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Nossos tempos são os últimos? A Irmã Lúcia responde
Virgem Maria

Nossos tempos são os últimos?
A Irmã Lúcia responde

Nossos tempos são os últimos? A Irmã Lúcia responde

Irmã Lúcia, 1957: “Por três motivos me deu a entender a Santíssima Virgem que estamos no fim do tempo”. Ei-los aqui.

Irmã Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado21 de Fevereiro de 2018Tempo de leitura: 6 minutos
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No dia 26 de dezembro de 1957, o padre Agustín Fuentes, sacerdote da diocese de Veracruz (México) e vice-postulador das causas de beatificação de Santa Jacinta e São Francisco Marto, falou amplamente com a Irmã Lúcia no convento de Coimbra, em Portugal. Ao voltar ao México fez uma conferência sobre este encontro, referindo-se às palavras da Irmã Lúcia.

O padre Joaquín Maria Alonso [1] sublinhou que o relato da conferência foi publicado “com todas as garantias de autenticidade e com a devida aprovação episcopal, incluindo a do Bispo de Fátima” [2].

Seguem abaixo, na íntegra, tal como publicadas no site português Apelos de Nossa Senhora, as palavras ditas pela Irmã Lúcia ao pe. Agustín. Na ocasião, o sacerdote afirma que encontrara a vidente de Fátima “muito triste, muito pálida e abatida”. Eis o que ela lhe revelou [3].


Senhor Padre, a Santíssima Virgem está muito triste, por ninguém fazer caso da Sua Mensagem, nem os bons nem os maus: os bons, porque continuam no seu caminho de bondade, mas sem fazer caso desta Mensagem; os maus, porque, não vendo que o castigo de Deus já paira sobre eles por causa dos seus pecados, continuam também no seu caminho de maldade, sem fazer caso desta Mensagem. Mas creia-me, Senhor Padre, Deus vai castigar o mundo, e vai castigá-lo de uma maneira tremenda. O castigo do Céu está iminente.

Senhor Padre, o que falta para 1960? E o que sucederá então? Será uma coisa muito triste para todos, e não uma coisa alegre, se, antes, o mundo não fizer oração e penitência. Não posso detalhar mais, uma vez que é ainda um segredo. Segundo a vontade da Santíssima Virgem, só o Santo Padre e o Bispo de Fátima têm permissão para conhecer o Segredo, mas resolveram não o conhecer para não serem influenciados. Esta é a terceira parte da Mensagem de Nossa Senhora, que ficará em segredo até 1960.

Diga-lhes, Senhor Padre, que a Santíssima Virgem repetidas vezes nos disse, tanto aos meus primos Francisco e Jacinta como a mim, que várias nações desaparecerão da face da terra. Disse que a Rússia seria o instrumento do castigo do Céu para todo o mundo, se antes não alcançássemos a conversão dessa pobre nação.

Senhor Padre, o demônio está a travar uma batalha decisiva contra a Virgem Maria. E como sabe que é o que mais ofende a Deus e o que, em menos tempo, lhe fará ganhar um maior número de almas, trata de ganhar para si as almas consagradas a Deus, pois que desta maneira o demônio deixa também o campo das almas dos fiéis desamparado e mais facilmente se apodera delas.

O que aflige o Imaculado Coração de Maria e o Sagrado Coração de Jesus é a queda das almas dos Religiosos e dos Sacerdotes. O demônio sabe que os religiosos e os sacerdotes que caem da sua bela vocação arrastam numerosas almas para o inferno. O demônio quer tomar posse das almas consagradas. Tenta corrompê-las para adormecer as almas dos leigos e levá-las deste modo à impenitência final.

Utiliza todos os truques, chegando ao ponto de sugerir um atraso na entrada na vida religiosa. O que resulta disto é a esterilidade da vida interior, e entre os leigos uma frieza (falta de entusiasmo) quanto a renunciar aos prazeres e dedicar-se totalmente a Deus.

Senhor Padre, não esperemos que venha de Roma um chamamento à penitência, da parte do Santo Padre, para todo o mundo; nem esperemos também que tal apelo venha da parte dos Senhores Bispos para cada uma das Dioceses; nem sequer, ainda, das Congregações Religiosas. Não. Nosso Senhor usou já muitos destes meios e ninguém fez caso deles. Por isso, agora… agora que cada um de nós comece por si próprio a sua reforma espiritual: que tem que salvar não só a sua alma mas também todas as almas que Deus pôs no seu caminho...

O demônio faz tudo o que está em seu poder para nos distrair e nos retirar o amor à oração; seremos todos salvos ou seremos todos condenados.

Senhor Padre, a Santíssima Virgem não me disse que nos encontramos nos últimos tempos do mundo, mas deu-mo a entender por três motivos:

O primeiro, porque me disse que o demônio está a travar uma batalha decisiva contra a Virgem Maria e uma batalha decisiva é uma batalha final, onde se vai saber de que lado será a vitória e de que lado será a derrota. Por isso, agora, ou somos de Deus ou somos do demônio: não há meio termo.

Lúcia e Jacinta.

O segundo, porque me disse, tanto aos meus primos como a mim, que eram dois os últimos remédios que Deus dava ao mundo: o Santo Rosário e a devoção ao Coração Imaculado de Maria; e, se são os últimos remédios, quer dizer que são mesmo os últimos, que já não vai haver outros.

E o terceiro porque sempre nos planos da Divina Providência, quando Deus vai castigar o mundo, esgota primeiro todos os outros meios; depois, ao ver que o mundo não fez caso de nenhum deles, só então (como diríamos no nosso modo imperfeito de falar) é que Sua Mãe Santíssima nos apresenta, envolto num certo temor, o último meio de salvação. Porque se desprezarmos e repelirmos este último meio, já não obteremos o perdão do Céu: porque cometemos um pecado a que no Evangelho é costume chamar “pecado contra o Espírito Santo” e que consiste em recusar abertamente, com todo o conhecimento e vontade, a salvação que nos é entregue em mãos; e também porque Nosso Senhor é muito bom Filho, e não permite que ofendamos e desprezemos Sua Mãe Santíssima, tendo como testemunho patente a história de vários séculos da Igreja que, com exemplos terríveis, nos mostra como Nosso Senhor saiu sempre em defesa da Honra de Sua Mãe Santíssima.

São dois os meios para salvar o mundo: a oração e o sacrifício. Olhe, Senhor Padre, a Santíssima Virgem, nestes últimos tempos em que vivemos, deu uma nova eficácia à oração do Santo Rosário. De tal maneira que agora não há problema, por mais difícil que seja, seja temporal ou, sobretudo, espiritual, que se refira à vida pessoal de cada um de nós; ou à vida das nossas famílias, sejam as famílias do mundo, sejam as Comunidades Religiosas; ou à vida dos povos e das nações. Não há problema, repito, por mais difícil que seja, que não possamos resolver agora com a oração do Santo Rosário. Com o Santo Rosário nos salvaremos, nos santificaremos, consolaremos a Nosso Senhor e obteremos a salvação de muitas almas.

E depois, a devoção ao Imaculado Coração de Maria, Mãe Santíssima, vendo nós Nela a sede da clemência, da bondade e do perdão, e a porta segura para entrar no Céu. Diga-lhes também, Senhor Padre, que os meus primos Francisco e Jacinta sacrificaram-se porque viram a Santíssima Virgem sempre muito triste em todas as Suas aparições. Nunca Se sorriu para nós; e essa tristeza e essa angústia que notávamos na Santíssima Virgem, por causa das ofensas a Deus e dos castigos que ameaçavam os pecadores, sentíamo-las até à alma. E nem sabíamos o que mais inventar para encontrarmos, na nossa imaginação infantil, meios de fazer oração e sacrifícios.

Notas

  1. O padre J. M. Alonso, sacerdote claretiano, foi nomeado pelo Bispo de Leiria-Fátima, D. João Venâncio (1954-1972), para ser arquivista oficial de Fátima. Escreveu uma obra monumental sobre as Aparições de Fátima, intitulada Textos e estudos críticos sobre Fátima. Este trabalho, que compreende 24 volumes, contendo 5793 documentos, foi completado em 1975, mas a sua publicação foi proibida pelo bispo sucessor, D. Alberto Cosme do Amaral. Na década de 1990, os dois primeiros volumes foram publicados, mas não integralmente.
  2. O encontro do Pe. Agustín Fuentes com a Irmã Lúcia, e a conferência sobre este encontro, foi documentado em profundidade por Frère Michel de la Sainte Trinité no vol. III da sua obra Toute la Vérité sur Fátima. Em junho de 1981, depois de ter pregado um retiro na Bretanha, o Padre Superior Georges de Nantes confiou ao Frère Michel a tarefa de estudar num modo científico e exaustivo as Aparições de Nossa Senhora em Fátima, bem como os seus pedidos, e a relevância da Sua Mensagem para os nossos tempos.
  3. Nota da Equipe CNP: Quando publicamos este texto, fizemo-lo sem saber da controvérsia, de longa data, a respeito da autenticidade dessa entrevista. A polêmica pode ser entendida em minúcias no terceiro volume da obra “The whole truth about Fatima” (trad. ingl. de John Collorafi; Nova Iorque/Ontario: Immaculate Heart Publications, 1990), de Frère Michel de la Sainte Trinité, pp. 549-554. Considerando, porém, que o texto atribuído à vidente de Fátima “não diz nada que a Irmã Lúcia não tenha dito em seus numerosos escritos que foram publicados” e que a mensagem nele contida apresenta “um ensinamento bastante apropriado para edificar a piedade dos cristãos” — palavras do pe. Joaquín M.ª Alonso —, havemos por bem mantê-la neste espaço.

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Mediunidade: o que ensina a Igreja?
Doutrina

Mediunidade: o que ensina a Igreja?

Mediunidade: o que ensina a Igreja?

Qual é, com clareza, a posição oficial da Igreja a respeito da chamada “mediunidade”? Existem pronunciamentos do Magistério sobre a causa e a natureza desses fenômenos?

Frei Boaventura Kloppenburg21 de Fevereiro de 2018Tempo de leitura: 6 minutos
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Este texto do Frei Boaventura Kloppenburg visa complementar outros, já publicados neste espaço, sobre o tema do espiritismo.

Para bem entendê-lo, porém, julgamos ser necessário que se leve em conta uma diferença sutil, feita pelo próprio bispo no início desta matéria, entre os “fenômenos mediúnicos” considerados em si mesmos, a interpretação que o espiritismo lhes dá e, ainda, a doutrina espírita.

A distinção é importante porque, ao dizer no item 1, abaixo, que “a Igreja nunca se pronunciou” sobre “a causa dos fenômenos mediúnicos”, Frei Boaventura não está se referindo à doutrina espírita, esta sim amplamente condenada pelo Magistério da Igreja. Quando o mesmo autor diz, ainda, que “nenhuma das várias interpretações propostas sobre a natureza ou a causa dos fenômenos mediúnicos — nem mesmo a interpretação espírita — foi censurada, rejeitada ou condenada oficialmente pela Igreja”, é importante separar, de um lado, o juízo espírita a respeito da mediunidade e, de outro, os princípios com os quais esse mesmo juízo é formulado.

Embora seja verdade que não existe nenhum pronunciamento oficial do Magistério condenando a interpretação espírita dos fenômenos mediúnicos, não é demais lembrar que existe, sim, por outro lado, uma série de ensinamentos magisteriais que fulminam muitos pontos doutrinais chave supostos, formalmente, pela interpretação que os espíritas dão da chamada “mediunidade”.

Basta recordar, por exemplo, as diversas declarações condenatórias que, ao longo dos séculos, a Igreja lançou contra as doutrinas preexistencialistas, ou seja, que afirmavam a preexistência da alma humana à criação do corpo. Tampouco faz falta elencar os vários documentos em que se confessa a fé comum da Igreja na criação direta da alma por Deus a partir do nada. As Sagradas Escrituras, além do mais, dão testemunho claro e inequívoco da unicidade da vida humana.

É claro, pois, que nada disso é compatível com os pressupostos teóricos com que o espiritismo, ao menos o de corte kardecista, pretende defender sua interpretação dos fenômenos mediúnicos.


Convém deixar bem clara a posição oficial da Igreja perante a fenomenologia do espiritismo. Pois tem havido confusão acerca deste ponto. E para evitar possíveis falsas interpretações, adjetivarei estes fenômenos simplesmente como “mediúnicos” e não como “espíritas”, visto que este último termo já especifica determinada interpretação do fenômeno.

Creio poder compendiar nos seguintes itens a posição oficial da Igreja:

1. Por seu magistério oficial a Igreja nunca se pronunciou nem sobre a verdade histórica, nem sobre a natureza, nem sobre a causa dos fenômenos mediúnicos ou próprios do espiritismo; por isso:

a) nenhuma das várias interpretações propostas sobre a natureza ou a causa dos fenômenos mediúnicos — nem mesmo a interpretação espírita — foi censurada, rejeitada ou condenada oficialmente pela Igreja;

b) não corresponde à verdade dizer que a Igreja endossa oficialmente a interpretação que vê nos fenômenos mediúnicos uma intervenção preternatural do demônio;

c) jamais a Igreja proibiu o estudo ou a investigação científica dos fenômenos mediúnicos.

O católico não está absolutamente proibido de estudar a metapsíquica ou a parapsicologia; pelo contrário, seria até muito de desejar que também os cientistas católicos e as universidades católicas se ocupassem mais intensa e sistematicamente com a fenomenologia mediúnica ou parapsíquica, seja para verificar sua verdade histórica, seja para investigar sua verdade filosófica ou sua causa.

2. O que a Igreja faz, fez e continuará a fazer, por ser esta sua missão específica, é recordar o mandamento divino que proíbe evocar os mortos ou outros espíritos quaisquer. Esta proibição vem de Deus, não da Igreja, que não tem nem autoridade nem competência para modificar ou revogar uma lei, determinação ou proibição divina.

Por isso:

a) Os defensores da interpretação espírita dos fenômenos mediúnicos não podem provocar, eles mesmos, novos fenômenos desta natureza, ainda que seja para fins de estudos; a razão disso é evidente: a provocação do fenômeno implicaria necessariamente uma evocação dos espíritos, ao menos na intenção. E isso foi proibido por Deus. Para fins de estudo, o homem não pode fazer coisas ilícitas e proibidas por Deus.

b) Como toda sessão espírita tem a finalidade própria e essencial de evocar espíritos ou de provocar a obtenção de comunicações ou mensagens do além, toda e qualquer sessão espírita é um ato de formal desobediência a uma lei divina e, por isso, gravemente proibida e pecaminosa.

c) Para resolver a questão moral da prática do espiritismo, pouco importa saber se os espíritas de fato conseguem ou não evocar espíritos em suas sessões; pois se o conseguem, não há dúvida a respeito da evocação e, por conseguinte, da desobediência; se não o conseguem, é certo que eles têm ao menos a intenção, o propósito ou a vontade deliberada de evocar e, portanto, de transgredir um mandamento divino; e isso basta para um pecado formal.

“Sessão espírita de hipnose”, por Richard Bergh.

d) É, pois, a maliciosa ou pecaminosa intenção de querer evocar espíritos que torna ilícita e moralmente má a provocação de fenômenos mediúnicos em sessões espíritas, ainda que de fato sejam fenômenos puramente naturais e sem relação alguma com espíritos não-encarnados ou desencarnados.

e) Havendo, porém, certeza de que determinado fenômeno mediúnico ou metapsíquico é natural, e excluída expressamente a pecaminosa intenção de evocar qualquer espírito (bom ou mau, pouco importa), será lícito provocar o fenômeno, contanto que não seja prejudicial para a saúde. Parece, porém, que a repetição freqüente de certos fenômenos psíquicos (o transe, a escrita automática, a mesa dançante, o sonambulismo provocado etc.) pode causar perturbações psíquicas, desencadear distúrbios mentais em indivíduos predispostos, preparar o automatismo, concorrer para as alucinações, alterar as secreções internas, produzir delírios, prejudicar o sistema nervoso etc. Por isso, tais fenômenos devem ser provocados com muito critério, cautela e moderação, não em ambiente popular para distrair, mas em meios científicos para estudar.

Aqui convém recordar também a moção unânime aprovada pelo II Congresso Internacional de Ciências Psíquicas, reunido em Varsóvia, em 1922:

Considerando que os fenômenos metapsíquicos devem ser estudados por sociedades científicas e em laboratórios adequados, o Congresso emite um voto para que todas as produções ‘mediúnicas’, em salas de conferências, assim como as demonstrações públicas dos fenômenos ditos ‘ocultos’, sejam proibidas, legalmente, em todos os países, em virtude da influência nociva que podem exercer sobre o estado psíquico e nervoso das pessoas mais ou menos sensíveis que a elas assistem.

É necessário lembrar também a advertência feita por Pio XII numa alocução à Sociedade Italiana de Anestesiologia (24-2-1957). Reconhecia o papa a liceidade da hipnose “praticada pelo médico, ao serviço de um fim clínico, observando as precauções que a ciência e a moral médicas requerem, tanto do médico que a emprega, como do paciente que a aceita”. Pio XII insistia então no seguinte aviso:

Mas não queremos que se estenda, pura e simplesmente, à hipnose em geral o que dissemos da hipnose ao serviço do médico. Com efeito, esta, como objeto de investigação científica, não pode ser estudada por quem quer, mas por um sábio e dentro dos limites morais que valem para toda atividade científica. Não é este o caso de qualquer círculo de leigos ou eclesiásticos que a praticassem como coisa interessante, a título de pura experiência ou mesmo por simples passatempo.

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A memória de um amado Papa
Igreja Católica

A memória de um amado Papa

A memória de um amado Papa

Não podemos ter medo de Cristo: eis a grande mensagem de São João Paulo II para a Igreja e para o mundo.

Equipe Christo Nihil Praeponere20 de Fevereiro de 2018Tempo de leitura: 2 minutos
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“O Senhor é minha luz e salvação, de quem eu terei medo?” (Sl 26, 1). Talvez nenhum outro versículo bíblico resuma tão bem o pontificado de São João Paulo II quanto esse.

Numa época em que o mundo vivia uma triste divisão, o Papa polonês cumpriu a tarefa de derrubar os muros da cortina de ferro, pregando o Evangelho para o homem moderno. Como vigário de Cristo e pontífice da Igreja universal, ele reconduziu as ovelhas perdidas de volta à grei do Senhor para, com humildade e confiança, abrir os confins dos Estados e sistemas políticos à voz do Bom Pastor.

Não, não podemos ter medo de Cristo. Era essa a grande mensagem de São João Paulo II para o mundo. No vídeo abaixo, escutamos a sua voz de Pastor confiar a própria vida Àquele que é o verdadeiro dono do rebanho, Àquele cuja face procuramos e que é a defesa de nossa vida. “A vossa face, Senhor, eu buscarei… Não me escondais a vossa face”, rezava o Santo Padre que, como disse o seu sucessor Bento XVI, “ajudou os cristãos de todo o mundo a não ter medo de se dizerem cristãos, de pertencerem à Igreja, de falarem do Evangelho”.

João Paulo II foi um verdadeiro soldado da Palavra de Deus. Nas suas muitas viagens pastorais, ele fez questão de denunciar a secularização e contrapor-se às ideologias anticlericais que ameaçavam roubar a fé e a identidade dos povos. Na verdade, a simples presença de João Paulo II em algum país, dizia o seu secretário Stanislaw Dziwisz, era o suficiente para “deixar em crise ideologias, fossem elas de uma tendência ou de outra” [1].

Um caso emblemático foi o da Nicarágua, em 1983, quando revolucionários sandinistas quiseram humilhar João Paulo II durante uma missa, empunhando imagens anticristãs. Nas palavras do cardeal Dziwisz, “o Santo Padre, praticamente sozinho, enfrentou o tumulto e fez frente aos provocadores” [2]. De fato, lembra Dzwisz, “foi inesquecível a cena em que os sandinistas agitavam suas bandeiras rubro-negras, enquanto ele [o Papa], de cima do palco, opunha-se a eles, levantando na direção do céu o báculo com o crucifixo na ponta” [3].

João Paulo II durante Missa ao ar livre no “Yankee Stadium”, Nova Iorque, 1979.

“Quando os malvados me atacam para me devorar vivo, são eles, meus adversários e inimigos, que resvalam e caem.” (Sl 26, 2) A vida de São João Paulo II foi toda confiada à providência divina e à maternidade sagrada da Virgem Santíssima. Por isso, o Santo Padre pôde anunciar destemidamente o Evangelho de Cristo e testemunhar a queda dos inimigos da cruz, que por tanto tempo perseguiram e ameaçaram a Igreja. No confronto entre a bandeira do Kremlin e a bandeira do Vaticano, cumpriu-se a profecia do Salmo 26; venceu o Coração de Cristo, como coroamento dos esforços de São João Paulo II para fazer do cristianismo o patrimônio mais sagrado da humanidade.

A memória de um amado Papa como São João Paulo II deve fazer repetir em nossos corações o seu mesmo brado do dia 22 de outubro de 1978: “Não, não tenhais medo! Antes, procurai abrir, melhor, escancarar as portas a Cristo”. Firmes nesta fé, os cristãos desta nossa época poderão testemunhar a vitória de Jesus sobre as hostes infernais que, embora pareçam insuperáveis, não têm nem jamais terão a palavra definitiva sobre o curso da história.

Referências

  1. Stanislaw Dziwisz. Uma vida com Karol. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007. p. 106.
  2. Id., p. 109.
  3. Id., p. 110.

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As duas mais belas orações já compostas a Nossa Senhora
Oração

As duas mais belas orações
já compostas a Nossa Senhora

As duas mais belas orações já compostas a Nossa Senhora

Dentre todas as devoções marianas, duas orações se destacam: a “Ave-Maria” e a “Salve, Rainha”, dois tesouros de espiritualidade que alegram o Coração de nossa Mãe e a curvam às nossas necessidades.

Pe. Gabriel M. RoschiniTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere20 de Fevereiro de 2018Tempo de leitura: 4 minutos
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Duas são as principais orações com que a Igreja de Cristo, desde tempos imemoriais, invoca o patrocínio da Virgem Santíssima: a “Ave-Maria” e a “Salve, Rainha”. Além das menções que em suas preces e antífonas a Liturgia e o Ofício Divino fazem à toda pura Mãe de Deus, estas duas belíssimas orações constituem como que as pedras basilares do culto mariano diário.

Devido à sua importância, não menos que à sua beleza e universalidade — não há fiel que não as tenha nos lábios e no coração —, é de grande proveito transcrever aqui algumas breves considerações de ordem espiritual que o Pe. Gabriel M.ª Roschini, grande mariólogo do século passado, deixou imortalizadas em um trecho de sua obra “La Madonna secondo la fede e la Teologia” [1] dedicado especificamente a essas duas orações.


1. A singular excelência da “Ave-Maria”

A “Ave-Maria” é a mais sublime forma de oração com que a Igreja exalta a grandeza e implora a intercessão de Maria. É o mais belo louvor e a súplica mais eficaz dirigida à Virgem por todas as gerações cristãs. É o hino mais melodioso que podem repetir os lábios dos fiéis e que os ouvidos de nossa Mãe podem escutar. No Coração de Maria, ao ouvir novamente a saudação angélica, renovam-se os divinos e transcendentes sentimentos que Ela experimentou no momento mais solene da história dos séculos, no momento mais sublime, tanto para o céu como para a terra.

Em suas duas partes, a “Ave-Maria” obedece às leis clássicas da oração: o louvor e a súplica. No louvor, exalta a transcendente grandeza de Maria, expressa na “plenitude de graça”, ou seja, em todas as perfeições que o Criador pode outorgar a uma criatura. Por isso, o Senhor está com Ela de um modo inteiramente particular, e é Ela a bendita entre todas as mulheres. Em seguida, na súplica, implora à Virgem o perdão dos pecados e a graça de uma vida santa e de uma piedosa morte. É impossível imaginar oração mais bela.

Tampouco se pode imaginar uma oração mais grata a Maria. “Quando Ela”, escreve o P. Lacordaire, “ouviu pela primeira vez esta saudação dos lábios de Gabriel, concebeu logo em seguida, em seu seio puríssimo, o Verbo de Deus; e agora, cada vez que os lábios humanos lhe repetem aquelas mesmas palavras, que foram como o sinal de sua maternidade, suas entranhas se comovem pela lembrança daquele momento sem igual, nem no céu nem na terra, e toda a eternidade se enche da felicidade que Ela mesma experimenta… O racionalista sorri ao ver passar o povo em procissão repetindo as mesmas palavras; mas quem está iluminado por melhor luz compreende que o amor não tem mais que uma palavra, e que, ainda que a repitamos sempre, jamais a repetiremos o bastante” (Vie de Saint Dominique, c. VI) [2].

2. A singular beleza da “Salve, Rainha”

A razão por que a “Salve, Rainha” teve tanto êxito tão-logo apareceu funda-se em sua singular beleza. Esta singular beleza deriva, por sua vez, do fato de tratar-se de uma oração profundamente humana, isto é, que responde a todas as necessidades de nossa natureza, que ainda sangra pelas chagas do pecado original. É um eco maravilhoso de todas as nossas necessidades. É a saudação do servo à sua augusta Rainha:

  • Salve, Rainha”: é a súplica de nossa miséria Àquela que é “Mãe de misericórdia”;
  • é o recurso instintivo do filho à sua Mãe, Àquela que é a fonte da vida: “vida nossa”;
  • é o espontâneo impulso de quem está amargurado em direção Àquela que é toda doçura: “doçura nossa”;
  • é o refúgio espontâneo do desesperado naquela que é toda a razão da nossa esperança: “esperança nossa, salve”;
  • é o clamor do desterrado Àquela que é a porta da Pátria: “A vós clamamos os desterrados filhos de Eva”;
  • é o suspiro e o gemido de quem chora neste vale de lágrimas Àquela que é a única que sabe e pode confortar-nos: “A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas”;
  • é o confiante recurso do réu Àquela que é a sua poderosa Advogada junto do Juiz supremo: “Eia, pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei”;
  • é, enfim, o gemido, a confiante súplica do mortal que se vê ameaçado a todo instante pelo sombrio espectro da morte e pela incerteza de seu eterno destino ao gozo e à glória do céu: “E depois deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre”.

Todo este recorrer com fé à Virgem SS. está, por assim dizer, afiançado por suas três qualidades, enunciadas ao cabo desta admirável oração: a clemência, a piedade e a doçura: “Ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria!

Efetivamente, é difícil, para não dizer impossível, encontrar uma oração mais humana e, por conseguinte, mais cristã e mais bela do que esta. Súplica “belíssima”, exclama um célebre autor moderno, “um prisma de diamante de mil luzes… Iniciado com uma explosão de pranto, remata-se no êxtase do Paraíso” (cf. L. Pazzaglia, La Donna del Dolore. Turim, 1944, pp. 305-312) [3].

Referências

  1. Servimo-nos da seguinte edição: Gabriel M.ª Roschini, La Madre de Dios según la Fe y la Teología. Trad. esp. de Eduardo Espert. 2.ª ed., Madrid: Apostolado de la Prensa, 1958, vol. 2.
  2. Id., pp. 552-553.
  3. Id., p. 563.

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