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Entre numa boa briga em 2020!
Igreja Católica

Entre numa boa briga em 2020!

Entre numa boa briga em 2020!

Entre numa “boa briga” neste ano de 2020: debata com alguém sobre a fé católica, convença uma pessoa que não crê, traga alguém para a verdade que Deus tão misericordiosamente nos deu a conhecer.

Dale AhlquistTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere7 de Janeiro de 2020Tempo de leitura: 4 minutos
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É hora de os católicos começarem a discutir. Não entre si, pois já fazem isso. É hora de debaterem com não católicos. E não sobre política e esporte, mas sobre religião, sobre os grandes temas, sobre a fé católica.

Digo isso porque acabei de ver os resultados de uma pesquisa sobre religião, publicada pelo Pew Research Center. Uma das perguntas feitas foi: “Em sua opinião, qual é a melhor coisa a se fazer quando alguém discorda de você em matéria de religião?”

As opções de resposta eram:

  1. Tentar persuadir a outra pessoa a mudar de ideia.
  2. Tentar entender a crença da outra pessoa e aceitar a discordância.
  3. Evitar discutir sobre religião.

Foram entrevistados protestantes (das mais diversas denominações), católicos e ateus/agnósticos.

Em média, 5% escolheram a primeira opção, 67% a segunda e 27% a terceira. Em outras palavras, dois terços da população não têm medo de debater sobre religião com alguém que discorda deles, mesmo que o único resultado seja manifestar as suas diferenças. Quase um terço evita qualquer discussão sobre o tema. Uma pequena minoria dos entrevistados — apenas um em cada vinte — está disposta a se posicionar firmemente em defesa de sua fé e a convencer a outra pessoa de que ela está equivocada. 

Como os católicos se saíram nessa pesquisa, em comparação com os outros grupos?

Muito mal.

Na verdade, eles tiveram o pior desempenho em todas as categorias. Enquanto 10% de evangélicos ficaram na primeira categoria, apenas 2% de católicos estavam dispostos a tentar persuadir a outra pessoa a mudar de ideia. O dobro de ateus e agnósticos estava disposto a tentar convencer outra pessoa. Até as denominações históricas em declínio, conhecidas por sua tibieza em relação às doutrinas cristãs, atingiram a média de 5%. E os católicos? Dois por cento. Terrível. Patético.

No outro extremo, os católicos atingiram a porcentagem mais elevada entre aqueles que gostariam de evitar discussões sobre religião: 31%. Mesmo os ateus e os agnósticos se mostraram mais dispostos do que os católicos a discutir religião, apesar de não terem uma, e a defender a sua falta de fé. Os evangélicos tiveram o melhor resultado: apenas 18% se mostraram relutantes em participar de alguma discussão sobre religião. 

Até a porcentagem daqueles que estão na grande categoria do meio (os que estão dispostos a escutar outra pessoa a respeito da fé dela apenas para “concordar em discordar”) serve de matéria para acusar os católicos. É claro que deveríamos escutar os outros, mas também deveríamos falar. Quando alguém está disposto a ter uma discussão sobre religião, temos uma oportunidade de ouro para compartilhar a nossa fé. Não deveríamos ter medo de um debate. G. K. Chesterton diz que o propósito de uma discussão é discordar para concordar; ao passo que o fracasso de uma discussão está em concordar em discordar. Em outras palavras, discutimos porque cremos que estamos certos e, em última instância, queremos convencer o outro a concordar conosco: discordar para concordar. O nome disso é ganhar o debate. Significa que nos importamos tanto com a verdade, que queremos que outras pessoas acreditem nela.

Só faz sentido acreditar em algo se cremos que estamos certos. E se assim cremos, por que não estamos dispostos a falar isso? Por que não estamos dispostos a dizer o motivo pelo qual não acreditamos em outra coisa?

Na conclusão de O Homem Eterno, Chesterton diz que o Evangelho é a boa notícia que parece muito boa para ser verdadeira. “Não é nada menos que a afirmação de que o criador do mundo o visitou pessoalmente.” Deus se fez carne, sofreu na carne, morreu de forma estranha e terrível e ressurgiu dos mortos, e a história mudou completamente. O mundo inteiro teve um recomeço. Ele encarnou a maior promessa já feita: a vida eterna. Seus seguidores que testemunharam tudo isso estabeleceram uma instituição que ainda existe: a Igreja Católica. A eles foi confiada a missão de compartilhar a boa nova que lhes fora dada, e a mensagem tem sido passada de geração em geração por dois mil anos.

Chesterton diz que o mundo está dividido entre aqueles que levam a mensagem do Evangelho e aqueles que ainda não a escutaram ou não conseguem crer nela.

Pense nisso. Temos a mensagem. As únicas outras pessoas que há no mundo são as que ainda não a escutaram ou não conseguem crer nela. Embora, sem dúvida alguma, vivamos numa cultura pós-cristã, a maioria das pessoas tem alguma familiaridade com as afirmações fundamentais da Igreja Católica. Já ouviram falar delas. A nossa missão é ajudá-las a crer. Isso significa que temos de estar dispostos a debater com elas quando discordarem de nós, a defender a fé quando ela for atacada, a afirmá-la quando for questionada e a demonstrá-la quando for rejeitada.

Não somente temos a mensagem, mas também o que o resto do mundo deseja: alegria, paz, lucidez e a resposta definitiva para o enigma do universo. Todas as pessoas estão em busca dessas coisas. Como podemos silenciar a respeito delas? O mundo não terá nenhuma chance se apenas 2% de nós estivermos dispostos a falar.

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Ficamos loucos?
Cursos

Ficamos loucos?

Ficamos loucos?

Uma pessoa que entra num ônibus sem saber para onde ele vai: é mais ou menos como se comporta o incoerente homem contemporâneo, quando se recusa a responder às perguntas decisivas de sua existência.

Equipe Christo Nihil Praeponere7 de Janeiro de 2020Tempo de leitura: 1 minutos
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Uma pessoa que entra num ônibus sem saber para onde ele vai: é mais ou menos como se comporta o incoerente homem contemporâneo, quando se recusa a responder às perguntas decisivas de sua existência. 

É sobre isso, e muito mais, que escreveu Gilbert Keith Chesterton, grande intelectual católico do século XX, e é sobre a sua vida e obra que Padre Paulo Ricardo quer falar em nosso próximo curso de férias

Graças a Deus, Chesterton não é mais uma figura desconhecida para o público brasileiro. Nos últimos anos, inúmeras iniciativas editoriais apresentaram seu pensamento aos leitores lusófonos, de modo que, hoje, dificilmente alguém já não ouviu falar dos clássicos Ortodoxia, Hereges, O Homem Eterno, ou mesmo do Padre Brown, um personagem fictício criado por Chesterton e que solucionava crimes e mistérios… 

Mesmo que seus livros se tenham popularizado, principalmente entre os católicos, o fato é que muitas pessoas ainda esbarram num problema: a dificuldade de compreender a fundo o que Chesterton escreveu, e que constitui um verdadeiro sistema de pensamento, exposto com uma sagacidade ímpar e em um estilo muito bem-humorado.

Daí a importância de um curso sobre Chesterton! Em poucas aulas (porque, afinal, estamos de férias…), Padre Paulo Ricardo quer nos tomar pela mão para que venhamos a aproveitar ao máximo tudo o que nos legou esse gênio do catolicismo. 

Mas chega de conversa… Confira nos teasers abaixo um pouco do que estamos preparando para nossos alunos!

Por isso, anote em sua agenda! No próximo dia 28 de janeiro tem lançamento em nosso site! Para receber todas as informações a esse respeito, e ainda por cima ganhar um desconto especial na hora de se tornar nosso aluno, cadastre-se aqui em nossa lista de e-mails e fique atento a nossas comunicações!

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Uma conspiração contra o Natal
Liturgia

Uma conspiração contra o Natal

Uma conspiração contra o Natal

Não é de hoje que atacam o Natal, mas as ofensas não vêm apenas lá de fora, do mundo. É do meio dos cristãos, é de dentro do cristianismo que vem a acusação mais esdrúxula e insensata contra tão bela e augusta festa.

Equipe Christo Nihil Praeponere6 de Janeiro de 2020Tempo de leitura: 10 minutos
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Normalmente, um cristão bem formado não daria dois minutos de atenção às bobagens que, todos os anos, são escritas (ou gravadas) para desmistificar o Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Mas os tempos são outros, e a formação catequética (ou a falta dela) também. Hoje, infelizmente, a fé já não é um pressuposto evidente, de modo que precisamos nos dar ao trabalho de explicar com detalhes quase cirúrgicos o que para outras gerações seria óbvio, especialmente quando uma festa tão importante para o cristianismo é posta em xeque.

Comecemos por reiterar que não é de hoje que atacam o Natal. Na década de 1970, Gustavo Corção teve de descer à liça para defender a Encarnação de Cristo contra figurões da época que pelejavam, por exemplo, em Jornal do Brasil, O Pasquim e Manchete e insistiam em publicar artigos blasfemos sobre Jesus às vésperas do dia 25. O imbróglio rendeu uma série de crônicas do escritor, apoiado então por inúmeros católicos, todos prontos a entrar em campo para defender o sagrado depósito da fé.

O que surpreende, porém, é que essa ofensa à grande solenidade do nascimento de Nosso Senhor não vem apenas lá de fora, do mundo. É do meio dos cristãos, é de dentro do cristianismo que vêm as acusações mais esdrúxulas e insensatas contra tão bela e augusta festa. Durante muito tempo o Natal foi proibido na América protestante porque, para os seguidores de Calvino, se trataria de uma “celebração genuinamente pagã”. E é aí, nas fábulas protestantes, que muita gente vai buscar informações para desacreditar a sagrada noite de Belém.

“Eu vos anuncio uma grande alegria…”

Qualquer um que consultasse, pouco que fosse, a bibliografia disponível sobre o cristianismo, saberia que Wikipédia e almanaques protestantes são o último lugar para quem deseja conhecer, com o mínimo de rigor científico e transparência intelectual, a história da Igreja Católica e de suas tradições. Prova disso é a confissão nada suspeita de ninguém menos que Adolf von Harnack, teólogo luterano que afirmou certa feita: “Estou convencido, pela experiência constante, de que os alunos que deixam nossas escolas têm ideias mais desconexas e absurdas a respeito de história eclesiástica” [1]. E ele falava das faculdades protestantes da Alemanha. A ideia, no entanto, facilmente se aplica aos alunos de outras escolas, cujo conhecimento sobre Igreja Católica é, como dizia ele, “uma terra incógnita”, com “noções completamente triviais, incertas e, muitas vezes, nitidamente sem sentido” [2].

Também nesta matéria temos um misto-quente de críticas desconexas, absurdas e (convenhamos) triviais sobre a solenidade do Natal. Em primeiro lugar, acusa-se a Igreja Católica de ter-se rendido aos desmandos de Constantino, aceitando uma síntese indigesta entre cristianismo e paganismo. O Natal, portanto, não passaria de uma festa pagã com verniz cristão, a fim de enganar os incautos e levá-los, sem se darem conta, à adoração do diabo. Por isso, conclui-se, nenhum cristão sinceramente empenhado em seguir os ensinamentos de Cristo e a Sagrada Escritura deveria comemorar a data. Afinal, não há sequer evidências, bíblicas ou históricas, de que Jesus tenha nascido no dia 25 de dezembro.

Mas os anjos do céu, naquela noite feliz, desceram a esta terra para dizer aos homens: “Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que será também a de todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor” (Lc 2, 10). Sem dúvida, a noite do Natal é, sim, uma noite de alegria, de celebração e encontro, e que não devemos temer, como advertiram os anjos, pois foi nessa noite gloriosa que Jesus veio assumir a nossa condição miserável e estabelecer conosco uma nova aliança, “muito mais admirável que a primeira”. Em razão disso, a Igreja Católica se serviu de todos os meios para proclamar a mesma alegria a todo o povo.

No Natal, os católicos não celebramos o aniversário de Jesus, mas o mistério da Encarnação do Verbo divino, com todas as suas implicações para a nossa vida. Sendo assim, a data exata do natalício de Cristo não é necessária, no fundo, para a celebração do mistério, porque a Liturgia nos insere no presente eterno de Deus, por meio de gestos, orações, símbolos e cantos. Na Missa de Natal, recorda-nos Dom Henrique Soares, não dizemos: “Há dois mil anos nasceu Jesus”; dizemos, ao contrário: “Alegremo-nos todos no Senhor: hoje nasceu o Salvador do mundo, desceu do céu a verdadeira paz”.

Como quer que seja, documentos históricos indicam que já no séc. III a Igreja celebrava o Natal no dia 25 de dezembro. Entre os que mencionam a data está S. Hipólito de Roma, um ardente defensor da ortodoxia, que jamais aceitaria qualquer forma de sincretismo religioso. Cai por terra, com isso, a afirmação de que o Natal seria resultado de uma “paganização” promovida por Constantino, a quem os protestantes, diga-se de passagem, gostam de culpar por todas as legítimas tradições católicas que eles mesmos rejeitaram.

Ora, não foi o imperador romano que dominou a Igreja; foi a Igreja que venceu o Império, de modo que este precisou rever toda a sua política externa e interna. “A influência da Igreja […] imprimiu um caráter diferente no processo como um todo. Os ideais da Igreja eram opostos a todas as principais características da sociedade imperial anterior”, afirma o historiador Christopher Dawson [3].

A cristianização nessa época aconteceu por meio da Liturgia, que “não era somente uma fonte de teologia cristã, mas também um dos elementos primários na formação de uma cultura” [4]. A Igreja, como era de esperar, varreu do mapa as antigas celebrações pagãs pelo culto cristão, transformando templos dedicados a falsos deuses em basílicas para nosso Senhor Jesus Cristo. É o caso do Panteão e da Basílica de Nossa Senhora sobre Minerva, em Roma, símbolos concretos da vitória de Cristo sobre o paganismo. Ninguém ajuizado diria que a mesquita construída sobre o Templo de Salomão, em Jerusalém, é um templo sincretista para muçulmanos e judeus. Faz parte de uma religião suplantar o culto adversário. A Igreja fez isso com o paganismo.

Vale lembrar ainda que, após o Concílio de Niceia, Constantino assumiu o partido dos arianos. Se a Igreja, de fato, estivesse amarrada aos ideais do imperador, nós estaríamos hoje rezando o credo herético de Ário, e não o niceno-constantinopolitano. As acusações contra o Natal não batem minimamente.

Uma conspiração natalina?

Já comentamos aqui um artigo de Monsenhor Nicola Bux que prova como a data de 25 de dezembro tem bases bíblicas e históricas. Recomendamos aos nossos leitores que assistam ao vídeo abaixo, que responde se “Jesus nasceu mesmo no dia 25 de dezembro”:

Importa agora desfazer outras afirmações absurdas. Para provar que o Natal é uma festa pagã, muitos recorrem à técnica das “religiões comparadas” e afirmam que, no mesmo período, outras festividades pagãs aconteciam, como a “festa de Mitra”, a “festa da Saturnália” ou do “Sol Invicto”. Portanto, todas essas festividades na mesma data indicam que o Natal é uma celebração igualmente pagã de culto ao demônio. Trata-se de um raciocínio “irretocável”: dadas duas coisas, se ambas coincidem em algum aspecto, é porque são idênticas em todos… Se, portanto, ao tempo do Natal se celebravam quiçá outras festas pagãs, é porque o Natal era, também ele, uma festa do gênero.

Ainda a respeito da comparação entre religiões politeístas e o cristianismo, Chesterton observava o seguinte [5]:

A religião comparada é de fato muito comparativa. Quer dizer, é a tal ponto uma questão de grau que apenas comparativamente ela é bem-sucedida quando tenta comparar. Quando a examinamos de perto, descobrimos que ela compara coisas que são realmente incomparáveis.

O Natal é realmente incomparável a quaisquer festas pagãs, e apenas uma pessoa com visão muito distorcida pode metê-las no mesmo saco. No Natal, não celebramos “tempo de colheita” nem adoramos algum corpo celeste, senão o Corpo do Menino Jesus, o Filho de Deus encarnado que veio a este mundo para dar à nossa vida um rumo decisivo. A diferença é abissal.

Além disso, a “festa da Saturnália” ocorria de 17 a 22 de dezembro comumente. Pela lógica, o Natal então deveria ser celebrado nesse período, e não em 25 de dezembro. Não faz sentido, como também não faz sentido a ideia de que a “festa do Sol Invicto” seja a base para o Natal cristão. Aquela festividade pagã foi instituída no tempo do imperador Juliano, o Apóstata, justamente para combater a Igreja Católica. “O imperador procurou restabelecer e reformar a religião idólatra, dando-lhe no neoplatonismo um novo fundamento e imitando várias instituições que viera a conhecer no cristianismo”, explica Frei Dagoberto Romag [6]. Tratava-se, portanto, de dois eventos antagônicos, não coincidentes.

Na verdade, os bons exegetas observaram que no dia do Natal cristão também se celebrava a Dedicação do Templo de Jerusalém, conforme a prescrição de Judas Macabeu em 164 a.C. “A coincidência de datas”, diz Bento XVI, “significaria então que com Jesus, que apareceu como luz de Deus na noite, se realiza deveras a consagração do templo, o Advento de Deus nesta terra”.

Insiste-se, por outro lado, que o nascimento de Jesus em 25 de dezembro é improvável porque, nesse período, é inverno na Palestina, e o Evangelho de São Lucas registra a existência de pastores cuidando de suas ovelhas à noite (2, 8). 

É preciso recordar, porém, que a Palestina não é a Inglaterra ou a Rússia. Esses pastores provavelmente trabalhavam numa região que fica à leste de Belém, onde a temperatura costuma ser mais amena, por estar mais próxima do mar Morto. Além disso, eles costumavam agrupar o rebanho num mesmo redil durante a noite, cabendo aos pastores revezar-se em turnos para vigiá-lo. Além disso, Taylor Marshall explica que Belém está numa latitude semelhante à da cidade de Dallas, nos Estados Unidos, onde no inverno se pode sair de shorts e regatas normalmente. (Talvez não nós, brasileiros, acostumados ao calor intenso o ano todo.)

Para espanto de qualquer historiador, há também quem se lance contra a existência histórica de São Nicolau e insinue que a árvore de Natal seja um “objeto pagão”. Um pouco mais de atenção, no entanto, nos revelaria o zelo e a piedade verdadeiros do valente bispo de Mira, como também a milagrosa vitória de São Bonifácio sobre o ídolo nórdico Thor, da qual surgiu a tradição da árvore de Natal. Foi justamente por ter derrubado a árvore do falso “deus do trovão” que São Bonifácio instituiu a “árvore do Menino Jesus”.

Além dos livros, essas informações estão aí à disposição, na internet. É só procurar no lugar certo.

Um conto de Natal

Está na boca do povo a possibilidade de uma Terceira Guerra Mundial. Talvez nos interessasse saber, portanto, que, durante a Primeira Guerra Mundial, soldados alemães e ingleses decidiram estabelecer uma trégua para celebrarem juntos o nascimento do Menino Jesus. Houve uma Missa, eles enterraram os mortos, repartiram o pão, trocaram presentes e jogaram uma partida de futebol. Por alguns dias, a solenidade católica do Natal foi capaz de neutralizar o mais sangrento combate até então, tocando o coração duro daqueles soldados. A história virou um filme chamado “Feliz Natal”.

De fato, se os homens se detivessem mais diante do Menino Jesus, certamente não precisaríamos temer outro conflito mundial. Na liturgia natalina, a Igreja prepara os fiéis espiritualmente, durante as semanas do Advento, para que recebam Cristo em suas vidas, porque “Cristo é a nossa paz, ele que de dois povos fez um só” (Ef 2, 14). É preciso, portanto, “que tenham um coração unânime os que foram recriados segundo a mesma imagem”, diz São Leão Magno [7]. Daí toda a tradição das novenas, das Antífonas do Ó, das Têmporas e das decorações com luzes, árvore e, sobretudo, um presépio.

Mas os arautos da divisão dos cristãos não querem celebrar o Natal, não se alegram pela Encarnação do Menino Deus, porque acreditam ser uma “festa pagã”. Com isso, eles transformam a noite feliz em uma noite qualquer, sem sentido nem significado, apenas para refeições e outros prazeres mundanos; e não percebem que quem está levando o Natal para o paganismo são eles mesmos e os que comungam de suas ideias.

Essa, sim, é a verdade. Doa a quem doer.

Referências

  1. Adolf von Harnack. Aus Wissenschaft und Leben, vol 1. Giessen, A. Topelmann, 1911, p. 97.
  2. Idem.
  3. Christopher Dawson. A formação da cristandade. São Paulo: É Realizações, 2014, p. 216.
  4. Ibidem, p. 230.
  5. G. K. Chesterton. O homem eterno. Cajamar: Mundo Cristão, 2010, p. 95.
  6. Frei Dagoberto Romag. Compêndio de História da Igreja: a antiguidade cristã. Petrópolis: Vozes, 1949, p. 181.
  7. São Leão Magno, Sermo 6 in Nativitate Domini, 2-3, 5: PL 54, 213-216.

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E a liberdade de expressão?
Sociedade

E a liberdade de expressão?

E a liberdade de expressão?

O recente episódio judicial envolvendo o grupo “Porta dos Fundos” ilustra como a “liberdade de expressão” tem servido para atacar a verdade e fazer com que o vil pareça belo, a estupidez vire ciência e a canalhice se confunda com o humor.

Equipe Christo Nihil Praeponere31 de Dezembro de 2019Tempo de leitura: 5 minutos
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Prestem bem atenção nestas palavras: “Os idiotas que antigamente se calavam estão hoje com a palavra, possuem hoje todos os meios de comunicação”. Apesar de tão atuais, elas foram escritas em 1970 pelo jornalista católico Gustavo Corção, que observava atônito a decadência aviltante dos ditos “intelectuais”, cujas ideias ganhavam cada vez mais espaço na mídia.

Na última semana, a polêmica sobre o “Especial de Natal” produzido pelo grupo Porta dos Fundos ganhou mais um capítulo dramático: a Justiça concluiu que, sim, é possível zombar do cristianismo, é legítimo tripudiar sobre a fé de milhões de cidadãos brasileiros. Pecado mesmo é a “censura”, a “intolerância”, o “fundamentalismo”. Dêem-se, pois, aos zombadores palcos, microfones, holofotes e prêmios. Não importa quão medíocre seja o conteúdo. Eles possuem todos os meios de comunicação.

No fundo, essa celeuma diz respeito a um problema sério acerca da “liberdade de expressão”, sob cujo pretexto não só os membros do Porta dos Fundos, mas uma porção de gente se esconde para dar vazão ao que quer que lhe dê na telha. Eles insultam o bom senso. Sim, mas e a liberdade de expressão? Eles agridem a honra e a dignidade alheia. Sim, mas e a liberdade de expressão? Eles espalham mentiras e defendem criminosos. Sim, mas e a liberdade de expressão? Aos poucos, tal balbúrdia vai deixando o imaginário das pessoas confuso e incapaz de distinguir a realidade da fantasia, o certo do errado, a verdade da mentira, o belo do feio, o digno do indigno.

Notem, por exemplo, o que aconteceu recentemente à escritora J. K. Rowling. A autora de Harry Potter, que sempre defendeu bandeiras liberais, acabou provando do próprio veneno ao querer, até que enfim, defender uma coisa óbvia: que o sexo biológico é real. No fim das contas, ela viu seu legado ameaçado pela milícia do gênero, que passou a considerá-la uma “transfóbica”. É isso mesmo. Rowling, que já defendeu a homossexualidade do personagem Dumbledor, é agora a mais nova inimiga do movimento gay. Pecknold, articulista do Catholic Herald, resumiu assim a questão: “Uma vez que os ideólogos de gênero não têm ao seu lado a verdade, eles continuarão procurando bruxas — e livros — para queimar”.

A situação parece ridícula, mas põe a descoberto as consequências de uma liberdade mal entendida. É claro que todo ser humano tem o direito de expor suas ideias em matéria de cultura, esporte, política, religião etc. Porém, esse direito deve ter limites, responsabilidades, compromissos. Do contrário, a própria liberdade fica doente pelo engano, e o homem vira refém da mentira.

“Porventura dirá alguém que se podem e devem espalhar livremente venenos ativos, vendê-los publicamente e dá-los a tomar, porque pode acontecer que, quem os use, não seja arrebatado pela morte?”, perguntava o Papa Gregório XVI a quem defendia “o direito de trazer-se à baila toda espécie de escritos” (Mirari vos, n. 11). E o que é, senão lixo e veneno, o que grande parte da livre imprensa tem dado de beber todos os dias às nossas famílias? É ou não é verdade que as estações de rádio, os canais de televisão e a internet estão cheios de materiais baixos, que ofendem a dignidade humana? 

Sem dúvida, temos de concordar com a denúncia de Pio IX na encíclica Quanta Cura: esses homens “não pensam nem consideram que com isso pregam a liberdade de perdição, e que, se se dá plena liberdade para a disputa dos homens, nunca faltará quem se atreva a resistir à Verdade” (n. 3). Mais de um século após a publicação desse documento, temos visto a consumação do que Bento XVI chamou “a ditadura do relativismo”, isto é, a negação contumaz da verdade para fazer valer um falso “pluralismo de ideais” e uma errônea “liberdade de expressão”. Sim, eles se atrevem a resistir à verdade e, com isso, escravizam toda a população sob a tirania da opinião dominante, da imprensa marrom e da ideologia política.

Não, senhores, a Igreja não defende nenhuma espécie de AI-5. Ela apenas adverte seus filhos de que veneno é veneno. Ou seja, a mentira não pode gozar dos mesmos privilégios da verdade, não pode ser considerada digna de atenção e prestígio, não deve ser aplaudida e ostentada como “coroa de glória”. E por um motivo muito simples: quando o mentiroso se converte em herói, é o honesto que se torna vilão. Isso é tão claro e óbvio que mesmo o escritor Machado de Assis, que por muitos é tido como ateu, soube reconhecer a necessidade da encíclica de Pio IX e louvá-lo por sua coragem: “O débil velho não se assusta; toma friamente a pena e lança contra o espírito moderno a mais peremptória condenação. É positivamente arriscar a tiara”.

Mas o “espírito moderno” não deu ouvidos ao “débil velho”, não quis ouvir a sabedoria dos avós, preferindo lançar-se às novidades do último charlatão. E agora temos o vil como arte, a estupidez erigida em ciência e a canalhice convertida em humor. Tudo em nome da “liberdade de expressão”. Para completar o espetáculo do Porta dos Fundos, só lhe faltava alguém insano o suficiente (que não, não era cristão) para desferir o golpe que o tornaria “mártir”. É provável que o grupo ganhe o próximo Emmy por isso. Porque, no fim das contas, “em toda a parte os malvados andam soltos”, diz o salmista, “porque se exalta entre os homens a baixeza” (11, 8).

Jornais do país todo logo se apressaram a associar o atentado à sede do Porta dos Fundos aos “cruéis cristãos” que não sabem rir de uma piada. Mais uma mentira. Já rimos muito com as críticas duras de O Auto da Compadecida e não deixamos de reconhecer a importância de um filme como Spotlight. O próprio senhor Porchat, membro do grupo, sempre se sentiu muito seguro para zombar daqueles que ele insiste em atacar dia sim, dia também. “Eu, por exemplo, não faço piada com Alá e Maomé, porque não quero morrer! Não quero que explodam a minha casa só por isso”, já declarou ele.

Em 1970, Gustavo Corção concluía sua crônica de modo melancólico, profetizando que, diante da onda liberal, uma nova leva de autores pseudointelectuais surgiria futuramente, e ainda mais obstinada em seus erros. “De repente, em certo ângulo da história, mercê de algum gás novo na atmosfera, ou de algum fator ainda não deslindado, os idiotas amanheceram novos e confiantes”, lamentava. E, de fato, ele tinha razão.

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