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Crescimento do ocultismo aumenta demanda por exorcistas na Igreja
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Crescimento do ocultismo aumenta
demanda por exorcistas na Igreja

Crescimento do ocultismo aumenta demanda por exorcistas na Igreja

Congresso de exorcistas na Itália denuncia epidemia de práticas ocultas e satânicas no mundo. “Esperamos a nomeação de um maior número de exorcistas na Igreja”, pede padre italiano.

AvvenireTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere30 de Setembro de 2015
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Formação e debates para levantar barreiras às agressões do mal e saber reconhecer aquelas "portas e janelas" abertas à ação do demônio. São os objetivos do congresso nacional de exorcistas italianos que acaba de concluir-se em Roma. É o primeiro após o reconhecimento oficial, dado em junho de 2014, da Associação Internacional de Exorcistas, que conta com 400 sacerdotes inscritos de todo o mundo. Um ponto de partida importante para trabalhar com ânimo nesse campo, como sublinha o presidente da associação, o padre Francesco Bamonte, em reunião com cerca de 150 exorcistas da Itália.

"Enviamos uma carta com a cópia dos estatutos a todos os bispos italianos e aos bispos das nações onde operam as nossas secretarias linguísticas", explica o padre Bamonte. "Na carta, evidenciamos o agravar-se da atual emergência do ocultismo e do satanismo e, portanto, a necessidade do empenho pela formação de todos os sacerdotes e pela preparação deles ao discernimento prévio dos vários casos relativos a esse fenômeno. Também esperamos a nomeação de um maior número de exorcistas na Igreja e a promoção de uma formação permanente deles."

Durante os trabalhos, interviram, entre outros, o cardeal Agostino Vallini, vigário do Papa para a diocese de Roma, o arcebispo Filippo Iannone, vice-gerente de Roma, e Giovanni D'Ercole, bispo de Ascoli Piceno. Junta-se a eles também o encorajamento do Papa Francisco.

Em suma, a Igreja tem o dever de estar preparada para acolher os pedidos de ajuda de quem acredita ter – ou tem efetivamente – distúrbios ligados à ação do maligno. Também porque o acesso a práticas perigosas é cada vez mais fácil, principalmente entre os mais jovens.

É o que pensa o frei Benigno Palilla, franciscano exorcista da arquidiocese de Palermo, dando exemplos de como é fácil cair nas redes que abrem espaço para o maligno. O espiritismo, por exemplo.

Cena famosa do filme "O Exorcista", de 1973.

"Difundiu-se nas escolas, com uma rapidez impressionante, o jogo 'Charlie, Charlie'. Trata-se de dois lápis sobrepostos em forma de cruz, que estão em equilíbrio. Embaixo, há uma folha de papel com a palavra 'sim' de um lado e 'não' do outro. Pergunta-se a Charlie se ele está presente. O lápis sozinho se move, virando para o 'sim'. Bem – observa frei Benigno –, se não há uma causa natural, como o vento, o lápis por si só não pode mover-se. Se se move, pode-se dizer que há uma entidade que a move. Ora, essa entidade não pode ser Deus, porque Ele não se presta a esse tipo de coisa. De onde só pode ser o demônio. É ele quem é invocado por meio desse jogo, que, para ser mais preciso, não se trata de um jogo, mas de uma sessão espírita, onde se invoca um espírito maligno."

É assim também com a chamada psicografia ou com aqueles que supostamente têm o poder mediúnico de estabelecer contato com defuntos. Normalmente, a razão pela qual se recorre aos espíritos ou a outras práticas ocultas é resolver qualquer problema familiar ou de saúde.

Atenção!, esclarece o frei Benigno, "o demônio nunca cura uma pessoa de uma doença, mas somente suspende os sintomas por um certo tempo. A doença, portanto, permanece. Acontece aqui o mesmo que se dá quando alguém se dirige a um mafioso para receber benefícios. Ele certamente os obtém, mas o preço a pagar se verá em seguida. De fato, esse recurso cria um vínculo, e esse vínculo é exigente, pois requer disponibilidade total a qualquer pedido. O mesmo acontece quando se recorre a um ocultista e, através dele, ao demônio."

Mas também há um aspecto psicológico gravíssimo para quem entrega a própria vida e as próprias decisões a um amuleto ou a um mago: "O ocultismo contribui para criar uma mentalidade do 'não fazer', do 'não agir', à espera de algum 'poder externo'."

Na luta contra o maligno, os exorcistas têm uma aliada extraordinária: Nossa Senhora. "No decorrer de nosso ministério de exorcistas – explica o padre Bamonte –, testemunhamos várias vezes que o Rosário, quando bem rezado, é particularmente temido pelo demônio. Certa vez, enquanto tentava arrebentar a coroa que eu tinha colocado no pescoço de uma pessoa atormentada, o demônio exclamou com raiva: 'Quem se agarra a essa corrente não se perderá jamais!'."

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Padre iraquiano revela drama de “Igreja dos mártires” no Oriente Médio
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Padre iraquiano revela drama de
“Igreja dos mártires” no Oriente Médio

Padre iraquiano revela drama de “Igreja dos mártires” no Oriente Médio

“Não chamem o que acontece em meu país de conflito”, disse o sacerdote. “O nome disso é genocídio.”

Equipe Christo Nihil Praeponere29 de Setembro de 2015
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"Há mais mártires hoje do que nos primeiros tempos da Igreja", disse certa vez o Papa Francisco, em uma frase que sintetiza a condição dos cristãos no Oriente Médio. De fato, não há palavra para definir melhor o que são esses valentes seguidores de Cristo: o martírio, que eles aceitam corajosa e generosamente, eleva-os à perfeita imitação de Jesus, ao ponto mais alto da caridade, como está escrito: "Ninguém tem amor maior que aquele que dá a vida por seus amigos" (Jo 15, 13).

É o que mostra o testemunho do padre Douglas Al-Bazi, pároco da igreja de Mar Elia, em Erbil, no Iraque.

No dia 23 de agosto, o sacerdote aproveitou o conhecido Encontro de Rímini para falar sobre os "mártires de hoje", vítimas do regime de terror que se espalha em todo o Oriente Médio pelo Estado Islâmico.

"Quem acha que o ISIS não representa o Islã, está errado", disse o padre. " O ISIS representa cem por cento o Islã. Se alguém diz: 'Não, eu tenho amigos muçulmanos, eles são legais'. Sim, eles são legais aqui. Mas, lá, eles são assassinos". As palavras do sacerdote são uma resposta clara e inequívoca ao discurso recente de um chefe de Estado, para quem 99,9% dos muçulmanos seriam contrários ao islamismo radical.

Durante a sua fala, o pe. Al-Bazi ressaltou a sua pertença à "Igreja dos mártires", que ele também chamou de "Igreja de sangue". "Antes de 2003, éramos mais de 2 milhões de cristãos no Iraque. Agora, não passamos de 200 mil", ele conta. O clérigo mantém dois abrigos para refugiados na região onde trabalha e acolhe todos os dias milhares de famílias, vindas das mais diversas regiões do Médio Oriente. "Não chamem o que acontece em meu país de conflito. O nome disso é genocídio."

"Como sacerdotes no Iraque e no Oriente Médio, nós vivemos uma missão única", ele diz. "Não sabemos se saíremos da igreja ou voltaremos a ela vivos. Quando estava em Bagdá, eles implodiram uma igreja na minha frente. Eu mesmo sobrevivi duas vezes a bombas que estouraram bem próximas a mim, e já fui atingido na perna por uma AK-47, uma espécie de Kalashnikov. (...) Ainda acredito que, mais cedo ou mais tarde, eles irão me matar."

O padre também revela detalhes dos dias em que foi mantido refém por terroristas muçulmanos. O sequestro aconteceu depois da celebração de uma Missa dominical, quando a estrada que dava acesso à igreja foi bloqueada e o sacerdote foi levado para um lugar desconhecido. De imediato, um dos sequestradores quebrou o seu nariz, acertando-o com o joelho. Com as mãos atadas e os olhos vendados por 9 dias, o padre Douglas permaneceu quatro dias sem tomar sequer um copo d'água.

Quando começaram as negociações para libertá-lo, o sacerdote conta que já tinha a sua morte como certa. "Eu achava que eles iriam me matar, atirar em mim. Quando falei com outro padre por telefone, com o viva-voz ligado, disse a ele: 'É isso, eu não vou mais voltar'. Então, ele disse: 'Fiquem com o padre Douglas. Nós vamos inclui-lo como um de nossos mártires, podem ficar com ele'."

"Naquele dia – continua o padre –, eles ficaram irritados e me levaram para outro quarto. Quando falavam comigo, eles ligavam a TV em um canal muçulmano e aumentavam o volume. Assim, se eu gritasse, nenhum vizinho ouviria a minha voz. Eles também faziam isso para mostrar aos outros quão religiosos eles eram, ouvindo o Corão todos os dias."

"Um deles bateu em meu dente e eu senti que ele sangrava. Ele me disse: 'Não se preocupe. Você tem muitos dentes e nós temos a noite inteira.' Depois disso, eles bateram em minhas costas com o martelo e quebraram a minha coluna."

O pe. Al-Bazi conta que só foi libertado depois que a sua comunidade pagou o resgate aos sequestradores. "Eu, é claro, nunca me esqueço do que aconteceu durante aqueles 9 dias, que é exatamente o mesmo que está acontecendo agora a muito cristãos no Oriente Médio".

O sacerdote iraquiano também relata que, quando estava acorrentado, usava os anéis da corrente para rezar o Santo Terço. "Quando me acorrentaram, eles me prenderam com um cadeado grande. Com os 10 anéis suspensos, eu rezava o meu Rosário: os 10 anéis eram as Ave-Marias e o cadeado era o Pai Nosso."

Durante o dia, os sequestradores se reuniam e procuravam "direção espiritual" com ele. "Eles costumavam pedir a minha opinião como pai espiritual. Um deles perguntava: 'O que eu devo fazer com a minha mulher?' E eu, acorrentado e com venda nos olhos, dizia: 'Vamos lá, seja amável com ela, chame-a de meu bem, meu amor...' À noite, eram essas mesmas pessoas que me batiam."

Ele continuou o seu testemunho com um apelo e um alerta. "Minha Igreja – diz ele – ainda está na Sexta-Feira Santa. Ajude-nos a passar para o Domingo da Ressurreição. (...) Sejam a nossa voz. Falem! E acordem. O câncer está às suas portas! Eles vão destruir vocês! Os cristãos no Oriente Médio e no Iraque são o único grupo que viu o rosto do demônio: o Islã".

No fim, portando uma mensagem de esperança, o padre concluiu fazendo uma bela analogia da perseguição aos cristãos com a Cruz de Cristo. "Jesus disse: Tomem a sua cruz, e nós estamos fazendo isso. Porém, mais importante que carregar a cruz é segui-Lo, e isso significa aceitar, resistir e comprometer-se até o fim. Eu acredito que eles vão nos destruir no Oriente Médio, mas acredito também que a última palavra a sair de nossa boca será: Jesus nos salva. Nunca vamos desistir. (...) Nós pertencemos a Jesus, não à terra. Jesus é a nossa terra, a nossa Terra Prometida. Deixem meu povo chegar à Terra Prometida. Ajam!"

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As Origens do Rosário (I)
Virgem Maria

As Origens do Rosário (I)

As Origens do Rosário (I)

Embora manifeste o caráter único da piedade cristã e as riquezas da teologia católica, o Rosário é um fenômeno universal e presente, sob aspectos diversos, em várias tradições religiosas.

Equipe Christo Nihil Praeponere28 de Setembro de 2015
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I. A universalidade dos cordões de oração

1. O desejo de Deus e a oração. — «O desejo de Deus», diz o Catecismo, «está inscrito no coração do homem, já que o homem é criado por Deus e para Deus» [1]. Todo ser humano, com efeito, sente dentro de si uma certa inclinação que o impele a transcender-se e procurar a razão de sua existência. De fato, a sede radical por um Princípio está de tal forma impressa em nosso espírito, que não seria de todo errado afirmar que a inteligência de que somos dotados está orientada antes para a sacralidade que se manifesta na ordem criada do que para a criação pura e simples [2]. «O homem está à procura de Deus», pois ele, embora ferido pelo pecado, conserva ainda «o desejo daquele que o chama à existência» [3] e Se lhe revela mediante a natureza, «com o ser, o sentido e a finalidade que a ela são próprios» [4]. Ora, ainda que O conheçam de modo obscuro ou O ignorem completamente, todas as religiões testemunham essa busca essencial pela única e verdadeira divindade [5]: «Porque, do nascente ao poente, meu nome é grande entre as nações e em todo o lugar se oferecem ao meu nome o incenso, sacrifícios e oblações puras» (Ml 1, 11).

Entre as múltiplas formas que o homem tem encontrado ao longo da história para traduzir esta sua busca de Deus, a oração ocupa, ao lado do culto e dos sacrifícios rituais, um lugar de destaque [6]. Apesar de ambíguas e dissonantes entre si, as diversas tradições religiosas parecem coincidir no fato de que o homem tende a desenvolver a necessidade de repetir uma série mais ou menos encadeada de preces. Quer se deva ao desabrochar espontâneo da piedade e do desejo de união com Deus, quer a uma suposta função mágico-religiosa atribuída à linguagem, é certo que, se não todas, ao menos uma boa parte das religiões de que se tem notícia chegou a criar não só esquemas fixos e recursivos de oração como também a lançar mão de alguma estratégia de contagem; tais recursos são tão universais, que poderiam considerar-se expressões constitutivas da nossa religiosidade natural. Se levarmos em conta, por exemplo, os benefícios que o papa Adriano I concedeu em 782 à comunidade monacal de Santo Apolinário em Classe, sob a condição de que os monges rezassem seiscentos «Kyrie eleison» por dia, seremos levados a admitir que àquela época a cristandade latina já elaborara algum método para computar tantas orações [7].

2. A presença do «rosário». — Com efeito, a técnica mais comum e globalmente difundida é a dos cordões de oração ou «rosários», para usar uma designação genérica. Constituído por nós ou contas, o «rosário» tem uma origem tão antiga quanto a própria humanidade; e embora seja difícil rastrear-lhe as origens, a sua simplicidade e praticidade talvez lhe tenham permitido ser inventado e reinventado, descoberto e redescoberto ao largo dos séculos. Um rápido lance d'olhos sobre a quase universalidade de sua presença em algumas religiões porá em evidência a disposição natural do espírito humano para o diálogo incessante com Deus.

Com base nas esculturas e baixos-relevos descobertos por Austen Henry Layard nas ruínas assírias de Nimrud e Kuyunjik, supõe-se que já os antigos ninivitas possuíssem pequenos cordões para rezar. Um dos monumentos encontrados apresenta, pois, duas figuras femininas em atitude de oração diante de uma árvore sagrada [8]; elas mantêm elevada uma das mãos e, com a outra, seguram uma pequenina grinalda ou pulseira de contas [9]. Também alguns muçulmanos, principalmente os sufis, servem-se há tempos do «masbaha», um colar de 33, 66 ou 99 contas utilizado de modo especial na prática do «dhikr»; trata-se de uma devoção islâmica—estruturalmente similar a algumas cristãs, mencionadas mais adiante—que consiste na repetição de determinadas preces ou dos noventa e nove nomes por que Alá é designado tanto no Alcorão quanto na Suna. O famoso explorador veneziano do século XIII, Marco Polo, deixou-nos um curioso relato sobre uma de suas expedições à «Província de Maabar», localizada possivelmente na costa oeste da Índia peninsular. Como fosse levado à presença do rei, o navegante notou que o monarca

[...] usa também, preso ao pescoço e caindo sobre o peito, um fino cordão de seda em que se prendem 104 grandes pérolas e rubis de alto preço. A razão por que ele usa este cordão [...] é que, de acordo com o que dizem, todos os dias, de manhã e ao anoitecer, ele tem de fazer 104 orações aos seus ídolos. Essa é a religião e os costumes desta gente. E assim fizeram todos os reis seus predecessores [10].

Pouco mais de três séculos depois, tendo chegado ao Japão a vinte de agosto de 1549, São Francisco Xavier, talvez algo surpreso, registrou em carta aos seus companheiros da Europa que todos os japoneses, fossem bonzos (isto é, monges budistas) ou do povo, costumavam rezar «por contas» cujo número superava cento e oitenta. «Quando rezam continuadamente», escreve, «nomeiam em cada conta o Fundador da seita que têm.» [11] Algumas dessas «contas» a que se refere o Apóstolo do Oriente, também chamadas «shō-zoko-jiu-dzu», são comuns à quase totalidade das seitas budistas japonesas [12]. O cristianismo, por seu lado, conhece os cordões de prece desde pelo menos o século IV. No entanto, o talvez mais primitivo relato que se tenha de um sistema de contagem entre os cristãos é do bispo de Helenópolis, na Bitínia, e discípulo de São João Crisóstomo, Paládio da Galácia, em cuja História Lausíaca se narra a vida de um certo monge, identificado às vezes com São Paulo, o Simples (ca. 225-339), que se propusera orar sem cessar e, para isso, estabelecera trezentas orações fixas: para cada prece concluída o eremita lançava fora um dos trezentos seixos que carregava consigo no seio da túnica [13].

Como quer que seja, o uso de pedrinhas ou calhaus seria aos poucos abandonado, dando lugar, sobretudo no oriente cristão, ao «komboskini» (κομποσκοίνι) — de que trataremos noutra oportunidade —, presumivelmente obra do Abba São Pacômio de Tabenisi (ca. 292-348), pai do cenobitismo e discípulo de Santo Antão, o Grande. O antigo uso, porém, parece ter-se preservado ainda por alguns séculos no ocidente, pois há registros de que para alguns eremitas e ascetas dedicados a fazer um grande número de orações, como, por exemplo, o popular santo anglo-medieval Godric de Finchale, as lapides calculares eram o recurso mais comum e óbvio [14]. Mas o surgimento do que hoje na Igreja latina se conhece por Santo Rosário, devoção essencialmente mariana, só se processaria paulatinamente, em meio a embates entre a ortodoxia católica e a heresia albigense.

Falaremos nos próximos artigos a respeito deste rico e complexo processo em que a própria Providência divina, por meio da Santíssima Mãe de Nosso Senhor, dispensou à pobre humanidade o remédio para «as causas mais difíceis», a oração «que tem não só a simplicidade duma oração popular, mas também a profundidade teológica duma oração adaptada a quem sente a exigência duma contemplação mais madura.» [15]

Referências

  1. Catecismo da Igreja Católica (CIC), 27.
  2. V., e. g., Mircea Eliade, Tratado de História das Religiões. Trad. port. de Fernando Tomaz e Natália Nunes. 4.ª ed., São Paulo: Martins Fontes, pp. 39-40, § 11.
  3. CIC, 2566.
  4. Michael Schmaus, Teologia Dogmatica. Trad. esp. de Raimundo D. Baldrich e Lucio G. Ortega. Madrid: Rialp, 1960, vol. 1, p. 189, § 30.
  5. CIC, loc. cit.; cf. Chantepie de la Saussaye, Manual of the Science of Religion. Trad. ing. de Beatrice S. Colyer-Fergusson. Londres, Nova Iorque: Longmans, Green, and Co., 1891, pp. 71-72.
  6. V. CIC, 2567.
  7. Cf. Philipp Jaffé, Regesta Pontificum Romanorum. Berlim: Veit et socius, 1851, p. 209, n. 1866.
  8. Cf. Mircea Eliade, op. cit., pp. 216-217, § 96.
  9. Austen H. Layard, The Monuments of Niniveh. Londres: John Murray, 1853, p. [16], plate 7.
  10. Colonel H. Yule (ed.), The Book of Sir Marco Polo. Londres: John Murray, 1871, vol. 2, p. 275.
  11. São Francisco Xavier, Obras Completas. Trad. e org. de Francisco de S. Baptista. Braga, São Paulo: Editorial A. O. e Loyola, 2006, doc. 96 (29 jan. 1552), p. 566, n. 29.
  12. Cf. J. M. James, "Descriptive Notes on the Rosaries (jiu-dzu) as Used by the Differents Sects of Buddhists in Japan", in: Transactions of the Asiatic Society of Japan. Yokohama: R. Meiklejohn and Co., 1881, vol. 9, pp. 173-183; James Hastings (ed.), Encyclopædia of Religion and Ethics. Nova Iorque: Charles Scribner's Sons, 1908, vol. 10, pp. 851-852.
  13. Cf. Historia ad Lausum, c. XXIII (PG 34, 1068B); v. Cuthbert Butler, The Lausiac History of Palladius. Cambridge: Cambridge University Press, 1904, vol. 2, p. 63.
  14. Joseph Stevenson (ed.), Libellus de Vita et Miraculis S. Godrici. Londres: J. B. Nichols and Son, 1847, pp. 225-226, c. 108, § 213.
  15. João Paulo II, Carta Apostólica "Rosarium Virginis", de 16 out. 2002, n. 39 (AAS 95 [2003] 32).

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Minha jornada rumo à masculinidade: um ex-transexual conta a sua história
Testemunhos

Minha jornada rumo à masculinidade:
um ex-transexual conta a sua história

Minha jornada rumo à masculinidade: um ex-transexual conta a sua história

Abusos e confusões na infância fizeram Walt Heyer pensar que era uma mulher presa no corpo de um homem. Sua vida cheia de vícios e uma escolha precipitada mostraram que ele estava errado.

LifeSiteNews.comTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere24 de Setembro de 2015
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Em meados de 1940, Walt Heyer era só um garotinho que crescia na Califórnia, interessado em cowboys, carros e guitarras, até que, um dia, sua avó começou a fantasiar que ele queria ser uma menina. Ela ingenuamente confeccionou para seu neto um vestido roxo de seda, o qual ele passaria a usar quando a visitasse.

Mal sabia Walt que aquele vestido seria o gatilho a desencadear 35 longos anos de "tormentos, desilusões, remorsos e mágoas". A confusão com a sua identidade sexual o levaria ao alcoolismo, às drogas e até a uma tentativa de suicídio.

No auge de seus conflitos interiores, Walt recorreria a uma "cirurgia de redefinição de sexo" (uma vaginoplastia) para se parecer com uma mulher – operação da qual ele acabou se arrependendo profundamente. "Deus me fez homem, do jeito que eu era, e nenhum bisturi jamais poderia mudar isso", declarou Walt, em uma entrevista ao LifeSiteNews.com.

Hoje, resgatado por sua fé em Jesus e plenamente conformado com a sua masculinidade, Walt vive para divulgar a sua história e conscientizar as pessoas atormentadas com conflitos sexuais, para que não cometam o mesmo erro que ele cometeu.

A vergonha de ser homem

Em um livro de 2006, Trading my Sorrows, Walt relembra que o vestido roxo foi apenas a primeira de muitas influências em sua vida que o fizeram envergonhar-se de ser homem. Houve a molestação sexual que ele sofreu nas mãos de seu tio, a qual fê-lo sentir vergonha de seus órgãos genitais. Da parte de seu pai, uma disciplina rígida – praticamente indistinguível de abusos físicos – fez com que Walt se sentisse incapaz de corresponder às expectativas paternas.

Walt recorda que nunca se achava bom o suficiente para seus pais. "O que eu buscava desesperadamente era a aprovação de meus pais naquilo que eu fazia de melhor, era achar meu próprio nicho, onde eu pudesse me expressar, desenvolver meus talentos e fazer algo de que eu gostasse", ele explica, em seu livro.

O menino sem nenhuma auto-estima começou a desprezar a si mesmo e o seu corpo, passando a achar consolação em seu estranho hábito de vestir-se como menina – que ele tratou cuidadosamente de esconder dos pais. O cross-dressing tornou-se o seu lugar secreto, onde ele se sentia a salvo dos conflitos externos e das duras disciplinas aplicadas por seu pai e sua mãe.

Uma tirana dentro de si

Enquanto entrava na adolescência, Walt diz que a garota dentro de sua cabeça crescia mais poderosa e demandando mais de seu tempo. Ainda que ele gostasse de carros estilosos e saísse com belas garotas da escola, não importava o quanto ele lutasse, parecia-lhe impossível livrar-se daquela obsessão. Depois do ensino médio, Walt saiu da casa dos pais e começou a fantasiar-se na privacidade de sua própria casa. Até então, ele já tinha acumulado um número considerável de peças femininas, mas ainda se sentia profundamente envergonhado de seu hábito secreto.

Depois, Walt casou-se, ficou rico e passou a viver o "sonho americano" – pelo menos nas aparências, já que ele mantinha secretas as suas contínuas escapadelas ao mundo feminino.

Sua vida dividia-se em três diferentes personagens: a do homem de negócios bem-sucedido, mas alcoólatra; a do bom esposo e pai de família; e a do travesti transtornado. Dentro de si, porém, Walt experimentava angústia e desilusão. Tudo em sua vida começou a desmoronar.

Ele foi atrás do álcool como uma espécie de fuga, mas isso só aumentou ainda mais seu desejo de tornar-se uma mulher. Aquela tirana feminina dentro de si começou a tomar cada vez mais espaço e, para pôr fim ao seu tormento, o desesperado Walt tomaria uma decisão trágica e irreversível.

A cirurgia para mudar de sexo

Walt Heyer como "Laura Jensen".

Walt depositou todas as suas esperanças na cirurgia de mudança de sexo. Seria ela a solução a afastar permanentemente a sua dor.

Primeiro, vieram os seios, implantados por cirurgia plástica. Depois, o procedimento de que Walt mais se arrepende: a transformação cirúrgica de seu órgão reprodutor masculino na aparência de um órgão reprodutor feminino.

Walt esperava que o procedimento aliviasse o seu "debilitante estresse psicológico" e fizesse cessar, de uma vez por todas, o conflito que tirava o seu sono desde os tempos da infância. Mas, para o seu desalento, a mudança de sua genitália e de sua aparência externa não teve o mesmo efeito em seu interior.

Depois da operação, a mente de Walt converteu-se em um campo de batalha de pensamentos e desejos conflitantes, que foram se agravando e aumentando a sua crise depressiva. Todo dia após a cirurgia, ficava mais claro que ele tinha cometido um "grande erro". Seu vício no álcool e na cocaína, em uma tentativa patética de afastar a dor emocional, só fazia aumentar a sua miséria e solidão.

Agora, Walt sabia que o bisturi do cirurgião e a amputação de seus órgãos não tinham mudado a sua sexualidade. A cirurgia tinha sido uma "fraude completa". Ele sentiu que não tinha escolha, a não ser viver a vida como uma mulher artificial, uma "impostora".

A tentativa de suicídio

A essa altura, Walt tinha atingido o fundo do poço. A operação havia destruído a sua identidade, a sua família, o seu círculo social e a sua carreira. Desesperado, ele não via mais nada a fazer, senão abraçar a morte. Walt – agora, "Laura Jensen" – tentou saltar de uma cobertura, mas foi impedido por alguém que passava.

Desabrigado e sem dinheiro, aquele "transexual" terminaria vivendo nas ruas, não fosse a ajuda de um bom samaritano, que lhe deu lugar para dormir em sua garagem. Esse novo amigo encorajou Walt a participar dos Alcoólicos Anônimos. Ele aceitou o desafio e, naquele grupo motivacional, percebeu que precisava recorrer a um "poder superior", caso quisesse sair da confusão em que tinha se metido. Estava cada vez mais clara para ele a sua identidade masculina. Ele não era "Laura", mas tão somente um homem envolto numa "fantasia de mulher".

"Eu estava bem consciente de que era agora a escória da humanidade, um marginal, com uma existência descartada e distorcida por minhas próprias escolhas. O álcool, as drogas e aquela cirurgia tornaram-me um inútil para os outros. Eu tinha falhado miseravelmente como o homem que Deus me tinha criado para ser."

Saindo do vale das trevas

Através da ajuda de alguns amigos cristãos, Walt começou uma jornada rumo à cura e à descoberta de sua verdadeira identidade masculina. A primeira chave para vencer a batalha que ardia dentro dele era a sobriedade. Pouco a pouco, ele foi abandonando a bebida e se voltou à religião cristã como nova fonte de força.

Uma vez, durante um momento de oração com seu psicólogo cristão, Walt diz ter experimentado espiritualmente o Senhor, todo vestido de branco, que se aproximou dele com os braços estendidos, abraçou-o com força e disse: "Agora, você está seguro comigo, para sempre". Nesse momento, ele descobriu que só encontraria a cura e a paz que tanto desejava em Jesus Cristo.

Em entrevista a LifeSiteNews.com, Walt conta que aqueles que lutam com sua identidade sexual e acham que a cirurgia de sexo é uma solução "precisam ir a um psicólogo ou psiquiatra, começar uma terapia e cavar bem fundo para investigar o que está causando o seu desejo, porque, nesse assunto, sempre há uma raiz psicológica ou algum caso psiquiátrico não resolvido e que precisa ser explorado".

"É possível levar um ano explorando e tentando entender o que está acontecendo, até que a pessoa aceite o seu sexo e queira viver o projeto que Deus deu preparou para ela", ele diz.

Agora, como um senhor, Walt acredita que, se pudesse voltar no tempo e dar alguns conselhos para si mesmo enquanto jovem, ele diria àquele rapaz imaturo que evitasse a cirurgia de mudança de sexo e procurasse descobrir a raiz oculta em sua vontade de operar-se.

Walt acredita que a sua história testemunha o poder da esperança, ensina que nunca se deve desistir de alguém, não importa quantas vezes ele ou ela caia ou quantas curvas e reviravoltas haja no caminho da recuperação. Acima de tudo – ele diz –, nunca se deve "subestimar o poder de cura da oração e do amor que está nas mãos do Senhor".

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