eu comentei com ele que a situação do Brasil e do mundo estava toda errada, e que não havia perspectiva de melhora, e que essa solidão intelectual pela qual eu passava era terrível, e perguntei como ele tinha suportado saber disso durante tanto tempo, com tantas pessoas falando mal dele e do que ele pensava.

Ele respondeu: “Clara, não fosse minha fé em Deus, eu já teria me matado”. Aquilo me tocou profundamente e, como ele é católico, eu resolvi dar uma chance e conhecer alguma coisa do catolicismo fora o que eu havia aprendido na igreja protestante (que era, basicamente, que católicos adoram pessoas e imagens, vendem vagas para o céu e são criaturas de Deus, não filhas dEle).

E aí que, vendo vídeos de alguns padres no YouTube e lendo alguns artigos simples, entendi a importância da castidade e do controle de si mesmo. Esse tema me interessou muito e, por acaso, topei com um vídeo do padre Paulo Ricardo sobre isso. Aí “foi só amor”, comecei a fazer alguns cursos, ver o quadro da Resposta Católica, e tudo fazia um sentido absurdo.

Até que, encorajada por alguns amigos, procurei um padre (meu atual confessor e diretor espiritual) para me confessar. Cheguei na secretaria muito nervosa e disse que era minha primeira confissão. Contei minha história e o que eu tinha aprontado. Ele conversou mais de uma hora comigo, deu-me um livro do Scott Hahn para ler e disse-me para me aproximar de Maria.

Eu me senti incrivelmente aliviada depois disso e resolvi começar a rezar o terço. Quanto mais eu ia lendo sobre, mais me convencia da perenidade da Igreja e de sua legitimidade. Fui aprendendo sobre os santos, sobre a Tradição e hoje estou aqui, pelejando, tentando combater o bom combate.

Eu não consigo explicar o que eu sinto hoje, como a Igreja mudou a minha vida e me dá uma vontade real de ser melhor e fazer a vontade de Deus. Eu explico para alguns protestantes hoje como a confissão ajuda, ou aprender sobre a vida dos santos, mas acho que o necessário para minha conversão mesmo foram duas coisas: a Divina Providência e as ave-Marias que alguns amigos rezaram pela salvação da minha alma. Deus me dá muita esperança, porque, se até eu pude ser resgatada, qualquer pessoa no mundo tem essa chance também.

Muito obrigada pelo trabalho que vocês exercem. Continuem rezando para que Deus converta muitos pecadores através do trabalho de vocês, meus irmãos!

Ana Clara.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

“Sou um diabo, não um santo!”
Espiritualidade

“Sou um diabo, não um santo!”

“Sou um diabo, não um santo!”

Os santos da Igreja Católica “sabiam que, se chegassem a perder a luz divina, poderiam cometer culpas horrendas”.

Equipe Christo Nihil Praeponere7 de Maio de 2018
imprimir

“Vai-te embora, eu sou um diabo, e não um santo!” [1] — Era com palavras fortes assim que o grande São Filipe Néri, fundador dos Oratorianos — um homem que levitava, literalmente, enquanto rezava e cuja santidade ninguém ousaria pôr em dúvida —, reagia quando o honravam; era assim que ele se humilhava quando o exaltavam.

Muito antes dele, foi da mesma forma que agiu São Pedro, príncipe dos Apóstolos, primeiro Papa, o homem a quem Cristo confiou o governo de sua Igreja e as chaves do Reino dos céus, quando Cornélio saiu-lhe ao encontro, “caiu a seus pés e se prostrou diante dele”: “Levanta-te”, ordenou Pedro. “Eu também sou apenas um homem” (At 10, 26).

Então quer dizer que os santos não queriam que nós lhes prestássemos culto? Os protestantes estão certos, afinal de contas?

Devagar com o andor porque — literalmente, neste caso — o santo é de barro. Para entender essas atitudes de São Filipe Néri e São Pedro, é necessário lembrar que o tesouro da graça, nesta vida, nós todos o trazemos “em vasos de barro, para que todos reconheçam que este poder extraordinário vem de Deus e não de nós” (2Cor 4, 7).

Os santos, enquanto estavam neste mundo, mandavam levantar os que se prostravam diante deles não porque fossem iconoclastas — eles mesmos, sendo católicos, veneravam os santos que os precederam e pediam-lhes a intercessão —, mas porque não queriam ser glorificados antes do tempo; não queriam receber a glória dos homens antes de receber a glória definitiva de Deus, no Céu. Além disso, eles tinham consciência de que a santificação é uma obra da graça divina, não um mérito nosso.

“Negação de Pedro”, por Carl Bloch.

Poderíamos dizer, simplesmente, que São Filipe Néri e São Pedro eram humildes, mas, sendo mais claro e direto, os santos não queriam culto para si próprios porque tinham uma noção da realidade. “Qual o motivo que fazia os santos implorar incessantemente a luz divina”, perguntava-se Santo Afonso de Ligório, “temendo converter-se nos pecadores mais abomináveis do mundo?” E responde: “É porque sabiam que, se chegassem a perder a luz divina, poderiam cometer culpas horrendas.” [2]

Sim, os santos da Igreja Católica… afastados de Deus… “poderiam cometer culpas horrendas”. E ninguém se espante com isso. Porque está tudo nos próprios Evangelhos. São Pedro, que morreu professando as verdades da fé, foi o mesmíssimo Apóstolo que, querendo seguir a Cristo de longe, querendo ser cristão “do seu jeito”, negou três vezes a Jesus: mentiu e disse que não O conhecia (cf. Mt 26, 69-75; Mc 14, 66-72; Lc 22, 54-62; Jo 18, 25-27). Ao repreender o Senhor quando Ele predisse sua Paixão, esse mesmo apóstolo que hoje nós veneramos como santo foi chamado por Cristo de diabo: “Vai para longe de mim, Satanás!” (Mt 16, 23)

Por isso, São Filipe Néri chamando a si mesmo “diabo” não é exagero retórico nem humildade empostada. É simplesmente a condição do homem, quando afastado da graça de Deus. Santa Teresa d’Ávila revela ter visto, em sua autobiografia, “o lugar que os demônios tinham preparado” para ela, e por isso ela dizia: “Que Sua Majestade nunca tire a sua mão para que eu não volte a cair, pois já vi onde iria parar” [3]. Às suas monjas ela escrevia, noutro lugar, o seguinte:

Um homem espiritual disse-me certa vez que não se espantava com o que faz aquele que está em pecado mortal, mas com o que não faz. Que Deus, em sua misericórdia, nos livre de tão grande mal, pois só há uma coisa, enquanto vivemos, que de fato merece esse nome, já que acarreta males eternos e sem fim: o pecado. Isso, filhas, é o que deve nos atemorizar e o que havemos de pedir a Deus em nossas orações. Se Ele não guardar a cidade, trabalharemos em vão, pois somos a própria vaidade. [4]

Prestemos atenção às palavra deste santo Doutor da Igreja: “só há uma coisa, enquanto vivemos”, que merece o nome de “mal”, por acarretar “males eternos e sem fim”, e esta coisa é o pecado.

Ensinamento semelhante é o que encontramos no livro “Apologia pro vita sua”, do bem-aventurado John Henry Newman, católico convertido do protestantismo, oratoriano e cardeal da Igreja Católica — uma das mais belas linhas já escritas a esse respeito:

A Igreja Católica assegura que é preferível ver o sol e a lua caírem do céu, a terra desaparecer, os milhões de seres humanos que a povoam morrerem de fome na pior das agonias, até onde possa chegar a aflição temporal, a admitir que uma só alma, não digo, se perca, mas cometa um único pecado venial, diga voluntariamente uma pequena mentira ou roube sem escusa alguns miseráveis centavos. [5]

A pergunta que nos precisamos fazer, antes mesmo de qualquer exame de consciência, é se nós ainda cremos nisso — se é que alguma vez já acreditamos. Temos consciência da gravidade do pecado, ou para nós tanto faz? Acreditamos que o pecado acarreta, de fato, “males eternos e sem fim”, ou estamos anestesiados pelo espírito do mundo? A nossa fé é a fé da Igreja ou estamos rendidos às ilusões e mentiras que os homens contam? Cremos no que Cristo revelou e ensinou a seus Apóstolos ou, ao contrário, nós temos um evangelho moldado à nossa própria medida, um céu rebaixado à nossa própria mesquinharia, um “inferno vazio” em que possamos nos fiar para viver do modo como quisermos?

Para ilustrar melhor aonde queremos chegar, deixemos falar, de novo, o Cardeal Newman:

Eu sei que os homens fazem declarações solenes, gabando-se de serem cristãos e falando do cristianismo como uma religião do coração. Mas, quando pomos de lado palavras e declarações, e tentamos descobrir qual é a sua religião, acabamos por descobrir, eu receio, que a grande massa dos homens, de fato, se livra de toda religião que seja interior; que eles não dão importância alguma nem a atos de fé, esperança e caridade, nem à pureza de intenção, nem à mortificação dos próprios pensamentos; que eles desconhecem palavras como contrição, penitência e perdão; e acham e argumentam que, no final das contas, se um homem cumprir seu dever neste mundo, de acordo com sua vocação, é impossível que ele não vá para o Céu, não obstante o quão pouco ele faça além disso ou, até pior, não obstante o quanto ele faça, em outras matérias, de inegavelmente ilícito. [6]
“John Henry Newman”, por John Everett Millais.

Trocando em miúdos, o Cardeal Newman está falando… de nós!, de pessoas que se dizem cristãs, mas que acreditam no que lhes dá na telha:

  • Jesus ensina que é preciso termos para nos salvarmos (cf. Jo 3, 18); nós achamos que basta “ser bom” (seja lá o que isso quer dizer) e ninguém se perderá.
  • A Igreja nos manda “confessarmo-nos ao menos uma vez ao ano” (e qualquer pessoa com o mínimo de fé sabe que… é o mínimo!), mas nós achamos que não precisa, porque “o que importa é o coração”, “o padre é tão pecador quanto eu” e “Deus já sabe os meus pecados” (se é que alguma vez acreditamos na existência do pecado).
  • O Evangelho nos fala, bem claramente, para fazermos “todo esforço possível para entrar pela porta estreita”, porque “muitos tentarão entrar e não conseguirão” (Lc 13, 24); nós, porém — eis a que ponto chega a petulância humana —, discordamos de Deus! Se alguém cumpre seus deveres mundanos nesta vida, dizemos e pensamos, “é impossível que não vá para o Céu”, não importa o quão pouco se esforce, não importa o quanto apronte (“não roubando e não matando…”, é claro, porque aí já seria demais).

Em resumo, nós deixamos de crer como católicos. Temos fé em nós mesmos, nos gurus que nós mesmos criamos ou até em algumas coisas que a Bíblia diz… mas não “em tudo o que crê e ensina a Santa Igreja Católica”.

— É difícil acreditar em tudo — alguém dirá. É difícil, sim, de fato. Mas “dez mil dificuldades não fazem uma dúvida” [7]. A doutrina da Igreja nos foi deixada por Deus para ser crida, não para ser conveniente ou para afagar nossas próprias misérias. A palavra da Igreja para nós deve ser uma palavra de desafio, e não de consolação meramente humana.

Por mais difícil que seja viver de acordo com essa doutrina, por mais doloroso que seja abandonar nossa mentalidade mundana, nossos hábitos destrutivos, nossos “pecados de estimação”… Ou nós temos na fé na palavra de Cristo, antes de qualquer coisa, ou sequer seremos capazes de nos arrepender dos nossos pecados. Ou nós cremos que o pecado nos leva ao inferno e que só a graça de Deus pode nos salvar… ou seremos diabos, até o fim.

Curioso que tenha sido justamente este o pecado dos anjos: querer ser igual a Deus sem a graça; querer ser igual a Deus prescindindo dEle. Não seja este, também, o nosso destino. Queiramos Deuse queiramo-lo enquanto Ele quer ser achado por nós. Não aconteça de, voltando o Filho do Homem, não encontrar fé sobre a terra (cf. Lc 18, 8); não nos aconteça de, voltando para nós o Filho do Homem, não encontrar fé sobre a terra… do nosso coração.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.