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As vítimas cristãs do Estado Islâmico
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As vítimas cristãs do Estado Islâmico

As vítimas cristãs do Estado Islâmico

Califado islâmico em perseguição aberta aos cristãos: ou eles se convertem ao islamismo, ou pagam um imposto religioso ou morrem pelo fio da espada.

Equipe Christo Nihil Praeponere15 de Agosto de 2014Tempo de leitura: 4 minutos
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Os habitantes de várias cidades da Síria e do Iraque têm que conviver, nos últimos dias, com uma notícia nenhum pouco encorajadora. As bandeiras negras penduradas nos prédios das cidades de Raqqa e Mosul dizem muito: agora, quem era sírio ou iraquiano pertence ao recém-proclamado “Estado Islâmico".

As milícias do ISIS – sigla em inglês para “Estado Islâmico do Iraque e do Levante" –, agora chamado simplesmente de Estado Islâmico, desfilam nas ruas ostentando tanques de guerra e armamentos pesados, exibindo cabeças decapitadas em praça pública, gritando o nome de Alá e prometendo erguer a bandeira do mais novo califado islâmico até na Casa Branca.

O recado de um prisioneiro do novo Estado é claro: “Quem não crê em Alá será punido, com certeza". Homens denominados hisbah saem às ruas para inspecionar a população e forçar a prática da sharia, vigiando os estabelecimentos comerciais e até mesmo o vestuário das pessoas. As punições para a venda de álcool ou o uso de drogas vão desde o açoitamento até a pena capital. Para os “infiéis", soma-se à morte cruel a vexação pública: vários cristãos já foram crucificados e tiveram seus corpos expostos nas praças, simplesmente por não aceitarem converter-se ao islã.

Em Mosul, a segunda maior cidade do Iraque, hoje tomada pelos radicais jihadistas, a fé dos cristãos foi praticamente empurrada para as catacumbas. Os sinos das igrejas foram silenciados, as mulheres foram forçadas a usar a burca, através de armas, e dezenas de milhares fugiram para não ter que renunciar a Cristo. Nos muros das casas dos cristãos, os radicais picham uma letra do alfabeto árabe, equivalente ao nosso “n", em referência a Jesus, o Nazareno. Aos proprietários dessas casas três opções são oferecidas: converter-se ao islamismo, pagar um imposto religioso ou morrer pelo fio da espada. Uma agência local de notícias reportou que um cristão pobre, não podendo arcar com o dito imposto, teve sua mulher e filha estupradas por soldados do ISIS. O homem cometeu suicídio depois do acontecido.

Os templos religiosos também são alvo das milícias armadas. Ainda em Mosul, uma igreja de vários séculos foi incinerada e o local que se acredita ser o túmulo do profeta Jonas foi profanado. Em Raqqa, outra igreja foi transformada em um centro para a pregação do islamismo. A ideia dos arautos desse novo mundo é criar um “islamismo do ano zero", eliminando qualquer resquício de cristianismo, direitos femininos, democracia ou mesmo piedade humana.

Não é novidade que a situação dos cristãos no Iraque é dramática. A perseguição vem de muito tempo, desde o governo de Saddam Hussein, tendo se intensificado com a invasão do país, em 2003. Para se ter uma ideia, antes do conflito, vivia no país mais ou menos 1,5 milhão de caldeus, sírio-católicos, sírio-ortodoxos, assírios orientais, católicos e ortodoxos armenos. Hoje, particularmente após a ascensão dos sunitas em Bagdá, esse número não passa de 400 mil.

A diferença do quadro anterior para o atual estado da região, no entanto, é enorme. Hoje, está no poder um grupo que fala abertamente de tomar o mundo, ensinando crianças a guerrear, obrigando as pessoas a aceitarem uma única religião e perseguindo sem escrúpulos as minorias religiosas do Oriente Médio, especialmente os cristãos.

A Santa Sé manifestou sua perplexidade e condenou os crimes cometidos no Iraque e na Síria. Em mensagem divulgada no dia 12 de agosto, o Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso enumerou as atrocidades cometidas pelo novo califado islâmico: desde “a desprezível prática da decapitação, crucificação e exposição de corpos em lugares públicos" até “a expulsão forçada de milhares de pessoas, incluindo crianças, idosos, mulheres grávidas e doentes". Na mensagem, o Conselho ressaltou que “nenhuma causa e, certamente, nenhuma religião, pode justificar tamanha barbárie" [1].

O Papa Francisco, em carta ao secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon, manifestou a sua preocupação com “o intolerável sofrimento de pessoas que desejam somente viver em paz, harmonia e liberdade na terra de seus antepassados", além de emitir um “apelo urgente à comunidade internacional para intervir e por fim à tragédia humanitária em andamento". “Os ataques violentos que têm se alastrado ao longo do norte do Iraque não podem ficar indiferentes às consciências de todos os homens e mulheres de boa-vontade", disse o Santo Padre. “As trágicas experiências do século XX e a elementar compreensão da dignidade humana exigem que a comunidade internacional (...) faça tudo o que for possível para deter e prevenir novas violências sistemáticas contra as minorias étnicas e religiosas", concluiu.

Outro a pedir uma intervenção internacional na região foi o Patriarca Caldeu da Babilônia, Louis Raphael Sako. Em apelo emitido no dia 13 de agosto, o bispo iraquiano escreve que, “se a situação não mudar, o mundo inteiro deverá assumir a responsabilidade pelo lento genocídio de um componente genuíno e inteiro da sociedade iraquiana e pela perda da sua herança e cultura ancestrais". O alerta do purpurado é iminente: “O ISIS está tentando apagar todos os rastros!"

Que as autoridades internacionais abram os olhos para o calvário dos cristãos no Oriente Médio. E que estes, auxiliados pela graça de Deus, conservem consigo o dom mais precioso que receberam no dia de seus batismos: a fé.

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A luta de satanás contra o sacerdócio
Igreja CatólicaEspiritualidade

A luta de satanás contra o sacerdócio

A luta de satanás contra o sacerdócio

O diabo sabe que a melhor maneira de destruir a Igreja é atacando o sacerdócio.

Equipe Christo Nihil Praeponere8 de Agosto de 2014Tempo de leitura: 4 minutos
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“Para fazer reinar Jesus Cristo no mundo, nada é mais necessário do que um clero santo, que seja, com o exemplo, com a palavra e com a ciência, guia dos fiéis" [1]. Estas são palavras que os Santos Padres não se cansam de repetir ao orbe católico, desde que foram pronunciadas, pela primeira vez, pelo papa São Pio X. De fato, o testemunho de um bom sacerdote é capaz de arrastar centenas de fiéis à Igreja de Cristo, quer por meio da pregação, quer por meio da administração dos sacramentos, quer por meio da obediência às normas eclesiais, como o celibato.

A missão do sacerdote resume-se àquela regra máxima da Igreja, de que falam os santos: Salus animarum suprema Lex – a lei suprema é a salvação das almas. Por isso o Papa Bento XVI, na proclamação do Ano Sacerdotal, em 2009, exortou o clero católico a redescobrir a dimensão eclesial de seu ministério. Somente na comunhão com a Igreja o sacerdote pode atingir aquela santidade necessária “para fazer reinar Jesus Cristo no mundo". Explica-nos o Papa Emérito: “a missão é eclesial, porque ninguém se anuncia nem se leva a si mesmo, mas, dentro e através da própria humanidade, cada sacerdote deve estar bem consciente de levar Outro, o próprio Deus, ao mundo" [2].

Essa realidade não é desconhecida pelo diabo, tampouco por aqueles que fazem as suas vezes na terra, disseminando o joio no meio do trigo. Não é para admirar, por conseguinte, que, no combate à Igreja, o primeiro alvo seja o sacerdócio. “Quando se quer destruir a religião" – observava o santo Cura d'Ars –, “começa-se por atacar o padre" [3]. Com efeito, a primeira tentação demoníaca contra os sacerdotes é a de afastá-los da comunhão eclesial, incentivando-os à dissidência, aplaudindo hereges e ridicularizando aqueles que se submetem de bom grado à autoridade do Santo Padre. Trata-se do primeiro non serviam demoníaco: o não à Igreja.

Os argumentos – ou, no caso, as mentiras – são os mesmos de sempre: o celibato é transformado em símbolo de castração, que fere o direito à sexualidade e leva à pedofilia; o hábito eclesiástico é tachado de indumentária antiquada, que afasta o clero do povo; o padre passa a ser somente o “presidente" da celebração; a obediência a Roma é considerada clericalismo; as normas litúrgicas são suprimidas em nome de uma falsa criatividade; o padre, é dito, não pode ficar preso a “regras de orações medievais"; isto, outros reclamam, não está de acordo com o Concílio Vaticano II; o padre não é sacerdote, mas presbítero; ele tem uma mentalidade pré-conciliar etc. Repetidas ad nauseam pela mídia – e por uma porção de maus teólogos que agem em conluio com ela –, essas ideias perniciosas vão aos poucos minando a identidade do sacerdote, até ao ponto de levá-lo a proclamar o segundo non serviam do diabo: o não a Cristo.

Não é preciso gastar muita tinta, porém, para explicar os erros contidos nestes sofismas. Muito mais sabiamente responderam os santos padres – vivendo a sua vocação de maneira exemplar –, como também o Magistério da Igreja – seja nas encíclicas papais, sejo nos outros inúmeros documentos já publicados a esse respeito. O que é preciso ter em conta é que a luta que se trava contra o sacerdócio é, na verdade, uma luta contra a Pessoa de Jesus Cristo. O padre, não nos esqueçamos, é um Alter Christus (Outro Cristo), dado o caráter impresso em sua alma pelo sacramento da ordem. Por isso, é compreensível a raiva do diabo pela castidade dos sacerdotes – “o mais belo ornamento de nossa ordem", como elogiava São Pio X –, pois ela remete à virgindade de Cristo, que também foi guardada até a morte na cruz [4]. É compreensível o ódio do diabo à batina negra – a “heroica e santa companheira" de Dom Aquino Correa –, porque o luto recorda o sacrifício redentor da cruz, pelo qual a morte foi vencida [5].

O remédio às insinuações diabólicas, por conseguinte, não pode ser outro senão aquele prescrito por Bento XVI, durante o Ano Sacerdotal [6]:

É importante favorecer nos sacerdotes, sobretudo nas jovens gerações, uma correta recepção dos textos do Concílio Ecuménico Vaticano II, interpretados à luz de toda a bagagem doutrinal da Igreja. Parece urgente também a recuperação desta consciência que impele os sacerdotes a estar presentes e ser identificáveis e reconhecíveis quer pelo juízo de fé, quer pelas virtudes pessoais, quer também pelo hábito, nos âmbitos da cultura e da caridade, desde sempre no coração da missão da Igreja.

Enfim, não se há de esquecer a mediação de Nossa Senhora, mãe solícita dos sacerdotes e a inimiga de todas as heresias. Na sua viagem a Fátima, em 2010, o Santo Padre não perdeu a oportunidade de confiar à Virgem, “os filhos no Filho e seus sacerdotes", consagrando-os ao seu Coração Materno, para que cumprissem fielmente a Vontade do Pai [7]. Neste ato, o Papa Bento XVI ensinava ao clero do mundo inteiro que o melhor caminho de santidade e escudo contra o demônio é a intercessão de Nossa Senhora. É também o ensinamento dum outro padre que, não por acaso, muito se assemelha às palavras de São Pio X, ao início deste texto: “foi pela Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo, e é também por Ela que deve reinar no mundo" [8].

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O demônio odeia a Igreja
Espiritualidade

O demônio odeia a Igreja

O demônio odeia a Igreja

Se o mundo odeia a Igreja, é porque primeiro odiou a sua cabeça. Quem diz não à Igreja, diz não ao próprio Jesus Cristo.

Equipe Christo Nihil Praeponere6 de Agosto de 2014Tempo de leitura: 3 minutos
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O Papa Pio XII ensina que o inimigo, “que se tornou cada vez mais concreto", vociferou três gritos contra Deus. Ao destacar isso, ele lembra que, embora seja uma invenção angélica, o pecado também encontra seus servidores em meio aos homens. Muitos deles, com as suas ideias e atitudes, realmente se revestem de Satanás, semeando o erro e introduzindo a confusão entre as próprias ovelhas do redil de Cristo.

O primeiro grito de que fala o Papa – “Cristo sim, a Igreja não!" [1] – é uma rebeldia conhecida. Embora sua grande manifestação tenha acontecido no século XVI, com Martinho Lutero e os chamados “reformadores" protestantes, essa forma de pensar parece estar na moda hoje em dia. É frequente ler ou ouvir pessoas defendendo que se pregue “mais Jesus, menos religião", como se Nosso Senhor não tivesse verdadeiramente fundado uma só Igreja: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja" [2] e não se tivesse vinculado a ela como a cabeça se vincula ao corpo humano: “Cristo, salvador do Corpo, é a cabeça da Igreja" [3].

O Papa Paulo VI recorda que não é possível amar Cristo sem a Igreja, chamando tal dicotomia de absurda: “Como se poderia querer amar Cristo sem amar a Igreja, uma vez que o mais belo testemunho dado de Cristo é o que São Paulo exarou nestes termos: 'Ele amou a Igreja e entregou-se a si mesmo por ela' (Ef 5, 25)?" [4]. Também o Papa Francisco, em seus discursos e meditações na Casa Santa Marta, tem repetido esse ensinamento. E ainda Pio XII, ao destacar que Jesus podia distribuir as graças “diretamente por si mesmo a todo o gênero humano", ensina que Ele:

“Quis, porém, comunicá-las por meio da Igreja visível, formada por homens, a fim de que por meio dela todos fossem, em certo modo, seus colaboradores na distribuição dos divinos frutos da Redenção. E assim como o Verbo de Deus, para remir os homens com suas dores e tormentos, quis servir-se da nossa natureza, assim, de modo semelhante, no decurso dos séculos se serve da Igreja para continuar perenemente a obra começada." [5]

O grande escândalo que as pessoas experimentam em relação à necessidade da Igreja diz respeito especialmente ao fato de ela, ainda que indefectivelmente santa, possuir em seu seio membros pecadores, que não raras vezes maculam a sua imagem e ação no mundo. Sobre isso, Pio XII explica que, “se às vezes na Igreja se vê algo em que se manifesta a fraqueza humana, isso não deve atribuir-se (...) [senão] àquela lamentável inclinação do homem para o mal". E remata dizendo que, “se alguns de seus membros estão espiritualmente enfermos, não é isso razão para diminuirmos nosso amor para com ela, mas antes para aumentarmos a nossa compaixão para com os seus membros" [6].

À luz disso, é possível entender o significado correto do adágio Ecclesia semper reformanda est. As reformas genuínas brotam dos corações que amam Nosso Senhor, dos espíritos apaixonados de homens e mulheres que não temem renunciar a seus desejos e suas ideias para se configurarem totalmente a Cristo, que é a cabeça da Igreja [7]. É por Ele que acontecem as verdadeiras reformas: se, pelos pecados dos homens, a Igreja está em constante renovação, é sempre por iniciativa divina que ela se renova; se, pelas faltas dos membros, o Corpo fica ferido, é sempre pela ação da graça que acontece a cura.

O agir de Deus, no entanto, se faz necessitado da liberdade humana. Assim como Ele fez depender do fiat de uma Virgem a sua entrada no mundo, faz depender do “sim"de cada um de nós a Sua ação providente. Se destemida e generosamente nos lançamos a esta misteriosa aventura que é a vontade de Deus, santificamo-nos e edificamos a Cidade de Deus; se, ao contrário, mesquinha e covardemente nos fechamos no comodismo de nossos caprichos e veleidades – apegando-nos ciosamente a nós mesmos, para usar a expressão do Apóstolo [8] –, destruímo-nos e regressamos à perecível cidade dos homens, na qual só reinam o erro e a confusão.

Não desanimemos se o demônio odeia a Igreja. Lembremo-nos, antes, da advertência de Nosso Senhor aos Apóstolos: “Se o mundo vos odeia, sabei que primeiro odiou a mim. Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como ama o que é seu; mas, porque não sois do mundo, (...) o mundo vos odeia" [9].

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Um clero santo para que Cristo reine sobre a Terra
Igreja CatólicaEspiritualidade

Um clero santo para que
Cristo reine sobre a Terra

Um clero santo para que Cristo reine sobre a Terra

Para fazer reinar Jesus Cristo no mundo, nada é mais necessário do que um clero santo, que seja, com o exemplo, com a palavra e com a ciência, guia dos fiéis.

Equipe Christo Nihil Praeponere4 de Agosto de 2014Tempo de leitura: 4 minutos
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São João Maria Vianney, cuja memória litúrgica celebra-se no dia 4 de agosto, costumava se referir ao sacerdócio como “o amor do coração de Jesus". Dizia o santo pároco: “um bom pastor, um pastor segundo o coração de Deus, é o maior tesouro que o bom Deus pode conceder a uma paróquia e um dos dons mais preciosos da misericórdia divina" [1]. Com essas palavras, o Cura d'Ars exprimia aos seus fiéis a importância da existência de sacerdotes para o mundo.

O ministério sacerdotal existe para realizar a mediação entre o Céu e a Terra. Trata-se de uma necessidade sobrenatural, dada a fragilidade do gênero humano, causada pelo pecado. A culpa original fez com que os homens se voltassem contra Deus, por medo de sua presença [2]. Ele, por sua vez, não os abandonou à própria sorte; ao contrário, alentou-os a esperar a salvação eterna, estabeleceu com eles uma aliança e escolheu homens dentre o povo de Israel para oferecer “dons e sacrifícios" pelos pecados. Esse modelo de sacerdócio ministerial duraria até à vinda do Sumo Pontífice, na Nova Aliança, que seria capaz de oferecer o seu sacrifício uma vez por todas, a saber: Jesus Cristo. A superioridade desse Sumo Sacerdote é manifestada nas palavras de São Paulo aos hebreus [3]:

“Tal é, com efeito, o pontífice que nos convinha: santo, inocente, imaculado (...) que não tem necessidade, como os outros sumos sacerdotes, de oferecer todos os dias sacrifícios, primeiro pelos pecados próprios, depois pelos do povo; pois isto o fez de uma só vez para sempre, oferecendo-se a si mesmo"

Na noite de sua paixão, Jesus instituiu a um só tempo os sacramentos da ordem e da Eucaristia; fez a oferta definitiva para a remissão dos pecados da humanidade. Daí procede a relação intrínseca entre sacerdócio e Santa Missa. O sacerdote da Nova Aliança é também vítima e altar. Ele não só oferece o sacrifício como também se entrega em holocausto pela salvação do rebanho. Assim, diferentemente do que ocorria na Antiga Aliança – na qual o sacerdote deveria oferecer sacrifícios todos os dias, “primeiro pelos pecados próprios, depois pelos do povo" –, Ele se oferece a si mesmo, como vítima de expiação, no altar da cruz. E somente um sacerdote “santo e imaculado", como descrevem as Sagradas Escrituras, pode fazer isso uma vez por todas.

Com efeito, o sacramento da ordem, que nasce diretamente da vontade de Cristo – “fazei isto em memória de mim" [4] – perpetua a ação salvífica de Jesus na história. Todo padre é um Outro Cristo. Na administração dos sacramentos, não é a pessoa do padre quem realiza a ação, mas é o próprio Jesus a operar o milagre da transubstanciação – em que o pão e o vinho se convertem em Corpo e Sangue – a perdoar os pecados, a conceder o viático aos enfermos etc. A Igreja ensina que o bispo ou o presbítero preside na pessoa de Cristo Cabeça ( in persona Christi capitis).

Isso explica o porquê de o sacerdócio sempre ter ocupado um lugar privilegiado no imaginário popular. O padre – seja pelas suas vestes, seja pela sua piedade – transmite ao mundo a misericórdia de Deus pelos seus filhos, sobretudo quando procura configurar-se cada dia mais à pessoa de seu Senhor. Dá testemunho disso uma centena de santos sacerdotes, que, ao longo de seu ministério, reconduziram muitos transviados de volta à religião cristã, por meio de suas práticas devocionais e atividades caritativas: São João Bosco, no apostolado com os jovens; Santo Afonso Maria de Ligório, na prática das virtudes morais e evangélicas; São Josemaria Escrivá, na santificação do trabalho; São Pio X, na condução da Igreja à Eucaristia. Desse último, aliás, colhemos estas pias palavras, que dizem muito sobre a importância do ministério sacerdotal: “para fazer reinar Jesus Cristo no mundo, nada é mais necessário do que um clero santo, que seja, com o exemplo, com a palavra e com a ciência, guia dos fiéis" [5].

Exige-se do sacerdote, portanto, uma maior dedicação à sua vocação, ainda mais nestes tempos em que a figura sacerdotal encontra-se tão atacada, seja por uma opinião pública tendenciosa e anticlerical, seja pelos próprios pecados de alguns padres. Se na ação litúrgica, a presença de Cristo é garantida ao sacerdote, de tal forma que mesmo o seu pecado não pode impedir os frutos da graça, “há muitos outros atos em que a conduta humana do ministro deixa traços que nem sempre são sinal de fidelidade ao Evangelho e que podem, por conseguinte, prejudicar a fecundidade apostólica da Igreja" [6]. Neste sentido, faz-se imperioso o apelo de Pio XII [7]:

O caráter sacramental da ordem chancela da parte de Deus num pacto eterno o seu amor de predileção, que exige em troca, da criatura escolhida, a santificação... O clérigo deve ser tido como um eleito entre o povo, cumulado dos dons sobrenaturais e participante do poder divino, numa palavra, um 'outro Cristo'... Já não pertence a si, nem aos parentes e amigos, nem mesmo à sua pátria. Deve consumi-lo um amor universal. Mais ainda, a caridade universal será o seu respiro, os seus pensamentos, a vontade, os sentimentos deixam de ser seus, para serem de Cristo, que é a sua vida.

Da santidade dos padres, depende a salvação das almas. Da santidade dos padres, depende o anúncio da misericórdia cristã. É neste sentido que o Cura d'Ars alertava: “deixai uma paróquia durante vinte anos sem padre, e lá adorar-se-ão as bestas" [8]. Este século é a maior prova disso.

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