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A “velha senhorinha de igreja” que conheceu o Menino Jesus
Espiritualidade

A “velha senhorinha de igreja”
que conheceu o Menino Jesus

A “velha senhorinha de igreja” que conheceu o Menino Jesus

Ela era idosa, seu esposo já há muito morrera, e ela passava “noite e dia” rezando e jejuando no Templo. A descrição soa-lhe familiar? A profetisa Ana se enquadra bem no perfil da “velha senhorinha de igreja”.

Br. Titus Mary Sanchez, O.P.Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere31 de Janeiro de 2020Tempo de leitura: 3 minutos
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Você já viu uma delas em público, até em lugares nos quais pensou estar só. É provável que já tenha sido beijada por alguma ao menos uma vez na vida. Nós todos já conhecemos uma delas. É possível que haja uma na sua própria família. Quem sabe você mesma não seja uma delas. Sim, eu estou falando das “velhas senhorinhas de igreja”

Elas existem faz muito tempo. No evangelho deste domingo (festa da Apresentação do Senhor), somos apresentados a uma chamada Ana. Ela é idosa, seu esposo já há muito morrera, e ela passa “noite e dia” rezando e jejuando no Templo (cf. Lc 2, 37). A descrição soa-lhe familiar? Ana se enquadra bem no perfil da “velha senhorinha de igreja”

Nessa leitura, Ana é retratada ao lado de um senhor chamado Simeão. Ele primeiro profetiza que o menino Jesus é o Salvador de Israel e que Maria irá tomar parte no plano salvífico de Deus de uma forma única e misteriosa. Ele sabe, porque recebeu essa revelação do Espírito Santo (cf. Lc 2, 26). De modo semelhante, Ana profetiza sobre Jesus ser o Redentor de Israel bem no final da leitura do evangelho (cf. Lc 2, 38). 

Depois de ler pela primeira vez essa passagem, a importância desses dois “velhinhos de igreja” talvez nos passe desapercebida; afinal de contas, Jesus e Maria geralmente são o foco desse trecho. Poderíamos nos perguntar, então, o que significa a presença de Ana e Simeão. 

A tradição cristã oriental os inclui entre os últimos dos profetas do Antigo Testamento. Por séculos, os profetas pregaram às tribos de Israel, alertando-as para que se arrependessem de seus pecados, voltassem à lei de Deus e se preparassem para a chegada do Messias — palavra que significa, literalmente, “o ungido”. Profetas como Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel, Oséias e Jonas (a lista poderia se estender ainda mais), todos esperaram ansiosos a vinda do Messias.

Mas, enquanto os profetas do Velho Testamento falaram do Messias que viria, Ana e Simeão receberam a perfeição da profecia, pois testemunharam o cumprimento das promessas de Deus. Ana e Simeão podem ter visto com seus olhos um bebê judeu, mas com os olhos do coração eles viram o verdadeiro Messias de Deus

Esses geralmente esquecidos “velhinhos de igreja” são uns dos primeiros a receber o dom da , dado a todos que acreditarão nessa criança que é o Cristo: “A fé é o fundamento das coisas que se esperam e o argumento das que não se veem” (Hb 11, 1).

O cumprimento da promessa do Messias é muito mais do que poderiam esperar os mais devotos dos judeus: Jesus, o Messias, revela que irá vencer a morte, conceder a vida eterna e habitar nos corações do povo escolhido de Deus por meio do dom da fé. Nas Escrituras, Jesus deixa claro que Ele e seu Pai virão e farão morada nas almas dos que o amam (cf. Jo 14, 23). Santo Tomás acrescenta que é pela fé, então, que “a vida eterna começa em nós” (STh II-II, 4, 1c.).

“Calma, você está me dizendo que, pela fé, a vida eterna, o Céu, começa na minha alma… agora?”

É exatamente isso que estou dizendo.

Nós fomos agraciados com o mesmo dom da fé que deu a Ana ver o Senhor sem um apelo externo — ela recebeu uma luz interior. A “velha senhorinha de igreja” com que se encontraram Maria e José é um lembrete e um sinal de que Deus é fiel a suas promessas: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá, e todo aquele que vive e crê em mim não morrerá eternamente. Crês nisso?” (Jo 11, 25-26).

Uma “velha senhorinha de igreja” responde a essa pergunta de Cristo com fé simples e despretensiosa: “Sim, Senhor, eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus” (Jo 11, 27).

Se ter fé significa tornar-se um pouco dessas “velhas senhorinhas de igreja”, e se essas pessoas são realmente agraciadas com uma breve visão do Deus eterno em seus corações… então também eu quero ser como elas.

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As origens da festa da Purificação de Nossa Senhora
Liturgia

As origens da festa da
Purificação de Nossa Senhora

As origens da festa da Purificação de Nossa Senhora

Desde suas origens, nos primeiros séculos, até a recente reforma do Missal: saiba como se desenvolveu ao longo dos séculos a festa da Apresentação do Senhor, com a qual se encerra formalmente o ciclo litúrgico do Natal.

Gregory DipippoTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere30 de Janeiro de 2020Tempo de leitura: 9 minutos
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— Escrevendo no final do século XIII, o comentarista litúrgico medieval Guilherme Durando descreve a Purificação como uma “festa dupla” [1]:

Em relação àquele que nasceu, a festa é chamada de “Hypapante”, isto é, “o encontro” (em grego), porque naquela solenidade a profetisa Ana e Simeão encontraram Nossa Senhora quando ela foi ao templo para oferecer seu Filho, o Cristo. A vinda do Senhor ao templo significa sua vinda à Igreja e à mente de cada alma fiel, que é um templo espiritual. O Senhor profetizou essa vinda por meio do profeta Malaquias: “Vou mandar o meu mensageiro para preparar o meu caminho” (3, 1-4). Segundo, em relação àquela que deu à luz, a festa também é chamada de Purificação porque a Santíssima Virgem, embora não tivesse necessidade de purificação, e não estivesse sujeita à lei da purificação, quis mesmo assim cumprir o preceito da Lei (cf. Lv 12, 1-8).

Esse preceito declara que, quarenta dias depois de dar à luz, uma mulher “levará até a porta do tabernáculo do testemunho um cordeiro de um ano de idade para o holocausto, e uma jovem pomba ou rola em sacrifício pelo pecado, entregá-los-á ao sacerdote, que os oferecerá perante o Senhor”. Por essa razão, a Purificação serve como o encerramento formal do tempo do Natal e é celebrada exatamente quarenta dias depois dele

Sua ligação com o Natal é expressa com clareza nas Primeiras Vésperas (da Forma Extraordinária do Rito Romano), cujas antífonas são as mesmas da Oitava de Natal. Cada uma delas fala da Virgem especificamente em referência ao nascimento do Salvador, como, por exemplo, a segunda: “Quando natus es ineffabíliter ex Vírgine, tunc implétæ sunt Scriptúræ: sicut plúvia in vellus descendísti, ut salvum fáceres genus humánum: te laudámus, Deus noster — Ao nascerdes da Virgem de modo inefável, a palavra de Deus se cumpriu plenamente: como chuva na relva descestes dos céus e viestes salvar-nos! Glória a vós, nosso Deus!” 

No Breviário de São Pio V, essas antífonas são cantadas com os salmos vespertinos para as festas da Virgem, mas em outros lugares eram usados os salmos das Vésperas de Natal. Em Liège e em outros lugares, o hino das Laudes do Ofício de Natal, A solis ortus cardine, era cantado nessas Vésperas no lugar do hino mariano Ave maris stella. Em muitas igrejas, o branco, cor litúrgica do tempo do Natal, era usado nas Missas do tempo para o período entre a oitava da Epifania e a Purificação, e o uso do verde só começava depois do dia 2 de fevereiro. (Em Paris, esse costume continuou até 1870.) 

A liturgia também marca formalmente a Purificação como o fim de todo o ciclo de celebrações que forma a primeira parte do ano eclesial. No primeiro domingo do Advento, a oração pós-comunhão (no rito tridentino) começa com as palavras: “Que possamos receber (suscipiamus) vossa misericórdia, ó Senhor, no meio do vosso templo”, enquanto o Intróito da Purificação (abaixo), citando de modo mais exato o Salmo 47, começa com o verbo no indicativo: “Nós recebemos (suscepimus), ó Senhor, vossa misericórdia, no meio do vosso templo.” Essa mudança indica que aquilo que pedimos e aguardávamos no Advento foi completamente recebido no nascimento de Cristo

Deve-se notar, também, que a Quarta-feira de Cinzas pode cair, no máximo, no dia 4 de fevereiro. (Isso não ocorre desde 1818 e só ocorrerá novamente em 2285.) Portanto, o ciclo do Natal, incluindo o tempo preparatório do Advento, sempre ficará separado do ciclo da Páscoa, incluindo o tempo preparatório da Quaresma, por um intervalo de pelo menos um dia.

— No final do século IV, a peregrina Egéria escreveu no famoso relato de sua visita à Terra Santa que o Encontro do Senhor com Simeão no Templo foi celebrado lá com particular solenidade, “tal como a Páscoa”, quarenta dias depois da Epifania. Na época dela, a Epifania comemorava todos os eventos do nascimento do Senhor, e portanto o Encontro era celebrado no dia 14 de fevereiro. Esse arranjo é observado até hoje no Rito Armênio. Quando, pouco tempo depois, a festa do Natal foi adotada no Oriente (e, em alguns lugares, até antes disso), a Epifania oriental focava no Batismo do Senhor; o Encontro, por ser um evento de sua infância, foi então adiantado para 2 de fevereiro, contando os quarenta dias a partir de 25 de dezembro.

A Apresentação, por Vicente López y Portaña.

Afirma-se com frequência que, quando foi introduzido no Ocidente em meados do século VII, o Encontro tornou-se uma festa mariana, enquanto o Oriente continuou a observá-la como uma festa do Senhor [2]. Isso vem de uma análise bastante superficial de seu título litúrgico e de seus textos. É verdade que seu nome latino aparece muito cedo como “a Purificação da Virgem Maria”, como, por exemplo, no Sacramentário Gelasiano e no lecionário de Murbach, ambos de meados do século VIII. Também é verdade que ela foi considerada uma festa mariana na Idade Média. Porém, seu caráter de “festa dupla” de origem grega jamais foi esquecido; cerca de um século antes de Durando, Sicardo de Cremona escreveu: “Portanto, hoje é uma solenidade dupla, daquela que dá à luz e daquele que nasce, isto é, da Mãe e do Filho; em relação à Mãe, é chamada de ‘a Purificação’; em relação ao Filho, ‘Hypapante’, que é traduzido por ‘o Encontro’” [3]. 

A tradicional Missa Romana da Purificação se refere à Virgem apenas onde ela é mencionada no Evangelho, e quase secundariamente na oração pós-comunhão. Da mesma forma, os ritos que precedem a Missa se referem a ela uma vez na primeira oração da bênção das velas (mais uma vez, de modo quase secundário) e duas vezes nas antífonas processionais. O duplo caráter da festa observado por Sicardo e Durando é expresso de forma mais clara no Ofício, do qual muitas partes são tomadas das festas comuns da Virgem. No entanto, mesmo neste caso o invitatório, as leituras e os responsórios das Matinas, bem como as antífonas das Laudes (também usadas nas Horas seguintes), referem-se todas ao Encontro de Cristo com Simeão.

De acordo com o Liber Pontificalis, o Papa São Sérgio I (687-701) instituiu uma procissão da igreja de Santo Adriano no Fórum Romano até Santa Maria Maior, a ser realizada na Anunciação, na Dormição e na Natividade da Virgem, e na “festa de São Simeão”. Nascido na Sicília, mas de origem síria, com certeza esse papa tinha familiaridade, desde sua juventude, com as liturgias de tradição latina e bizantina. Há uma boa evidência de que uma procissão com velas foi associada à festa desde tempos mais remotos, como observam também as Butler’s Lives, mas ela desapareceu por completo no Oriente; hoje, nas poucas igrejas orientais nas quais é feita, trata-se de uma latinização muito recente. Não há menção a velas nas palavras do Liber Pontificalis sobre o Papa Sérgio, nem nos antigos livros litúrgicos romanos; a primeira referência a uma bênção das velas no dia 2 de fevereiro é encontrada no final do século X.

A bênção romana é tipicamente simples, e segue um padrão similar ao da bênção dos ramos. Cinco orações são feitas sobre as velas; em seguida, são aspergidas com água benta e incensadas. Finalmente, são distribuídas enquanto o cântico de Simeão Nunc dimittis é entoado com a seguinte antífona depois de cada verso: “Lumen ad revelationem gentium: et gloriam plebis tuae Israel — Uma luz para a revelação dos gentios, e a glória de vosso povo, Israel.” Após uma segunda antífona e uma breve coleta, vem uma procissão acompanhada pelo cântico de duas longas antífonas. A primeira delas é tomada da Liturgia Bizantina; a segunda é do Evangelho do dia:

Adorna, ó Sião, o teu leito nupcial e recebe nele Jesus Cristo que é o teu Rei. Recebe Maria em teus braços, que ela é a porta do céu e traz consigo o Rei da Glória, da nova luz. A Virgem aproxima-se trazendo ao colo o Filho que gerou antes do sol e que Simeão, tomando-o nos braços, apontou aos povos como o Senhor da vida e da morte e o Salvador do mundo.

Revelou o Espírito Santo a Simeão que não veria a morte sem primeiro ver o ungido do Senhor. E quando levaram o menino ao Templo, tomou-o nas mãos e bendisse ao Senhor, dizendo: “Agora, Senhor, podeis deixar partir vosso servo em paz.” V. Quando o pai e a mãe de Jesus o levaram ao Templo a fim de cumprirem por Ele as prescrições da Lei, Simeão tomou-o nos braços.

Enquanto a procissão entra na igreja, um dos responsórios das Matinas é cantado; repare como a repetição do verso completa de forma inteligente a doxologia no final. 

R. Ofereceram por Ele ao Senhor um par de rolas ou dois pombinhos: conforme está escrito na Lei do Senhor. V. Depois de se completar o tempo, em que, segundo a Lei de Moisés, Maria devia ser purificada, levaram Jesus a Jerusalém, a fim de o apresentar ao Senhor, segundo o que está escrito na sua Lei. Glória… * Segundo o que está escrito na Lei.

Segundo a tradição histórica romana, usavam-se paramentos violáceos na procissão e brancos na Missa celebrada após o retorno à igreja. Clero e fiéis seguram velas acesas (na medida do possível) durante a procissão, enquanto o Evangelho é cantado e do Cânon até a comunhão. 

— Foram feitas muitas tentativas improváveis de conectar a bênção e a procissão da Candelária com o antigo rito romano de purificação da Lupercália. O Venerável Beda, escrevendo por volta do ano 720, diz que o rei romano Numa dedicou fevereiro ao deus Fébruo, outro nome para Plutão, “que supostamente tinha poder sobre os ritos de purificação”, e o instituiu como um mês de vários ritos para purificar religiosamente a cidade. (O nome do mês e do deus deriva de “februare — purificar”.) Beda diz, então, que a religião cristã aprimorou “esse costume”, sem mencionar a Lupercália especificamente, ao instituir uma procissão com velas em seu lugar “no mesmo mês, no dia de Santa Maria” [4].

A Lupercália é mencionada várias vezes por outros Padres da Igreja, e até no final do século V o Papa São Gelásio I sentiu a necessidade de combater alguns vestígios dessa celebração. Ainda era realizada na cidade uma corrida que fazia parte do festival, e numa carta para um senador romano que defendia o evento o papa sugere com sarcasmo que os corredores deveriam retornar à prática mais antiga e correr nus. A ideia de Beda se torna mais tentadora como explicação para as origens da procissão quando consideramos que a Lupercália era celebrada entre os dias 13 e 15 de fevereiro, coincidindo com a data original da Purificação no Oriente; e que, além disso, o nome da festa cristã que inicia o mês romano da purificação foi alterado em Roma para “a Purificação”.  

Apesar disso, é muito improvável que quaisquer vestígios do rito pagão tivessem permanecido na época do Papa Sérgio, que instituiu a procissão quase dois séculos depois de Gelásio, e não somente para a Purificação, mas para todas as festas marianas. Nesse ínterim, Roma havia sofrido um considerável despovoamento durante as pragas e guerras do século VI, que deram um duro golpe nos antigos costumes e instituições da cidade. Além disso, não há razão para crer que a festa tenha sido celebrada no Ocidente numa data diferente do dia 2 de fevereiro.

Referências

  1. Rationale Divinorum Officiorum 7, 7.
  2. Cf., por exemplo, os verbetes relevantes na antiga Enciclopédia Católica, as revisões de 1956 das Butler’s Lives, v. 1, p. 235, e o v. 3, p. 397, da obra The Sacramentary do Beato Ildefonso Schuster; esta se refere, de um modo um tanto incorreto, ao seu “caráter predominantemente mariano”.
  3. Mitrale 5, 11.
  4. De temporum ratione XII: PL 90, 351.

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As Cruzadas foram um ato de amor
História da Igreja

As Cruzadas foram um ato de amor

As Cruzadas foram um ato de amor

Admiremos ou não os cruzados, o mundo que conhecemos hoje não existiria sem o empenho deles. Não fossem estas guerras de defesa chamadas Cruzadas, a fé cristã que moldou o Ocidente teria sucumbido ao islã e seguido o caminho da extinção.

Thomas F. MaddenTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere27 de Janeiro de 2020Tempo de leitura: 9 minutos
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São muito comuns os equívocos sobre as Cruzadas. Geralmente, elas são retratadas como uma série de guerras santas contra o islã, conduzidas por Papas ávidos de poder e travadas por fanáticos religiosos. Supõe-se que elas foram o epítome da presunção e da intolerância, uma mancha negra na história da Igreja Católica em particular e da civilização ocidental em geral. Uma espécie de protoimperialistas, os cruzados levaram a agressividade ocidental ao pacífico Oriente Médio e então deformaram a esclarecida cultura islâmica, deixando-a em ruínas. Não precisamos ir muito longe para encontrar variações desse tema. 

Qual é então a verdade sobre as Cruzadas? Especialistas ainda estão tentando chegar a um acordo sobre isso, ao menos em parte. Porém, já é possível ter certeza sobre muitas coisas. Para começar, as Cruzadas em direção ao Oriente foram, sob todos os aspectos, guerras de defesa. Foram uma resposta direta às agressões de muçulmanos — uma tentativa de reversão ou de defesa contra as conquistas islâmicas nos territórios cristãos.

Os cristãos do século XI não eram fanáticos paranoicos. Os muçulmanos realmente os perseguiam. Embora eles possam ser pacíficos, o islã nasceu e cresceu por meio da guerra. Desde a época de Maomé, a expansão islâmica sempre se deu por meio da espada. O pensamento islâmico divide o mundo em dois campos: o território do islã e o da guerra. Não há nenhum território para o cristianismo ou para qualquer outra religião. Num Estado muçulmano, cristãos e judeus podem ser tolerados sob a lei islâmica. Porém, no islã tradicional, Estados cristãos e judaicos devem ser destruídos e suas terras, conquistadas. 

Quando Maomé guerreou contra Meca no século VII, o cristianismo era a religião predominante em relação ao poder e à riqueza. Como era a fé do Império Romano, abarcava o Mediterrâneo inteiro, incluindo o Oriente Médio, onde havia nascido. Portanto, o mundo cristão foi o principal alvo dos primeiros califas e assim permaneceu, para os líderes muçulmanos, ao longo do milênio seguinte.

Os guerreiros islâmicos atacaram os cristãos com imenso vigor logo após a morte de Maomé. Foram muito bem-sucedidos. Palestina, Síria e Egito — outrora as regiões mais cristãs do planeta — sucumbiram rapidamente. No século VIII, exércitos muçulmanos conquistaram todo o norte da África e Espanha, regiões cristãs. No século XI, o Império Seljúcida conquistou a Ásia Menor (Turquia moderna), que era cristã desde a época de São Paulo. O antigo Império Romano, conhecido pelos historiadores modernos como Império Bizantino, ficou reduzido a pouco mais que a Grécia. Desesperado, o imperador em Constantinopla enviou uma mensagem aos cristãos da Europa Ocidental para pedir ajuda aos seus irmãos e irmãs do Oriente. 

Foi isso o que deu origem às Cruzadas. Elas não foram a criação de um Papa ambicioso nem de cavaleiros gananciosos, mas uma resposta a mais de quatro séculos de conquistas por meio das quais os muçulmanos já haviam tomado dois terços do antigo mundo cristão. A um dado momento, o cristianismo teve de se defender, como fé e cultura, para não ser absorvido pelo islã. As Cruzadas foram essa defesa. 

No Concílio de Clermont, em 1095, o Papa Urbano II pediu aos cavaleiros da cristandade para que repelissem as conquistas do islã. A resposta foi tremenda. Milhares de guerreiros fizeram o juramento da cruz e se prepararam para a guerra. Por que o fizeram? A resposta a essa pergunta foi muito incompreendida. Após o surgimento do Iluminismo, tornou-se usual afirmar que os cruzados eram simplesmente sem-terra e inúteis que se aproveitaram de uma oportunidade para roubar e pilhar num território distante. Obviamente, os sentimentos de piedade, abnegação e amor a Deus manifestados por eles não deveriam ser levados a sério, pois eram somente uma fachada para encobrir planos obscuros.

Durante as duas últimas décadas, estudos de documentos, assistidos por computador, demoliram tal narrativa. Especialistas descobriram que, em geral, os cavaleiros cruzados eram homens ricos que possuíam muitas terras na Europa. Não obstante, eles abriram mão de tudo voluntariamente para realizar a santa missão. Participar de uma Cruzada não era algo barato. Até senhores ricos podiam facilmente ficar pobres junto com suas famílias por participarem de uma Cruzada. Faziam-no não por almejarem riquezas materiais (algo que muitos deles já possuíam), mas porque tinham a esperança de ajuntar tesouros onde nem as traças nem a ferrugem os poderiam consumir

Eles tinham profunda consciência do quanto eram pecadores, e estavam dispostos a suportar as privações da Cruzada como um ato penitencial de amor e caridade. A Europa está repleta de documentos medievais que confirmam esses sentimentos, documentos por meio dos quais aqueles homens falam conosco até hoje. Basta que os escutemos. É claro que eles não se opunham a capturar espólios quando isso era possível. Porém, a verdade é que as Cruzadas eram notoriamente ruins para a pilhagem. Poucas pessoas enriqueciam, mas a grande maioria retornava sem nada.

Urbano II deu aos cruzados dois objetivos, e ambos continuaram sendo essenciais para as Cruzadas orientais nos séculos seguintes. O primeiro era resgatar os cristãos do Oriente. Como disse o sucessor dele, Inocêncio III:

Como pode um homem amar o próximo como a si mesmo, segundo o preceito divino, quando, sabendo que seus irmãos na fé são mantidos pelos pérfidos muçulmanos em estrito confinamento e oprimidos pela mais pesada servidão, não se dedica à tarefa de libertá-los? É por acaso que ignorais que milhares de cristãos são mantidos na escravidão e na prisão pelos muçulmanos, além de serem torturados com inúmeros suplícios?

O professor Jonathan Riley-Smith argumentou corretamente que “a participação numa Cruzada era entendida como um ato de amor” — neste caso, o amor ao próximo. A Cruzada era vista como um serviço de caridade para corrigir uma terrível injustiça. O Papa Inocêncio III escreveu o seguinte aos cavaleiros templários: “Realizais com atos as palavras do Evangelho: ‘Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos.’”

O segundo objetivo era libertar Jerusalém e outros locais santificados pela vida de Cristo. A palavra cruzada é moderna. Os cruzados medievais consideravam-se peregrinos que realizavam atos de justiça no trajeto em direção ao Santo Sepulcro. A indulgência que recebiam era ligada canonicamente à indulgência da peregrinação. Esse objetivo era descrito com frequência em termos feudais. Quando convocou a Quinta Cruzada em 1215, Inocêncio III escreveu:

Meus queridos filhos, considerai com cuidado o seguinte: se qualquer rei temporal fosse tirado de seu domínio e, talvez, capturado, não olharia para seus vassalos como infiéis e traidores quando sua liberdade ficasse novamente intocada e chegasse o momento de fazer justiça… a menos que eles tivessem comprometido não apenas suas propriedades, mas também a si próprios na missão de libertá-lo? E, de modo semelhante, Jesus Cristo, Rei dos reis e Senhor dos senhores, a quem não podeis negar a servidão, que uniu vossas almas aos vossos corpos e que vos redimiu com o Sangue Precioso… não vos condenará pelo vício de ingratidão e crime de infidelidade se descuidardes de ajudá-lo?

A reconquista de Jerusalém, portanto, foi um ato de restauração, não de colonialismo, e uma declaração aberta de amor a Deus. Os medievais sabiam, é claro, que Deus tinha poder para reconquistar Jerusalém para si — na verdade, Ele tinha poder para pôr o mundo inteiro sob seu governo novamente. Porém, como pregou São Bernardo de Claraval, sua recusa em fazê-lo era uma bênção para seu povo:

Digo novamente: levai em conta a bondade do Todo-poderoso e prestai atenção em seus planos de misericórdia. Ele impõe a si uma obrigação para convosco (ou antes simula isso), de modo que possa ajudar-vos a satisfazer vossas obrigações para com Ele… Considero abençoada a geração que pode aproveitar a oportunidade de uma indulgência tão rica como essa.

Pressupõe-se com frequência que o objetivo central das Cruzadas era a conversão forçada do mundo islâmico. Nada poderia estar mais distante da verdade. Do ponto de vista dos cristãos medievais, os muçulmanos eram os inimigos de Cristo e de sua Igreja. O objetivo dos cruzados era derrotá-los e defenderem-se deles. Nada mais. Os muçulmanos que viviam em territórios conquistados por cruzados geralmente recebiam a permissão para conservar sua propriedade, seu meio de vida e — sempre — sua religião. Na verdade, ao longo da história do Reino Cruzado de Jerusalém, o número de habitantes muçulmanos superou bastante o de católicos. Foi só no século XIII que os franciscanos começaram a tentar converter os muçulmanos. Porém, tais tentativas foram em grande medida infrutíferas e ao fim e ao cabo foram abandonadas. Seja como for, não se recorria à ameaça de agressão, mas à persuasão pacífica.

Cinquenta anos depois, quando a Segunda Cruzada estava sendo preparada, São Bernardo pregou muitas vezes que os judeus não deviam ser perseguidos:

Perguntemos a qualquer um que conhece as Sagradas Escrituras o que o Salmo vaticina sobre os judeus. “Não rezo pela destruição deles”, ele diz. Os judeus são para nós as palavras vivas da Escritura, pois sempre nos recordam o que Nosso Senhor sofreu… Sob o governo dos príncipes cristãos, eles suportam uma difícil servidão, mas “apenas esperam o momento de sua libertação”.

Contudo, um monge cisterciense contemporâneo de São Bernardo chamado Rodolfo incitou as pessoas contra os judeus da Renânia, apesar de Bernardo ter escrito várias cartas para exigir que ele parasse com aquilo. No final das contas, ele se viu obrigado a ir pessoalmente até a Alemanha, onde alcançou Rodolfo, enviou-o de volta ao seu convento e interrompeu os massacres. 

Afirma-se com frequência que é possível ver nessas perseguições as raízes do Holocausto. Pode ser verdade, mas se for o caso, essas raízes são muito mais profundas e abrangentes do que as Cruzadas. Judeus morreram durante as Cruzadas, mas o objetivo delas não era matar judeus. Foi exatamente o contrário: Papas, bispos e pregadores deixaram claro que os judeus da Europa deviam ser deixados em paz. Numa guerra moderna, chamamos mortes trágicas como essas de “dano colateral”. Mesmo com tecnologias inteligentes, os Estados Unidos mataram um número muito maior de inocentes em guerras do que os cruzados jamais poderiam imaginar. Porém, ninguém argumentaria com seriedade que o propósito das guerras americanas é matar mulheres e crianças. 

Da confortável distância de tantos séculos, fica muito fácil olhar com desprezo para as Cruzadas. Afinal, a religião não deve ser motivo para guerrearmos. Porém, devemos ter em mente que nossos ancestrais medievais sentiriam a mesma repugnância de nossas guerras infinitamente mais destrutivas, porque travadas em nome de ideologias políticas. Mesmo assim, tanto o soldado medieval como o moderno lutam, em última instância, por seu próprio mundo e por tudo o que faz parte dele. Ambos estão dispostos a realizar um enorme sacrifício, desde que seja em prol de algo que amam, algo maior que eles. Admiremos ou não os cruzados, o fato é que o mundo que conhecemos hoje não existiria sem o empenho deles. A antiga fé do cristianismo, com seu respeito pelas mulheres e sua aversão à escravidão, não apenas sobreviveu, mas prosperou. Sem as Cruzadas, ela poderia muito bem ter seguido o caminho do zoroastrismo, outro rival do islã, rumo à extinção.

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Uma defesa bíblica do dogma da Imaculada Conceição
Doutrina

Uma defesa bíblica
do dogma da Imaculada Conceição

Uma defesa bíblica do dogma da Imaculada Conceição

Por que a concepção da bem-aventurada Virgem Maria foi diferente de todas as outras? O que a Igreja crê a esse respeito e como as Sagradas Escrituras podem nos ajudar a compreender esse grande mistério?

Lucas R. PolliceTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere27 de Janeiro de 2020Tempo de leitura: 6 minutos
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Se perguntarmos às pessoas, inclusive a muitos católicos, o que é a Imaculada Conceição, há uma grande chance de eles responderem, de forma equivocada, que é a concepção de Jesus no ventre de Maria. Mas, na verdade, a Imaculada Conceição é a concepção de Maria. É um dogma que nos revela que Maria foi preservada da mancha do pecado original no momento de sua concepção, e permaneceu livre do pecado por toda a sua vida.

Era intrínseco ao plano salvífico de Deus que Maria fosse concebida sem o pecado original. Porque Adão e Eva, quando se afastaram de Deus, representavam toda a humanidade, todos os seres humanos afastaram-se de seu Criador. O pecado original foi transmitido a todas as gerações, ao longo de toda a história da humanidade, de modo que, quando somos concebidos, já nascemos num estado natural de separação de Deus, que os teólogos chamam de pecado original originado, e com uma inclinação para pecar, que é a concupiscência.

O plano salvífico de Deus era que seu Filho unigênito, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, assumisse a natureza humana, a fim de que tanto Deus como o homem Jesus pudessem realizar a redenção da raça humana. Mas havia um problema: Deus é sumamente santo. Portanto, Ele está em completa e total oposição ao pecado, razão pela qual os pecadores não podem estar em sua presença, sem antes serem purificados. 

Como, então, Deus, o Filho, poderia se unir intimamente a uma natureza humana decaída? É aqui que entra o plano de Deus para Maria. Deus a escolheu para ser concebida sem pecado original, a fim de que pudesse dar a Jesus uma natureza humana pura e sem pecado. Maria é o vaso puro e inoxidável através do qual Jesus recebe uma natureza humana imaculada e sem pecado, a fim de que possa entrar no mundo para completar o plano salvífico do Pai.

No livro do Gênesis, Deus anunciou pela primeira vez o seu plano de salvação realizado por meio de Cristo, ao afirmar à serpente: “Colocarei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3, 15). Deus dirige-se à serpente para dizer que os filhos da mulher atingirão sua cabeça. Quem é que atacará a cabeça da serpente? Jesus é quem veio para atacar a cabeça de Satanás e destruir seu poder. Portanto, se o filho da mulher é Jesus, a mulher obviamente é Maria.

Deus fala de inimizade entre a serpente e a mulher, e entre os descendentes da serpente e os descendentes da mulher. A descendência de Satanás é, na verdade, o pecado, com o qual ele deseja se multiplicar e encher a terra. Portanto, existe inimizade entre Maria/Jesus e Satanás/pecado. Essa inimizade significa uma oposição total e completa. Assim, quando duas coisas estão em inimizade, elas não têm nada a ver uma com a outra; não há absolutamente nenhuma cooperação ou comunhão entre ambas. Isso significa que Jesus e Maria se opõem completamente a Satanás e ao pecado, não possuindo nenhuma cooperação ou comunhão com eles.

Era necessário que Maria não tivesse uma natureza decaída, pois qualquer participação no pecado original, ou mesmo no pecado pessoal, destruiria sua inimizade com Satanás e o pecado. Por conseguinte, nesse primeiro anúncio do plano salvífico de Deus, vemos sua intenção de manter Maria totalmente livre do pecado, a fim de que Jesus pudesse assumir uma natureza humana incorruptível.

Uma referência ainda mais explícita à Imaculada Conceição de Maria está presente no Evangelho de Lucas, na Anunciação do anjo a Nossa Senhora (cf. Lc 1, 26-38). Ao saudar Maria, o anjo Gabriel revela que ela é imaculada. A tradução mais adequada da sua saudação é “Salve, tu que és plena de graça” (Lc 1, 28). A palavra grega kekaritomene (κεχαριτωμένη) é um particípio perfeito, que significa “foi preenchido”. Em razão disso, afirmamos que Maria é aquela que “foi preenchida” com a graça de Deus, aquela que a recebeu em toda sua plenitude, uma vez que a graça já lhe foi concedida de forma plena no momento da sua concepção.

A saudação do anjo revela ainda outra verdade sobre Maria. Sempre que alguém peca — mesmo que cometa o menor dos pecados —, acaba por perder ao menos um pouco da graça de Deus. Essa é a natureza do pecado: uma decisão livre de rejeitar a graça que Deus oferece a nós, que é a vida de seu Filho dada em sacrifício de amor. Para Maria estar “plena de graça”, ela deveria estar completamente livre do pecado, porque o mais ínfimo pecado a privaria de pelo menos parte da graça que recebera.

Cabe agora compreendermos como exatamente Deus preservou Maria do pecado original. Em sua bula Ineffabilis Deus, o Papa Pio IX declarou que ela foi preservada do pecado “por singular graça e privilégio do Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo”.

Maria precisava, tanto quanto todos nós, que Cristo a redimisse. E ela foi, como todos nós, redimida por sua morte na Cruz. Mas, como ela pode ter sido redimida pela morte de Jesus na Cruz antes mesmo de Jesus ter nascido?

Deus é eterno e transcendente e, portanto, não está submetido às limitações de espaço e tempo. Ele vê todo o tempo — passado, presente e futuro — de uma só vez. É como se olhasse para um trem muito longo do alto de um helicóptero. Os motores são o momento da Criação e o último vagão é o fim do mundo, e nós estamos em algum lugar entre os dois. Deus opera fora do tempo. Portanto, Ele tomou as graças e os méritos da morte de Jesus na Cruz e os aplicou de volta no tempo ao momento da concepção de Maria. Desse modo, Maria Santíssima, como todos nós, foi redimida por Cristo, embora, “por singular graça e privilégio do Deus onipotente”, ela também tenha sido completamente preservada do pecado original. Nesse sentido, Maria não foi apenas redimida, mas também preservada do pecado. Ela nunca teve pecado, nem por um segundo. Desde o primeiro momento de sua existência, Maria foi completamente preservada do pecado, sem nunca conhecer ou cooperar com ele em toda sua vida.

Embora Maria tenha sido preservada do pecado original no momento de sua concepção, ela ainda poderia ter escolhido pecar, pois tinha livre-arbítrio. Ela ainda poderia ter rejeitado a graça de Deus e o seu plano, e caído no pecado. Ela poderia ter dito “não” ao Pai na Anunciação do anjo Gabriel. Ela poderia ter dito “não” ao Pai, aos pés da Cruz, onde entregou seu Filho. Ela poderia ter se desesperado e amaldiçoado a Deus. No entanto, Maria cooperou perfeitamente e se rendeu ao grande dom da graça que Deus lhe dera e viveu a mais extraordinária vida cristã. É por isso que Maria é nosso grande modelo de fé a ser vivido pela Igreja. Somos chamados a cooperar com todas as graças que Deus escolhe nos dar, a fim de que, com humildade e amor, andemos pelo caminho que Ele quer para nós.

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