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A Páscoa e os zumbis
Doutrina

A Páscoa e os zumbis

A Páscoa e os zumbis

O que explica o fascínio contemporâneo pelos zumbis? Surpreendentemente, não é uma pergunta para o Halloween, mas para a Páscoa. A resposta a seguinte: somos atraídos pelos mortos porque acreditamos na vida eterna.

Dale AhlquistTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere23 de Abril de 2020Tempo de leitura: 4 minutos
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Zumbis têm andado por aí ultimamente. Não zumbis de verdade, é claro, porque eles não existem. Levando em conta sua popularidade, o fato de não existirem é um grande inconveniente para eles. Mas tampouco lhes seria muito vantajoso existir. Ainda que pudessem experimentar certa satisfação, sua vida intelectual e espiritual, penso eu, seria terrivelmente limitada. É difícil, no entanto, afirmar e argumentar qualquer coisa a respeito, dada a monstruosa falta de evidências.   

Mas o que é o fascínio pelos zumbis? Surpreendentemente, não é uma pergunta para o Halloween, mas para a Páscoa. A resposta é a seguinte: somos atraídos pelos mortos porque acreditamos na vida eterna. Porém, num mundo decaído e corrupto, até nossa ideia de ressurreição é decaída e corrupta. Não temos vida após a morte; temos mortos-vivos. Ainda que seja apenas uma fantasia e uma forma de entretenimento de baixa qualidade, não deixa de ser o reflexo da corrupção de uma boa ideia. É a arte imitando a morte. Na outra ponta da experiência humana, permitimos o mesmo tipo de distorção doentia: em lugar da glória da vida nova surgindo no útero, temos a destruição, fria e clínica, da vida. Em lugar de bebês, temos não nascidos. Mas isso não é fantasia. É uma realidade trágica.

Esses dois lamentáveis extremos são, é claro, precisamente o oposto da perspectiva cristã, desespero em vez de esperança, tristeza brutal em vez de alegria. O contraste fica ainda mais evidente na época da Páscoa. Eu lhes direi a razão, porque um amigo meu, dr. Stuart Kolner, que, como eu, encontrou seu caminho para a Igreja Católica em grande medida por influência de G. K. Chesterton, acabou de me enviar um e-mail maravilhoso:

Entre o tempo da Paixão e a Páscoa, refleti profundamente na ideia de “vitalização” [quickening], que me veio à mente várias vezes enquanto meditava sobre o Tríduo. Na experiência humana, as duas circunstâncias mais improváveis para uma vitalização são, sem dúvida, um útero [womb] selado e um túmulo [tomb] selado. No entanto, aprouve ao Deus das surpresas suscitar vida em ambos. Talvez não seja um pensamento original, mas creio que G. K. Chesterton teria apreciado o paralelo linguístico e a audácia divina que nosso Pai tantas vezes usa para nos lembrar de nossas origens misteriosas.

Como disse: maravilhoso.

O útero [womb] selado e o túmulo [tomb] selado. Os dois lugares mais improváveis para encontrar vida. Esse “paralelo linguístico” (neste caso, uma rima entre termos em inglês) entre o nascimento virginal e a Ressurreição é adequado porque são as extremidades da vida de Cristo, uma compatível com a outra. O útero selado é a Virgem Maria. Um lugar imaculado e intocado. O túmulo selado é o local onde se depositou o corpo de Cristo depois de sua morte cruel. Estava literalmente selado. Pôncio Pilatos pôs sua marca na pedra acima do túmulo e determinou que dois guardas ficassem lá. Outro local onde não era possível entrar e que não podia ser tocado. Mesmo assim, houve uma vitalização no interior dos dois lugares.

A Encarnação é o maior dos paradoxos: Deus se faz carne. Por isso celebramos o Natal e a Páscoa. A Encarnação nos reúne em torno da manjedoura e do túmulo vazio com intensa alegria. Quando nos alegramos e celebramos — como todos deveríamos fazer —, a teologia não é a primeira coisa que vem à mente. Mas a teologia — isto é, a lógica de Deus — explica por que ficamos tão felizes. É necessário que Deus venha como bebê para que possa morrer como homem. É necessário que morra como homem para que ressuscite dos mortos. Não pode haver maior esperança que a vida eterna.

Naturalmente, nós cremos que Deus se fez carne quando foi milagrosamente concebido no útero na Virgem Maria, um evento que sempre celebramos no meio da Quaresma com a solenidade da Anunciação. Mas, como observa o dr. Kolner, a primeira vitalização no útero, quando o corpo de Cristo, ainda bebê, começou a se mover, certamente tem um paralelo com o corpo do Cristo morto no túmulo. Este não era um zumbi. Era o Senhor ressuscitado.

Divina audácia! Essa é a frase mais chestertoniana do e-mail do dr. Kolner, perfeitamente escrito; é a combinação de duas palavras que normalmente não aparecem juntas. Não esperamos que Deus seja audacioso. Mas é muito divertido quando percebemos que Ele é. Sabemos que uma das emoções agradáveis da vida está em ser audaz e ousado, em assumir riscos e romper convenções de forma corajosa. Somente a teologia católica reconhece que o Autor da vida tem a capacidade de desfrutar não somente da vida, mas da emoção da vida e de ser audaz.

Mais uma coisa: Chesterton enxerga o tema permanente da Ressurreição na história cristã quando observa que na história já houve momentos em que a Igreja parecia estar morta, destruída por algum evento físico, por uma filosofia estúpida, por uma enorme heresia, por um escândalo gigante ou pela corrupção integral. E ela sempre recobrou vida de algum modo, porque possui um Deus que sabe qual o caminho para sair do túmulo. Como sugere o dr. Kolner, facilmente podemos imaginar Chesterton completando o raciocínio ao dizer que impressiona o fato de termos um Deus que sabe tanto o caminho para sair do útero como o caminho para sair do túmulo.

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Por que não podemos nos confessar via internet?
Doutrina

Por que não podemos
nos confessar via internet?

Por que não podemos nos confessar via internet?

O argumento contra a confissão eletrônica pode parecer negativo, mas é justamente o contrário. Os requisitos para a Penitência respeitam e preservam a dimensão pessoal e social da salvação, o sacramento e os que o realizam.

Dominic M. Langevin, O.P.Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere23 de Abril de 2020Tempo de leitura: 7 minutos
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Se você estiver preso em casa morrendo num hospital por causa do coronavírus, poderá telefonar a um sacerdote para receber o perdão sacramental? 0-800-CON-FES-SAR? Ou poderá receber o sacramento da Penitência via Zoom ou Skype?

Não. Não dará certo.

Muitos têm abordado o tema da perspectiva do direito canônico, isto é, o que a lei canônica permite ou proíbe (ou deveria permitir). Porém, também deveríamos abordar o assunto do ponto de vista da teologia sacramental, na qual o direito canônico deve se basear. Embora a crise da COVID-19 nos pareça inédita, questões relativas aos sacramentos não o são. A prática penitencial da Igreja já passou por desafios semelhantes (na verdade, piores). O Magistério e os teólogos já estudaram as possibilidades relativas a tais meios, como a confissão por telefone ou internet, e já as rejeitaram — por boas razões teológicas.   

Como afirma o Catecismo da Igreja Católica: “Os sacramentos são sinais eficazes da graça”. Como sinais, os sacramentos possuem uma dimensão física. São orientados por princípios e fins espirituais, mas são também ritos que possuem palavras, gestos e elementos visíveis. Foi assim que Cristo os instituiu, é assim que a Igreja deve celebrá-los. 

O sacramento da Penitência pode ser descrito como um “diálogo” — em relação ao seu significado e efeitos. O objetivo do sacramento é perdoar o pecado grave cometido após o Batismo, para que seja restaurado nosso diálogo amigável e familiar com Deus e com a Igreja. Esse diálogo é, em si mesmo, suscitado por outro diálogo. A cerimônia do sacramento da Penitência envolve basicamente uma discussão entre duas pessoas. O penitente reconhece perante o sacerdote seu arrependimento pelos pecados individuais cometidos, promete realizar uma obra satisfatória e pede perdão. O sacerdote determina a obra satisfatória e absolve o penitente, aperfeiçoando-o na vida da graça. Aqui o sacerdote age in persona Christi.

Ao contrário da maioria dos outros sacramentos, não é necessário um objeto físico inanimado. Algumas interpretações medievais da Penitência atribuíam a ação sacramental exclusivamente ao confessor ou ao penitente. Santo Tomás de Aquino esclareceu que as duas pessoas têm uma função sacramental essencial. O Concílio de Trento confirmou essa interpretação. Poderíamos chamar o sacramento de “concelebração” entre penitente e sacerdote. O rito sacramental possui quatro atos específicos: a contrição do penitente, a confissão, a satisfação e a absolvição. Não se trata de um monólogo, mas de um diálogo. 

A conversação salvífica não pode ocorrer por meios eletrônicos porque o sacramento da Penitência requer a presença física conjunta e a ação ao vivo e interpessoal entre o penitente e o confessor. Devem existir condições para uma conversa plena, natural e humana.

No início do século XVII, o Magistério ensinou que um penitente não pode “confessar pecados sacramentalmente, por carta ou mensageiro, a um confessor ausente” ou “receber a absolvição desse mesmo confessor ausente” (DH 1994; ver também 1995). O problema não estava na confissão por escrito [1], pois Santo Tomás e outros teólogos aceitaram abertamente esse tipo de confissão. O problema também não era a confissão com a ajuda de outra pessoa, pois em alguns casos é admissível a presença de um intérprete, por exemplo. O problema estava na presença e ação simultâneas, de modo que a confissão e a absolvição fizessem parte de um único diálogo físico e cooperativo.    

A sincronização é essencial. Dados os possíveis altos e baixos da vida moral, o penitente precisa ser capaz de manifestar o arrependimento atual em relação a ações passadas, agora rejeitadas. E o sacerdote deve dar a absolvição no presente. Às vezes essa exigência é descrita como “presença moral”. Mas essa atenção interpessoal requer uma proximidade física.

Ao longo dos séculos, os teólogos detalharam as condições necessárias para um diálogo ao vivo e verdadeiro que fosse adequado ao sacramento da Penitência. Em geral, ensinaram que o penitente e o confessor poderiam estar separados por uma distância de até 15 metros — mais ou menos o comprimento de uma sala ampla. Teoricamente, é possível (mas incerto) celebrar o sacramento a uma distância maior que essa. Se um penitente estiver a 150 metros de distância do confessor, por exemplo, haverá um verdadeiro encontro humano, uma verdadeira conversação com o sacerdote que permita falar sobre as matérias do pecado (privadas e constrangedoras)?  

É improvável. Com um megafone acústico que possa transportar a voz humana por meio de ondas sonoras produzidas naturalmente talvez pudesse haver um verdadeiro diálogo. Mas, neste caso, a dimensão física da estrutura sacramental poderia ser levada além de seus limites. O sacramento exige uma presença e um diálogo verdadeiramente humanos, o que exige uma dimensão humana natural.

O uso exclusivo de dispositivos eletrônicos para a celebração do sacramento da Penitência a grandes distâncias foi amplamente condenado, ao longo de mais de cem anos, tanto por especialistas em teologia sacramental e moral como por canonistas. A razão é que tais recursos violam os princípios da presença física e da ação conjunta. Quando ondas sonoras são produzidas por um alto-falante elétrico — mesmo um pequeno, como um telefone — há uma separação entre o produto elétrico e o agente humano. O alto-falante não é parte do corpo humano, como o são as cordas vocais ou as mãos. Ele é uma ferramenta artificial de comunicação. Não é fundamentalmente distinto de outras formas de comunicação que funcionam através de longas distâncias, como sinalizadores de fumaça, cartas e telégrafos. Um alto-falante é apenas mais rápido e mais preciso. O fato de ser possível gravar e reproduzir perfeitamente os sons do alto-falante prova que ele não é humano.  

Se a confissão de um penitente usa apenas meios artificiais sem qualquer sinal natural que manifeste a contrição ao confessor, ou se a absolvição do sacerdote se dá por instrumentos puramente artificiais, certamente não há a corporeidade e a atualidade necessárias para que haja o sinal sacramental. Isso não exclui, por exemplo, a amplificação de um aparelho auditivo (que auxilia, mas não substitui a comunicação natural). Isso significa apenas que devem existir condições para uma conversação física e que os órgãos e sentidos naturais devem estar presentes no sinal sacramental. 

A confissão por meios eletrônicos também ameaçaria o direito dos penitentes — protegido pelo sigilo sacramental — a confessar-se com privacidade. A Agência Nacional de Segurança mostrou que pode gravar — e muitas vezes o faz — todas as conversas telefônicas num país. O governo e determinadas empresas muitas vezes têm acessos backdoor a transmissões seguras (assim são chamadas) como as que são feitas via Skype. Será que o sacramento da Penitência deveria ser administrado em tais circunstâncias? É verdade que os penitentes podem renunciar ao direito à confissão privada (por exemplo, num quarto de hospital cheio). Mas é imprudente pensar numa forma eletrônica de confissão quando se sabe que outros estão escutando.

Mesmo em caso de absolvição geral — a absolvição de muitas pessoas ao mesmo tempo, sem confissão integral prévia por causa de uma excepcional falta de tempo — o rito da Igreja diz que os “penitentes que desejem receber a absolvição [...] devem indicá-lo com algum tipo de sinal”, ajoelhando-se ou curvando a cabeça e dizendo um ato de contrição. Como ensinou o Concílio de Trento: “Se alguém [...] disser que a confissão do penitente não é necessária para que o sacerdote possa absolvê-lo, seja anátema” (DH 1709). 

É inegável que a estrutura dos sacramentos limita sua aplicabilidade. Esse é o escândalo da particularidade sacramental, semelhante à particularidade da Encarnação: Deus considerou apropriado oferecer meios específicos de salvação a pessoas específicas em locais e momentos específicos. E as outras pessoas? Elas têm outros — ainda que inferiores, talvez — meios de salvação. De fato, Deus “deseja que todos os homens sejam salvos” (1Tm 2, 4).

O argumento contra a confissão eletrônica pode parecer negativo, mas é justamente o contrário. Os requisitos para a Penitência respeitam e preservam a dimensão pessoal e social da salvação, o sacramento e os que o realizam. A culpa da pessoa pelo passado e sua contrição no presente são ressaltadas quando ela pode dizer ao ministro de Deus e da Igreja: “Perdoa-me, padre, pois eu pequei [...]. Estou sinceramente arrependido de ter cometido esses pecados”. O mesmo personalismo se aplica quando o sacerdote, instrumento de Cristo, responde: “Eu te perdoo.”

De fato, a crise da COVID-19 nos faz lembrar de nossa existência como pessoas e das condições para a comunhão cristã. Homens e mulheres em quarentena estão sozinhos, apesar dos meios eletrônicos de comunicação, e estão rompendo as determinações de confinamento para se encontrar com familiares e amigos e passar tempo com eles. A comunicação eletrônica não é suficiente. E há um motivo para os que estão assistindo à Missa pela TV saberem que isso não equivale a estar fisicamente na Missa. Por isso anseiam voltar à igreja. A Eucaristia na tela da TV não é a Presença Real.

Nós, seres humanos, somos físicos. A salvação e a comunhão cristãs também o são. O sacramento da Penitência protege e auxilia nossa personalidade encarnada.

Notas

  1. Admite-se, “com causa justa e razoável (v.gr., dificuldade de falar, grandíssima vergonha etc.) que se entregue ao confessor a confissão por escrito e que, uma vez lida esta pelo sacerdote, o penitente presente diante dele diga: ‘Acuso-me de todos os pecados que o senhor acaba de ler neste escrito’. Só então pode receber a absolvição sacramental” (Antonio R. Marín, Teología moral para seglares, vol. 2, p. 303, n. 193).

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O dia em que Santa Faustina sonhou com Santa Teresinha
Santos & Mártires

O dia em que Santa Faustina
sonhou com Santa Teresinha

O dia em que Santa Faustina sonhou com Santa Teresinha

Um dia, quando ainda era noviça, Santa Faustina Kowalska recebeu uma visita mais do que especial enquanto dormia. Era Santa Teresinha do Menino Jesus, trazendo-lhe santos conselhos e ajudando-a na resolução de um problema.

Santa Faustina Kowalska22 de Abril de 2020Tempo de leitura: 2 minutos
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Quero anotar um sonho que tive a respeito de Santa Teresinha do Menino Jesus. 

Eu era ainda noviça e tinha certas dificuldades, [que] não conseguia superar. Tratava-se de obstáculos interiores, mas que se relacionavam com dificuldades exteriores. Fiz novenas a vários santos, mas a situação tornava-se cada vez mais difícil. Os meus sofrimentos por esse motivo eram tão grandes que já não sabia como continuar a viver.  

De repente, veio-me a ideia de rezar a Santa Teresinha do Menino Jesus. Comecei uma novena a essa santa, pois já antes do ingresso no convento tinha grande devoção a ela. Agora me descuidei um pouco dela, mas, nessa necessidade, novamente comecei a rezar com todo o fervor.

Santa Teresinha do Menino Jesus.

No quinto dia da novena sonhei com Santa Teresinha, mas como se ela ainda estivesse na terra. Ocultou diante de mim a circunstância de ela ser santa e começou a consolar-me, para que eu não ficasse tão triste por causa desse problema, mas confiasse mais em Deus. Afirmava-me: “Também eu sofri muito”. 

Contudo, eu não estava muito convicta de que ela tivesse sofrido muito e disse-lhe: “A mim me parece que não tenha sofrido nada.” 

Mas Santa Teresinha respondeu assegurando-me de que havia sofrido muito e me disse: “Dentro de três dias, a irmã verá que esse problema será resolvido da melhor maneira”. Como eu não estava muito inclinada a acreditar nela, então ela se deu a conhecer, revelando-me que era santa. Então a minha alma encheu-se de alegria e perguntei-lhe: “Você é santa?” E ela respondeu-me que sim: “Sou uma santa, e confie que o seu problema se resolverá no terceiro dia”. 

E eu disse a ela: “Santa Teresinha, diga-me, irei para o Céu?” Respondeu-me: “A irmã irá para o Céu.” — “E serei santa?” — Respondeu-me: “A irmã será santa.” — “Mas, Teresinha, eu serei uma santa como você, nos altares?” — E ela me respondeu: “Sim, você será uma santa como eu, mas deve confiar muito em Jesus.” — E perguntei-lhe se meu pai e minha mãe irão para o céu, se... [frase incompleta] — Respondeu-me: “Irão”. — E continuei a perguntar: “E as minhas irmãs e meus irmãos irão também para o Céu?” — Respondeu-me que rezasse muito por eles, e não me deu uma resposta certa. Compreendi que necessitavam de muitas orações.

Tratou-se de um sonho e, como diz o provérbio: “O sonho é ilusão e só Deus é salvação.” No entanto, no terceiro dia resolveu-se esse difícil problema com muita facilidade. Como me tinha dito, cumpriu-se ao pé da letra tudo que se relacionava com essa questão. Foi um sonho, mas ele teve o seu significado.

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O que Fulton Sheen fazia quando as igrejas estavam fechadas?
Igreja Católica

O que Fulton Sheen fazia
quando as igrejas estavam fechadas?

O que Fulton Sheen fazia quando as igrejas estavam fechadas?

O Venerável Fulton Sheen era conhecido por fazer uma hora de adoração todos os dias. Quando tinha de viajar, no entanto, e não achava tempo para adorar quando as igrejas ainda estavam abertas, eis o que a sua piedade lhe inspirava a fazer...

Gina SowerTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere20 de Abril de 2020Tempo de leitura: 6 minutos
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Lembro-me do estado de choque e incredulidade que me acometeu quando nossa diocese fechou todas as igrejas. Parecia impossível (e ainda parece) que os leigos pudessem ficar sem os sacramentos. Como isso pode ser aceitável? Numa época de pandemia e em meio a tanto medo e incerteza, parece que os sacramentos são aquilo de que mais precisamos! Mesmo assim, sabemos que, se Deus permite que algo nos seja tirado, é para nos ensinar alguma coisa, o que, em última instância, serve para gerar um bem maior por meio do sofrimento de sua Igreja. Mas que bem poderia vir da ausência dos sacramentos?

Creio que são muitas as razões pelas quais Deus permitiu essa pandemia, mas no campo específico da fé católica Deus deseja suscitar maior devoção e amor pelo que é sagrado e reservado — a saber, os sacramentos, particularmente a Sagrada Eucaristia. Sabemos que a Igreja em geral ficou, no mínimo, acostumada ao imenso e inimaginável dom do Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Cristo. Sabemos isso não somente pela falta de reverência a Deus no santo sacrifício da Missa, mas também pelo recente estudo do Pew Research Center, que mostrou que apenas um terço dos católicos [norte-americanos] crê na Presença Real.

Não é necessário ser teólogo ou membro do clero para saber que a Eucaristia é a fonte e o  ápice da fé católica e, portanto, deve ser defendida e protegida custe o que custar. Por isso, quando ela não é protegida e devidamente adorada no coração de muitos de nossos pastores, não é de estranhar o efeito multiplicador que a falta de devoção deles tem sobre os leigos. Muitos fiéis são desleixados e preguiçosos na preparação para o santo sacrifício da Missa e não fazem nenhum esforço para preparar sua alma para receber a sagrada Comunhão. Não posso afirmar que necessariamente os considere culpados. Talvez eu estivesse na mesma situação se não tivesse tido a sorte de receber uma boa catequese. 

Isso, porém, revela um problema estrutural. De regra, as pessoas não estão em busca da beleza e do conhecimento de sua fé. Se estivessem, isso seria evidente. Nossas capelas de adoração estariam cheias. Os idosos não seriam os únicos a assistir diariamente à Missa. E talvez, quando chegasse o momento de receber em nosso corpo o maior dom e milagre de nossas vidas, o Deus do universo (o próprio Amor), poderíamos agir de um modo que tornasse aparente a realidade, a profundidade e a seriedade do que está ocorrendo.

É o momento de todo católico buscar a Deus como nunca antes o buscou! Se o fechamento das igrejas não for um alerta para os católicos, não sei o que será. Devemos lutar com um fervor ainda maior para permanecer perto de Jesus nesta época de tanta carência espiritual e de tantos pecados dentro e fora da Igreja. O Venerável Servo de Deus Fulton Sheen disse certa vez:

Quem salvará nossa Igreja? Não serão os bispos, os sacerdotes nem os religiosos. Caberá a vocês, o povo. Vocês possuem as mentes, os olhos e os ouvidos para salvar a Igreja. Sua missão é garantir que os sacerdotes ajam como sacerdotes, os bispos como bispos e os religiosos como religiosos. 

Agora é o momento de os leigos se unirem e fazerem reparação a Deus pelos pecados dos líderes da Igreja que permitiram o crescimento e a multiplicação da semente da irreverência com a Sagrada Eucaristia, e pelos pecados do mundo em geral, de pessoas que rejeitaram e condenaram completamente algumas das mais básicas leis de Deus.

Creio que Deus tenha permitido a falta de acesso aos sacramentos a fim de nos alertar para o fato de muitas pessoas desprezarem e não amarem sua Presença Real. Quantas vezes por dia Ele é recebido de forma indigna na sagrada Comunhão? 

Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor. Que cada um se examine a si mesmo e, assim, coma desse pão e beba desse cálice. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação. Essa é a razão por que entre vós há muitos adoentados e fracos, e muitos mortos (1Cor 11, 27-30) [1].

Quantas vezes fragmentos visíveis da Eucaristia caem no chão sem que os fiéis se importem ou percebam, por termos descartado as patenas e aderido à Comunhão na mão?

Por essas e outras razões, eu gostaria de recomendar uma devoção específica para remediar a falta de amor e reverência a Jesus, que nos ama tão profundamente a ponto de assumir a forma de pão a fim de que possamos, literalmente, consumir todo o seu ser.

Minha inspiração para essa devoção vem de um homem que considero santo: o Venerável Fulton Sheen. Ele era conhecido por fazer uma hora de adoração todos os dias. No entanto, quando tinha de viajar e não achava tempo para adorar quando as igrejas ainda estavam abertas, durante a noite ele se dirigia à igreja mais próxima, parava o carro no estacionamento e fazia ali mesmo sua hora de adoração (o mais perto que podia estar de Jesus).

Bem… nossas igrejas estão fechadas, mas seus estacionamentos não estão!

O fato de nossas capelas de adoração estarem fechadas não significa que devamos deixar de adorar por causa de uma ou duas paredes que nos separam da Presença Real de Jesus. Ele reconhece o sacrifício que estamos fazendo. Sabe que desejamos profundamente estar em sua Presença. Aqueles que realizavam sua hora de adoração semanal… por que deixá-la de lado? Por que não poderíamos fazer esse sacrifício para ficar tão perto quanto possível dEle?

Não foi para ficar perto do Corpo de Jesus que Maria Madalena foi até o túmulo onde o haviam depositado após a crucifixão? Ela não chorou porque seu corpo já não estava lá? E nós? Choramos pelas portas de nossas igrejas (onde Cristo habita) terem sido fechadas? Se Maria Madalena visitou o túmulo de Jesus com o objetivo de reverenciar seu Corpo sem vida, quanto mais não deveríamos nós ir até nossas paróquias para ficar tão perto quanto possível de Jesus vivo? Não deveríamos implorar a Deus que retire a pedra que nos mantém afastados do alimento espiritual dos sacramentos, principalmente do Pão da Vida? 

Mas, antes de Deus mover a pedra que fecha nossas igrejas, talvez devamos entender o que ela representa. Ela poderia representar o peso esmagador de nossos pecados? Se ela está lá por causa dos nossos pecados, devemos reparar as ofensas feitas contra Deus, especialmente as ofensas contra sua Presença Real. Não nos esqueçamos da parábola do amigo persistente que lemos em Lc 11, 5-8, na qual Jesus conta a história de um homem que aparece na casa de seu amigo tarde da noite a fim de pedir pão para um hóspede inesperado. No final da história, Jesus diz: “Eu vos digo: no caso de não se levantar para lhe dar os pães por ser seu amigo, certamente por causa da sua importunação se levantará e lhe dará quantos pães necessitar.”

Assim como o homem que foi até a casa de seu amigo e bateu à porta para pedir pão insistentemente e obter alimento físico para si e para seus amigos, também nós deveríamos nos aproximar com insistência da casa de Deus e bater espiritualmente à sua porta para implorar o pão que alimenta espiritualmente a nós e a nossos amigos com a vida eterna de Jesus Cristo.   

O fechamento das igrejas por causa do horário normal de expediente não impedia que Fulton Sheen fizesse sua hora de adoração no estacionamento da paróquia. A rocha não impediu que Maria Madalena visitasse o Corpo de Cristo. Tampouco uma pandemia deveria impedir os fiéis de chegarem o mais perto possível de Jesus. Na verdade, isso deveria ser motivo para o buscarmos ainda mais! 

Nesta época sem precedentes, rezo para que, como católicos, possamos pôr em prática o nome “católico” (que significa “universal”) e ir juntos, universalmente, até as portas de nossas igrejas fechadas, onde Jesus está presente, para que juntos possamos a uma só voz clamar: “Senhor, nós cremos e pedimos misericórdia por todos os que não creem.”

Notas

  1. Sobre a omissão desse trecho da Carta de São Paulo aos Coríntios no novo Lecionário da Missa, v. Peter Kwasniewski, When the Yearly Biblical Readings of Immemorial Tradition Were Cast Away, 3f: “O alerta de São Paulo para que evitemos receber o Corpo e o Sangue do Senhor indignamente, isto é, para a nossa própria condenação, foi omitido de todas as Missas no Novus Ordo por quase meio século. E, no entanto, na Missa latina tradicional, esses versículos são escutados ao menos três vezes todos os anos: uma na Quinta-feira Santa [...] e duas em Corpus Christi [...]. Os católicos que frequentam o usus antiquior sempre terão essas palavras desafiadoras colocadas diante de suas consciências. Sejamos francos: o conceito de uma Comunhão indigna simplesmente desapareceu da consciência católica em geral” (Nota da Equipe CNP).

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