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Encontrando vida na morte: a história de Nathan
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Encontrando vida na
morte: a história de Nathan

Encontrando vida na morte: a história de Nathan

Vítima de um aborto espontâneo com apenas 13 semanas e 4 dias, o pequeno Nathan recebeu de sua família todas as honras de um funeral.

Live Action NewsTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere27 de Março de 2015Tempo de leitura: 3 minutos
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De acordo com a legislação do Texas, Nathan Isaiah ainda não tinha idade ou peso suficientes para precisar de uma certidão de óbito. Vítima de um aborto espontâneo com apenas 13 semanas e 4 dias, mesmo assim, este pequeno ser recebeu, de sua família, todas as honras de um funeral.

Foi usando um aparelho para ouvir as batidas do coração do bebê que Allison e Daniel – ambos de 28 anos – perceberam haver algo de errado com seu filho. Diferentemente das outras vezes, Nathan estava estranhamente silencioso. Após dois dias procurando por suas batidas cardíacas, sem sucesso, o casal correu imediatamente para uma Unidade de Emergência. "Eu não podia esperar mais para descobrir o que estava acontecendo com meu bebê", diz Allison.

Horas depois, no hospital, os pais recebem a terrível notícia. "O médico finalmente apareceu e disse a mim e ao Daniel que nosso bebê não estava se mexendo e não tinha batidas", relata a mãe. "Ele disse que, embora eu devesse estar com 15 semanas, o bebê estava medindo tanto quanto media com 13 semanas e 4 dias". Naquele momento, confessa Allison, " eu senti como se o meu coração parasse de bater com o do meu bebê".

Em casa, após o choque, Allison foi amparada não só por sua família, mas por sua fé. "Eu sei que o Senhor me deu uma paz além do meu entendimento naquela hora. Sentia como que uma calma e uma tranquilidade diante do Senhor", conta. "Não sabia o que esperar, nem o que devia fazer naquela situação. Tudo o que sabia era que eu não queria soltar a mão de Deus. Eu sabia que Ele estava bem ali comigo. Sabia que Ele estava chorando comigo, que eu podia confiar n'Ele."

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Consciente de que teria que retirar Nathan de seu corpo, Allison começa a preocupar-se. Sua irmã, Amy, revela que ela "não queria alguém simplesmente 'sugando o corpo do seu bebê para fora', que aquele pequeno merecia uma honra maior do que essa". " Eu não queria meu bebê desfeito em pedaços como em um procedimento de aborto e descartado em algum cesto de lixo como se não tivesse nenhum valor", diz Allison. "Eu queria ficar com meu bebê, levá-lo para casa e dar-lhe a dignidade de um funeral."

Confirmado o aborto espontâneo na semana seguinte, ela consegue, providencialmente, ter o seu filho em trabalho de parto. Depois de 13 semanas, um procedimento de dilatação e curetagem não era tão eficaz para retirar tudo o que precisava ser retirado de seu organismo. "Eu precisaria ser induzida e ter o bebê no hospital em trabalho de parto. Uma onda de satisfação, gratidão e alívio inundou o meu coração!", ela conta. "Fosse quatro dias mais cedo, o corpo do meu bebê possivelmente seria submetido a horrores indescritíveis e descartado como lixo."

Já na sala de parto, depois de ser induzida, esta jovem mãe recusa quaisquer medicações para a dor. "Eu queria sentir a dor e deixar que a realidade daquele momento me atingisse. Queria estar bem presente e sentir cada contração. Via como uma honra sentir as dores de parto pelo meu filho". Depois de várias horas na sala de parto, o corpo de Nathan finalmente vem à tona. A origem do nome é bíblica. Significa "presente de Deus", porque, diz Allison, "Nathan foi um grande presente de nosso Senhor".

Apesar da dor da perda, sua mãe Allison, seu pai Daniel e seu irmão Matthew, de dois anos e meio, têm razões de sobra para encontrar vida na morte prematura de seu filho. "Eu chorei quando o vi pela primeira vez", conta Allison. "Amei-o desde o momento em que soube que ele era meu."

A experiência fez a família respeitar e ter ainda maior consideração pela vida humana. "Seu pequeno corpo era tão perfeito, com dez dedinhos nas mãos e dez dedinhos nos pés. Tinha um nariz, uma boca, dois olhinhos e ouvidos", descreve a mãe. " Ninguém pode negar que aquele bebê de 13 semanas e 4 dias era um bebê".

Após todo o procedimento, o corpo de Nathan foi levado para casa e enterrado, no leste do Texas, onde Allison e Amy cresceram. Lendo as Sagradas Escrituras e agradecendo a Deus pela vida que puderam conhecer, toda a família se reuniu para sinalizar "a importância de uma vida que muitos desprezariam".

É verdade, são muitos os que negam a humanidade do nascituro, relegando-o como um mero "aglomerado de células". As impressionantes imagens da vida de Nathan, no entanto, apontam para uma direção oposta: a vida é realmente um dom precioso de Deus, desde o primeiro e significativo momento de sua concepção.

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Apascentar é, antes de tudo, ensinar a doutrina
DoutrinaEducação

Apascentar é, antes de
tudo, ensinar a doutrina

Apascentar é, antes de tudo, ensinar a doutrina

É urgente redescobrir a catequese, enquanto ainda existe a chama da fé nos corações, pois, quando ela se apagar, já não sobrará nenhum remédio

Equipe Christo Nihil Praeponere26 de Março de 2015Tempo de leitura: 4 minutos
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No Evangelho de São Mateus, lemos as palavras de Cristo que sintetizam a missão da Igreja: "Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo" ( Mt 28, 19). Evangelizar é o primeiro dever. A catequese, neste sentido, reveste-se de uma importância fundamental. Dela depende o florescimento de uma nova geração de cristãos, precisamente porque é no estudo do catecismo que se sobressai o esforço do fiel para compreender a doutrina, celebrar os sacramentos, obedecer a Deus e ter vida de oração. Esses quatro elementos, chamados tradicionalmente de lex credendi, lex celebrandi, lex vivendi e lex orandi, estão intimamente ligados. Um conduz ao outro: a fé leva-me a celebrar, a celebração leva-me a viver e a vivência leva-me a rezar. Ao contrário, quando uma só dessas colunas é danificada, todo o edifício ameaça ruir.

A Igreja, ao longo dos séculos, esforçou-se amiúde para apresentar os conteúdos da fé de maneira eficaz e frutífera. Seguindo o adágio de Santo Agostinho, "creio para compreender e compreendo para crer melhor", não faltaram iniciativas louváveis por parte dos pregadores, a fim de que o cristianismo encontrasse eco em meio a sociedade. Foram mormente nos tempos de grande crise que a Igreja se destacou na evangelização. Durante o período da Reforma, quando as teses de Lutero pareciam irresistíveis e bastante convincentes, a resposta inequívoca do Concílio de Trento, com o chamado Catecismo Romano, deu novo vigor a uma doutrina aparentemente fora de moda. A fé católica, escreve Daniel-Rops, foi ensinada "com uma nitidez, uma força e uma amplitude que nunca tinha conhecido até então" [1]. Dada a quantidade de falsas interpretações que pululavam à época, também os anos pós Concílio Vaticano II exigiram a formulação de um novo catecismo, no qual os fiéis pudessem encontrar um "instrumento fundamental para aquele ato com que a Igreja comunica o conteúdo inteiro da fé, 'tudo aquilo que ela é e tudo quanto acredita'" [2].

Eis a importância do Catecismo da Igreja Católica. Não foi por menos que Bento XVI insistiu tanto nesta questão em seu pontificado. "Sacrificai o vosso tempo por ele! Estudai-o no silêncio do vosso quarto, lede-o em dois, se sois amigos, formai grupos e redes de estudo, trocai ideias na internet. Permanecei de qualquer modo em diálogo sobre a vossa fé!", exortava o então Papa [3]. No Catecismo, os fiéis têm a segurança do Magistério da Igreja e a clareza dos ensinamentos dos Santos Padres e dos Concílios. Trata-se de um remédio salutar contra as dúvidas e as heresias. A rigor, o Catecismo é o escudo dos cristãos.

Não é para admirar, portanto, que uma das grandes lutas do diabo seja contra a catequese. Ele sabe que o povo de Deus se perde por falta de instrução. Diz o profeta: "Não há conhecimento de Deus nesta terra. A maldição, e a mentira, e o homicídio, e o furto, e o adultério inundaram tudo, e têm derramado sangue sobre sangue" ( Os 4, 1). Nas palavras de São Pio X, "quando não está inteiramente apagada a chama da fé, ainda resta a esperança de que se elimine a corrupção dos costumes" [4]. Uma sociedade secundada pela cultura cristã dificilmente cairá em desgraça, mesmo que essa cultura subsista em uma pequena chama. O empenho de bons cristãos pode transformar a tímida fagulha em um forte incêndio. O mesmo não se pode dizer, todavia, de uma sociedade sem qualquer resquício de fé, porque onde "à depravação se junta a ignorância da fé, já não resta lugar a remédio, e permanece aberto o caminho da perdição" [5]. Palavras proféticas de um Papa que soube interpretar os sinais dos tempos. Acaso não é a situação em que nos encontramos hoje? Um mundo cada vez mais pervertido, porque deixou Deus de lado para entregar-se às suas paixões. Um mundo onde a chama do cristianismo tende a diminuir a cada dia.

Alguns apóstolos do bom mocismo, é verdade, preferem contemporizar. "Nada de catecismo! A Igreja precisa ser mais pastoral e menos doutrinária", ponderam. Ora, mas apascentar, responderia São Pio X, é, antes de mais nada, ensinar a doutrina: "Eu vos darei pastores segundo o meu coração, os quais vos apascentarão com a ciência e com a doutrina" ( Jr 3, 15). É um absurdo contrapor pastoral e doutrina. Ambas só podem caminhar juntas. Foi ensinando o catecismo que São Pedro Canísio preservou a Igreja na Alemanha, em uma época cercada de contendas e incompreensões. Dele, aliás, recolhe-se um eloquente testemunho de verdadeiro método pastoral, pois soube apresentar os princípios cristãos de modo adequado a cada público. Não escondeu a verdade, mas ensinou-a com caridade:

"Eis uma característica de São Pedro Canísio: saber compor harmoniosamente a fidelidade aos princípios dogmáticos com o devido respeito por cada pessoa. São Canísio distinguiu entre a apostasia consciente, culpável, da fé, da perda da fé inculpável, nessas circunstâncias. E declarou, em relação a Roma, que a maior parte dos alemães que tinham passado para o Protestantismo não tinha culpa. Num momento histórico de fortes contrastes confessionais, evitava — é algo extraordinário — a aspereza e a retórica da ira — algo raro, como disse nessa época, nos debates entre os cristãos — e visava somente à apresentação das raízes espirituais e à revitalização da fé na Igreja. Para isto serviu o conhecimento vasto e incisivo que ele tinha da Sagrada Escritura e dos Padres da Igreja." [6]

O Catecismo nunca perderá a sua importância. E contra aqueles que dizem o contrário, fica-nos a resposta do Cardeal Joseph Ratzinger: "A atualidade do Catecismo é a atualidade da verdade novamente dita e pensada de novo. Esta atualidade permanecerá assim, muito para além das murmurações dos seus críticos" [7].

A urgência da redescoberta do Catecismo é a urgência de um mundo doente, que dá seus últimos suspiros. Entreguemo-nos, portanto, de todo coração, à evangelização, ao ensino, à catequese, enquanto ainda nos resta tempo, enquanto a última chama do cristianismo permanece acesa. Sejamos Catequistas do Novo Milênio.

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O Big Brother e a preocupação com a vida alheia
Sociedade

O Big Brother e a
preocupação com a vida alheia

O Big Brother e a preocupação com a vida alheia

Explorando o vício da curiosidade, o Big Brother Brasil tem seguido os mesmos passos das novelas globais para minar a família e destruir a juventude brasileira.

Equipe Christo Nihil Praeponere25 de Março de 2015Tempo de leitura: 3 minutos
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O que é o Big Brother Brasil, por que fez tanto sucesso em nosso país e por que é tão explorado pelos portais de notícias da Internet?

Trata-se de um reality show – literalmente, "show de realidade". A ideia original desses espetáculos — cujo formato pode variar muito — é apresentar às pessoas a rotina e o dia a dia de outras pessoas reais. Ao contrário de filmes, novelas e seriados, nos quais os atores interpretam personagens, as pessoas chamadas a participar desses programas têm de interpretar tão somente a si mesmos — em um contexto todo fantasioso, no caso do Big Brother, repleto de comidas, bebidas, lazeres... e absolutamente nenhum trabalho.

Movidas pela ânsia dos holofotes e pelo desejo da fama, são muitas as pessoas a imolar a própria privacidade no altar do reality show. Os eventuais prêmios com que os ganhadores desse programa são bonificados nem se comparam à possibilidade de todos serem vistos aos olhos da sociedade e poderem, quem sabe, ingressar em uma carreira pública — seja na própria televisão, seja no Congresso Nacional, por exemplo.

O mais intrigante, porém, é como tantos brasileiros podem perder o seu tempo com algo desse tipo. Afinal, o Big Brother só está em sua 15.ª edição na rede nacional porque tem audiência suficiente para se manter. O argumento de que os entusiastas do programa se restringem a quem assiste à TV não cola. Os sítios da Internet, todos, trazem notícias sobre o que acontece na tal "casa mais vigiada do Brasil" e, impressionantemente, são essas as matérias mais lidas pelos internautas.

O que explica esse fenômeno? Por que isso acontece?

É que o Big Brother explora um vício muito característico da própria cultura brasileira, a curiosidade. (Não à toa os telespectadores são convidados pelo apresentador do programa a "dar uma espiadinha".) Este vício consiste, segundo o parecer de São Beda, "na assistência aos espetáculos e na investigação e crítica dos vícios alheios" [1]. Santo Tomás de Aquino, doutor da Igreja e profundo conhecedor do comportamento humano, ensina que, no que diz respeito aos sentidos, há dois modos de ser curioso: ou procurando por algo inútil ou mesmo por algo nocivo [2].

Olhando para o conteúdo do reality show em questão, é preciso dizer que dar-lhe audiência não consiste apenas em querer saber algo sem utilidade alguma — o que já é bastante óbvio. É que o próprio Big Brother Brasil é um espetáculo perigoso. Além de incentivar os mexericos e difamações à vida alheia — as pessoas se dividem em "panelinhas" de fofocas e as personagens consideradas impróprias são eliminadas em um "paredão" —, o programa global está repleto de cenas pornográficas, uma pior do que a outra. Desvinculando totalmente o sexo da realidade familiar, o Big Brother mina a base dos relacionamentos maduros e saudáveis e estimula os jovens a uma busca frenética e irresponsável por prazer sexual a qualquer custo [3]. Não é exagero dizer que os pais que gostam de dar uma "espiadinha" trazem a promiscuidade para dentro de sua própria casa.

Antes que alguém chame as considerações aqui expostas de "moralismos", importa apontar o quanto programas deste teor já destruíram a família brasileira nas últimas décadas. Só as novelas da Rede Globo — que são uma versão bem mais soft do que é o BBB — contribuíram significativamente para o aumento do número de divórcios e a queda no número de filhos no país. É que, de 115 novelas globais transmitidas entre 1965 e 1999 no horário nobre, 62% das principais personagens femininas não tinham filhos e 26% delas eram infiéis a seus parceiros. Um quadro que foi se tornando, pouco a pouco, um retrato da sociedade brasileira.

Por isso, deixar de assistir à programação permissiva e liberal da Rede Globo — com suas novelas, reality shows e "Esquentas" — não é nenhum "moralismo" de fundamentalistas cristãos. É apenas a medida mais sensata que os homens de bem desse país precisam tomar para salvar a própria família e preservar o amor dentro do Matrimônio. Caso contrário, também eles cairão, assim como caiu a grande Babilônia do Apocalipse.

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Decapitados só porque eram cristãos
Testemunhos

Decapitados só porque eram cristãos

Decapitados só porque eram cristãos

Irmão de dois mártires cristãos assassinados pelo Estado Islâmico, Beshir não está de luto: “Eles são meu orgulho e me fazem andar de cabeça erguida”.

Equipe Christo Nihil Praeponere23 de Março de 2015Tempo de leitura: 3 minutos
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Vinte e um. Foi o número de cristãos mortos pelo Estado Islâmico, em um vídeo divulgado pelo grupo terrorista, no dia 15 de fevereiro, há pouco mais de um mês.

A gravação – produzida com música de fundo e efeitos de edição – leva o título A message signed with blood to the nation of the cross ["Uma mensagem assinada com sangue para a nação da cruz"]. No vídeo, membros do Estado Islâmico, vestidos de preto, trazem consigo 21 cristãos coptas do Egito, com macacões alaranjados, e os conduzem ao longo da Costa de Wilayat Tarabulus, na Líbia, à beira do Mar Mediterrâneo. Eles enfileiram "os seguidores da hostil Igreja Egípcia", ajoelhados, e cortam as suas cabeças, deixando vermelhas de sangue as águas costeiras. É possível ver os lábios dos mártires se mexendo e invocando o nome de Jesus antes da morte.

No dia 17 de fevereiro, o Papa Francisco ofereceu a sua Missa matutina na Capela da Casa Santa Marta por esses "vinte e um irmãos coptas, decapitados só porque eram cristãos".

Muitas vezes, o Ocidente tende a olhar para os martírios do Império Romano – os cristãos crucificados, decapitados ou entregues aos leões nas arenas do Coliseu – como para um passado distante. As pessoas são quase tentadas a pensar que as atrocidades de outrora ficaram para trás, que as loucuras de um Nero ou de Diocleciano já não se repetem mais na era contemporânea, tão certas estão da civilidade e superioridade moral dos tempos modernos.

Ledo engano. Longe daqui, cabeças humanas são decepadas, apenas por crerem em Cristo; pelo simples fato de terem sido banhadas, um dia, pelas santas águas do Batismo. 15 de fevereiro – escolhido pelos terroristas muçulmanos para mandar a sua "mensagem de sangue" ao mundo – já era o dia dos mártires São Faustino e São Jovita. Os dois – um sacerdote e um diácono católicos, respectivamente – também foram decapitados, em Roma, no ano de 146. Agora, quase dois mil anos depois, no mesmo dia 15, a história recorda aos homens uma lição há muito esquecida: o Cristianismo ainda é, de fato, a religião mais perseguida do mundo.

A verdade é que as perseguições sempre estiveram presentes na história da Igreja. Foi o próprio Senhor quem alertou os Seus discípulos: "Sereis expulsos das sinagogas, e virá a hora em que todo aquele que vos matar, julgará estar prestando culto a Deus" ( Jo 16, 2). Ao lado dessa previsão aparentemente terrível, todavia, o mesmo Jesus ajuntou uma promessa extraordinária: "Felizes aqueles que sofrem perseguição pelo amor da justiça, porque deles é o Reino dos céus" (Mt 5, 10).

Ora, como podem ser felizes estes homens que perderam as próprias cabeças? Como podem ser chamados bem-aventurados estes rapazes que, tendo família, mulher e filhos e "uma vida inteira pela frente", perderam tudo de uma só vez?

Poder-se-ia responder, com Nosso Senhor, que "quem ama pai ou mãe, filho ou filha, mais do que a mim, não é digno de mim" ( Mt 10, 37). Ou recorrer a Santo Tomás de Aquino e explicar que as "realidades invísiveis" valem muito mais do que este mundo visível [1].

Todavia, é melhor que os leitores que acompanham estas parcas linhas ouçam, eles mesmos, o testemunho de Beshir, que perdeu seus dois irmãos, Bishoy (25) e Samuel (23), nas mãos dos terroristas islâmicos. Trata-se de uma pessoa real, afetada diretamente pelas crueldades do Estado Islâmico. Perguntado sobre como se sente em relação à perda dos dois, Beshir não hesita em dizer: "São meu orgulho (...). Eles me fazem andar de cabeça erguida".

Eis a razão da bem-aventurança destes 21 mártires coptas do Egito: eles morreram por amor a Cristo. E "não existe maior prova de amor do que dar a vida por seus amigos" (Jo 15, 13).

Referências

  1. Cf. Suma Teológica, II-II, q. 124, a. 4

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