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“Definitivamente satânica”: um exorcista fala da ideologia de gênero
Sociedade

“Definitivamente satânica”: um
exorcista fala da ideologia de gênero

“Definitivamente satânica”: um exorcista fala da ideologia de gênero

Este exorcista está convencido de que “a forma como essa coisa de gênero tem se espalhado é demoníaca”, por mais que as pessoas não enxerguem, ou se recusem a fazê-lo.

Equipe Christo Nihil Praeponere30 de Novembro de 2018
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Crianças “treinadas” desde cedo para “descobrir” a própria sexualidade ou questionar o próprio “gênero”, pais punidos pelo Estado por não aceitar que seus filhos recebam a “educação sexual” tendenciosa da escola, programas de TV cada vez mais abertamente ideológicos e pervertidos, inclusive para o público infantil… A lista de investidas que os ideólogos de gênero têm promovido nos últimos anos, em todas as áreas, parece não ter mais fim. Talvez seja necessário, em um futuro próximo, isolar-se numa caverna para escapar à sua influência.

Um episódio recente de promoção dessa agenda — protagonizado pela famosa cantora Celine Dion, cuja posição favorável à família e contra o divórcio já foi elogiada em outros tempos por sítios católicos — acendeu o alerta de muitos para o poder de sedução e de manipulação dessa ideologia. A artista fez campanha para a linha internacional de roupas infantis “NuNuNu”, inaugurando uma marca com a finalidade de “liberar as crianças dos papéis tradicionais de menino e menina”.

Não fosse isso o suficiente, a empresa em questão tem em seu histórico um mural de fotos para lá de controverso, com máscaras sem rosto, espelhos refletindo caveiras, bodes segurando livros infantis, crianças com tatuagens de piratas e anéis sombrios.

Para o monsenhor John Esseff, padre há 65 anos e exorcista experiente, que conversou com a escritora católica Patti Armstrong, colunista de National Catholic Register, “a forma como essa coisa de gênero tem-se espalhado é demoníaca”. O sacerdote exerce seu ministério na diocese de Scranton, no estado norte-americano da Pensilvânia, já foi diretor espiritual de Santa Teresa de Calcutá e ajudou a fundar e dirigir um instituto de formação para exorcistas.

“Quando uma criança nasce”, ele se pergunta, “quais as primeiras coisas que se dizem dela? Que é um menino ou que é uma menina. É a coisa mais natural do mundo de se dizer. Dizer que não há nenhuma diferença, ao contrário, é algo satânico. Eu não sei nem mesmo quantos gêneros deve haver agora, mas há apenas dois criados por Deus.”

Ainda que o demônio esteja em guerra com a humanidade desde o princípio, o padre John destaca que os ataques satânicos neste período da história têm-se tornado mais intensos. “O maligno sente que, de alguma forma, ele pode fazer essas coisas sem ser reconhecido. Ele é um mentiroso, e há grandes mentiras sendo contadas.”

Diante das fortes declarações do exorcista, houve quem sugerisse na internet que religiosos contrários à ideologia de gênero estariam acusando de “satanismo” a cantora Celine Dion. De fato, tanto o comercial quanto a marca apoiada por ela encontram-se repletos de elementos sombrios e perturbadores. Mas, ainda que não fosse o caso, nem por isso a proposta veiculada se tornaria menos perigosa. Muito pelo contrário, quanto mais disfarces usa o demônio, maior o seu poder de infiltração e conquista.

Trata-se, a propósito, de um grande erro da nossa época em relação ao mal: achar que a ação do demônio limita-se a rituais ocultistas, a possessões ou a manifestações malignas evidentes e indisfarçáveis. Não, o que o sacerdote acima está alertando é que Satanás age de modo sutil, muitas vezes “sem ser reconhecido”.

Como consequência de as pessoas não mais acreditarem na Verdade, não mais terem fé na Revelação divina, não mais levarem a sério o Credo e os preceitos da religião cristã, não mais escutarem a Palavra de Deus, elas acabam dando ouvidos às mentiras e ilusões do inimigo de Deus — entre as quais se inclui justamente a ideologia de gênero.

O Papa Bento XVI notou certa vez, com perspicácia, que por trás dessa ideia de que, à parte sua sexualidade como dado natural, o ser humano poderia moldar como bem entendesse o seu “gênero”, está uma “revolução antropológica”, uma noção não só herética de humanidade, mas avessa à própria razão natural. Não estivessem já confundidos pelas ideologias e obstinados em sua malícia, os homens de nossa época seriam facilmente curados com uma simples aula de catequese. Se desde crianças tivessem aprendido que o ser humano é corpore et anima unus — “uno de corpo e alma”, na expressão do Catecismo (n. 362) —, não se deixariam enganar por uma ideia tão maluca e distante tanto do bom senso quanto da realidade das coisas.

Ideias como essa, no entanto, não são apenas “mentirinhas” de mau gosto, contos sem nenhuma influência no dia-a-dia das pessoas… Quantas vidas não foram e não estão sendo “transtornadas”, no sentido mais literal da palavra, por uma teoria supostamente “científica” e com ares de modernidade!

Ponhamos de vez em nossa cabeça: a falta de fé e, com ela, as heresias e apostasias de nosso tempo não são inofensivas, ao contrário do que nossa época liberal tem sido levada a acreditar. Não é preciso invocar espíritos maus ou praticar rituais satânicos para estar a serviço do Anticristo. Na verdade, nunca foi tão fácil pertencer a esse corpo maligno que, “macaqueando” o Corpo místico de Cristo, a Igreja, constrói um verdadeiro império, e de proporções mundiais.

Se Santo Tomás de Aquino já falava, no século XIII, do Anticristo como cabeça dos maus (cf. Suma Teológica, III, q. 8, a. 8), nunca como agora esse organismo teve contornos tão nítidos, tão visíveis e tão… humanos. Na educação, nos governos civis, nos meios de comunicação, o satânico está por toda parte — e a ideologia de gênero é apenas um instrumento, muito poderoso e destruidor, desse sistema perverso.

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A paz é dos que temem a Deus
Espiritualidade

A paz é dos que temem a Deus

A paz é dos que temem a Deus

Neste mundo, é mais desejável e promissora a agitação dos “que estão acordados e vêem o perigo” de o barco afundar, do que a tranquilidade “fria, autossuficiente e orgulhosa” dos que não temem a Deus.

Beato John Henry NewmanTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere29 de Novembro de 2018
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Não hesitarei em expressar aqui minha firme convicção de que seria um ganho para este país se ele fosse muito mais supersticioso, mais intolerante, mais sombrio, mais violento em sua religião do que no presente ele tem demonstrado ser.

Não que eu considere desejáveis, é claro, os temperamentos aqui implicados, o que seria um evidente absurdo. Mas os considero infinitamente mais desejáveis e promissores do que uma obstinação pagã e uma tranquilidade fria, autossuficiente e orgulhosa.

Sem dúvida, a paz de espírito, uma consciência tranquila e um semblante alegre são um dom do Evangelho e o sinal de um cristão. Mas os mesmos efeitos (ou melhor, o que parecem ser os mesmos efeitos) podem advir de causas bem diferentes. Jonas dormiu em meio à tempestade, e o mesmo fez Nosso Senhor; mas um dormiu em uma segurança má, e o Outro na “paz que supera todo entendimento”. Os dois estados não podem ser confundidos; são perfeitamente distintos um do outro. Do mesmo modo, são distintas a calma do homem mundano e a do cristão.

Jonas e o grande peixe.

Considerai agora o exemplo dos tripulantes a bordo do navio. Eles gritaram a Jonas: “Que fazes aqui, dorminhoco?”, como também os Apóstolos disseram a Cristo: “Senhor, estamos perecendo.” Eis o caso dos supersticiosos: eles situam-se entre a falsa paz de Jonas e a verdadeira paz de Cristo; estão melhores do que aquela, ainda que estejam muito aquém desta.

Aplicando isso à atual religião do mundo civilizado, cheia como está de segurança e alegria, de decoro e benevolência, noto que essas características podem advir tanto de muita religião quanto de sua ausência; podem ser fruto de uma mente superficial e de uma consciência cega, ou daquela fé que está em paz com Deus por meio de Nosso Senhor Jesus Cristo.

De minha parte, vendo o que eu vejo do mundo, não tenho dúvidas de que o gênio de nossa época provém do sono de Jonas; e de que ele não passa, portanto, de uma fantasia de religião, muito inferior em dignidade ao alarme bem fundado dos supersticiosos, que estão acordados e vêem o perigo, ainda que não estejam tão avançados na fé a ponto de abraçar-lhe o remédio.

Eu não gostaria de ser duro, mas sabendo que “o mundo jaz no maligno”, considero altamente provável que vós, tanto quanto estais no mundo (como deveis estar, e nós todos estamos em alguma medida), estais, a maioria de vós, parcialmente infectados com esse seu erro, com essa religiosidade superficial, que é o resultado de uma consciência cega; e, por isso, eu me dirijo seriamente a vós. Acreditando na existência de uma praga geral na terra, julgo que vós provavelmente tendes vossa parte nos sofrimentos, os sofrimentos voluntários, que ela está espalhando entre nós.

O temor de Deus é o princípio da sabedoria: se vós, pecadores como sois, não O virdes como um fogo devorador e não vos aproximardes dEle com reverência e santo temor, não podereis sequer ver a porta estreita. Não quero que me indiqueis nenhum tempo particular de vossas vidas em que renunciastes ao mundo (como se costuma dizer) e vos convertestes. Isso é um engano. Temor e amor devem andar juntos; sempre o temor, sempre o amor, até o dia de vossa morte.

Sim, vós deveis saber o que é semear em lágrimas aqui, se quiserdes ceifar alegria na outra vida. Se não conhecerdes o peso de vossos pecados — e isso não apenas na mera imaginação, mas na prática; não apenas confessando-o em uma frase formal de lamentação, mas diariamente e no segredo do vosso coração —, não podereis abraçar a oferta de misericórdia que vos é prometida no Evangelho, por meio da morte de Cristo. Se não souberdes o que significa temer junto com os tripulantes aterrorizados ou com os Apóstolos, não podereis dormir com Cristo aos pés de vosso Pai celeste.

Por mais miseráveis que fossem as superstições das idades sombrias, por mais revoltantes que fossem as torturas agora comuns entre os pagãos do Oriente, melhor, muito melhor é torturar o próprio corpo todos os dias e fazer desta vida um inferno sobre a terra do que permanecer em uma breve tranquilidade aqui, até que a cova se abra larga abaixo de nós e nos desperte para uma consciência infrutífera e um remorso eternos. Pensai nas próprias palavras de Cristo: “Que pode dar o homem em troca de sua alma?” Novamente Ele diz: “Temei aquele que, havendo separado a alma do corpo, tem o poder de precipitar a um e a outro no inferno; sim, eu vos digo, a este temei.”

Não ouseis pensar que haveis chegado ao lugar mais profundo de vossos corações, pois vós não sabeis o mal que aí se oculta. Quanto tempo e com que sinceridade não deveis rezar, quantos anos não deveis passar em cuidadosa obediência, antes que tenhais qualquer direito a pôr de lado a tristeza e a exultar no Senhor? Em certo sentido podeis, de fato, consolar-vos com isso, pois, embora não ouseis ainda supor que estais no número dos reais eleitos de Cristo, a partir disso sabereis que Ele deseja vossa salvação, que Ele morreu por vós, que Ele lavou vossos pecados pelo Batismo e sempre vos ajudará; e esse pensamento vos deve alegrar, enquanto examinais e repassais vossas vidas e vos voltais para Deus em espírito de sacrifício.

Ao mesmo tempo, porém, enquanto estiverdes aqui, não podereis jamais estar certos da própria salvação e deveis, portanto, sempre temer enquanto tendes esperança. Vós conheceis cada vez mais os vossos pecados à medida que vedes a misericórdia de Deus em Cristo. E é este o verdadeiro estado cristão, bem como a melhor forma de aproximar-se do sono calmo e sereno de Cristo em meio à tempestade: não alegria perfeita e certeza do Céu, mas profunda resignação à vontade de Deus, entrega de nós mesmos a Ele, de corpo e alma; na esperança de que seremos salvos, sim, mas fixando nossos olhos mais sinceramente nEle do que em nós, isto é, agindo para a glória de Deus, procurando agradá-lO e dedicando-nos a Ele com obediência varonil e valorosas boas obras; e, então, ao olharmos para o nosso interior, pensando em nós mesmos com uma certa aversão e desprezo por sermos pecadores, mortificando nossa carne, contrariando nossos apetites e esperando tranquilamente aquele dia em que, se formos dignos, seremos despojados do nosso presente “eu” e renovados no Reino de Cristo.

Referências

  • Trecho do sermão “The Religion of the Day”, traduzido e levemente adaptado de “Parochial and Plain Sermons”, do B. John Henry Newman, v. 1, Longmans, Green and Co., London, 1907, pp. 320-324 (c. 24).

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“Rei de tremenda majestade”
Liturgia

“Rei de tremenda majestade”

“Rei de tremenda majestade”

Celebrar a solenidade de Cristo Rei, ao fim do ano litúrgico, é celebrar o “Rei de tremenda majestade” diante do qual inevitavelmente teremos de comparecer ao término de nossa vida terrestre. Preparemo-nos!

Equipe Christo Nihil Praeponere23 de Novembro de 2018
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O que significa celebrar, ao fim do ano litúrgico, a solenidade de Cristo, Rei do Universo?

Para responder a esta questão, poderíamos repassar algumas das preciosas lições da encíclica Quas Primas, de 11 de dezembro de 1925, com a qual o Papa Pio XI estabeleceu para o mundo inteiro essa festa litúrgica. Poderíamos lembrar, por exemplo, que embora o reino de Cristo seja “principalmente espiritual” e se refira “às coisas espirituais” (n. 10), “erraria gravemente aquele que negasse a Cristo-homem o poder sobre todas as coisas humanas e temporais” (n. 11).

Poderíamos comentar a causa histórica dessa instituição: o crescimento do laicismo, que persegue os cristãos e condena-os a guardarem a sua fé em uma gaveta, sob a alegação de que “o Estado é laico”. Poderíamos citar, então, como em 1925 o mundo acabava de sair da Primeira Guerra Mundial e assistia à ascensão de governos fortemente contrários à Igreja e a sua missão espiritual; como nessa época surgiram o nacional-socialismo na Alemanha, o fascismo na Itália, o socialismo na Rússia e no leste da Europa, sem falar do regime anticlerical de Plutarco Elías Calles no México, que deu origem à Guerra dos Cristeros.

Mas, como o próprio Pio XI reconhece no documento em questão:

Mais do que os documentos solenes do Magistério eclesiástico, têm eficácia na informação do povo nas coisas da fé e no levantá-lo às alegrias interiores da vida as festividades anuais dos sagrados mistérios. Os documentos, o mais das vezes, são tomados em consideração por poucos homens eruditos, as festas, porém, comovem e ensinam a todos os fiéis; aqueles só falam uma vez, esses, porém, por assim dizer, todo ano e em perpétuo; aqueles impressionam, de maneira salutar, sobretudo a mente, estas, porém, não só a mente mas também o coração, enfim todo o homem. Na verdade, sendo o homem composto de alma e de corpo, precisa ser solicitado pelas solenidades exteriores, de forma que pela variedade e beleza dos ritos sagrados, receba no ânimo os ensinamentos divinos e, convertendo-os em substância e sangue, sirvam-lhes ao progresso de sua vida espiritual (n. 13).

Sendo nós compostos, portanto, de corpo e alma, e podendo ter acesso às riquezas da liturgia católica pelo menos através da internet, deixemo-nos solicitar “pela solenidades exteriores” com que a Igreja desde sempre adornou o culto divino:

No vídeo acima, extraído da composição de Mozart para a Missa de Exéquias, a orquestra impressiona-nos com um canto a Jesus Cristo, “Rei de tremenda majestade”. Rex treméndae maiestátis, qui salvándos salvas gratis, salva me, fons pietátis, diz o texto litúrgico. “Rei de tremenda majestade, que de graça salvais os que devem ser salvos, salvai-me, fonte de piedade”.

A sequência Dies irae, da qual é retirada esta breve oração, está presente na Missa pelos defuntos da Forma Extraordinária do Rito Romano. Na Forma Ordinária, porém, ainda é possível cantá-la como hino facultativo na última semana da Liturgia das Horas (a sua composição para o canto gregoriano pode ser ouvida e aprendida aqui). Em episódio do programa “Ao vivo com Pe. Paulo”, já tivemos a oportunidade de meditar sobre esse hino completo.

Celebrar a solenidade de Cristo Rei, ao fim do ano litúrgico, é celebrar o “Rei de tremenda majestade” diante do qual compareceremos ao término de nossa passagem neste mundo. O belo arranjo de Mozart pode nos ajudar a ter uma noção (ainda que muito insipiente) do que será esse encontro terrível e ao mesmo tempo consolador entre a misericórdia divina e a grande miséria que somos nós.

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“Aos 10 anos, tive meu primeiro contato com pornografia”
Testemunhos

“Aos 10 anos, tive meu
primeiro contato com pornografia”

“Aos 10 anos, tive meu primeiro contato com pornografia”

Aluna conta sua experiência com o mal terrível da pornografia, por influência de amigas, e fala dos efeitos colaterais que isso deixou em sua alma, sequelas das quais ela procura se livrar até hoje.

Equipe Christo Nihil Praeponere23 de Novembro de 2018
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Padre Paulo Ricardo,

Quando ouvi o senhor falar sobre a idade média com que as crianças estão sendo expostas a pornografia nos Estados Unidos (11 anos), lembrei de mim mesma quando, aos 10 anos, tive contato pela primeira vez com esse mal terrível.

Moro na mesma cidade e na mesma casa, desde que nasci, e a maioria da vizinhança também é a mesma. Naquela época, eu e as demais crianças do conjunto brincávamos juntas, praticamente todos os dias, de casinha, de boneca, jogando bola na rua e outras brincadeiras saudáveis de que toda criança brinca. Havia duas irmãs, muito amigas minhas, que tinham um irmão mais velho e, certo dia, elas encontraram revistinhas pornográficas (mangás eróticos japoneses) no quarto dele.

Elas esconderam as revistas e, quando eu estava na casa delas, vieram me mostrar o achado. No primeiro momento foi um choque ver tudo aquilo, mas, com o passar das semanas, eu só ia à casa delas para ficarmos vendo aquilo, por longas horas. Toda vez tinha revistas diferentes, pois o irmão trocava com outros colegas, que também tinham coleções. A ansiedade tomava conta de mim e, sem perceber, eu já estava viciada.

Depois de um tempo, nós não nos contentávamos mais em somente ver, mas sim em “brincar de fazer sexo” (uma colocava uma toalha dentro da calça para fingir que era um homem, enquanto as outras ficavam deitadas). Que vergonha!

Bem, eu não lembro exatamente quanto tempo isso durou, mas o processo de cura e libertação desse mal se iniciou quando o próprio irmão das meninas flagrou a gente em uma dessas “brincadeiras”. Foi uma das situações mais constrangedoras e pavorosas que eu já passei em toda a minha vida, mas foi extremamente necessária! Eu fui para casa imediatamente, porque ele me expulsou de lá e, no outro dia, a mãe delas contou o ocorrido para os meus pais, que brigaram muitíssimo comigo e eu chorei um “mar de lágrimas”…

Em um segundo momento, dando continuidade a esse processo de cura, eu estava em casa, pela manhã, brincando na sala. Minha mãe sempre ouvia uma rádio católica daqui e o programa do padre Marcelo Rossi estava começando e eu continuei brincando. Em um dado momento, ele começou a descrever que uma menina, ainda criança, estava enfrentando um problema com a pornografia e meu coração disparou. Ele foi rezando e meu coração palpitava ainda mais forte, e eu tinha certeza que era comigo. Fechei os olhos e rezei também! E ali mesmo, na sala, senti o próprio Cristo me chamando a caminhar com Ele e a não sair de seus caminhos. Foi o meu querigma!

Deus me livrou de um mal ainda maior, pois eu nunca me masturbei, nem naquelas “brincadeiras” e nem depois, apesar de as tentações terem sido enormes. Foi a mão dEle que segurou a minha, literalmente. Hoje continuo virgem, com grande alegria, e rezando pela minha vocação!

No entanto, tenho consciência de que fiquei com sequelas, pois me sentia excitada com muita facilidade e frequência, tinha pensamentos impuros até na hora da Santa Missa, nos momentos em que eu fechava os olhos, o que me fazia sofrer muito. Eu pedia para que Jesus me curasse daquilo, pois eu não podia recebê-Lo com o coração tão cheio de tudo aquilo! Sei que foi Ele que me deu a força e a graça necessárias para que eu fosse afastada daquelas cenas terríveis, que me machucaram tanto…

Ouvindo tudo o que o senhor falou no curso “O Mal da Pornografia e da Masturbação”, lembrei do que passei e não tive como deixar de escrever. Entendo como as pessoas sofrem com esse mal terrível que é a pornografia, ainda mais no mundo de hoje no qual, como o senhor disse, “a gente olha para um outdoor e só furando os olhos para não ver”!

Hoje estou mais madura, tanto na fé, quanto na razão. Mas, se eu não rezar e não vigiar quanto ao que vejo e ouço, a excitação que sinto é algo que me surpreende, mesmo depois de tanto tempo!

Sou filha de pais semianalfabetos, muito simples e católicos. Eles me passaram e passam muitos valores, muitos ensinamentos, me colocaram bem cedo na catequese, mas nunca falaram sobre sexo para nós (tenho um irmão mais novo). Entretanto, não foi culpa deles, de forma nenhuma, esse acontecimento, pois mesmo não falando sobre o assunto, eles nunca nos deixaram assistir a novelas (até hoje!), porque diziam que “não é coisa de Deus”; não nos deixavam dormir tarde e nem assistir a filmes violentos, porque estavam nos protegendo… E como eu agradeço a Deus por eles, todos os dias, de joelhos, por terem me dado a vida e a base para seguir na fé católica apostólica romana, na qual encontro meu verdadeiro bem, meu caminho de felicidade, meu amor maior: Jesus Cristo!

Hoje sou católica praticante, muito ativa na minha comunidade paroquial e participante de Missas, quase que diárias. O seu apostolado entrou na minha vida em outro momento muito difícil pelo qual passei, há uns três anos. Quem sabe um dia eu ainda mande esse outro testemunho…

Deus lhe dê muita saúde, padre, e que o senhor continue transbordando esse amor e esse zelo pelo Cristo! Muito obrigada, muito obrigada mesmo pelo que o senhor faz e se deixa fazer!

Abraço fraterno!
Com carinho e orações,
S. O.

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