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Igreja é furtada e hóstias são jogadas em rio no Espírito Santo
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Igreja é furtada e hóstias são
jogadas em rio no Espírito Santo

Igreja é furtada e hóstias são jogadas em rio no Espírito Santo

A notícia é de que apenas o sacrário foi levado durante o crime, o sacrário que contém justamente o que de mais valioso têm as nossas igrejas: o próprio Jesus Cristo.

Equipe Christo Nihil Praeponere22 de Abril de 2016Tempo de leitura: 3 minutos
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Segundo informações do G1:

"Uma igreja de São João do Sobrado, no distrito de Pinheiros, na região Norte do Espírito Santo, foi furtada na madrugada desta quinta-feira (21). As hóstias e o sacrário da paróquia foram encontradas jogadas em um rio do município durante a manhã.

Segundo a Polícia Militar, foi furtado apenas o sacrário, uma peça parecida com um cofre, que continha as hóstias. O furto foi descoberto pela manhã. A polícia informou que os bandidos usaram alguma ferramenta para remover a fechadura da porta da frente e entrar no templo."

Nós sabemos, pela fé, que Jesus Cristo, o mesmo que nasceu em Belém, viveu em Nazaré, foi crucificado em Jerusalém, ressuscitou e subiu aos céus, está verdadeiramente presente em cada mínima parte, de cada hóstia consagrada, nos tabernáculos do mundo inteiro. Essa notícia que recebemos, portanto, não é de um furto pura e simplesmente, mas de uma verdadeira profanação.

A todos os internautas que passam por aqui e vêem essas fotos, pedimos, portanto, que parem por um instante o que estiverem fazendo e façam um ato de desagravo a Jesus no Santíssimo Sacramento do altar.

Orações do Anjo
Ensinadas pelo Anjo de Portugal aos três pastorinhos de Fátima

Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam.

Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.
Ato de reparação
Papa Pio XI

Dulcíssimo Jesus, cuja infinita caridade para com os homens é por eles tão ingratamente correspondida com esquecimentos, friezas e desprezos, eis-nos aqui prostrados na Vossa presença, para Vos desagravarmos, com especiais homenagens, da insensibilidade tão insensata e das nefandas injúrias com que é, de toda parte, alvejado o Vosso amorosíssimo coração.

Reconhecendo, porém, com a mais profunda dor, que também nós, mais de uma vez, cometemos as mesmas indignidades, para nós, em primeiro lugar, imploramos, a Vossa misericórdia, prontos a expiar não só as próprias culpas, senão também as daqueles que, errando longe do caminho da salvação, ou se obstinam na sua infidelidade, não vos querendo como pastor e guia, ou, conculcando as promessas do batismo, sacudiram o suavíssimo julgo da Vossa santa lei.

De todos estes tão deploráveis crimes, Senhor, queremos nós hoje desagravar-Vos, mas, particularmente, da licença dos costumes e imodéstia do vestido, de tantos laços de corrupção armados à inocência, da violação dos dias santificados, das execrandas blasfêmias contra Vós e Vossos Santos, dos insultos ao Vosso Vigário e a todo o Vosso clero, do desprezo e das horrendas e sacrílegas profanações do Sacramento do divino amor, e, enfim, dos atentados e rebeldias das nações contra os direitos e o magistério da Vossa Igreja. Oh! se pudéssemos lavar, com o próprio sangue, tantas iniquidades!

Entretanto, para reparar a honra divina ultrajada, Vos oferecemos, juntamente com os merecimentos da Virgem Mãe, de todos os santos e almas piedosas, aquela infinita satisfação, que Vós oferecestes ao eterno Pai sobre a cruz, e que não cessais de renovar, todos os dias, sobre nossos altares.

Ajudai-nos, Senhor, com o auxílio da Vossa graça, para que possamos, como é nosso firme propósito, com a viveza da fé, com a pureza dos costumes, com a fiel observância da lei e caridade evangélicas, reparar todos os pecados cometidos por nós e por nosso próximo, impedir, por todos os meios, novas injúrias de Vossa divina Majestade e atrair ao Vosso serviço o maior número de almas possíveis.

Recebei, ó benigníssimo Jesus, pelas mãos de Maria santíssima reparadora, a espontânea homenagem deste nosso desagravo, e concedei-nos a grande graça de perseverarmos constantes, até à morte, no fiel cumprimento de nossos deveres e no Vosso santo serviço, para que possamos chegar à pátria bem-aventurada, onde Vós com o Pai e o Espírito Santo viveis e renais, Deus, por todos os séculos dos séculos. Amém.

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Qual o problema de ser “bela, recatada e do lar”?
Sociedade

Qual o problema de ser
“bela, recatada e do lar”?

Qual o problema de ser “bela, recatada e do lar”?

Polêmica que causou alvoroço nas redes sociais é uma ótima oportunidade para refletirmos sobre os valores que temos transmitido aos nossos filhos.

Equipe Christo Nihil Praeponere21 de Abril de 2016Tempo de leitura: 4 minutos
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Reportagem publicada esta semana na revista Veja causou alvoroço nas redes sociais, depois de descrever Marcela Temer, a esposa do vice-presidente da República, como uma mulher "bela, recatada e 'do lar'". Aparentemente, os adjetivos não foram bem aceitos pelo público na Internet. Alguns veículos de comunicação chamaram a matéria de "machista" e "intolerante".

Agora abstraiam, por um momento, da figura de Marcela Temer, do conteúdo do artigo e de qualquer conotação política que ele tenha. O verdadeiro debate aqui é de natureza moral. Qual é, no fim das contas, o problema de uma mulher ser ou mesmo identificar-se como "recatada, modesta e do lar"? De onde surgem tantas reações negativas a esse perfil?

A resposta para essa pergunta deve ser encontrada no tsunami cultural que tem devastado o mundo todo, principalmente a partir da década de 70. Tudo começou com uma simples "onda" (alguns sutiãs queimados aqui, outros livros de protesto acolá), mas, graças à atuação da mídia, as coisas tomaram proporções catastróficas. Até algum tempo atrás, ser "bela, recatada e do lar" não só era uma característica comum às mulheres, como toda a sociedade estava projetada para formar as mulheres deste modo, seja dentro da família, seja dentro das escolas. "Modéstia", "recato", "pudor" e "maternidade" nem sempre foram xingamentos. Antes de as pessoas enlouquecerem, eram todas metas que os pais almejavam para a educação das suas filhas. Protestos para usar shortinho nas escolas eram impensáveis há alguns anos.

Por que o quadro social e familiar mudou tanto?

As feministas dirão que os tempos são outros, porque as mulheres se emanciparam. Os fatos mostram, no entanto, que os tempos são péssimos, porque as mulheres, na verdade, se deixaram manipular. E é fácil demonstrar como.

Olhemos, em primeiro lugar, para o que aconteceu esta semana nas redes. Não é curioso que os protestos ao perfil "bela, recatada e do lar" tenham viralizado com tanta rapidez, ganhando espaço até mesmo nos veículos informativos de grande circulação? — Vejam, dizem as notícias, trata-se de mulheres esclarecidas, que não se deixam enganar pelo discurso do patriarcado opressor e misógino! Elas resistem à manipulação! — A pergunta que deve ser feita é: que grande mérito existe em "resistir" a um discurso com o qual já ninguém está mais de acordo? Qual a grande coisa em criticar "vestidos na altura dos joelhos" quando quase nenhuma mulher os usa? O que há de "resistência" em falar mal das donas de casa, quando o que as mulheres querem é justamente ficar longe de casa? É muito fácil falar de "empoderamento" quando se é carregado pela correnteza de um rio. Só uma coisa verdadeiramente viva é capaz de nadar contra a corrente.

Dizendo mais claramente, não é preciso ter coragem nenhuma para usar um shorts curto ou uma blusa decotada quando está todo o mundo fazendo o mesmo. Ousadia quem tem é a mulher que, em tempos de pouco tecido, escolhe cobrir o seu corpo com respeito; que, em tempos de ódio à maternidade, escolhe ter uma família numerosa; que, em tempos de depravação geral, escolhe viver o recato e a decência. Essa é uma mulher de bravura, que não adere simplesmente às "modas" do momento.

Quanto à ideologia por que morre de amores a nossa elite cultural, um olhar acurado às suas raízes justifica ainda mais o uso do termo "manipulação". O movimento feminista adora falar de "libertação sexual" e de "empoderamento da mulher", apontando o dedo à Igreja, à imagem da Virgem Maria e à família burguesa, como se fossem eles os grandes inimigos da emancipação feminina.

A verdade é que nada escraviza tanto as mulheres quanto o feminismo moderno. O feminismo que lhes diz que não serão felizes enquanto não tiverem uma carteira de trabalho e não se sujeitarem a seus patrões (para substituir os maridos de que elas querem prescindir). O feminismo que lhes diz que não serão livres enquanto não transformarem os seus úteros em túmulos (para que não sacrifiquem a sua "realização profissional"). O feminismo que lhes diz que não serão iguais enquanto não superarem os homens em imoralidade e em depravação. E, por fim, o feminismo que lhes diz que não deveriam sequer ter a opção de ficar em casa para cuidar dos próprios filhos, porque isso ajudaria a perpetuar "os mitos da família, da maternidade e do instinto materno". Palavras da ativista Simone de Beauvoir, documentadas para quem as quiser ler.

Na verdade, o grande problema de uma "mulher, recatada e do lar" — seja quem for, desde Nossa Senhora a uma humilde mãe de família — é que ela lembra às pessoas do nosso tempo o fracasso da educação que temos recebido e repassado aos nossos filhos e filhas. Nós deixamos de acreditar no amor e já estamos convencidos de que não é possível viver senão movidos por nossas carências afetivas e impulsos sexuais desordenados.

Educar uma pessoa — qualquer pessoa, seja mulher, seja homem — para a virtude, para o respeito ao próprio corpo e ao próximo, é tarefa difícil, que exige paciência, dedicação e perseverança. Mas nós, pelo visto, não queremos nada disso. Estamos satisfeitos com nossa medíocre "felicidade animal", com nosso desleixo generalizado, com nossa falta de amor próprio.

Enquanto tivermos alma, no entanto, o profundo vazio de nosso coração continuará clamando bem alto para que voltemos à casa do Pai. E sentirmo-nos orgulhosos por comer a lavagem dos porcos só vai aumentar ainda mais a nossa miséria.

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Milagres Eucarísticos: o que são e como começaram?
Espiritualidade

Milagres Eucarísticos:
o que são e como começaram?

Milagres Eucarísticos: o que são e como começaram?

Manifestações sobrenaturais relacionadas ao sacramento da Eucaristia são tão antigas quanto a própria Igreja. E estão acontecendo até os dias de hoje.

Equipe Christo Nihil Praeponere19 de Abril de 2016Tempo de leitura: 8 minutos
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As páginas dos Evangelhos estão repletas de milagres: multiplicações de pães, ordens sobre as forças da natureza, curas de cegos e paralíticos, ressurreições de mortos etc. Quem lê tudo isso simplesmente com os olhos da carne diz que Jesus Cristo foi um grande taumaturgo; quem se atenta para o modo como Ele operava todas essas maravilhas, no entanto, é obrigado admitir que esse homem era o próprio Deus.

Homens antes de Cristo operaram milagres, é verdade — Moisés, por exemplo, fez descer várias pragas sobre o Egito, e muitos prodígios realizados por Elias estão todos narrados no Primeiro Livro dos Reis —, mas nenhum deles fazia tais coisas por força própria. Ninguém pode fazer milagres a não ser Deus: para que alguém os opere, precisa antes ter recebido a força d'Ele. Foi assim com Moisés, foi assim com Elias e foi assim com todos os patriarcas e profetas do Velho Testamento. De Jesus, ao contrário, d'Ele próprio, "saía uma força que curava a todos" (Lc 6, 19).

Além disso, ninguém antes de Cristo jamais disse ser o Bom Pastor, o Pão do Céu ou o Filho de Deus. Em nenhum profeta do Antigo Testamento alguém lê frases como: "Antes que Abraão fosse, eu sou" (Jo 9, 58), "Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim" (Jo 14, 6), ou ainda "Eu e o Pai somos um" (Jo 10, 30). Por isso, os milagres de Cristo atestam também a verdade da Sua pregação. "Se este ensinamento não fosse verdadeiro — ensina Santo Tomás de Aquino —, não poderia ter sido confirmado por milagres feitos pelo poder divino" [1].

Também os chamados milagres eucarísticos são todos realizados para comprovar a verdade da doutrina cristã. Trata-se, sem dúvida, de um milagre típico deste tempo em que vivemos — o tempo da Igreja, da economia sacramental —, mas seu fundamento está nas próprias palavras do Senhor: "A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue, verdadeira bebida" (Jo 6, 55). Quando instituiu a Eucaristia, Cristo não queria fazer uma mera refeição, ou instaurar um memorial simbólico: Ele não disse, ao tomar o pão, "isto representa o meu corpo", mas "isto é o meu corpo"; nem sugeriu, ao tomar o vinho, que aquele líquido lembraria o Seu sangue, mas afirmou solenemente: "este é o cálice do meu sangue" (cf. Mt 26, 26-29; Mc 14, 22-25; Lc 22, 14-23; 1 Cor 11, 23-25).

O testamento de Cristo é forte e pode parecer até excessivo. — Crer que Ele foi concebido de uma virgem, que ressuscitou dos mortos, é até "tolerável"; mas que Se faça presente, todos os dias, num pedaço de pão? — Naturalmente, esse escândalo não foi diferente em outros tempos. Muitas vezes, pessoas dentro da própria Igreja foram tentadas a perguntar ao Senhor: "Isto é muito duro. Quem o pode suportar?" (Jo 6, 60). É por isso que Deus operou e continua a operar inúmeros milagres eucarísticos, para mostrar aos homens que Ele é fiel às suas palavras, e que o sacramento da Comunhão não é um faz de conta, mas a Sua presença viva e real, nos altares do mundo inteiro.

Os primeiros milagres eucarísticos

O primeiro relato que se tem de um milagre ligado a este sacramento se encontra em um escrito de São Cipriano de Cartago, ainda em meados do século III.

Em um texto chamado De lapsis ("Dos lapsos", lit.) — sobre a readmissão, na Igreja, daqueles que negaram a Cristo na hora do martírio —, o santo relata alguns exemplos de como Deus castigou pessoas que se aproximaram indignamente da Santa Comunhão.

Depois de narrar o episódio impressionante de uma criança que, após ter comido um pouco de pão oferecido aos ídolos, começou a vomitar entrando em contato com o sangue do Senhor, ele prossegue em sua pregação:

"Uma mulher adulta e de idade avançada, que se introduziu secretamente em nosso meio enquanto celebrávamos o sacrifício, tomando para si não um alimento, mas uma espada, e recebendo em sua boca e coração como que um veneno letal, começou a se sentir sufocada e a debater-se depois de ter comido e, sendo pressionada não mais pela perseguição, mas por seu delito, desmaiou palpitando e tremendo. O crime de sua consciência dissimulada não ficou oculto nem sem punição por muito tempo. Aquela que tinha enganado o homem sentiu a vingança divina.

Outra mulher, que tentou abrir com suas mãos indignas a arca de Deus, na qual estava encerrado o Santo do Senhor, foi detida por um fogo que surgia de dentro e não ousou aproximar-se.

Um outro, que, manchado de pecado, ousou tomar parte com os outros no sacrifício celebrado pelo sacerdote, não conseguiu comer e trazer nas mãos o Santo do Senhor, porque, ao abri-las, viu que carregava cinzas." [2]

Por que episódios como esses aconteceram?

Porque, no tempo de São Cipriano, alguns pastores começaram a admitir qualquer um à Comunhão, banalizando o sacramento da Eucaristia. Eles diziam que não era preciso fazer penitência pelos pecados passados e que todos, independentemente da vida que levavam, podiam aproximar-se da mesa eucarística. Por isso, para mostrar que quem come e bebe indignamente o Corpo do Senhor realmente come e bebe a própria condenação, como sempre ensinou a Igreja, desde os tempos de São Paulo (cf. 1 Cor 11, 29), Deus realizou milagres desse gênero, a fim de incentivar os fiéis ao respeito e à reverência devidos ao Santíssimo Sacramento do altar.

Conta-se um relato parecido relacionado a São João Crisóstomo († 407), bispo de Constantinopla. Um homem levou a sua esposa, que pertencia à seita do arianismo, à igreja do bispo. Mesmo em heresia, a mulher entrou na procissão e recebeu a hóstia consagrada, guardando-a nas mãos até que chegasse em casa. Quando pôs a partícula na boca para comer, ela percebeu, para a sua surpresa, que a hóstia tinha se petrificado. Impressionada com o acontecimento, a mulher correu sem demora em direção ao santo, mostrou-lhe a pedra com as marcas dos seus dentes e implorou a absolvição de seus pecados.

Acreditaste porque me viste?

Séculos mais tarde, as pessoas começaram a questionar outros aspectos da Eucaristia, principalmente o da presença real de Cristo no sacramento.

Foi então que começaram a surgir os grandes e mais conhecidos milagres eucarísticos, alguns preservados até os dias atuais: em Lanciano, no século 8.º; em Ferrara, em 1171; em Santarém, em Orvieto e em Paris, nos anos 1200; em Siena, em 1730 etc. Em alguns destes, as hóstias consagradas sangravam; em outros, elas se transformavam em carne humana, e a aparência do vinho, em sangue. Em outras ocasiões ainda, a hóstia simplesmente levitava, ou era preservada por um longo período de tempo.

Fatos semelhantes acontecem com bastante frequência no mundo inteiro, ainda hoje. Tome-se como exemplo o que aconteceu na cidade de Chirattakonam, no sul da Índia, em 5 de maio de 2001, quando uma figura de Nosso Senhor coroado de espinhos foi vista em uma hóstia exposta no ostensório. O pároco do lugar, Frei Johnson Karoor, dá o seu testemunho:

"Abri a igreja para a celebração da missa, me preparei e fui abrir o Tabernáculo para ver que coisa tinha acontecido à Eucaristia que estava no Ostensório. Imediatamente reparei que nela estava figurado um rosto humano. Fiquei muito perturbado e pedi aos fiéis que se ajoelhassem e começassem a rezar. Pensava que só eu via o rosto e perguntei ao coroinha que coisa ele via no Ostensório. Ele respondeu: 'Vejo a figura de um homem.' Notei que os fiéis olhavam fixamente o Ostensório. Começamos a adoração e a figura do homem, com o passar do tempo era cada vez mais nítida. Não tive a coragem de falar nada e comecei a chorar."

A intenção de tantos prodígios é clara: manifestar aos homens a verdade da transubstanciação; mostrar que, quando o sacerdote pronuncia, na própria pessoa de Cristo (in persona ipsius Christi), as palavras da consagração, o pão não é mais pão, e o vinho já não é vinho, mas o corpo, sangue, alma e divindade de Nosso Senhor. Os olhos de quem presencia ou lê um milagre eucarístico devem dirigir-se, portanto, a cada celebração da Santa Missa: a partir de tantos fatos extraordinários, somos chamados a enxergar, com os olhos da fé, a ação maravilhosa de Deus na celebração "ordinária" do sacramento.

No mais famoso milagre eucarístico já testemunhado pela Igreja, em Lanciano, a carne e o sangue vivos de Cristo apareceram nas mãos de um monge que duvidava. Ao chamar os fiéis para admirarem o que acabava de acontecer, ele não se envergonhou em dizer que "o Santo Deus quis desvendar-se e tornar-se vísivel" a fim de "confundir a minha incredulidade". Uma vez curado desse mal, porém, o monge deveria renovar e fazer crescer todos os dias a sua fé. Lanciano não se repetiria mais. O milagre de toda Missa, no entanto, continuaria a acontecer diariamente, e ele precisava colher os frutos desses santos mistérios.

É por isso que todas as pessoas são chamadas a ir além dos milagres. Quando ficamos impressionados com o corpo de um santo incorrupto ou com alguma hóstia preservada de um milagre eucarístico, Jesus nos repete as mesmas palavras que dirigiu certa vez a São Tomé: "Acreditaste porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem ter visto!" (Jo 20, 29). Felizes os que deram crédito às palavras de Cristo, mesmo sem terem visto milagre nenhum! Felizes os que ouvem as palavras do sacerdote na Missa e sabem que o próprio Deus está presente ali, porque não nos engana e nem pode enganar-Se! Felizes os que são capazes de afirmar, com o Catecismo de São Pio X, o motivo primeiro de nossa fé: "Eu acredito que no Sacramento da Eucaristia está verdadeiramente presente Jesus Cristo, porque Ele mesmo o disse, e assim no-lo ensina a Santa Igreja" [3].

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Como cultivar amizades santas?
Espiritualidade

Como cultivar amizades santas?

Como cultivar amizades santas?

A amizade é um grande dom para o ser humano, mas, se não for vivida pelo motivo correto, pode transformar-se em um vício perigoso para a caminhada espiritual.

Equipe Christo Nihil Praeponere18 de Abril de 2016Tempo de leitura: 5 minutos
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No caminho da santidade, os cristãos são chamados a progredir continuamente no amor a Deus. Esse progresso consiste numa espécie de segunda conversão, em que a pessoa, fortalecida pelas virtudes infusas, começa a enxergar o Senhor não mais com o olhar do servo, mas do amigo. Jesus deseja estar ligado a nós por um vínculo de amizade, como se percebe neste discurso d'Ele aos apóstolos: "Non iam servos, sed amicos – Já não vos chamo servos, mas amigos" (Jo 15, 15).

A amizade (do grego philia) é uma das quatro formas de amor. Os homens podem amar de maneira erótica, familiar, fraterna e abnegada. Embora essas quatro dimensões não existam sozinhas — ao contrário, necessitam uma das outras para que não se transformem em ídolos —, cada uma possui características próprias, as quais colaboram para o desenvolvimento de alianças duradouras e íntimas. A amizade, ou caridade fraterna, distingue-se pelo amor ao outro, cujo efeito ultrapassa as barreiras sanguíneas. Aquele que poderia ser chamado de estranho é amado fraternalmente, isto é, como se fosse um irmão.

Santa Teresa d'Ávila elenca a caridade fraterna, ao lado da pobreza e da humildade, como uma das três colunas fundamentais do edifício espiritual. Não é difícil de entender agora o porquê deste ensinamento. Precisamos da amizade para que tenhamos intimidade com Deus, pois quem se relaciona com Ele apenas como servo não é capaz de perscrutar o Seu desejo mais profundo para os homens. O servo nunca se aproxima intimamente de seu senhor, ao passo que o amigo quer estar sempre na sua presença, a fim de dividir suas alegrias e preocupações.

Os santos souberam cultivar o dom da amizade em suas vidas, buscando a presença de Deus no coração de seus irmãos. E isso os motivou ainda mais a buscar a santidade. Bento XVI explica: "Quando se encontram duas almas puras e inflamadas pelo mesmo amor a Deus, elas haurem da amizade recíproca um estímulo extremamente forte para percorrer o caminho da perfeição" [1]. É o que testemunhamos na vida de São Francisco de Assis e Santa Clara, Santa Teresa d'Ávila e São João da Cruz, e tantos outros santos. Eles se amaram de maneira tão bela que se tornaram realmente um só espírito — para usar uma expressão de São Francisco de Sales [2] —, pelo que confirmaram a doutrina de Santo Tomás de Aquino: "A caridade é principalmente a amizade do homem com Deus, e com os seres que Lhe pertencem" [3].

É claro que nem todo tipo de amizade vem de Deus. Infelizmente, o pecado original deixou marcas profundas no ser humano e mesmo um dom nobre como a amizade pode degenerar-se em vício perigosíssimo para alma, se não for purificado pela ação divina. E não estamos falando aqui das más companhias. Estas, como insiste Santa Teresa, nem devem ser mencionadas entre nós. Falamos daquelas grandes amizades que, apesar de serem frutíferas no início, confundem-se com apego afetivo, e se convertem em verdadeiros obstáculos na caminhada espiritual, quando não vividas pelo motivo correto. As duas almas tornam-se dependentes, em um vínculo de senhor e escravo. Não demora muito para que a amizade se transforme em rivalidade.

A reta prudência exige, portanto, que façamos uma sadia distinção entre o amor meramente humano e o amor sobrenatural, a fim de que a amizade verdadeira habite em nossos corações. Santa Teresa faz essa distinção pela observação de como reagem aqueles que amam humanamente e aqueles que amam com amor divino diante do sofrimento de um amigo. Os primeiros, constata a santa, perdem logo a paciência: "Se lhe dói a cabeça [à pessoa amada], parece que nos dói a alma" [4]. Os segundos, por sua vez, veem as provações dos amigos através dos olhos da eternidade, entendendo que cada "tribulação momentânea acarreta para nós um volume incomensurável e eterno de glória" (2 Cor 4, 17).

Eis aí. Os verdadeiros amigos preocupam-se, em primeiro lugar, com a salvação das almas. Eles desejam encontrar-nos no Céu juntamente com Deus, a Virgem Maria, os santos e os anjos. É neste tipo de amizade sobrenatural que tem espaço a chamada correção fraterna. Trata-se de uma preocupação que tem por objeto não somente o bem-estar físico e emocional da pessoa; o amigo preocupa-se sobretudo com a vida da graça, exortando e empurrando seus companheiros de caminhada para a jornada da vida eterna.

Ademais, é preciso ter consciência de que tal tipo de amizade só é possível dentro de um contexto de fé madura, pois aquele que procura amar sobrenaturalmente deve estar preparado para o desprezo e as incompreensões. É possível que aquele que ama não seja correspondido pelo amado. Por isso, exige-se do amante que procure cultivar as amizades pelo motivo certo, de maneira que essa amizade seja alimentada pelo amor abnegado (do grego ágape), o qual provém totalmente de Deus. Aquele que se sabe amado por Deus não teme ser ignorado pelos outros; ama-se a Deus no próximo ainda que não haja o retorno deste, pois já se possui o Amor verdadeiro.

A Igreja celebra no dia 2 de janeiro a memória litúrgica de dois grandes santos, cujo testemunho de amizade e cooperação recíproca causou grande impacto na história do cristianismo: São Basílio Magno e São Gregório Nazianzeno. Unidos pela fé, pela esperança e pela caridade, os chamados padres capadócios — dentre os quais também se inclui São Gregório de Nissa, irmão de São Basílio — venceram a praga do arianismo, fazendo triunfar a doutrina católica no Concílio de Constantinopla. A São Basílio e São Gregório só interessava uma coisa: a conquista da coroa do Céu. Nesta árdua missão, dizia São Gregório sobre o amigo, "ambos lutávamos, não para ver quem tirava o primeiro lugar, mas para cedê-lo ao outro. Cada um considerava como própria a glória do outro", pois eles eram "como uma só alma em dois corpos". São particularmente tocantes estas palavras do santo de Nazianzo:

"A única tarefa e objetivo de ambos era alcançar a virtude e viver para as esperanças futuras, de tal forma que, mesmo antes de partirmos desta vida, tivéssemos emigrado dela. Nesta perspectiva, organizamos toda a nossa vida e maneira de agir. Deixamo-nos conduzir pelos mandamentos divinos estimulando-nos mutuamente à prática da virtude. E, se não parecer presunção minha dizê-lo, éramos um para o outro a regra e o modelo para discernir o certo e o errado" [5].

É este o tipo de amizade à qual estamos, todos nós, chamados a cultivar em nossas relações com os demais. Uma amizade enraizada em Cristo, para cuja Pessoa caminhamos na certeza de que a única felicidade encontra-se na vida eterna.

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