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O dia em que São João Paulo II profetizou o futuro da Irlanda
Pró-Vida

O dia em que São João Paulo II
profetizou o futuro da Irlanda

O dia em que São João Paulo II profetizou o futuro da Irlanda

No último dia 25 de maio, o povo irlandês foi às urnas e votou pela chacina de seus filhos. Mas nós talvez não devêssemos ficar tão surpresos. O Papa São João Paulo II já havia profetizado tudo o que aconteceu.

Padre Shenan J. Bouquet,  Human Life InternationalTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere6 de Junho de 2018
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Em 1979, o Papa João Paulo II olhou fixamente para uma multidão de 300 mil jovens, durante uma Missa em Galway, na Irlanda. “Lançando o olhar para vós”, ele disse na ocasião, “eu vejo a Irlanda do futuro. Amanhã, vós sereis a força viva de vosso país; vós decidireis o que será a Irlanda.”

Infelizmente, aquela mesma geração, e a dos filhos que ela educou desde então, acaba de decidir qual será o futuro da Irlanda. Não é difícil imaginar o luto deste Papa santo, estivesse ele fisicamente aqui conosco, para testemunhar o que o povo irlandês decidiu no último dia 25 de maio.

É estranho, muito, muito estranho, ver os vídeos e as fotografias de multidões de jovens irlandeses dançando, gritando e derramando lágrimas de alegriaalegria! — por uma façanha que nenhum outro país, nem o mais liberal e corrupto, conseguiu realizar: a autorização, por maioria esmagadora de votos, da chacina de seus irmãos e irmãs não-nascidos.

Na Irlanda, 64% dos eleitores compareceram às urnas no dia do referendum e, desses, 66% votaram para revogar a emenda constitucional (84% das pessoas entre 18 e 24 anos votaram “sim”) que protege o direito à vida do nascituro — quase exatamente a mesma proporção que votou, apenas três décadas atrás, para aprovar a Oitava Emenda. De lá para cá, tanto mudou, e tão rápido!

Eu, evidentemente, tinha meus pressentimentos. Apesar de toda a sua história católica e de sua evangelização por São Patrício, a Irlanda não estava imune ao poder onipresente da cultura popular, bem como à sedução da nova ideologia, de liberdade pessoal e autonomia sexual radicais, que tem devastado o Ocidente. Muitos dos sinais de alerta estavam presentes, incluindo a recente legalização do divórcio e do “casamento” entre pessoas do mesmo sexo. Mas nem eu — nem ninguém, pelo que parece — esperava uma derrota tão definitiva e esmagadora para os não-nascidos.

O alerta profético de São João Paulo II à Irlanda

Mas talvez nós não devêssemos ficar tão surpresos. O Papa São João Paulo II já havia profetizado tudo isso que aconteceu.

Nessa mesma homilia aos jovens, o Papa explicou, em seus dolorosos detalhes, precisamente o que aconteceria caso a Irlanda abandonasse a Cristo e suas raízes cristãs.

O Papa alertou à juventude que “as tradições religiosas e morais da Irlanda, a própria alma da Irlanda, serão desafiadas por tentações que não poupam nenhuma sociedade de nossa época”. Os jovens ouvirão que “é preciso fazer mudanças”, que eles devem “gozar de maior liberdade”, que devem ser “diferentes” dos próprios pais, “e que depende de vós, e só de vós, decidir a respeito de vossas vidas”.

Muitos dos que estavam ali, disse o Papa, seriam tentados a abandonar a Cristo e a desprezar sua educação, sua família e sua cultura cristãs. No entanto, ele alertou, “uma sociedade que, desse modo, perdeu os seus mais altos princípios religiosos e morais, tornar-se-á presa fácil de manipulações e domínio por parte de forças que, sob o pretexto de maior liberdade, a tornarão pelo contrário mais escrava ainda”.

O Papa chegou mesmo a prever que, no futuro da Irlanda, esse ataque teria como foco especial o domínio da sexualidade. “O atrativo do prazer, que deseja ser satisfeito todas as vezes e em toda a parte onde se encontrar, será forte e poderá apresentar-se-vos como parte do progresso a caminho de maior autonomia e libertação das normas.” Essa tentação viria especialmente dos “meios de comunicação social”, que apresentariam uma visão de mundo em que “cada um vive para si mesmo e em que a desenfreada afirmação de si próprio não deixa espaço para o interesse pelos outros”.

É essa, de fato, a lição que centenas incalculáveis de milhares, senão milhões, de bebês irlandeses aprenderão nos próximos anos.

Em sua homilia, o Papa também incluiu uma frase desanimadora, dadas as coisas que se passaram desde então. Falando da tentação de se afastar de Cristo, o Papa disse que “isso pode acontecer especialmente se virdes contradição, na vida de alguns companheiros vossos, entre a fé que professam e o modo como vivem”.

Eu me pergunto se o Papa sabia quão proféticas viriam a ser essas palavras. Muitas pessoas notaram que a Igreja Católica teve um papel surpreendentemente tímido no debate sobre a Oitava Emenda. “A Igreja, com exceção de uma pastoral e outra, ficou taticamente ausente”, escreveu o comentarista irlandês John Waters para o First Things.

A razão disso não é segredo para ninguém. Em anos recentes, a credibilidade moral da Igreja se perdeu. Revelações de abusos físicos e sexuais ocorridos dentro de instituições geridas pela Igreja, e acobertados por ela, minaram catastroficamente o seu poder de dizer qualquer coisa em matéria moral. A mídia está sempre pronta, em casos como esse, para lançar os próprios erros da Igreja em rosto.

Mas isso ainda não explica inteiramente a ausência conspícua de muitos pastores na batalha pela vida. “Imperdoável foi esse silêncio ter se estendido aos púlpitos”, disse John Waters. Mas também essa triste traição parece ter sido predita por João Paulo II. O Papa notou que, entre as muitas pessoas a dizer à juventude que suas práticas religiosas são “irremediavelmente antiquadas” e embaraçam “a vossa maneira de ser e o vosso futuro”, estariam “até pessoas religiosas” — inclusive, eu suponho que o Papa soubesse, alguns padres e bispos.

Um remédio simples

A homilia do Papa não foi, no entanto, só desgraça e melancolia para o futuro da Irlanda. As mensagens dos grandes profetas nunca são assim, mesmo quando eles são implacáveis em seus diagnósticos.

Face a todas as forças articuladas contra o Evangelho e à “doença moral” que “espreita” a sociedade irlandesa, os jovens devem voltar-se à única fonte de felicidade autêntica: Cristo. “Em Cristo descobrireis a verdadeira grandeza da vossa humanidade”, exortou o Papa. “Cristo possui as respostas aos vossos problemas e a chave da história; tem o poder de elevar os corações. Ele continua a chamar-vos, continua a convidá-los, Ele que é ‘o caminho, a verdade e a vida’.” Ainda que o chamado de Cristo seja “exigente”, disse o Papa, a juventude não deve ter medo, pois “só com Ele a vossa vida terá significado e será digna de ser vivida”.

Uma mensagem simples, é verdade, mas do que mais precisamos?

Para os pró-vida irlandeses, que derramaram seus perfumes e suas lágrimas em vão na defesa do nascituro, e que devem viver agora em um país moralmente alheio a eles, o que mais lhes resta senão Cristo? Para aqueles de nós, fora da Irlanda, que lutaram, jejuaram e rezaram pela terra de São Patrício, na esperança de que ela continuasse a ser um farol de luz e de esperança para o Ocidente, o que mais nos resta senão Cristo?

Os poderes deste mundo são fortes e, por ora, eles prevaleceram. Mas o Papa tinha uma mensagem também para aqueles de nós que talvez sintam que, “diante das experiências da história e das situações concretas, o amor perdeu a sua força e é impossível praticá-lo”. Não é assim, disse esse grande santo, pois, “com o tempo, o amor ganha sempre a vitória, o amor não sucumbe nunca”.

Para a Irlanda pró-vida, o dia 25 de maio foi um dia de trevas, de muitas trevas. O mais tenebroso dos dias. Mas o amor ainda vive. Os pró-vida devem agora se adaptar ao novo regime e encontrar novas formas de expressar esse amor no futuro da Irlanda: continuando a lutar, evidentemente, por leis pró-vida, com unhas e dentes, mas também encontrando formas novas e criativas de trazer amor a homens e mulheres sem esperança que começarão a procurar por “soluções” falsas nos matadouros da Irlanda… ensinando-os a amar a si mesmos e a seus filhos. Muitas vidas serão salvas dessa forma, assim como tem acontecido em outros lugares do mundo.

“Levemos esta intenção”, concluiu o Papa, depois de pedir aos irlandeses que continuassem a escutar a mensagem do Evangelho, “aos pés de Maria, Mãe de Deus e Rainha da Irlanda, exemplo de amor generoso e dedicação ao serviço dos outros”. Esse era o melhor caminho naquela ocasião, e é o melhor caminho para nós também agora.

Nossa Senhora do Silêncio de Knock,
rogai por nós, rogai pela Irlanda!

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Os anjos nos salvam!
Doutrina

Os anjos nos salvam!

Os anjos nos salvam!

“É isto o que crê e ensina a Igreja, baseada na Sagrada Escritura, pela qual sabemos que os anjos bons têm por missão proteger os homens e zelar por sua salvação.”

Papa São João Paulo IITradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere5 de Junho de 2018
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Vimos nas últimas catequeses como a Igreja, iluminada pela luz que provém da Sagrada Escritura, confessou ao longo dos séculos a verdade sobre a existência dos anjos, seres puramente espirituais e criados por Deus.

A Igreja o fez desde o início com o Símbolo niceno-constantinopolitano e o ratificou no IV Concílio de Latrão (1215), de cuja formulação se apropriou o Concílio Vaticano I no contexto da doutrina sobre a criação: Deus “criou simultaneamente desde o início do tempo, do nada, ambas as criaturas: a espiritual e a corporal, isto é, a angelical e a mundana; e em seguida a humana, de algum modo comum a ambas, constituída de espírito e corpo” (DS 3002).

Ou seja: Deus criou desde o princípio ambas as realidades: a espiritual e a corporal, o mundo terreno e o angélico. Ele tudo criou simultaneamente (“simul”) em ordem à criação do homem, composto de espírito e matéria e colocado, segundo a narração bíblica, no quadro de um mundo já estabelecido conforme suas leis e já medido pelo tempo (“deinde”).

O Papa São João Paulo II, autor desta catequese.

Além de sua existência, a fé da Igreja reconhece certas características distintivas da natureza angélica. Seu ser puramente espiritual implica, antes de tudo, sua imaterialidade e imortalidade. Os anjos não têm “corpo” (ainda que, em determinadas circunstâncias, eles se manifestem de forma visível, devido à sua missão em prol dos homens) e, portanto, não se encontram submetidos à lei da corrupção, comum a todo o mundo material. Jesus mesmo, referindo-se à condição angélica, dirá que na vida futura os ressuscitados “jamais poderão morrer, porque são iguais aos anjos” (Lc 20, 36).

Enquanto criaturas de natureza espiritual, os anjos possuem inteligência e livre arbítrio, assim como o homem, mas em grau superior, embora sempre finito, uma vez que todas as criaturas são intrinsecamente limitadas. Os anjos, portanto, são seres pessoais e, enquanto tais, são também “imagem e semelhança” de Deus.

A Sagrada Escritura se refere aos anjos empregando apelativos não apenas pessoais (como os nomes próprios Rafael, Gabriel e Miguel), mas também “coletivos” (como os qualificativos: serafins, querubins, tronos, potestades, dominações, principados), além de estabelecer uma distinção entre anjos e arcanjos. Ainda que levemos em conta a linguagem analógica e representativa do Texto Sagrado, podemos deduzir que estes seres-pessoas, como que agrupados em sociedade, subdividem-se em ordens e graus, correspondentes à medida de sua perfeição e à tarefa que lhes cabe.

Os autores antigos e a própria liturgia falam também de coros angélicos (nove, de acordo com Dionísio, o Areopagita). A teologia, especialmente a patrística e a medieval, não rejeitaram estas idéias, senão que, pelo contrário, buscaram dar-lhes uma explicação doutrinal e mística, sem contudo lhe atribuir um valor absoluto.

Santo Tomás preferiu aprofundar as investigações sobre a condição ontológica, sobre a atividade cognoscitiva e volitiva e sobre a elevação espiritual destas criaturas puramente espirituais, por sua dignidade na hierarquia dos seres e porque, estudando-os, podia compreender melhor as capacidades e atividades próprias do espírito em estado puro, haurindo daí não pouca luz para esclarecer os problemas de fundo que agitam e estimulam desde sempre o pensamento humano: o conhecimento, o amor, a liberdade, a docilidade a Deus, a conquista do seu Reino.

O tema a que nos referimos pode parecer “distante” ou “menos vital” para a mentalidade do homem moderno. No entanto, a Igreja, propondo com franqueza toda a verdade sobre Deus, criador inclusive dos anjos, crê prestar um grande serviço ao homem.

O homem tem a convicção de que em Cristo, Homem-Deus, é ele (e não os anjos) que se encontra no centro da Revelação divina. Pois bem, o contato religioso com o mundo dos seres puramente espirituais converte-se numa preciosa revelação do seu ser não apenas corpóreo, mas também espiritual, e de sua relação de pertença a um projeto de salvação verdadeiramente grande e eficaz, dentro de uma comunidade de seres pessoais que, para o homem e com o homem, servem ao desígnio providencial de Deus.

Percebemos que a Sagrada Escritura e a Tradição chamam propriamente anjos àqueles espíritos puros que, na prova fundamental da liberdade, escolheram a Deus, sua glória e seu Reino. Eles estão unidos a Deus mediante o amor perfeito que nasce da visão beatífica, face a face, da Santíssima Trindade. É Jesus mesmo quem o diz: “Seus anjos no céu contemplam sem cessar a face de meu Pai que está nos céus” (Mt 18, 10).

Este “contemplar sem cessar a face do Pai” é a manifestação mais alta de adoração a Deus. Pode-se dizer que constitui a “liturgia celeste”, realizada em nome de todo o universo, à qual se associa incessantemente a liturgia terrena da Igreja, especialmente em seus momentos culminantes. Basta lembrar aqui o ato com que a Igreja, a cada dia e a cada hora, no mundo inteiro, antes de começar a oração eucarística no coração da Santa Missa, recorre “aos anjos e aos arcanjos” para cantar a glória de Deus três vezes santo, unindo-se assim àqueles primeiros adoradores de Deus, no culto e no amoroso conhecimento do mistério inefável de sua santidade.

De acordo com a Revelação, ademais, os anjos que participam da vida da Trindade na luz da glória estão chamados também a tomar parte na história da salvação dos homens, nos momentos estabelecidos pelo desígnio da Providência divina. “Não são todos os anjos espíritos ao serviço de Deus, que lhes confia missões para o bem daqueles que devem herdar a salvação?”, pergunta o autor da Epístola aos Hebreus (1, 14). É isto o que crê e ensina a Igreja, baseada na Sagrada Escritura, pela qual sabemos que os anjos bons têm por missão proteger os homens e zelar por sua salvação.

Encontramos expressões como estas em diversas passagens da Sagrada Escritura, como, por exemplo, o Salmo 90 (91), citado já repetidas vezes: “Porque aos seus anjos Ele mandou que te guardem em todos os teus caminhos. Eles te sustentarão em suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra” (Sl 90 [91], 11-12). Jesus mesmo, falando das crianças e admoestando-nos a não escandalizá-las, faz referência aos “seus anjos” (cf. Mt 18, 10).

Além disso, atribui aos anjos a função de testemunhas no supremo juízo divino sobre o destino de quem tiver confessado ou negado a Cristo: “Todo o que me reconhecer diante dos homens, também o Filho do Homem o reconhecerá diante dos anjos de Deus; mas quem me negar diante dos homens será negado diante dos anjos de Deus” (Lc 12, 8-9; cf. Ap 3, 5). Estas palavras são significativas: se os anjos participam do juízo de Deus, é porque se preocupam pela vida do homem. Interesse e participação que parecem receber um tom mais forte no discurso escatológico, no qual Jesus faz os anjos intervirem na parusia, ou seja, na vinda definitiva de Cristo no fim da história (cf. Mt 24, 31; 25, 31.41).

Entre os livros do Novo Testamento, são especialmente os Atos dos Apóstolos que nos dão a conhecer alguns episódios que testemunham a solicitude dos anjos para com o homem e sua salvação. Assim, um anjo de Deus liberta os Apóstolos da prisão (cf. At 5, 18-20), e antes de tudo a Pedro, que corria risco de vida nas mãos de Herodes (cf. At 12, 5-10). Vemos ainda um anjo que orienta a  atividade de Pedro com respeito ao centurião Cornélio, o primeiro pagão convertido (cf. At 10, 3-8; 11, 12-13), e, analogamente, a atividade do diácono Filipe no caminho de Jerusalém a Gaza (cf. At 8, 26-29).

À luz destes poucos casos, citados a título de exemplo, compreende-se como se pôde formar na consciência da Igreja a persuasão de que foi confiado aos anjos um ministério a favor dos homens. Por isso, a Igreja confessa sua fé nos anjos da guarda, venerando-os na liturgia com uma festa especial e recomendando que recorramos à sua proteção com frequentes orações, como a invocação “Santo anjo do Senhor”. Esta oração parece reproduzir as preciosas palavras de S. Basílio: “Todo fiel tem ao seu lado um anjo como guia e pastor para conduzi-lo à vida” (cf. S. Basílio, Adv. Eunomium, III, 1; cf. também Santo Tomás, S. Th. I, q. 11, a. 3).

Finalmente, é oportuno notar que a Igreja honra com culto litúrgico a três figuras angélicas, que na Sagrada Escritura recebem um nome próprio.

A primeira é Miguel Arcanjo (cf. Dn 10, 13.20; Ap 12, 7; Jt 9). Seu nome expressa sinteticamente a atitude essencial dos espíritos bons. “Mica-El”, com efeito, significa: “Quem como Deus?” Neste nome se expressa, pois, a eleição salvífica graças à qual os anjos “veem o rosto do Pai” que está nos céus.

A segunda é Gabriel, figura vinculada, sobretudo, ao mistério da Encarnação do Filho de Deus (cf. Lc 1, 19.26). Seu nome significa “meu poder é Deus” ou “poder de Deus”, como que indicando que, no ápice da criação, a Encarnação é o sinal supremo do Pai onipotente.

Por fim, o terceiro arcanjo se chama Rafael. “Rafa-El” significa “Deus cura”. Ele se deu a conhecer na história de Tobias, no Antigo Testamento (cf. Tb 12, 15.20 etc.), tão significativa porque nela se confiam aos anjos os pequenos filhos de Deus, sempre necessitados de amparo, cuidado e proteção.

Se meditarmos bem, veremos que cada uma destas três figuras, Mica-El, Gabri-El, Rafa-El, reflete de um modo particular a verdade contida naquela pergunta feita pelo autor da Epístola aos Hebreus: “Não são todos os anjos espíritos ao serviço de Deus, que lhes confia missões para o bem daqueles que devem herdar a salvação?” (Hb 1, 14).

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O que um facão está fazendo na cabeça deste santo?
Santos & Mártires

O que um facão está fazendo
na cabeça deste santo?

O que um facão está fazendo na cabeça deste santo?

Breve biografia de Pedro de Verona, um santo medieval que ficou conhecido por sua eloquência, por sua pureza e, principalmente, por suportar inabalável o martírio em defesa da fé.

Beato Tiago de Varazze4 de Junho de 2018
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Pedro significa “conhecedor” ou “descalço”, ou também pode vir de petros, “firme”. Assim podemos compreender os três privilégios que possuiu o bem-aventurado Pedro.

Em primeiro lugar, foi um pregador notável, “conhecedor” perfeito das Escrituras e do que convinha utilizar delas em cada pregação. Em segundo lugar, foi virgem puríssimo, daí “descalço”, já que seus pés nus indicavam estar livre de toda afeição e amor mortais, sendo portanto virgem não apenas de corpo, mas também de mente. Em terceiro lugar, foi mártir glorioso do Senhor, daí “firme”, já que suportou inabalável o martírio pela defesa da fé.

Aos sete anos de idade, quando certo dia voltava da escola, um tio herege perguntou-lhe o que aprendera na aula. Ele respondeu: “Creio em Deus Pai, todo-poderoso, criador do céu e da terra […]”. O tio objetou: “Não diga ‘criador do céu e da terra’, pois Ele não foi criador das coisas visíveis, foi o diabo que criou todas essas coisas que vemos”. Mas o menino afirmou que preferia dizer como lera e acreditar no que estava escrito.

O bem-aventurado Pedro ainda na adolescência abandonou o mundo para evitar seus perigos e entrou na Ordem dos Frades Pregadores. Ao longo dos quase trinta anos que nela passou, alcançou todas as virtudes: era dirigido pela fé, fortalecido pela esperança, acompanhado pela caridade.

Como a ociosidade é insidiosa, é armadilha do inimigo, procurava manter-se sempre ocupado com coisas lícitas, para não ter tempo para as ilícitas, meditando assiduamente sobre os decretos do Senhor.

De noite, depois de curto descanso, ocupava as horas silenciosas com estudo, leitura e vigília. De dia, dedicava-se ao serviço das almas, ou à pregação, ou a ouvir confissão, ou a refutar por meio de argumentos racionais os dogmas envenenados da heresia. Em tudo isso ele se destacava por possuir um particular dom da graça.

“O martírio de São Pedro”, por Domenico Zampieri.

No Domingo de Ramos, Pedro pregava em Milão diante de enorme multidão de pessoas dos dois sexos, quando disse publicamente, em voz alta: “Sei com certeza que os hereges tramam minha morte e que até dinheiro já foi dado para isso, mas façam o que façam, eu os perseguirei mais estando morto do que vivo”. Os fatos mostraram que isso foi verdade.

Ao sair da cidade de Como, onde era prior da sua Ordem, para ir até Milão a fim de exercer contra os heréticos as funções de inquisidor que lhe haviam sido confiadas pela Sé apostólica, Pedro foi atacado — conforme ele mesma predissera publicamente em uma prédica — por um herege induzido e pago por seus companheiros.

Aquele homem insulta o ministro de Cristo, bate nele, vibra golpes atrozes na sua sagrada cabeça e provoca-lhe terríveis ferimentos. A espada fica molhada do sangue daquele homem venerável, que não procura evitar o inimigo, mas, ao contrário, oferece-se como vítima que pacientemente suporta os redobrados golpes do furor sacrílego de seu carrasco.

Durante todo esse tormento não se queixa, não murmura, suporta tudo com paciência e, encomendando-se, diz: “Senhor, em vossas mãos entrego o meu espírito”. Antes que o cruel carrasco cravasse o punhal em seu peito, o mártir do Senhor escreveu no chão, com o próprio sangue, a profissão da fé, consumando o ato derradeiro de sua vida: “Credo!”.

Curiosamente, seu assassino se arrependeu e empenhou inúmeras penitências pelo resto da vida. Mas essa é uma outra história…

Referências

  • Extraído e adaptado de “Legenda Áurea: Vidas de Santos” (trad. de Hilário Franco Jr.). São Paulo: Companhia das Letras, 2003, pp. 387-400.

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Famílias, ide ao Sagrado Coração de Jesus!
Espiritualidade

Famílias, ide ao
Sagrado Coração de Jesus!

Famílias, ide ao Sagrado Coração de Jesus!

Neste discurso de junho a homens e mulheres recém-casados, o venerável Papa Pio XII aponta um remédio para a restauração da família e da sociedade cristãs: a devoção ao Sagrado Coração de Jesus.

Papa Pio XIITradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere1 de Junho de 2018
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Hoje poderíamos, queridos recém-casados, propor à vossa contemplação o quadro gracioso que a Igreja oferecia anteontem à piedade dos fiéis: uma criança, João Batista, fruto milagroso de um casamento por longo tempo estéril, e cujo nascimento foi acompanhado de tais prodígios que os amigos e conhecidos da família perguntavam-se espantados: “Que será este menino?” (Jo 1, 66).

Poderíamos também, ajoelhando-nos convosco, junto à tumba dos príncipes dos Apóstolos, cuja festa a Igreja celebrará solenemente daqui a três dias, lembrar-vos o eco dos sábios ensinamentos que davam aos fiéis de seu tempo S. Pedro (cf. 1Pd 3, 1-7), em sua primeira carta, e São Paulo, na epístola aos efésios (cf. Ef 5, 22-23).

Mas em uma época agitada, em que vos encontrais porventura inquietos pelo futuro do vosso lar recém fundado, julgamos mais útil uma palavra de alento análoga à que já em outras ocasiões, neste mesmo mês de junho, dirigimos aos recém-casados reunidos à nossa volta, para dizer-vos: “Queridos filhos e filhas, voltai-vos para o Sagrado Coração de Jesus, consagrai-vos a Ele inteiramente e vivei na serenidade e na confiança!”

Não há dúvida de que, se se quiser sair de modo perdurável da crise atual, será preciso reedificar a sociedade sobre bases menos frágeis, ou seja, mais conformes com a moral de Cristo, fonte primeira de toda verdadeira civilização. Não é menos certo que, se se quiser conseguir tal fim, será preciso começar por fazer as famílias novamente cristãs, muitas das quais se esqueceram da prática do Evangelho, da caridade que ela requer e da paz que ela traz consigo.

A família é o princípio da sociedade. Assim como o corpo humano compõe-se de células vivas, que não estão apenas justapostas umas às outras, senão que constituem um todo orgânico com suas íntimas e constantes relações, assim também a sociedade está formada não por um conglomerado de indivíduos, seres esporádicos que aparecem em um instante para desvanecer-se em seguida, mas por uma comunidade econômica e uma solidariedade moral de famílias, que, transmitindo de geração em geração a preciosa herança de um mesmo ideal, de uma mesma civilização, asseguram a coesão e a continuidade dos vínculos sociais.

Santo Agostinho o notava, há já quinze séculos, ao escrever que a família deve ser o elemento inicial e como uma célula (particula) da cidade. E como toda parte está ordenada ao fim e à integridade do todo, deduzia ele que a paz doméstica, entre quem manda e quem obedece, contribui para a concórdia entre os cidadãos (cf. De Civitate Dei, X, 16).

Disso tudo têm consciência os que, a fim de expulsar a Deus da sociedade e lançá-la na desordem, se esforçam por subtrair à família o respeito e até mesmo a lembrança das leis divinas, exaltando o divórcio e a união livre, pondo obstáculos ao papel providencial confiado aos pais com respeito aos filhos, infundindo nos esposos o temor dos cansaços materiais que implica o glorioso peso de uma prole numerosa.

Contra semelhantes perigos vos desejamos prevenir, recomendando-vos que vos consagreis ao Coração Santíssimo de Jesus.

O que faltou e ainda falta ao mundo para viver em paz é o espírito evangélico de sacrifício, e este espírito falta porque, quando a fé se debilita, prevalece o egoísmo, que destrói e torna impossível a felicidade em comum. Da fé brotam o temor de Deus e a piedade, que fazem pacíficos os homens; o amor ao trabalho, que conduz ao aumento das próprias riquezas materiais; a equidade, que ensina e assegura a reta destinação desse bens; a caridade, que repara assiduamente as inevitáveis brechas que as paixões humanas deixam abertas na justiça.

Todas estas virtudes supõem o espírito de sacrifício a que o fiel está obrigado: “Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” (Mt 16, 24). Ao contrário, tanto entre os homens como entre os povos, as ambições de cada um não poderão conciliar-se nunca com o bem-estar de todos. “Donde vêm”, exclama o Apóstolo São Tiago, “as lutas e as contendas entre vós? Não vêm elas de vossas paixões, que combatem em vossos membros?” (Tg 4, 1).

Para voltar a encontrar a paz, é preciso, portanto, que os homens façam o que há séculos lhes pregam Jesus Cristo e a Igreja: sacrificar as próprias aspirações e desejos, na medida em que são incompatíveis com os direitos alheios ou com o interesse coletivo. A este fim os encaminha, por uma via doce e segura, a devoção ao Sagrado Coração.

Porque, em primeiro lugar, a imagem do divino Coração, rodeado de chamas, coroado de espinhos, aberto pela lança, recorda até que ponto Jesus amou os homens e se sacrificou por eles, ou seja, para usar suas próprias palavras, “até esgotar-se e consumir-se”. Além disso, os lamentos do Salvador pela infidelidade e ingratidão dos homens imprimem a esta devoção um caráter essencial de penitência expiatória.

“Sagrado Coração de Jesus rodeado de anjos”, por José de Páez.

Nosso grande predecessor Pio XI o explicou admiravelmente em sua encíclica “Miserentissimus Redemptor” e na oração litúrgica da festa do Sagrado Coração, onde se diz que ao devoto obséquio de nossa piedade (dovotum pietatis nostræ obsequium) deve estar associada uma digna satisfação pelos nossos pecados (dignæ satisfactionis officium). Estes dois elementos fazem a devoção ao Sagrado Coração eminentemente apta para restabelecer a ordem violada e, com isso, para preparar e promover o retorno da paz.

A grande obra de Cristo ou, para falar com São Paulo (cf. 2Cor 5, 19), a obra que Deus nele realizou consistia em conciliar o mundo consigo (Deus erat in Christo mundum reconcilians sibi), e o sangue, cujas últimas gotas brotaram do Coração de Jesus sobre a cruz, é o selo da nova Aliança (cf. 1Cor 9, 25), que reata os vínculos de amor entre Deus e os homens, desfeitos outrora pelo pecado original.

Fazei, pois, deste Coração o rei de vossa casa, e assim nela estabelecereis a paz. Tanto mais porque Ele mesmo, renovando e determinando as bênçãos de seu Pai celestial às famílias fiéis, prometeu que a paz reinaria nos lares que lhe fossem consagrados.

Oh! se todos os homens escutassem este convite e esta promessa! Dois gloriosos predecessores nossos, Leão XIII e Pio XI, como pais comuns da cristandade e guias inspirados do gênero humano, consagraram solenemente o mundo ao Coração de Jesus. Quantas almas, porém, ignoram ainda — e quantas até o desprezam — o manancial de graças que lhes foi aberto e lhes é tão facilmente acessível! Ah! que não sejais vós do número desses negligentes ou néscios que deixam fechadas ao Rei do amor as portas do lar, da cidade, da nação, e atrasam com isso o dia em que o mundo, pacificado, voltará a ter verdadeira felicidade.

Acaso fecharíeis as vossas janelas se vísseis voar lá fora, como Noé do alto da arca, a pomba com o ramo de oliveira? Pois o que promete e traz consigo o Sagrado Coração é mais do que um símbolo: é a realidade da paz. Jesus vos pede unicamente que lhe deis sinceramente o vosso coração: eis a verdadeira consagração. Tende a coragem de fazê-la, e aprendereis por experiência que Deus não se deixa nunca vencer em generosidade.

Sejam quais forem, hoje ou amanhã, as dificuldades que a vida vos impuser, não provareis mais daqueles desalentos e tristezas que conduzem ao abatimento; porque o desalento é falta de coração. Mas vós, ao contrário, tereis, em lugar de um débil coração humano, um coração conforme ao do próprio Deus. Então vereis realizar-se em vossa família, em vossa pátria, na cristandade e na humanidade inteira, a promessa que o Senhor fizera ao profeta Jeremias: “Dar-lhes-ei um coração capaz de conhecer-me e […] eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus, porque de todo o coração se voltarão a mim” (Jr 24, 7).

Referências

  • Discurso do Papa Pio XII aos recém-casados, 26 de junho de 1940. Em: Discorsi e radiomessaggi di Sua Santità Pio XII. Milano: Società Editrice “Vita e Pensiero”, vol. 2, p. 153ss (extraído de La Familia Cristiana. Trad. esp. a cargo da Ação Católica Espanhola. San Sebastián: Pax, 1943, pp. 123-129, nn. 91-95).

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