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As pulsações do Sagrado Coração de Jesus
DoutrinaEspiritualidade

As pulsações do
Sagrado Coração de Jesus

As pulsações do Sagrado Coração de Jesus

Descubra o tesouro escondido no amor ao Sagrado Coração de Jesus e saiba como obter frutos espirituais dessa santa devoção.

Equipe Christo Nihil Praeponere30 de Junho de 2015Tempo de leitura: 5 minutos
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Anunciado por todos os profetas e ansiado por todas as nações, é no Sagrado Coração de Jesus que se resume a história dos homens e onde se encontra a "fonte de toda consolação". Dele, coração humano e divino, brotam mananciais de água viva para a humanidade inteira, conforme prometeu Isaías: "Com alegria tirareis água nas fontes do Salvador" (Is 12, 3), e conforme Ele mesmo revelou à samaritana: "Se conhecesses o dom de Deus e quem é aquele que te diz: 'Dá-me de beber', tu lhe pedirias, e ele te daria água viva" (Jo 4, 10).

O culto ao coração de Nosso Senhor, no entanto, nem sempre foi compreendido da forma correta dentro da Igreja. Há quem se incomode com a ideia de adorar um "órgão humano" – mesmo que seja o de Jesus –, como se tal ato fosse um exagero ou ferisse a honra devida somente a Deus. Outros chegam a vislumbrar a beleza dessa devoção, mas, por não saberem o que ela significa, acabam não lhe dando muita importância e, muitas vezes, chegam a agir com certo desprezo para com ele, considerando o culto ao Sagrado Coração quase como uma "superstição".

Contra essa visão completamente distorcida das coisas, o Papa Pio XII escreveu, em 1956, a riquíssima encíclica Haurietis Aquas, exatamente "sobre o culto ao Sacratíssimo Coração de Jesus". Neste documento, Sua Santidade adverte que "este culto não deve a sua origem a revelações privadas, nem apareceu de improviso na Igreja", mas simplesmente confirma as verdades sobre a vida de Cristo e o seu imenso amor para com os homens. "Evidente é, portanto, que as revelações com que foi favorecida Santa Margarida Maria não acrescentaram nada de novo à doutrina católica" [1].

Mas, qual é, afinal, a doutrina católica a respeito do culto ao Sagrado Coração de Jesus?

Em primeiro lugar, a Igreja ensina que esse culto consiste em uma verdadeira adoração. A razão disso está na doutrina da "união hipostática" de Cristo: "Uma vez que Deus Verbo se encarnou, a carne de Cristo é adorada não por si mesma, mas porque o Verbo de Deus está unido a ela segundo a hipóstase" [2]. Assim, pois, comenta Santo Tomás de Aquino, "adorar a carne de Cristo nada mais é do que adorar o Verbo de Deus encarnado, assim como adorar a roupa do rei nada mais é do que adorar o rei que a veste" [3]. É por isso que quem reza a Ladainha do Sagrado Coração recorda que esse órgão de Cristo está "unido substancialmente ao Verbo de Deus" e que nele "habita toda a plenitude da divindade". Os católicos, portanto, não só podem, como devem, adorar o Sagrado Coração de Jesus, sem nenhum temor ou escrúpulo.

Agora, por que tanta ênfase no coração de Cristo? Por que não adorar outro órgão qualquer de Nosso Senhor, como o cérebro, ou os Seus outros membros feridos pelos agudos cravos da Cruz? A resposta está em que, "mais do que qualquer outro membro do seu corpo – diz o Papa Pio XII –, o seu coração é o índice natural ou o símbolo da sua imensa caridade para com o gênero humano" [4].

Os católicos adoram o Coração de Jesus porque a fé cristã é, acima de tudo, a "religião do amor". Na verdade, não existe nenhuma virtude maior do que a caridade (cf. 1 Cor 13, 13); nenhum mandamento maior do que o amor (cf. Mt 22, 34-40); nada tão importante quando o fato de que "Deus amou de tal modo o mundo, que lhe deu o Seu Filho único, para que todo o que n'Ele crer não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3, 16).

Além disso, cremos que Deus, assumindo um coração verdadeiramente humano, sujeitou-se livremente a experimentar os sentimentos mais comuns da vida de qualquer pessoa, tais como o amor e a alegria, a tristeza e o temor etc [5]. O Papa Pio XII confirma que "o coração de Cristo (...) sem dúvida deve ter palpitado de amor e de outros afetos sensíveis" [6].

Por isso, convém "meditar as pulsações do seu coração" [7], a fim de que também os nossos corações possam, com suas batidas, tributar um hino de louvor a Deus.

O Coração de Jesus "pulsa de amor ao mesmo tempo humano e divino desde que a virgem Maria pronunciou aquela palavra magnânima 'Fiat'" [8].

O Coração de Jesus pulsou de amor quando se perdeu de seus pais e, tomado por um zelo que O consumia, aninhou-se no templo e tratou de cuidar das coisas de Seu Pai (cf. Lc 2, 49).

O Coração de Jesus pulsou de amor quando trabalhou na carpintaria de Nazaré, rodeado por São José, Seu pai adotivo, e por Sua santíssima mãe, a qual O nutria e O via crescer "em estatura, graça e sabedoria, diante de Deus e dos homens" (Lc 2, 52).

O Coração de Jesus pulsou de amor quando sentiu compaixão das multidões que O cercavam (cf. Mc 8, 2), quando deu vista aos cegos, quando curou os enfermos e quando ressuscitou os mortos.

O Coração de Jesus pulsou de amor e admiração, quando viu a grande fé daquele soldado romano, cujas palavras são repetidas todos os dias na Santa Missa: Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha casa, mas dizei uma só palavra e minha alma será salva (cf. Mt 8, 8).

O Coração de Jesus pulsou de amor e de santa ira, quando expulsou os cambistas e vendilhões do templo, ordenando que não fizessem da casa de Seu Pai uma casa de comércio (cf. Mt 21, 13).

O Coração de Jesus pulsou de amor e de alegria, quando instituiu o Santíssimo Sacramento da Eucaristia, deixando a Si mesmo como alimento para todos os que O haviam de seguir, até o fim dos tempos.

O Coração de Jesus pulsou de amor, de tristeza e de temor, quando rezou no Horto das Oliveiras, implorando misericórdia e suando gotas de sangue pela humanidade pecadora (cf. Mt 26, 38; Mc 14, 33).

O Coração de Jesus pulsou disparadamente quando Se entregou na Cruz, palpitando "mais pela força do amor do que pela violência dos algozes" [9].

O Coração de Jesus pulsou de amor e misericórdia, quando acolheu no Céu o bom ladrão (cf. Lc 23, 43) e perdoou os Seus carrascos do crime que cometeram (cf. Lc 23, 34).

O Coração de Jesus pulsou de amor quando entregou Maria Santíssima aos cuidados de Seu discípulo amado, designando-a mãe de toda a Igreja (cf. Jo 19, 25-27).

Finalmente, no Céu, "o seu coração sacratíssimo nunca deixou nem deixará de palpitar com imperturbável e plácida pulsação" [10], já que a aliança que firmou com a Sua Igreja é irrevogável e o Seu amor para com ela é eterno, como Ele mesmo tinha prometido: "Esta é a aliança que farei com a casa de Israel a partir daquele dia – oráculo do Senhor, colocarei a minha lei no seu coração, vou gravá-la em seu coração; serei o Deus deles, e eles, o meu povo" (Jr 31, 33).

Por todas essas pulsações do Sagrado Coração de Jesus, que também nós vivamos a nossa vida como um completo e constante ato de amor a Ele. Peçamos-Lhe a graça de imitar o Seu manso e humilde coração (cf. Mt 11, 29) e que, assim como o Seu, também os nossos se convertam em uma "fornalha ardente de caridade".

Sacratíssimo Coração de Jesus,
tende piedade de nós!

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A fé sem oração é morta
Espiritualidade

A fé sem oração é morta

A fé sem oração é morta

Dá pra acreditar em Deus e ficar sem rezar? O que acontece com quem acredita, mas não vive de acordo com o que crê, nem se dedica à oração? Entenda por que, no fundo, a crise de fé da modernidade é, também e principalmente, uma “crise de oração”.

Equipe Christo Nihil Praeponere26 de Junho de 2015Tempo de leitura: 4 minutos
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Tão importante é o tema da tentação, que mereceu ser incluído por Nosso Senhor na oração do Pai-Nosso: "Não nos deixeis cair em tentação" (Mt 6, 13). Tão negligenciado, porém, é esse mesmo assunto, que bem se pode dizer que a única tentação da qual muitos ouviram falar foi aquela que seduziu Adão e Eva, no Jardim do Éden (cf. Gn 3, 1-7). As pessoas — e, deve-se dizer, os cristãos — vivem como se tentações não existissem — e, com elas, tampouco o pecado, o demônio ou o inferno.

Isso acontece porque o mundo está impregnado de materialismo e não consegue mais elevar os seus olhos para nada que esteja além da experiência dos sentidos. Verdadeiro, então, é o que se pode ver, ouvir, tocar, cheirar ou sentir... Todo o resto parece situar-se no campo da mera subjetividade. O próprio Deus é muitas vezes reduzido a um "sentimento", a alguns arrepios que se sentem durante um culto religioso ou uma palestra motivacional. As realidades espirituais, porque invisíveis, deixaram de ser reais para o homem moderno, deixaram de ser úteis e, lamentavelmente, são muitos os que as abandonam.

Em seu pontificado, o Papa Bento XVI falou inúmeras vezes da existência de uma "crise de fé" [1]. Mas, o que Sua Santidade queria dizer com isso? Não existem, de fato, tantas pessoas no mundo que creem em Deus, que continuam a ir à igreja aos domingos e que acreditam na vida após a morte?

É verdade, o fenômeno religioso não foi completamente deixado de lado pela modernidade. A fé do homem moderno, porém, está construída sobre a areia (cf. Mt 7, 26-27). A religião tornou-se um como que "acessório", algo que se compra no supermercado da vida e se pode descartar quando já se tiverem esgotado todos os seus benefícios práticos. Assim, quando um padre faz uma homilia sobre a cura de algum mal ou sobre "o amor" — esse termo que "se tornou hoje uma das palavras mais usadas e mesmo abusadas" pelas pessoas [2] —, como esses temas soam agradáveis aos ouvidos, os bancos se enchem e oferecem palmas. Quando, porém, essa mesma multidão ouve alguma notícia no jornal, dizendo que a Igreja Católica não aceita isto ou aquilo, os mesmos que há pouco aplaudiam se enfurecem e destilam o seu ódio contra a religião.

É triste perceber que a grande massa de fiéis que frequenta as nossas igrejas não é muito diferente daquela multidão que pediu a crucificação de Jesus: depois de uma entrada triunfal em Jerusalém (cf. Mt 21, 1-11), Cristo terminou suspenso num madeiro, posposto a um criminoso e condenado pelo mesmo povo que O tinha recebido com festa às portas da cidade: "Este não, mas Barrabás!" (Jo 18, 40). Do mesmo modo, quando ouvem as coisas boas, os frequentadores de igreja se alegram; quando o que escutam lhes causa feridas, eles se entristecem e voltam para casa.

Há, sim, na Igreja, uma crise de fé, mas é uma crise de fé "vivida", por assim dizer. São Tiago dizia com acerto que "a fé sem obras é morta" (Tg 2, 17). Ou seja, se alguém diz crer, mas não muda o seu comportamento, não conforma a sua vida àquilo em que crê, de nada adianta. Quando os hábitos e opiniões das pessoas que vão à igreja não diferem muito dos hábitos e opiniões daqueles que vivem no mundo, é preciso começar a perguntar o que está acontecendo com a catequese e com a evangelização. O que tem sido feito daqueles que deveriam ser o sal da terra e a luz do mundo (cf. Mt 5, 13-14)?

A resposta é simples: caíram em tentação. Como os discípulos na noite da agonia, os nossos católicos estão "dormindo", envolvidos pela névoa do mundo e pelas trevas do erro e da ignorância (cf. Mt 26, 36ss).

Também hoje, o remédio que Cristo receitou a Pedro, Tiago e João é o mesmo que ele oferece à modernidade: "Vigiai e orai, para não cairdes em tentação; pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca" (Mt 26, 41). Quando um famoso santo e doutor da Igreja dizia que "quem reza certamente se salva e quem não reza certamente se condena" [3], ele não brincava nem pretendia falar por hipérboles. Quem deixa de rezar; quem não para sequer alguns minutos do dia para elevar a sua mente a Deus; quem deixa de considerar que está rodeado por seu anjo da guarda; que, dentro de seu coração, habita a própria Trindade; que as pessoas à sua volta têm alma e precisam ouvir a Palavra de Deus... Pouco a pouco, cai na descrença e no indiferentismo. Sem oração — sem lidar dia após dia com as verdades eternas —, a alma vai se "petrificando", tornando-se insensível às inspirações divinas e fechando-se apenas às coisas deste mundo.

Por isso, é possível parafrasear São Tiago e dizer que, também, a fé sem oração é morta. Quem não reza fatalmente deixa de acreditar e, ao fim, acaba cedendo ao ateísmo, essa grande tentação dos nossos tempos.

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Pais santos geram famílias santas
EducaçãoSociedade

Pais santos geram famílias santas

Pais santos geram famílias santas

É preciso redescobrir o autêntico valor da masculinidade, a fim de que o homem possa também cumprir o seu papel de pai.

Equipe CNP24 de Junho de 2015Tempo de leitura: 5 minutos
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A polêmica iniciada no Facebook do Padre Paulo Ricardo por causa do vídeo Abortos Ocultos trouxe à tona os excessos e as falácias do pensamento feminista. De fato, como dissemos outrora, as mulheres não precisam de anticoncepcionais para serem livres. Precisam de dignidade. Essa é a questão de fundo que deve ser tratada com seriedade de argumentos e razoabilidade. O feminismo radical está comprometido com uma agenda contrária à autêntica natureza da mulher. Por isso, deve ser desmascarado, a fim de que as mulheres, já oprimidas por uma série de fatores históricos e sociais, não sejam cooptadas por um movimento ainda mais opressor. A experiência dos últimos anos só comprova um fato: o feminismo não é o caminho para o devido respeito à mulher.

Outro aspecto deste assunto, porém, merece atenção: o machismo. A opressão masculina sobre as mulheres é uma das raízes de tantos movimentos que atentam contra a família e a dignidade humana. Infelizmente, não se pode negar que, por de trás de muitos abortos, está a mão intimidadora de um homem. Mesmo no que diz respeito ao uso de anticoncepcionais, sabe-se, por meio de vários testemunhos, que grande parte das mulheres são forçadas pelos seus maridos a usarem esse tipo de medicamento. Isso é grave. Torna-se demasiado difícil cobrar da mulher o amor à maternidade, à família e ao matrimônio, quando, em sua própria casa, é obrigada a esquecer os Mandamentos da Lei de Deus para submeter-se à arbitrariedade do homem. Os abusos masculinos, como bem denunciou São João Paulo II, "humilham a mulher e inibem o desenvolvimento de relações familiares sadias" [1].

Existe uma guerra contra a virilidade. O machismo nada mais é que uma deformação da identidade masculina, cuja origem se encontra precisamente na queda do primeiro homem. Lemos no relato de Gênesis sobre uma das consequências do pecado original: "Sentir-te-ás atraída para o teu marido, e ele te dominará" (Gn 3, 16). "Este domínio", conforme explica São João Paulo II, "indica a perturbação e a perda da estabilidade e da igualdade fundamental" entre o homem e a mulher [2]. O cristianismo jamais foi conivente com essa injusta desigualdade. Ao contrário, assim como existe a pregação do apóstolo sobre a submissão das mulheres aos seus maridos, existe também a exortação para que os maridos morram por suas mulheres, como Cristo morreu pela Igreja (cf. Ef 5, 25). Nada é mais urgente que recuperar o sentido dessa pregação. Dar novo vigor a esse ensinamento da Igreja faz-se imprescindível para anular os efeitos de certas ideologias que visam cancelar a complementariedade dos sexos [3].

Com efeito, na luta contra o machismo, deve-se repudiar com vigor toda forma de emasculação, isto é, a tendência a negar a virilidade, como se a solução do problema fosse transformar o homem numa mulher. Infelizmente, os homens têm se tornado cada vez mais femininos, ora pelas roupas que vestem, ora pelas músicas que ouvem ou outras modas despropositadas. Prestem atenção: a masculinidade não é o problema. Trata-se simplesmente de direcioná-la para o exercício da vocação própria do homem. E essa vocação tem nome. Chama-se paternidade. Todo homem, seja celibatário seja casado, é chamado à paternidade. Os celibatários, no pastoreio das ovelhas de Cristo; os casados, no zelo pela esposa e pelos filhos. Na vida matrimonial, mais especificamente, "o amor à esposa tornada mãe e o amor aos filhos são para o homem o caminho natural para a compreensão e realização da paternidade" [4].

A presença do pai na família é essencial. Conforme explica Padre Paulo Ricardo neste vídeo, o pai é aquele que exerce a função de estabelecer justos limites e conduzir os filhos para o desenvolvimento de suas próprias vocações e anseios. Aliás, a figura masculina, quando alicerçada pela oração, garante a segurança do lar e dá à mulher a força para educar as crianças, mesmo diante dos grandes desafios. Pais santos geram famílias santas. Basta pensar nos exemplos de Santa Teresinha e de São João Paulo II. Ambos foram formados em lares em que a figura paterna se sobressaía pela vida interior, pela caridade fraterna como pelo zelo evangélico. O pai de Santa Teresinha, sobretudo — o senhor Louis Martin, cuja canonização sua e de sua mulher, Maria Zélia Guérin, foi aprovada recentemente pelo Papa Francisco para o próximo mês de outubro —, aparece como um verdadeiro modelo de masculinidade orientada para a vocação divina. Exerceu deveras a paternidade sem precisar flertar com um falso estereótipo — em que pese a ausência de sua esposa, devido ao falecimento.

A presença dos pais para os filhos torna-se ainda mais importante, em face das grandes transformações vividas pelos meninos durante a puberdade. Não há como negar que "a ausência do pai provoca desequilíbrios psicológicos e morais e dificuldades notáveis nas relações familiares" [5]. A experiência tem mostrado isso de maneira incontestável. O menino necessita de uma referência masculina para saber lidar com sua sexualidade e, por conseguinte, manter-se longe das ofertas fáceis da pornografia e da masturbação. Recentemente, o jornalista americano Michael Voris publicou dois interessantes vídeos (que podem ser vistos aqui e aqui) sobre a importância do pai no desenvolvimento do filho. Voris salienta que o menino necessita sentir-se amado pelo pai e livre para poder perguntar sobre determinados assuntos que provavelmente ele não se sentiria confortável para falar com a mãe: "Seu filho deve sentir-se livre para chegar em você e falar sobre assuntos sexuais assim como ele se sente livre para falar com você sobre esportes, ou hobbies, ou trabalhos escolares, ou seu futuro". Nesta atmosfera de confiança, marcada pela adequada discrição no vocabulário, o pai poderá transmitir ao filho os valores do sacrifício, do devido respeito às mulheres, da pureza e da busca pela santidade.

A verdadeira masculinidade precisa ser redescoberta como um valor inegociável da identidade do homem. Não se pode mais compactuar com o machismo nem com o feminismo. Que as mulheres sejam mulheres e que os homens sejam homens. Assim é que está escrito na lei natural, assim é que deve ser.

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Ser devoto de São Thomas More hoje
PolíticaSantos & Mártires

Ser devoto de São Thomas More hoje

Ser devoto de São Thomas More hoje

De Conselheiro do Rei a "traidor" da Coroa. Conheça a vida de São Thomas More, “o homem que não vendeu a sua alma”.

Equipe Christo Nihil Praeponere23 de Junho de 2015Tempo de leitura: 4 minutos
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O que a história de um leigo que viveu há 480 anos tem a ensinar ao homem moderno? É a pergunta que devem fazer todos os católicos, ao celebrarem a memória de São Thomas More (22/06) – ao qual foi reservado o epíteto de "o homem que não vendeu a sua alma".

Antes de qualquer coisa, cabe fazer uma breve narrativa de sua vida, contando como a sua cabeça foi parar na bandeja por ordem do então príncipe da Inglaterra, o Rei Henrique VIII.

Homem erudito, esposo fiel e pai de quatro filhos, More foi nomeado Conselheiro do Rei (Lord Chancellor, em inglês) no ano de 1529, em meio a uma crise moral na Coroa. Henrique VIII era casado com Catarina de Aragão, mas tentava junto ao Papa conseguir a dissolução de seu casamento. A desculpa para a sanha adúltera do príncipe era o argumento de que Catarina não lhe dava um herdeiro homem. Como o Papa não lhe concedia o rompimento de seu matrimônio – fiel à palavra de Cristo, segundo a qual não se pode separar o que Deus uniu (cf. Mt 19, 6) –, ele mesmo fez questão de casar-se com Ana Bolena, então dama de companhia de sua legítima consorte. Sem autoridade espiritual que confirmasse as suas novas núpcias, Henrique VIII – o qual anos antes defendera a Igreja Católica das heresias do protestantismo – se autoproclamou líder da Igreja da Inglaterra.

Quando tudo isso aconteceu, Thomas More, tendo previsto o desastre que se anunciava, já havia renunciado às suas funções públicas junto à Coroa, em 1532. Não querendo entrar em imbróglios, ele saiu da política, silenciosamente. Sendo um homem justo, decidiu abandonar o Rei em segredo. O seu silêncio, porém, a sua recusa em aprovar o adultério de Henrique, falavam alto demais. Mesmo não pertencendo mais ao governo inglês, More foi perseguido pelo Rei e, negando-se a obedecer às suas arbitrariedades, foi condenado por alta traição à Coroa. No dia 6 de julho de 1535, aprisionado na Torre de Londres, More acabou decapitado, simplesmente por não se prostrar às determinações tirânicas do Rei. (Um ano mais tarde, incapaz de dar um herdeiro aos Tudors, também Ana Bolena seria executada por Henrique, que ainda se casaria com outras 4 mulheres antes de morrer.)

A história de Thomas lembra, mutatis mutandis, o martírio de São João Batista. A criminosa em questão era Herodíades, que, não suportando ouvir de João a reprovação de sua vida de adultério, pediu ao Rei Herodes a sua cabeça em uma bandeja (cf. Mt 14, 1-12). Por defender a verdade até o fim, entregando com isso a sua própria vida, João Batista não é venerado apenas como profeta, mas principalmente como mártir.

Importa reconhecer, porém, que as vidas desses dois grandes santos, separadas por aproximados 15 séculos, está unida por um martírio diferente dos martírios comuns. Quem ouve as glórias dos primeiros cristãos, mortos nas arenas do Coliseu por não prestarem culto a César, pode ser tentado a ter em pouca conta a decapitação de João e Thomas porque, afinal, nem Herodes nem Henrique pediram a eles que os adorassem, no sentido próprio do termo. Contudo, "o cristão sofre – lembra Santo Tomás de Aquino – não apenas sofrendo por uma confissão de fé em palavras, mas também cada vez que sofre para realizar um bem qualquer, ou para evitar um pecado qualquer por causa de Cristo". Por isso, "as obras de todas as virtudes, enquanto se referem a Deus (...) podem ser causa de martírio" [1].

Eis, portanto, a primeira grande lição que se pode extrair da vida de São Thomas More e de São João Fisher, seu companheiro mártir. Por amor à verdade do Evangelho, eles não temeram sacrificar as suas próprias existências neste mundo. Em um século dominado pelo relativismo e por uma aguda decadência moral, que ameaça a própria família, os exemplos desses homens desafiam o nosso tempo a preservar com coragem e destemor todas as verdades da nossa fé, sem adaptações, nem conveniências. A mensagem da família não é palavra humana ou "opinião", para que possa ser modificada ou "reinventada" ao bel prazer. É, ao contrário, palavra divina – palavra veraz, fora da qual não pode haver verdadeira caridade, como indica o Papa Bento XVI: "Só na verdade é que a caridade refulge e pode ser autenticamente vivida" [2].

A segunda importante lição da vida de More é ensinar aos cristãos quais são os limites do poder das autoridades civis. "Precisamente por causa do testemunho que São Thomas More deu, até ao derramamento do sangue, do primado da verdade sobre o poder, é que ele é venerado como exemplo imperecível de coerência moral" [3]. A respeito disso, as Escrituras já oferecem conselhos preciosos: "Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus" (Mt 22, 21), diz Jesus; e, exortam os Apóstolos, "importa obedecer antes a Deus do que aos homens" (At 5, 29). Diante de ditaduras que tentam sufocar a própria verdade; face a César, Herodes, Henrique ou Stálin, é preciso reafirmar, sempre e categoricamente, o primado de Deus – primado este que, no fim das contas, redunda em benefício do próprio homem.

Afinal, quando todo o poder é colocado nas mãos do Estado, quando este se torna "a medida de todas as coisas", não demora muito para que se cortem as cabeças e os seres humanos sejam executados no paredón ou jogados em campos de concentração. Foi assim na Inglaterra de Henrique VIII, foi assim na Cuba de Fidel Castro e na Alemanha de Hitler. Será sempre assim, quando César pretender tomar para si o poder que cabe somente a Deus.

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