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Sacrifício, o grande apelo de Fátima, da Quaresma e do Evangelho
Espiritualidade

Sacrifício, o grande apelo
de Fátima, da Quaresma e do Evangelho

Sacrifício, o grande apelo de Fátima, da Quaresma e do Evangelho

Se o próprio Senhor, Deus feito homem, viveu uma vida de oração e sacrifício, nós, que somos tão pobres e pecadores, não podemos escolher outro caminho. Eis o que a mensagem de Fátima veio nos reforçar.

Equipe Christo Nihil Praeponere15 de Fevereiro de 2021Tempo de leitura: 6 minutos
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No seu livro Apelos da Mensagem de Fátima, a Irmã Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado, uma das videntes de Fátima, apresenta o sacrifício como um dos apelos urgentes de Deus à humanidade. 

Em primeiro lugar, Lúcia esclarece que o sacrifício não é um apelo desvinculado das Sagradas Escrituras, dos Mandamentos de Deus e da Igreja. São Paulo já dizia que devemos completar em nossa carne o que falta aos sofrimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Cl 1, 24). Todos nós somos enfermos, temos muitos defeitos e pecamos. Por isso, em união com a Vítima inocente, que é Cristo, nós, católicos, devemos nos sacrificar pelos nossos pecados e pelos dos nossos irmãos, pois somos todos membros do mesmo Corpo místico.

A Irmã Lúcia, vidente da Virgem de Fátima.

Na mensagem de Fátima, o Anjo da Guarda de Portugal dá o seguinte mandato aos pastorinhos e a cada um de nós: “De tudo o que puderdes, oferecei um sacrifício em ato de reparação pelos pecados com que Ele (Deus) é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores” [1]. Segundo Lúcia, os sacrifícios podem ser de bens espirituais, intelectuais, morais, físicos e materiais. O que importa é aproveitar as ocasiões de oferecer algum sacrifício, principalmente quando se trata de uma exigência para o cumprimento de nossos deveres para com Deus, com o próximo ou com nós mesmos.

Em muitos casos, o sacrifício é uma obrigação, como a renúncia aos prazeres ilícitos: a luxúria, a fornicação e o adultério; o abuso no consumo de bebidas alcoólicas ou de alimentos. Tais renúncias, apesar de serem obrigações, podem ser oferecidas a Deus como ato de reparação e súplica. Quantas famílias tornam-se insensíveis e infelizes por causa do pecado da gula, do excesso na comida e na bebida! Ademais, os caprichos do orgulho, da vaidade, da cobiça, da avareza, das comodidades exageradas podem tornar-se faltas graves se nos levam a faltar com a caridade e a justiça para com o próximo. 

Mas, além de fazer o estritamente obrigatório, por que não ir além, com ânimo generoso? Quando Deus nos pede para fazer renúncias e sacrifícios, não se trata somente de não fazer o mal, mas também de exercitar as virtudes, de fazer o bem ao próximo. Por exemplo: com o que temos, devemos socorrer aquelas pessoas que não têm o necessário para viver, que estão morrendo de fome e de frio. No juízo final, seremos julgados não somente pelo mal que praticamos, mas também pelo bem que deixamos de fazer (cf. Mt 25, 41ss), pois todas as vezes que deixamos de praticar a caridade para com os mais necessitados, foi ao Senhor que o deixamos de fazer.

A vidente de Fátima indica uma série de pequenos sacrifícios que podemos oferecer. Por serem pequenos, não deixam de ser agradáveis a Deus e, além disso, muito meritórios e proveitosos espiritualmente. Com eles, provamos nossa fidelidade e amor a Deus e ao próximo. Essas práticas enriquecem-nos na graça, fortificam-nos na fé, na esperança e na caridade, dignificam-nos diante de Deus e do próximo e libertam-nos das tentações, do egoísmo, da cobiça, da inveja, do comodismo... Alguns dos pequenos sacrifícios indicados pela Irmã Lúcia são:

  1. Rezar com fé e atenção, evitando, o quanto for possível, as distrações; com respeito, dando-nos conta que falamos com Deus; com confiança e amor, porque tratamos com quem nos ama e quer o nosso bem; com humildade, pois somos débeis, fracos na prática da virtude, tropeçamos e caímos a cada instante, e precisamos do auxílio de Deus para trilhar o caminho da santidade. Muitas vezes, será necessário sacrificar um pouco do nosso descanso, levantar um pouco mais cedo ou dormir um pouco mais tarde; desligar o rádio e a televisão (hoje podemos acrescentar o celular e o computador), para participar da Santa Missa, fazer nossa oração pessoal ou rezar o Santo Rosário;
  2. Deixar de comer algo de que gostamos muito, de modo que não prejudiquemos a nossa saúde e não nos faltem as forças físicas necessárias para o trabalho. Podemos trocar uma fruta de que gostamos por outra da qual não nos agradamos; suportar a sede por algum espaço de tempo; tomar uma bebida que não nos é agradável ao paladar; abster-nos do álcool ou, pelo menos, não beber em excesso; à mesa, não escolher o melhor, mas deixá-lo aos outros;
  3. No vestuário, suportar um pouco de frio ou de calor, sem nos queixar; vestir com decência e modéstia, sem nos deixar levar pelas modas e recusá-las quando não estiverem de acordo com essas duas virtudes, lembrando-nos que somos responsáveis diante de Deus pelos pecados que outros cometem por nossa causa. Sendo assim, devemos nos vestir em conformidade com a moral cristã, a dignidade pessoal e a solidariedade com o próximo, oferecendo o sacrifício do exagero da vaidade. Neste ponto, podemos oferecer o sacrifício dos adornos, das jóias, relógios e acessórios caros e, com seu valor, socorrer as necessidades dos que vivem na pobreza ou até mesmo na miséria;
  4. Suportar com serenidade as contrariedades: uma palavra desagradável ou irritante, um sorriso irônico, um desprezo, uma falta de consideração, uma ingratidão, uma incompreensão, uma censura, uma falta de atenção, um esquecimento, uma rejeição… Suportar com paciência os sofrimentos da vida: um acidente, uma separação, uma doença ou até mesmo a perda de um ente querido. Todo sacrifício, grande ou pequeno, tem um imenso valor, desde que oferecido por amor a Deus e ao próximo. Suportar de boa vontade a companhia das pessoas com quem não simpatizamos, que nos desagradam, que nos contradizem, chateiam e fazem perguntas indiscretas ou até mal-intencionadas; responder-lhes com um sorriso, um serviço, um favor, perdoando e amando, com o nosso olhar voltado para Deus. Esta renúncia de nós mesmos é talvez o sacrifício mais difícil para a nossa pobre natureza humana, mas é também o mais agradável a Deus e o mais meritório;
  5. Fazer sacrifícios e penitências voluntários. Há sacrifícios que são obrigatórios, como a abstinência de carne, que devemos observar em toda sexta-feira, exceto nas solenidades. Mas o apelo de Deus ao sacrifício nos conscientiza da necessidade de sermos generosos, de não nos limitarmos aos sacrifícios obrigatórios e fazer também sacrifícios voluntários. Os instrumentos de penitência, usados por muitos santos que, com o uso das disciplinas e dos cilícios, uniam-se a Cristo flagelado, amarrado com cordas e coroado de espinhos, infelizmente caíram em desuso. Mas, em espírito de penitência, podemos rezar com os braços abertos em cruz, unindo-nos a Cristo crucificado, ajoelhados ou prostrados com o rosto em terra, humilhando-nos na presença de Deus, a quem nos atrevemos a ofender. Podemos ainda fazer muitos outros sacrifícios voluntários, como jejuns e abstinências; falar menos e ouvir mais; realizar obras de misericórdia, como visitar os idosos e os doentes; rezar mais, especialmente diante do Santíssimo Sacramento.

Jesus Cristo, sendo Deus, não podia pecar. No entanto, deu-nos o exemplo de vida de oração, penitência e sacrifício. Antes de começar sua vida pública, passou quarenta dias em jejum e foi tentado pelo demônio. Na sua vida pública, a austeridade do Mestre era extrema, tanto que disse não ter onde reclinar a cabeça (cf. Lc 9, 58). Por vezes, Jesus e seus discípulos não tinham tempo nem para comer (cf. Mc 6, 31). Ainda assim, Jesus procurava retirar-se em lugares desertos para rezar (passagens nesse sentido abundam nos Evangelhos) e, pouco antes de sua Paixão, conforme o seu costume, Cristo dirigiu-se para o monte das Oliveiras para rezar (cf. Lc 22, 39). Se o próprio Senhor, Deus feito homem, viveu uma vida de oração e sacrifício, nós, que somos tão pobres e pecadores, não podemos escolher outro caminho

Quando Jesus Cristo nos pede para entrar pela porta estreita (cf. Mt 7, 13s), indica-nos a grande necessidade que temos de nos sacrificar. Pois sem sacrificar a nossa vida por amor a Cristo e ao seu Evangelho, não nos santificaremos nem alcançaremos a salvação (cf. Mc 8, 35). 

Ouçamos, pois, o premente apelo da mensagem de Fátima e façamos sacrifícios, em reparação dos pecados com que Deus é ofendido e pela conversão dos pobres pecadores.

Referências

  1. Irmã Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado. Apelos da Mensagem de Fátima. 4.ª ed., Fátima: Secretariado dos Pastorinhos, 2007, p. 101.

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A Besta que vem do Oriente
Sociedade

A Besta que vem do Oriente

A Besta que vem do Oriente

Desde a queda do Muro de Berlim, 25 anos atrás, um animal monstruoso e aterrorizante começou a avançar em nossa direção, “com dentes afiados e sangue escorrendo”. Seu nome é “espírito do ateísmo” e suas formas são múltiplas: eis a Besta do Oriente.

Pe. Dwight LongeneckerTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere10 de Fevereiro de 2021Tempo de leitura: 6 minutos
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[Este texto é de autoria do Pe. Dwight Longenecker. Foi vertido à língua portuguesa por nossa equipe.]

Vou-lhe contar uma visão que tive.

Fico hesitante em chamá-la de visão porque posso soar como uma espécie de místico mariano. Provavelmente, é melhor chamá-la de “imagem mental” ou “imagem onírica”. 

Seja como for, ela veio à minha mente quando estava num estado em que não sabia ao certo se estava rezando ou cochilando. Mas isso realmente não importa. O que importa é o conteúdo e o contexto da visão

Ela ocorreu em novembro de 1989, quando o mundo estava entusiasmado com a queda do Muro de Berlim. Para aqueles que não se lembram, o Muro de Berlim foi a barreira construída ao longo da cidade de Berlim para separar a parte comunista da cidade (oriental) da parte democrática e livre (ocidental).

O comunismo desmoronava por toda a Europa, e o meu sonho-visão foi muito simples. Vi um urso pardo gigante e pesado a certa distância, movendo-se rapidamente e de forma desajeitada. Era aterrorizante, tinha olhos vermelhos e uma boca cheia de baba com dentes afiados e sangue escorrendo. Dirigiu-se a um muro que desmoronava e escalou nele. Então entendi que o urso — a Besta do Oriente — era o espírito do ateísmo e que, enquanto o comunismo desmoronava, essa besta avançava em direção a um novo território: do Oriente para o Ocidente.    

Ao longo dos últimos 25 anos, refleti muito sobre esse sonho-visão, e tenho a impressão de que minha visão foi profética.  

Nesse período, vimos no Ocidente aquilo que só poderia ser descrito como a nossa própria forma de ateísmo violento e virulento.

Ao longo desses anos, apareceu não somente o “neoateísmo”. Muitas outras formas implícitas de ateísmo (ainda mais potentes e venenosas por causa de sua aparente invisibilidade) têm-nos assombrado.  

O que vimos nesses 25 anos? Pergunte a si mesmo. Vimos um declínio ainda mais rápido em direção ao relativismo niilista. Mas o que é o relativismo senão uma forma de ateísmo? Por que o relativismo é uma forma de ateísmo? Porque nega a existência de um sentido ou verdade objetiva. Não é possível ser relativista e teísta ao mesmo tempo, pois quem crê em Deus deve crer na Verdade objetiva. Quem não crê na Verdade objetiva é ateu, ainda que não saiba disso.  

E esse relativismo também contaminou a Igreja de Cristo. 

Eis uma segunda forma de ateísmo implícito: religiões orientais. As técnicas de meditação orientais levam seus seguidores para o hinduísmo ou o budismo, que em suas formas  “superiores” ensinam que não existe um Deus pessoal e objetivo. Em vez disso, a verdadeira “iluminação” é a compreensão de que nada existe, e a paz é a aceitação de que não há nada fora de nós mesmos. 

E essas religiões também contaminaram a Igreja de Cristo. 

Eis uma terceira forma de ateísmo implícito: o materialismo, uma filosofia que não se reduz apenas ao “vá ao shopping e gaste à vontade”. A prodigalidade e a cobiça são apenas os sintomas exteriores de uma filosofia que ensina que as coisas materiais não somente causam satisfação, mas são as únicas coisas que fazem isso, e são as únicas coisas que satisfazem porque são as únicas coisas que existem realmente.  

O materialismo diz: “Só existe aquilo que vemos.” Não há vida após a morte, anjos, demônios, céu nem inferno. O que os materialistas não conseguem fazer é levar seu argumento às últimas consequências, pois eles também devem crer que Deus não existe. O materialismo é a posição padrão em nossas escolas, faculdades e universidades laicas. É a posição padrão da maioria dos nossos jovens hoje. Portanto, eles são ateus ainda que não o saibam

Essa cobiça, que tem raízes no materialismo, também contaminou a Igreja de Cristo. Também assumiu nova forma na Igreja porque muitos que se dizem cristãos se preocupam mais com a salvação do planeta do que com a salvação da própria alma. Importam-se mais com boas ações do que com a fé em Cristo e se preocupam mais com política e com a criação de uma utopia na terra do que com a espera do lar celestial.

Isso também é uma forma de ateísmo, e ela se veste com as batinas de cardeais.

Uma quarta forma de ateísmo implícito é o cientificismo. Trata-se de outra forma de materialismo que ensina que a única forma legítima de conhecimento é a que obtemos por meio do método científico e que fornece evidências físicas. Esta é uma forma de ateísmo.

Isso também contaminou a Igreja de Cristo por meio daqueles que rejeitam o sobrenatural, desprezam a oração e negam a realidade dos milagres.

Uma quinta forma de ateísmo é o utilitarismo, segundo o qual as escolhas morais devem ser feitas com base na conveniência, na eficiência e na economia. Nada é superior ao resultado final, e isso também é uma forma de ateísmo.

Isso também contaminou a Igreja de Cristo, nos casos em que paróquias, escolas e dioceses são gerenciadas como negócios que sempre se preocupam com o resultado final, com financiamento mundano e com burocracias cada vez maiores.

Detalhe da “Queda dos Anjos Rebeldes”, por Luca Giordano.

Uma sexta forma de ateísmo é o historicismo, segundo o qual a história não possui uma narrativa abrangente, sendo apenas uma sucessão de eventos aleatórios e de disputas de poder. É uma forma de ateísmo porque diz, essencialmente, que não pode haver história porque não há um contador de histórias. Não pode existir um plano divino porque Deus não existe. 

Isso também contaminou a Igreja de Cristo, porque há membros da hierarquia que creem que devem dirigir o curso da história por meio do envolvimento com a política, em vez de confiar na divina Providência e viver pela fé, e não pela visão. 

A sétima forma de ateísmo em nossa sociedade é o sentimentalismo: a realização de escolhas morais principalmente a partir dos sentimentos, emoções e reações subjetivas. Por que isso é uma forma de ateísmo? Porque nega qualquer conjunto objetivo de regras para guiar o comportamento. Só existem instintos, impulsos, emoções e reações porque não há um conjunto de regras e não pode haver, porque não existe alguém que estabeleça essas regras. Isso também é o urso escravizador do ateísmo, ainda que tenha a aparência de um credo agradável e adorável.  

Isso também contaminou a Igreja, na medida em que as regras que governam a moral muitas vezes são substituídas por uma ética sentimentalista e casuística.

A forma final de ateísmo dominante em nossa sociedade é o individualismo, não aquele que propõe o desenvolvimento de uma personalidade forte e de uma mente criativa, mas o que põe o ego no centro do universo porque não existe um Deus para ocupar o “meu” lugar.

Isso também contaminou a Igreja de Cristo, na medida em que muitos cristãos se determinam a seguir em tudo apenas a sua própria vontade e justificam sua rebelião com o discurso da “autoexpressão”.

Por que afirmo que esse ateísmo que se moveu rapidamente do Oriente para o Ocidente é sanguinário e cruel? Porque ele é tão cruel e assassino quanto o comunismo no Oriente. Por que milhões de nascituros são assassinados? Porque somos tiranos tão utilitaristas e materialistas quanto os comunistas. Por que vendemos membros dos corpos de bebês abortados? Porque é algo lucrativo e porque somos ateus.

Por que fazemos guerras e nossos jovens são enviados para a realização de matanças? Por que há uma epidemia de vício em drogas, de suicídio e de crimes? Porque somos ateus e niilistas insanos que creem que não há nada além daquilo que vemos. E, se realmente não há, por que não, então, rumar para o nada?

E qual é a resposta para essa ausência? A transcendência.

O que preencherá esse vazio? Deus.

O que iluminará nossa escuridão? Somente a Luz do Mundo.

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Uma ladainha para rezar nesta Quaresma
Oração

Uma ladainha
para rezar nesta Quaresma

Uma ladainha para rezar nesta Quaresma

A litania a seguir foi composta especialmente para o período quaresmal. Com passagens penitenciais tanto do Antigo quanto do Novo Testamento, pode ser uma ótima oração para aumentar em nós o espírito de arrependimento e compunção por nossos pecados.

Preces LatinaeTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere10 de Fevereiro de 2021Tempo de leitura: 5 minutos
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Esta ladainha foi composta como meditação para o período quaresmal. Seu foco está em passagens penitenciais tanto do Antigo quanto do Novo Testamento. 

A versão latina desta oração, de uso privado, pode ser encontrada e rezada aqui. A sua tradução portuguesa foi realizada por nossa equipe e consta a seguir.


Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

Pai santo, ouvi-nos.
Pai justo, atendei-nos.

Deus Pai dos céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Deus, que não quereis a morte do pecador, mas que se converta e viva, tende piedade de nós.
Que destes a Lei no monte a Moisés, após quarenta dias de jejum,
Que, pelas preces de Moisés em jejum, perdoastes os pecados ao povo,
Que protegestes Daniel em jejum na cova dos leões,
Que perdoastes os ninivitas, que jejuaram e a vós clamaram,
Que livrastes da destruição da cidade os ninivitas, por fazerem penitência cobertos de sacos, cinzas e cilícios,
Que perdoastes o pecado a Davi, que se confessou e mortificou no cilício,
Que atendestes e confortastes Judite coberta de cilício e prostrada nas cinzas diante de vós,
Que salvastes Jonas, que a vós clamava, do ventre da baleia,
Que livrastes do exército do assírios a Ezequias, que, coberto de sacos, cinzas e jejuns, junto com o povo vos invocava,
Que fizestes Ester em jejum encontrar graça aos olhos do rei,
Que libertastes do patíbulo a Mardoqueu, que em sacos e cinzas vos invocava,
Que viestes em socorro dos macabeus, que jejuavam e, cobertos de sacos e cinzas, vos invocavam,
Que vos manifestastes no Templo a Ana, perseverante em jejuns e orações,
Que revelastes muitos mistérios aos profetas, que jejuavam e se mortificavam,
Que atendestes os sacerdotes que, em cilícios, rogavam pelo povo e ofereciam sacrifícios,
Que por quarenta dias e quarenta noites jejuastes no deserto,
Que, por vossos Apóstolos, instituístes o jejum quaresmal,
Que iluminastes a Paulo, após três dias de jejum e oração,
Que perdoais os pecados aos homens pela penitência,
Que nos escolhestes e temperastes no caminho da humilhação,
Que dais lugar e tempo para o perdão dos pecados,
Que castigais todo filho que acolheis e amais,
Que não quereis que alguns pereçam, mas que todos se convertam e arrependam,
Que alcançastes por vossa graça a Mateus, ainda sentado na coletoria,
Que fizestes sair justificado o publicano que batia na peito,
Que recebestes paternalmente o filho pródigo que a vós retornara,
Que fizestes manar uma fonte de água viva para a mulher samaritana,
Que acolhestes os publicanos e pecadores e com eles comestes,
Que a Maria Madalena, porque muito amara, muitos pecados perdoastes,
Que olhastes benignamente para Pedro, que três vezes vos negara,
Que recebestes no Paraíso o ladrão arrependido,
Que tirais a iniquidade, os crimes e os nossos pecados,
Que, para afastar a vossa ira, nos mandastes chorar, vestir-nos de cilícios e cobrir-nos de cinzas,
Que vos apiedais de todos os que, em jejuns, choros e lágrimas, se convertem a vós,
Que, após a penitência, não mais vos recordais de nenhum de nossos pecados,
Deus misericordioso e pronto para nos perdoar nossas malícias, tende piedade de nós.

Sede propício, perdoai-nos, Senhor.
Sede propício, ouvi-nos, Senhor

De todo mal, livrai-nos, Senhor.
De todo pecado,
De todo perigo de mente e corpo,
De bebedeiras e intemperanças,
De toda impureza e torpeza,
De iras, rixas e discórdias,
De toda negligência e indolência,
De toda impenitência e dureza de coração,
De uma morte súbita e desprevenida,
Da condenação eterna,
Por vosso batismo e santo jejum,
Por vossas três tentações,
Por vossa sede e fome,
Por vossos trabalhos e dores,
Pela tríplice sentença de morte contra vós proferida,
Por vosso tremendo e cruento sacrifício na cruz,
No dia da ira e da calamidade, livrai-nos, Senhor.

Ainda que pecadores, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que nos perdoeis,
Para que vos digneis conduzir-nos à verdadeira penitência,
Para que possamos produzir dignos frutos de penitência,
Para que mereçamos chorar dignamente os nossos pecados e alcançar a vossa graça,
Para que vos digneis purificar por este sagrado jejum e livrar de toda iniquidade a vossa Igreja,
Para que vos ofereçamos sempre os nossos corpos como hóstia viva, santa e agradável,
Para que nos concedais entrar, pelas tribulações do tempo presente, na glória futura,
Para que vos digneis atender-nos,
Filho de Deus, nós vos rogamos, ouvi-nos

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós

Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.

Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

Pai-nosso...
℣. E não nos deixeis cair em tentação,
℟. Mas livrai-nos do mal.

℣. Chorem os sacerdotes, servos do Senhor, entre o pórtico e o altar.
℟. Tende piedade, Senhor, tende piedade do vosso povo.

℣. Não nos trateis segundo os nossos pecados,
℟. Nem nos castigueis em proporção de nossas faltas.

℣. Ajudai-nos, ó Deus, nosso Salvador,
℟. E pela glória do vosso nome, Senhor, libertai-nos.

℣. Sede propício, Senhor, aos nossos pecados,
℟. Por vosso santo nome.

℣. Senhor, ouvi minha oração,
℟. E chegue até vós o meu clamor.

Oremos. — Deus eterno e todo-poderoso, tende piedade dos penitentes, sede propício aos suplicantes e concedei-nos os benefícios de vossas misericórdias: para que estes jejuns sejam remédio de mente e de corpo para todos os que invocam o vosso nome e deploram os próprios crimes perante a vossa clemência; a fim de que todos os que vos invocarem pedindo a remissão de seus pecados encontrem saúde de corpo e de alma e alcancem, na eterna bem-aventurança, o prêmio prometido aos que fielmente vos servem.

Deus, que criastes admiravelmente o homem e mais admiravelmente o redimistes: dai-nos resistir, com mente forte, às seduções do pecado e servir de coração sincero a vossa majestade.

Ouvi clemente, nós vos pedimos, Senhor, as preces do vosso povo; a fim de que os que justamente somos afligidos por nossos pecados, pela glória do vosso nome, sejamos piedosamente libertados.

Protegei, Senhor, nós vos pedimos, com piedade contínua a vossa família; a fim de que, sob a vossa proteção, se veja livre de todas as adversidades e, por boas obras, se mantenha devota ao vosso nome.

Deus, que não desejais a morte, mas a penitência dos pecadores: olhai benignamente para a fragilidade da condição humana e assisti com piedade benigna os nossos esforços; a fim de que, por vossa grande misericórdia, alcancemos felizmente o perdão de nossos pecados, a constância no vosso serviço e o prêmio prometido aos perseverantes. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo. Amém.

℣. Senhor, ouvi minha oração,
℟. E chegue até vós o meu clamor.

℣. Bendigamos ao Senhor.
℟. Graças a Deus.

℣. E que as almas dos fiéis defuntos, pela misericórdia de Deus, descansem em paz.
℟. Amém.

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A santa que morreu sem os dentes na boca
Santos & Mártires

A santa que morreu
sem os dentes na boca

A santa que morreu sem os dentes na boca

Cativa de seus perseguidores, “ela se jogou rapidamente no fogo, sendo queimada até a morte”. Antes, porém, seus algozes “a agarraram e com vários golpes lhe quebraram todos os dentes”. Assim morreu Santa Apolônia, virgem e mártir do século III.

Equipe Christo Nihil Praeponere10 de Fevereiro de 2021Tempo de leitura: 5 minutos
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No dia 9 de fevereiro, a Igreja fazia comemoração de S. Apolônia, virgem e mártir do século III. Pouco conhecida e com o nome retirado do atual calendário litúrgico, Apolônia é, na verdade, padroeira dos dentistas e das pessoas com dor nos dentes

O porquê de seu patronato é fácil de entender a partir de uma breve leitura de sua morte, tal como no-la conta Eusébio de Cesareia:

Naquele momento, Apolônia, virgem, foi considerada por eles uma pessoa importante. Então, aqueles homens a agarraram e com vários golpes lhe quebraram todos os dentes. Eles então ergueram fora dos portões da cidade uma pilha de madeira e ameaçaram queimá-la viva, caso se recusasse a repetir diante deles palavras ímpias (como uma blasfêmia contra Cristo, ou uma invocação a algum deus pagão). Deram-lhe, por um pedido seu, um minuto de liberdade; ela então se jogou rapidamente no fogo, sendo queimada até a morte [1].

A famosa Legenda Áurea também trazia um relato, este um pouco mais elaborado, de seu martírio:

Como em Alexandria, no tempo de Décio, imperador cruel, tivesse irrompido uma perseguição contra os servos de Deus, um miserável chamado Divino adiantou-se aos demônios, incitando o vulgo supersticioso contra os fâmulos do mesmo Cristo; instigada por ele, a multidão não tinha sede de outra coisa além do sangue dos fiéis. Primeiro, prenderam alguns religiosos de ambos os sexos: golpearam a uns com bastões pelo corpo inteiro e, após lhes perfurarem o rosto e os olhos com estacas agudas, os lançaram fora da cidade; a outros levaram à força até os ídolos, e aos que se recusavam ou, antes, execravam adorá-los meteram cadeias nos pés e, arrastando-os pelas ruas de toda a cidade, com feio e horrível suplício os esquartejaram.

Ora, havia por aqueles tempos uma virgem admirável e já entrada em anos chamada Apolônia, adornada com as flores da castidade, da sobriedade e da pureza, confirmada pelo Espírito do Senhor como coluna fortíssima, oferecendo, pelo mérito e a virtude de sua fé, recebida do Senhor, espetáculos admiráveis aos anjos e aos homens. Como pois a multidão furiosa invadisse as casas dos servos de Deus e, com crueldade hostil, pusesse tudo abaixo, foi prontamente carreada ao tribunal dos ímpios a bem-aventurada Apolônia, inocente pela simplicidade, fortíssima pela virtude, não levando consigo nada além da constância de seu coração intrépido e a pureza de uma consciência íntegra, oferecendo a Deus uma alma devota e entregando o corpo castíssimo à pena dos perseguidores.

Presa a bem-aventurada virgem, os perseguidores, ruindo cruelmente sobre ela, primeiro lhe arrancaram os dentes; depois, reunida a lenha, construíram uma enorme fogueira, ameaçando queimá-la viva, caso não dissesse com eles as mesmas impiedades. Ela porém, ao ver a fogueira acesa, após deliberar um pouco de si para si, soltou-se repentinamente das mãos do ímpios e lançou-se sozinha no fogo com que a ameaçavam, surpreendendo assim os próprios autores da crueldade, por estar uma mulher mais disposta à morte do que o perseguidor à pena.

Vexada por diversos suplícios, nem o tormento das penas que sobre ela caíam nem a chama acesa pelos cruéis perseguidores puderam vencer a fortíssima mártir de Cristo, porque muito mais ardentemente lhe flamejava o coração, aceso pelos raios da verdade. Por isso, tampouco aquele fogo corpóreo e ministrado por mãos mortais foi capaz de apagar-lhe do peito infatigável o calor divinamente infuso.

Oh! grande e admirável certame o desta virgem, que pela graça de Deus misericordioso ardeu, para que não ardesse, e morreu abrasada, para que não fosse queimada, como se não se houvera entregue a chamas e suplícios. Poderia ter-se assegurado a liberdade, mas não teria merecido a glória dos combatentes!

A fortíssima virgem Apolônia, mártir de Cristo, contendo-se das delícias do mundo, calcando com o coração as alegrias mundanas e querendo agradar a Cristo, seu Esposo, com feliz perseverança persistiu firmíssima no voto virginal entre as mais terríveis torturas. Sobressai, pois, e brilha entre os mártires o mérito desta virgem tão gloriosa e felizmente triunfante; decerto, fez o ânimo viril algo maior nesta mulher, pois não cedeu à fraqueza diante de tamanha luta. Sacudindo de si, por amor celeste, todo temor terreno, conquistou o troféu da cruz de Cristo e, armada antes de fé que de ferro, lutou e venceu tanto a concupiscência quanto todos os suplícios [2].

Muitas coisas nos chamam a atenção e poderiam ser comentadas no relato do martírio desta santa. O suplício, por exemplo, de ter os seus dentes todos quebrados na boca, provoca em nós grande agonia, pois imaginamos a dor que ela deve ter sentido ao ser assim fustigada por seus algozes. Por isso Apolônia é retratada na arte segurando uma tenaz ou torquês, algumas vezes com um dente

Uma circunstância em particular de sua morte, no entanto, mereceu a consideração dos teólogos ao longo dos séculos. Afinal, se ela não foi morta, mas antes lançou-se às chamas, seu martírio não se aproxima, de alguma forma, do suicídio?

Quem nos responde é ninguém menos que S. Agostinho:

Conta-se que algumas santas mulheres, em tempo de perseguição, para escapar dos que lhes assediavam a pureza, lançaram-se em um rio caudaloso e mortal e, deste modo, pereceram, e o martírio delas é celebrado com grande veneração na Igreja Católica. Delas não me atrevo a dizer nada temerariamente. Não sei, com efeito, se a autoridade divina persuadiu a Igreja, por alguns testemunhos fidedignos, a honrar assim a memória delas; pode ser que seja o caso. De fato, não poderiam elas ter agido assim, não por engano humano, mas por ordem divina; não por erro, mas por obediência, como não nos é permitido crer de outra forma a respeito de Sansão? Quando Deus manda e demonstra sem sombra de dúvida estar mandado, quem chamará crime à obediência? Quem recriminará o obséquio da piedade? [3]
“Santa Apolônia”, de Carlo Dolci.

As considerações do Doutor da Graça continuam perfeitamente válidas pois, ainda que não seja celebrada mais pelo Calendário Romano Geral, S. Apolônia continua a ser padroeira da cidade italiana da Catânia e nunca deixou de ser invocada por aqueles que sofrem com dor nos dentes. A historicidade de seu martírio é praticamente inconteste e a Igreja não “desautorizou” em momento algum o seu culto [4].

Além disso, com sua morte, esta santa nos ensina o mesmo que todas as virgens mártires — como S. Águeda e S. Doroteia, que celebramos há poucos dias, e como S. Maria Goretti, nossa contemporânea —, a saber: para manter a virtude da pureza, devemos recorrer a meios extraordinários, não excluindo, se preciso for, a entrega da própria vida [5]. A lógica é bem simples: a morte só aniquila nossa vida natural, enquanto o pecado mata a vida sobrenatural da graça em nós. 

Por isso S. Josemaría Escrivá diz em um ponto de Caminho: “Para defender a sua pureza, São Francisco revolveu-se na neve, São Bento jogou-se num silvado, São Bernardo mergulhou num tanque gelado… — Tu, que fizeste?” (n. 143).

Notas

  1. Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica, VI, 41: PG 20, 606-614.
  2. Tiago de Varazze. Legenda Aurea (c. LXVI). 2. ed. Leipzig, Impensis Librariae Arnoldianae, 1850, pp. 293-294.
  3. S. Agostinho, A Cidade de Deus, I, 26: PL 41, 39.
  4. Veja-se a esse respeito a observação feita em Calendarium Romanum. Typis Polyglottis Vaticanis, 1969, p. 116: “Deixa-se aos calendários particulares a memória de S. Apolônia, virgem e mártir alexandrina, inserida no Calendário Romano [Geral] no séc. XIII: embora se trate de uma mártir verdadeiramente autêntica da perseguição de Décio (248-259), não consta todavia nenhuma comemoração dela nos calendários orientais.”
  5. Sobre isso, ensina o Pe. Antonio Royo Marín, OP: “Para que a mulher violentada fique inteiramente livre de pecado é necessário — além de rejeitar o consentimento interior — fazer todo o possível (ao menos moralmente falando) para impedir a violação. Por conseguinte, deve gritar pedindo ajuda [...], fugir, se lhe for possível e, inclusive, empregar a força física, golpeando, ferindo e até matando, se for preciso, o seu injusto agressor. Num caso em que toda resistência fosse inútil (v.gr., por encontrar-se em lugar despovoado e não poder fugir nem receber ajuda de ninguém), ela não poderia conduzir-se de maneira puramente passiva, mas teria de revirar-se e dificultar de todas as formas possíveis a violência. No entanto […], não estaria obrigada a deixar-se matar se estivesse moralmente segura de evitar o consentimento interior ao pecado” (Teología moral para seglares, v. 1, Madri: BAC, 1996, p. 539).

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