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Para onde está nos levando o culto da mudança?
DoutrinaFé e Razão

Para onde
está nos levando o culto da mudança?

Para onde
está nos levando o culto da mudança?

Para quem crê, o que vem primeiro não é a mudança, mas a imutabilidade. Para nós, o progresso é medido não pelo acesso à água potável, à eletricidade ou à internet sem fio, mas pelas “três idades da vida interior”.

Peter KwasniewskiTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere12 de Março de 2019
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O ato de mudar constantemente é exaltado pela modernidade. Romantizam-se em nossa época a variedade, o desenvolvimento, o progresso, a novidade. A evolução é vista como um paradigma do conhecimento e da realidade como um todo. Aqueles que se apegam à sabedoria perene, a verdades permanentes, à moral tradicional, à herança cultural dos antepassados, a monumentos artísticos, a ritos e costumes consolidados, são tidos como ultrapassados, limitados, fora de moda, atrasados. Eles não “seguem o fluxo”, não “acompanham os tempos”, caminham “na contramão da história”.

Se observarmos, porém, a história da filosofia, da ciência e da religião modernas, veremos para onde o culto da mudança nos levou: à própria rejeição do princípio da não-contradição (segundo o qual uma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo); na mesma linha, à rejeição das essências imutáveis das criaturas, enraizadas no logos eterno de Deus; à rejeição do sentido, de modo que nada possui significado nem significância; à rejeição pelo ser humano de sua condição de criatura e, portanto, de sua dependência e passividade; à rejeição da Revelação divina definitiva transmitida, por meio de Cristo, à natureza humana e a cada indivíduo, para a sua salvação.

Em todos esses caminhos, o movimento da modernidade só no que tem dado é um abismo profundo, um fosso do qual ela não consegue sair: uma corrida selvagem, desesperadora e sem sentido por poder, posses e prazeres, até que as pessoas morram com o conforto vazio dos analgésicos. A modernidade é como uma reductio ad absurdum cósmica, uma demonstração do que acontece quando Deus é esquecido — Deus, que dá sentido a todas as coisas, inclusive ao sofrimento e à morte. Nós estamos testemunhando em primeira mão o que acontece quando as pessoas tentam viver sem referência a um horizonte eterno, a uma verdade que nós não inventamos, a uma bondade que nós fomos feitos para amar e a uma beleza que fomos criados para procurar.

Mas não surpreende que “o mundo” — o mundo apartado de Deus, sobre o qual Nosso Senhor e seus Apóstolos falam em termos tão fortes como se fosse o próprio oposto dEle — pense e se comporte dessa maneira. O mundo segue o príncipe deste mundo, o qual pronunciou o primeiro non serviam a introduzir o egoísmo, a discórdia, a feiúra, o ódio e a anarquia no universo que Deus havia criado em perfeita ordem. O que assusta, o que escandaliza, no sentido exato da palavra, é quando os próprios administradores da Igreja — homens aos quais sacramentalmente foi confiado o ofício de ensinar, reger e santificar as ovelhas de Cristo — começam a pensar e a agir dessa forma, imperceptivelmente escapulindo para o non serviam de Lúcifer.

A decadência rumo ao demoníaco está acontecendo hoje no non serviam dos que rejeitam a doutrina inequívoca de Nosso Senhor nos Evangelhos sobre a indissolubilidade do matrimônio e a necessidade de não se lançar a pérola da Eucaristia à vara dos impenitentes; no non serviam dos que ousam convidar não-católicos ao banquete sacrificial que representa a própria unidade do Corpo Místico de Cristo; no non serviam, enfim, dos que tratam a liturgia como propriedade sua, alterando-a por mero capricho, ao invés de guardá-la como a preciosa herança dos santos, providencialmente transmitida a nós para a santificação de nossas próprias almas.

É aí que nós vemos como o demônio nunca dorme. Não estando em paz com Deus, ele não se cansa de procurar agitar-nos, afastando-nos do Deus imutável que é nossa fortaleza, nossa segurança, nossa rocha de refúgio, nosso salvador, nosso protetor, nossa força invencível. A batalha da vida espiritual acontece não “lá fora” no mundo, mas bem aqui no meu coração, no seu coração. Perderemos a nossa paz enquanto o mundo está em chamas? Deixaremos nós o único porto onde há segurança, atraídos ao mar aberto onde é certo que perderemos? Tornar-nos-emos tão preocupados com a luta a ponto de esquecer a vitória imortal já conquistada e partilhada conosco no banquete celeste da Sagrada Comunhão? Cairemos no mais sutil de todos os erros — a saber, que se a Igreja parece vacilar e cair, então deve ser porque Cristo não mais é capaz de nos salvar —, como se nosso olhar finito e falível sobre o mundo pudesse realmente mensurar o que está acontecendo no vasto e invisível domínio dos anjos e das almas?

“O mistério da iniquidade já está em ação”, escreve São Paulo em sua Segunda Carta aos Tessalonicenses (2, 7), e a isso acrescenta São João: “O dragão se irritou contra a mulher e foi fazer guerra ao resto de sua descendência, aos que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus” (Ap 12, 17). O dragão do non serviam faz guerra contra aquela que disse: “Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua Palavra” (Lc 1, 38) — tua Palavra imortal, imutável, irrefutável e invencível.

A fé cristã vê a mudança de modo fundamentalmente diferente de como a vê a modernidade. Para quem crê, o que vem primeiro não é a mudança, mas a imutabilidade. Para nós, o progresso é medido não pelo acesso à água potável, à eletricidade ou à internet sem fio, mas pelas “três idades da vida interior”: a via purgativa, a iluminativa e a unitiva. A única novidade que conta é a de Cristo, novo Adão, no qual fomos batizados e até cuja estatura somos chamados a crescer através de uma contínua conversão (cf. Ef 4, 13). As mudanças são boas apenas quando se subordinam ao fim de transformar nossos vícios em virtudes, nossa alienação de Deus em amizade com Ele. Qualquer outra mudança é, na melhor das hipóteses, acidental e, na pior, destrutiva e feita para nos distrair.

A fé cristã, que é a continuação e o complemento da fé hebraica, é baseada em três realidades imutáveis: o Deus uno e simples, trino e bem-aventurado, Pai, Filho e Espírito Santo; a união hipostática da divindade e da humanidade em Jesus Cristo, uma aliança ontológica que não pode ser quebrada jamais; e o depósito da fé confiado pelo mesmo Cristo a seus Apóstolos, e destes a seus sucessores até o fim dos tempos. O depósito da fé não muda e não mudará jamais.

São Vicente de Lérins, em seu grande Commonitorium, escrito no século V, introduz dois termos contraditórios e explica sua diferença precisa:

  • a primeira palavra, profectus, se refere a um avanço na formulação de algo em que acreditamos, uma articulação de algo já sabido como verdadeiro mas ainda não expresso com toda a plenitude de que é capaz a mente humana quando guiada pela fé e inspirada pelo Espírito Santo;
  • a outra palavra, permutatio, significa uma mudança, uma distorção, um desvio do original.

São Vicente insistia que a fé verdadeira da Igreja admite profectus, mas nunca permutatio. É possível investigar profundamente o nexus mysteriorum, o nexo que existe entre os mistérios da fé, e contemplar o brilho de novos aspectos de beleza, mas não se pode jamais tirar um coelho de uma cartola — ou uma pomba de uma mitra, alguém poderia dizer. Isso é assim porque, como bem explica o prof. Michael Pakaluk:

As teorias de desenvolvimento existem para estabelecer identidade de doutrina, não diferença. […] Newman, quando demonstrou seu argumento de forma dedutiva e em latim, para teólogos em Roma, depois de sua conversão, afirmou que, objetivamente, a doutrina é dada de uma vez por todas na revelação de Cristo, e ela nunca muda. Nossa recepção subjetiva da doutrina pode mudar, mas ela não o pode fazer nunca de um modo que faça parecer uma mudança no conteúdo objetivo da mesma.  […] É claro que nenhuma contradição pode ser propriamente descrita como um desenvolvimento, assim como um machado posto à raiz de uma árvore não pode fazê-la “desenvolver-se”.

O que São Vicente de Lérins afirma sobre a doutrina também inclui os princípios da moral cristã, sobretudo a realidade das ações intrinsecamente más — ações que não poderão ser boas jamais, seja qual for a intenção que lhes subjaza, sejam quais forem as circunstâncias. A Igreja tem sido absolutamente clara em relação a esses atos, seguindo fielmente seu divino Mestre. Houve profectus, como vemos no ensinamento de Papas modernos como Pio XII e João Paulo II, mas nunca permutatio, com os mandamentos sendo virados do avesso e de cabeça para baixo. A lei da caridade, do ato bom e agradável a Deus, assim como a lei da fé que governa nosso assentimento à verdade, é imutável.

A crise na Igreja, como tão bem explica a encíclica Veritatis Splendor, é uma crise de fé e de caridade — uma crise de adesão à verdade revelada, uma crise de vontade de viver a verdade, sofrer por ela, morrer por ela. Essa, de uma forma ou de outra, é sempre a batalha entre o non serviam de Satanás e o “não se faça a minha vontade, mas a tua” de Cristo; entre a liberdade destrutiva do pecado e a liberdade edificante da obediência; entre a excitação enfadonha da mudança perpétua e o romance realizador do amor divino. É certo que a guerra entrou em uma nova fase, e com uma nova intensidade, mas Cristo Nosso Senhor é o mesmo, sua verdade permanece e sua vitória é certa.

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Uma lição do Cardeal Newman para tempos obscuros
Doutrina

Uma lição do Cardeal Newman
para tempos obscuros

Uma lição do Cardeal Newman
para tempos obscuros

A verdade que esquecemos? Que a Igreja tem uma doutrina que cresce, mas sem deixar de ser a mesma. O risco que corremos? Tornarmo-nos protestantes.

Equipe Christo Nihil Praeponere8 de Março de 2019
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Em tempos de grande confusão doutrinal como os nossos, em que se multiplicam as ideias religiosas que deformam a fé recebida dos Apóstolos, poucas coisas são tão importantes quanto compreender em que consiste o autêntico “desenvolvimento da doutrina cristã” ao longo dos séculos.

Permitam-nos explicar, em primeiro lugar, do que mais exatamente gostaríamos de falar, partindo da biografia de um egresso do anglicanismo: o beato John Henry Newman. O que fez esse homem se tornar católico, com muita simplicidade, foi a sua busca incessante da Verdade. Newman, ao perceber que as descobertas advindas de seu estudo — principalmente de seu contato com a história do cristianismo primitivo — contrariavam a fé anglicana da qual ele sempre fora adepto, não hesitou em mudar o caminho que estava trilhando e começar uma rota totalmente diferente.

Uma obra marcante nesse processo de conversão foi o Essay on the Development of the Christian Doctrine (infelizmente, sem tradução para o português), em cuja introdução ele deixa bem claro que “aprofundar-se em história é deixar de ser um protestante”: “O que quer que ensine a história, o que quer que ela omita, o que quer que ela venha a exagerar ou extenuar, dizer ou desdizer, o cristianismo histórico ao menos protestantismo não é”.

Quando começou a escrever essa obra, no entanto — como bem lembrado pelo Cardeal Müller —, Newman ainda pertencia à comunhão anglicana. A religião de Henrique VIII era vista por ele como uma via media entre o catolicismo romano e o protestantismo, uma alternativa que não abraçava a Tradição por inteiro, mas também não a abandonava por completo.

O Cardeal Newman, em pintura de John Everett Millais.

O homem, no entanto, não estava satisfeito com o “caminho mediano” que estava seguindo. Suas decepções com aspectos internos da Igreja Anglicana, que já no século XIX tendia fortemente ao que Newman chamava “liberalismo em matéria religiosa”, deixavam-no permanentemente inquieto. (Mais detalhes a esse respeito podem ser lidos em seu célebre Discurso do “Biglietto”.)

Uma coisa, porém, o impedia de abraçar o catolicismo (e foi justamente esse problema que ele resolveu no ensaio supracitado): como conciliar a pregação cristã dos primeiros séculos com os “acréscimos” posteriores feitos pelos Papas e Concílios? De onde vieram, por exemplo, o dogma da transubstanciação, o batismo de crianças, a Comunhão sob uma só espécie, a supremacia papal e tantas outras doutrinas e práticas que a Igreja Católica foi confirmando e determinando ao longo da história?

Percebam que esta não é uma questão ociosa. Uma das principais acusações que as miríades de seitas protestantes lançam hoje contra a Igreja é justamente a de que ela teria “adulterado” as Sagradas Escrituras, acrescentando e retirando indevidamente mandamentos e proibições da doutrina de Cristo. Como responder a essas acusações?

Reconheçamos, em primeiro lugar, que houve, sim, desde os tempos apostólicos até hoje, um verdadeiro desenvolvimento doutrinal no seio da Igreja Católica. Jesus Cristo não entregou a seus discípulos um Denzinger ou um “Manual de Teologia Dogmática” contendo, tintim por tintim, todos os desdobramentos de sua pregação. Esses detalhes não estão “escritos” na Bíblia como gostariam os adeptos do sola Scriptura, mas estão contidos, sim, nos Livros Sagrados, do mesmo modo como a árvore está na semente [1], mas só aos poucos vai mostrando a sua forma e atingindo a plenitude do seu crescimento (cf. Mc 4, 30-32).

É natural que seja assim porque, explica o Cardeal Newman,

se o cristianismo é uma religião universal, cabível não apenas em um local ou período, mas em todos os tempos e lugares, ele não pode senão variar em suas relações com o mundo à sua volta, o que significa que ele irá se desenvolver. Princípios requerem uma aplicação bem variada à medida que variam as pessoas e as circunstâncias, e devem assumir novas formas de acordo com a forma de sociedade que estão para influenciar. Assim, todas as sociedades cristãs, ortodoxas ou não, desenvolvem as doutrinas da Escritura [2].

A pergunta que precisa ser feita, portanto — e é este o trabalho da teologia e da investigação histórica —, é se os desenvolvimentos deste ou daquele ramo do cristianismo estão de acordo com o “tronco” original fixado pelo próprio Cristo, isto é, se são “desenvolvimentos” de verdade ou se não passam de “corrupções” da doutrina ensinada pelo Salvador. O desafio está em discernir o verdadeiro do falso, o trigo do joio, por assim dizer.

Para este processo de discernimento, Newman estabeleceu a partir da história da Igreja sete regras, bastante úteis como resposta não só aos protestantes, mas também aos “católicos” de nossa época que, ou desconhecem a verdadeira doutrina da Igreja, ou procuram de todos os modos subvertê-la.

Segundo Newman, uma autêntica “evolução” da doutrina cristã deveria levar em conta, por exemplo, aspectos como a identidade de tipo e a continuidade de princípios.

Para fazer de um livro inteiro um breve parágrafo, digamos simplesmente que, assim como um grão de mostarda não pode se tornar uma laranjeira, ou assim como o que é hoje não pode não ser amanhã, o corpo doutrinal dos cristãos deve permanecer em essência e nos princípios o mesmo, desde a sua origem até a consumação dos tempos. Afinal, “o céu e a terra passarão”, palavras de Nosso Senhor [3], “mas minhas palavras não passarão” (Mc 13, 31).

Por exemplo: se Cristo disse que sua carne era verdadeira comida e seu sangue, verdadeira bebida (cf. Jo 6, 55); se desde o princípio os cristãos acreditavam que no pão e no vinho consagrados na Missa estavam realmente presentes o Corpo e o Sangue de Cristo; se o fomento da piedade eucarística fez um Santo Tomás de Aquino, no século XIII, compor hinos belíssimos a este sacramento, como um Pange lingua e um Adoro te devote, não pode ser que, do século XVI em diante, a Eucaristia de repente se transforme para os cristãos em uma mera ceia “simbolizando” a presença de Cristo… Uma “evolução” desse tipo não é desenvolvimento algum, mas corrupção.

Ainda outro exemplo. Se Jesus ensinou que “quem repudia sua mulher e se casa com outra, comete adultério contra a primeira” (Mc 10, 11); se São João Batista, enquanto Cristo ainda vivia neste mundo, perdeu a própria vida por causa desta verdade e, com ele, no século XVI, São João Fischer e São Thomas More derramaram o próprio sangue para não aceitar os sucessivos casamentos de Henrique VIII, não é possível que nós simplesmente decretemos — sejam quais forem os subterfúgios de que queiramos nos servir — que “agora mudou”, porque “os tempos são outros” e nós “somos Igreja do novo milênio”... Ora, que sejamos deste ou daquele milênio pouco importa; a verdade é que nós só seremos Igreja se continuarmos a crer no que creram os católicos de todos os tempos e lugares (quod ubique, quod semper, quod ab omnibus creditum est, na fórmula já consagrada de São Vicente de Lérins).

Que risco corremos se nos esquecermos disso? O risco de transmitir às pessoas uma doutrina em que mexemos tanto, que “adaptamos” tanto, que ela acabou se tornando mais nossa que de Cristo; o risco de afastar as pessoas do único caminho da salvação, que não somos nós, mas Cristo; o risco, enfim, de nos tornarmos mais uma entre as tantas seitas protestantes que hoje pululam no mundo inteiro.

Lembremo-nos sempre, portanto, que um só é o nosso mestre: Cristo Jesus (cf. Mt 23, 10); que ninguém pode pôr um fundamento diferente deste (cf. 1Cor 3, 11); e que, mesmo se alguém nos anunciasse um evangelho diferente do que nos anunciaram os Apóstolos e a fé da Igreja de dois mil anos, “que ele seja anátema” (Gl 1, 8).

O bem-aventurado John Henry Newman compreendeu bem essas verdades. E por isso mesmo cruzou o Tibre.

Referências

  1. Essa comparação nós a tomamos emprestada do Cardeal Newman, Development (I, 2, 16), London, New York, and Calcutta: Longmans, Green, and Co., 1909, p. 73.
  2. Development (I, 2, 3), London, New York, and Calcutta: Longmans, Green, and Co., 1909, p. 58.
  3. Uma explicação sistemática do tema da “evolução do dogma” pode ser encontrada em: Ludwig Ott, Manual de Teología Dogmática, 7.ª ed., Barcelona: Herder, 1969, pp. 32-35.

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Um pouco da vida de Santa Francisca Romana
Santos & Mártires

Um pouco da vida de
Santa Francisca Romana

Um pouco da vida de
Santa Francisca Romana

Mulher forte, como a da Sagrada Escritura, “a mais romana de todas as Santas” iluminou as almas e socorreu os necessitados num dos mais conturbados períodos da história da Igreja.

Ir. Juliane Vasconcelos Almeida Campos, EP8 de Março de 2019
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O Divino Salvador instituiu Sua Igreja sobre alicerces bem seguros: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16, 18). Mas, ao longo da História, as forças infernais não deixaram de investir contra essa rocha inabalável.

Uma dessas investidas teve início com as agitações políticas e sociais que forçaram o Papa Clemente V a transferir, em 1309, a sede do Papado para a cidade francesa de Avignon, onde os sucessores de Pedro permaneceram até 1376. Foi um longo período de conturbações que culminaram no Grande Cisma do Ocidente (1378-1417).

A eclosão do Cisma veio agravar ainda mais a situação, a ponto de a Cidade Eterna ficar reduzida a uma situação de miséria, açoitada por guerras, carestia e pestes. Nesse contexto, destacou-se como luminoso anjo da caridade uma jovem dama da alta nobreza: Santa Francisca Romana, a qual, por sua prodigiosa atividade em favor dos pobres e doentes, conquistou o honroso título de Advocata Urbis (Advogada da Cidade).

Piedade precoce

Nascida em 1384, Francisca pertencia a uma rica família de patrícios romanos. Seus pais, Paulo Bussa de Leoni e Jacovella de Broffedeschi, proporcionaram-lhe uma primorosa educação cristã. Desde a mais tenra idade, acompanhava a mãe nas práticas de piedade, como abstinências, orações, leituras espirituais e visitas a igrejas onde pudessem lucrar indulgências.

Frequentava muito a Basílica de Santa Maria Nova, a preferida de sua mãe, confiada aos monges beneditinos de Monte Olivetto. Ali, Francisca começou a receber, ainda criança, direção espiritual de Frei Antonio di Monte Savello, com quem se confessava todas as quartas-feiras.

Aos onze anos, manifestou o desejo de consagrar-se a Deus pelo voto de virgindade. Sua inclinação para a vida monástica se fez notar quando — a conselho do diretor espiritual, para provar a autenticidade de sua vocação — começou a praticar em casa algumas austeridades próprias a certas ordens religiosas femininas. Seu pai, porém, opôs-se a esses infantis projetos, pois ela estava já prometida em casamento a Lourenço Ponziani, jovem de nobre família, bom caráter e grande fortuna.

Esposa exemplar

Francisca foi sempre esposa exemplar. Por desejo do marido, apresentava-se em público com a categoria de dama romana, usando belas joias e suntuosos trajes. Mas debaixo deles vestia uma tosca túnica de tecido ordinário. Dedicava à oração suas horas livres, e nunca negligenciava as práticas de vida interior. Transformou em oratório um salão do palácio e aí passava longas horas de vigília noturna, acompanhada por Vanozza. Era objeto de mofa das pessoas mundanas, mas sua família a considerava um “anjo da paz” [1].

Os desígnios da Providência

Três anos após seu casamento, contraiu uma grave enfermidade que se prolongou por doze meses, deixando temerosos todos os membros da família. Francisca, porém, não temia, pois colocara sua vida nas mãos de Deus, com inteira resignação. Nesse período de prova, por duas vezes apareceu-lhe Santo Aleixo. Na primeira, perguntou-lhe se queria curar-se, e na segunda comunicou-lhe que “Deus queria que permanecesse neste mundo para glorificar seu nome” [2]. Colocando então seu manto dourado sobre ela, restituiu-lhe a saúde.

Essa enfermidade, contudo, a fizera meditar profundamente sobre os planos da Providência a seu respeito. E uma vez restabelecida, decidiu, com Vanozza, levar uma vida mais conforme ao Evangelho, renunciando às diversões inúteis e dedicando mais tempo à oração e às obras de caridade.

Proteção do Anjo, ataques do demônio

Foi nessa época que Deus enviou-lhe um Anjo especial para guiá-la na via da purificação. Ela não o via, mas ele estava constantemente a seu lado e se manifestava por meio de sinais claros. Além de amigo e conselheiro, era vigilante admoestador, que a castigava quando ela cometia qualquer pequena falta. Certa vez em que Francisca, por respeito humano, não interrompeu uma conversa superficial e frívola, ele aplicou-lhe na face um golpe tão forte que deixou sua marca por vários dias e foi ouvido na sala inteira!

O demônio empreendia todo tipo de esforços para perturbar a vida e, sobretudo, impedir a santificação de Francisca. Como a Santa sempre triunfava de suas tentações, ele recorria com frequência a ataques diretos. Assim, em certa ocasião ela e Vanozza retornavam da Basílica de São Pedro e decidiram tomar um atalho, pois já era tarde. Chegando à margem do Tibre, inclinaram-se para tomar um pouco de água. Empurrada por uma força invisível, Francisca caiu no rio. Vanozza lançou-se para salvá-la e foi também arrastada pela correnteza. Sentindo em perigo suas vidas, recorreram a Deus e no mesmo instante se viram de novo na margem, sãs e salvas.

Modelo de mãe e de dona de casa

Quando em 1400 nasceu seu primeiro filho, João Batista, não duvidou em deixar algumas de suas mortificações e exercícios piedosos, para melhor cuidar do menino. Ao carinho materno, unia a firmeza da boa educadora, corrigindo-o em suas infantis manifestações de teimosia, obstinação e cólera, sem nunca ceder às suas lágrimas de impaciência. Foi modelo de mãe igualmente para João Evangelista e Inês, que nasceram alguns anos depois.

Seu Anjo ajudou-a a levar sua vida matrimonial com amor e dedicação, tanto para o esposo quanto para os filhos. Cumpria com perfeição seu ofício de dona de casa, compreendendo que os sacrifícios impostos pelas tarefas cotidianas fazem parte da purificação necessária nesta vida e têm prioridade sobre as mortificações particulares. Desempenhou-se de tal maneira que, em 1401, quando faleceu a esposa do velho Ponziani, seu sogro, este incumbiu-a do governo do palácio. Nessa função, a jovem senhora demonstrou grande capacidade, inteligência e, sobretudo, bondade.

Organizou os trabalhos da numerosa criadagem de modo a todos terem tempo de cumprir seus deveres religiosos. Assistia-os em suas necessidades materiais e os incentivava a levar uma vida verdadeiramente cristã. Quando algum deles adoecia, Francisca se fazia de enfermeira, mãe e irmã. E se a enfermidade acarretava perigo de vida, ela mesma ia buscar a assistência espiritual de um sacerdote, a qualquer hora do dia ou da noite.

Prodígios realizados em vida

“Santa Francisca Romana dando esmolas”, de Giovanni Battista Gaulli.

Por volta de 1413, a fome se abateu sobre Roma. O sogro de Francisca alarmou-se ao ver que ela conti­nuava muito generosa em ajudar os necessitados… distribuindo-lhes parte das provisões que ele reservara para sustento da família, e proibiu-a de fazê-lo. Não podendo mais a caridosa dama dispor daqueles víveres para socorrer os famintos, começou a pedir esmolas para eles. E certo dia, tomada de súbita inspiração, foi com Vanozza a um celeiro vazio do palácio para procurar o que pudesse ter restado de trigo no meio da palha. À custa de paciente trabalho, conseguiram recolher alguns poucos quilos do desejado grão. Coisa admirável: logo após a saída das duas, Lourenço, seu esposo, entrou no celeiro e lá encontrou 40 sacos contendo, cada um, 100 quilos de trigo dourado e maduro!

Idêntico prodígio se deu na mesma época: querendo levar aos pobres um pouco de vinho, Francisca recolheu a escassa quantidade que restava no fundo de um tonel e no mesmo instante este encheu-se milagrosamente de um excelente vinho.

Esses prodigiosos fatos muito contribuíram para suscitar em Lourenço um temor reverencial e amoroso por sua esposa. Em consequência, ele lhe deu liberdade de dispor de seu tempo para suas obras apostólicas e lhe permitiu trocar seus belos trajes e joias — os quais ela apressou-se a vender para distribuir aos pobres o dinheiro — por roupas simples e pouco vistosas.

Guerras e provações

Muitas provações ainda a aguardavam. A situação política da Península Itálica e a crise decorrente do Grande Cisma do Ocidente acarretaram-lhe muitos sofrimentos. Roma estava dividida em dois grupos que travavam encarniçada guerra: a favor do Papa, os Orsini, de cuja facção Lourenço fazia parte; de outro lado, os Colonna, apoiando Ladislau Durazzo, rei de Nápoles, que invadiu Roma três vezes. Na primeira invasão, Lourenço foi gravemente ferido em combate, sendo curado pela fé e dedicação da esposa. Na segunda, em 1410, as tropas saquearam o palácio dos Ponziani, e os bens da família foram confiscados. Pior ainda, Francisca viu seu esposo e seu filho Batista partirem para o exílio.

Em 1413 e 1414, a capital da Cristandade ficou entregue à pilhagem e reduzida à miséria. Um novo flagelo, a peste, veio agravar essa situação. A Santa transformou o palácio em hospital e cuidava pessoalmente das vítimas da terrível doença. Era um anjo da caridade naquela infeliz cidade assolada pelo infortúnio.

Sua própria família não ficou imune a essa tragédia: em 1413 morreu Evangelista, seu filho mais novo, e no ano seguinte a pequena Inês. Por fim, ela também contraiu a doença, mas foi milagrosamente curada por Deus.

Visões e dons sobrenaturais

Ainda em 1413, apareceu-lhe seu filho falecido havia pouco, tendo a seu lado um jovem do mesmo tamanho, parecendo ser da mesma idade, mas muito mais belo.

— És realmente tu, filho do meu coração? — perguntou ela.

Ele respondeu que estava no Céu, junto com aquele esplendoroso Arcanjo que o Senhor lhe enviava para auxiliá-la em sua peregrinação terrestre.

— Dia e noite o verás ao teu lado e ele te assistirá em tudo — acrescentou.

Aquele Espírito celestial irradiava uma tal luz que Francisca podia ler ou trabalhar à noite, sem dificuldade alguma, como se fosse dia. E lhe iluminava o caminho quando precisava sair à noite. Na luz desse Arcanjo, ela podia ver os pensamentos mais íntimos dos corações. Recebeu, ademais, o dom do discernimento dos espíritos e o de conselho, os quais usava para converter os pecadores e reconduzir os desviados ao bom caminho.

Deus a favoreceu com numerosas outras visões. As mais impressionantes foram as do inferno. Viu em pormenores os suplícios pelos quais são punidos os condenados, de acordo com os pecados cometidos. Observou a organização hierárquica dos demônios e as funções de cada um na obra de perdição das almas, uma paródia da hierarquia dos Coros Angélicos. Lúcifer é o rei do orgulho e o chefe de todos. Viu ainda como os atos de virtude praticados pelos bons atormentam essas miseráveis criaturas e prejudicam sua ação na terra.

Vida de apostolado

Tendo falecido o rei Ladislau, restabeleceu-se a paz na Cidade Eterna, seu esposo e seu filho Batista regressaram do exílio, e a família Ponziani recuperou os bens injustamente confiscados.

Por meio de orações e boas palavras, a Santa conseguiu convencer Lourenço a reconciliar-se com seus inimigos e a entregar-se a uma vida de perfeição. E após o casamento do filho, entregou à nora — convertida por ela — o governo do palácio para dedicar-se inteiramente às obras de caridade e de apostolado.

Lourenço deixou-a livre para fundar uma associação de religiosas seculares, com a condição de continuar vivendo no lar e não parar de guiá-lo no caminho da santidade. Orientada por seu diretor espiritual, fundou uma sociedade denominada Oblatas da Santíssima Virgem, segundo o modelo dos beneditinos de Monte Olivetto. Em 15 de agosto de 1425, Francisca e outras nove damas fizeram sua oblação a Deus e a Maria Santíssima, mas sem emitir votos solenes. Vivia cada qual em sua casa, seguindo os conselhos evangélicos, e se reuniam na igreja de Santa Maria Nova para ouvir as palavras de sua fundadora, que para elas era guia e modelo a imitar.

Alguns anos depois, ela recebeu a inspiração de transformar essa sociedade em congregação religiosa. Adquiriu o imóvel de nome Tor de’ Specchi e, em março de 1433, dez Oblatas de Maria foram revestidas do hábito e ali se estabeleceram, em regime de vida comunitária. Em julho desse mesmo ano, o Papa Eugênio IV erigiu a Congregação das Oblatas da Santíssima Virgem, nome mudado posteriormente para Congregação das Oblatas de Santa Francisca Romana. Era uma instituição nova e original para seu tempo: religiosas sem votos, sem clausura, mas de vida austera e dedicadas a um genuíno apostolado social.

Comprometida como estava pelo matrimônio, somente depois da morte do esposo, em 1436, Francisca pôde afinal realizar o maior desejo de sua vida: fazer-se religiosa. Entrou como mera postulante na congregação por ela fundada. Mas foi obrigada — pelo capítulo da comunidade e pelo diretor espiritual — a aceitar os encargos de superiora e fundadora.

Viu o Céu aberto e os Anjos vindos para buscá-la

Viveu no convento apenas três anos. Em 1440, viu-se forçada a retornar ao palácio Ponziani para cuidar de seu filho, gravemente enfermo. Atingida por uma forte pleurisia, ali permaneceu, por não ter mais forças. Soube então que havia chegado seu derradeiro momento. Padeceu terrivelmente durante uma semana, mas pôde dar seus últimos conselhos às suas filhas espirituais e despedir-se delas.

No dia 9 de março, depois de agradecer a seu diretor, o Padre Giovanni, em seu nome e no da comunidade, quis rezar as Vésperas do Ofício da Santíssima Virgem. Com os olhos muito brilhantes, dizia estar vendo o Céu aberto e haverem chegado os Anjos para buscá-la. Com um sorriso iluminando-lhe a face, sua alma deixou esta Terra.

Ao elevá-la às honras dos altares, em maio de 1608, o Papa Paulo V qualificou-a de “a mais romana de todas as Santas” [3]. E o Cardeal São Roberto Belarmino, que contribuíra decisivamente, com seu voto, para a canonização, declarou no Consistório: “A proclamação da santidade de Francisca será de admirável proveito para classes muito diferentes de pessoas: as virgens, as mulheres casadas, as viúvas e as religiosas” [4].

Quatro séculos depois, o Cardeal Angelo Sodano traçava dela este quadro: “Lendo sua vida, parece que nos deparamos com uma daquelas mulheres fortes, das quais estão repletos os Livros Sagrados e as páginas da História da Igreja. […] Mulher de ação, Francisca hauria, contudo, de uma intensa vida de oração a força necessária para seu apostolado social” [5].

Precioso conselho para todos nós: é “de uma intensa vida de oração” que nos vem a força para levar avante nossas obras de apostolado. (Revista Arautos do Evangelho, Março/2009, n. 87, pp. 30-33)

Referências

  1. Pe. Luis M. Pérez Suárez. Santa Francisca Romana, in: Año Cristiano, Madrid: BAC, 2003, p. 173.
  2. Idem, ibidem.
  3. Tor de’ Specchi, Monastero delle Oblate di S. Francesca Romana — Venerazione e culto.
  4. Pe. Luis M. Pérez Suárez, op. cit., p. 185.
  5. Card. Angelo Sodano. Homilia por ocasião da festa de Santa Francisca Romana, 5 mar. 2005.

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Uma devoção para a terça de carnaval
Liturgia

Uma devoção para a terça de carnaval

Uma devoção para a terça de carnaval

A todos os sacerdotes que quiserem reparar os inúmeros pecados que se cometem no carnaval, fica aqui uma piedosa sugestão: rezar nesta terça uma Missa votiva em honra à Sagrada Face de Nosso Senhor.

Equipe Christo Nihil Praeponere4 de Março de 2019
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A festa em honra à Sagrada Face de Nosso Senhor foi instituída pelo Papa Pio XII em 1958 e deixou de constar no calendário da atual liturgia.

Mas nem por isso deixou de ser possível celebrá-la diante do altar do Senhor. Assim, os sacerdotes que desejarem, sempre poderão rezar a Missa votiva em honra à Sagrada Face, especialmente às terças-feiras, e mais especialmente ainda na terça-feira que precede o tempo da Quaresma. O formulário dessa celebração encontra-se abaixo:

Na verdade, sendo a reparação às ofensas cometidas contra a Sagrada Face de Nosso Senhor a principal razão de ser desta devoção, o correto seria dizer que nunca como em nosso tempo ela foi tão necessária, ainda mais no período do carnaval, em que o pecado desfila publicamente nas ruas de nossas cidades e nos televisores de nossas casas.

Para termos uma ideia de quão grave é a situação em que se encontra o mundo nesses dias, não precisaríamos recorrer sequer às revelações privadas que abundam em nosso século a esse respeito (e nas quais a devoção à Sagrada Face encontra-se especialmente fundada)… Bastar-nos-ia lembrar o Evangelho e a palavra do Apóstolo, segundo a qual “nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes hão de possuir o Reino de Deus” (1Cor 6, 10).

Ora, diante das notícias que chegam até mesmo aos que procuram evitar os meios de comunicação nesses dias, como não ver nessa lista, escrita a quase dois milênios de distância, senão uma descrição exata dos festejos carnavalescos atuais? E quando, alguns versículos adiante, São Paulo diz aos cristãos: “Empti enim estis pretio magnoFostes comprados por um grande preço” (1Cor 6, 20), como não nos remetermos imediatamente à face desfigurada de Nosso Senhor, cuspida e escarrada por causa de nossos pecados, por causa de nossa obstinação no mal…?

O mesmo Apóstolo diz, após a lista de que falamos acima: “Ao menos alguns de vós têm sido isso” (1Cor 6, 11), como se dissesse aos cristãos: “Não vos esqueçais que também vós vos comportastes como hoje se comporta o mundo”. Mas nós, continua o Apóstolo… Vós, cristãos! “fostes lavados, fostes santificados, fostes santificados, fostes justificados” (1Cor 6, 11). Como nos comportarmos, então, como se ainda fôssemos do mundo? como se não tivéssemos um senhor, um dono, ao qual devemos não uma quaresma, não uma penitência durante quarenta dias, mas toda a nossa vida?

É atentos ao alto preço por que fomos comprado que devemos, nesta terça-feira de carnaval, nos apresentar diante de Cristo sofredor e desagravar-lhe a face santíssima com nossas orações e nossos sacrifícios.

Não, não precisamos esperar a Quarta-feira de Cinzas para nos colocarmos em espírito de penitência pelos nossos pecados e pelos pecados dos demais homens… Como diz Santa Teresinha do Menino Jesus, grande devota da Sagrada Face, “quando se ama, não se calcula”.

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