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Entre a propaganda e a verdade: a história secreta da Ideologia de Gênero
Sociedade

Entre a propaganda e a verdade: a história secreta da Ideologia de Gênero

Entre a propaganda e a verdade: a história secreta da Ideologia de Gênero

Uma propaganda é capaz de fazer o certo parecer errado e o errado parecer certo. O caso da Ideologia de Gênero não foge à regra.

Equipe Christo Nihil Praeponere11 de Maio de 2015Tempo de leitura: 5 minutos
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Uma peça publicitária só pode ser bem-sucedida se souber cativar o público com as palavras e as imagens certas. A linguagem simbólica exerce enorme influência sobre o homem. Todas as grandes empresas, partidos políticos e meios de comunicação têm, por de trás de sua figura pública, um afiado esquema de marketing. "Um bom governo sem propaganda dificilmente se sai melhor do que uma boa propaganda sem um bom governo", dizia o ministro da comunicação nazista Goebbels. É fato. E a experiência do último século é a prova cabal de como ideologias malignas podem conquistar o apoio das massas, apelando a jargões risíveis porém populares.

A Ideologia de Gênero é uma grande peça publicitária. Apoiada pelo discurso dos "direitos sexuais", da "tolerância" e da "misericórdia", palavrinhas politicamente corretas e além de qualquer suspeita, muitos são levados a considerá-la algo inofensivo ou mesmo um grande progresso para a civilização. Aquele que a ela se opõe, por outro lado, é visto como pessoa antiquada, de visão obtusa e reacionária, ainda que salte "aos olhos a profunda falsidade dessa teoria". Foi também assim que rotularam a imprensa judia quando esta denunciou as obscenidades do nacional-socialismo, logo que Hitler subiu ao poder. Ora, quem, em sã consciência, se posicionaria contra um projeto político que apenas visava a "reconstrução" da Alemanha? De maneira análoga, como é possível se opôr à felicidade daqueles que desejam a mudança de sexo?

Uma boa propaganda não somente convence, como também modifica a história. O passado secreto da Ideologia de Gênero está longe de ser misericordioso, tolerante e feliz. Tudo começou na década de 1950, nas clínicas universitárias. Neste período, inúmeras cirurgias de mudança de sexo (precisamente de homem para mulher) foram realizadas de forma experimental. Na década de 1970, quando vieram os resultados científicos de todas aquelas experiências, não havia qualquer índice de que o procedimento fosse seguro. Pior. As evidências de que se tratasse de algo nocivo eram gritantes. As clínicas decidiram não mais realizar aquele tipo de operação. But where there's a will there's a way.

Três pesquisadores decidiram levar adiante o projeto: Dr. Alfred Kinsey, Dr. Harry Benjamin e o psicólogo John Money. O currículo destes três paladinos da Ideologia de Gênero não é nada honroso.

Dr. Alfred Kinsey, um biólogo e sexólogo cujo legado dura ainda hoje, acreditava que todos os atos sexuais eram legítimos — incluindo pedofilia, bestialidades, sadomasoquismo, incesto, adultério, prostituição e orgias. A fim de obter dados para suas pesquisas, Kinsey autorizou experimentos horríveis em bebês e crianças pequenas. Seu intuito principal era justificar a opinião de que crianças de qualquer idade teriam prazer com o sexo — ele chegou a advogar a normalização da pedofilia. O transexualismo entrou em sua agenda quando foi apresentado ao caso de um homossexual que queria tornar-se uma garota. Kinsey consultou um conhecido seu, um endocrinologista chamado Harry Benjamin. Benjamin conhecia bem os travestis (homens que se vestem de mulher). Assim, ambos viram uma oportunidade para mudar aquele rapaz fisicamente, para além da roupa e da maquiagem. Os dois tornaram-se colaboradores profissionais no primeiro caso do que Benjamin mais tarde chamaria "transsexualismo".

Benjamin pediu a vários psiquiatras que avaliassem o rapaz quanto à possibilidade de uma cirurgia para feminilizar sua aparência. Os médicos não chegaram a um consenso. Mas isso não pôde pará-lo. Por sua própria conta, Benjamin começou a dar hormônios femininos ao garoto. Levaram-no para a Alemanha e lá o operaram parcialmente. Benjamin, por sua vez, perdeu todo contato com seu paciente, tornando qualquer acompanhamento a longo prazo impossível.

O terceiro co-fundador do hoje movimento transgênero foi o psicólogo Dr. John Money, um dedicado discípulo de Kinsey e membro do grupo de pesquisas transexuais, chefiado por Benjamin.

O primeiro caso transgênero de Money veio em 1967, quando foi consultado por um casal canadense, os Reimers, para que reparasse uma circuncisão mal-feita no filho deles de dois anos, David. Sem qualquer razão médica, Money lançou-se em um experimento para fazer fama por conta própria e avançar suas teorias sobre gênero, não importando as consequências para a criança. Disse aos perturbados pais que o melhor caminho para assegurar a felicidade de David era mudar cirurgicamente sua genitália de masculino para feminino e educá-lo como uma garota. Como muitos pais fazem, os Reimers seguiram a orientação do doutor, e David foi rebatizado de Brenda. Money assegurou aos pais que Brenda se adaptaria a ser uma menina e que ela nunca saberia a diferença. Ademais, pediu ao casal que mantivesse aquilo em segredo. E assim se fez — pelo menos por um tempo.

Médicos ativistas iguais ao Dr. Money sempre buscam a fama primeiro, especialmente se controlam a informação que a mídia divulga. Money jogou um jogo de "prenda-me se for capaz", divulgando o sucesso da mudança de gênero do garoto para comunidades médicas e científicas e construindo sua reputação como um dos principais especialistas no emergente campo da mudança de gênero. Levou décadas até que a verdade fosse revelada. Na verdade, a adaptação de David Reimer para ser uma garota foi completamente diferente dos relatórios brilhantes inventados por Money para os artigos dos jornais. Aos 12 anos, David estava severamente depressivo e recusava-se a voltar a ver Money. No desespero, seus pais quebraram o segredo e lhe contaram a verdade sobre a "mudança de gênero". Aos 14 anos, David decidiu submeter-se a uma nova cirurgia para viver como garoto.

Em 2000, aos 35 anos, David e seu irmão gêmeo finalmente expuseram os abusos sexuais aos quais o Dr. Money os havia imposto na privacidade de seu escritório. Os rapazes contaram como Dr. Money tirava foto deles nus quando tinham apenas sete anos de idade. Mas fotos não eram o suficiente para Money. O pedófilo doutor também os forçou a terem relações sexuais incestuosas um com o outro.

As consequências dos abusos de Money foram trágicas para os dois garotos. Em 2003, apenas três anos após seu passado de tortura ter se tornado público, o irmão gêmeo de David, Brian, morreu de overdose. Pouco tempo depois, David também cometeu suicídio. Money, por sua vez, foi finalmente exposto como um farsante. Mas isso não ajudou a amenizar o luto da família, cujos gêmeos agora estavam mortos.

Certamente, nenhum jornal secular ou programa de TV, quando estiver em pauta a chamada Teoria de Gênero, revelará esses episódios expostos acima ao público. De fato, reina aquilo que Pio XI denominou, certa vez, de conspiração do silêncio, pois "não se explica facilmente como é que uma imprensa, tão ávida de esquadrinhar e publicar até os mínimos incidentes da vida cotidiana", pode calar-se tão vergonhosamente sobre tais coisas. Vários estudos feitos por ex-discípulos de Kinsey e Money comprovam a perniciosidade da Ideologia de Gênero, principalmente das cirurgias de mudança de sexo. Charles Ihlenfeld, um endocrinologista que trabalhou por seis anos com o Dr. Benjamin, chegou a declarar publicamente: "Há muita insatisfação entre as pessoas que fizeram a cirurgia... Muitas terminam em suicídio" — como no caso dos gêmeos Reimers.

Não se iludam com propaganda, não se iludam com promessas, não se iludam com mentiras. A Ideologia de Gênero é uma farsa. E das mais grosseiras.

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Ativistas exploram abuso de menor para legalizar aborto no Paraguai
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Ativistas exploram abuso de menor para legalizar aborto no Paraguai

Ativistas exploram abuso de menor para legalizar aborto no Paraguai

Menina de 10 anos grávida por estupro é o novo “cavalo de batalha” da Anistia Internacional para legalizar o aborto na América Latina.

Andrea RadilTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere8 de Maio de 2015Tempo de leitura: 7 minutos
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"Menina de 10 anos grávida por estupro no Paraguai": uma manchete assim, sem dúvidas, é de chocar e paralisar qualquer um. Como mãe de uma menina de 12 anos que vive no Paraguai, não posso sequer começar a imaginar o que sentiria em meu coração se algo desse tipo acontecesse a minha filha.

Há alguns dias atrás, a mídia no Paraguai reportou justamente essa manchete. Uma garota de 10 anos foi levada à unidade de emergência de um hospital em Assunção, reclamando de dores abdominais e de um inexplicável crescimento no tamanho de sua barriga. Depois de vários testes, os médicos chegaram a uma conclusão: a menina estava grávida.

Em 2014, a mãe da garota havia denunciado o homem com quem vivia para a polícia, acusando-o de molestar a sua filha, que, então, tinha nove anos de idade. A polícia começou a investigar o caso, mas a mãe logo retirou a acusação, assegurando à polícia que tudo não passava de um mal-entendido. A mãe continuou a viver com o homem, e agora, um ano depois, sua filha pequena está grávida de 23 semanas. Acredita-se que a menina era sujeita a abusos constantes e que sua mãe sabia, ou pelo menos suspeitava o que estava acontecendo.

Neste caso terrível, há duas vítimas e vários culpados. Obviamente, as vítimas são a jovem garota e o seu bebê. Tenho sentimentos divididos em relação à mãe da garota pequena. Como mulher, não colocaria toda a culpa sobre a mãe da menina, pois estou convencida de que a violência experimentada pela garota provavelmente também foi sofrida e temida por sua mãe. Contudo, como mãe que sou, também sei que lutaria com unhas e dentes contra qualquer um que tentasse ferir algum dos meus filhos. Daria alegremente a minha vida para defendê-los.

Não se pode desculpar as ações ou, neste caso, a omissão de uma mãe que fracassou em proteger a sua filha – e a mãe agora se encontra presa por sua cumplicidade no abuso. A polícia afirmou que por mais de um ano a mãe da garota sabia que sua filha era abusada por seu parceiro, mas deixou que isso continuasse.

Neste ínterim, o principal criminoso, o homem que estuprou e engravidou a menina de 10 anos, está foragido, tendo se escondido desde o momento em que o caso se tornou público.

Diante de tragédias desse gênero, no entanto, nossa sociedade é obrigada a lidar com uma situação mais comum do que se pode imaginar. De acordo com o Ministro da Saúde do Paraguai, em 2014, houve 684 casos de gravidez em garotas entre 10 e 14 anos. Essa estatística deixa entrever a magnitude do problema.

Agora, o que deve ser feito com a jovem menina grávida?

A Anistia Internacional está usando este caso para pedir a legalização do aborto. A organização montou um lobby intenso para pressionar o governo paraguaio a abortar a criança com 27 semanas de vida. Estão apelando para a chamada "interrupção legal da gravidez", com vistas a proteger a saúde da jovem menina.

Os advogados dessa campanha repetem o mantra de que o Estado deve agir "o mais rápido possível para proteger todos os direitos humanos das mulheres, começando com o direito à vida, à saúde e à integridade física e psicológica, a curto, médio e longo prazo". Eles dizem defender o "direito à escolha".

Eu me pergunto se os ativistas da Anistia Internacional estão realmente preocupados com a jovem garota. Porque, aparentemente, o que eles estão realmente fazendo é usar a menina, usar a sua trágica circunstância, para fazer avançar a sua própria agenda.

Será que eles não percebem que o que estão propondo como solução é simplesmente cometer uma outra injustiça? Que dois erros não fazem um acerto? Que aquela que estão punindo com a morte é a mais indefesa e inocente das partes envolvidas?

O art. 4º da Constituição da República do Paraguai é claro em afirmar que o Estado deve proteger a vida desde o momento da concepção ("El derecho a la vida es inherente a la persona humana. Se garantiza su protección, en general, desde la concepción."). Neste caso, seja a garota de 10 anos que foi abusada, seja o bebê que ela carrega em seu ventre, ambas têm o direito de demandar que o Estado aja para proteger as suas vidas. Ambas devem ter acesso a todos os esforços médicos necessários para atendê-las; ambas são vítimas e merecem todo o suporte da sociedade e do Estado.

O valor de uma vida não é definido pela sua idade, por seu estágio de desenvolvimento ou pelas circunstâncias sob as quais foi concebida. Toda vida é valiosa em si mesma. As autoridades têm a obrigação moral e o dever constitucional de proteger ambas as crianças e dar a elas o cuidado necessário para salvar as suas vidas.

Ainda que a Anistia Internacional afirme que o aborto seja necessário para salvar a vida e a saúde da jovem criança, no momento, felizmente, a sua vida não se encontra em risco. A médica que a está acompanhando, Dolores Castellanos, confirmou que a gravidez está se desenvolvendo sem afetar a saúde do bebê ou da pequena garota. No entanto, a propaganda midiática em torno do caso insiste que a jovem irá morrer se chegar ao final da gestação.

Para o seu maior crédito, o governo tem sido cauteloso e equilibrado. O Ministro da Saúde, Antonio Barrios, não sucumbiu à pressão do lobby internacional pró-aborto. Ele afirmou que o governo tomou medidas estritas para proteger a criança e o bebê.

Além disso, várias organizações sem fins lucrativos e outras instituições do Paraguai se apressaram em oferecer ajuda com assistência integral, como aconselhamento, suporte material e financeiro a curto e longo prazo, e apoio contínuo, levando em consideração – o que é o mais importante – a vida de ambas as crianças, a jovem mãe e o seu bebê. Já outros, como a Anistia Internacional, não oferecem assistência às vítimas, mas, ao contrário, apenas tiram proveito da situação, tentando estabelecer um precedente para a legalização do aborto, a fim de criar leis que violem o direito à vida.

Se, por um lado, é louvável o cuidado integral e generoso pela jovem garota e sua filha, por outro, trata-se apenas de apagar um fogo que infelizmente se acenderá de novo no futuro. Mais deve ser feito para atingir as raízes da tragédia com que essa garota e outras tantas crianças têm que lidar.

Ao invés do aborto, é hora do governo sancionar soluções efetivas para o abuso infantil. Que ele legisle para promover campanhas de combate a esse problema, em primeiro lugar, e que promova uma cultura de apreço e cuidado pelas crianças – ao invés de criar uma sociedade ainda mais insensível e que tolere o assassinato de crianças como solução. Há que se proteger todas as crianças, nascidas e não nascidas, porque são o rosto futuro da sociedade.

Mas, acima de tudo, urge compreender que a melhor resposta para o abuso infantil sempre esteve bem à frente dos nossos olhos. É uma solução tão óbvia que chega a ser inacreditável que tantos "especialistas" não a tenham enxergado: é preciso fortalecer a família encabeçada por um pai e uma mãe. A família é a mais básica organização sem fins lucrativos, e aquela que mais visa o bem comum. É focada na saúde do indivíduo e é a única verdadeira fundação da sociedade.

A pequena garota hoje grávida vem de uma família que é o retrato da disfunção familiar. A mãe, que tinha um emprego de baixa renda, tinha três filhos de três diferentes pais: um de 13 anos, a pequena menina de 10 que está grávida, e um menino de 8 anos. Importa, pois, atacar as raízes profundas do problema.

Não há melhor investimento para o governo do que fortalecer, proteger e promover o casamento e a família como coluna social insubstituível, especialmente quando há jovens crianças envolvidas nisso. A sociedade como um todo deve abraçar uma cultura que reconheça e valorize a família e todos os seus membros como um tesouro a ser cuidado e preservado.

Isso por que essa pequena garota e outras como ela passaram é algo impossível de apagar. Foi roubada delas a inocência da infância. O abuso ao qual ela foi sujeita deixará uma marca permanente em sua memória e em sua alma. Isso requer o nosso suporte e a nossa ajuda. Mas pensar que matar o bebê em seu ventre vai ajudá-la de alguma forma é um erro grave. Isso não vai amenizar, ao contrário, só vai aumentar o estrago causado por essa experiência. Violência não pode ser apagada com mais violência.

Como minha avó me dizia: "Não importa o quanto me enfureça um prato quebrado, nunca acharei que a solução seja destruir o resto da porcelana."

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Eis o Cordeiro de Deus
Doutrina

Eis o Cordeiro de Deus

Eis o Cordeiro de Deus

Pelo sangue dos cordeiros, os israelitas foram preservados da praga exterminadora. Pelo sangue do Cordeiro, a humanidade foi livre da morte.

Equipe Christo Nihil Praeponere7 de Maio de 2015Tempo de leitura: 4 minutos
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Das famosas dez pragas do Egito, a mais importante de todas foi, sem dúvida, a última, não só porque representou o maior de todos os castigos infligidos aos egípcios (cf. Ex 11, 6), mas também porque foi o estopim para a libertação definitiva de todo o povo de Israel. Depois de rãs, mosquitos, tumores e gafanhotos, um anjo exterminador foi enviado às terras do Faraó para matar os primogênitos de todos os egípcios e de todos os seus animais.

Tudo isso foi realizado para que o povo de Deus, liderado por Moisés, fosse retirado da escravidão. De fato, o coração duro do Faraó só permitiu que os israelitas partissem do Egito depois que o seu próprio filho, o herdeiro de seu trono, teve a vida ceifada pelo anjo da morte. Naquele dia, instituiu-se a festa da páscoa: à "passagem" de Deus, o Egito ficou banhado de sangue, enquanto os judeus foram preservados do extermínio.

Na ocasião, o que salvou o povo hebreu? Ficou determinado que todas as famílias de Israel deviam, no décimo quarto dia daquele mês, imolar um cordeiro "sem defeito", tomar o seu sangue e untar os umbrais de suas portas. À vista disso, o anjo da morte não entraria em suas casas. "Quando o Senhor passar pelo Egito para castigá-lo, e reparar o sangue sobre a moldura das portas, passará por vossas portas e não permitirá que o Exterminador entre em vossas casas para causar dano" (Ex 12, 23). De fato, pelo sangue dos cordeiros, os israelitas foram preservados da morte.

Para entender plenamente essa história, é preciso recorrer ao juízo da Igreja, a quem Cristo deu o poder das chaves (cf. Mt 18, 18; Lc 10, 16) e o encargo de interpretar corretamente as Escrituras. Certos trechos da Bíblia, de fato – e a história contada acima é um exemplo –, aparentam não ter nada a ver com o que vivem os homens de hoje e parecem não ter nenhum ensinamento a oferecer à modernidade. O extermínio dos egípcios apontado pelo livro do Êxodo, então, poderia muito bem ser enquadrado naquela denominação de "páginas 'obscuras' da Bíblia", usada pelo Papa Bento XVI [1]. Como entender que Deus estenda a mão sobre o Egito e mate todos os seus primogênitos em uma só noite?

À pergunta provocadora, urge responder com a única chave interpretativa de toda a revelação divina: "o Evangelho e o mandamento novo de Jesus Cristo realizado no mistério pascal" [2]. Nas palavras de Hugo de São Vítor, "toda a Escritura divina constitui um único livro e este único livro é Cristo, fala de Cristo e encontra em Cristo a sua realização" [3]. As pragas do Egito e o sangue que quebrou os grilhões dos israelitas carregam o seu próprio significado [4], mas constituem, sobretudo, um sinal daquilo que estava por vir, uma figura que aponta para "o cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo" (Jo 1, 29).

À páscoa judaica se segue, então, a Páscoa por excelência. O sangue dos cordeiros, incapaz de "eliminar os pecados" (Hb 10, 4), é substituído pelo verdadeiro Cordeiro, indefectível, que, "depois de ter oferecido um sacrifício único pelos pecados (...), levou à perfeição definitiva os que são por ele santificados" (Hb 10, 12.14). A liberdade agora conquistada não é simplesmente o fim de uma escravidão física; é a destruição do pecado, que escraviza o espírito. A morte agora vencida não é mais a morte deste corpo terreno e passageiro, consequência inevitável de sermos filhos de Adão; é a morte definitiva, que precipita a alma na desgraça e na escravidão eternas. Foi para esta liberdade que Cristo nos libertou (cf. Gl 5, 1), derramando voluntariamente o Seu próprio sangue (cf. Jo 10, 18) e untando as portas da nossa alma com o sacramento do Batismo.

Para elevar ainda mais à perfeição a analogia do cordeiro, porém, Ele não só foi imolado verdadeiramente, mas deu-se como alimento para todos os que vivem a Sua vida. Os que comiam o cordeiro da antiga páscoa com os ázimos (cf. Ex 12, 8) estavam livres da praga exterminadora, mas presos ainda aos grilhões da morte. "Os vossos pais comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. Aqui está o pão que desce do céu, para que não morra quem dele comer" (Jo 6, 49-50). Mas, como se dá isso? Como acontece que quem come e bebe do Corpo e Sangue do Senhor viva para sempre?

Santo Tomás de Aquino, comentando a passagem de Jo 6, 54: "Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós", explica que a realidade do sacramento da Eucaristia "é a unidade do corpo místico, sem a qual não pode haver salvação, porque ninguém tem acesso à salvação fora da Igreja, como tampouco no dilúvio houve salvação fora da arca de Noé" [4]. Ou seja, a Eucaristia nos salva porque nos incorpora à Igreja, que é o corpo místico de Cristo. O antigo povo de Deus estava limitado a uma raça, à comunidade dos judeus; o povo da Nova Aliança é a santa Igreja, a assembleia de homens e mulheres, de todas as raças, povos e nações, que têm em comum a comunhão no Corpo e Sangue do Cordeiro.

"Ecce Agnus Dei, ecce, qui tollit peccáta mundi – Eis o Cordeiro de Deus, eis o que tira os pecados do mundo", repetem os sacerdotes em todas as Missas. E a Igreja canta a Deus a sua ação de graças: porque "Cristo amou a Igreja e se entregou por ela"; porque "quis apresentá-la a si mesmo toda bela, sem mancha nem ruga ou qualquer reparo, mas santa e sem defeito" (Ef 5, 26-27); porque é ela, agora, unida à sua cabeça, que deve oferecer o seu sacrifício; porque somos nós, agora, que devemos completar em nossa carne o que falta à paixão de Nosso Senhor (cf. Cl 1, 24). "Eu vos exorto, irmãos, pela misericórdia de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: este é o vosso verdadeiro culto" (Rm 12, 1).

Referências

  1. Cf. Exortação Apostólica Verbum Domini (30 de setembro de 2010), 42.
  2. Idem.
  3. De arca Noe, 2, 8 (PL 176, 642 C-D).
  4. Cf. BETTENCOURT, Dom Estêvão. Para entender o Antigo Testamento. Agir: Rio de Janeiro, 1956. pp. 205s
  5. Suma Teológica, III, q. 73, a. 3.

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‘Eu achava que o hospital era um lugar para curar as pessoas, não para matá-las’
SociedadePró-Vida

‘Eu achava que o hospital era um lugar para curar as pessoas, não para matá-las’

‘Eu achava que o hospital era um lugar para curar as pessoas, não para matá-las’

“Asfixia! Morte por asfixia!” Enfermeiras relatam o drama de mais bebês nascidos vivos durante abortos malsucedidos.

LifeSiteNews.comTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere6 de Maio de 2015Tempo de leitura: 8 minutos
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Geralmente, quando um bebê nasce vivo durante um procedimento de aborto, ele é mantido na clínica de aborto até morrer. Em alguns casos, o aborteiro mesmo age para matar o bebê. Mas, às vezes, ele é transferido para um hospital, onde pode receber os devidos cuidados médicos. Infelizmente, é a política de muitos hospitais simplesmente deixar que essas crianças morram.

A enfermeira Kathleen Malloy, de Jacksonville, Flórida, testemunhou a morte de um bebê que nasceu depois de um aborto salino e foi transferido ao seu hospital. Um panfleto pró-vida de título Children: Things We Throw Away? ["Crianças: Coisas que Jogamos Fora?"] conta a sua história:

"Eu trabalhava no turno da noite, das 23h às 7h, e quando estávamos desocupadas, eu saía para ajudar com os recém-nascidos. Uma noite, vi um berço do lado de fora da enfermaria. Tinha um bebê nesse berço – um bebê perfeitamente formado, chorando –, mas havia uma diferença nessa criança. Ela tinha sido escaldada. Era a criança de um aborto salino.

Parecia que aquela pequena menina tinha sido colocada em uma panela de água fervente. Ali, não havia ninguém, nenhum médico, nenhuma enfermeira, nenhum pai, para confortar aquela criança ferida e queimada. Ela foi deixada para morrer agonizando. Não a deixariam na enfermaria – sequer se preocuparam em cobrir a menina.

Senti vergonha de minha profissão naquela noite! É difícil acreditar que isso possa acontecer em nossos hospitais modernos, mas acontece. Acontece o tempo todo. Eu achava que um hospital era um lugar para curar os doentes – não para matar.

Perguntei a uma enfermeira em outro hospital o que elas faziam com os bebês que eram abortados por solução salina. Diferentemente do meu hospital, onde o bebê tinha sido abandonado enquanto lutava para respirar, no hospital dela, elas colocavam a criança em um balde e o fechavam com uma tampa. Asfixia! Morte por asfixia!"

Um aborto salino é realizado injetando-se uma solução salina cáustica dentro do líquido amniótico que envolve o bebê. Ele inspira o líquido, que queima os seus pulmões e a sua pele, fazendo-o morrer no prazo de poucas horas. A mãe, então, entra em trabalho de parto, para dar à luz uma criança morta. Hoje, esse tipo de aborto é raro, devido à grande probabilidade de as crianças nascerem vivas e ao alto risco de morte que esse método representa para a mulher: a solução poderia prejudicar seriamente o seu corpo, se a injeção caísse em sua corrente sanguínea. Um procedimento similar pelo qual o veneno é injetado no coração do bebê ou, em alguns casos, no líquido amniótico, ainda é praticado hoje em dia, sendo usado em casos de aborto tardio – no segundo e terceiro trimestres de gravidez.

O bebê que Malloy viu morrendo não ganhou nem um nome, nem a chance de viver. Em uma situação parecida, Gianna Jensen, que também foi abortada pelo método salino, recebeu assistência médica e sobreviveu. Hoje, ela é uma ativista pró-vida. O seu testemunho pode ser encontrado abaixo:

Um artigo de 2002 publicado em The Journal of Clinical Nursing parece sugerir que enfermeiras se deparam com bebês vivos depois de abortos malsucedidos com certa frequência. De acordo com o artigo:

"No caso de procedimento tardio, a morte do feto antes do parto, embora seja usual, não acontece sempre, exceto em casos raros de extrema anormalidade física. (...) De fato, às vezes, o feto tentará respirar ou mover os seus membros, o que torna a experiência extremamente angustiante para as enfermeiras. Além disso, enquanto a mulher provavelmente passará por esse processo uma vez na vida, enfermeiras podem passar por isso várias vezes no ano ou até em uma mesma semana." [1]

O artigo cita a autora e conferencista Annette D. Huntington, Ph.D., que diz que nascidos vivos durante casos de aborto são uma "ocorrência regular".

Outra enfermeira que se encontrou na terrível situação de cuidar de um bebê abortado contou a sua história no jornal do Friendship Pregnancy Center (agora chamado de Women's First Choice Center), em Morristown, Nova Jersey. A sua história, que pode ser lida na íntegra aqui, é aterradora. Na noite em que o bebê abortado chegou, três bebês prematuros de um hospital próximo estavam sendo atendidos, dois dos quais corriam risco de morte, e os médicos lutavam para salvar suas vidas. Enquanto eles trabalhavam duro para ajudar esses dois bebês queridos, a vítima do aborto foi trazida:

"A enfermeira da seção de parto e nascimento entrou em nossa unidade carregando uma manta e afirmando: 'Este é um aborto por prostalglandina. Ele tem pulsação e por isso o trouxemos.' O bebê foi colocado debaixo de um aquecedor radiante e eu fui inteirada do resto dos fatos. O bebê era dado como sendo de 23 semanas, pelo ultrassom. A mãe tinha câncer e recebeu tratamentos de quimioterapia antes de descobrir que estava grávida. Os pais ficaram sabendo que o seu bebê sairia horrivelmente deformado por causa da quimioterapia.

Olhei para o menino deitado diante de mim e vi que, sob todos os aspectos, ele era perfeito. Tinha uma boa e forte pulsação. Podia dizer isso sem usar um estetoscópio porque via seu peito se movendo em sincronia com a sua frequência cardíaca. Com o estetoscópio, eu ouvia um coração que bombeava com força. Olhei para o seu tamanho e sua pele – ele definitivamente parecia mais maduro que 23 semanas. Pesei-o e descobri que ele tinha 900 gramas. Quase duas vezes o peso de alguns bebês que tivemos a capacidade de salvar. Uma médica foi chamada. Quando ela chegou, o bebê começou a agitar seus bracinhos e perninhas. Tentou começar a inspirar, mas não podia puxar o ar para dentro de seus pulmões. Todo o seu corpo estremecia com os seus esforços para respirar. Fomos reunidas por um neonatologista e eu supliquei com ambos os médicos, dizendo: 'O bebê é viável – olhem para o seu tamanho, olhem para a sua pele –, ele parece ter muito mais que 23 semanas.'

Foi um momento horrível ver cada um de nós lutando com nossos próprios padrões éticos. Argumentei que devíamos fazer uma tentativa de ressuscitação, para fazê-lo respirar. O médico residente me disse: 'Isso é um aborto. Não temos nenhum direito de interferir.' O especialista, que teve a responsabilidade pela decisão, apertava as mãos e dizia com calma: 'Isso é muito difícil. Meu Deus, é muito difícil quando se está tão perto.' No final, eu perdi. Não íamos tentar ressuscitar aquele bebê. Então, fiz a única coisa que podia fazer. Mergulhei o meu dedo indicador na água esterilizada e, aplicando-a na sua cabeça, batizei a criança. Depois o envolvi em um cobertor para mantê-lo aquecido e o segurei. Eram as únicas medidas que eu podia tomar para confortar o bebê naquelas circunstâncias, ainda que eu quisesse muito fazer mais. Segurei esse pequeno menino, que estava ainda ofegante, tentando sobreviver. Enquanto as lágrimas escorriam pelo meu rosto, pedi a Deus que ele levasse aquela criança para o Seu cuidado e que me perdoasse pela minha própria parte em sua morte. Pouco depois, ele parou de respirar. Seu coração continuava a bater, mas as batidas ficaram mais lentas e mais fracas, até finalmente pararem. Ele se tinha ido."

Ironicamente, enquanto a enfermeira tinha nos braços aquela criança abortada agonizando, os médicos lutavam para salvar a vida de outro bebê prematuro – este, porém, querido –, exatamente na mesma sala, a menos de cinco pés de distância. Infelizmente, também esse bebê morreu – a este, contudo, foi dado todo o tratamento médico possível, enquanto o bebê abortado foi completamente ignorado.

Outra enfermeira, Joan S. Smith, conta a seguinte história:

"Foi uma noite que eu jamais esquecerei. Eram 23h, eu e minha colega de trabalho Karen nos preparávamos para começar o nosso turno na Special Care Nursery ["Enfermaria de Cuidados Especiais"] de um grande hospital universitário... De repente, uma enfermeira atormentada correu para a porta.

O seu uniforme branco parecia fora de lugar na área do hospital em que se usavam apenas roupas cirúrgicas.

'Aqui, pegue isso', ela disse, empurrando para as minhas mãos uma tipo de panelinha de prata coberta com um papel toalha.

'O que é isso?', eu perguntei, percebendo pelo seu rosto que havia algo de muito errado.

'É um aborto de 22 semanas de gestação, realizado no nosso piso. Mas está vivo', ela explicou. Então, deu nos calcanhares e se foi. Eu tirei o papel toalha e vi o corpo perfeitamente formado de um bebê encolhido na fria panela de metal... Karen se aproximou para ajudar. 'Isso acontece de vez em quando', ela explicou, com pesar. Karen tinha sido treinada no hospital e trabalhava lá por mais de 15 anos.

Segurando o seu bracinho, eu tentava pôr em ordem a confusão das minhas emoções. Sentia-me impotente, com raiva e esmagada pela tristeza. Como podia o nosso sistema médico ser tão cheio de ironias? Ali eu estava, cercada de tecnologia médica, a qual, no entanto, não era de serventia nenhuma para aquela pequenina criança. Eu me perguntava se os seus pais pelo menos fossem avisados que o seu filho fôra admitido ao hospital como um nascido vivo, com pegadas impressas, número de identificação e fita na cabeça, se um médico notificasse o seu nascimento... Mas, tudo não passava de uma mera complicação imprevisível de um aborto rotineiro. Levou quase quatro horas até que aquele coraçãozinho diminuisse até parar de bater. Com lágrimas em meus olhos, envolvi o seu corpo para o necrotério. Isso era tudo da vida que aquela criança conheceria. Ela nunca saberia o que era o calor do abraço de uma mãe. Ninguém jamais celebraria o seu nascimento. Ela jamais sequer receberia um nome."

Não é desconhecido que um bebê nascido com 22 semanas sobreviva com tratamento médico. A pequena Amillia Taylor nasceu com apenas 21 semanas e 6 dias, pesando menos de 300 gramas. Ela sobreviveu e é uma criança saudável hoje. Na verdade, a mãe de Amillia teve que mentir para conseguir que os médicos tratassem a sua filha – eles tinham uma política de não cuidar de crianças nascidas antes de 23 semanas.

Um bebê alemão nascido com 21 semanas e 5 dias também sobreviveu. A sua história pode ser encontrada aqui. O artigo também cita o exemplo de um bebê canadense que nasceu com menos de 22 semanas e sobreviveu.

Casos de aborto tardio tornam tênue a linha que separa o aborto do infanticídio. Claramente, quando um bebê é capaz de sobreviver por si mesmo, ainda que por pouco tempo, torna-se óbvio que o aborto é o assassinato de um ser humano. Na verdade, a vida é um continuum desde a concepção até a morte natural – ainda que bebês abortados nos últimos estágios da gestação sejam mais completamente desenvolvidos, o aborto é um assassinato desde o início. Porém, histórias de bebês nascidos vivos e rejeitados pela assistência médica são aterradoras: elas testemunham e acusam a nossa sociedade, que permite atrocidades desse gênero.

Referências

  1. Huntington, A.D. (2002). Working with women experiencing mid-trimester termination of pregnancy: The integration of nursing and feminist knowledge in the gynaecological setting.Journal of Clinical Nursing, 11(2), 273-279.

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