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As únicas tábuas que nos podem salvar do Inferno
Doutrina

As únicas tábuas
que nos podem salvar do Inferno

As únicas tábuas que nos podem salvar do Inferno

Os Mandamentos são o único caminho para que deixemos de conformar-nos com o mundo e passemos a imitar Jesus Cristo. Nenhum outro sistema moral, porque humano e falível, será capaz de suprir essa lacuna.

Pedro Penitente17 de Março de 2020Tempo de leitura: 5 minutos
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Antigamente, uma boa catequese vinha sempre acompanhada do esforço por decorar os Mandamentos. Minha avó era catequista e não deixava que as crianças sob sua responsabilidade recebessem os sacramentos, fosse o da Comunhão, fosse o do Crisma, sem terem decorado o Decálogo inteiro. Ela cobrava os meninos, recebia-os em casa e, se eles não demonstrassem ter memorizado os benditos dos preceitos, todos os dez, sem exceção e na ordem, não tinha jeito: eles ficavam “de recuperação” e no ano seguinte tinham de ter aulas de novo com ela. (Ela também exigia que os meninos decorassem todos os mistérios do Rosário, porque, dizia, “se um dia alguém pedir para eles puxarem o Terço, eles sabem”. Mas isso é uma outra história…)

Quando ela me contava o modo como procedia, eu, pequeno, via nisso um grande exagero. Hoje, crescido e com um pouco mais de juízo, vejo que ela estava muito certa em fazer tudo aquilo. 

Agora os tempos estão mudados, e com eles a catequese. Não há mais “repetentes” nas salinhas de nossas paróquias. Em compensação, abunda a ignorância religiosa nos bancos dessas mesmas igrejas. Se fizéssemos uma pesquisa sobre Mandamentos com as pessoas que frequentam a Missa de domingo, as respostas dadas certamente nos surpreenderiam. “Não matar” e “não roubar” certamente estaria na boca de todos, mas cobrar em que lugar os dois preceitos estão seria pedir demais. O amor a Deus e ao próximo como resumo das duas tábuas da Lei também com certeza seriam citados por outros tantos, mas só. Mais informações a respeito talvez com o padre? Não sem uma rápida pesquisa no Google primeiro…

Por que isso deveria nos preocupar? Porque ninguém pode viver aquilo que não conhece. E isso significa que hoje, sinceramente, só colocar as crianças para decorar os Mandamentos seria muito pouco e superficial. Pois ao lado das velhas tábuas mosaicas, hoje a internet tem uma porção de “mandamentos” a prescrever para os nossos filhos: o lugar antes ocupado pelas emissoras de TV agora é preenchido pelo YouTube, pela Netflix e por um punhado de outros canais de comunicação que de cristãos não têm nada. E, infelizmente, devido à negligência com que os pais têm vigiado o acesso de seus filhos aos smartphones e similares, tudo está a um clique de disposição.

Quando o Apóstolo disse: “Não vos conformeis com este mundo” (Rm 12, 2), ele se dirigia à comunidade de Roma, é certo. Mas o Espírito Santo, inspirando aquelas palavras, tinha uma mensagem bem especial também para os cristãos da nossa época. Pois vivemos num tempo em que é muito fácil conformar-se com este mundo. Com a internet, o acesso ao mundo, às coisas que estão nele, nunca foi tão fácil e imediato. Quando eu frequentava a escola, fazer um trabalho de pesquisa em casa era algo que realmente dava trabalho. Não havia Wikipédia e poucas pessoas tinham a enciclopédia Barsa. Agora, basta digitar algumas coisas no Google e você tem uma biblioteca inteira à sua disposição. 

Essa facilidade não é em si uma coisa ruim, mas, desvinculada de uma vida verdadeiramente cristã — isto é, onde se luta para viver na graça de Deus e onde há oração e recolhimento —, ela se converte em um verdadeiro desastre. O resultado é que, dia após dia, ouvindo tudo quanto é tipo de música, assistindo a tudo quanto é série e filme, acessando todo e qualquer conteúdo que nos aparece na internet, pouco a pouco nós vamos assumindo as formas, os traços e os contornos do mundo. E se “o mundo jaz no Maligno” (1Jo 5, 19), você pode imaginar a que figuras muitos temos nos assemelhado…

Sim, estamos sendo arrastados pelo pecado, pelos demônios, rumo ao fogo do Inferno. Assimilando aquilo que atravessa indiscriminadamente as portas de nossos sentidos, temos trazido o lixo que está lá fora para dentro de nossas almas. Talvez até estejamos cegos e não consigamos ver o estado de podridão em que nos encontramos, mas a verdade é que estamos nos tornando pessoas piores… (E o fato de não nos darmos conta só torna a coisa ainda pior.)

O primeiro remédio contra esse processo avançado de desfiguração em que tantos nos encontramos é justamente a volta aos Mandamentos. Os dez preceitos, ausentes das homilias, esquecidos pelos adultos e mal aprendidos pelas crianças, são o único caminho para que deixemos de conformar-nos com o mundo e passemos a imitar Jesus Cristo. Nenhum outro sistema moral será capaz de suprir essa lacuna. Porque, sejam quais forem as tábuas que talharmos, elas terão sempre a mesma origem humana e falível, sendo por isso incapazes de nos salvar de nossa desorientação e baixeza. 

Mas, também, tampouco nos será suficiente uma leitura ou um conhecimento raso do Decálogo. Para nós, isso sempre será muito pouco porque, se no pecado fomos tão fundo, é preciso que lutemos com ainda mais afinco para subir.

Exame de consciência, portanto! Corramos ao confessionário! Mas nada de “não roubei”, “não matei” e “não traí minha esposa ou meu esposo”. Precisamos ir às minúcias do que Deus nos manda, aos detalhes de cada um dos Mandamentos. Porque Nosso Senhor mesmo lembrou que não é o bastante “não cometer adultério”: é preciso ser puro até a delicadeza de consciência, evitando o mínimo olhar ou pensamento de luxúria; igualmente, não é o suficiente “não matar”: é preciso ser paciente com o outro de maneira radical, indo das palavras à mente, do semblante ao coração (cf. Mt 5, 21-32).

A catequese ideal nesse sentido seria uma capaz de gravar as letras do Decálogo não só em nossa memória, mas em nossa vontade. Só que isso catequista nenhum pode fazer, se não houver da parte de quem é formado humildade para reconhecer nossa ignorância religiosa e para aceitar o que Deus revelou, primeiro a Moisés e depois aos Apóstolos. Precisamos nos despir de nossas opiniões pessoais contrárias ao Magistério da Igreja, abaixar a nossa cabeça e reconhecer que Deus sabe as coisas e eu não, eu não sei nada, eu sou o meu pior inimigo e, entregue a mim mesmo, eu só irei me destruir cada vez mais.

A partir dessa humilhação inicial, desse arrependimento básico (que já é cooperação com a graça de Deus), Ele irá infundir em nós mais e mais graças… E, se formos fiéis, quem sabe um dia não poderemos cantar, de coração sincero, com o salmista: “Com meus lábios, ó Senhor, eu enumero/ os decretos que ditou a vossa boca. Seguindo vossa lei me rejubilo/ muito mais do que em todas as riquezas. Eu quero meditar as vossas ordens,/ eu quero contemplar vossos caminhos! Minha alegria é fazer vossa vontade;/ eu não posso esquecer vossa palavra” (Sl 118, 13-16).

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O grande erro de Stephen Hawking
Sociedade

O grande erro de Stephen Hawking

O grande erro de Stephen Hawking

Stephen Hawking achava que acreditar no céu é um produto da vontade, uma consolação inventada. Mas ele se esqueceu que aqueles que acreditam no céu muito frequentemente também acreditam no inferno.

Pe. Dwight LongeneckerTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere11 de Março de 2020Tempo de leitura: 3 minutos
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O proeminente cosmólogo Stephen Hawking sugeriu certa vez que “o céu é um conto de fadas para pessoas com medo do escuro”. 

Como eu, ao mesmo tempo, amo contos de fadas e acredito no céu, não estou muito certo se vejo isso como um insulto ou como um elogio. Embora eu não creia que o céu seja um conto de fadas, é o meu amor por essas histórias que me faz ter fé no céu. Como G. K. Chesterton, eu acredito que os contos de fadas são (ao seu modo) mais verdadeiros do que as inutilidades dos jornais; e é por causa das sólidas verdades contidas nos contos de fadas que eu creio na sólida verdade do céu

Uso a palavra “sólida” porque suspeito que o que Stephen Hawking realmente queria dizer é que o céu seria, de alguma forma, irreal e sem substância. Ele gostaria de nos convencer de que se trata de algo da nossa imaginação — um produto da vontade daqueles que temem a escuridão da morte e a aniquilação final.

Mas o que torna os contos de fadas tão reais e concretos é o fato de eles estarem enraizados em um mundo justo. O lobo que devora a vovozinha, em Chapeuzinho Vermelho, é retalhado e a velhinha, libertada. Cinderela se une a seu príncipe. Em João e Maria, a bruxa má é empurrada para dentro do forno, e nos Três Porquinhos o grande lobo mau se queima todo depois de deslizar pela chaminé. Contos de fadas podem até ser histórias inventadas, mas as verdades que elas revelam não o são. Elas nos fazem acreditar em justiça e, com isso, propõe-nos a fé não somente em um céu, mas também em um inferno.

Os contos de fadas nos ensinam que, um dia, o bem, a verdade e a beleza hão de ser recompensados, e o mal, a mentira e a brutalidade, punidos. Nesta vida, raramente se cumpre a justiça, e nós somos testemunhas disso. Entretanto, porque ela existe, nossas mentes e corações exigem um lugar onde ela seja plenamente satisfeita. Isso não é um produto ilusório da nossa vontade, mas algo claro, sólido, racional e perfeitamente realista. Esperar que a justiça se cumpra no final de tudo faz parte de nossa natureza — o bem, afinal, conduz à vida, e o mal à destruição. Trata-se de algo tão lógico e sensato quanto esperar que a água desça correnteza abaixo. 

Stephen Hawking achava que acreditar no céu é um produto da vontade, uma consolação inventada. Mas ele se esqueceu que aqueles que acreditam no céu muito frequentemente também acreditam no inferno; acreditam que cada alma prestará contas diante de Deus, o derradeiro e mais temível dos juízes. Definitivamente, não é o tipo de consolação que eu gostaria de inventar. Para ser honesto, eu preferiria não ter de dar conta de mim mesmo a ninguém que declarasse ter contados todos os fios de cabelo da minha cabeça, ou que não deixasse nenhum pardal cair no chão sem o seu consentimento (cf. Mt 10, 29-30). Olhando deste modo, a perspectiva da vida após a morte não parece assim tão agradável, e é quem diz a si mesmo que não existe nada após esta vida, nem juízo final, que acaba se apoiando em uma consolação inventada.

Se não há inferno onde pagar, então podemos viver como quisermos. Podemos viver como demônios sem nunca precisarmos nos defrontar com o diabo. Ao contrário, após uma vida de crimes, podemos escapar para um pacífico oblívio final sem nunca termos de pagar o preço de nossas ações. Isso sim me parece produto da vontade e consolação inventada por aqueles que realmente têm medo da escuridão. A pessoas assim, sejam elas eminentes cosmólogos ou criminosos errantes, é preciso lembrar a sabedoria sem papas na língua de São Padre Pio, o qual, perguntado certa vez sobre o que pensava das pessoas modernas que não acreditavam no inferno, respondeu: “Elas acreditarão no inferno quando chegarem lá”.

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Sacrifício, o grande apelo de Fátima e do Evangelho
Espiritualidade

Sacrifício,
o grande apelo de Fátima e do Evangelho

Sacrifício, o grande apelo de Fátima e do Evangelho

Se o próprio Senhor, Deus feito homem, viveu uma vida de oração e sacrifício, nós, que somos tão pobres e pecadores, não podemos escolher outro caminho. Eis o que a mensagem de Fátima veio nos reforçar.

Equipe Christo Nihil Praeponere11 de Março de 2020Tempo de leitura: 6 minutos
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No seu livro Apelos da Mensagem de Fátima, a Irmã Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado, uma das videntes de Fátima, apresenta o sacrifício como um dos apelos urgentes de Deus à humanidade. 

Em primeiro lugar, Lúcia esclarece que o sacrifício não é um apelo desvinculado das Sagradas Escrituras, dos Mandamentos de Deus e da Igreja. São Paulo já dizia que devemos completar em nossa carne o que falta aos sofrimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Cl 1, 24). Todos nós somos enfermos, temos muitos defeitos e pecamos. Por isso, em união com a Vítima inocente, que é Cristo, nós, católicos, devemos nos sacrificar pelos nossos pecados e pelos dos nossos irmãos, pois somos todos membros do mesmo Corpo místico.

A Irmã Lúcia, vidente da Virgem de Fátima.

Na mensagem de Fátima, o Anjo da Guarda de Portugal dá o seguinte mandato aos pastorinhos e a cada um de nós: “De tudo o que puderdes, oferecei um sacrifício em ato de reparação pelos pecados com que Ele (Deus) é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores” [1]. Segundo Lúcia, os sacrifícios podem ser de bens espirituais, intelectuais, morais, físicos e materiais. O que importa é aproveitar as ocasiões de oferecer algum sacrifício, principalmente quando se trata de uma exigência para o cumprimento de nossos deveres para com Deus, com o próximo ou com nós mesmos.

Em muitos casos, o sacrifício é uma obrigação, como a renúncia aos prazeres ilícitos: a luxúria, a fornicação e o adultério; o abuso no consumo de bebidas alcoólicas ou de alimentos. Tais renúncias, apesar de serem obrigações, podem ser oferecidas a Deus como ato de reparação e súplica. Quantas famílias tornam-se insensíveis e infelizes por causa do pecado da gula, do excesso na comida e na bebida! Ademais, os caprichos do orgulho, da vaidade, da cobiça, da avareza, das comodidades exageradas podem tornar-se faltas graves se nos levam a faltar com a caridade e a justiça para com o próximo. 

Mas, além de fazer o estritamente obrigatório, por que não ir além, com ânimo generoso? Quando Deus nos pede para fazer renúncias e sacrifícios, não se trata somente de não fazer o mal, mas também de exercitar as virtudes, de fazer o bem ao próximo. Por exemplo: com o que temos, devemos socorrer aquelas pessoas que não têm o necessário para viver, que estão morrendo de fome e de frio. No juízo final, seremos julgados não somente pelo mal que praticamos, mas também pelo bem que deixamos de fazer (cf. Mt 25, 41ss), pois todas as vezes que deixamos de praticar a caridade para com os mais necessitados, foi ao Senhor que o deixamos de fazer.

A vidente de Fátima indica uma série de pequenos sacrifícios que podemos oferecer. Por serem pequenos, não deixam de ser agradáveis a Deus e, além disso, muito meritórios e proveitosos espiritualmente. Com eles, provamos nossa fidelidade e amor a Deus e ao próximo. Essas práticas enriquecem-nos na graça, fortificam-nos na fé, na esperança e na caridade, dignificam-nos diante de Deus e do próximo e libertam-nos das tentações, do egoísmo, da cobiça, da inveja, do comodismo... Alguns dos pequenos sacrifícios indicados pela Irmã Lúcia são:

  1. Rezar com fé e atenção, evitando, o quanto for possível, as distrações; com respeito, dando-nos conta que falamos com Deus; com confiança e amor, porque tratamos com quem nos ama e quer o nosso bem; com humildade, pois somos débeis, fracos na prática da virtude, tropeçamos e caímos a cada instante, e precisamos do auxílio de Deus para trilhar o caminho da santidade. Muitas vezes, será necessário sacrificar um pouco do nosso descanso, levantar um pouco mais cedo ou dormir um pouco mais tarde; desligar o rádio e a televisão (hoje podemos acrescentar o celular e o computador), para participar da Santa Missa, fazer nossa oração pessoal ou rezar o Santo Rosário;
  2. Deixar de comer algo de que gostamos muito, de modo que não prejudiquemos a nossa saúde e não nos faltem as forças físicas necessárias para o trabalho. Podemos trocar uma fruta de que gostamos por outra da qual não nos agradamos; suportar a sede por algum espaço de tempo; tomar uma bebida que não nos é agradável ao paladar; abster-nos do álcool ou, pelo menos, não beber em excesso; à mesa, não escolher o melhor, mas deixá-lo aos outros;
  3. No vestuário, suportar um pouco de frio ou de calor, sem nos queixar; vestir com decência e modéstia, sem nos deixar levar pelas modas e recusá-las quando não estiverem de acordo com essas duas virtudes, lembrando-nos que somos responsáveis diante de Deus pelos pecados que outros cometem por nossa causa. Sendo assim, devemos nos vestir em conformidade com a moral cristã, a dignidade pessoal e a solidariedade com o próximo, oferecendo o sacrifício do exagero da vaidade. Neste ponto, podemos oferecer o sacrifício dos adornos, das jóias, relógios e acessórios caros e, com seu valor, socorrer as necessidades dos que vivem na pobreza ou até mesmo na miséria;
  4. Suportar com serenidade as contrariedades: uma palavra desagradável ou irritante, um sorriso irônico, um desprezo, uma falta de consideração, uma ingratidão, uma incompreensão, uma censura, uma falta de atenção, um esquecimento, uma rejeição… Suportar com paciência os sofrimentos da vida: um acidente, uma separação, uma doença ou até mesmo a perda de um ente querido. Todo sacrifício, grande ou pequeno, tem um imenso valor, desde que oferecido por amor a Deus e ao próximo. Suportar de boa vontade a companhia das pessoas com quem não simpatizamos, que nos desagradam, que nos contradizem, chateiam e fazem perguntas indiscretas ou até mal-intencionadas; responder-lhes com um sorriso, um serviço, um favor, perdoando e amando, com o nosso olhar voltado para Deus. Esta renúncia de nós mesmos é talvez o sacrifício mais difícil para a nossa pobre natureza humana, mas é também o mais agradável a Deus e o mais meritório;
  5. Fazer sacrifícios e penitências voluntários. Há sacrifícios que são obrigatórios, como a abstinência de carne, que devemos observar em toda sexta-feira, exceto nas solenidades. Mas o apelo de Deus ao sacrifício nos conscientiza da necessidade de sermos generosos, de não nos limitarmos aos sacrifícios obrigatórios e fazer também sacrifícios voluntários. Os instrumentos de penitência, usados por muitos santos que, com o uso das disciplinas e dos cilícios, uniam-se a Cristo flagelado, amarrado com cordas e coroado de espinhos, infelizmente caíram em desuso. Mas, em espírito de penitência, podemos rezar com os braços abertos em cruz, unindo-nos a Cristo crucificado, ajoelhados ou prostrados com o rosto em terra, humilhando-nos na presença de Deus, a quem nos atrevemos a ofender. Podemos ainda fazer muitos outros sacrifícios voluntários, como jejuns e abstinências; falar menos e ouvir mais; realizar obras de misericórdia, como visitar os idosos e os doentes; rezar mais, especialmente diante do Santíssimo Sacramento.

Jesus Cristo, sendo Deus, não podia pecar. No entanto, deu-nos o exemplo de vida de oração, penitência e sacrifício. Antes de começar sua vida pública, passou quarenta dias em jejum e foi tentado pelo demônio. Na sua vida pública, a austeridade do Mestre era extrema, tanto que disse não ter onde reclinar a cabeça (cf. Lc 9, 58). Por vezes, Jesus e seus discípulos não tinham tempo nem para comer (cf. Mc 6, 31). Ainda assim, Jesus procurava retirar-se em lugares desertos para rezar (passagens nesse sentido abundam nos Evangelhos) e, pouco antes de sua Paixão, conforme o seu costume, Cristo dirigiu-se para o monte das Oliveiras para rezar (cf. Lc 22, 39). Se o próprio Senhor, Deus feito homem, viveu uma vida de oração e sacrifício, nós, que somos tão pobres e pecadores, não podemos escolher outro caminho

Quando Jesus Cristo nos pede para entrar pela porta estreita (cf. Mt 7, 13s), indica-nos a grande necessidade que temos de nos sacrificar. Pois sem sacrificar a nossa vida por amor a Cristo e ao seu Evangelho, não nos santificaremos nem alcançaremos a salvação (cf. Mc 8, 35). 

Ouçamos, pois, o premente apelo da mensagem de Fátima e façamos sacrifícios, em reparação dos pecados com que Deus é ofendido e pela conversão dos pobres pecadores.

Referências

  1. Irmã Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado. Apelos da Mensagem de Fátima. 4.ª ed., Fátima: Secretariado dos Pastorinhos, 2007, p. 101.

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Filhotes não são bebês, e “mães de pet” não são mães
Sociedade

Filhotes não são bebês,
e “mães de pet” não são mães

Filhotes não são bebês, e “mães de pet” não são mães

Numa época em que animais de estimação são tratados como “filhos” e bebês são considerados um “inconveniente”, este testemunho de um pai abre nossos olhos para uma realidade óbvia, mas por muitos esquecida: animais não são pessoas!

David DashiellTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere10 de Março de 2020Tempo de leitura: 5 minutos
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Recentemente, minha esposa explicou a um amigo que ter um filho recém-nascido era como ter um cachorro — só que dez vezes mais difícil. A explicação dela me fez pensar. Parques para cães, cafés que aceitam animais de estimação e “mães de pet” são coisas que não faltam hoje em dia. Quando morávamos em Nashville, parecia que havia mais serviços para animais de estimação do que creches. É quase como se as pessoas preferissem ter um gato a uma criança.

A crueldade com os animais é execrada [e com razão], mas ao mesmo tempo o aborto é celebrado. Os animais de estimação são vistos como preciosos, já as crianças no útero são outra história. Como é ter um animal de estimação? Uma tarefa rotineira, mas divertida. Animais de estimação são fáceis: eles comem, dormem, brincam e imitam o dono. E ter um filho? Inconveniente e perigoso. Afinal de contas, como criar uma família neste mundo? É algo que envolve muita responsabilidade, e incerteza também. Minha filha recém-nascida tem apenas três meses e posso dizer com certeza que cuidar de um bebê é inconveniente. Criar um filho é como criar um cachorro, só que o cachorro às vezes é mais divertido! Por exemplo, quando você adquire seu primeiro cachorro, é necessário dedicar-se a cuidados de higiene e limpeza, mas não se perde muito sono por causa disso. Já quando você tem seu primeiro filho, precisa ficar sempre de plantão durante a noite.

É um pouco cínico pensar em crianças como um inconveniente. A maioria das pessoas não pensa assim quando vai ao pet-shop. Mas, se fizéssemos uma enquete, quantas pessoas diriam que praticamente não há diferença qualitativa entre cuidar de uma criança e cuidar de um cachorro?

E, no entanto, há uma diferença, e ela é crucial: seu filho é uma pessoa. Não havia como fugir desse fato quando segurei minha filha nos braços pela primeira vez. Esta é uma nova pessoa. Quem ela será? Como vamos educá-la? O que eu fiz para merecê-la? Ao vê-la crescer e fazer descobertas, sei que nunca poderia ter gerado minha filha sozinho e por minhas próprias forças. Ela era um dom. Eu não decidi seu sexo, aniversário ou características físicas.

Eu a chamo de minha filha, mas nunca poderei reivindicar propriedade sobre ela da mesma maneira que faço com um animal de estimação. Nos próximos dois anos, sua vontade e intelecto aparecerão com mais destaque. Ela passará a aprender, pensar e tomar decisões. Ela se tornará cada vez mais interessante, expressando algo que sempre esteve lá: sua personalidade, sua “pessoa-lidade”. Desde a sua concepção, isso já estava por vir.

Os animais são nossos de uma maneira que as pessoas não são. Eles são dados às crianças como uma recompensa, algo que se ganha por um bom comportamento. Os animais selvagens são independentes, mas podemos domesticá-los sem escrúpulos. Os animais simplesmente não são pessoas. Segurar um filhote nunca será o mesmo que segurar um bebê. Nós nunca pensamos: “Como meu cachorro mudará o mundo? Ele vai se tornar um cão de guarda ou o presidente?” Para animais de estimação, virtude, vício e contemplação são impossíveis. Eles não agem, só reagem. Sempre estarão bem, desde que sejam atendidas suas necessidades físicas básicas.

Criar um animal de estimação é simples. Nunca precisaremos nos preocupar com animais dominando o mundo. Não precisamos ensinar história ou regras de etiqueta aos nossos animais de estimação. Solte um gato de três anos em um campo e ele conseguirá sobreviver. Faça o mesmo com uma criança, ela não durará uma semana. Quando você considera a moralidade, as coisas ficam ainda mais complicadas. As crianças precisam aprender a distinguir o bem do mal, e a controlar suas emoções. Isso requer muito mais esforço do que ensinar novos truques a um cachorro.

Porém, quanto maior o esforço, maior é a recompensa. Receber o dom de outra pessoa é algo extraordinário, e não há nada que se iguale a poder criar e formar um santo. Ser pai exige noites sem dormir, compromissos desfeitos e decisões angustiantes. Os pais não podem se eximir de atender às necessidades físicas básicas de seus filhos e ir embora. Os bons pais devem ser altruístas e dedicados; caso contrário, estarão lidando com uma criança desnutrida, infeliz e subdesenvolvida. O sacrifício é um requisito fundamental, não uma opção. Ser pai exige amor.

Por ser pai há pouco tempo, entendo a gravidade dessa afirmação. Quando descobri que minha esposa estava grávida, sabia que tinha uma escolha a fazer: sacrificar minhas próprias preferências e ser um bom pai e esposo, ou viver a vida como sempre vivi, negligenciando, assim, as necessidades da minha família. Querendo ou não, tive de tomar uma decisão. Dela dependia meu crescimento ou estagnação. Como novo pai, fui confrontado com uma escolha a ser feita: tornar-me o tipo de pessoa que pode criar um recém-nascido para ser um santo, ou não. Aqui, o que está em jogo é a eternidade.

Este é o ponto crítico: criar bem um filho exige santidade, e é por isso que se trata de algo tão inconveniente, apesar de recompensador. A santidade é árdua. Exige colocar-se por último. É essa árdua jornada que conduz à maior das alegrias. Esse caminho leva à felicidade, e chegar-lhe ao termo é alcançar o Céu. Sacrificar-se por sua família significa tornar-se mais virtuoso. Uma vez que abraçamos uma vida de amor sacrificial, começamos a agir como Deus age e a ver como Ele vê. Na paternidade bem vivida, amadurecemos e aprendemos mais sobre o que significa ser e o que significa amar uma pessoa.

Ter um animal de estimação é simples. Verifique se suas necessidades básicas foram atendidas, e tudo estará bem. Nada heroico é necessário. Você ainda poderá experimentar as “coisas boas” da vida: uma noite tranquila sozinho, uma noite na cidade ou umas férias extravagantes. Mas, quando você cria um filho, as coisas são diferentes. Você é obrigado a negar a si mesmo e a oferecer tudo pelo bem do seu filho. É uma tarefa cansativa, de fato; se bem feita, porém, permite a você formar um santo e, ao mesmo tempo, tornar-se um. E faz você se dar conta, ainda, de algo importante: as melhores “coisas” da vida não são coisas, e sim pessoas.

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