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Ônibus se preparam para o Ramadã na Inglaterra
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Ônibus se preparam para
o Ramadã na Inglaterra

Ônibus se preparam para o Ramadã na Inglaterra

A mesma Inglaterra que censura o Pai Nosso nas telas de cinema durante o Natal, prepara os seus ônibus públicos para celebrar o Ramadã islâmico.

Equipe Christo Nihil Praeponere23 de Maio de 2016Tempo de leitura: 1 minutos
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Processo de islamização da Europa quase completo. De acordo com a agência Independent:

"Centenas de ônibus britânicos irão portar propagandas exaltando Alá como parte de uma campanha, promovida pela maior organização filantrópica muçulmana do país, para ajudar vítimas da guerra civil na Síria.

A associação Islamic Relief espera que os pôsteres, com as palavras Subhan Allah, que significa 'Alá seja louvado' em árabe, ajudem a retratar de maneira positiva o Islã e a intervenção estrangeira no Oriente Médio.

Ônibus farão parte da campanha em Londres, Birmingham, Manchester, Leicester e Bradford."

A iniciativa, que coincide com a preparação para o Ramadã, a maior festa religiosa do islamismo, já havia sido anunciada antes mesmo da eleição do muçulmano Sadiq Khan ao cargo de prefeito de Londres, no último dia 9 de maio.

Até o momento, nenhum protesto de grande dimensão foi registrado no país em resposta a essa campanha. Em compensação, no último Natal, um simples comercial com pessoas rezando o Pai Nosso foi o suficiente para despertar a censura dos defensores do "Estado laico". Empresas de cinema barraram o vídeo das telas porque "ele poderia ofender as pessoas".

Aparentemente, o mesmo argumento não se aplica aos ônibus de Alá. A Inglaterra, outrora cristã, hoje se prepara para o Ramadã.

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Rita de Cássia, uma história de amor através do sofrimento
Santos & Mártires

Rita de Cássia, uma história
de amor através do sofrimento

Rita de Cássia, uma história de amor através do sofrimento

A história da famosa Santa Rita de Cássia mostra que, realmente, “fora da Cruz, não existe outra escada por onde subir ao Céu”.

Equipe Christo Nihil Praeponere21 de Maio de 2016Tempo de leitura: 3 minutos
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O corpo incorrupto de Santa Rita de Cássia é um dos casos mais célebres da história da Igreja. Ela morreu em 1457, mas até hoje, quem quer que visite a pequena comuna de Cássia, no interior da Itália, ficará impressionado em encontrar os restos mortais dessa santa mulher, ainda bem preservados no interior de uma urna dourada de cristal.

Numerosos eventos aconteceram ligados a essas relíquias. Só "no momento de sua entrada no Céu, a cela em que ela se encontrava ficou repleta de um perfume extraordinário, uma luz espantosa emanou do estigma que ela tinha na testa e conta-se que os sinos da cidade foram tocados alegremente pelos anjos". Os fenômenos odoríferos e muitos outros milagres fizeram as autoridades civis e eclesiásticas "instalarem as suas relíquias em um lugar acessível aos peregrinos que visitavam continuamente o seu túmulo". Antes de sua beatificação, em 1627, "o corpo foi cuidadosamente examinado e achado perfeitamente como no dia de sua morte, com a pele apresentando ainda a sua cor natural" [1], fato que salta aos olhos principalmente porque o seu corpo nunca tinha sido adequadamente sepultado, no correr de mais de 150 anos.

O reconhecimento de sua santidade, no entanto, não provém necessariamente da incorrupção de seu corpo. Há inúmeros homens e mulheres canonizados pela Igreja cujos restos mortais passaram por um processo natural de decomposição, sem que houvesse quaisquer acontecimentos extraordinários. Por isso, é preciso dizer que, ainda que o corpo de Santa Rita de Cássia não fosse encontrado incorrupto, ela seria canonizada por sua vida e pelo grande amor com que serviu a Deus.

De fato, Santa Rita é conhecida no mundo inteiro como "a santa das causas impossíveis" — e sua história não deixa de atestar a verdade do título que recebeu de seus devotos. Tendo casado muito cedo e meio que a contragosto, Rita sofreu muito com o temperamento violento e tempestuoso do marido, mas, graças ao fervor de suas orações e penitências, viu a graça divina agir sobre Paolo Ferdinando, pouco antes de seu assassinato, motivado por razões políticas. Os seus dois filhos juraram vingar a morte do pai, mas a mãe se prostrou novamente diante de Deus, dizendo que preferia ver os dois filhos mortos antes que que chegassem a cometer esse crime.

Sem dúvida, essas são palavras difíceis de serem pronunciadas por uma mãe, mas não para uma mulher convicta da eternidade e do valor da alma de seus filhos. Rita sabia que este mundo não era a "última palavra": sabia que, para além desta vida terrena, existia uma vida eterna futura, ou de glória ou de perdição, e que seria muito melhor para os seus filhos uma existência curta nesta terra que uma vida eterna sem Deus no inferno.

A exemplo de Santa Mônica, Rita foi atendida em suas preces e viu os seus filhos morrerem não só livres da culpa do homicídio, mas também do ódio e do rancor que eles nutriam em relação aos assassinos de Paolo Ferdinando. Os dois morreram perdoando os inimigos de seu pai. O que parecia humanamente impossível, Rita o alcançou pela força de suas orações.

Só por essa história belíssima — que muitos gostariam de ter repetida em suas famílias, vendo-as convertidas a Deus — a sua vida já mereceria um filme.

Rita, porém, depois de viver em plenitude o sacramento do Matrimônio, não deixando que se perdesse nenhum dos que lhe tinham sido confiados (cf. Jo 18, 9), decide entrar para a vida religiosa, a fim de celebrar aquele casamento definitivo com o Esposo de todas as almas que vivem neste mundo: Jesus Cristo. Aí, mesmo neste caminho tão belo de entrega a Deus, não é menor o sofrimento que a espera: primeiro, para conseguir entrar no Convento das Irmãs Agostinianas de Cássia, cuja regra impedia o ingresso de mulheres viúvas (outro impossível que ela superou com o auxílio de Deus); depois, para lidar com uma ferida supurante e malcheirosa, que fê-la viver os últimos 15 anos de sua vida em absoluto recolhimento (após a sua morte, foi dessa mesma ferida que emanou aquela luz gloriosa de que falamos).

A história de Santa Rita de Cássia é, em suma, uma história de amor a Deus através do sofrimento. Todos aqueles que querem ser verdadeiros devotos desta santa mulher devem trilhar a mesma via que ela: uns na vida matrimonial e outros na vida celibatária, mas todos no mesmo caminho do Calvário, porque, como dizia outra piedosa mulher, Santa Rosa de Lima, "fora da Cruz, não existe outra escada por onde subir ao Céu" [2].

Que o Espírito Santo nos ajude a transformar todos os nossos sofrimentos em atos de caridade; a converter toda a nossa dor em verdadeiro amor.

Santa Rita de Cássia,
rogai por nós!

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Como fazer do Pai Nosso uma arma espiritual?
Espiritualidade

Como fazer do Pai Nosso
uma arma espiritual?

Como fazer do Pai Nosso uma arma espiritual?

Se nem todos os cristãos podem realizar um ritual de exorcismo como o dos filmes, todos podemos, sem exceção, rezar a Oração do Senhor. E isso definitivamente não é pouca coisa.

Pe. Dwight LongeneckerTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere19 de Maio de 2016Tempo de leitura: 4 minutos
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Certa vez, durante uma palestra conduzida por um importante autor e psiquiatra cristão, três mulheres entusiasmadas lhe contaram que havia uma seita de bruxas em sua cidade e elas queriam saber o que fazer para acabar com isso.

O médico era uma pessoa de renome e, ao mesmo tempo, de grande espiritualidade. Ele disse com calma: "Pela minha experiência, na maioria dos casos, tudo o que é necessário para livrar um lugar do mal é reunir um grupo de cristãos fiéis e rezar em silêncio, repetindo todos juntos a oração do Pai Nosso e concentrando-se na frase 'Livrai-nos do mal'." Ele sorriu e deu sequência à sua fala. "Isso geralmente funciona. Alguém tem mais alguma pergunta?"

Acredito que as senhoras ficaram um pouco desapontadas. Talvez elas quisessem fazer um exorcismo dramático cheio de cabeças girando, levitações, água benta e sinais extraordinários. É verdade que, não raramente, muitas situações exigem um exorcismo. Nesses casos, só um exorcista treinado pode realizar o ritual adequado, contando com a autorização do bispo local.

Todos os cristãos batizados e confirmados, porém, são chamados a ser soldados na batalha espiritual, e um uso consciente da Oração do Senhor pode ser um instrumento bem prático e concreto para derrotar o demônio e libertar um lugar ou uma pessoa da influência maligna.

Às vezes nós nos esquecemos que uma dimensão importante do ministério do Senhor era a Sua batalha contra Satanás. Imediatamente depois de ser batizado, Jesus é enviado ao deserto para confrontar o pai da mentira. Logo depois, vemo-Lo expulsando demônios; curando os doentes do corpo, da mente e do espírito; e, finalmente, através de Sua paixão e ressurreição, esmagando de uma vez por todas a antiga serpente.


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Nesse ínterim, Ele também nos dá o Pai Nosso como uma arma na guerra, deixando nessa oração três expressões intimamente relacionadas à batalha que nós devemos travar com a Sua ajuda.

A primeira dessas expressões é o pedido "Perdoai-nos as nossas ofensas". Antes de qualquer coisa, nós pedimos perdão por nossos pecados, e isso está ligado com a ação de perdoarmos os outros. Quando dizemos, "assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido", nós estamos agindo como canais do perdão de Deus, que flui através de nós em direção ao próximo.

O primeiro passo consiste, pois, em rezar o Pai Nosso bem devagar, com uma ênfase nessas duas frases. Quando fazemos isso depois de um bom exame de consciência, a Oração do Senhor se converte em um poderoso ato de contrição. Santo Tomás de Aquino ensina, por exemplo, que os nossos pecados veniais podem realmente ser perdoados no Pai Nosso, se a nossa oração incluir "um movimento de detestação dos pecados". É claro que, se a nossa consciência nos acusa de um pecado mortal, o nosso ato de contrição não basta, e devemos recorrer ao sacramento da Reconciliação.

Ao rezar uma segunda vez a Oração do Senhor, focamo-nos no pedido "Não nos deixeis cair em tentação", pedindo, desta vez, que não sejamos enganados pelas vozes que pretendem nos levar ao pecado. Por "tentação", nós não falamos simplesmente da atração que temos para o pecado, referimo-nos também à tentação ativa que o demônio coloca diante de nós. Em outras palavras, "Senhor, defendei-nos dos ataques do mal" ou "Mantende-nos a salvo das contínuas armadilhas do mal. Dirigi-nos para perto da luz e para longe da escuridão".

Essa segunda vez rezando está claramente ligada à terceira, quando damos ênfase à última petição, "Livrai-nos do mal". Essa é a petição final e mais poderosa de libertação, porque, afinal, é nisso que consiste uma oração "de cura e libertação": livrar uma pessoa da escravidão do mal. É muito simplista imaginar que a escravidão ao demônio só se dê sob a forma da possessão diabólica. Muitas pessoas sofrem como escravas do mal: algumas estão presas a vícios, comportamentos sexuais obsessivos ou outros pecados particulares; outras são escravas das drogas, de maus relacionamentos; e outras ainda são escravas de sua auto-estima negativa, de hábitos destrutivos, de depressão, do medo e da ansiedade. Em todas essas dificuldades pode haver uma dimensão espiritual. Maus espíritos podem agir sobre uma pessoa prejudicando a saúde do seu corpo e do seu espírito.

De maneira bem prática e serena, então, podemos lutar contra o mal por meio de um uso consciente e intencional da Oração do Senhor: (1) para recebermos e darmos perdão, (2) para não cairmos em tentação e (3) para sermos libertos dos poderes malignos que nos acorrentam.

Finalmente, o Pai Nosso pode ser usado ainda não só para nós mesmos, mas como uma intercessão pelos outros. É inclusive um ato de misericórdia rezar pelo próximo que está escravizado pelo pecado, pedindo ao Senhor que o liberte.

Essa oração nos une com a oração de Jesus. Foi assim que Ele rezou e era isso o que Ele pedia. Acredito que esse aspecto do Pater Noster seja o mais importante e, no entanto, é o mais negligenciado de todos. Quando essa oração é rezada com simplicidade, serenidade e reflexão, nós unimos as nossas orações às de Cristo e a nossa vontade à d'Ele pela salvação do mundo e pela libertação das almas.

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Aparições Marianas: o que são e qual o seu papel na vida cristã?
Virgem MariaDoutrina

Aparições Marianas: o que são
e qual o seu papel na vida cristã?

Aparições Marianas: o que são e qual o seu papel na vida cristã?

Embora não façam parte do “depósito da fé”, as aparições marianas reconhecidas pela Igreja constituem um chamado sobrenatural à conversão e à santificação pessoais.

Equipe Christo Nihil Praeponere18 de Maio de 2016Tempo de leitura: 7 minutos
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O mês de maio é tradicionalmente dedicado a uma meditação mais fervorosa sobre os mistérios da Virgem Maria e do papel que ela ocupa na Igreja como mãe e advogada dos cristãos. Romarias, orações comunitárias do Santo Terço, novenas, Missas e outras manifestações de piedade para com a Mãe de Deus costumam acontecer em vários lugares. Trata-se de um carinho todo filial que os católicos procuram ofertar à Virgem, aquela que nos trouxe a salvação, a "Mãe de meu Senhor", como diria Santa Isabel (cf. Lc 1, 43).

Maio é também o mês em que nossos olhares se voltam para a cidade de Fátima, em Portugal, onde há quase cem anos a Virgem Maria aparecia a três criancinhas, os videntes Francisco, Jacinta e Lúcia, pedindo-lhes que rezassem pela conversão dos pecadores e pelo triunfo de Seu Imaculado Coração. Ainda hoje, os famosos segredos de Fátima são causa de muita especulação e curiosidade dentro e fora da Igreja.

A pergunta que queremos responder hoje, no entanto, é esta: de que maneira os fiéis católicos podem prestar maiores homenagens à Virgem Santíssima, a partir de aparições como as de Fátima e tantas outras já testemunhadas na história da Igreja?

O papel e o limite das "revelações privadas"

Os eventos de Fátima, assim como as demais aparições da Virgem Maria, pertencem àquele gênero de revelações que a Igreja chama de "privadas". Na definição de alguns teólogos, essas revelações consistem em uma "manifestação visível de um ser cuja visão naquele lugar ou naquele momento é inusitada e inexplicável segundo o curso natural das coisas" [1]. Uma vez que não fazem parte do depósito da fé, nenhum católico é obrigado a aceitá-las com o obséquio da fé, embora sejamos docilmente convidados a "discernir e guardar o que nestas revelações constitui um apelo autêntico de Cristo ou dos seus santos à Igreja". Como resume o Catecismo, o papel delas "não é 'aperfeiçoar' ou 'completar' a Revelação definitiva de Cristo, mas ajudar a vivê-la mais plenamente, numa determinada época da história" [2].

É preciso que todos os fiéis tenham muito claras essas noções, a fim de que não caiam ingenuamente em radicalismos e falsos messianismos, como sói acontecer em muitas ocasiões. A credulidade excessiva em muitas "profecias" e "revelações" — que, aliás, nem sequer foram ainda reconhecidas pela Igreja — pode incorrer num grave pecado contra a fé, conforme o que já alertava São João: "Caríssimos, não deis fé a qualquer espírito, mas examinai se os espíritos são de Deus, porque muitos falsos profetas se levantaram no mundo" (1 Jo 4, 1).

A Igreja age com salutar prudência todas as vezes que uma "revelação privada" surge. Essa atitude se justifica por razões teológicas e pastorais. Imaginem como seria danoso a uma comunidade descobrir, após grandes manifestações de adesão, que uma determinada "revelação" ou "mensagem celestial" não passava de charlatanismo. Ou ainda as consequências nocivas que tais "revelações" podem acarretar à obediência e à credibilidade da Igreja — especialmente por causa da grande repercussão que esses assuntos ganham pelos meios de comunicação —, quando pretendem "ultrapassar ou corrigir a Revelação de que Cristo é a plenitude" [3].

No que precisa crer o fiel católico? Na Revelação de Deus, encerrada com a morte do último apóstolo, e transmitida pela Igreja, quer por via oral, quer por escrito. Assim se expressou o Sagrado Concílio Vaticano I:

Deve-se, pois, crer com fé divina e católica todas as coisas que estão contidas na Palavra de Deus escrita ou transmitida pela Tradição, e que, pela Igreja, quer em declaração solene, quer pelo Magistério ordinário e universal, nos são propostas a ser cridas como reveladas por Deus [4].

Isso significa que o objeto material da fé católica corresponde àquilo que está exposto nas Sagradas Escrituras, nos símbolos apostólicos — os doze artigos do Credo — e no ensinamento perene da Igreja. Duas são as fontes da divina Revelação: a Tradição e as Sagradas Escrituras. Ambas constituem o depósito da fé, cuja tutela e interpretação são de responsabilidade do Magistério da Igreja.

No caso dos dogmas, por sua vez, somos obrigados a acolhê-los diligentemente porque, ao contrário dos protestantes, nossa fé não se fundamenta em juízos particulares, mas no juízo dos pastores, que são assistidos pelo poder do Espírito Santo e, que, portanto, não se enganam. Conforme explica o padre Royo Marín, "isso se dá porque não podemos ter certeza de que conhecemos e acolhemos o autêntico testemunho de Deus a não ser pela luz profética (que ilumina somente aqueles que recebem diretamente a divina revelação) ou pela proposição infalível da Igreja" [5]. Essas proposições podem manifestar-se de dois modos: por uma declaração solene de um Papa ou de um Concílio — a chamada declaração ex cathedra — ou por meio do Magistério ordinário e universal — ou seja, o ensinamento comum feito pelo Papa e pelos bispos reunidos a ele daquilo que é a fé de sempre da Igreja: "quod ubique, quod semper, quod ab omnibus — o que [foi crido] em todo lugar, sempre e por todos", diria São Vicente Lérins [6].

Com relação à Virgem Maria, quatro dogmas já foram solenemente proclamados: a Maternidade Divina, a Virgindade Perpétua, a Imaculada Conceição e a Assunção. Ao fiel católico já não é permitido questionar nenhum desses dogmas, sob pena de cair em graves heresias, porque "recusar fé a uma só doutrina da Igreja é não possuir fé" [7]. Existem, por outro lado, as piedosas opiniões, que nada mais são do que "uma verdade admitida pela Igreja desde tempo imemorial, mas ainda não declarada como revelada por Deus" [8]. É o caso da "mediação universal" de Maria e da sua "corredenção".

Como discernir as aparições marianas

O apóstolo São Tiago e seus discípulos prestam culto a Nossa Senhora do Pilar. Pintura de Francisco Goya.

A primeira aparição mariana de que se tem notícia é a de Zaragoza, Espanha, ainda nos tempos apostólicos. Os relatos dão conta de que Nossa Senhora aparecera a São Tiago para confortá-lo acerca da conversão dos espanhóis, que se mostrava muito difícil. Essa aparição deu origem ao título de Nossa Senhora do Pilar, proclamada padroeira da Espanha.

Basicamente, as aparições marianas sempre tiveram uma conotação apologética. Na maior parte de suas mensagens, a Virgem pede por uma conversão dos costumes e pela reparação às ofensas contra Seu Filho Jesus, num contexto em que algum artigo da sã doutrina cristã se encontra visivelmente ameaçado. Como citamos anteriormente, o papel das "revelações privadas", quando verdadeiras, é fazer com que o depósito da fé seja acolhido e vivido "mais plenamente, numa determinada época da história". Não se trata de uma nova revelação ou dogma, mas de um incentivo a uma vida mais coerente com o Evangelho revelado. É por isso que a Igreja também alerta para o risco daquele racionalismo crítico que faz "duvidar até das revelações privadas aprovadas pela Igreja [...], que, sem pertencer ao depósito da revelação nem ser objeto de fé divina, seria presunçoso e temerário rechaçar" [9].

Com o decorrer dos séculos e a repercussão que esse tipo de fenômeno costuma ter, sobretudo com a participação dos meios de comunicação, a Santa Sé decidiu elencar alguns requisitos básicos para o reto discernimento das aparições, que levam em consideração aspectos positivos e negativos, "a fim de que a devoção suscitada entre os fiéis por acontecimentos deste tipo possa manifestar-se no respeito da plena comunhão com a Igreja e dar frutos, dos quais a própria Igreja possa discernir em seguida a verdadeira natureza dos acontecimentos" [10]. Ei-los aqui:

Quando a Autoridade eclesiástica for informada sobre uma presumível aparição ou revelação, será sua tarefa:

a) em primeiro lugar, julgar sobre o fato segundo critérios positivos e negativos (cf. infra, n. I);

b) em seguida, se este exame chegar a uma conclusão favorável, permitir algumas manifestações públicas de culto ou de devoção, prosseguindo na vigilância sobre elas com grande prudência (isto equivale à fórmula: «pro nunc nihil obstare»);

c) finalmente, à luz do tempo transcorrido e da experiência, com especial relação à fecundidade dos frutos espirituais gerados pela nova devoção, expressar um juízo de veritate et supernaturalitate, se o caso o exigir. [11]

É fundamental que haja o devido respeito a essas normas para que não se crie o risco de divisão no seio da comunidade. De fato, o diabo pode muito bem aproveitar-se da inocência de alguns fiéis, como já aconteceu inúmeras vezes, inculcando-lhes falsas mensagens celestiais, que perturbam a ordem do culto a Deus. Além disso, os videntes não são pessoas infalíveis, de modo que as mensagens que eles recebem correm o risco de se confundirem com os seus próprios pensamentos. É a autoridade da Igreja que pode julgar com segurança esses fatos.

No final do século XIX e início do século XX, Maria visitou-nos com espantosa regularidade. Medalha Milagrosa, La Salette, Lourdes e Fátima constituem como que o ápice dessas visitas, cuja mensagem era uma só: reparação e conversão. Os frutos benéficos produzidos por essas mesmas aparições ainda hoje podem ser vistos e colhidos, de tal forma que os próprios Romanos Pontífices se referem a eles em suas exortações e programas de pontificado. É, portanto, muito salutar que os fiéis abram os ouvidos ao testemunho das aparições marianas, segundo o critério da Madre Igreja, com vistas para uma autêntica renovação dos costumes e um vigoroso crescimento na fé.

Referências

  1. René Laurentin, "Aparições - II Parte: Aspectos Históricos", in DE FIORES, Stefano e MEO, Salvatore (org.). Dicionário de Mariologia. São Paulo: Paulus, 1995, p. 116.
  2. Catecismo da Igreja Católica, n. 67.
  3. Idem.
  4. Concílio Vaticano I, Const. Dogm. Dei Filius c. 3: Denz. 1792.
  5. Antonio Royo Marín. A Fé da Igreja: Em que deve crer o cristão de hoje. Campinas: Ecclesiae, Edições Cristo Rei, 2015, p. 69.
  6. Commonitorium, II.
  7. Francisco Spirago. Catecismo Católico Popular, vol. I. 3a. ed. Lisboa: União Gráfica, 1938, p. 74.
  8. Ibidem, p. 59.
  9. Royo Marín, op. cit., p. 126.
  10. Congregação para a Doutrina da Fé, Normas para proceder no discernimento de presumíveis aparições e revelações (25 de fevereiro de 1978), n. 2.
  11. Idem.

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