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Se você caiu, levante-se!
Espiritualidade

Se você caiu, levante-se!

Se você caiu, levante-se!

Na guerra, não é tão grave cair quanto permanecer caído. Grave não é ser ferido na guerra, mas desesperar-se depois de receber o golpe e não cuidar da ferida.

São João Crisóstomo21 de Março de 2016Tempo de leitura: 1 minutos
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O grave não é que aquele que luta, caia, mas que permaneça caído. O grave não é ser ferido na guerra, mas desesperar-se depois de receber o golpe e não cuidar da ferida.

Um mercador não deixa de navegar por ter sofrido naufrágio certa vez e perdido a carga. Retorna ao mar e desafia as ondas e atravessa os oceanos, e acaba por recuperar a sua riqueza. E assim vemos também muitos atletas que, depois das grandes quedas, conseguiram ser coroados; e muitas vezes aconteceu que um soldado, que primeiro havia dado as costas ao inimigo, depois voltou atrás e lutou como um valente e venceu o inimigo. Muitos, por fim, que negaram a Cristo forçados pela violência dos tormentos tornaram depois ao combate e saíram deste mundo cingindo a coroa do martírio. Se cada um destes se tivesse deixado tomar pelo desalento ao primeiro golpe, não teria alcançado os bens que alcançou mais tarde.

Assim também tu, querido Teodoro, não deves precipitar-te a ti mesmo no abismo só porque te afastaste um pouco do teu estado. Não. Resiste valorosamente e retorna depois ao lugar de onde saíste, e não tenhas por desonra teres um dia recebido esse golpe. Se visses um soldado que retorna ferido da guerra não o considerarias desonrado; desonra é lançar fora as armas e deixar o campo de batalha. Mas enquanto a pessoa se mantiver firme no seu posto e se empenhar em combater, mesmo que seja ferida, mesmo que tenha de retroceder alguns passos, ninguém será tão insensato nem tão inexperiente nas coisas da guerra que se atreva a lançar-lho em rosto.

Não ser ferido é próprio somente daqueles que não lutam; mas aqueles que se lançam com grande ímpeto contra o inimigo, é natural que vez por outra sejam atingidos por um golpe e caiam. Isto é o que te aconteceu agora: quiseste matar a serpente de um só golpe e foste mordido por ela. Mas anima-te; com um pouco de vigilância, não ficará o menor rasto dessa ferida e até, com a graça de Deus, conseguirás esmagar a cabeça da serpente.

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Saiba por que estes três homossexuais voltaram para a Igreja Católica
Testemunhos

Saiba por que estes três homossexuais
voltaram para a Igreja Católica

Saiba por que estes três homossexuais voltaram para a Igreja Católica

Dan, Rilene e Paul participaram de um documentário para dizer que a castidade é possível para todos — inclusive para quem sofre com a atração por pessoas do mesmo sexo.

Equipe Christo Nihil Praeponere18 de Março de 2016Tempo de leitura: 4 minutos
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"Eu acho que a solidão é o estado de maior desolação em que o ser humano pode se encontrar. A solidão não é um estado de isolamento físico. A solidão é o sentimento de que, não importa onde você esteja, ninguém sabe quem você é. É estranho experimentar esse isolamento das pessoas mesmo quando você está cercado por elas. E então ter de simular um semblante feliz todos os dias."
Daniel Mattson.

As palavras são de Daniel Mattson, um dos protagonistas do documentário norte-americano Desire of the Everlasting Hills"Desejo pelas Colinas Eternas", em português. O filme é produzido pelo grupo Courage International, um apostolado católico que ajuda pessoas com atração pelo mesmo sexo (AMS) a viverem a castidade.

Clique aqui para assistir ao documentário "Desejo pelas Colinas Eternas", com legendas em português.

Apesar da autoria, a produção de uma hora não é nenhum pouco parecida com alguma homilia ou lição de Catecismo. Trata-se simplesmente do testemunho de três filhos de Deus que, assim como o filho pródigo do Evangelho, se cansaram do pecado e decidiram voltar para a casa do Pai.

Eles são Daniel Mattson, Rilene Simpson e Paul Darrow. Todos foram criados, pelo menos nominalmente, como católicos, mas as suas vidas seguiram rumos totalmente diferentes a partir disso.

Dan viveu desde cedo um conflito muito forte em relação à sua sexualidade, mas não era capaz de se abrir sobre o assunto com ninguém. No mundo virtual, ele conheceu um rapaz com quem teve o primeiro encontro sexual. Um relacionamento estável e até um breve namoro com uma mulher só aumentariam ainda mais a sua confusão, até que ele finalmente se decidisse a viver a castidade.

Rilene Simpson.

Com Rilene, tudo foi diferente. A homossexualidade nunca tinha sequer passado pela sua cabeça. Quando jovem, ela conta que queria realmente encontrar um homem, ter um encontro e casar-se, mas isso nunca chegou a acontecer. Foi quando ela conheceu Margo e as duas acabaram vivendo juntas por longos 25 anos, até que Rilene começasse a sentir a necessidade de algo a mais.

Paul, por sua vez, era modelo internacional durante o período de "sexo, drogas e rock n'roll" da Nova Iorque dos anos 70. Ele avalia que suas relações homossexuais chegaram à casa dos "milhares". Quando não estava trabalhando, ele aproveitava os atrativos de uma vida hedonista e selvagem, sem remorsos ou consequências. Até que um exame de HIV abriu os seus olhos e virou a sua vida de ponta-cabeça.

A história de cada um deles é única e irrepetível, mas todas têm em comum um ponto de virada, um momento de epifania que os levou de volta à Igreja Católica e à fé que há muito eles haviam abandonado.

O testemunho mais impressionante, sem dúvida, é o de Paul. Enquanto dirigia o seu carro rumo ao hospital, seguro de que seria diagnosticado como soropositivo, o seu sentimento de morte iminente foi repentinamente substituído por uma paz e uma voz consoladora que lhe dizia: "Paul, você não tem AIDS porque tem muito a fazer para reparar a vida que você tem vivido". Aquela intuição desconhecida terminou se revelando correta: o seu exame de HIV deu negativo e foi o gatilho para que ele começasse um processo de conversão. Aconselhado por uma religiosa simpática da televisão — ninguém menos que Madre Angélica, do canal católico EWTN —, ele procurou um confessionário e reconciliou-se com Deus.

"Eu percebi que precisava usar todo o tempo que me restava para expressar o meu amor a Deus e a minha gratidão por tudo o que Ele fez e por Ele nunca ter me esquecido durante todas as décadas em que eu O esqueci e me voltei contra Ele", declara Paul.

Paul Darrow.

Dan hesitava em fazer o filme porque nunca tinha "saído do armário" publicamente e não queria ser ridicularizado por seus conhecidos. Mas o seu desejo de ajudar os outros fez com que ele superasse a sua vergonha. "Nós fomos feitos para coisas melhores do que aquilo com que nos conformamos", ele diz. "Por toda a minha vida, eu havia me conformado, mas não quero me conformar mais, mesmo que isso signifique viver uma vida sozinho. Eu posso fazer isso! Eu não quero voltar atrás."

Rilene, por sua vez, decidiu entrar no projeto para "reparar" a sua vida passada. No final do documentário, perguntada sobre o que a Rilene dos velhos tempos teria a dizer à Rilene católica de hoje, ela é sincera: "Ela iria rir histericamente, iria pensar que isso é ridículo". Para ela, as "coisas de igreja" eram "apenas para pessoas fracas, que não conseguem se relacionar, pessoas que são pobres, doentes e não podem administrar suas vidas". "De fato — ela brinca —, é isso mesmo, aqui estou eu!"

Paul termina o seu testemunho com um belíssimo relato de amor à Eucaristia. Ele conta que era relativamente feliz durante a sua juventude, principalmente quando convivia "com pessoas belas e famosas em coberturas com vista para o horizonte espetacular de Nova Iorque". Agora, porém, ele encontrou algo muito maior: o Santíssimo Sacramento. "Aquela euforia que durou um tempo da minha vida, não é nada, absolutamente nada, em comparação com quando eu estou recebendo o corpo e o sangue de Nosso Senhor, na igreja durante a Missa."

O emocionante "Desejo pelas Colinas Eternas" está fazendo sucesso em todo o mundo e pode ser assistido na íntegra, com legendas em várias línguas, inclusive para o português, no sítio do documentário na Internet. Assista e seja também você bem-vindo à Igreja Católica.

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Famílias protestam contra lei que quer monitorar crianças na Escócia
EducaçãoNotícias

Famílias protestam contra lei que
quer monitorar crianças na Escócia

Famílias protestam contra lei que quer monitorar crianças na Escócia

O plano é compulsório e prevê que o governo nomeie uma pessoa para cuidar do “bem-estar” de cada criança escocesa até que ela complete 18 anos de idade. Associações cristãs protestam e consideram o projeto “um insulto” às famílias.

Equipe Christo Nihil Praeponere17 de Março de 2016Tempo de leitura: 4 minutos
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Uma lei criticada por autorizar ampla intromissão do Estado na privacidade da família foi alvo de protestos, semana passada, na Suprema Corte do Reino Unido, por associações cristãs e grupos em defesa dos direitos dos pais. Colin Hart, um dos manifestantes e membro do Christian Institute, chamou a lei de "um insulto aos direitos fundamentais de mães e pais de criarem os seus filhos do modo como eles acham melhor".

De acordo com o plano, obrigatório para todos os pais, o governo deve nomear uma pessoa para monitorar o "bem-estar" de cada criança escocesa até que ela complete os 18 anos. O projeto não dá aos pais nem a alternativa de sair do programa, nem a possibilidade de nomear para os seus próprios filhos as pessoas que eles quiserem.

A legislação por trás do plano Named Person ("Pessoa Nomeada", lit.) é a Lei da Criança e do Adolescente. Apesar de ter sido aprovada em 2014, ela só será implementada em 31 de agosto deste ano — tempo suficiente para que vários grupos em defesa da família (Christian Institute, Christian Action Research and Education [CARE], The Young ME Sufferers [Tymes] e Family Education Trust), protestem contra a norma, que viola a vigente lei da privacidade e os direitos constitucionais dos pais. O colegiado que terminou de ouvir o caso na quarta-feira (9) diz que vai ordenar ao governo para adiar a execução da lei.

A "pessoa nomeada" pelo governo da Escócia poderá ser um professor, um diretor escolar, uma parteira ou mesmo uma assistente social, e será responsável por "ouvir, aconselhar e ajudar" a criança ou adolescente, ou quando a família pedir ou quando "necessidades de bem-estar forem identificadas". Os "monitores" indicados pelo governo poderão colher informações de médicos, movimentos sociais, escolas, tribunais e até mesmo das crianças, mas sem o conhecimento dos pais. À medida em que os filhos crescem e os seus "tutores" morrem, mudam de emprego ou perdem contato, outras pessoas são nomeadas, alargando o círculo de "confidentes" da família.

De acordo com o porta-voz da campanha No to Named Persons,

"Há duas ideias sinistras por trás disso. A primeira é a de que os pais não podem criar os seus filhos sem ajuda profissional fornecida pelo Estado — de que para as crianças crescerem e se tornarem cidadãos escoceses bem-sucedidos, deve haver uma intervenção governamental desde cedo. A segunda e mais perigosa ideia é a de que cada pai é um abusador de crianças em potencial, de que há muito mais abusos acontecendo que não saem em público, e que a única maneira de prevenir isso é através da intervenção preventiva do Estado."

O plano vai criar uma barreira de suspeitas entre pais, filhos e oficiais do governo, sem falar dos problemas morais que poderão emergir. Aidan O'Neill, do Christian Institute, menciona a possibilidade de um médico prescrever anticoncepcionais a uma adolescente e ela calar o assunto para os seus pais, revelando o segredo apenas para a sua "monitora" — ou mesmo de uma "pessoa nomeada" aconselhar uma jovem a tomar pílulas sem que haja o consentimento expresso dos seus pais.

A coalizão No to Named Persons admite que existem casos de abuso infantil, mas reivindica que o governo da Escócia dê atenção às crianças que precisam da intervenção do Estado, ao invés de acionar uma equipe sobrecarregada de professores e agentes sociais para prestar uma ajuda governamental desnecessária. Os grupos contrários à lei também argumentam que o plano viola o direito das famílias à privacidade na educação dos seus filhos. A linguagem dupla contida no plano dá margem a uma ampla intervenção dos agentes sociais e gera preocupação em todo o país.

Como se sabe, a Escócia não é o único país do mundo a ser ameaçado por uma política totalitária na área de educação. Na Noruega, inúmeras famílias sofrem com a perda dos seus filhos para o departamento de "proteção à infância" do país. Um pai oriundo da Romênia está desde o final do ano passado sem a guarda de suas cinco crianças porque era tido como "muito cristão". Na Alemanha, outro casal já foi encarcerado por ser contrário ao ensino da ideologia de gênero na escola de seus filhos. As notícias são muitas e seriam capazes de preencher muitas páginas. Mutatis mutandis, também o Brasil, com a nova "Base Nacional Comum Curricular", está sob o mesmo perigo.

Certamente, há quem olhe para tudo isso simplesmente como parte do zeitgeist (o "espírito dos tempos"). Estaríamos dentro da marcha inexorável da história, e a nossa única alternativa seria a conformidade e a resignação.

Quem quer que estude um pouco o desenvolvimento das ciências humanas nos últimos séculos, no entanto, sabe muito bem que nada disso é por acaso. Foi a liberdade humana que produziu tudo isso — ou, melhor dizendo, o trágico abuso da liberdade, que termina conduzindo à escravidão. É preciso que o mesmo homem "livre" que voltou as suas costas para Deus (e para si mesmo!) redescubra a sua dignidade e a sua vocação. Caso contrário, chegaremos cada vez mais perto do "Admirável Mundo Novo" de Aldous Huxley e do "Grande Irmão" de George Orwell. Nunca as distopias da literatura foram tão adequadas à realidade.

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Vai e vive como quiseres?
Espiritualidade

Vai e vive como quiseres?

Vai e vive como quiseres?

Quando livrou da morte a mulher adúltera, Nosso Senhor não lhe deu uma “licença para pecar”.

Equipe Christo Nihil Praeponere16 de Março de 2016Tempo de leitura: 4 minutos
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A passagem da adúltera perdoada, narrada por Jo 8, 1-11, constitui, sem dúvida, um dos mais belos trechos das Sagradas Escrituras: ilustra a sabedoria de Jesus, o modo admirável como Sua mansidão se coaduna com a Sua justiça, mas, sobretudo, dá testemunho da infinita misericórdia de Deus, que não quer a morte do pecador, mas que ele se arrependa e viva (cf. Ez 33, 11).

Neste ponto, a mensagem de Cristo toca a todos nós, filhos de Adão, já que "todos pecaram e estão privados da glória de Deus" (Rm 3, 23). Foi o que Jesus lembrou quando disse aos escribas e mestres da Lei: "Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra". Ao dizê-lo, Cristo fazia referência principalmente às más intenções que traziam em seu coração — afinal, ao pedir que fosse apedrejada a adúltera, quem eles realmente queriam lapidar era Jesus —, mas também à condição pessoal de cada ser humano após a Queda e o pecado original. O Senhor não se opunha ao cumprimento da justiça — Ele mesmo disse que não tinha vindo para abolir a Lei, mas levá-la à plenitude (cf. Mt 5, 17). O que a Sua sentença dizia era: "Seja punida a pecadora, mas não por pecadores; seja cumprida a lei, mas não por prevaricadores da lei, porque, como diz Rm 2, 1, 'julgando os outros condenas a ti mesmo, já que fazes as mesmas coisas, tu que julgas'" [1]. Não é justo, de fato, que os réus sejam condenados por juízes injustos; que tenham argueiros apontados em seus olhos por quem traz uma trave turvando a própria visão (cf. Mt 7, 5). Por isso, a fé cristã no juízo de Deus não é só causa de grande temor — "é terrível cair nas mãos do Deus vivo!" (Hb 10, 31) —, mas também motivo de grande consolação: no fim de nossas vidas, seremos julgados por um Juiz sumamente bom, perfeito e justo. É a Ele, não aos homens, que deveremos prestar contas.

E é justamente diante de uma das Pessoas da Santíssima Trindade (unus ex Trinitate) que se encontra aquela mulher flagrada em adultério. Ela sabia bem que Jesus não era qualquer um: não só ouve os escribas chamando-O de Διδάσκαλε (didascále), "mestre", como ela mesma O chama de κύριε (kirie), "Senhor" [2]. Quando ouve de Sua boca que quem não tivesse pecado começasse a apedrejá-la, talvez até pensasse consigo que a primeira pedra viria justamente de Cristo, o Cordeiro imaculado e sem mancha, semelhante a nós em tudo, exceto no pecado (cf. Hb 4, 15).

Ele, porém, não veio para condenar o mundo, mas para salvar as pessoas de seus pecados. São João Batista se refere a Ele como "o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" ( Jo 1, 29). E Ele mesmo diz, falando a Nicodemos, que "Deus amou de tal modo o mundo que lhe deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3, 16). Por isso, também à mulher Ele diz: "Nem eu te condeno".

Quem quer que se detenha nessas linhas talvez fique com uma impressão demasiado doce e suave do Evangelho. Afinal, não foi o mesmo Cristo quem disse, em outro lugar, que o adultério é condenável não só por atos, mas até por pensamentos (cf. Mt 5, 28)? Não foi Ele quem chegou a proibir o próprio divórcio (cf. Mt 19, 9)? E não foi também Ele quem, sendo Deus, ditou o mandamento que diz: "Não cometerás adultério" (Ex 20, 14)? Como pode ser que não repreenda a mulher adúltera e aparentemente deixe as coisas por isso mesmo?

A pedagogia divina, no entanto, ao mesmo tempo em que não aniquila o pecador, também não faz parceria com o pecado. Cristo não condena a mulher, mas, ao despedi-la, diz: " Vai e não peques mais". Santo Tomás de Aquino, comentando esse versículo, diz:

"Havia duas coisas nesta mulher: a natureza e a culpa. O Senhor podia ter condenado ambas: a natureza, ordenando que fosse apedrejada, e a culpa, não a absolvendo. Podia também ter absolvido ambas, se concedesse à mulher licença para pecar, dizendo: 'Vai e vive como quiseres, está segura da minha libertação. Não importa o quanto peques, eu também te livrarei das torturas da Geena e do Inferno'. Mas o Senhor, que não ama a culpa e não favorece o pecado, condenou a culpa, não a natureza, dizendo: 'Não peques mais', pelo que mostrou quão doce é pela mansidão e quão reto é pela verdade." [3]

Graças, portanto, sejam dadas a Nosso Senhor Jesus Cristo! Não nos condenou à morte por nossos pecados, mas veio nos dar a vida plena! Veio libertar-nos, não da morte do corpo, como fez com a adúltera, mas da morte da alma, que é a pior de todas! Não bastava que fosse poupada das pedras deste mundo, aquela mulher precisava ser livre também da condenação eterna. Porque não seria, de fato, plena misericórdia que, salvando a pele daquela mulher, Nosso Senhor deixasse que se perdesse a sua alma, o que ela tinha de mais valioso. É por isso que Ele lhe diz: "Vai e não peques mais". Ordena a ela que vá, sim, mas também que fique. Manda fisicamente que vá embora, mas que espiritualmente fique consigo, porque sabe que só assim ela será verdadeiramente livre da morte.

Hoje o Senhor diz também a nós: "Vai e não peques mais". Hoje quer dizer "a todo momento", porque Ele quer estar conosco sempre. Mas a Sua misericórdia abundante se derrama sobre nós principalmente quando nos perdoa no sacramento da Confissão e quando Se une a nós no sacramento da Eucaristia; quando nos livra de nossas faltas graves na Penitência e nos purifica de nossos pecados veniais na Comunhão. Sempre que nos despedirmos do Senhor que nos visita nesses sacramentos, lembremo-nos de Sua voz afável, mansa e amorosa, convidando-nos à vida da perfeição e como que ecoando através dos séculos aquela pergunta: "Que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se vem a perder a sua alma?" (Mc 8, 36).

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