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O escândalo das escolhas definitivas
DoutrinaPapa Francisco

O escândalo das escolhas definitivas

O escândalo das escolhas definitivas

O verdadeiro amor pelas almas não pode nunca prescindir do anúncio da verdade, ainda que esta pareça dura ou difícil de ser seguida

Equipe Christo Nihil Praeponere6 de Março de 2015Tempo de leitura: 4 minutos
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"O matrimônio, por sua própria instituição, se deve dar somente entre dois, isto é, o homem e a mulher". "Dos dois forma-se uma só carne". "Por vontade de Deus, o vínculo nupcial é tão íntimo e fortemente unido, que ninguém entre os homens pode desfazê-lo ou rompê-lo" [1]. Eis a verdade sobre o matrimônio, exposta pelo próprio Cristo e resumida pelo Papa Leão XIII, ainda ao fim do século XIX. Na ocasião, o que rondava a Europa era a ameaça do divórcio; hoje, são tantos os males que cercam o mundo, que mesmo os conceitos de "Matrimônio" e "casamento" – e até de "homem" e "mulher", com a ideologia de gênero –, foram postos em xeque.

Não é, portanto, exclusividade de nossa época, que as pessoas se escandalizem com a pregação cristã sobre o casamento. Quando Jesus – explicando aos judeus que o divórcio só havia sido permitido pela lei mosaica por causa da dureza de seus corações e que "no começo não foi assim" – estabeleceu com firmeza que o homem não pode separar o que Deus uniu, os Seus próprios discípulos ficaram impressionados: " Se tal é a condição do homem a respeito da mulher, é melhor não se casar!" (Mt 19, 10). Como resposta a essa indagação, Jesus não só manteve integralmente o que disse, como afirmou, noutro lugar, que o adultério não se comete apenas com atos, mas também com o coração (cf. Mt 27, 28).

É claro que a reação dos discípulos não se compara à dos homens deste século: enquanto aqueles queriam evitar o casamento para servir melhor a Deus [2], estes fogem do altar... para servir melhor a si mesmos. – Se tal é a condição do homem a respeito da mulher, é melhor permanecer solteiro! Se tal é a condição do homem a respeito da mulher, é melhor viver sozinho! – De fato, as estatísticas mostram que o número de casamentos formais têm diminuído em várias partes do mundo. Ao contrário, as chamadas "uniões estáveis" (que de estáveis só têm o nome) são a nova onda do momento.

Trata-se da "cultura do provisório", tão denunciada pelo Papa Francisco em seus discursos. "Vivemos numa cultura (...) na qual cada vez mais pessoas renunciam ao matrimônio como compromisso público. Esta revolução nos costumes e na moral agitou com frequência a 'bandeira da liberdade', mas na realidade trouxe devastação espiritual e material" [3]. Aquilo que para alguns seguidores de Cristo era apenas um susto ou indagação é cada vez mais realidade no mundo moderno: as pessoas não querem mais se casar.

O Catecismo reconhece que "pode parecer difícil e até impossível ligar-se por toda a vida a um ser humano" [4]. No entanto, a Igreja deve manter-se fiel a seu Senhor e Fundador, sem a pretensão de mudar uma só letra da doutrina evangélica. Como Cristo, ela não deve temer figurar como "sinal de contradição" ( Lc 2, 34), pois o verdadeiro amor pelas almas não pode nunca prescindir do anúncio da verdade, ainda que esta pareça dura ou difícil de ser seguida. No ensinamento do Beato Papa Paulo VI, "não minimizar em nada a doutrina salutar de Cristo é forma de caridade eminente para com as almas" [5].

Alguém poderia até argumentar que, deste modo, com essa "intransigência moral", a Igreja Católica estaria a perder "fiéis". À parte a pouca fidelidade desses que saem da barca de Pedro por não aceitarem os preceitos firmados pelo próprio Jesus, essa é uma questão importante. Se ensinasse algo diferente em matéria de família, a Igreja, por certo, ganharia a simpatia de muitos, cairia nas graças da mídia e até poderia aumentar o seu número de "fiéis". Mas, a que preço? Qual deve ser a maior preocupação da Igreja? Aumentar o seu dízimo ou levar as almas a um encontro real com Cristo? Ter um grande número de pessoas nas igrejas ou aumentar a extensão do Corpo Místico de Cristo – a Igreja com "i" maiúsculo?

O anseio da Igreja (e, portanto, de Cristo) é que o homem "se defina", chegue à plenitude de seu ser, não que seja uma permanente "metamorfose ambulante", sem rumo e sem verdadeira meta.

"Na cultura do provisório, do relativo, muitos pregam que o importante é 'curtir' o momento, que não vale a pena comprometer-se por toda a vida, fazer escolhas definitivas, 'para sempre', uma vez que não se sabe o que reserva o amanhã. Em vista disso eu peço que vocês sejam revolucionários, eu peço que vocês vão contra a corrente; sim, nisto peço que se rebelem: que se rebelem contra esta cultura do provisório que, no fundo, crê que vocês não são capazes de assumir responsabilidades, crê que vocês não são capazes de amar de verdade." [6]

Com a sua pregação, a Igreja toma constantemente a voz de Cristo e chama as almas a considerarem o altíssimo preço pelo qual foram compradas e a grandíssima vocação para a qual foram chamadas. Para corresponder a esses apelos que parecem vir apenas da boca de homens, mas, na verdade, vêm da boca do próprio Deus, é preciso coragem e perseverança. Pelo pecado original, tendemos mais facilmente à dissolução que a perfeição, ao pecado que à virtude. Mas, pelo Batismo, somos chamados à magnanimidade [7]: com grandeza de alma, acolhamos o chamado de Cristo e da Igreja e não tenhamos medo de arriscar nossas vidas em decisões definitivas, almejando a verdadeira Vida, que nunca terá fim.

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Ortodoxos voltam à Igreja Católica pela intercessão de Padre Pio
Testemunhos

Ortodoxos voltam à Igreja Católica
pela intercessão de Padre Pio

Ortodoxos voltam à Igreja Católica pela intercessão de Padre Pio

A pequena San Giovanni Rotondo da Romênia: toda uma comunidade ortodoxa se converte ao catolicismo após presenciar os milagres do santo de Pietrelcina

Equipe Christo Nihil Praeponere4 de Março de 2015Tempo de leitura: 3 minutos
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O grande místico do século XX, São Pio de Pietrelcina, morreu em 1968, mas vários milagres atribuídos à sua intercessão seguem sendo reportados ainda hoje. Como ele mesmo tinha profetizado, daria mais trabalho morto do que vivo.

Tome-se como exemplo um evento recente ocorrido na Romênia. Após um milagre extraordinário atribuído à intercessão do Padre Pio, o país – marcado por um triste passado comunista – assistiu à conversão de uma paróquia ortodoxa inteira à fé católica, de uma só vez.

A história começa em 2002, quando Lucrécia Tudor, mãe de Victor, um sacerdote ortodoxo, é diagnosticada com câncer de pulmão. Os médicos dizem que há muito pouco a fazer, pois notam a presença de metástase – quando se forma uma lesão tumoral em outro órgão. Na ocasião, dão a Lucrécia apenas alguns meses de vida.

Victor, então, decide pedir ajuda a seu irmão, Mariano, pintor especializado em iconografia que vive em Roma. Providencialmente, este consegue contatar um dos melhores especialistas na área, que se oferece para examinar sua mãe.

Para tristeza dos filhos, porém, o diagnóstico é o mesmo e a única intervenção possível são alguns remédios para mitigar as terríveis dores da doença. Assim, a fim de fazer um acompanhamento mais intenso, a mãe permanece em Roma. Enquanto Mariano trabalha no mosaico de uma igreja, Lucrécia visita o templo e admira as imagens.

Destas, uma chama particularmente a sua atenção. Era um ícone do Padre Pio. Impressionada, ela pergunta a seu filho quem ele é. Mariano conta-lhe brevemente sua história e, durante os dias seguintes, percebe que ela fica permanentemente sentada diante da imagem do santo de Pietrelcina.

O fruto daqueles momentos de silêncio diante do frade capuchinho se revela. Algumas semanas depois, Lucrécia e Mariano vão ao hospital para fazer um exame e, para surpresa dos médicos e deles mesmos, o tumor tinha desaparecido por completo.

É possível imaginar a forte impressão que este verdadeiro milagre deixou em toda a família Tudor. O feito mexeu não só com os familiares, mas também com a comunidade ortodoxa assistida por seu filho, Victor. "Todos a conheciam e sabiam que tinha ido à Itália para tentar uma intervenção cirúrgica, e que logo tinha voltado para casa curada, sem que nenhum médico a tivesse operado", explica o sacerdote.

A surpresa desperta o interesse de Victor, então padre da Igreja Ortodoxa, pelo santo que curou sua mãe. Ele começa a ler sobre a vida do frade capuchinho e, pouco a pouco, toda a sua paróquia passa a conhecê-lo e amá-lo. "Líamos tudo o que encontrávamos sobre ele, sua santidade nos conquistava", conta Victor.

A experiência religiosa daquelas pessoas começou a ir mais além, quando outros enfermos da paróquia também passaram a receber graças extraordinárias pelas mãos do Padre Pio. Começava a surgir um problema nesta comunidade: era um reduto de cristãos ortodoxos devotos... de um santo católico contemporâneo!

Por isso, o padre Victor e sua paróquia – com quase 350 pessoas – decidiram se fazer católicos. Embora enfrentassem múltiplas dificuldades – converter-se ao catolicismo numa terra predominantemente ortodoxa e com um passado socialista não é um processo nada tranquilo –, seguiram em frente e, hoje, são fiéis do rito greco-católico romeno.

Transformados pela experiência com o Padre Pio, a comunidade também erigiu uma igreja dedicada ao frade capuchinho. O templo, já praticamente construído, pode ser contado como mais um milagre do santo italiano. A princípio, eram os fiéis, ainda que de condições bem simples, quem colaboravam na construção. Enquanto o templo não ficava pronto, a Missa era celebrada na rua, mesmo debaixo de baixíssimas temperaturas de inverno. As dificuldades eram grandes e o padre Victor se preocupava... Mas, um dia, um bispo decidiu ajudar e pagou o terreno da igreja. A isto se seguiam eventos extraordinários, que pouco a pouco favoreciam a construção.

Hoje, além da igreja em honra a São Pio de Pietrelcina, o padre Victor e seus paroquianos mantêm um hospital que atende enfermos terminais, pessoas sem recursos e anciãos abandonados – quase uma "Casa do Alívio do Sofrimento", como existe em San Giovanni Rotondo, onde o Padre Pio passou maior parte de sua vida. As dificuldades financeiras neste reduto católico da Romênia são enormes, mas Victor conta com a intercessão do Padre Pio. Até aqui, ela não falhou.

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Para muito além dos filmes de terror
Espiritualidade

Para muito além dos filmes de terror

Para muito além dos filmes de terror

O risco de pecar, perder a própria alma e ser condenado ao fogo do inferno é um drama muito mais terrível – e real – que qualquer conto de terror

Equipe Christo Nihil Praeponere3 de Março de 2015Tempo de leitura: 6 minutos
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Os "filmes de terror" dividem opiniões. Muitos não gostam, porque, depois que assistem, não conseguem dormir à noite. Alguns, impulsionados por uma curiosidade malsã, lançam-se de cabeça nas tramas cinematográficas, chegando a entrar no abismo sem fundo do ocultismo. Entre os dois extremos, há quem simplesmente assista às histórias, prevenido por um sadio ceticismo – não dando crédito a qualquer coisa que veja – e por uma dose de "senso comum" – sem preconceitos ou dogmas materialistas. Afinal, como escrevia Chesterton, "quando se trata de testemunho humano, há uma sufocante enxurrada de testemunhos em favor do sobrenatural" [1].

De fato, é inegável que os "filmes de terror" ajudam a colocar o homem diante de realidades espirituais. Gostos à parte, algumas produções do gênero têm o costume de abordar temas bastante caros à doutrina católica. O diretor do clássico "O Exorcista" ( The Exorcist, 1973) – única película de terror a ser indicada ao Oscar de melhor filme –, por exemplo, confessa ter feito o filme não para ser uma história "de terror", mas para retratar "o mistério da fé". Mesmo sendo agnóstico, William Friedkin explica que, na trama, "o objetivo do demônio não é a menina, mas o sacerdote que está perdendo a fé". O filme fez tanto sucesso nos Estados Unidos, que chegou mesmo a suscitar vocações para a vida sacerdotal.

Mais recentemente, "O Ritual" ( The Rite, 2011), estrelado por Anthony Hopkins, também está baseado na "crise vocacional" de um diácono que, depois de lidar com o ministério de um padre exorcista, acaba se tornando um católico devoto e fiel. A sua emocionante profissão de fé ao final da história ilustra como o contato com o mal pode conduzir as almas a um encontro com Cristo. Não se trata de dar primazia ou "importância excessiva" ao inimigo de Deus. É que, em um mundo materialista como o nosso, em que as realidades sobrenaturais são encaradas com desdém ou desprezo, tomar consciência da força efetiva do mundo espiritual – mesmo que em sua dimensão maligna – pode ser um primeiro passo para se aproximar de Nosso Senhor.

Algumas coisas, no entanto, ainda estão fora do lugar. O demônio existe, é verdade. As possessões, os rituais de exorcismo, o poder da água benta também são reais. Ao lado disso, porém, existem coisas como "tentação", "pecado" e "inferno" – e essas realidades não só estão vivas e ativas no mundo, como são muito mais graves e têm efeitos muito mais devastadores do que qualquer possessão diabólica. O problema é que ninguém fala sobre elas, nem nos cinemas, nem nos livros da moda e, tragicamente, nem nos púlpitos de nossas igrejas.

Alegações (fúteis) para não falar sobre o "pecado" ou o "inferno" são muitas. Alguns padres e teólogos, desejosos de agradarem o mundo, dizem que não se pode pregar certos conteúdos porque "causam medo" nas pessoas. A julgar pelo parecer deles, seria preciso censurar, talvez, o próprio Senhor, cujos discursos estão cheios dessas palavras "amedrontadoras": só nos Evangelhos Sinóticos, os termos "pecado", "inferno", "castigo eterno" e "fogo eterno" constam mais de 15 vezes; "Satanás" e "demônio", então, somam 42 referências. "Por isso hoje, quando se põe em dúvida a realidade demoníaca, é necessário fazer referência (…) à fé constante e universal da Igreja e à sua maior fonte: o ensinamento de Cristo", diz o documento Fé Cristiana y Demonología, da Congregação para a Doutrina da Fé. "Com efeito, a existência do mundo demoníaco se revela como um dado dogmático na doutrina do Evangelho e no coração da fé vivida."

Não é que todos os padres que deixam de falar sobre esses assuntos sejam descrentes, hereges ou apóstatas. Não se trata disso, absolutamente. Uma fé que se hiberna e não é alimentada por atos concretos, porém, que fim terá? Como crê em Deus, por exemplo, quem vive como se Ele não existisse, sem ter uma vida de oração e de intimidade com Ele? Como crê na presença real de Cristo na Eucaristia quem não se ajoelha diante do Santíssimo ou não é capaz de fazer uma simples genuflexão quando passa em frente a um sacrário? Do mesmo modo, como uma sociedade pode odiar o pecado, combater o demônio e evitar o inferno, se a sua existência é ignorada no dia a dia das pessoas e se quem deveria falar sobre eles está sempre evitando o assunto?

É verdade que a pregação sobre a morte, o juízo e o inferno causa temor nas pessoas, o que não é uma coisa necessariamente ruim. Santo Tomás de Aquino, quando fala sobre o temor, inclui-o na seção prima secundae da Suma Teológica, no tratado sobre as paixões (cf. I-II, q. 41-44). O medo é, pois, uma paixão – um "sentimento", na linguagem vulgar. Isso quer dizer que, em si, é uma realidade neutra, nem boa, nem má. Não é verdade, portanto, que as pessoas não devam sentir medo de nada. Se Deus colocou o temor no homem, isso tem algum sentido, alguma finalidade.

A chave para compreender esse "sentimento" está em sua íntima relação com o amor, como o próprio Doutor Angélico ensina: " Todo temor vem de que amamos alguma coisa" [2], e também Santo Agostinho: "Não há outra causa de temor senão a de perdermos o objeto amado quando possuído, ou não possuí-lo quando esperado" [3]. Se não tememos as coisas certas, é porque não amamos as coisas certas – ou, talvez, até as amemos, mas na ordem errada.

Uma pessoa que possui muitos bens e tem o coração preso às suas propriedades, por exemplo, tem medo de perdê-los. Um profissional bem-sucedido que ama seu posto, teme ser despedido. Um artista de nome que ama seu sucesso, teme que sua fama seja denegrida, e os exemplos não cessam. O mesmo pode acontecer com relação às pessoas. Na família, marido e mulher, pais e filhos, irmãos e irmãs, justamente porque se amam, têm medo de que aconteça algo aos de seu próprio sangue, e os exemplos, novamente, são muitos.

Acontece que, para que todos esses amores não se transformem em idolatria, é preciso haver uma ordem [4], na qual Deus vem em primeiro lugar. "Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e com todas as tuas forças" ( Dt 6, 5). Isso significa que, de todos os temores do homem, o maior deve ser o de perder a Deus. Por causa da graça que está em sua alma, o cristão deve estar disposto a abandonar tudo: seus bens, seu emprego, sua fama e mesmo a sua própria família, como está escrito no Evangelho: "Quem ama pai ou mãe mais do que a mim, não é digno de mim. E quem ama filho ou filha mais do que a mim não é digno de mim" (Mt 10, 37).

Neste sentido, é preciso dizer que os "filmes de terror" – mesmo os mais equilibrados – geralmente inculcam nas pessoas um temor bobo e vazio. Zumbis não existem, assassinos em série não chegam para todos, e demônios, por sua vez, não saem por aí querendo possuir todo o mundo. Eles estão, é verdade, "como um leão a rugir, à procura de quem devorar" ( 1 Pd 5, 8). Para tanto, esses anjos decaídos não precisam do alarde de uma possessão. Quando um rapaz deita com sua namorada antes do casamento – ou com a mulher do outro, dentro do casamento –, quando um infeliz mata por vingança os seus desafetos, quando um jovem rebelde destrata o seu pai ou a sua mãe, aí está o demônio devorando as almas.

Portanto, que ninguém se engane. O risco de pecar, perder a própria alma e ser condenado ao fogo do inferno é um drama muito mais terrível – e real – que qualquer conto de terror.

Referências

  1. Ortodoxia, IX
  2. Summa Theologiae, I-II, q. 43, a. 1
  3. De Diversis Quaestionibus, XXXIII
  4. Cf. Summa Theologiae, II-II, q. 26, a. 1

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O clube do carimbo e o auge da degradação sexual
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O clube do carimbo e o
auge da degradação sexual

O clube do carimbo e o auge da degradação sexual

A cruel e assustadora história do “clube do carimbo”, o grupo homossexual que dissemina o HIV propositalmente em casas noturnas.

Equipe Christo Nihil Praeponere2 de Março de 2015Tempo de leitura: 4 minutos
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Todas as épocas de acentuado declínio social estão marcadas por uma exploração desmedida da sensualidade. A corrupção moral foi a principal responsável pela queda do Império Romano, dizem os historiadores [1]. A banalização do homem tornou os romanos insensíveis a qualquer apelo da razão, abrindo caminho para o domínio bárbaro. Isso porque o ser humano, quando abandonado às suas paixões, fica incapaz de amar, isto é, enxergar o outro como pessoa. Uma sexualidade desregrada vê nos corpos instrumentos de prazer, objetos descartáveis sempre ao alcance dos desejos mais pervertidos da imaginação. Coube à Igreja a tarefa de restituir a dignidade humana frente a uma cultura de morte instalada na medula da sociedade.

Os Padres da Igreja sempre entenderam a união conjugal como uma relação em que se procura o bem do outro. O vínculo entre marido e mulher está radicado muito mais em um "empenho para com a outra pessoa", que em um sentimento vago ou em uma atração psicofísica. É justamente o que recordava São João Paulo II ao Tribunal da Rota Romana, em um discurso de 1999:

"O simples sentimento está ligado à mutabilidade do espírito humano; só a atração recíproca, depois, muitas vezes derivante sobretudo de impulsos irracionais e às vezes aberrantes, não pode ter estabilidade e, portanto, está facilmente, se não de maneira fatal, exposta a extinguir-se."

O matrimônio, embora também esteja ligado ao sentimento, fundamenta-se no compromisso do amor, de onde nasce a sua indissolubilidade. "A caridade jamais acabará", lembra o apóstolo (1 Cor 13, 28). E esse amor conjugalis que "tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta" é a razão pela qual marido e mulher são capazes do sacrifício mútuo pela salvação da família.

A cultura hodierna, por outro lado, tende não somente a negar esse amor, como a ridicularizá-lo de todas as maneiras. Em nome de uma pseudoliberdade, a sociedade é induzida a considerar o corpo algo desprezível, "colocando-o, por assim dizer, fora do ser autêntico e da dignidade da pessoa". "O seu pressuposto — comenta o Papa Bento XVI — é que o homem pode fazer de si o que quer: o seu corpo torna-se assim uma coisa secundária, manipulável sob o ponto de vista humano, a ser utilizado como se deseja". Praticamente, todos os relacionamentos modernos — uniões livres, "casamentos" entre pessoas do mesmo sexo, namoros coloridos etc. — estão embasados nessa visão unilateral do "prazer sem freios". Não se busca o bem do outro, mas a autossatisfação imediata. Trata-se de sexo, não de amor.

Ora, não é preciso muito esforço para perceber as consequências nefastas disso tudo. "A crônica quotidiana — falava João Paulo II no mesmo discurso à Rota Romana — traz, infelizmente, amplas confirmações acerca dos miseráveis frutos que essas aberrações da norma divino-natural acabam por produzir".

Há alguns dias, um jornal de grande circulação no país comentava o caso de "homens que passam o HIV de propósito". Segundo a reportagem, esses indivíduos se reúnem em blogs e outros sites da internet para darem dicas de como infectar o parceiro sexual propositalmente. "Não fez ainda? Faça, pois é bem provável que já tenham feito com você", incentivava um desses sites, ensinando a furar a camisinha durante o ato sexual. A prática tem o nome de bareback, que no linguajar homossexual significa "sexo anal sem camisinha". O termo originalmente vem do inglês e quer dizer "cavalgar em um cavalo sem cela". Em São Paulo, diz o jornal, uma casa noturna dedicada ao sexo gay chega a reunir mais de cem homens por dia, muitos adeptos do "clube do carimbo", como se chama o grupo dedicado a retransmitir o vírus da Aids. "Carimbar" faz referência direta à contaminação.

Um dos entrevistados da matéria justifica seu comportamento assim: "É um prazer incontrolável. Sem a camisinha o meu prazer triplica. Eu odeio a camisinha". O rapaz é empresário, soropositivo, tem 36 anos e frequenta casas noturnas, embora nunca se relacione sem avisar o parceiro sobre sua doença, garante. De acordo com o jornal, o "clube do carimbo" deve virar uma tendência no meio LGBT em dois ou três anos. "Hoje, a gente vive o auge dessa prática da contaminação", informa outro entrevistado. As orgias, comumente chamadas de "roleta-russa", mexem com o fetiche e a adrenalina, explicam os participantes; por isso, têm se tornado tão comuns. Há também uma falta de perspectiva somada a um sentimento libertário. O resultado: entre 2003 e 2013, o índice de infecção por HIV no meio homossexual aumentou para 29,1%; para os héteros, a variação foi de 1,7%.

Repetir o ensinamento católico acerca disso tudo é chover no molhado. O fato, porém, expõe diante dos olhos do público qual movimento é verdadeiramente homofóbico. Enquanto o Catecismo da Igreja diz que os homossexuais "devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza", a nova moda LGBT apregoa a disseminação de um vírus mortal, em nome de um "prazer incontrolável". "Por isso, Deus os entregou a paixões vergonhosas" (Rm 1, 26). Os efeitos insidiosos da cultura da camisinha, do sexo livre e da libertinagem podem ser reconhecidos por qualquer pessoa de bom senso. Essa cultura de morte não procura o bem do outro, mas se desfazer dele como um lixo, como se descarta a seringa de uma droga qualquer após o uso. A Igreja, sempre na contramão das falsas ideologias, crê na sublime vocação do homem, tenha ele ou não a tendência homossexual, chamando-o a amar verdadeiramente: "Pelas virtudes do autodomínio, educadoras da liberdade interior, e, às vezes, pelo apoio duma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem aproximar-se, gradual e resolutamente, da perfeição cristã." A castidade não mata ninguém. O "clube do carimbo", sim.

Não se enganem: nenhum ser humano foi feito para viver como um brinquedinho de almas pervertidas. Nenhum ser humano foi feito para servir a "surras" e "pauladas", como sugere a mídia nestes dias cinzentos, nem para bareback, "clubes do carimbo", "roletas-russas" ou outras práticas suicidas.

Referências

  1. Cf. Daniel-Rops. A Igreja dos Apóstolos e dos Mártires. Quadrante: São Paulo, 1988

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