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STF e o aborto: um “teatro armado”
Pró-Vida

STF e o aborto: um “teatro armado”

STF e o aborto: um “teatro armado”

“Tanto esta audiência pública quanto este processo não são legítimos”. Eis a denúncia de um sacerdote durante debate sobre o aborto no Supremo Tribunal Federal.

Equipe Christo Nihil Praeponere7 de Agosto de 2018
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Nos últimos dias, como se sabe, o Supremo Tribunal Federal promoveu duas audiências públicas para debater a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) n. 442, que pretende descriminar o aborto no Brasil até a 12.ª semana de gestação. Já tratamos desse assunto aqui, ainda ano passado, quando o PSOL impetrou a referida ação junto à nossa Suprema Corte.

Ontem (6), no segundo dia de audiência, o padre José Eduardo de Oliveira e Silva, representando a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, fez um excelente discurso denunciando com bastante clareza a farsa que se está descortinando diante de nossos olhos. Com o pretexto de ouvir todas as partes, o STF leva adiante um processo ilegítimo para, no fim, continuar legislando e fazendo “ativismo”.

Assista ao vídeo abaixo, portanto, e leia o referido discurso. Ao longo do texto, fizemos questão de inserir outros conteúdos de nosso site a respeito do assunto, para que todos possam se inteirar melhor do que está acontecendo. E, claro, não deixemos de rezar pelo nosso país, para que Nossa Senhora Aparecida nos livre da maldição do aborto.


Excelentíssima Presidente Carmen Lúcia, excelentíssima Ministra Rosa Weber, nas pessoas de quem saúdo os demais integrantes da mesa e os colegas expositores,

Acerca do aborto, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil pronunciou-se de maneira absolutamente inequívoca por diversas ocasiões, reiterando “sua posição em defesa da integralidade, inviolabilidade e dignidade da vida humana, desde a sua concepção até a morte natural” e condenando, assim, “todas e quaisquer iniciativas que pretendam legalizar o aborto no Brasil”.

Pela limitação do tempo, quero fazer apenas quatro breves colocações em meu pronunciamento.

Primeira colocação. Esta audiência não se presta para o fim a que foi convocada. Presta-se apenas para legitimar o ativismo desta Corte. Está-se fingindo ouvir as partes, mas na realidade está-se apenas legitimando o ativismo que virá em seguida. A prova é que os que defendem o reconhecimento do aborto como direito tiveram bem mais do que o dobro do tempo e bem mais do que o dobro de representantes dos que defendem a posição contrária.

Pe. José Eduardo durante audiência no Supremo.

Isto não respeita o princípio do contraditório que está expresso na Constituição. O artigo quinto, inciso 55, da Magna Carta estabelece que aos litigantes em processo judicial ou administrativo são assegurados o contraditório, a igualdade das partes no processo e a ampla defesa. Esta audiência, ao contrário, é parcial. A própria maneira pela qual esta audiência pública está sendo conduzida viola a Constituição Federal.

Segunda colocação. A ADPF 442 sequer deveria estar sendo processada. Deveria ter sido indeferida de plano e imediatamente. A petição inicial é inepta porque a Lei 9882/99, que é a lei que rege as ADPFs, estabelece como requisito essencial para o processamento que a petição inicial venha instruída por controvérsia.

O artigo primeiro da mencionada lei estabelece que “caberá argüição de descumprimento de preceito fundamental quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo”.

O artigo terceiro estabelece que “a petição inicial deverá conter a comprovação de existência de controvérsia relevante sobre a aplicação do preceito fundamental que se considera violado”.

Ora, é fato evidente que desde 1988 nunca houve controvérsia sobre a constitucionalidade da norma impugnada. A controvérsia foi artificialmente fabricada no voto do Habeas Corpus 124.306 redigido pelo Ministro Barroso, ex-advogado de organizações que defendem a despenalização do aborto. Até o voto não havia, em qualquer obra de direito constitucional ou penal, nenhum registro de suspeita de inconstitucionalidade da norma.

Terceira colocação. O Supremo Tribunal Federal não pode legislar. E, neste caso, já não estamos nem mais falando de legislar, mas de usurpar o Poder Constituinte Originário. O artigo quinto da Constituição estabelece que a inviolabilidade do direito à vida é cláusula pétrea, e seu parágrafo segundo estabelece que os direitos e garantias expressos na Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou seja, proíbe qualquer interpretação restritiva dos direitos consignados neste artigo, inclusive o direito à vida. As únicas restrições ao direito à vida são aquelas estabelecidas no próprio texto da Constituição. Portanto, nem o Congresso poderia diminuir estes direitos. Muito menos o Supremo Tribunal Federal.

Por estes motivos, tanto esta audiência pública quanto este processo não são legítimos.

Quarta colocação. A Comissão Episcopal da Pastoral Familiar da CNBB, em artigo publicado na última sexta-feira, analisou os discordantes números aqui apresentados sobre as estatísticas do aborto. Estes números acabaram se tornando a base de quase todas as apresentações da audiência da sexta-feira. Dezenas de representantes de organizações falaram em um milhão de abortos por ano e de quinhentos mil abortos por ano.

A professora Débora Diniz disse explicitamente que o número anual de abortos calculados no Brasil é de 503 mil por ano. Disse também que as pesquisas constataram que metade destes abortos passam por internações na rede hospitalar. Isto daria cerca de 250 mil internações, o que conferiria com os dados do SUS.

Ora, os dados do SUS são que há 200.000 internações por aborto por ano. A estimativa dos médicos experientes é que, destes, no máximo 25% seriam por abortos provocados. Numerosas pesquisas apontam valores entre 12% e 25%. Em 2013 o IBGE estimou que o número de abortos naturais corresponde a 7 vezes o número de provocados.

Tomando o valor mais conservador de 25%, deveríamos concluir que, se houvesse no Brasil 250 mil internações por abortos provocados, deveria haver entre um milhão e um milhão e meio de internações totais de abortos, e não apenas 200 mil. Além disso, os livros de obstetrícia e patologia afirmam que o número de abortos naturais, ocorridos em sua maioria no final do primeiro trimestre, é cerca de 10% do números de gestações, a maioria dos quais passam pelo SUS. Se as internações por abortos fossem um milhão ou um milhão e meio, o número de nascimentos no Brasil deveria ser 10 vezes maior. Nasceriam no Brasil entre 10 a 15 milhões de crianças por ano. Mas só nascem 2.800.000.

A realidade é que, dos 200 mil abortos atendidos pelo SUS, no máximo 50 mil são abortos provocados. Provavelmente bem menos. Então no máximo há 100 mil abortos provocados por ano no Brasil. Os números que foram aqui apresentados são 10 ou mais vezes maiores do que a realidade. Toda esta inflação é para poder concluir que, onde se legalizou a prática, realizam-se menos abortos do que no Brasil.

Mas na Alemanha se praticam 120.000 abortos por ano. A Alemanha possui apenas 80 milhões de habitantes. Se a Alemanha tivesse 200 milhões como o Brasil, ali haveria 300 mil abortos por ano, três vezes os do Brasil.

Na Espanha se praticam 100 mil abortos por ano. A Espanha tem apenas 45 milhões de habitantes. Se possuísse duzentos milhões, ali se praticariam 400 mil abortos por ano, quatro vezes mais que o Brasil.

Os Estados Unidos tem 320 milhões de habitantes e 900 mil abortos por ano. Se tivessem 200 milhões de habitantes, praticariam 600 mil abortos por ano, seis vezes o Brasil.

O Reino Unido tem 60 milhões de habitantes e 200 mil abortos por ano. Se tivesse 200 milhões de habitantes, praticaria 700 mil abortos por ano, sete vezes o número do Brasil.

A Suécia tem 10 milhões de habitantes e pratica 40 mil abortos por ano. Se tivesse 200 milhões de habitantes, praticaria 800 mil abortos, oito vezes mais que o Brasil.

A Romênia, de que tanto se falou aqui, possui 20 milhões de habitantes e pratica 90 mil abortos por ano. Se tivesse 200 milhões, faria 900 mil abortos por ano, nove vezes os do Brasil.

A China, com 1 bilhão e 300 milhões de habitantes, e sete milhões e 400 mil abortos, se tivesse a população do Brasil, faria um milhão e duzentos mil abortos por ano, mas isto é doze vezes o número do Brasil.

A Rússia possui 140 milhões de habitantes e um milhão e meio de abortos por ano. Isto é 23 vezes mais do que no Brasil.

Em todos estes países o aborto foi legalizado. Praticam entre três a 23 vezes mais abortos que o Brasil. Se examinarmos as estatísticas de outros países de que temos dados confiáveis e onde o aborto está legalizado, como Geórgia, Cazaquistão, Cuba, Estônia, Hungria, Ucrânia, Islândia, Dinamarca, Noruega, Turcomenistão, Nova Zelândia, Coréia do Sul, França, Israel, Grécia, Portugal, Finlândia, África do Sul, Bélgica, Lituânia, Japão, Itália, Taiwan, Suíça, Uzbequistão, Canadá, Austrália, Holanda e outros, obteremos dados em tudo semelhantes.

A conclusão é que, exatamente ao contrário do que foi sustentado aqui pelos que estão interessados em promover o aborto, quando se legaliza o aborto o número de abortos aumenta, e não diminui. É no primeiro mundo onde se praticam mais abortos, e não no Brasil.

Por favor, não mintam para o povo brasileiro. Não subestimem a democracia. Democracia não é somente voto. Os brasileiros estão vendo o que está acontecendo aqui, sabem o teatro que está sendo armado, sabem como fazer valer seu papel num regime democrático.

Muito obrigado!

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O sexo se tornou um “parque de diversões”
Doutrina

O sexo se tornou
um “parque de diversões”

O sexo se tornou um “parque de diversões”

Depois que a humanidade abraçou a contracepção, a sexualidade, tristemente, tornou-se um “parque de diversões”, e tudo passou a ser permitido para se conseguir a satisfação sexual, tratada como um “direito”.

Daniel Gomes,  O São Paulo4 de Agosto de 2018
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Na comemoração dos 50 anos da encíclica Humanae Vitae, que trata da reta ordenação da propagação da prole humana, publicada em julho de 1968 pelo Beato Paulo VI — que será canonizado em agosto deste ano —, “O São Paulo” conversou com a advogada Silvia Paula Monteiro da Costa, diretora administrativa da CENPLAFAM WOOMB Brasil, uma associação civil sem fins lucrativos que se dedica à propagação dos métodos naturais de planejamento familiar, em particular ao ensino do Método de Ovulação Billings.

Ela destaca os alertas feitos no documento, que ainda se mantêm atuais em uma sociedade na qual poucas vozes fazem objeções a uma mentalidade contraceptiva e à banalização da sexualidade. Leia a íntegra a seguir.


A Humanae Vitae completa 50 anos em 2018. Na avaliação da senhora, o documento traz uma mensagem atual ainda hoje?

— Atualíssima! Nossa sociedade está impregnada pela mentalidade contraceptiva, uma armadilha que cria a ilusão de que “faz bem” viver a sexualidade dissociando completamente o prazer sexual da possibilidade de gerar vida. Não é preciso refletir muito para ver onde isto pode desembocar. A fertilidade hoje é vista como uma maldição. Os filhos são um mal a se evitar a qualquer custo, algo que tira a liberdade e o conforto das pessoas.

Esse quadro é sintoma de que vivemos num tempo de evidente crise de fé: o homem moderno se esqueceu do sentido de sua existência, de que foi criado para a eternidade, para viver junto de Deus, no Céu. Rejeitam-se as realidades eternas pelos confortos da vida que passa… E isto se reflete no fechamento sistemático à vida. A mensagem do Beato Paulo VI nos leva a refletir que há algo de muito errado na contracepção, e que precisamos retomar o caminho correto.

Ao ser publicado, o documento causou surpresa por se opor ao relatório da então chamada “Comissão Papal para os Problemas da Família, da População e da Natalidade”, que não fazia objeções ao uso da pílula anticoncepcional.

— Na verdade, a mencionada comissão havia sido criada por São João XXIII pouco tempo antes de sua morte, com a finalidade de promover um estudo multidisciplinar sobre a matéria. Logicamente, não tinha qualquer poder de decisão e suas deliberações não vinculavam o Papa. Era formada por diferentes teólogos e acadêmicos, pessoas contrárias e favoráveis à pílula, que não estavam ali para votar se era ou não era possível mudar o Magistério bimilenar da Igreja — que não pode mudar.

A decisão final sobre o tema era do Magistério (do Papa). Havia, sim, muita pressão pela aceitação da pílula, mas o Papa manteve-se heroicamente firme. Após muito estudo e oração, o Beato Paulo VI reafirmou os ensinamentos contrários à contracepção, pois não havia como aceitá-la sem desvirtuar uma realidade essencial do Matrimônio criado por Deus: o ato sexual possui dois aspectos indissociáveis, o unitivo e o procriativo.

A maioria dos Bispos concordava com o Papa, mas este foi muito criticado e contrariado, inclusive sofrendo muito por sua coragem de sustentar aquilo que a Igreja sempre sustentou. A Humanae Vitae talvez seja a encíclica mais desobedecida e ignorada da história da Igreja, tal é a relevância do que anuncia e denuncia.

Os doutores John e Evelyn Billings, criadores do Método de Ovulação Billings, saíram em defesa da Humanae Vitae, mesmo com este documento sendo visto com ressalvas até por membros da Igreja. Por que o fizeram?

— O casal Billings tinha compromisso com a Verdade. Seu conhecimento científico foi colocado a serviço da Verdade! Como bons católicos, aceitaram a missão de desenvolver um método eficaz de aferição natural da fertilidade, cientificamente comprovado, por meio do qual aqueles casais que por motivos justos precisassem espaçar as gravidezes, pudessem fazê-lo sem ferir a castidade matrimonial. E conseguiram.

Aqui no Brasil, seu trabalho foi divulgado especialmente pela Irmã Martha Bhering, fundadora da CENPLAFAM WOOMB Brasil, entidade que ainda hoje é responsável pelo ensino do autêntico Método de Ovulação Billings® no país. Maiores informações sobre o Método e sobre instrutores credenciados podem ser obtidas em nosso site.

O casal Billings.

Paulo VI dedica um trecho da encíclica para detalhar o conceito de “paternidade responsável”. Qual a essência dessa conceituação? Ela foi distorcida ao longo do tempo?

— Creio que a expressão pode não ser bem compreendida, e pode sim ser distorcida. O termo “paternidade responsável” é explicado pelo Papa na Humanae Vitae (n. 10), a qual cito textualmente:

Sendo assim, o amor conjugal requer nos esposos uma consciência da sua missão de ‘paternidade responsável’, sobre a qual hoje tanto se insiste, e justificadamente, e que deve também ser compreendida com exatidão. De fato, ela deve ser considerada sob diversos aspectos legítimos e ligados entre si.

Em relação com os processos biológicos, paternidade responsável significa conhecimento e respeito pelas suas funções: a inteligência descobre, no poder de dar a vida, leis biológicas que fazem parte da pessoa humana.

Em relação às tendências do instinto e das paixões, a paternidade responsável significa o necessário domínio que a razão e a vontade devem exercer sobre elas.

Em relação às condições físicas, econômicas, psicológicas e sociais, a paternidade responsável exerce-se tanto com a deliberação ponderada e generosa de fazer crescer uma família numerosa como com a decisão, tomada por motivos graves e com respeito pela lei moral, de evitar temporariamente, ou mesmo por tempo indeterminado, um novo nascimento.

Paternidade responsável comporta ainda, e principalmente, uma relação mais profunda com a ordem moral objetiva, estabelecida por Deus, de que a consciência reta é intérprete fiel. O exercício responsável da paternidade implica, portanto, que os cônjuges reconheçam plenamente os próprios deveres, para com Deus, para consigo próprios, para com a família e para com a sociedade, numa justa hierarquia de valores.

Na missão de transmitir a vida, eles não são, portanto, livres para procederem a seu próprio bel-prazer, como se pudessem determinar, de maneira absolutamente autônoma, as vias honestas a seguir, mas devem, sim, conformar o seu agir com a intenção criadora de Deus, expressa na própria natureza do Matrimônio e dos seus atos e manifestada pelo ensino constante da Igreja.

Em um recente artigo sobre os 50 anos da Humanae Vitae, a senhora mencionou que o Papa Paulo VI alertou a humanidade sobre quatro males relacionados à contracepção. Poderia detalhá-los?

— É verdade. E a profecia de Paulo VI se cumpriu integralmente. Ele alertou sobre quatro riscos que a humanidade correria se abraçasse a contracepção.

Primeiramente, o risco de declínio dos padrões morais. Vivemos sob a “ditadura do relativismo”, tão denunciada por Bento XVI. Não há mais o certo e errado, mas o que me traz mais poder e prazer. A sexualidade, tristemente, tornou-se um “parque de diversões”, e tudo passou a ser permitido para se conseguir a satisfação sexual, tratada como um “direito”. Daí vem um raciocínio lógico: se homem e mulher podem aproveitar do prazer sexual sem gerar filhos, por que os atos homossexuais seriam imorais? Ou a zoofilia? Ou até mesmo, pasmem, a pedofilia?

Outro risco é o aumento da infidelidade matrimonial. A noção do “compromisso para sempre”, tão cara ao Matrimônio, é rejeitada na contracepção.

Outro risco é o da objetificação da mulher. Paradoxalmente, o movimento feminista abraçou a pílula como instrumento de libertação da mulher do jugo do homem. Porém, o que se viu como resultado da contracepção é a mulher ainda mais objetificada para a satisfação masculina, vide o poder da indústria pornográfica.

Por fim, o Papa profetizou acerca do perigo de os governos intervirem na vida e na intimidade das famílias via controle da natalidade. Vemos ainda hoje países que limitam por lei o número de filhos, impondo penas aos casais que desobedeçam. Outros países adotam a política da esterilização compulsória. Especialmente nos países em desenvolvimento, ou seja, nos mais pobres, campanhas maciçamente patrocinadas por grandes fundações difundem a mentalidade antivida, e tentam por exemplo aprovar o aborto, como meio lícito de evitar os nascimentos. O Papa não poderia estar mais certo.

Há algo a mais que queira destacar?

— Gostaria de fazer um apelo ao clero: sejam claros ao tratar deste tema com os casais. As pessoas têm o direito de ter suas consciências iluminadas pela verdade. De outro lado, não podemos perder de vista qual o risco verdadeiro que corremos quando rejeitamos estes ensinamentos, como nos alertou sabiamente São João Paulo II: “…a vacilação ou a dúvida a respeito da norma moral ensinada na Humanae Vitae afetou também outras verdades fundamentais de razão e de fé” (Discurso aos Participantes do II Congresso Internacional de Teologia Moral, 12 nov. 1988, n. 3).

Gostaria também de falar aos casais: Coragem! Os maiores bens do Matrimônio não são os bens materiais, são os filhos. E se por motivos justos e fortes necessitarem espaçar as gravidezes, usem métodos naturais que não contrariam os critérios morais objetivos, como o Método de Ovulação Billings® que ensinamos. Quero também agradecer a este veículo de comunicação por nos dar espaço para divulgar este tema.

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O homem que tentou abolir a santidade
Doutrina

O homem que tentou abolir a santidade

O homem que tentou abolir a santidade

“Depois da pregação da nossa doutrina”, admitiu Lutero ainda em vida, “os homens entregaram-se ao roubo, à mentira, à impostura, à crápula, à embriaguez e a toda espécie de vícios. Expulsamos um demônio e vieram sete piores.”

Equipe Christo Nihil Praeponere4 de Agosto de 2018
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Quando Deus criou a humanidade, todos estavam chamados a conhecê-lO, amá-lO, fazer a sua vontade e um dia ir para o Céu. Mas, depois da Queda, o gênero humano tornou-se insensato, rebelde e escravo de paixões de toda espécie (cf. Tt 3, 3), e essa situação assim permaneceu até a Encarnação de Cristo. Assumindo a natureza humana em sua totalidade, exceto no pecado, Nosso Senhor abriu novamente as portas do Céu para os homens, tornando-os dignos da filiação divina pelo sacrifício redentor da Cruz.

Jesus mesmo providenciou um “batismo de regeneração e renovação” (cf. Tt 3, 5) para converter cada pecador em filho de Deus, herdeiro da vida eterna. E, em virtude da graça santificante recebida no Batismo, todos podem agora participar da vida sobrenatural, esforçando-se, como pede São Paulo, por se aperfeiçoarem na prática do bem (cf. Tt 3, 8).

Deus pede de nós um esforço pela santidade. Favorecendo-nos com seu amor, Ele espera uma resposta livre e sincera pelo exercício das virtudes e das boas obras.

Nestes últimos dois mil anos de história, a Igreja Católica teve a felicidade de testemunhar essa resposta na vida de muitos de seus filhos: homens e mulheres imbuídos de tal espírito heróico que se sacrificaram, dia e noite, por amor a Cristo e aos homens; um espetáculo público de pureza, bondade, fortaleza e generosidade. Como não se emocionar lendo a biografia de um Santo Tomás de Aquino, São Francisco de Assis ou Santa Teresa d’Ávila? Os santos foram aqueles que, auxiliados pela graça, guardaram livremente os mandamentos e a Palavra de Deus, e Ele mesmo veio fazer morada neles (cf. Jo 14, 23).

Bem diferente é a crônica do protestantismo. Baseados numa interpretação completamente absurda da Sagrada Escritura, os protestantes adotaram as teses luteranas da depravação total e da escravidão do livre arbítrio, razão pela qual eles não creem na santidade. Para Lutero, a natureza humana estaria tão corrompida, que ninguém teria condições de escolher livremente entre o bem e o mal. Ao contrário, todo e qualquer ato humano seria, ao fim e ao cabo, apenas mais uma perversão.

Mas, se os protestantes soubessem como o pai da Reforma chegou a essa ideia, pensariam duas vezes antes de lhe darem crédito. Lancemos, pois, um olhar à biografia de Lutero.

A sua entrada no seminário foi bastante indigesta, e não teve como impulso uma razão deveras vocacional. Antes disso, o reformador fez-se monge simplesmente para pagar uma promessa. Já no período de formação e depois como monge, o medo de seus pecados e a vontade escrupulosa de sentir-se perdoado por cada ferroada da concupiscência jogaram-no numa verdadeira paranoia; de fato, ele “era um sentimental e se preocupava doentiamente com o problema da predestinação, querendo sentir em si à fina força a certeza de que era um predestinado” [1].

Ademais, o monge reformador não conseguia distinguir entre tentação e pecado. Bastava um pensamento impuro, mesmo que não consentido, para que o homem se afundasse em desespero. Angustiado, atormentado pelo medo de padecer no inferno, Lutero procurou consolo nas Escrituras e leu: “O justo vive pela fé” (Rm 1, 17). E assim se deu a grande “descoberta” do reformador: a presunção de que a fé, e somente ela, seria necessária para a salvação, pois, como escreve o Apóstolo, “não há nenhum justo, não há sequer um. Não há um só que tenha inteligência, um só que busque a Deus” (Rm 3, 10-11).

Assim mesmo, então, sem aprofundar na teologia paulina, Lutero lançou-se contra a necessidade das boas obras, decretando o princípio da sola fide. Afinal, a interpretação que dera àquele versículo da Epístola aos Romanos lhe servia como justificação e apanágio.

Martinho Lutero no leito de morte.

Mas Lutero foi ainda mais longe. Para desculpar suas faltas, não teve pudor de blasfemar contra o Céu, imputando a responsabilidade de seus crimes não à sua vontade desordenada pelos vícios, mas à do próprio Criador: “Deus opera em nós o mal e o bem. Tudo o que fazemos, fazemo-lo não livremente, mas por pura necessidade” [2].

Doravante, a coleção de sandices só aumentou. Se Jesus exigia esforço para a passagem pela porta estreita, Lutero, por outro lado, aconselhava a rebeldia: “Se a consciência do pecado te acusa… não deves ouvi-la, mas contra a consciência e contra os teus sentimentos deves julgar que Deus não está irado” [3]. Se São Paulo mandava correr por uma coroa incorruptível, Lutero, por sua vez, incentivava ao pecado: “Temos que pecar enquanto somos o que somos” [4]. Se São Pedro dizia que a salvação custara o preço do Sangue de Cristo, Lutero considerava “como nos saiu barata a redenção de nossos pecados em um tal e tão grande Cordeiro” [5].

As consequências da teologia luterana não poderiam ter sido piores. A abolição da santidade e do esforço por uma vida sem pecados, radicada na prática das boas obras, levou os homens a uma pletora de imoralidades. É da pena do próprio Lutero esta confissão reveladora: “Depois da pregação da nossa doutrina, os homens entregaram-se ao roubo, à mentira, à impostura, à crápula, à embriaguez e a toda espécie de vícios. Expulsamos um demônio e vieram sete piores” [6].

Mas só podia dar nisso. Sem livre arbítrio, não há imputabilidade, não há mérito, não há moral, e o homem se torna uma marionete nas mãos de um “deus” que supostamente quer a conversão de uns e a condenação de outros.

Ora, a Igreja Católica pregou durante 1500 anos sobre a responsabilidade dos homens por cada um de seus atos, exortando-os a uma vida de acordo com o Evangelho de Cristo. Para ajudá-los, ela os agraciou com a oração e a eficácia dos sacramentos de Nosso Senhor, pelos quais Ele nos comunica os méritos de Sua Paixão e a força para resistir às tentações do maligno.

E se, por um lado, o Magistério condenou o pelagianismo e as suas derivações, defendendo a precedência da graça sobre as decisões humanas, é verdade também que os Papas sempre defenderam a liberdade do homem como um pressuposto básico para a conversão e o amor a Deus. Do contrário, Nosso Senhor seria um tirano que faz violência contra as suas criaturas: umas Ele obriga ao amor e outras ao ódio.

Na verdade, o protesto de Lutero, se levado até as últimas consequências, anula completamente os efeitos da Paixão do Senhor, que se resumiria a uma manta sobre a devassidão humana. Não haveria regeneração, nem graça santificante. Lutero, no fim das contas, preferiu a “graça barata”.

Mas e os protestantes? Que será destes cristãos que não acreditam na santidade? Qual será o salário daqueles que se apartaram da Santa Igreja para ficar só com a fé sentimentalista do reformador?

No capítulo 25 de São Mateus, Jesus não nos pede para pecarmos fortemente e crermos mais forte ainda [7]. Ao contrário, Ele descreve o juízo final como um interrogatório sobre as obras de santidade: “Tive fome e me destes de comer”. Se o próprio Martinho Lutero não teve dificuldades em admitir que sua doutrina “expulsou um demônio” para chamar outros sete piores; se o rio, ao que tudo indica, está contaminado em sua nascente, talvez seja o momento de os protestantes repensarem a fonte onde vão buscar a sua água…

Referências

  1. Lúcio Navarro, Legítima interpretação da Bíblia. Recife: Campanha de Instrução Religiosa, 1958, p. 47.
  2. Martinho Lutero, Weimar XVIII-635.
  3. Idem, Weimar XXV-330.
  4. Idem, De Wette II-37.
  5. Ibidem.
  6. Martinho Lutero, Weimar XXVII-443.
  7. Cf. Idem, De Wette II-37.

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O gatilho que faltava para sua mudança de vida!
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O gatilho que faltava
para sua mudança de vida!

O gatilho que faltava para sua mudança de vida!

“Todo santo tem um passado, todo pecador tem um futuro.” Conheça um pouco do curso que pode ser o gatilho que faltava para sua mudança de vida!

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Caríssimo visitante do site do Padre Paulo Ricardo,

Oscar Wilde, um escritor inglês do século XIX que, depois de viver na devassidão, morreu arrependido nos braços da Santa Mãe Igreja, disse certa vez que “todo santo tem um passado e todo pecador tem um futuro”.

Isso significa que os santos foram feitos do mesmo material humano de que fomos feitos. Por isso, também nós, eu e você, se cooperarmos com a graça de Deus, podemos ser transformados e chegar à plena maturidade do amor.

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