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Gestos e posições do povo na Santa Missa
Liturgia

Gestos e posições
do povo na Santa Missa

Gestos e posições do povo na Santa Missa

Quando se sentar, ficar de pé e se ajoelhar na celebração do santo sacrifício da Missa? O que prescreve a liturgia, o que recomenda a tradição e o que sugere a piedade nessa matéria?

​Adoremus, Salvem a Liturgia!14 de Setembro de 2018
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São muitos os que nos escrevem, já há algum tempo, perguntando quais são os gestos que deve fazer e as posições que deve assumir o povo durante a celebração da Santa Missa. Por isso, trazemos abaixo um bom guia, publicado pelo site norte-americano Adoremus, traduzido pelo site brasileiro Salvem a Liturgia! e adaptado aqui e ali por nossa equipe.

As orientações a seguir contêm, de modo indiscriminado, gestos a) prescritos pelos livros litúrgicos, outros b) recomendados pela tradição e outros ainda c) apenas sugeridos pelo simbolismo que carregam. Não se trata, portanto, de um “manual” a ser seguido estritamente e em todas as suas particularidades, mas, sim, de um auxílio à piedade dos fiéis, para que participem melhor e mais frutuosamente do santo sacrifício da Missa.

As instruções propriamente obrigatórias a esse respeito encontram-se disponíveis na Instrução Geral do Missal Romano, nn. 42-44, e no Cerimonial dos Bispos.


Ritos Iniciais

Fazer o sinal da Cruz com água benta (sinal do Batismo), se houver, ao entrar na igreja.

Fazer genuflexão em direção ao sacrário contendo o Santíssimo Sacramento e ao altar do sacrifício antes de se dirigir ao banco. (Se não houver sacrário no presbitério ou ele não for visível, inclinar-se profundamente ao altar, a partir da cintura, antes de se dirigir ao banco.)

Chegando ao banco, ajoelhar-se para oração privada antes de a Missa começar.

Ficar de pé para a procissão de entrada.

Inclinar-se quando o crucifixo, sinal visível do sacrifício de Cristo, passar por você na procissão. (Havendo um bispo, inclinar-se quando ele passar, reconhecendo-o assim como pastor do rebanho e representante da autoridade da Igreja e de Cristo.)

Permanecer de pé para os ritos iniciais. Fazer o sinal da Cruz junto com o sacerdote no começo da Missa.

Bater no peito ao “mea culpa” (“por minha culpa, minha tão grande culpa”) no Confiteor.

Fazer inclinação de cabeça e o sinal da Cruz quando o sacerdote disser “Deus todo-poderoso tenha compaixão de nós…”

Fazer inclinação de cabeça ao dizer o “Senhor, tende piedade de nós” no Kyrie.

Se houver o Rito da Aspersão (Asperges), fazer o sinal da Cruz quando o padre aspergir água em sua direção.

Durante a Missa, fazer inclinação de cabeça a cada menção do nome de Jesus e a cada vez que a Doxologia [“Glória ao Pai...”] for rezada ou cantada. Também quando pedir que o Senhor receba a nossa oração. (“Senhor, escutai a nossa prece” etc., e ao fim das orações presidenciais: “Por Cristo nosso Senhor” etc.)

Glória: fazer inclinação de cabeça ao nome de Jesus. (“Senhor Jesus Cristo, Filho Unigênito...”, “Só vós o Altíssimo, Jesus Cristo...”)

Liturgia da Palavra

Sentar-se para as leituras da Sagrada Escritura.

Ficar de pé para o Evangelho ao verso do Alleluia.

Quando o ministro anunciar o Evangelho, traçar o sinal da Cruz com o polegar na cabeça, nos lábios e no peito. Esse gesto é uma forma de oração para pedir a presença da Palavra de Deus na mente, nos lábios e no coração.

Sentar-se para a homilia.

Credo: De pé; fazer inclinação de cabeça ao nome de Jesus; na maioria dos Domingos inclinar-se durante o Incarnatus (“e se encarnou pelo Espírito Santo... e se fez homem”); nas solenidades do Natal e da Anunciação todos se ajoelham a essas palavras.

Fazer o sinal da Cruz na conclusão do Credo, às palavras: “e espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir. Amém.”

Liturgia Eucarística

A Consagração, ápice da Santa Missa.

Sentar-se durante o ofertório.

Ficar de pé quando o sacerdote disser “Orai, irmãos e irmãs…” e permanecer de pé para responder “Receba o Senhor por tuas mãos este sacrifício…”

Se for usado incenso, o povo levanta-se e faz inclinação de cabeça ao turiferário quando ele fizer o mesmo, tanto antes como depois da incensação do povo.

Permanecer de pé até o final do Sanctus (“Santo, Santo, Santo…”) e manter-se de joelhos durante toda a Oração Eucarística.

No momento da Consagração de cada espécie, inclinar a cabeça e pronunciar silenciosamente “Meu Senhor e meu Deus”, reconhecendo a presença de Cristo no altar. Estas são as palavras de São Tomé ao reconhecer verdadeiramente a Cristo quando este lhe apareceu no Cenáculo (cf. Jo 20, 28). Jesus disse: “Acreditaste porque me viste. Felizes os que acreditaram sem ter visto” (Jo 20, 29).

Ficar de pé ao convite do sacerdote para a Oração do Senhor.

Com reverência, unir as mãos e inclinar a cabeça durante a Oração do Senhor.

Manter-se de pé para o sinal da paz, após o convite. (O sinal da paz pode ser um aperto de mãos ou uma inclinação de cabeça à pessoa mais próxima, acompanhada das palavras “A paz esteja contigo”.)

Na recitação (ou canto) do Agnus Dei (“Cordeiro de Deus…”), bater no peito às palavras “Tende piedade de nós”.

Ajoelhar-se ao fim do Agnus Dei (“Cordeiro de Deus…”).

Fazer inclinação de cabeça e bater no peito ao dizer: “Domine, non sum dignus…”  (“Senhor, não sou digno…”).

Recepção da Comunhão

Deixar o banco (sem genuflexão) e caminhar com reverência até o altar, com as mãos unidas em oração.

Fazer um gesto de reverência ao se aproximar do ministro em procissão para receber a Comunhão. Se ela for recebida de joelhos, não se faz nenhum gesto adicional antes de recebê-la.

Pode-se receber a Hóstia tanto na língua como na mão.

Para o primeiro caso, abrir a boca e estender a língua, de modo que o ministro possa depositar a Hóstia de forma apropriada. Para o outro caso, posicionar uma mão sobre a outra (a esquerda sobre a direita, em forma de cruz), de palmas abertas, para receber a Hóstia. Com a mão de baixo (ou seja, a direita), tomar a Hóstia e com reverência depositá-la na sua boca. (Ver as diretrizes da Santa Sé de 1985).

Se estiver carregando uma criança no colo, é muito mais apropriado receber a Comunhão na língua.

Ao comungar também do Cálice, fazer o mesmo gesto de reverência ao se aproximar do ministro.

Fazer o sinal da Cruz após ter recebido a Comunhão.

Ajoelhar-se em oração ao retornar para o banco depois da Comunhão, até o sacerdote se sentar, ou até que ele diga “Oremos”.

Ritos Finais

Ficar de pé para os ritos finais.

Fazer o sinal da Cruz durante a bênção final, quando o sacerdote invocar a Trindade.

Permanecer de pé até que todos os ministros tenham saído em procissão. (Se houver procissão recessional, fazer inclinação ao crucifixo quando ele passar.)

Se houver um hino durante o recessional, permanecer de pé até o final da execução. Se não houver hino, permanecer de pé até que todos os ministros tenham se retirado da parte principal da igreja.

Depois da conclusão da Missa, pode-se ajoelhar para uma oração privada de ação de graças.

Fazer uma genuflexão ao Santíssimo Sacramento e ao Altar do Sacrifício ao sair do banco e deixar a (parte principal da) igreja em silêncio.

Fazer o sinal da Cruz com água benta ao sair da igreja, como recordação batismal de anunciar o Evangelho de Cristo a toda criatura.

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A farsa do “Estado laico”
Política

A farsa do “Estado laico”

A farsa do “Estado laico”

Os Papas do século XIX estavam certos: não é possível haver um espaço público religiosamente neutro. O ambiente social será ou religioso ou irreligioso, ou cristão ou anticristão. O laicismo sempre se autodestrói em ideologia intolerante.

Peter Kwasniewski,  LifeSiteNews.comTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere12 de Setembro de 2018
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Há muito tempo nós ouvimos falar que a solução para os problemas sociais, inclusive os problemas que vivem os católicos nas democracias ocidentais modernas, é que todo o mundo deveria “viver e deixar viver” — que todos deveríamos defender o Estado laico e ficar satisfeitos por viver em uma terra onde as pessoas são livres para levar a vida como quiser, desde que elas permitam às outras viverem do mesmo modo e contanto que ninguém machuque ninguém. Não há razão alguma para conflitos se nós simplesmente seguirmos esse senso comum de tolerância.

Isso soa bem na teoria, mas como funciona na prática?

A realidade é que a prática da religião (e, mutatis mutandis, a oposição violenta a ela, que é o ateísmo moderno) é necessariamente uma coisa pública e política.

Por exemplo, se todos os católicos devem adorar em um determinado dia, eles precisam se abster do trabalho por todo o dia ou durante uma parte dele; se deve haver uma procissão, uma avenida principal precisa ser interditada durante o ato. O primeiro exemplo tornará as empresas menos eficientes ou menos lucrativas, ou as duas coisas; o segundo afetará o tráfego, talvez o comércio, e certamente parecerá como uma imposição aos descrentes ou aos indiferentes.

O ateísmo moderno, por sua vez, não é menos público nem menos político: ele procura se livrar de todos os símbolos religiosos, como crucifixos e presépios de Natal, e, se pudesse, aboliria também os domingos e dias santos (coisa que, de fato, já está acontecendo em vários lugares). Se os descrentes pudessem fazer o que quisessem, não haveria lugar nem respeito algum para o cristianismo no espaço público.

Neste sentido, o laicista não é alguém que pensa que todas as visões de mundo devem poder florescer; ao contrário, ele acredita que a única visão passível de ser tolerada é aquela que diz que nenhuma visão é suficientemente conhecida como verdadeira para ter qualquer precedência ou prerrogativa sobre as outras. Por essa “lógica”, o ateísmo torna-se, de facto, o público padrão e o credo político.

É possível ilustrarmos o problema com um exemplo cristalino. Quando alguém escuta música no próprio carro (especialmente com alto-falantes e vidros abertos, dirigindo pela avenida principal) ou no volume máximo em seus fones de ouvido, ele obriga todo o mundo ao seu redor a escutar o que ele está escutando. A sua “livre escolha” de escutar impõe aos outros uma situação que estes não escolheram livremente. Essa pessoa está forçando as outras a se submeterem à sua liberdade. Assim, “dar liberdade a todo o mundo” é algo ilusório; o exercício da liberdade de um homem pode e muito provavelmente irá afetar os direitos dos outros.

Nós vemos isso acontecer de modo dramático com o agressivo lobby homossexual. Quando o “casamento gay” é legalizado em um país, o que acontece com a liberdade de confeiteiros, decoradores, comerciantes de tecidos, músicos e igrejas que, seguindo sua consciência cristã (e baseada na lei natural), escolhem trabalhar apenas com casamentos heterossexuais? “Sinto muito, amigo, você não tem mais liberdade; o ‘Estado laico’ a tomou de você. Você deve fazer agora apenas o que o Estado lhe disser para fazer — nada mais, nada menos.”

O exemplo mais sério, obviamente, é a negação do direito do nascituro ao cuidado de uma mãe e de um pai e à proteção da lei. Por causa do intolerante credo laicista, a liberdade da mulher significa tudo, enquanto a vida da criança, bem como seus direitos e sua eventual liberdade, não significam nada. Mas só uma paródia demoníaca da liberdade procura abolir e aniquilar a liberdade de outra pessoa a fim de assegurar a sua própria.

Se o ambiente social não é católico, ele será preenchido, ao longo do tempo, por elementos pagãos e anticatólicos. A sociedade, assim como a natureza, abomina o vácuo. Nós temos visto mais confirmações do que nunca desta verdade que os grandes Papas do século XIX ensinaram: não existe isso de um espaço público religiosamente neutro, uma sociedade que não privilegie um credo. O espaço público será ou religioso ou irreligioso, ou cristão ou anticristão. O laicismo sempre se autodestrói em ideologia intolerante.

Notas

  • Como a finalidade do texto era condenar o pensamento de que a religião não deve ter influência alguma sobre as instituições da sociedade civil, os termos liberal e liberalism, presentes no original, foram substituídos ao longo dessa tradução pelas expressões “Estado laico”, “laicismo” e equivalentes. Não fizemos uma tradução literal da palavra — liberalismo — para evitar a confusão com a doutrina econômica de mesmo nome.

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O Cardeal Newman e o Santíssimo Sacramento
Espiritualidade

O Cardeal Newman
e o Santíssimo Sacramento

O Cardeal Newman e o Santíssimo Sacramento

Como anglicano, ele havia cuidadosamente evitado frequentar igrejas católicas. Foi só depois de se converter que o Beato John Henry Newman finalmente descobriu o conforto de ter Cristo tão perto, presente em cada sacrário.

Pe. Ian Ker,  Catholic HeraldTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere12 de Setembro de 2018
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A história de conversão do Beato John Henry Newman à Igreja Católica não é exatamente a mesma da subsequente descoberta que ele teve do catolicismo.

Havia então bem poucos lugares católicos de adoração e, de qualquer modo, para evitar a acusação de que o Movimento de Oxford não passava de uma etapa de pré-conversão à Igreja de Roma, Newman havia cuidadosamente evitado católicos e cerimônias católicas — mesmo em seu tour pelo Mediterrâneo, de 1832 a 1833, quando ele dificilmente conseguia evitar ser exposto às duas coisas.

Assim, o aspecto que mais o surpreenderia em sua nova vida religiosa como católico surgiu como uma completa novidade: a reserva do Santíssimo Sacramento nas igrejas católicas. Em carta a uma amiga próxima, ela mesma prestes a se tornar católica alguns meses depois, ele escreveu:

Nós nos convertemos sem nos darmos conta dos privilégios que ganharíamos com isso. Eu nunca permiti à minha mente imaginar as graças que receberia, mas certamente, mesmo se tivesse pensado muito sobre o assunto, eu não conseguiria imaginar o grande e inefável conforto de estar na mesma casa que Ele, que curou os doentes e ensinou seus discípulos…

Quando estive em igrejas no exterior, eu havia religiosamente me abstido de atos de adoração, embora fosse o mais suave dos confortos tomar parte neles — mas eu não sabia nem o que estava acontecendo, tampouco entendia ou tentava entender o rito da Missa —, e eu não sabia, ou não havia observado, a lâmpada do sacrário — mas agora, depois de saborear o prazer indescritível de adorar a Deus em seu templo, quão indescritivelmente fria é a ideia de um templo sem aquela Divina Presença! Sentimo-nos quase que tentados a dizer: para que existe, para que serve um templo assim?

É impressionante como, mais do que qualquer coisa, a reserva do Santíssimo Sacramento nas igrejas católicas impactava e movia Newman, mais até do que a própria Missa. E esse fato nos diz algo muito importante não só sobre Newman, mas também sobre um aspecto central do impacto que tinha o catolicismo na imaginação desse inglês do século XIX, convertido do protestantismo à Igreja Católica. Por isso, Newman não estava apenas fazendo uma observação devocional e espiritual quando escrevia a um amigo anglicano:

Estou escrevendo de um aposento contíguo a uma capela. É uma bênção incompreensível ter a presença corporal de Cristo em casa, dentro das próprias paredes, superando quaisquer outros privilégios…; saber que Ele está assim perto; ser capaz de, repetidamente, durante o dia, ir até Ele…

Newman está dizendo algo muito significativo sobre objetividade e realidade. Pois era essa presença concreta de Jesus em um sacrário material o que, acima de tudo, produzia em Newman aquela “impressão profunda da religião como um fato objetivo”; era isso que o impressionava tanto na Igreja Católica. Ele era capaz de admirar, “em todos os lugares, os sinais de um sistema admirável e real”.

Quando chegou um ano depois à Itália a fim de se preparar para o sacerdócio, Newman se tornou imediata e vividamente consciente de uma realidade que impactou poderosamente sua imaginação, mas da qual ele não havia se dado conta em sua última visita ao lugar. Chegando a Milão, ele logo notou que possuía, a partir de então, um motivo a mais para preferir a arquitetura clássica à gótica: a simplicidade daquela fazia do altar principal o ponto focal da igreja, dando particular proeminência à reserva do Santíssimo — porque “ali nada se move, a não ser a distante lâmpada cintilando e indicando a Presença de nossa Vida imortal, escondida mas sempre operante”.

A preocupação que ele tinha, quase obsessiva, com essa “Presença Real” era mais do que uma simples devoção: “É realmente a coisa mais maravilhosa que existe ter essa Divina Presença como que ‘inundando’ as ruas abertas desde as várias igrejas… Eu não sabia o que era a adoração como um fato objetivo até entrar na Igreja Católica.”

O que Newman havia descoberto, afinal, era que a objetividade da adoração que tanto o impressionou só refletia a objetividade do catolicismo, que ele percebeu ser uma religião bem diferente do anglicanismo e do protestantismo. Agora, ele estava encantado por descobrir, em suas próprias palavras, “uma religião realnão uma mera opinião, que nem o seu vizinho de porta talvez sustente, mas um credo e uma adoração substanciais, externos e objetivos”.

O fascínio de Newman pela reserva do Santíssimo reflete sua aclamada distinção filosófica entre o “nocional” e o “real”, o primeiro referindo-se às abstrações do intelecto e o segundo ao que nós experimentamos de modo pessoal e concreto. Os católicos, insistia, adoram não definições dogmáticas, mas “o próprio Cristo”; crêem na “Presença Real no sacrário não como uma forma de palavras” ou “como uma noção, mas como um Objeto tão real quanto nós somos reais”.

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Cristo quis fundar uma Igreja?
Doutrina

Cristo quis fundar uma Igreja?

Cristo quis fundar uma Igreja?

Os Evangelhos canônicos são muito claros. Dizer que Cristo “nunca pensou em fundar uma Igreja visível” é apresentar atestado de palmar ignorância dos ensinos de Jesus.

Frei Boaventura Kloppenburg11 de Setembro de 2018
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Não querem os espíritas admitir que Cristo tenha fundado uma Igreja. “Cristo — dizem — não quis nenhuma associação religiosa e nunca pensou em fundar uma Igreja visível, com Papas e padres”.

Convidamos os caríssimos irmãos separados pelo Espiritismo a folhear conosco não “O Evangelho segundo o Espiritismo”, mas “O Evangelho segundo São Mateus, São Marcos, São Lucas e São João”!

Seguindo estes Evangelhos, acompanhando o decurso da pregação de Cristo e observando suas palavras e expressões, verificaremos que Nosso Senhor, quando fala de sua obra, se serve de uma multidão de imagens que dão a ideia de coletividade: é um reino, uma cidade, uma família, uma rede lançada ao mar e cheia de bons e maus peixes, um rebanho, etc.; outras vezes esse seu reino é comparado a uma árvore, a um campo, a uma casa, etc.

Vemos que Cristo reúne em seu derredor muitos discípulos que vão com Ele, escolhe dentre eles doze, aos quais dá o nome de Apóstolos, dá-lhes instruções especiais sobre como se devem portar, confere-lhes poderes especiais e até mesmo verdadeira jurisdição sobre os outros homens, como veremos.

E a Simão, filho de Jonas, chega a impor-lhe um novo nome, muito significativo: Kepha e declara solenemente: “Tu és Kepha e sobre este Kepha edificarei a minha Igreja” (Mt 16, 18). A palavra aramaica “kepha” quer dizer pedra ou melhor “rocha”. Assim, pois, é como se Jesus tivesse dado a Simão o nome de Rocha: “Tu és Rocha e sobre esta rocha edificarei a minha Igreja”. Cristo, por conseguinte, quer construir uma Igreja. Mas uma Igreja firme, inabalável, imperecível. Daí a ideia de construí-la sobre uma rocha. A imagem da “casa construída sobre uma rocha” não era nova. No sermão do monte dissera Jesus:

Todo aquele que ouve estas minhas palavras e as observa será comparado a um homem sábio que edificou a sua casa sobre uma rocha. Veio a chuva, transbordaram os rios, assopraram os ventos e precipitaram-se contra aquela casa, e a casa não caiu, porque estava fundada sobre uma rocha! (Mt 7, 24-25)

Assim queria também o sábio Jesus edificar a sua Igreja sobre a rocha: Ele previa que os aguaceiros haveriam de desabar, os rios de transbordar, os vendavais haveriam de soprar e dar de rijo contra a Igreja — mas debalde, pois que estaria “construída sobre a rocha”. Por isso continuou Jesus aquelas memoráveis palavras dirigidas a São Pedro: “E as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16, 18). Divina promessa! Virão acometidas e assaltos, a Igreja terá seus adversários que investirão contra ela — mas estas “portas do inferno” não prevalecerão… Temos aí a garantia divina da indefectibilidade da Igreja de Cristo.

Mas Jesus prometeu mais: “Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28, 20). Até o fim do mundo! Não até a vinda de Allan Kardec… Mais: “Eu rogarei ao Pai e Ele vos dará um outro Consolador que fique eternamente convosco” (Jo 14, 16). Esse Consolador não viria apenas 1850 anos depois…

Mas Jesus quis munir também os Apóstolos com poderes especiais e extraordinários:

A mim me foi dado — declara Ele aos Apóstolos — todo o poder no céu e na terra: Ide, pois, e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo e ensinando-os a observar tudo o que eu vos tenho mandado. E eis que estou convosco até a consumação dos séculos (Mt 28, 18-20).

Majestosa ordem! Mandato solene! Os Apóstolos devem ensinar, governar e santificar. E outra vez, com maior solenidade ainda: “A paz seja convosco. Assim como meu Pai me enviou, também eu vos envio” (Jo 20, 21). Jesus transmite aos Apóstolos a missão recebida do Pai! E continua o Evangelista: “Depois destas palavras soprou sobre eles, dizendo: Recebei o Espírito Santo; a quem vós perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos”…

Era a realização daquilo que Cristo prometera aos Apóstolos, antes de sua morte: “Em verdade vos digo que tudo o que vós ligardes sobre a terra será também ligado no céu, e tudo o que vós desligardes na terra será também desligado no céu” (Mt 18, 18). E nessa mesma ocasião Jesus declara que a sua Igreja tem o direito a ser obedecida por todos: “Se alguém não ouvir a Igreja, seja para vós um pagão e um publicano” (Mt 18, 17). E mais claro ainda: “Quem vos ouve a mim me ouve; quem vos despreza a mim me despreza; mas quem me despreza, despreza aquele que me enviou” (Lc 10, 16).

Não está muito claro tudo isso? Jesus fundou uma Igreja; São Pedro será o fundamento; esta Igreja será atacada, terá inimigos, mas jamais será vencida, incólume atravessará os séculos até a consumação final, pois Jesus estará com ela; os Apóstolos (e evidentemente seus sucessores) terão os mesmos poderes de Cristo para ensinar, governar e santificar os homens, com autoridade divina.

Dizer, portanto, com os espíritas, que Cristo “nunca pensou em fundar uma Igreja visível”, é apresentar atestado de palmar ignorância dos ensinos de Jesus.

Referências

  • Extraído e levemente adaptado de Fr. Boaventura Kloppenburg, Resposta aos Espíritas, Rio de Janeiro: Vozes, 1954, pp. 21-24.

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