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As tentações de Santo Antão
Santos & Mártires

As tentações de Santo Antão

As tentações de Santo Antão

O demônio atacou o jovem Antão molestando-o de noite e instigando-o de dia, de tal modo que até os que o viam podiam aperceber-se da luta que se travava entre os dois.

Santo Atanásio de Alexandria12 de Fevereiro de 2018Tempo de leitura: 12 minutos
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Capítulo indispensável da vida dos santos, tema onipresente na história da arte, praticamente não existe quem desconheça ou não tenha ouvido falar das tentações de Santo Antão, aqui narradas por Santo Atanásio. Foi o próprio Senhor quem prometeu a Antão, afinal, que seus combates se tornariam célebres em todo o mundo: “Porque aguentaste sem te renderes, serei sempre teu auxílio e te tornarei famoso em toda parte”.

As lutas do santo abade contra os demônios constituem, sem sombra de dúvida, uma das maiores razões para a popularidade dessa história. Sendo esses inimigos de Deus espíritos puros, como poderiam eles realmente agredir algumas pessoas, provocando nelas fortes dores físicas e deixando marcas visíveis em seus corpos?

Por causa da complexidade do assunto, muitos homens de ciência preferiram relegar histórias como as que vão abaixo ao mundo das fantasias, das lendas e do “fundamentalismo” religioso. Até a nossa época ser providencialmente agraciada com o fenômeno do Padre Pio de Pietrelcina, o qual, tendo passado por todas essas experiências em pleno século XX, no auge do desenvolvimento científico e tecnológico da humanidade, sem que a ciência pudesse sondar-lhes a causa, terminou levantando uma relevante questão: se fatos tão extraordinários se passaram com um homem de nossa época, sem explicação natural, por que não poderiam ter acontecido, também, com os santos antigos e medievais?

Evidentemente, essa não é a principal lição que devemos extrair desse relato. O que Deus quer nos ensinar com essa história tão bela, no fim das contas, é que Ele está sempre conosco, inclusive quando somos tentados, para combater ao nosso lado e afastar para longe de nós, no momento oportuno, o inimigo de nossas almas. “Assim, todos os que combatem seriamente podem dizer: ‘Não eu, mas a graça de Deus comigo’.”


Antão foi egípcio de nascimento. Os seus pais eram de boa linhagem e abastados. Como eram cristãos, também o menino cresceu como cristão. Depois da morte dos seus pais ficou só com a sua única irmã, muito mais jovem. Tinha então uns dezoito a vinte anos, e tomou cuidado da casa e de sua irmã. Menos de seis meses depois da morte de seus pais, ia, como de costume, a caminho da igreja. Enquanto caminhava, ia meditando e refletia como os apóstolos deixaram tudo, e seguiram o Salvador (cf. Mt 4, 20; 19, 27); como, segundo se refere nos Atos (4, 35-37), os fiéis vendiam o que tinham e o punham aos pés dos Apóstolos para distribuição entre os necessitados, e quão grande é a esperança prometida nos céus para os que assim fazem (cf. Ef 1, 18; Col 1, 5).

Pensando estas coisas, entrou na igreja. Aconteceu que nesse momento se estava lendo o evangelho, e ouviu a passagem em que o Senhor disse ao jovem rico: “Se queres ser perfeito, vende o que tens e dá-o aos pobres, depois vem, segue-me e terás um tesouro no céu” (Mt 19, 21). Como se Deus lhe houvera proposto a lembrança dos santos, e como se a leitura houvesse sido dirigida especialmente a ele, Antão saiu imediatamente da igreja e deu a propriedade que tinha de seus antepassados: trezentas “aruras”, terra muito fértil e formosa.

Não quis que nem ele nem sua irmã tivessem algo que ver com ela. Vendeu tudo o mais, os bens móveis que possuía, e entregou aos pobres a considerável soma recebida, deixando só um pouco para sua irmã. De novo, porém, entrando na igreja, ouviu aquela palavra do Senhor no evangelho: “Não se preocupem do amanhã” (Mt 6, 34). Não pôde suportar maior espera, mas foi e distribuiu aos pobres também este pouco. Colocou sua irmã entre virgens conhecidas e de confiança, entregando-a para que a educassem.

“Santo Antão, Abade”, por Francisco de Zurbarán.

Então dedicou todo o seu tempo à vida ascética, atento a si mesmo e vivendo de renúncia a si mesmo, perto de sua própria casa. Ainda não existiam tantas celas monásticas no Egito, e nenhum monge conhecia sequer o longínquo deserto. Todo o que desejava enfrentar-se consigo mesmo, servindo a Cristo, praticava sozinho a vida ascética, não longe de sua aldeia. Naquele tempo havia na aldeia vizinha um ancião que desde sua juventude levava na solidão a vida ascética. Quando Antão o viu, “teve zelo pelo bem” (Gl 4, 18), e se estabeleceu imediatamente na vizinhança da cidade.

Desde então, quando ouvia que em alguma parte havia uma alma esforçada, ia, como sábia abelha, buscá-la e não voltava sem havê-la visto; só depois de haver recebido, por assim dizer, provisões para sua jornada de virtude, regressava. Aí, pois, passou o tempo de sua iniciação, se afirmou sua determinação de não voltar à casa de seus pais nem de pensar em seus parentes, mas a dedicar todas as suas inclinações e energias à prática contínua da via ascética. Fazia trabalho manual pois tinha ouvido que “o que não quer trabalhar não tem direito de comer” (2Ts 3, 10). Do que recebia guardava algo para sua manutenção e o resto dava-o aos pobres. Orava constantemente, tendo aprendido que devemos orar em privado (cf. Mt 6, 6) sem cessar (cf. Lc 18, 1; 21, 36; 1Ts 5, 17). Além disso, estava tão atento à leitura da Sagrada Escritura, que nada se lhe escapava: retinha tudo, e assim a sua memória lhe servia de livro.

Mas o demônio, que odeia e inveja o bem, não podia ver tal resolução num jovem, e pôs-se a empregar suas velhas táticas também contra ele. Primeiro tratou de fazê-lo desertar da vida ascética recordando-lhe sua propriedade, o cuidado da sua irmã, os apegos da parentela, o amor do dinheiro, o amor à glória, os inumeráveis prazeres da mesa e todas as demais coisas agradáveis da vida. Finalmente apresentou-lhe a austeridade e tudo o que se segue a essa virtude, sugerindo-lhe que o corpo é fraco e o tempo é longo.

“A Tentação de Santo Antão”, por Salvator Rosa.

Em resumo, despertou em sua mente toda uma nuvem de argumentos, procurando fazê-lo abandonar seu firme propósito. O inimigo viu, no entanto, que era impotente em face da determinação de Antão, e que antes era ele que estava sendo vencido pela firmeza do homem, derrotado por sua sólida fé e sua constante oração. Pôs então toda a sua confiança nas armas que estão “nos músculos de seu ventre” ( 40, 16). Jactando-se delas, pois são sua preferida artimanha contra os jovens, atacou o jovem molestando-o de noite e instigando-o de dia, de tal modo que até os que viam Antão podiam aperceber-se da luta que se travava entre os dois.

O inimigo queria sugerir-lhe pensamentos baixos, mas ele os dissipava com orações; procurava incitá-lo ao prazer, mas Antão, envergonhado, cingia seu corpo com sua fé, orações e jejuns. Atreveu-se então o perverso demônio a disfarçar-se em mulher e fazer-se passar por ela em todas as formas possíveis durante a noite, só para enganar a Antão. Mas ele encheu seus pensamentos de Cristo, refletiu sobre a nobreza da alma criada por Ele, e sua espiritualidade, e assim apagou o carvão ardente da tentação. E quando de novo o inimigo lhe sugeriu o encanto sedutor do prazer, Antão, enfadado com razão, e entristecido, manteve seus propósitos com a ameaça do fogo e dos vermes (cf. Jd 16, 21; Sir 7, 19; Is 66, 24; Mc 9, 48). Sustentando isto no alto, como escudo, passou por tudo sem se dobrar.

Toda essa experiência levou o inimigo a envergonhar-se. Em verdade, ele, que pensara ser como Deus, fez-se louco ante a resistência de um homem. Ele, que na sua presunção desdenhava carne e sangue, foi agora derrotado por um homem de carne em sua carne. Verdadeiramente o Senhor trabalhava com este homem, Ele que por nós tornou-se carne e deu ao seu corpo a vitória sobre o demônio. Assim, todos os que combatem seriamente podem dizer: “Não eu, mas a graça de Deus comigo” (1Cor 15, 10).

Finalmente, quando o dragão não pôde conquistar Antão nem por estes últimos meios, mas viu-se arrojado de seu coração, rangendo os seus dentes, como diz a Escritura (cf. Mc 9, 17), mudou, por assim dizer, sua pessoa. Tal como é seu coração, assim lhe apareceu: como um moço preto; e como inclinando-se diante dele, já não o molestou com pensamentos — pois o impostor tinha sido lançado fora — mas usando voz humana disse-lhe: “A muitos enganei e venci; mas agora que te ataquei a ti e a teus esforços como o fiz com tantos outros, mostrei-me demasiadamente fraco”. “Quem és tu que me falas assim?”, perguntou-lhe Antão. Apressou-se o outro a replicar com a voz lastimosa:

Sou o amante da fornicação. A minha missão é espreitar a juventude e seduzi-la; chamam-me o espírito de fornicação. A quantos eu enganei, decididos que estavam a cuidar de seus sentidos! A quantas pessoas castas seduzi com minhas lisonjas! Eu sou aquele por cuja causa o profeta censura os decaídos: “Foram enganados pelos espírito da fornicação” (Os 4, 12). Sim, fui eu que os levei à queda. Fui eu que tanto te molestei e tão a miúde fui vencido por ti.

Antão deu, pois, graças ao Senhor e armando-se de coragem contra ele, disse: “És então inteiramente desprezível; és negro em tua alma e tão débil como um menino. Doravante já não me causas nenhuma preocupação, porque o Senhor está comigo e me auxilia: verei a derrota de meus adversários (cf. Sl 117, 7).” Ouvindo isto, o negro desapareceu imediatamente, inclinando-se a tais palavras e temendo acercar-se do homem.

Assim dominou-se Antão a si mesmo. Decidiu então mudar-se para os sepulcros que se achavam a certa distância da aldeia. Pediu a um dos seus familiares que lhe levasse pão a longos intervalos. Entrou, pois, em uma das tumbas; o mencionado homem fechou a porta atrás dele, e assim ficou dentro sozinho. Isto era mais do que o inimigo podia suportar, pois em verdade temia que agora fosse encher também o deserto com a vida ascética. Assim chegou uma noite com um grande número de demônios e o açoitou tão implacavelmente que ficou lançado no chão, sem fala pela dor.

Afirmava que a dor era tão forte que os golpes não podiam ter sido infligidos por homem algum para causar semelhante tormento. Pela Providência de Deus — porque o Senhor não abandona os que nele esperam — seu parente chegou no dia seguinte trazendo-lhe pão. Quando abriu a porta e o viu atirado no chão como morto, levantou-o e o levou até a igreja da aldeia e o depositou sobre o solo. Muitos de seus parentes e da gente da aldeia sentaram-se em volta de Antão como para velar um cadáver. Mas pela meia-noite Antão recobrou o conhecimento e despertou. Quando viu que todos estavam dormindo e só seu amigo se achava desperto, fez-lhe sinais para que se aproximasse e pediu-lhe que o levantasse e levasse de novo para os sepulcros, sem despertar ninguém. O homem levou-o de volta, a porta foi trancada como antes e de novo ficou dentro, sozinho.

Pelos golpes recebidos estava demasiado fraco para manter-se de pé; orava então, estendido no solo. Terminada sua oração, gritou: “Aqui estou eu, Antão, que não me acovardei com teus golpes, e ainda que mais me dês, nada me separará do amor de Cristo (cf. Rm 8, 35).” E começou a cantar: “Se um exército se acampar contra mim, meu coração não temerá” (Sl 26, 3). Tais eram os pensamentos e palavras do asceta, mas o que odeia o bem, o inimigo assombrado de que depois de todos os golpes ainda tivesse valor para voltar, chamou seus cães e arrebatado de raiva disse: “Vêem vocês que não pudemos deter esse tipo nem com o espírito de fornicação nem com os golpes; ao contrário, chega até a desafiar-nos. Vamos proceder contra ele de outro modo”. A função de malfeitor não é difícil para o demônio.

“Tentação de Santo Antão, Abade”, de Annibale Carracci.

Essa noite, por isso, fizeram tal estrépito que o lugar parecia sacudido por um terremoto. Era como se os demônios abrissem passagens pelas quatro paredes do recinto, invadindo impetuosamente através delas em forma de bestas ferozes e répteis. De repente todo o lugar se encheu de imagens fantasmagóricas de leões, ursos, leopardos, touros, serpentes, víboras, escorpiões e lobos; cada qual se movia segundo o exemplar que havia assumido. O leão rugia, pronto a saltar sobre ele; o touro, quase a atravessá-lo com os chifres; a serpente retorcia-se sem o alcançar completamente; o lobo acometia-o de frente. E a gritaria armada simultaneamente por todas essas aparições era espantosa, e a fúria que mostravam, feroz.

Antão, atormentado e pungido por eles, sentia aumentar a dor em seu corpo; no entanto, permanecia sem medo e com o espírito vigilante. Gemia, é verdade, pela dor que atormentava seu corpo, mas a mente era senhora da situação e, como por debique, dizia-lhes: “Se tivessem poder sobre mim, teria bastado que viesse um só de vocês; mas o Senhor lhes tirou a força e por isso se esforçam em fazer-me perder o juízo com seu número; é sinal de fraqueza terem de imitar animais ferozes.” De novo teve a valentia de dizer-lhes: “Se é que podem, se é que receberam poder sobre mim, não se demorem, venham ao ataque! E se nada podem, para que esforçar-se tanto sem nenhum fim? Porque a fé em Nosso Senhor é selo para nós e muro de salvação.” Assim, depois de haver intentado muitas argúcias, rangeram os dentes contra ele, porque eram eles próprios que estavam ficando loucos e não ele.

De novo o Senhor não se esqueceu de Antão na sua luta, mas veio ajudá-lo. Quando olhou para cima, viu como se o teto se abrisse e um raio de luz baixasse até ele. Foram-se os demônios de repente, cessou-lhe a dor do corpo, e o edifício estava restaurado como antes. Notando que a ajuda chegara, Antão respirou livremente e sentiu-se aliviado das suas dores. E perguntou à visão: “Onde estavas tu? Por que não aparecestes no começo para deter minhas dores?” E uma voz lhe falou: “Antão, eu estava aqui, mas esperava ver-te enquanto agias. E agora, porque aguentaste sem te renderes, serei sempre teu auxílio e te tornarei famoso em toda parte.” Ouvindo isto, levantou-se e orou: e ficou tão fortalecido que sentiu o seu corpo mais vigoroso que antes. Tinha por aquele tempo uns trinta e cinco anos de idade.

Referências

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Ainda devemos fazer penitência?
Doutrina

Ainda devemos fazer penitência?

Ainda devemos fazer penitência?

Embora a mortificação seja um antigo preceito da vida cristã, muitos católicos ignoram a sua prática, considerando-a mutilação ou exagero.

Shaun McAfeeTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere12 de Fevereiro de 2018Tempo de leitura: 5 minutos
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A mortificação é uma antiga prática da vida espiritual cristã; em tempos recentes, porém, ela perdeu espaço na vida de muitos católicos. Por isso, decidi escrever estas linhas para defender que nós realmente precisamos voltar à prática das mortificações regulares e significativas.

Em primeiro lugar, a mortificação tem base bíblica. De acordo com o segundo livro de Samuel, os servos de Davi sofreram voluntariamente certa humilhação antes de serem reconhecidos pelo novo rei dos amonitas. Davi, talvez por conta do choque, concordou com a humilhação, dizendo-lhes para permanecerem na cidade até que suas barbas crescessem (cf. 2Sm 10, 1-5).

Antes disso, até mesmo a Lei do Senhor estabelece a observância de um dia de expiação, em que nenhum trabalho seria realizado e todo o povo de Deus humilhar-se-ia, geralmente com mortificações físicas ou atos de humilhação, como vestir-se com roupas sujas e fazer jejum (cf. Lv 16, 29-31). Os jejuns e as penitências são claramente detalhados ao longo do resto do Antigo Testamento.

Há também, no Novo Testamento, uma mensagem consistente sobre abnegação:

Em seguida, convocando a multidão juntamente com os seus discípulos, disse-lhes: “Se alguém me quer seguir, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. (Mc 5, 34-35)

Nisto temos conhecido o amor: (Jesus) deu sua vida por nós. Também nós devemos dar a nossa vida pelos nossos irmãos. (1Jo 3, 16)

De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis. (Rm 8, 13)

Mortificai, pois, os vossos membros no que têm de terreno: a devassidão, a impureza, as paixões, os maus desejos, a cobiça, que é uma idolatria. (Cl 3, 5)

Pois os que são de Jesus Cristo crucificaram a carne, com as paixões e concupiscências. (Gl 5, 24)

Quanto a mim, não pretendo, jamais, gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo. (Gl 6, 14)

Ao contrário, castigo o meu corpo e o mantenho em servidão, de medo de vir eu mesmo a ser excluído depois de eu ter pregado aos outros. (1Cor 9, 27)

“Perder a sua vida”. “Crucificado para mim”. “Renuncie a si mesmo”. A mensagem do Novo Testamento é extremamente clara: somos chamados a uma espécie de sofrimento para superarmos o pecado e nos unirmos a Cristo. Penso que as palavras de Paulo sobre “castigar o seu corpo” são as mais fortes de toda a Sagrada Escritura. A palavra que São Paulo usa significa, literalmente, espancar, bater, esbofetear o próprio corpo.

“São Domingos em penitência”, de Luis Tristán.

Os santos não eram alheios a essa prática. E não me refiro aos santos da antiguidade — há santos de todas as gerações que praticaram a mortificação. Há histórias fantásticas de como cada santo domesticou a própria carne. É famosa a história de São Bento, que se jogou em um arbusto de espinhos para cessar os pensamentos impuros; São Felipe Neri vestia camisas feitas com pelos de cavalo; Santa Gemma usava um cilício debaixo das roupas. E há outras mortificações menos severas praticadas por outros santos, como o costume de São João Paulo II de dormir no chão.

Talvez você não seja alheio às mortificações também. Você vive a fundo a Quaresma? Se sim, então certamente já observou alguma forma de jejum e abandonou alguma coisa para castigar a sua carne. Tudo isso é mortificação, mas não devemos limitar essas práticas à Quaresma, só porque é nesta época que a lei canônica e a liturgia nos mandam realizá-las. Assim como a oração e a consideração da Paixão são fundamentais para todos os tempos do ano, assim também as mortificações da carne e o jejum devem ser regularmente praticados ao longo do ano.

Por quê? O que isso acrescenta? Não seria uma simples mutilação? As mortificações são, sem dúvida nenhuma, práticas santificantes, porque o domínio pessoal é uma exigência feita a todo cristão. Veja este exemplo: se você fosse viciado em gastar dinheiro, não trituraria seus cartões de crédito, limitando sua capacidade de gastar dinheiro em tudo, a fim de controlar melhor suas finanças? Sim! Da mesma forma, se você fosse viciado em pornografia e masturbação, não iria moderar o uso dos meios eletrônicos como um meio efetivo de controlar os desejos da carne? Claro!

Muito bem, você não tem dívidas nem é viciado em pornografia… Mas ainda assim há algum motivo para se confessar, certo? Talvez uma ofensa repetitiva? Uma fofoca? Uma mortificação apropriada poderia ser, por exemplo, fazer um “voto” limitado de silêncio. Boca suja? Vinte flexões para cada palavra baixa. Com esses meios, você terá a motivação para mudar rapidamente de atitude.

São Luís Gonzaga.

Acho que você entendeu, mas alguns ainda não estão convencidos. Pensam que é “extremismo”. Pensam que é mutilação. Alguns santos, como São Luís Gonzaga, se chicoteavam até o sangue (e ele era conhecido por seu senso de humor!). São Felipe Neri, por sua vez, dizia que a penitência era a única coisa que o habilitava para a santidade — e ele ficou conhecido como um dos santos mais puros de todos os tempos.

Mas então: mortificação é ou não é mutilação? Uma definição adequada para esta última palavra seria “alterar, cortar ou danificar uma parte do corpo sem possibilidade de conserto”. Soa familiar? Jesus disse: “Se o seu olho faz com que você peque, arranque-o” e “se sua mão faz você pecar, corte-a” (Mt 5, 29-30).

Não estou sugerindo, evidentemente, que cheguemos a esse nível, mas a imagem deve nos assustar. Na pior das hipóteses, ela é literal (seja lá o que tenha em mente, Jesus diz que é melhor do que ser enviado ao inferno). Na melhor das hipóteses, Ele ainda está discutindo meios físicos de alterar nosso comportamento moral. “Cortar" e “arrancar” podem significar, de forma aceitável, não depender mais das partes e dos sentidos do corpo. Então, amarre sua mão atrás das costas! Encontre um caminho para não permitir que seus olhos olhem para algo que possa levar você a pecar! Fazer isso exigirá um nível de sacrifício que, sim, às vezes será muito doloroso.

Não obstante, se realmente queremos alcançar a santidade, se quisermos realmente ser santos, devemos assumir mais cruzes e mortificar nossa carne. Esse é o único caminho que conduz ao Céu.

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O que há de errado com o Carnaval?
Doutrina

O que há de errado com o Carnaval?

O que há de errado com o Carnaval?

O que devemos pensar, como católicos, a respeito da alegria do Carnaval?

Equipe Christo Nihil Praeponere9 de Fevereiro de 2018Tempo de leitura: 1 minutos
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Antes de toda Quaresma há um Carnaval.

Já tivemos a oportunidade de tratar esse assunto aqui, ano passado, quando publicamos uma famosa citação de Santa Faustina Kowalska sobre a festa, juntamente com um vídeo da famosa religiosa norte-americana, Madre Angélica, sobre os foliões que se embebedam e dão escândalo aos mais jovens.

Na ocasião, comentamos que “a grande tragédia de nossa época” é o homem moderno ter transformado “a sua vida em uma festa de Carnaval prolongada”. No fundo, as pessoas não se entregam ao pecado só numa época do ano para se comportarem bem nas outras. Para muitos, o Carnaval tornou-se praticamente um “estilo de vida”. E essas pessoas não conseguem sequer conceber um outro modo de viver, senão este de brigas, bebedeiras e sexo desregrado.

Nem todas as pessoas que “pulam carnaval” se divertem dessa forma pecaminosa, é verdade. Há carnavais e carnavais, alguém poderia dizer. É possível se divertir honestamente, no fim das contas, evitando o pecado e as ocasiões de cair nele, e o próprio Santo Tomás de Aquino chega a associar o bom divertimento a uma virtude específica em sua Suma Teológica.

Neste vídeo, Pe. Paulo Ricardo fala de forma bem equilibrada a respeito do Carnaval, indicando as diferenças que existem entre:

  • a alegria pecaminosa em que muitos passam esses dias,
  • a alegria sadia de quem sabe gozar honestamente das coisas deste mundo e, por fim,
  • a alegria realmente sobrenatural de quem tem os olhos fixos, não nos bens passageiros desta existência, mas na vida eterna com Cristo.

Para assistir a este vídeo na íntegra, acesse a pregação A alegria da Páscoa e as alegrias do mundo.

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Se o Diabo existe? Sim, ele está vivo e atuante
Doutrina

Se o Diabo existe?
Sim, ele está vivo e atuante

Se o Diabo existe? Sim, ele está vivo e atuante

Com o Diabo, “o mal já não é apenas uma deficiência, mas uma eficiência, um ser vivo, espiritual, pervertido e perversor. Realidade terrível. Misteriosa e medonha.”

Papa Paulo VI6 de Fevereiro de 2018Tempo de leitura: 9 minutos
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Atualmente, quais são as maiores necessidades da Igreja?

Não deveis considerar a nossa resposta simplista, ou até supersticiosa e irreal: uma das maiores necessidades é a defesa daquele mal, a que chamamos Demônio.

Antes de esclarecermos o nosso pensamento, convidamos o vosso a abrir-se à luz da fé sobre a visão da vida humana, visão que, deste observatório, se alarga imensamente e penetra em singulares profundidades. E, para dizer a verdade, o quadro que somos convidados a contemplar com integral realismo é muito belo. É o quadro da criação, a obra de Deus, que o próprio Deus, como espelho exterior da própria sabedoria e poder, admirou em sua beleza substancial (cf. Gn 1, 10ss).

Sua Santidade, o bem-aventurado Papa Paulo VI.

Além disso, é muito interessante o quadro da história dramática da humanidade, da qual emerge a da redenção, a de Cristo, da nossa salvação, com os seus magníficos tesouros de revelação, de profecia, de santidade, de vida elevada a nível sobrenatural, de promessas eternas (cf. Ef 1, 10). Se soubermos contemplar este quadro, não poderemos deixar de ficar encantados; tudo tem um sentido, tudo tem um fim, tudo tem uma ordem e tudo deixa entrever uma Presença-Transcendência, um Pensamento, uma Vida e, finalmente, um Amor, de tal modo que o universo, por aquilo que é e por aquilo que não é, se apresenta como uma preparação entusiasmante e inebriante para alguma coisa ainda mais bela e mais perfeita (cf. 1Cor 2, 9; 13, 12; Rm 8, 19-23).

A visão cristã do cosmo e da vida é, portanto, triunfalmente otimista; e esta visão justifica a nossa alegria e o nosso reconhecimento pela vida, motivo por que, celebrando a glória de Deus, nós cantamos a nossa felicidade.

O ensinamento das Sagradas Escrituras

Esta visão, porém, é completa, é exata? Não nos importamos, porventura, com as deficiências que se encontram no mundo, com o comportamento anormal das coisas em relação à nossa existência, com a dor, com a morte, com a maldade, com a crueldade, com o pecado, numa palavra, com o mal? E não vemos quanto mal existe no mundo especialmente quanto à moral, ou seja, contra o homem e, simultaneamente, embora de modo diverso, contra Deus? Não constitui isto um triste espetáculo, um mistério inexplicável? E não somos nós, exatamente nós, cultores do Verbo e cantores do Bem, nós, crentes, os mais sensíveis, os mais perturbados perante a observação e a prática do mal?

Nós o encontramos no reino da natureza, onde muitas de suas manifestações, segundo nos parece, denunciam a desordem. Depois, encontramo-lo no âmbito humano, onde se manifestam a fraqueza, a fragilidade, a dor, a morte e ainda coisas piores; observa-se uma dupla lei contrastante, que, por um lado, quereria o bem, e, por outro, se inclina para o mal, tormento este que São Paulo põe em humilde evidência para demonstrar a necessidade e a felicidade de uma graça salvadora, ou seja, da salvação trazida por Cristo (cf. Rm 7); já o poeta pagão Ovídio tinha denunciado este conflito interior no próprio coração do homem: “Video meliora proboque, deteriora sequor”, vejo o que é bom e o aprovo, mas sigo o mal (Metamorfoses 7, 19). Encontramos o pecado, perversão da liberdade humana, e causa profunda da morte, por ser afastamento de Deus, fonte da vida (cf. Rm 5, 12), e também a ocasião e o efeito de uma intervenção, em nós e no nosso mundo, de um agente obscuro e inimigo, o Demônio. O mal já não é apenas uma deficiência, mas uma eficiência, um ser vivo, espiritual, pervertido e perversor. Realidade terrível. Misteriosa e medonha.


Quer estudar a fundo esse assunto? Conheça o nosso curso de Demonologia!


Sai do âmbito dos ensinamentos bíblicos e eclesiásticos quem se recusa a reconhecer a existência desta realidade; ou pior, quem faz dela um princípio em si mesmo, como se não tivesse, como todas as criaturas, origem em Deus; ou ainda, quem a explica como uma pseudo-realidade, como uma personificação conceitual e fantástica das causas desconhecidas das nossas desgraças. O problema do mal, visto na sua complexidade e absurdidade em relação à nossa racionalidade unilateral, torna-se uma obsessão. Constitui a maior dificuldade para a nossa compreensão religiosa do cosmo. Foi por isso que Santo Agostinho penou durante vários anos: “Quaerebam unde malum, et non erat exitus”, pro­curava de onde vinha o mal e não encontrava a explicação (Confissões, VII, 5ss).

“A tentação de Cristo pelo demônio”, de Felix Joseph Barrias.

Vejamos, então, a importância que adquire a advertência do mal para a nossa correta concepção cristã do mundo, da vida e da salvação. É o próprio Cristo quem nos faz sentir esta importância. Primeiro, no desenvolvimento da história, haverá quem não recorde a página, tão densa de significado, da tríplice tentação? E ainda, em muitos episódios evangélicos, nos quais o Demônio se encontra com o Senhor e aparece nos seus ensinamentos (cf. Mt 12, 43)? E como não haveríamos de recordar que Jesus Cristo, referindo-se três vezes ao Demônio como seu adversário, o qualifica como “príncipe deste mundo” (Jo 12, 31; 14, 30; 16, 11)?

A ameaça desta nociva presença é indicada ainda em muitas passagens do Novo Testamento. São Paulo chama-lhe “deus deste mundo” (2Cor 4, 4) e previne-nos contra as lutas ocultas, que nós cristãos devemos travar não só com o Demônio, mas com a sua tremenda pluralidade: “Revesti-vos da armadura de Deus para que possais resistir às ciladas do Demônio. Porque nós não temos de lutar (só) contra a carne e o sangue, mas contra os Principados, contra os Dominadores deste mundo tenebroso, contra os Espíritos malignos espalhados pelos ares” (Ef 6, 11-12).

Diversas passagens do Evangelho dizem-nos que não se trata de um só demônio, mas de muitos (cf. Lc 11, 21; Mc 5, 9), um dos quais é o principal: Satanás, que significa o adversário, o inimigo; e, ao lado dele, estão muitos outros, todos criaturas de Deus, mas decaídas, porque rebeldes e condenadas; constituem um mundo misterioso transformado por um drama muito infeliz, do qual conhecemos pouco (cf. DS 800).

O inimigo oculto que semeia erros

Conhecemos, todavia, muitas coisas deste mundo diabólico, que dizem respeito à nossa vida e a toda a história humana. O Demônio é a origem da primeira desgraça da humanidade; foi o tentador pérfido e fatal do primeiro pecado, o pecado original (cf. Gn 3; Sb 1, 24). Com aquela falta de Adão, o Demônio adquiriu um certo poder sobre o homem, do qual só a redenção de Cristo nos pode libertar.

Trata-se de uma história que ainda hoje existe: recordemos os exorcismos do Batismo e as frequentes referências da Sagrada Escritura e da Liturgia ao agressivo e opressivo “domínio das trevas” (cf. Lc 22, 53; Cl 1, 13). Ele é o inimigo número um, o tentador por excelência. Sabemos, portanto, que este ser mesquinho, perturbador, existe realmente e que ainda atua com astúcia traiçoeira; é o inimigo oculto que semeia erros e desgraças na história humana. Deve-se recordar a significativa parábola evangélica do trigo e da cizânia, síntese e explicação do ilogismo que parece presidir às nossas contrastantes vicissitudes: “Inimicus homo hoc fecit”, foi algum inimigo que fez isso (Mt 13, 28).

Ele é “o homicida desde o princípio… e pai da mentira”, como o define Cristo (cf. Jo 8, 44-45); é o insidiador sofista do equilíbrio moral do homem. Ele é o pérfido e astuto encantador, que sabe insinuar-se em nós através dos sentidos, da fantasia, da concupiscência, da lógica utópica, ou de desordenados contatos sociais na realização de nossa obra, para introduzir neles desvios, tão nocivos quanto, na aparência, conformes às nossas estruturas físicas ou psíquicas, ou às nossas profundas aspirações instintivas.

“São Miguel Arcanjo e os anjos rebeldes”, de Cavalier D’Arpino.

Este capítulo, relativo ao Demônio e ao influxo que ele pode exercer sobre cada pessoa, assim como sobre comunidades, sobre inteiras sociedades, ou sobre acontecimentos, é um capítulo muito importante da doutrina católica, que deve ser estudado novamente, dado que hoje o é pouco. Algumas pessoas julgam encontrar nos estudos de psicanálise e de psiquiatria, ou em experiências espíritas, hoje infelizmente tão difundidas em alguns países, uma compensação suficiente. Receiam cair em velhas teorias maniqueístas, ou em divagações fantásticas e supersticiosas. Preferem mostrar-se fortes, livres de preconceitos, assumir ares de positivistas, mas depois dão crédito a muitas superstições mágicas ou populares, ou pior, abrem a própria alma — a própria alma batizada, visitada tantas vezes pela presença eucarística e habitada pelo Espírito Santo! — às experiências licenciosas dos sentidos, às experiências deletérias das drogas, assim como às seduções ideológicas dos erros na moda, fendas estas por onde o Maligno pode facilmente penetrar e alterar a mentalidade humana.

Não quer dizer que todo pecado seja devido diretamente à ação diabólica (cf. S.Th. I, q. 104, a. 3); mas também é verdade que aquele que não vigia, com certo rigor moral, a si mesmo (cf. Mt 12, 45; Ef 6, 11), se expõe ao influxo do “mysterium iniquita­tis, ao qual São Paulo se refere (2Ts 2, 3-12) e que torna problemática a alternativa da nossa salvação.

A nossa doutrina torna-se incerta, obscurecida como está pelas próprias trevas que circundam o Demônio. Mas a nossa curiosidade, animada pela certeza da sua existência múltipla, torna-se legítima com duas perguntas. Há sinais da presença da ação diabólica e quais são eles? Quais são os meios de defesa contra um perigo tão traiçoeiro?

Presença da ação do Maligno

A resposta à primeira pergunta requer muito cuidado, embora os sinais do Maligno às vezes pareçam tornar-se evidentes (cf. Tertuliano, Apologia, 23). Podemos admitir a sua sinistra atuação onde a negação de Deus se torna radical, sutil ou absurda; onde o engano se revela hipócrita, contra a evidência da verdade; onde o amor é anulado por um egoísmo frio e cruel; onde o nome de Cristo é empregado com ódio consciente e rebelde (cf. 1Cor 16, 22; 12, 3); onde o espírito do Evangelho é falsificado e desmentido; onde o desespero se manifesta como a última palavra, etc.

Mas este é um diagnóstico demasiado amplo e difícil, que agora não ousamos aprofundar nem autenticar; que não é desprovido de dramático interesse para todos, e ao qual até a literatura moderna dedicou páginas famosas. O problema do mal continua a ser um dos maiores e permanentes problemas para o espírito humano, mesmo depois da resposta vitoriosa que Jesus Cristo dá a respeito dele. “Nós sabemos — escreve o evangelista São João — que somos de Deus, ao passo que o mundo inteiro está sob o poder do Maligno” (1Jo 5, 19).

Defesa do cristão

À outra pergunta, sobre com que defesa, com que remédio combater a ação do Demônio, a resposta é mais fácil de ser formulada, embora seja difícil pô-la em prática. Podemos dizer que tudo aquilo que nos defende do pecado nos protege, por isso mesmo, contra o inimigo invisível. A graça é a defesa decisiva. A inocência assume um aspecto de fortaleza.

E, depois, todos devem recordar o que a pedagogia apostólica simbolizou na armadura de um soldado, ou seja, as virtudes que podem tornar o cristão invulnerável (cf. Rm 13, 12; Ef 6, 11.14.17; 1Ts 5, 8). O cristão deve ser militante; deve ser vigilante e forte (1Pd 5, 8); e, algumas vezes, deve recorrer a algum exercício ascético especial, para afastar determinadas invasões diabólicas; Jesus ensina-o, indicando o remédio “na oração e no jejum” (Mc 9, 29). E o apóstolo indica a linha mestra que se deve seguir: “Não te deixes vencer pelo mal; vence o mal com o bem” (Rm 12, 21; Mt 13, 29).

Conscientes, portanto, das presentes adversidades em que hoje se encontram as almas, a Igreja e o mundo, cuidemos de dar sentido e eficácia à usual invocação da nossa oração principal: “Pai nosso…, livrai-nos do mal”.

Contribua para isso a nossa Bênção Apostólica.

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