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Menino de 10 anos é criado como “drag queen” nos Estados Unidos
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Menino de 10 anos é criado
como “drag queen” nos Estados Unidos

Menino de 10 anos é criado como “drag queen” nos Estados Unidos

Desmond é uma criança do sexo masculino que, com o apoio de seus pais, afirma ser um “drag queen”. E tudo começou por influência da televisão.

Marcia Segelstein,  National Catholic RegisterTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere28 de Junho de 2018
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Uma rede norte-americana de televisão apresentou recentemente, em um de seus programas, um menino do sexo masculino que, com o apoio de seus pais, afirma ser um “drag queen”, ou, como ele mesmo se chama, um “drag kid”.

Quem assistir à reportagem da NBC, disponível na internet, verá uma jornalista toda sorridente conversando com Desmond Napoles, de 10 anos, cujo nome nas redes sociais é “Desmond Is Amazing” (o que em português se poderia traduzir, literalmente, por: “Desmond é maravilhoso”). Durante uma entrevista com o menino, que exibe brincos de diamantes, ela pergunta se ele é transgênero (ao que ele responde que não) e se identifica a si mesmo como gay (ao que ele responde que sim). “Quando você saiu do armário?”, ela pergunta. “Desde que eu nasci”, ele responde.

Ao longo da matéria, durante a qual se fala também com os pais de Desmond, é possível ter acesso à história por trás de tudo. Sua mãe explica que, quando ele estava começando a andar, ele se sentava em seu colo enquanto ela assistia a um reality show de “drag queens”. Ele ficava hipnotizado, ela conta, e eventualmente começou a se vestir igualmente em casa. A repórter pergunta a Desmond como era assistir àquele programa de TV, e o menino responde que ficava impressionado com “como elas eram bonitas e quão maravilhosas elas pareciam”, o que o levou a pensar: “Eu quero ser maravilhoso também.”

O pai e a mãe de Desmond consultaram um terapeuta a respeito do interesse do menino em se vestir como um travesti. Eles foram aconselhados a se manter neutros, não estimulando nem desencorajando o filho. A partir disso, então, eles deixaram a criança tomar as rédeas da situação e passaram a lhe dar apoio.

Um vídeo de Desmond desfilando como travesti durante uma parada gay em 2015 tornou-se viral, dando origem a uma “estrela das redes sociais”. Ele agora tem mais de 40 mil seguidores no Instagram e seu próprio canal no YouTube. Ele ganhou uma matéria na revista de moda feminina Vogue e começou uma carreira de modelo. Quando não está na escola, Desmond está ocupado em desfiles e sessões de fotografias.

Em suas aparições, a criança está sempre com o rosto exageradamente coberto de maquiagem e as unhas repletas de esmalte, mas sua mãe não vê nada de sexual no que ele está fazendo. Para ela, trata-se apenas de uma criança se divertindo. Quando a repórter pergunta à mãe se ele não é novo demais para fazer tudo aquilo, ela menciona o fato de que Mozart começou a tocar o piano com três anos de idade. Aparentemente, a seus olhos, travestir-se é um talento de Desmond.

A história de Desmond não estaria completa, evidentemente, se a repórter não acrescentasse que o menino usa suas plataformas nas redes sociais para apoiar outras crianças e inspirá-las a sair do armário. “Eu sou feroz e maravilhoso”, a criança diz à repórter. “As drag kids irão dominar o mundo.”

Há muita coisa a ser destrinchada nessa história. Pode alguém em sã consciência realmente acreditar que é bom e saudável uma criança de 10 anos de idade procurar fama e atenção se vestindo como os travestis de um programa de televisão? Pode alguém realmente achar que essa criança crescerá equilibrada, segura e feliz?

É de se perguntar, ainda, como esse menino começou a se identificar como homossexual tendo a frágil idade de 10 anos. Eu não estou certo do que é mais aterrador: ele entender de fato o que isso significa, ou não. Também não sei por onde começar com relação aos pais, que parecem quase que alegremente inconscientes do que se tornou a infância do próprio filho.

Mas para mim há um outro absurdo: isso é um programa de televisão retratando um menino de 10 anos que gosta de usar roupas e maquiagens extravagantes; trata-se de uma jornalista entrevistando uma criança e perguntando se ela é gay e quando ela “saiu do armário”. Ainda que os dias de bom jornalismo se tenham ido há muito tempo, tudo tem limites. Seja lá qual for a sua opinião a respeito dessa criança e desses pais, o fato de uma rede de televisão considerar essa triste história digna de divulgação é uma desgraça. É abusivo e de extremo mau gosto, e a NBC deveria sentir vergonha disso.

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Os sofrimentos juninos dos Pastorinhos de Fátima
Virgem Maria

Os sofrimentos juninos
dos Pastorinhos de Fátima

Os sofrimentos juninos dos Pastorinhos de Fátima

Para Lúcia, Francisco e Jacinta, junho de 1917 “foi um mês de sofrimento inaudito e parecia não ter fim essa tempestade”. Conheça um pouco do que aconteceu, por permissão de Nossa Senhora, a essas almas eleitas.

Carmelo de Coimbra26 de Junho de 2018
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Meditemos sobre os sofrimentos e as provações por que passaram os três Pastorinhos de Fátima, Lúcia, Francisco e Jacinta, no mês de junho.

A presente exposição foi retirada de uma biografia da Irmã Lúcia, publicada pelo Carmelo de Coimbra, Portugal [1].


O dia 13 de junho foi um teste. Como a Lúcia era muito amiga de festas, em casa estavam para ver o que ela escolheria, sendo neste dia a festa de Santo Antônio. Uma festa na aldeia para as crianças deste tempo, que não tinham outras distrações, não se podia perder. Todos estavam a ver o que eles fariam. Costumavam nesse dia abrir os rebanhos de madrugada para os recolherem às 9 horas e irem à festa. Ao aproximar-se o dia, a mãe e as irmãs diziam-lhe:

Sempre estou para ver se tu deixas a festa para ires para a Cova da Iria falar lá com essa Senhora [2].

No dia 13 guardaram silêncio. A pequena saiu bem cedo com o rebanho, pensando recolhê-lo a tempo de ir à Missa das 10 horas. Mas antes das 8 horas já estava o irmão a chamá-la. Tinham chegado umas pessoas que lhe queriam falar e ele ficava com o rebanho. Era um grupo de pessoas que vinham de outras terras que ficavam a uns 25 km ao redor de Fátima e queriam acompanhá-la à Cova da Iria.

Sendo ainda muito cedo, convidou-os a ir à Missa das 8 horas e depois iriam para a Cova da Iria. Voltaram da Missa e as pessoas esperaram por ela à sombra das figueiras. Lúcia sentia como fel o silêncio que reinava à sua volta… pelas 11 horas foi ao encontro dos primos e na companhia dessas pessoas dirigiram-se para o local das Aparições. Ali rezaram o terço enquanto esperaram a chegada da Senhora.

Como em maio, a Aparição fez-se anunciar por um relåmpago. E a Senhora chegou. Lúcia fez a mesma pergunta de Maio:

— Vossemecê que me quer?
— Quero que venhais aqui no dia 13 do mês que vem, que rezeis o terço todos os dias e que aprendam a ler. Depois direi o que quero.
— Pedi a cura dum doente.
— Se se converter, curar-se-á durante o ano.
— Queria pedir-Lhe para nos levar para o Céu.
— Sim; a Jacinta e o Francisco levo-os em breve. Mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer servir-Se de ti para Me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção a Meu Imaculado Coração. A quem a aceita, prometer-lhe-ei a salvação e estas almas serão amadas de Deus, como flores colocadas por Mim para enfeitar o Seu Trono.
— Fico cá sozinha? — perguntei, com pena.
— Não, fiha. E tu sofres muito? Não desanimes. Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus.

Foi no momento em que disse estas últimas palavras que abriu as mãos e nos comunicou, pela segunda vez, o reflexo dessa luz imensa. Nela nos víamos como que submergidos em Deus. A Jacinta e o Francisco parecia estarem na parte dessa luz que se elevava para o Céu e eu na que se espargia sobre a terra. À frente da palma da mão direita de Nossa Senhora, estava um coração cercado de espinhos que parecia estarem-lhe cravados. Compreendemos que era o Imaculado Coração de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade, que queria reparação [3].

Nossa Senhora desta vez ainda não lhes recomendou segredo, mas os Pastorinhos a isso se sentiram movidos. Era também uma proteção para não contarem tudo o que a Senhora lhes disse, mas começou a ser motivo de novo sofrimento.

Lúcia começa a embrenhar-se mais na espessura da noite, numa grande solidão. Saber que os primos iam em breve para o Céu e ela ficaria sozinha na Missão que lhe era confiada, fazia-a sofrer tanto! A Jacinta confortava-a recordando a promessa da Senhora de que teria o Seu Imaculado Coração como um refúgio, mas… era muito doloroso. Impressiona ver uma criança de dez anos a braços com tanta responsabilidade e tanto sofrimento! E surgiu a voz da tentação, porque o demônio não deixa que o trabalho de Deus se faça sem tentar os que Ele chama. É o tempo da prova, um tempo difícil, mas se bem aproveitado, tem a função de enraizar mais na fé e fortalecer os alicerces da vida.

Depois da Aparição de Junho, ao ver que em vez de tudo se esfumar, os acontecimentos continuavam e tomavam proporções já tão grandes, a mãe de Lúcia muito preocupada com as supostas mentiras da filha e dos sobrinhos, fica aliviada quando o Pároco lhe manda dizer que leve a Lúcia à residência paroquial para ele a interrogar. Era o primeiro passo da Igreja.

Pensando que o Pároco ia resolver aquele grande problema que lhe caíra em casa, a mãe muito séria, comunica à Lúcia com alguma satisfação na voz:

— Amanhã vamos à Missa logo de manhãzinha. Depois, vais a casa do Senhor Prior. Ele que te obrigue a confessar a verdade, seja como for; que te castigue; que faça de ti o que quiser, como que te obrigue a confessar que tens mentido, eu fico contente [4].

Nessa tarde a pequena ainda falou com os primos e confessou-lhes a apreensão que sentia diante das ameaças da mãe. Eles informaram-na que o Pároco também os mandou ir, mas que não lhes meteram esses medos. Para se alentarem mutuamente, rematam:

Paciência! Se nos baterem, sofremos por amor de Nosso Senhor e pelos pecadores [5].

Sempre a pensar no bem dos outros, sempre com o desejo de salvar almas.

Para sua surpresa, Lúcia que estava à espera de ver diante de si uma cara de ferro e terríveis ameaças, vê se interrogada com muita paz e amabilidade, embora o interrogatório tenha sido minucioso e maçador. Mas o Pároco não se convenceu e deixou a pequena num mar de sofrimento, ao dizer-lhe que “aquilo podia muito bem ser um engano do demônio” [6].

Foi uma aguda seta no íntimo da sua consciência. Daqui vieram noites sem dormir ou com pesadelos terríveis que lhe perturbavam o sono; desânimo, abandono da prática do sacrifício, vontade de tudo abandonar e dizer que afinal era mentira e, sobretudo começou a formular o propósito firme de nunca mais voltar aos encontros marcados com a Celeste Aparição nos dias treze. E comunicou aos primos a sua resolução. A Jacinta disse lhe com toda a convicção:

— Não é o Demônio, não! O Demônio, dizem que é muito feio e que está debaixo da terra, no inferno; e aquela Senhora é tão bonita! E nós vimo-La subir ao Céu [7]!

Dissuadiu-a de dizer que não tinha visto nada, porque então é que estava a mentir. Com o Francisco, ajudou a prima com muita oração e sacrifícios. Os dois foram para ela uma maravilhosa retaguarda. Conhecendo o sofrimento da prima, os dois Pastorinhos foram-na consolando e aconselhando como puderam e, sobretudo, mais com o silêncio do que com a palavra.

Nestes momentos, a ajuda silenciosa é mais eficaz. Com ela sofriam, por ela oravam e ofereciam sacrifícios. A tentação confessada está meio vencida, porque fica a porta aberta à ajuda de quem Deus coloca ao lado daquele que está a sofrer essa batalha. Lúcia teve a seu lado aqueles dois anjos que, iluminados pelo Espírito Santo, a aconselhavam como se fossem grandes mestres e ela recebia com humildade a ajuda dos mais novos.

Foi um mês de sofrimento inaudito e parecia não ter fim essa tempestade. Ao lado dela estavam os dois primitos desolados ao ver aproximar-se o dia treze de Julho e a Lúcia a afirmar que não ia com eles, que falasse a Jacinta com aquela Senhora. Atormentada por pesadelos noturnos, durante os quais se via nas garras do demônio e arrastada para o inferno, procurava todas as oportunidades de se esquivar, até à companhia destes dois sinceros amigos, para sozinha chorar à vontade e não ouvir razões de ninguém. No dia doze,

A resolução estava tomada e eu bem resolvida a pô-la em prática. Pela tarde, chamei a Jacinta e o Francisco e informei-os da minha resolução. Eles responderam-me:
— Nós vamos. Aquela Senhora mandou-nos lá ir.
A Jacinta prontificou-se a falar ela com a Senhora, mas custava-lhe que eu não fosse e começou a chorar.
Perguntei-lhe por que chorava.
— Por tu não quereres ir.
— Não; eu não vou. Olha: se a Senhora te perguntar por mim, diz-lhe que não vou, porque tenho medo que seja o demônio [8].

E foi esconder-se detrás de um silvado, para não ter de responder às numerosas pessoas que já começavam a chegar. Os dois primos estavam desolados, mas não afrouxaram a sua intercessão por ela, nem a confiança em Nossa Senhora. À noite, quando regressou à casa, a mãe censurou-a por passar todo o dia na brincadeira… mais um espinho sofrido em silêncio, sem se desculpar! Se a mãe pudesse ver por dentro o coração da sua mais pequena!…

Referências

  1. Carmelo de Coimbra, “Um caminho sob o olhar de Maria”. Coimbra, Portugal: Edições Carmelo, pp. 56-60.
  2. Memórias da Irmã Lúcia I, 2.ªs Memórias, c. II, n. 4, p. 82.
  3. Idem, 4.ªs Memórias, c. II, n. 4, p. 175.
  4. Idem, 2.ªs Memórias, c. II, n. 5, p. 84.
  5. Ibidem.
  6. Ibidem.
  7. Memórias da Irmã Lúcia I, 2.ªs Memórias, c. II, n. 6, p. 85.
  8. Ibidem.

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A peregrinação de uma mãe com Alzheimer
Testemunhos

A peregrinação
de uma mãe com Alzheimer

A peregrinação de uma mãe com Alzheimer

“A maior coisa que tenho feito como padre é ter o corpo de Jesus Cristo, o Filho de Deus, em minhas mãos. A segunda maior coisa tem sido cuidar do corpo fraco e debilitado de minha mãe, criada à imagem e semelhança de Deus.”

Pe. Thomas Milota,  Christ is Our HopeTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere25 de Junho de 2018
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A peregrinação de Betty Lou começou no dia 2 de maio de 1933. Ela cresceu com seus cinco irmãos mais novos em Freeport, Illinois, estudou em um colégio dominicano, casou-se com um bom católico de Cedar Rapids, Iowa, e criou seus quatro filhos em Bensenville. Foi uma esposa e católica fiel, cantava no coro da Igreja e servia de voluntária em sua paróquia. Um dia, 11 anos atrás, ela saiu do mercado às 8h da manhã e desapareceu.

Nós, amigos e familiares, já tínhamos notado que havia algo de errado antes de isso acontecer, mas não tínhamos ainda juntado as peças do quebra-cabeça. As compras se acumulavam aos montes na geladeira, e ela começava a fazer repetidas vezes as mesmas perguntas. Datas de aniversários caíram no esquecimento. Esperávamos que o problema não fosse o que todos temíamos, mas não havia jeito de tocar no assunto.

O que aconteceu no dia do desaparecimento? Betty Lou acabou voltando para casa depois de sua visita matinal ao mercado, mas não sem deixar a todos ansiosos e perplexos, rezando e procurando-a como loucos. Família, amigos e paroquianos organizaram uma busca mal sucedida por todo o Condado de DuPage. Tínhamos quase perdido a esperança de a encontrar quando, 12 horas após o sumiço, ela enfim apareceu na cul-de-sac em que vivia. Apesar de tantos esforços, foi só a oração que a trouxe de volta. É como se Deus nos estivesse dizendo: “Confiem em mim! Betty Lou é minha filha querida. Eu a trarei de volta para casa”.

Tinha começado o fim da peregrinação.

Levamos Betty Lou a um geriatra. O médico fez uma bateria de exames, incluindo uma consulta a um psicólogo comportamental. Betty Lou foi, enfim, diagnosticada com Alzheimer. Ela viveu ainda por sete anos com meu pai até que pudéssemos interná-la em uma clínica especializada. Um ano e meio mais tarde, o bispo R. Daniel Conlon permitiu gentilmente que eu a acolhesse na casa paroquial da igreja São Pedro e São Paulo, da qual eu era pároco na época.

Embora me sentisse feliz por ter minha mãe ao lado e poder-lhe proporcionar os melhores cuidados, ela teve uma crise e foi levada às pressas para o hospital. Diagnosticaram-na com um problema que ela tinha já desde algum tempo: uma perfuração intestinal e uma grave hemorragia interna. Disseram que a morte era certa. A família veio correndo do Texas, e os parentes mais próximos se hospedaram na casa paroquial. Meus irmãos nunca passaram tanto tempo na igreja! Os paroquianos trouxeram comida e ofereceram apoio moral. Contatamos um asilo. Mas Deus e sua amiga íntima, Betty Lou, tinham outros planos.

Betty Lou teve alta do asilo há 19 meses e tem sobrevivido ao seu diagnóstico há 24.

Uma peregrinação é uma viagem de sacrifícios em direção a um lugar sagrado, e Betty Lou percorre agora a peregrinação mais importante da sua vida em direção ao lugar mais sagrado de todos. Sua viagem final, que, para nós, chegaria ao fim dois anos atrás, continua. Embora saibamos que chegará o momento decisivo em que ela dará o último passo, nós, familiares e amigos, estamos decididos a não deixá-la sozinha nesta etapa terrena de sua peregrinação.

Estamos todos percorrendo com ela esse caminho. Ao longo dos últimos 11 anos, a irritação que sentíamos com suas reiteradas perguntas converteu-se em alegria por cada palavra saída de sua boca. Conseguimos às vezes captar algum sentido em suas palavras quase sempre murmuradas, lembrando-nos assim de que Betty Lou continua conosco. Sua frase predileta e mais repetida é “Ave, Ave, Ave”. Quando lhe perguntamos: “Você ama Nossa Senhora, não é?”, a resposta é um enfático “sim” acenado com a cabeça.

Ela ainda faz suas orações de costume, embora as palavras lhe saiam agora quase incompreensíveis e as tenhamos de completar. Ela ainda consegue se alimentar, ainda que, de vez em quando, alguém precise ajudá-la segurando-lhe a mão e cantando um hino à Imaculada Conceição. Se o ajudante não cantar, Betty Lou canta por si mesma e deixa de comer. De um modo ou de outro, ela tem feito com que todos — família, amigos, médicos, enfermeiros, auxiliares, funcionários, motoristas de ambulância, conhecidos e cuidadores — cantem e rezem a Nossa Senhora.

Tenho aprendido muitas coisas à medida que vou caminhando com Betty Lou, mas algumas lições merecem ser destacadas. A primeira e mais importante delas é que não podemos deixar sozinhas no fim de sua peregrinação as pessoas a quem amamos. Esta primeira lição tem duas caras, uma divina e outra humana. Por um lado, cada um de nós tem o dever de cuidar dos que têm necessidade. É o que diz Nosso Senhor no Evangelho segundo S. Mateus: “Todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes” (Mt 25, 40).

Minha mãe já não reconhece o marido, de 61 anos, ainda que ele esteja aqui perto, ao lado dela todos os dias, dando-lhe de comer. Uma vez me disseram: “Não se esqueça: ela pode não se lembrar de quem você é, mas você sabe quem ela é”. Por outro lado, Deus não se esquece dos que lhe são fiéis. Minha mãe vive em um mundo onde todas as pessoas que lhe dão banho, trocam suas roupas e a alimentam são rostos novos a cada novo encontro. Esse isolamento seria aterrador, não fossem duas pessoas que ela ainda conhece muito bem: Nosso Senhor e a Virgem Maria. O que resta à minha mãe, quando tudo parece ter-se desvanecido? O seu relacionamento com estas duas pessoas. Rezar com ela é a coisa mais importante que fazemos todos os dias.

A segunda lição é que os pacientes de Alzheimer não perdem a identidade. Não há dúvidas de que minha mãe está sendo despojada pouco a pouco de tudo o que caracterizava a sua vida neste mundo. Ela já não é mais capaz de cozinhar. Ela já não pode mais dançar ou caminhar. Até mesmo a sua capacidade de falar, ou de ao menos se fazer entender, está desaparecendo. Diante disso, o que sobra? Ela ainda canta e reza.

Já me perguntei várias vezes: “O que sobrará de mim, no fim das contas?” Espero que não seja raiva ou frustração. Espero poder seguir o exemplo de minha mãe, fazendo de minhas últimas ações uma canção e uma prece.

Um padre amigo meu lembrou-me certa vez: “Lembre-se do que aprendemos no seminário. A memória intelectual reside na alma, e a alma humana é imortal. Isso significa que, embora o corpo dela esteja debilitado e a mente não possa mais se expressar, há lembranças que ela guardará eternamente”. A essa altura da vida, a identidade de Betty Lou carece de ambiguidades e complexidades desnecessárias. Ela é agora aquilo que sempre foi no mais íntimo da alma: uma mulher mais preocupada com os outros do que consigo mesma, uma doce mulher que quer amar e ser amada, uma mulher de grande fé.

Minha mãe é valiosa, não pelo que pode dar ou fazer por mim. A dignidade dela nasce do fato de que Deus a criou à sua imagem e semelhança. E ela continua a levar dentro de si esta semelhança. A maior coisa que tenho feito como padre é ter o corpo de Jesus Cristo, o Filho de Deus, em minhas mãos. A segunda maior coisa tem sido cuidar do corpo fraco e debilitado de minha mãe, criada à imagem e semelhança de Deus.

Betty Lou não desapareceu. Ela está em peregrinação para o Lugar Sagrado. Ela disse a um de seus cuidadores há alguns dias que, daqui a pouco, ela estará em outro lugar. Ela às vezes olha pausadamente para longe, para um destino que não podemos ver. Sem ser presunçosa, Elizabeth Louise tem grande fé em que Aquele do qual ela ainda se lembra, a quem conhece e ama, a levará para casa e lhe dará tudo o que o coração dela sempre desejou.

Referências

  • O presente texto é uma tradução levemente adaptada do artigo “Betty Lou’s Pilgrimage”, de autoria do Pe. Thomas Milota, publicado em Christ is Our Hope, Diocese de Joliet, Illinois, vol. 11/4 (jul. 2018), pp. 12-13.

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Copa dos Imundos
Pró-Vida

Copa dos Imundos

Copa dos Imundos

Enquanto a Copa do Mundo de futebol é assistida por milhões de pessoas ao redor do globo, há uma outra Copa sendo jogada nas ruas, nos parlamentos e nos tribunais… É a “Copa dos imundos”.

Dom Antônio Augusto Dias Duarte,  Arquidiocese do Rio25 de Junho de 2018
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Aos leitores dessas próximas linhas encabeçadas por esse título provocativo, proponho uma reflexão séria e sincera, diante do grandíssimo perigo que o Brasil está enfrentando nos atuais dias.

Enquanto a Copa do Mundo de futebol é assistida por milhões de pessoas em todo o mundo, é preciso dizer que a assim denominada “Copa dos imundos” iniciou-se no mesmo país que sedia essa competição internacional.

A Rússia foi a primeira nação do mundo que sucumbiu às garras dos imundos propagadores do aborto pelo mundo. Logo a seguir da Revolução bolchevista-marxista, em 1917, a ditadura instaurada por Lênin e seus companheiros comunistas aprovou, em 1920, esse crime hediondo contra a vida dos bebês, que é um imenso e verdadeiro genocídio que se alastra pelos séculos 20-21.

Com a promoção e a realização dessa “Copa dos Imundos”, de matriz ateia,  em outros países vários legisladores, juristas, médicos, advogados, sociólogos, diversas fundações internacionais e ONGs formaram equipes identificadas por cores bem significativas nas suas camisas: a preta do ódio à maternidade, a roxa da aversão aos valores da vida, a vermelha do sangue dos bebês abortados e a cinza da indiferença diante do sofrimento das mulheres forçadas a fazer esse crime. O mais dramático e ofensivo desse campeonato imundo é que nenhuma dessas equipes quer levantar a taça da vitória sozinha, mas todas elas pretendem ser vencedoras desse cruel torneio de morte dos inocentes.

Com essa Copa cruel se pretende instaurar a cultura da morte, na qual tudo vale a pena, desde que crianças indefesas sejam mortas dentro do ventre de suas mães.  Mães que são abandonadas, não só pelos homens que as engravidaram, mas também por instituições de saúde, por médicos eticamente mal formados e, infelizmente, pelas suas famílias e por pessoas amigas, nas horas mais difíceis de suas vidas, que são as horas de decisão sobre como levar adiante a vida de um filho recém concebido, o que fazer para cuidá-lo, sobretudo quando vem com alguma doença incurável, como alimentá-lo, como inseri-lo num mundo culturalmente a favor do seu assassinato.

Infelizmente, muito dinheiro ensanguentado circula pelo mundo para que governos, tribunais internacionais, congressos médicos, conferências em vários países, ONGs com nomes disfarçados, como a poderosa ONG com Direito de Decidir (Free Choice) e as mídias comprometidas com essa cultura da morte, julguem, encontrem falsos argumentos científicos, e terminem promovendo essa “Copa dos Imundos”.

Antes da Copa do Mundo de futebol começar, no dia 14 de junho de 2018, na capital da Argentina as “torcedoras do aborto” comemoravam, com alegria e bandeiras azuis, a vitória apertada, por apenas quatro votos a mais, a aprovação, na Câmara Federal dos deputados, a lei do aborto em todo esse país sul-americano.

“Torcedoras do aborto” nas ruas da Argentina.

Depois de dois dias a equipe bicampeã da Copa de futebol, a Argentina, que tem um dos melhores jogadores do mundo, Leonel Messi, empatava com a Islândia, país nórdico, com pouca tradição futebolística no cenário internacional. Muitos argentinos e argentinas choravam em Buenos Aires por esse pífio resultado, que pode comprometer o tricampeonato para esse país, onde se valoriza mais uma bola vitoriosa dentro da rede adversária do que um bebê dentro do ventre materno.

No Brasil, mulheres e homens que participam dessa “Copa dos Imundos” projetam macular, no próximo 22 de junho, com suas presenças agressivas, a Igreja da Candelária, um lugar de oração e de silêncio no centro do Rio de Janeiro, além de ser um dos patrimônios culturais da Cidade Maravilhosa, com gritos e pichações a favor do aborto, ofensas à Igreja Católica e frases depreciativas sobre a maternidade, dizendo que as mulheres são donas exclusivas do seu útero, agindo da mesma maneira como se comportaram há anos atrás diante de um lugar sagrado, a Catedral de Buenos Aires, ofendendo os jovens, que deram um abraço a essa igreja, com palavras de baixo calão, mostrando seus seios desnudos e fazendo gestos despudorados.

Num outro campo onde se joga bastante essa “Copa dos Imundos”, há um time misto com nove homens e duas mulheres, treinados por um partido, o PSOL, que tem no seu programa partidário a mesma genética abortista dos bolchevistas russos de 1920. É muito triste assistir a um jogo no qual já se sabe, previamente, o resultado, que é favorável à constitucionalidade do aborto, uma vez que, nas audiências públicas programadas para o início de agosto no Supremo Tribunal Federal, a grande maioria das pessoas e instituições, que terão voz dentro delas, são publicamente conhecidas como promotoras do aborto no Brasil.

O que mais chama a atenção nessas equipes favoráveis à vitória do aborto sobre a vida é a discrepância do tempo, já que na Argentina querem liberar o aborto até os três meses e duas semanas, e no Supremo Tribunal Federal se vai acolher a ADPF 442, impetrada pelo PSOL, até os três meses de idade do feto.

O que acontece nesse intervalo de duas semanas ninguém é capaz de explicar, pois no Brasil não se é pessoa humana até a décima segunda semana, enquanto que na Argentina não se é pessoa humana até a décima quarta semana. Parece que os juízes brasileiros e os legisladores argentinos, discordando sobre estas duas semanas, estão favorecendo o preconceito entre vizinhos, já que no Brasil se é uma pessoa com três meses e “nuestros hermanos argentinos” são mais retardados na sua humanização!

Esta “Copa dos Imundos” tem que ter um fim no Brasil e no mundo!

Mas como finalizar um processo mundial mantido com muito dinheiro sanguinolento e com organismos internacionais tão poderosos favoráveis à legalização e normalização do aborto em todos os países do mundo?

Ressuscitando em todos os brasileiros o valor e a beleza do patriotismo e da consciência de nação!

Parece que só na Copa do Mundo de futebol que os brasileiros gostam de vestir a camisa verde e amarela, de pintar seus rostos com essas mesmas cores, de ostentar com alegria a bandeira nacional, de apresentar uma nação unida em torno de um só objetivo, que é elevar o nome do Brasil como hexacampeão de futebol.

Quem é patriota de verdade no Brasil quer ver não só taças serem levantadas na final de uma Copa do Mundo, com a qual se poderá colocar mais uma estrela de campeão na camisa verde e amarela. Quem é patriota quer que os brasileiros e as brasileiras tenham a possibilidade de verem a luz brilhante dos olhos de mães que chegaram ao final de suas gestações sem a ameaça de abortarem seus filhos; querem levantar a taça da cultura da vida, conquistada graças aos esforços feitos em equipe, onde “jogando” com amor à pátria, a de hoje e a do futuro, “suportando” os pontapés e agressões dos antipatriotas-abortistas,  sabem vencer o ódio deles com o respeito sagrado ao direito inviolável à vida, cláusula pétrea da Constituição “cidadã” de 1988.

Não é por acaso que o Hino Nacional brasileiro, que se canta com a mão direita sobre o coração, tenha como estribilho presente a referência à maternidade e à filiação:

Dos filhos deste solo és Mãe gentil
Pátria amada
Brasil!

O Hino Nacional também exorta aos verdadeiros patriotas que não fujam à luta contra tudo e contra todos que querem matar futuros cidadãos brasileiros no seio materno, e deixarem mulheres, as grandes e melhores agentes de humanização de uma nação, sofrendo doenças psicológicas e arriscando suas vidas nessas operações de aborto.

Ao lado do patriotismo, encontra-se a própria cultura brasileira enraizada no primeiro ato público em favor da vida, que foi realizado no dia 26 de abril de 1500. Uma missa celebrada pelo frei Henrique de Coimbra, digno filho de São Francisco de Assis, num domingo, na Praia da Coroa Vermelha, no litoral da Bahia. Nesse dia e ano plantou-se em terras brasileiras a semente dos valores que criaram uma nação brasileira aberta ao acolhimento de todas as raças, cores, condições sociais e culturas. A Eucaristia celebrada às margens do Oceano Atlântico introduziu na Terra de Santa Cruz o fruto mais imediato da Crucifixão e Morte de Cristo no Calvário há mais de 2000 anos: a comunhão da Humanidade com Deus e a comunhão dos homens entre si, como irmãos dessa família divina, que é constituída por todos os povos.

A cultura brasileira é uma cultura a favor da vida e não da morte, e além das estatísticas evidenciarem essa natureza cultural do brasileiro — aproximadamente 80% dos brasileiros são contra o aborto —, é bom recordar essa realidade aos 11 ministros do STF, que ganhariam mais tempo para julgarem causas realmente mais favoráveis ao bem do Brasil. A nossa nação só será uma nova nação quando se abrirem “as portas” dos corações das brasileiras grávidas, para que por aí passem futuros construtores da civilização do amor e da paz.

Como a primeira missa na Terra da Santa Cruz, depois batizada com o nome Brasil, foi rezada por um filho espiritual de São Francisco de Assis, o santo que soube louvar a Vida do planeta Terra, encerremos essa reflexão séria e sincera sobre como uma nova estratégia dará à cultura da vida mais uma vitória sobre a cultura da morte.

A estratégia da Oração de São Francisco: “Onde houver ódio, que eu leve amor; onde houver ofensa, que eu leve o perdão; onde houver discórdia, que eu leve a união; onde houver dúvidas, que eu leve a fé; onde houver erros, que eu leve a verdade; onde houver desespero, que eu leve a esperança; onde houver tristeza, que eu leve a alegria; onde houver trevas, que eu leve a luz”.

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