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Corte inaugura “direito à blasfêmia” na França
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Corte inaugura
“direito à blasfêmia” na França

Corte inaugura “direito à blasfêmia” na França

Corte francesa absolve feministas que invadiram Catedral de Notre Dame e condena vigias “por violência contra as militantes”

Equipe Christo Nihil Praeponere23 de Setembro de 2014Tempo de leitura: 3 minutos
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Em fevereiro do ano passado, algumas ativistas do movimento feminista Femen, famosas por suas exibições internacionais desnudas, decidiram “comemorar" a renúncia do Papa Bento XVI invadindo a Catedral de Notre Dame, em Paris, com inscrições no corpo que diziam: “ Pope no more - Papa não mais" e “Pope Game Over". Além dos transtornos causados pela invasão do templo e pelo ultraje ao sentimento religioso dos católicos presentes, as militantes teriam danificado três sinos da igreja com bastões de madeira, segundo informações das agências internacionais.

Notícias recentes reportam que as feministas foram “absolvidas por ato na Notre Dame". A Justiça penal da França não só decidiu “inocentar nove ativistas do movimento feminista Femen", como “condenou três vigias da catedral que haviam tentado interromper a ação das militantes a multas que vão de 300 euros a 1 mil euros (...) por violência contra as militantes"!

Não, você não leu errado. É isso mesmo. As ativistas invadiram Notre Dame e saíram… impunes. Ao contrário, os vigias “malvados", que não deixaram que as militantes “expressassem o seu pensamento", foram condenados pelo tribunal a pagar multas.

Mas, o absurdo não para por aí. A Justiça francesa “considerou que não havia provas suficientes de que as ativistas haviam danificado o sino" da igreja! Ou seja, não tem problema nenhum em invadir a catedral, gritar e insultar a religião católica… contanto que os sinos da igreja permaneçam intactos. Está liberado entrar em templos religiosos e fazer o escarcéu… contanto que não se danifique nenhum móvel ou objeto do local. “Se alguém jura pelo Santuário, não vale; mas se alguém jura pelo ouro do Santuário, então vale!" (Mt 23, 16), decretam os fariseus do século XXI.

Os jornalistas que falam sobre a absolvição das jovens do Femen também estão obcecados com os sinos. “No julgamento, as militantes do Femen contestaram ter danificado o sino, alegando que haviam coberto os bastões de madeira com feltro" - “O advogado dos representantes da Notre Dame, por sua vez, disse que a proteção se descolou e que as ativistas tocaram o sino com um bastão sem proteção" - “A Justiça considerou que não havia provas suficientes de que as ativistas haviam danificado o sino". Ora, quem é que pode se preocupar com um sino, ainda que de ouro, quando o santuário está sendo profanado? “Insensatos e cegos! Que é mais importante, o ouro ou o Santuário que santifica o ouro?" (Mt 23, 17).

Mas, em uma cultura materialista, as pessoas não são capazes de enxergar nada além do que captam os seus sentidos. Veem o ouro, mas já não conseguem contemplar a beleza do santuário. O edifício da igreja já não é nada mais do que cimento e tijolos. Non est Deus (Sl 53, 1): não há Deus, nem nada sagrado e transcendente pelo qual viver.

O bárbaro da modernidade já não é capaz de elevar-se… esforça-se por esquecer que seus antepassados faziam o sinal da cruz ao passar em frente a uma capela; trabalhavam duro para conseguir o pão de cada dia para os seus filhos; e iam à Missa todos os domingos, pois tinham consciência de que, se o Senhor não construísse as suas casas e cuidassem de suas cidades, em vão trabalhariam os construtores e vigiariam as sentinelas (cf. Sl 126, 1). Então, para não mais lembrar que a Europa um dia foi cristã, eles, com uma impiedade animalesca, precisam pôr abaixo tudo o que lhes lembra este passado glorioso, quando os homens, justamente por adorarem a Deus, eram homens de verdade, de corpo e de alma.

Inna Schevchenko, uma das fundadoras do Femen, comemorou a sentença da Corte francesa. “É um bom exemplo para os outros países. Isso nos encoraja a continuarmos com nossa ação. Temos orgulho de saber que a blasfêmia é um direito e que não seremos condenadas por isso", afirmou.

O tempora, o mores! Para esta triste época, em que a impunidade é encorajada, o ateísmo é acolhido como “religião oficial" do Estado e a blasfêmia não só é praticada, como transformada em “direito", não resta senão suplicar a Cristo que suscite nos corações dos cristãos o amor a Deus e o empenho de, mais uma vez, salvar o Ocidente da barbárie.

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Católicos Romanos
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Católicos Romanos

Católicos Romanos

“Vamos em frente. Somos romanos”, exortou certa vez São João Paulo II, manifestando a força da cristandade ligada à Sé de Pedro.

Equipe Christo Nihil Praeponere18 de Setembro de 2014Tempo de leitura: 3 minutos
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Os cartazes que enfeitavam as ruas de Roma, em 2011, por ocasião da beatificação de João Paulo II, diziam, na sua maioria, as seguintes palavras: “ Damose da fa, semo romani". A frase fazia referência a uma alocução do falecido papa, na Sala Paulo VI, em que ele dizia aos fiéis presentes, em dialeto romano: “Vamos em frente. Somos romanos". De modo semelhante exprimia-se São Josemaria Escrivá no seu famoso livro Caminho: “Gosto de que sejas muito romano. E — assim prosseguia o santo do cotidiano — que tenhas desejos de fazer a tua 'romaria', 'videre Petrum', para ver Pedro." [1]

Historicamente, a cidade de Roma concentrou o poder temporal do maior império político já visto na terra. A sede de expansão e domínio fez com que os romanos chegassem até os confins do mundo, por assim dizer, levando consigo sua cultura, organização política e religião. Em meio a isso, emergia a figura imponente do imperador, a cuja pessoa os cidadãos e súditos deveriam prestar culto.

O anúncio de Jesus Cristo insere-se exatamente neste contexto. Deus, por razões misteriosas, quis que a encarnação de seu Filho — o Rei dos reis — coincidisse com o tempo em que outro homem arrogava para si o título de “Augusto". Cristo, por sua vez, encarna-se para anunciar o verdadeiro Evangelho; não aquele que pertencia à linguagem do imperador, mas o Evangelho da Alegria, capaz de encher “o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus" [2]. Dada essa realidade, não foi por acaso que o cristianismo logo se converteu no maior obstáculo para o imperador romano. Os cristãos agora possuíam outra medida, possuíam a glória da salvação eterna, um Deus em cuja face se manifestava o amor à criatura: o amor crucificado e ressuscitado. Com efeito, a ameaça de morte contra aqueles que não prestassem culto a César não mais poderia intimidá-los. Ao contrário, o martírio pelo Deus do amor havia se convertido no maior desejo de seus corações.

Na crucifixão de São Pedro, por conseguinte, Roma é lavada pelo sangue do apóstolo sobre o qual Jesus havia edificado seu Corpo Místico, isto é, a Igreja. Isso marca um ponto importante na história da Cidade Eterna. Ela não mais seria a sede do imperador, aquele que oprimia e subjugava, mas a Cátedra do “Servo dos Servos" de Cristo, o encarregado de “confirmar seus irmãos na fé" (cf. Lc 22, 32). Roma não seria mais o opróbrio das nações, submetendo-as às perversões mundanas, mas o símbolo da libertação, manifestada pelo canto alegre dos cristãos que, a exemplo de seu Senhor, iam para a cruz, entregando-se por amor a Deus. Não seria mais a capital do maior império político já visto nesta Terra, mas a casa dos cristãos, a casa universal, a casa dos filhos de Deus. Não seria mais a Roma de Nero, de Calígula, mas “dos mártires, dos santos" [3].

Assim se compreende a árdua luta empreendida por Santa Catarina de Siena, a fim de que o Santo Padre retornasse a Roma, quando o então papa Gregório XI encontrava-se num exílio em Avinhão. Para que a Igreja pusesse fim à crise que se insurgia entre os fiéis, convinha antes “pôr fim à longa ausência, a esse exílio em Avinhão que privava a Cristandade da sua autêntica capital, consagrada pelo sangue do Apóstolo" [4]. Por isso a santa não economizou palavras ao se dirigir ao seu “Doce Cristo na Terra": “Seja homem, volte para Roma".

Na teologia moderna, infelizmente, não é difícil encontrar a acusação de que a Igreja Católica teria sido fundada por Constantino. Além disso, não faltam aqueles que, dentro da Igreja, estabelecem como que um poder paralelo, a fim de dar início a uma “nova reestruturação e nova divisão eclesiástica do trabalho e do poder religioso", menosprezando a figura do papa ao mesmo tempo em que reduz o Corpo de Cristo à figura de empresa [5]. Ora, é preciso pouco esforço para enxergar o veneno por trás dessas teorias. Basta observar o esfacelamento do protestantismo, perdido em meio a tantas interpretações duvidosas da bíblia, como também o caos daquelas igrejas e Conferências Episcopais, que recusando a autoridade de Roma, acabaram subjugadas pela bota dos governos locais, numa nova espécie de Cesaropapismo. É o caso, por exemplo, da Igreja Ortodoxa, escrava do Kremlin, e de inúmeras igrejas da América Latina.

“A Igreja de Roma preside na caridade", afirmava Santo Inácio de Antioquia. Amemos, portanto, a capital da Cristandade, onde o sol não tem poente, onde se vence refulgente todo erro e todo mal!

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A Bíblia leva-nos a Roma
Igreja CatólicaTestemunhos

A Bíblia leva-nos a Roma

A Bíblia leva-nos a Roma

Ao deixar-se conduzir pela Igreja, santos de todos os séculos puderam descobrir suas vocações na prática da leitura orante das Sagradas Escrituras.

Equipe Christo Nihil Praeponere15 de Setembro de 2014Tempo de leitura: 5 minutos
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A prática da Lectio Divina é uma das devoções mais presentes na vida dos santos. Por meio da meditação das Sagradas Escrituras, eles foram capazes de encontrar a face de Jesus, que se revela a cada versículo lido. É por isso que, querendo esmiuçar o valor dos Textos Sacros, São Jerônimo dizia a seus fiéis: “A ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo" [1]. Quem se põe a escutar a Palavra, escuta, pois, a própria voz de Deus; faz como reza o salmista: “É tua face, Senhor, que eu procuro" (cf. Sl 27, 8-9).

Diferentemente do que acusam os protestantes, a Igreja sempre incentivou a leitura das páginas sagradas. Ao mesmo tempo, os santos padres nunca deixaram de insistir numa leitura dentro da « tradição viva de toda a Igreja». Essa preocupação se deve ao fato de que também a Bíblia, quando mal interpretada, pode conduzir o homem ao erro. Que foram as tentações de Cristo no deserto senão “tentações bíblicas"? Desafiou Satanás: “Se és o Filho de Deus, lança-te abaixo, pois está escrito: 'Ele deu a seus anjos ordens a teu respeito; eles te protegerão com as mãos'" (cf. Sl 90, 11). Quando se perde a dimensão eclesiológica das Sagradas Escrituras, perde-se, por conseguinte, o próprio sentido das Escrituras, pois não seria possível crer em suas palavras se a isso não nos levasse a autoridade da Igreja [2].

Assim se justifica a luta do Magistério contra a doutrina luterana da Sola Scriptura (Somente a Escritura). Trata-se de uma defesa do sentido autêntico da Bíblia, de uma defesa contra reducionismos baratos, manipulações desonestas, fundamentalismos agressivos, que, no mais das vezes, levam grande parte dos cristãos à perda da fé, como também muitos céticos e pagãos a recusarem os ensinamentos evangélicos. Por outro lado, a prática da Lectio Divina, isto é, a leitura das Sagradas Escrituras realizada sob a luz da Tradição, longe de induzir os fiéis a falsas devoções, abre-lhes um caminho seguro para o encontro com Cristo. Isso porque, como definiam os Padres, “a Sagrada Escritura está escrita no coração da Igreja, mais do que em instrumentos materiais" — «Sacra Scriptura principalius est in corde Ecclesiae quam in materialibus instrumentis scripta». A religião cristã não é a religião do livro mas da Palavra, que é Jesus. Essa Palavra, por sua vez, confiou seu depositum fidei, quer por meio do testemunho oral, quer por meio do testemunho escrito, à tutela de sua Igreja.

Santos de todos os séculos experimentaram essa verdade, descobrindo suas vocações no seio da Igreja orante e intérprete fiel da Revelação [3]:

[...] Certamente não é por acaso que as grandes espiritualidades, que marcaram a história da Igreja, nasceram de uma explícita referência à Escritura. Penso, por exemplo, em Santo Antão Abade, que se decide ao ouvir esta palavra de Cristo: «Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que possuíres, dá o dinheiro aos pobres, e terás um tesouro no céus; depois, vem e segue-Me» (Mt 19, 21).

Igualmente sugestivo é São Basílio Magno, quando, na sua obra Moralia, se interroga: «O que é próprio da fé? Certeza plena e segura da verdade das palavras inspiradas por Deus. (…) O que é próprio do fiel? Com tal certeza plena, conformar-se com o significado das palavras da Escritura, sem ousar tirar nem acrescentar seja o que for». São Bento, na sua Regra, remete para a Escritura como «norma retíssima para a vida do homem».

São Francisco de Assis – escreve Tomás de Celano – «ao ouvir que os discípulos de Cristo não devem possuir ouro, nem prata, nem dinheiro, não devem trazer alforge, nem pão, nem cajado para o caminho, não devem ter vários pares de calçado, nem duas túnicas, (…) logo exclamou, transbordando de Espírito Santo: Com todo o coração isto quero, isto peço, isto anseio realizar!».

Scott Hahn, ex-pastor protestante, também experimentou essa verdade, assim como os santos, quando se decidiu por uma escuta da Palavra de Deus, alicerçada na grande Tradição da Igreja. Em seu comovente testemunho de conversão à fé católica, ele e sua mulher, Kimberly Hahn, contam como foram surpreendidos pela fé bíblica da Igreja, sobretudo na Santa Missa [4]:

[...] Então, subitamente, compreendi que era ali o lugar da Bíblia. Aquele era o ambiente no qual esta preciosa herança de família devia ser lida, proclamada e explicada. Depois passamos à liturgia Eucarística, onde todas as minhas afirmações sobre a Aliança encontravam o seu lugar.

Hahn foi um ferrenho opositor do catolicismo durante anos. Como pastor de linha calvinista, ele pregava “que a Missa católica era o maior sacrilégio que um homem podia cometer" [5]. Essa convicção o motivava a converter o maior número de católicos possível, a fim de retirá-los da idolatria. Seus estudos teológicos, por conseguinte, tinham por objetivo principal refutar cada ensinamento católico, mormente a divina liturgia, a autoridade do papa e a devoção à Virgem Santíssima. Nada que a Igreja Católica ensinasse poderia ser considerado bíblico.

Em 1979, poucos meses após a visita de João Paulo II aos Estados Unidos, Kimberly Hahn apresentou ao marido o livro “Sexo e a aliança matrimonial", de John Kippley, que versava sobre a moral católica e a contracepção. A coerência dos argumentos era tão eloquente, que o casal, embora não admitindo ainda a verdade católica, viu-se obrigado a abandonar os métodos anticoncepcionais. Esse foi o primeiro passo para a reviravolta. Scott Hahn descobrira uma nova maneira de enxergar a Aliança de Deus: ela não era apenas um contrato; Deus queria uma família.

Scott e Kimberly Hahn.

Após o episódio, Scott Hahn deu início a um estudo para fundamentar biblicamente as teses da Sola Fide — doutrina protestante que nega o valor meritório das boas obras — e da Sola Scriptura. Ora, a Sola Fide e a Sola Scriptura são como que duas colunas do protestantismo. Toda a fé protestante tem como ponto de partida esses dois preceitos básicos. A sua fundamentação era, portanto, imprescindível para o pastor. Mas qual não foi sua surpresa ao descobrir que ambas as teses luteranas não possuíam nenhum respaldo das Sagradas Escrituras. De fato, a Igreja Católica estava certa! Com efeito, conforme Scott Hahn se aprofundava em seus estudos, um a um iam caindo os dogmas do protestantismo: a proibição do batismo de crianças, a negação das imagens, o repúdio ao culto mariano etc. Scott iniciava o caminho para a Igreja.

Scott Hanh converteu-se à Igreja Católica na páscoa de 1986, mesmo sob forte oposição de amigos e familiares. Anos mais tarde, seria a vez de sua mulher, Kimberly, buscar a comunhão com a Igreja de Cristo, pedindo o batismo e os demais sacramentos da iniciação cristã. Hoje, ambos ministram palestras em todo o mundo, a fim de esclarecer os fundamentos bíblicos da Igreja Católica, bem como a riqueza de sua liturgia. Graças à sua história de conversão, Scott é considerado o “Martinho Lutero às avessas". Ele descobriu que também a Bíblia leva-nos a Roma.

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Quatro conselhos dos santos para a educação dos seus filhos
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Quatro conselhos dos santos
para a educação dos seus filhos

Quatro conselhos dos santos para a educação dos seus filhos

Vão aqui quatro preciosos conselhos dos santos para a educação dos seus filhos. Nem todas são exortações muito agradáveis aos ouvidos, mas com certeza todas serão de grande valor para a sua família.

Equipe Christo Nihil Praeponere11 de Setembro de 2014Tempo de leitura: 6 minutos
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“Como poderão os filhos ser bons, se os pais não prestam? Só por milagre". Com essa frase, Santo Afonso de Ligório resume a grave responsabilidade dos pais na formação da consciência de seus filhos. Como ensinou Nosso Senhor, pelos seus frutos os conhecereis. São muitíssimos os nomes de santos que tiveram pais ou mães igualmente virtuosos: Santo Agostinho e Santa Mônica, São Gregório Magno e Santa Sílvia, Santa Catarina da Suécia e Santa Brígida… e a lista se estende. São verdadeiramente almas gigantes, que só puderam se elevar porque receberam uma educação exemplar de seus pais.

Vão aqui quatro conselhos dos santos para você educar os seus filhos. Nem todas são exortações muito agradáveis aos ouvidos, mas, com certeza todas serão de grande valor para a sua família.

1. Ser obediente a Deus

Se queremos saber mandar, temos primeiro de saber obedecer, procurando impor-nos mais com o amor do que com o temor." (São João Bosco[1])

Antes de impor a autoridade sobre os filhos, é preciso lembrar que há uma autoridade à qual todos os homens devem obedecer. Tanto maior será o respeito dos filhos por seus pais, quanto maior for o respeito destes ao Pai dos céus. O filho que vê o pai trabalhando, tratando com respeito a sua mulher, cuidando das necessidades da casa e rezando - em suma, cumprindo o seu dever de cristão e pai de família -, não só será dócil às suas instruções, como seguirá o seu exemplo, ao crescer. Portanto, em primeiro lugar, o Reino de Deus, isto é, o cumprimento da Palavra. As outras coisas virão por acréscimo.

2. Corrigir por amor, não por ira

Tome-se como regra nunca pôr as mãos num filho enquanto dura a ira ou cólera; espere-se até que se tenha aquietado por completo." (Santo Afonso de Ligório[2])
“Quando, porém, se tornarem necessárias medidas repressivas, e consequentemente a mudança de sistema, uma vez que certas índoles só com o rigor se podem dominar, cumpre fazê-lo de tal maneira que não apareça o mínimo sinal de paixão." (São João Bosco [3])

Os conselhos de Santo Afonso e São João Bosco são o mesmo conselho do Autor Sagrado: “Vós, pais, não provoqueis revolta nos vossos filhos" (Ef 6, 4). Se é verdade que, como adverte o Livro dos Provérbios, “quem poupa a vara, odeia seu filho" (13, 24), também é verdade que toda correção deve ser feita de modo racional e equilibrado, inspirada pelo amor, não pela ira. Caso contrário, também a criança aprende a irar-se, sem que mude de comportamento. Aqui, é importante evitar não só as agressões físicas, mas também os gritos e as palavras exasperadas, que mais servem para intimidar as pessoas que para melhorar o seu caráter.

3. Dar bom exemplo

Os pais estão igualmente obrigados a dar bom exemplo a seus filhos. Estes, principalmente quando pequenos, imitam tudo o que veem, com a agravante de seguirem mais facilmente ao mal, ao qual nos sentimos inclinados por natureza, que o bem, que contraria nossas inclinações perversas. Como poderão os filhos comportar-se irrepreensivelmente, se ouvirem seus pais blasfemar a miúdo, falar mal do próximo, injuriá-lo e desejar-lhe mal, prometer vingar-se, conversar sobre coisas indecentes e defender máximas ímpias, como estas: Deus não é tão severo como dizem os Padres; ele é indulgente com certos pecados, etc.? O que se tornará a filha que ouve sua mãe dizer: É preciso deixar-se ver no mundo e não se enclausurar como uma freira em casa? Que bem se pode esperar dos filhos que veem o pai o dia inteiro sentado na taberna e, depois, chegar bêbado a casa, ou então visitar casas suspeitas, confessando-se uma só vez no ano ou só muito raramente? S. Tomás diz que tais pais, de certo modo, obrigam seus filhos a pecar." (Santo Afonso de Ligório[4])

As palavras de Santo Afonso são suficientemente claras. Aqueles que dão mau exemplo de vida, “de certo modo, os obrigam seus filhos a pecar". Se essa sentença é verdade para o mal, também o é para o bem. Pais que vivem uma vida de oração e virtudes excitarão o coração de seus filhos para o serviço de Deus e das almas. O casal de beatos Luís Martin e Zélia Guérin educou tão bem suas cinco filhas, que todas elas se tornaram religiosas, entre elas Santa Teresinha do Menino Jesus, que é doutora da Igreja.

O pai que, lendo essas linhas, lamentou não ter dado uma boa educação a seus filhos - pois não tinha conhecido Nosso Senhor quando começou a sua família - deve, antes, louvar a Deus pelo conhecimento que agora tem e ainda pode dar a seus filhos, por meio de conselhos. É preciso, agora, buscar a conversão da própria família, sobretudo com uma vida de muita oração e penitência, evitando inquietações e escrúpulos desnecessários, afinal, Deus não nos pede conta daquilo que ignoramos. Uma vez conscientes da Sua vontade, todavia, é importante trabalhar com temor e tremor na própria salvação e na dos outros, sabendo que a quem muito foi dado, muito será cobrado.

4. Agir com prudência e vigilância

“Os pais são os culpados, pois quando se trata de seus cavalos, eles mandam aos cavalariços que cuidem bem deles, e não deixam que cresçam sem serem domados, e desde cedo põem neles freio e outros arreios. Mas quando se trata de seus filhos jovens, deixam-nos soltos por todas as partes durante muito tempo, e assim perdem a castidade, se mancham com desonestidades e jogos, e desperdiçam o tempo com espetáculos imorais. (...)Cuidamos mais de nossos asnos e de nossos cavalos, do que de nossos filhos. O que possui uma mula, se preocupa em encontrar um bom cuidador, que não seja nem rude, nem desonesto, nem ébrio, mas um homem que conheça bem o seu ofício. Todavia, quando se trata de procurar um professor para a alma da criança, contratamos o primeiro que aparece. E, no entanto, não há arte superior a esta. O que é comparável à arte de formar uma alma, de plasmar a inteligência e o espírito de um jovem? Quem professa esta ciência deve proceder com mais cuidado que um pintor ou um escultor ao realizar sua obra." (São João Crisóstomo[5])

São João Crisóstomo viveu no século IV, mas esse conselho é válido sobretudo para os nossos tempos, em que as crianças são entregues a um sistema educacional corrompido, muitas vezes com a displicência dos pais, que querem passar toda a sua responsabilidade de educá-las para o Estado.

“Quando se trata de procurar um professor para a alma da criança, contratamos o primeiro que aparece". Essa sentença convida todos os pais a um exame de consciência: como me relaciono com a escola dos meus filhos? Sei ou procuro saber o que os professores estão passando para eles, quais livros estão sendo usados para a sua instrução e como é o ambiente em que convivem? Em casa, deixo os meus filhos jovens “soltos por todas as partes", deixando que façam o que querem, sem freios e sem disciplina? Converso com eles com frequência, agindo verdadeiramente como pai? O exame deve incluir, evidentemente, o propósito de agir com mais pulso e cuidado na orientação da prole.

É preciso empregar muita diligência nesses exames, pois, como diz Santa Teresinha do Menino Jesus, as crianças “são como uma cera mole sobre a qual se pode depositar tanto as impressões das virtudes como do mal", e os primeiros responsáveis por moldar essas pequenas almas são justamente os pais. A santa religiosa de Lisieux exclamava: “Ah! quantas almas chegariam à santidade se fossem bem dirigidas!..."[6]

Lembremo-nos sempre que Deus pedirá conta daquilo que fizemos com as almas de nossos filhos e peçamos a Sua graça para imitarmos a Sagrada Família de Nazaré, na qual Nosso Senhor cresceu, rodeado de carinho, atenção e amor.

Referências

  1. São João Bosco, Circular sobre os Castigos, 1.
  2. Pe. Saint-Omer, C.Ss.R. (org.), Escola da Perfeição Cristã, p. 161.
  3. São João Bosco, Circular sobre os Castigos, 1.
  4. Pe. Saint-Omer, C.Ss.R. (org.), Escola da Perfeição Cristã, p. 161.
  5. São João Crisóstomo, Homilias sobre o Evangelho de São Mateus, LIX, 7.
  6. Santa Teresinha do Menino Jesus, Manuscrito A, 52v-53r.

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