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Que tipo de música você anda escutando?
Sociedade

Que tipo de música
você anda escutando?

Que tipo de música você anda escutando?

Se teu ouvido te leva à queda, “arranca-o e joga para longe de ti! É melhor perderes um de teus membros do que todo o corpo ser lançado ao inferno.”

Equipe Christo Nihil Praeponere12 de Junho de 2018
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Este não é um texto para ensinar a ninguém que tipo de música escutar. Embora a música seja uma arte — e a nossa geração realmente precise aprender a apreciar uma boa música —, as pretensões desta breve matéria são bem mais modestas.

A intenção é alertar pais e educadores, jovens e adultos, homens e mulheres, para um problema bem específico, mas muito difundido e, por isso, difícil de combater. Trata-se de músicas com letras promovendo e exaltando o pecado mortal.

Elas estão praticamente em todo lugar: são as canções mais tocadas nas estações de rádio, no YouTube e nos serviços de streaming da internet; são trilha sonora de novelas e programas de TV em geral; são ouvidas no mais alto volume dentro de automóveis e também com fones de ouvido; são escolhidas para festas de aniversário, de formatura e de casamento (estavam nas latas de Coca-Cola uns dias atrás); estão na boca de jovens e crianças, adultos e até senhores de idade… Enfim, tornaram-se cultura.

Do que falam essas músicas? Uma rápida investigação na internet é suficiente para colocar as poucas pessoas preservadas de sua influência a par da situação a que chegamos: uma música dá voz a um amante que pede à mulher com que está envolvido para romper o noivado e ser logo “só sua”; outra fala de um homem que foi a uma festa e só queria esperar a namorada ir ao banheiro para ganhar alguns minutos de solteiro; outras tantas fazem referência explícita a movimentos e posições sexuais (sem pudor absolutamente nenhum!); das que fomentam o adultério, então, a lista não tem mais fim…

A consequência mais imediata de darmos ouvido a canções como essas é que, além das pessoas envolvidas em sua produção, caímos no pecado também nós. O padre Antonio Royo Marín, grande tomista espanhol, diz a esse respeito que:

São gravemente escandalosos os espetáculos em que se representam coisas notavelmente obscenas, ou nos quais aparecem pessoas seminuas, ou se dizem coisas altamente provocativas, piadas ou músicas indecentes etc., ou se ridicularizam os bons costumes, ou se preconiza o vício da imoralidade.

[…] Cometem grave pecado de escândalo os compositores da letra e música, as empresas que os representam em seus salões, os atores que atuam neles e os que contribuem com seu dinheiro e aplauso para sustentar esses espetáculos. E pecam os que assistem a eles sabendo de sua imoralidade ou periculosidade. Se animam outros a fazer o mesmo, são réus de grave escândalo [1].

A primeira atitude que precisamos tomar com relação a esse tipo de música, portanto, passa pelo sacramento da Confissão. Não adianta atribuir a culpa do que está acontecendo a este ou àquele grupo de profissionais, ou mesmo à “sociedade” de maneira genérica. Nosso primeiro exame de consciência é com Deus e com nossas famílias. É preciso cortar essas músicas de nossas vidas em definitivo: não mais escutá-las, impedir que nossos filhos as escutem, deixar de frequentar os ambientes que as promovem etc.

Por que atitudes tão radicais? Porque estamos falando da “romantização” do pecado grave, que afasta o ser humano radicalmente de Deus, nesta e na outra vida.

O mínimo que precisamos fazer, se amamos de fato uma pessoa, é deixar de ofendê-la. Mas como vamos amar a Deus — nós que nos dizemos católicos, que vamos à igreja, que queremos comungar o Corpo e Sangue do Senhor! — se deixamos que nossos ouvidos e os de nossos filhos escutem justamente aquilo que mais ofende a Nosso Senhor? Como vamos viver a mensagem de Nossa Senhora em Fátima, se com as músicas que escutamos reproduzimos em nossas mentes, em nossos corações e em nossas casas os “pecados da carne”, que levam tantas almas para o inferno? Como vamos nos recolher para a oração com a alma nesse estado?

Mais do que isso, como vamos levar os nossos filhos para o Céu, se deixamos que percam a inocência tão cedo, expostos a essas influências; se dos lábios dos mais pequeninos, de onde deveria sair o perfeito louvor a Deus (cf. Sl 8, 3), saem as músicas indecentes de nossa época — e por nossa culpa?

Demos um basta às músicas pecaminosas. Isso é o que de mais urgente devemos fazer.

O risco de continuar a escutar essas canções é você mesmo perder a sua fé na doutrina moral da Igreja e começar a achar normal (e até mesmo a aplaudir) tudo o que essas letras escandalosas proclamam. É como diz o provérbio: quem não vive conforme o que crê acaba crendo conforme aquilo que vive. Por isso — parafraseando Nosso Senhor —, se teu ouvido te leva à queda, “arranca-o e joga para longe de ti! De fato, é melhor perderes um de teus membros do que todo o corpo ser lançado ao inferno” (Mt 5, 29).

Referências

  1. Antonio Royo Marín, Teología Moral para Seglares. 4.ª ed., Madri: BAC, 1973, vol. 1, p. 417.

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O dia em que Santo Antônio pregou aos peixes
Santos & Mártires

O dia em que
Santo Antônio pregou aos peixes

O dia em que Santo Antônio pregou aos peixes

Como Santo Antônio pregasse certa vez em Rimini e muitos hereges, desprezando-o, não o quisessem ouvir, o santo português decidiu pregar aos peixes…

12 de Junho de 2018
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Como Santo Antônio estivesse pregando em Rimini, onde havia uma grande multidão de hereges, querendo saber como iria trazê-los à luz da verdade, procurava lutar contra os seus erros. Mas eles, os hereges, semelhantes a pedras devido à sua obstinação e endurecimento, não davam crédito às palavras do santo e nem sequer se dispunham a ouvi-las.

E então Santo Antônio, por inspiração divina, aproximou-se da foz do rio e começou, à maneira de sermão, a chamar os peixes da parte de Deus:

Ó peixes, meus irmãos, vinde vós ouvir a palavra do Senhor, já que os infiéis fazem dela pouco caso!

E logo naquela hora se reuniram diante de Santo Antônio tantos peixes, grandes e pequenos, como nunca por ali fora vista tamanha multidão. E todos eles punham a cabeça para fora d’água.

Foi um grande espanto ver os peixes grandes andarem com os mais pequenos, e os pequenos sem medo nem perigo passarem por sob as barbatanas dos maiores e permanecerem debaixo deles, quietos e seguros.

Peixes de todas as espécies e qualidades corriam de um lado para o outro à procura de seus semelhantes para com eles se juntarem. Assim como fica admiravelmente belo o campo quando está ornado e pintado com variedade de cores e figuras, assim eram as águas, coalhadas de peixes, ali em frente a Santo Antônio.

E era de ver os peixes grandes marcharem em grupos, como se fossem cavaleiros, tomando os seus lugares para assistir à pregação; e os peixes de meio tamanho ocuparem os lugares do centro e, como alunos de Deus, ali ficarem quietos sem fazer barulho; e os pequeninos achegarem-se mais ao Santo como se ele fora o seu protetor, numa pressa tão grande como a de peregrinos que vão ganhar indulgências.

Desta forma se dispôs o auditório para assistir ao inspirado sermão. Todos os peixes estavam à vista, de frente para Santo Antônio: nas águas baixas os mais pequenos; adiante, contra o mar, os de maior tamanho; e os grandes ao largo, onde a água já era funda.

E assim, todos em ordem, começou o Santo a pregar solenemente:

“Santo Antônio pregando aos peixes”, de Juan Carreño de Miranda.

“Peixes, meus irmãos, muita obrigação tendes de, à vossa maneira, cantar louvores e render graças a Deus, nosso Criador. Deu-vos Ele para morada tão nobre elemento, a água doce ou salgada, segundo a necessidade de cada qual. Do mesmo modo, preparou-vos um abrigo para fugirdes dos riscos das tempestades. E a água que vos deu é clara e límpida, a fim de poderdes ver os caminhos por onde andais e os manjares que haveis de comer. E é o mesmo Criador quem vos reparte o alimento necessário à vida.

“E lá, na criação do mundo, recebestes de Deus, com a sua bênção, o mandamento de vos multiplicardes. No dilúvio, quando fora da arca todos os animais pereceram, vós sem defeito nem dano fostes guardados como nenhuma outra criatura.

“E Deus dotou-vos de barbatanas e encheu-vos de vigor para vos poderdes mover a uma parte e a outra, segundo o vosso desejo.

“A vós se vos confiou o profeta Jonas para o guardardes e lançardes em terra, são e salvo, ao cabo de três dias. Quis Deus que fôsseis vós quem oferecesse a Nosso Senhor Jesus Cristo o dinheiro do tributo, já que Ele, como um pobrezinho, não tinha meio de o pagar. Antes da Ressurreição e depois, servistes de manjar ao Rei eterno.

“Por todas estas graças muito deveis louvar e bendizer o Senhor, pois dele recebestes tantos e tão singulares benefícios como nenhuma outra criatura os recebeu”.

A estas palavras e semelhantes exortações alguns dos peixes emitiam vozes, outros abriam a boca, e outros inclinavam a cabeça, louvando ao Senhor da maneira que sabiam.

Ao ver a reverência dos peixes, com muita alegria espiritual se alegrou Santo Antônio, e esforçando mais a voz, exclamou:

— “Bendito seja Deus para sempre, pois mais honra lhe dão os peixes da água que os homens hereges; e melhor ouvem a sua palavra os animais sem entendimento que os infiéis dotados de razão!”

E quanto mais pregava Santo Antônio, mais crescia a multidão dos peixes, e nenhum deles saía do seu lugar.

À notícia do prodígio ajuntou-se o povo da cidade, além dos mencionados hereges, e foram-se todos aonde estava Santo Antônio. Vendo um milagre tão grande e singular, prostraram-se, de coração compungido, aos pés do Santo e rogaram-lhe que também a eles dirigisse um sermão. E o servo de Deus, tomando a palavra, tão maravilhosamente pregou a fé católica que converteu os hereges ali presentes e confirmou na fé os que já eram fiéis. Depois disso, a todos despediu com grande prazer e bênção.

E os peixes, após pedirem licença a Santo Antônio, gozando-se e alegrando-se, com muitos gestos reverentes, foram embora para os diversos rumos do mar.

O Santo permaneceu pregando na cidade ainda por muitos dias e colheu grande fruto convertendo hereges e confirmando-os na santa fé católica.

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Por que os católicos veneram o Coração de Jesus?
Doutrina

Por que os católicos
veneram o Coração de Jesus?

Por que os católicos veneram o Coração de Jesus?

Entenda em que consiste a devoção ao Coração de Jesus e por que motivo ela é um meio tão eficaz de nos conduzir a um amor mais perfeito a Deus e aos nossos irmãos.

Padre Antonio Royo MarínTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere7 de Junho de 2018
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Lamentando com toda a cristandade os males que afligiam o mundo no início do século passado, em especial a difusão do comunismo e de doutrinas antirreligiosas, quando não aberta e agressivamente ateias, o Papa Pio XI concluía sua Encíclica “Caritate Christi” recordando que o “Coração divino de Jesus não poderá deixar de se comover com as súplicas e sacrifícios de sua Igreja, e acabará por dizer à sua esposa que geme a seus pés sob o peso de tantas dores e males: ‘Grande é a tua fé. Faça-se como queres’ (Mt 15, 28)”.

Isso, é claro, sob a condição de que os fiéis recorressem o mais possível à oração e à prática de penitência cristã, que chegam ao seu ponto máximo quando se convertem naquela reparação satisfatória que o doloroso Coração de Jesus, saturado de tantas injúrias, espera de todos os membros da Igreja.

Como meio de estimular em nossos leitores o desejo de unir-se a esse espírito de reparação ao Sagrado Coração de Jesus, tão próprio deste mês de junho, parece conveniente recordar um pouco, a partir das lições sempre acessíveis do Pe. Antonio Royo Marín [1], em que consiste esta preciosa devoção, que nas palavras do Papa Pio XII não só não se opõe à reta fé católica como constitui, antes, “a mais completa profissão da religião cristã”.


Quase todos os modernos tratados teológicos De Verbo incarnato reservam um capítulo, muito oportunamente, à doutrina sobre a devoção e o culto ao Sacratíssimo Coração de Jesus.

Esta devoção tão entranhável e este culto tão legítimo, de qualquer ponto de vista, foram alvo de duros ataques em diferentes épocas da história, sobretudo por parte dos jansenistas; mas sempre recebeu as bênçãos e recomendações da Igreja. Em nossos dias, o imortal Pontífice Pio XII publicou sobre esta grande devoção uma maravilhosa encíclica que tem por título Haurietis aquas. Nela, o Pontífice resolveu algumas questões discutidas, precisou com exatidão seu verdadeiro sentido, pôs em evidência sua soberana excelência e sua perene atualidade e deu a esta preciosíssima devoção um impulso definitivo como uma das mais mais importantes e fundamentais do cristianismo.

As principais conclusões teológicas que se depreendem da encíclica Haurietis aquas, de Pio XII, e da Miserentissimus Redemptor, de seu imediato predecessor, Pio XI, são as seguintes:

O objeto final ou terminativo do culto ao Sacratíssimo Coração de Jesus é a pessoa do Verbo divino, à qual está hipostaticamente unido. Por isso, o Coração de Jesus deve ser adorado com rigorosa adoração de latria.

Ouçamos a Pio XII:

Portanto, neste assunto tão importante como delicado, é necessário ter sempre presente que a verdade do simbolismo natural, que relaciona o Coração físico de Jesus com a pessoa do Verbo, repousa toda na verdade primária da união hipostática. Quem isto negasse renovaria erros mais de uma vez condenados pela Igreja, por serem contrários à unidade da pessoa de Cristo em duas naturezas íntegras e distintas (n. 59).

O culto de latria, com efeito, não pode ser oferecido senão a uma pessoa divina. Por isso, a pessoa do Verbo encarnado deve ser o objeto final ou terminativo sobre o qual recaia o culto tributado a seu Sacratíssimo Coração.

O objeto material próximo ou imediato é o Coração físico de Jesus, enquanto expressão natural do amor divino e humano do mesmo Cristo.

O próprio Cristo mostrou seu divino Coração a S. Margarida Maria de Alacoque enquanto lhe dizia: “Eis aqui o Coração que tanto amou os homens”. O Coração físico como natural expressão de seu imenso amor: esse é o objeto material sobre o qual recai imediatamente o culto ao Coração de Jesus.

Nada, portanto, proíbe que adoremos o Coração Sacratíssimo de Jesus Cristo, enquanto é participante, símbolo natural e sumamente expressivo daquele amor inexaurível em que ainda hoje o divino Redentor arde para com os homens (n. 42).

Como se sabe, o coração não é o órgão do amor espiritual (que procede da vontade racional), nem mesmo do amor sensível (que é uma paixão do apetite sensitivo). Mas sobre o coração físico repercute ordinariamente nossa vida afetiva e sentimental. Isto basta para considerá-lo como expressão natural do amor, conforme o uso consagrado e o costume universal dos homens.

O venerável Papa Pio XII.

O objeto formal, ou seja, o motivo ou a razão principal do culto ao Coração de Jesus é a divina excelência da pessoa do Verbo encarnado com especial atenção a seu tríplice amor por nós: divino, humano-espiritual e humano-sensível.

Ouçamos a Pio XII explicando tudo isso em diferentes passagens de sua encíclica:

É preciso entender bem o motivo pelo qual a Igreja tributa ao Coração do divino Redentor o culto de latria. Duplo, veneráveis irmãos, como bem sabeis, é tal motivo: o primeiro, que é comum também aos demais membros adoráveis do corpo de Jesus Cristo, funda-se no fato de, sendo o seu Coração parte nobilíssima da natureza humana, estar unido hipostaticamente à pessoa do Verbo de Deus, e, portanto, dever-se-lhe tributar o mesmo culto de adoração com que a Igreja honra a pessoa do próprio Filho de Deus encarnado. Trata-se, pois, de uma verdade de fé católica, solenemente definida no concílio ecumênico de Éfeso e no II de Constantinopla (n. 12).

O outro motivo concerne de maneira especial ao Coração do divino Redentor, e, pela mesma razão, confere-lhe um título inteiramente próprio para receber o culto de latria. Provém ele de que, mais do que qualquer outro membro do seu corpo, o seu Coração é o índice natural ou o símbolo da sua imensa caridade para com o gênero humano (n. 12).

E, assim, do elemento corpóreo, que é o Coração de Jesus Cristo, e do seu natural simbolismo, é legítimo e justo que, levados pelas asas da fé, nos elevemos não só à contemplação do seu amor sensível, porém a mais alto, até à consideração e adoração do seu excelentíssimo amor infuso, e, finalmente, num vôo sublime e doce ao mesmo tempo, até à meditação e adoração do amor divino do Verbo encarnado; já que à luz da fé, pela qual cremos que na pessoa de Cristo estão unidas a natureza humana e a natureza divina, podemos conceber os estreitíssimos vínculos que existem entre o amor sensível do Coração físico de Jesus e o seu duplo amor espiritual, o humano e o divino. Em realidade, não devem esses amores ser considerados simplesmente como coexistentes na adorável pessoa do Redentor divino, mas também como unidos entre si com vínculo natural, já que ao amor divino estão subordinados o humano, o espiritual e o sensível, os quais são uma representação analógica daquele (n. 58).

O culto ao Coração de Jesus tem por finalidade a perfeição de nosso amor a Deus e aos homens.

Ouçamos de novo a Pio XII:

Assim sendo, facilmente deduzimos que, pela própria natureza das coisas, o culto ao Sacratíssimo Coração de Jesus é o culto ao amor com que Deus nos amou por meio de Jesus Cristo, e, ao mesmo tempo, o exercício do amor que nos leva a Deus e aos outros homens; ou, dito de outra forma, este culto dirige-se ao amor de Deus para conosco, propondo-o como objeto de adoração, de ação de graças e de imitação; e tem por fim a perfeição do nosso amor a Deus e aos homens mediante o cumprimento cada vez mais generoso do “mandamento novo”, que o divino Mestre legou como sagrada herança aos seus Apóstolos quando lhes disse: “Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei… O meu preceito é que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei” (Jo 13, 34; 15, 12) (n. 60).

Os elementos essenciais do culto ao Coração de Jesus são os atos de amor e de reparação tributados ao amor de Deus, em desagravo das ofensas que Ele recebe dos homens.

Santa Margarida M.ª Alacoque, visitada pelo S. Coração.

Pediu-o expressamente o mesmo Cristo à sua fiel confidente Santa Margarida Maria de Alacoque e o confirmaram plenamente Pio XI e Pio XII. Eis aqui os textos:

Cristo: Então, descobrindo-me seu divino Coração, disse-me: “Eis aqui este Coração que tanto tem amado os homens, que tudo perdoou até esgotar-se e consumir-se, a fim de lhes mostrar seu amor; e, como agradecimento, não recebe da maior parte deles senão ingratidões, com suas irreverências e sacrilégios e com a frieza e os desprezos que têm para com Ele no sacramento de seu amor… Tu, ao menos, dá-me esta satisfação: de suprir suas ingratidões tanto quanto te seja possível [2].

Pio XI: E, efetivamente, o espírito de expiação ou reparação sempre teve o primeiro e principal lugar no culto que se presta ao Sacratíssimo Coração de Jesus; e, como se confirma pela história, os costumes, além da Sagrada Liturgia e os decretos dos Sumos Pontífices, nenhum outro é mais adequado à origem, à natureza, à eficácia e às práticas próprias desta particular forma de devoção (n. 9).

Pio XII: Desde quando se promulgaram os primeiros documentos oficiais relativos ao culto do Coração Sacratíssimo de Jesus, tem sido constante persuasão da Igreja, mestra da verdade para os homens, que os elementos essenciais desse culto, quer dizer, os atos de amor e de reparação tributados ao amor infinito de Deus para com os homens, longe de estarem contaminados de materialismo e de superstição, constituem uma forma de piedade em que se põe plenamente em prática aquela religião espiritual e verdadeira que o próprio Salvador anunciou à samaritana: “Já chega o tempo, e já estamos nele, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade” (Jo 4, 23-24) (n. 56).

Em razão disso tudo, a veneração e o culto ao Coração Sacratíssimo de Jesus constitui a mais completa profissão da religião cristã.

Pio XII o diz expressamente com essas mesmas palavras:

Essa verdade fundamental permite-nos entender como o Coração de Jesus é o Coração de uma pessoa divina, quer dizer, do Verbo encarnado, e que, por conseguinte, representa e nos põe ante os olhos todo o amor que ele nos teve e ainda nos tem. E aqui está a razão por que, na prática, o culto ao Sagrado Coração é considerado como a mais completa profissão da religião cristã. Verdadeiramente, a religião de Jesus Cristo funda-se toda no Homem-Deus Mediador, de maneira que não se pode chegar ao coração de Deus senão passando pelo Coração de Cristo, conforme o que Ele mesmo afirmou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14, 6) (n. 60).

Referências

  1. Cf. Antonio Royo Marín, Jesucristo y la vida cristiana. Madrid: BAC, 1961, pp. 205-208, nn. 185-191.
  2. S. Margarida Maria de Alacoque, Vie et œuvres. Paris, 1920, t. 2, p. 27.

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Vidas destemperadas, vontades desordenadas e inteligências obscurecidas
Sociedade

Vidas destemperadas,
vontades desordenadas
e inteligências obscurecidas

Vidas destemperadas, vontades desordenadas e inteligências obscurecidas

Como entender que pessoas instruídas, muitas vezes com ensino superior, não consigam enxergar verdades tão evidentes como a humanidade do nascituro ou a imoralidade da contracepção? Sócrates explica.

Mitchell Kalpakgian,  Truth and Charity ForumTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere6 de Junho de 2018
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No Fédon de Platão, o filósofo da Grécia Antiga, Sócrates — um professor que ficou conhecido por procurar a verdade, amá-la, defendê-la e morrer por ela —, explica a seus pupilos que a sublimidade da sabedoria não revela sua gloriosa beleza àqueles que não levam uma vida moral.

Não interessa o quão inteligente, educado ou sofisticado seja um pupilo, ele não será capaz de chegar às alturas da sabedoria, se tiver uma vida impura. A verdade, pura por natureza, não se revela aos impuros: “Para uma pessoa que não é, ela mesma, pura”, afirma Sócrates, “atingir o reino da pureza é uma violação da justiça universal”.

Assim como uma mulher cortejada por um homem não aceita um pedido de casamento a menos que esteja convencida da honestidade de suas intenções e da sinceridade do seu amor, também a sabedoria não se submete a ninguém que tenha segundas intenções, que procure o conhecimento com propósitos egoísticos. Não são os diplomados que tomam posse da sabedoria em virtude da formação que receberam, mas sim os puros de coração, os que amam a verdade por ela mesma, sem interesses, que alcançam o objeto de seus desejos.

As pessoas com ensino superior são os principais proponentes da agenda da revolução sexual, com o divórcio sem culpa, a mentalidade contraceptiva, a legalização do aborto e o casamento homossexual. Professores, editores, advogados e jornalistas têm travado uma batalha intelectual por essas causas, e juízes da Suprema Corte têm legalizado leis injustas, violações da lei natural e da moral cristã.

Como explicar o fato de que a intelligentsia não consiga enxergar verdades autoevidentes (a criança no ventre materno é um ser humano, abortar uma criança recém-nascida é infanticídio, o matrimônio é a união entre um homem e uma mulher com o fim de formar uma família)? A declaração de Sócrates esclarece a resposta. Eles levam vidas destemperadas, têm corações impuros, rejeitam o conhecimento religioso, perderam o sentido do sagrado, ou pensam com uma inteligência obscurecida.

Aqueles que não honram a verdade como algo sagrado em sua origem ou como algo de autoridade venerável, submetem-na à manipulação. Ao invés de se render docilmente à autoridade da sabedoria, a mente impura distorce a verdade para acomodar suas paixões e preconceitos. Aqueles que legalizam a imoralidade ou fazem propaganda dela, indicam sua aprovação ou vontade de tomar parte nessas práticas e justificam-nas como leis sancionadas por autoridade judicial ou parlamentar.

Sócrates.

Se os desejos do ser humano não são temperados e ordenados pela razão, então, na famosa frase de Shakespeare, reason panders will, “a razão cede à vontade”. A razão torna-se escrava do desejo e inventa desculpas, teorias e leis a fim de justificar a imoralidade e aliviar a culpa. Os instruídos e inteligentes recorrem à sofística e a toda a arte da retórica e da oratória a fim de popularizar e “glamourizar” o mal.

Sócrates perseguiu a verdade como quem a amava e nela exultava como o mais precioso dos dons, chamando à filosofia “a mais elevada das artes”, por levar a mente à descoberta das realidades eternas, dos mais elevados padrões conhecidos como a verdade, o bem e a beleza, os quais deixam entrever sua origem sagrada: “beleza, bem, honestidade e santidade absolutos”. A revolução sexual expulsou esses ideais sublimes e esses padrões divinos com a licença a desejos incontroláveis, a propaganda da mídia, leis humanas injustas e decisões judiciais que colocam ideias radicais no lugar de tradições morais veneráveis e padrões absolutos e atemporais.

Ao invés de filosofia — literalmente, “o amor à sabedoria” —, a revolução sexual recorre a todas as táticas e ardis da sofística, a hábil retórica de fazer o argumento mais fraco parecer o mais forte. Os sofistas, maiores críticos e principais inimigos de Sócrates, sempre identificavam “o bom” com o que é prazeroso, não com o que é moral ou justo. Sócrates, no entanto, argumentava que a justiça ensina o autocontrole e a felicidade resulta da ordem que a temperança inculca na alma: “Mantenho eu que um homem e uma mulher são felizes se honrosos e bons, mas miseráveis se viciosos e perversos.”

Como os sofistas à época de Sócrates, todos os advogados da revolução sexual estão comprometidos com o culto do prazer, da intemperança e da autoindulgência, que eles racionalizam como liberdades, direitos e libertação.

Sócrates divide a natureza humana entre almas puras e impuras, sendo as primeiras ordenadas pelo poder da razão controlando os apetites, e as segundas corrompidas pelos excessos da gula, da luxúria e da avareza.

Em Górgias, o sofista Cálicles insiste em que o prazer seria a essência da felicidade e do bem, e não o autocontrole ou a moderação: “Luxúria, excesso e licenciosidade… são virtude e alegria; todo o resto é mero fingimento, regras feitas pelos homens e contrárias à natureza, hipocrisia sem valor.” O sofista, alegando ser a temperança “contrária à natureza”, havia reduzido o homem a um animal sem reta razão, sem autocontrole e sem uma consciência. Sócrates, em resposta, compara os desejos do homem destemperado a um vaso ou peneira furada, “uma vida de desejo destemperado que não pode ser saciado jamais”.

Esse vaso furado Sócrates o compara a um pássaro sujo sempre comendo e defecando, e a um homem constantemente se coçando sem descansar. O filósofo se esforça por convencer o sofista do mundo de diferença que existe entre “bons e maus prazeres”, entre prazeres racionais ordenados pela razão e desejos animais regulados pelo instinto.

O sofista, no entanto, afirma que “alguém que queira viver de verdade, ao invés de reprimir seus apetites, deve estimulá-los ao máximo e ser capaz de lhes satisfazer, com coragem e inteligência, proporcionando o que quer que eles desejem”. O argumento do sofista resume a premissa da revolução sexual: não interessa o dano, a doença, a imoralidade ou as consequências, todo prazer sexual é admissível, desde que haja consentimento mútuo.

A que conduz uma vida de contracepção senão à perseguição desinibida de um “mau prazer” com os mesmos resultados fúteis e autodestrutivos de se derramar água dentro de um vaso furado? O que faz o aborto senão eliminar e descartar o bem da vida humana porque alguns seres humanos, como pássaros sujos e incapazes de reprimir seus apetites, escolheram “uma vida de desejo destemperado que não pode ser saciado jamais”?

O que são todos os argumentos, retórica e propaganda dos defensores da revolução sexual, enfim, senão o sofisma de tornar a razão escrava da paixão; transformar o argumento mais fraco no mais forte; reduzir o homem, animal racional, ao “primata de calças” — na expressão de C. S. Lewis —; e definir a natureza humana como instinto animal, ao invés de ordenação racional da alma?

Sócrates faz ao sofista uma última e profunda questão: quem faz mais à saúde de uma pessoa, o cozinheiro que cede ao prazer servindo-lhe apenas doces sobremesas, ou o médico que prescreve um remédio amargo para curar-lhe a doença? Ceder à natureza mais baixa do homem não produz a felicidade de um ser humano com alma racional. Ainda que haja bons e maus prazeres, o prazeroso não é sinônimo de bom, e o doloroso nem sempre é sinônimo de mau.

O uso correto da razão distingue entre prazeres temperados e destemperados, racionais e irracionais, mas o sofista só o que faz é perseguir o prazer a todo custo, seja a seu corpo, seja a sua alma, “sem traçar nenhuma distinção entre prazeres bons ou maus, e sem se preocupar com nada, a não ser com a própria gratificação, sejam quais forem os meios, faça-lhe bem ou mal.”

Prazeres destemperados produzem vontades desordenadas; vontades desordenadas provocam inteligências obscurecidas; inteligências obscurecidas, por sua vez, cedem ao corpo e ignoram a alma. A sabedoria do grande filósofo é luz eterna para inteligências obscurecidas.

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