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Consagração a Nossa Senhora, um caminho de santidade
Virgem Maria

Consagração a Nossa Senhora,
um caminho de santidade

Consagração a Nossa Senhora, um caminho de santidade

Quem quer ser santo, mais que amar Nossa Senhora, deve devotar-lhe toda a sua vida.

Padre Paulo Ricardo17 de Outubro de 2014Tempo de leitura: 2 minutos
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Os verdadeiros devotos de Nossa Senhora devem amá-la não simplesmente com um amor humano, mas com amor teologal, amor caridade, por causa de Deus, de modo que, quando louvem Maria e contemplem suas virtudes, Deus seja amado e glorificado.

Mas, por que, afinal de contas, consagrar-se à Virgem Santíssima? É preciso lembrar que “consagração" é o nome curto dessa devoção, cujo nome completo é “consagração a Jesus Cristo, a Sabedoria encarnada, pelas mãos de Maria". Ou seja, a entrega é feita a Nosso Senhor, por meio de Sua mãe. Não se faz a consagração “diretamente" a Jesus porque Ele mesmo, na Cruz, inaugurou a mediação maternal de Maria, quando disse a São João: “Eis a tua mãe", e a Maria: “Mulher, eis o teu filho". O Autor Sagrado escreve que “a partir daquela hora, o discípulo a acolheu no que era seu", tomando-a intimamente para si (Jo 19, 27). Por isso, os cristãos se entregam de modo total a Maria, repetindo o que também foi o lema do pontificado de São João Paulo II: “Totus tuus ego sum, Maria, et omnia mea tua sunt – Sou todo teu, Maria, e tudo o que é meu pertence a ti".

Ao longo da história da Igreja, no entanto, começaram a aparecer devotos críticos e escrupulosos, tachando os piedosos atos de amor a Nossa Senhora de “indiscretos" ou “exagerados". Na França de São Luís de Montfort, os jansenistas chegaram a distribuir vários panfletos contendo “advertências" contra os “excessos" de amor à Mãe de Deus.


Para se defenderem, esses críticos dizem que o próprio Jesus tratava com desprezo Sua mãe [1]. Nada mais falso. Se é verdade que Nosso Senhor “quis humilhá-la e escondê-la durante a vida para favorecer a sua humildade" [2], como testemunham as próprias Escrituras (cf. Mt 19, 16-19), também é certo que, após ascender aos céus e glorificar Consigo Sua mãe, passou a cumprir-se a profecia do Magnificat de que “doravante, todas as gerações hão de chamar-me bem-aventurada" (Lc 1, 48), e também a visão do Apocalipse de São João: “Então apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida com o sol, tendo a lua debaixo dos pés e, sobre a cabeça, uma coroa de doze estrelas" (Ap 12, 1).

Jesus escondeu a Sua mãe nesta terra para elevá-la à glória no Céu. Assim fez Consigo e também assim fará conosco: quem, à imitação de Maria, for “cheio de graça" nesta vida, tanto mais glória possuirá no Céu.

Embora esteja de corpo e alma no Céu, Maria permanece na vida dos cristãos, por meio de uma presença virtual e de uma presença afetiva. A primeira consiste em uma presença “ativa". O termo “virtual" não tem nada que ver com computação gráfica. Em teologia, significa força, ação, atividade. Pelo maravilhoso mistério da comunhão dos santos, a Virgem Santíssima, mesmo estando gloriosa no Céu, está bem perto de nós. Quanto à sua presença afetiva, diz respeito ao amor que ela nos devota e ao qual nós devemos corresponder, por amor a Deus. De fato, quando se fala de santidade, fala-se de um crescimento generoso no amor, como explica acertadamente Santo Tomás de Aquino [3].

Por fim, importa falar sobre a obrigação da consagração a Nossa Senhora. Se, por um lado, ela não é necessária para quem quer salvar-se, é-o para quem quer chegar a ser perfeito. Quem deseja simplesmente salvar-se, pode contentar-se simplesmente com cumprir os Mandamentos, mas quem quer ser santo, além disso, devota-se inteiramente a Jesus, amando-O por meio de Sua santíssima mãe.

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O homem que perdeu a cabeça por amor a Jesus
EspiritualidadeSantos & Mártires

O homem que perdeu a
cabeça por amor a Jesus

O homem que perdeu a cabeça por amor a Jesus

São Dionísio de Paris, depois de ter sua cabeça decepada, caminhou ainda seis quilômetros com ela nas mãos, pregando o Evangelho

Equipe Christo Nihil Praeponere9 de Outubro de 2014Tempo de leitura: 4 minutos
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Dos muitos mártires que a fé em Cristo já gerou ao longo dos séculos, em todos os cantos da terra, a Igreja celebra, hoje, a memória de São Dinis de Paris, bispo e padroeiro da França.

São Dinis – que também se pode chamar de “Dionísio" – foi morto em meados do século III, durante o curto reinado do imperador romano Décio. Os dois anos em que ficou à frente do Império foram suficientes para que sua crueldade fosse comparada à do terrível Nero. Em pouco tempo, ele fez incontáveis vítimas no meio do clero e entre os próprios fiéis, elevando à honra dos altares nomes como Santa Ágata, São Saturnino e o próprio Papa Fabiano.

Como morreu São Dinis? Durante o seu pontificado, São Fabiano enviou à então província da Gália sete missionários cristãos, dentre eles Saturnino, mandado a Toulouse, e o próprio Dinis, que se fixou na Lutécia, onde atualmente fica a cidade de Paris. A eloquência de Dionísio logo colocou em polvorosa os sacerdotes pagãos do local, que ficaram alarmados pelas várias conversões que ele, por obra de Deus, conseguia. Um edito do imperador Décio, exigindo que todos prestassem o culto a César, tornou fácil a captura de Dinis, que se destacava por sua coragem e fidelidade. Um dia, levaram-no ao alto de um monte e cortaram a sua cabeça e as de seus fiéis companheiros, Rústico e Eleutério.

O mais incrível é que, segundo a tradição, o bispo Dionísio ainda saiu do Montmartre – “monte do mártir", como ficou conhecido o lugar – e caminhou seis quilômetros, carregando a sua cabeça e pregando um sermão sobre o arrependimento, até chegar ao lugar onde foi enterrado. A iconografia cristã geralmente o retrata segurando a sua cabeça, ainda com a mitra. Hoje, o “apóstolo da Gália" é invocado pelo povo cristão contra dores de cabeça e possessões demoníacas, além de ser homenageado como um dos primeiros pais da França.

O seu impressionante testemunho ilustra como nem depois de mortos os santos se calam. Se, nesta terra, com a sua pregação e vida, Dionísio glorificou sumamente a Deus, chegando ao heroísmo do martírio, após a sua morte, ele mesmo encorajou muitos outros homens a darem a vida por Cristo, cumprindo a profecia de Tertuliano, para quem o sangue dos mártires era semente de novos cristãos.

É importante lembrar que as ofertas dos perseguidores para que os cristãos “livrassem a sua pele" eram coisas aparentemente simples. Daniel-Rops conta que os suspeitos de seguirem a Cristo eram “conduzidos ao templo e convidados a sacrificar aos deuses ou, pelo menos, a queimar incenso na frente do altar". Depois, caso persistisse “a acusação de cristianismo, o acusado era convidado a pronunciar uma fórmula blasfema, na qual renegava Cristo". Por fim, celebrava-se uma refeição, “uma espécie de comunhão pagã, em que os suspeitos deviam comer carne das vítimas imoladas e beber vinho consagrado aos ídolos" [1]. Se fizessem qualquer uma dessas coisas, os cristãos se safavam e não eram mortos.

Diante de uma perseguição como a impetrada por Décio, pode-se imaginar como era grande a tentação de jogar um pouquinho de incenso diante dos ídolos... Afinal, um punhado de incenso, que mal poderia haver? Mas, os santos não se improvisam. “Quem quiser salvar sua vida a perderá; e quem perder sua vida por causa de mim a encontrará" (Mt 16, 25). Os carrascos que olhavam para os mártires certamente pensavam em seus corações que se tratavam de loucos, assim como a modernidade comumente pinta as imagens dos primeiros mártires como “suicidas", como se fossem homens desgostosos da vida, à procura da morte. À luz do Evangelho, no entanto, a entrega dessas pessoas não era simplesmente a renúncia da vida, mas a adesão à verdadeira Vida, por amor. O “não" de Dionísio, Rústico e Eleutério à idolatria, à blasfêmia e às carnes sacrificadas pelos ídolos foi, ao mesmo tempo, um belo e glorioso “sim" a Deus, ao Seu nome e à Sua vontade.

Hoje, talvez não nos seja pedida a entrega física dos primeiros mártires, que tiveram suas cabeças, braços e pernas decepados por causa de Cristo. Mas, sem dúvida, é-nos pedida a fidelidade de cada dia, pela qual todo cristão é sempre um mártir:

“Sendo muitas as perseguições, também são numerosos os martírios. Todos os dias és testemunha de Cristo. Foste tentado pelo espírito de fornicação; mas, por temor do futuro juízo de Cristo, julgaste que não devias manchar a pureza da alma e do corpo: és mártir de Cristo. Foste tentado pelo espírito de avareza para assaltar a propriedade do teu inferior ou para violar os direitos da viúva indefesa; todavia, meditando nos preceitos divinos, preferiste prestar ajuda a praticar injustiças: és testemunha de Cristo. (...) Foste tentado pelo espírito de soberba; mas, ao ver o pobre e o necessitado, compadeceste-te piedosamente e preferiste a humildade à arrogância: és testemunha de Cristo."
“Como são numerosos todos os dias os mártires ocultos de Cristo, os que confessam o Senhor Jesus! O Apóstolo conheceu este martírio e este fiel testemunho, ao dizer: É esta a nossa glória e o testemunho da nossa consciência." [2]

Com os santos, aprendemos que “quem começa a servir verdadeiramente o Senhor, o mínimo que lhe pode oferecer é a própria vida", como ensinava Santa Teresa de Ávila. Peçamos a intercessão de São Dionísio, para que nos ajude a sermos testemunhas de Cristo onde for: senão no alto dos montes, nas arenas dos leões ou no madeiro das cruzes, em nossas casas, em nossas escolas e em nossos trabalhos.

Referências

  1. Henri Daniel-Rops. A Igreja dos Apóstolos e dos Mártires. São Paulo: Quadrante, 2014.p. 360
  2. Santo Ambrósio, Sermo 20, 47-50: CSEL 62, 467-469

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São José, o maior devoto da Virgem Santíssima
EspiritualidadeVirgem Maria

São José, o maior devoto
da Virgem Santíssima

São José, o maior devoto da Virgem Santíssima

Com sua vida, São José ensina a todos os cristãos a verdadeira devoção a Nossa Senhora: amá-la sem temor e sem reservas, por causa de Deus.

Padre Paulo Ricardo9 de Outubro de 2014Tempo de leitura: 3 minutos
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Ao executar o Seu plano de salvação, Deus também dispõe os meios pelos quais irá realizá-lo. Sendo Todo-Poderoso, Ele poderia redimir o homem de muitos modos. Fê-lo, no entanto, querendo depender do “sim" de uma Virgem, pedindo a colaboração de uma criatura.

Uma história apócrifa conta que, entre os pretendentes de Nossa Senhora, foram escolhidos alguns, das melhores e mais virtuosas famílias de Israel. Todos eles levavam consigo um bastão de madeira. Na hora da decisão, o bastão de São José floresceu de modo prodigioso, surgindo lírios em sua ponta, sinal da castidade que ele tinha jurado preservar. Imediatamente, então, uniram-se o seu coração e o da Virgem Santíssima, que também havia consagrado totalmente a sua virgindade a Deus. A história, se não é verdadeira, é bem contada. Como diriam os italianos, si non è vero è bene trovato.

O fato é que as Escrituras se referem a São José como um homem “justo" que, descobrindo a gravidez de Maria e “não querendo denunciá-la publicamente, pensou em despedi-la secretamente" (Mt 1, 19). Alguém poderia perguntar como José podia ao mesmo tempo ser justo e ter querido dispensá-la em segredo, se a Lei mandava que o caso fosse julgado às claras. Os primeiros Padres da Igreja, como Orígenes, São Jerônimo, São Basílio Magno e Santo Efrém, são da opinião de que José não duvidava da honestidade de Maria, mas “queria deixá-la porque sabia que se tinha operado nela um grande mistério e se considerava indigno de viver em sua companhia" [1]. Foi então que o anjo apareceu a ele, comunicando-lhe a eleição que o próprio Senhor tinha feito de si: “José, Filho de Davi, não tenhas receio de receber Maria, tua esposa; o que nela foi gerado vem do Espírito Santo" (Mt 1, 20).

São José e Maria Santíssima eram realmente esposos e se amavam com verdadeira caridade. Infelizmente, tomados por uma visão distorcida de amor, olhamos para o casamento como uma realidade apenas carnal, quando o matrimônio é uma aliança eminente e essencialmente espiritual, transformada por Nosso Senhor em sacramento, sinal do Seu amor pela Igreja (cf. Ef 5, 21-33).

Santo Tomás de Aquino recorda que o amor pode ter vários objetos materiais: Deus, nós mesmos e o próximo [2]. No entanto, um só deve ser o objeto formal do amor: Deus mesmo. Isso significa amar todas as pessoas por causa de Deus. Dentro do matrimônio, quer dizer aproximar-se do outro como quem se aproxima do Santíssimo Sacramento. José, o esposo de Nossa Senhora, amava-a com amor de caridade e os teólogos chegam a dizer que o trono no qual estava sentado Lúcifer, antes da queda dos anjos, agora é ocupado pelo exemplar São José.

Há uma história famosa relacionada aos monges do Egito que ilustra como os homens de Deus, ao olhar para as criaturas, glorificam o Criador. Enquanto caminhavam na estrada, alguns monges se depararam com uma prostituta, diante da qual, para não pecar, todos viraram o rosto. Um dos monges, no entanto, olhando fixamente para aquela mulher, começou a chorar, pois tinha enxergado nela a grandeza de Deus. Se isso aconteceu com um simples religioso que avistou uma prostituta, quanto mais não aconteceria com São José e com a tota pulchra (toda bela) Virgem Maria, cuja alma resplandece diante do Senhor mais do que todas as criaturas! Não sem razão esse santo homem, contemplando a suma dignidade de Maria, temia tomá-la por esposa, pois enxergava as maravilhas que o Todo-Poderoso havia feito nela (cf. Lc 1, 49).

Muitos de nós tememos consagrar-nos inteiramente a Nossa Senhora porque, olhando os nossos pecados, nos achamos indignos de ser seus escravos. Também a nós o anjo do Senhor diz: “Não tenhas receio de receber Maria por sua senhora". Que, de fato, a recebamos e, assim como São José, a amemos, por causa de Deus. Amemo-la por gratidão a Nosso Senhor, que verdadeiramente a entregou a nós como mãe, quando disse ao discípulo amado: “Eis aí a tua mãe" (Jo 19, 27). Assim como São José não teve medo de dedicar toda a sua vida para servir a Deus por meio de Nossa Senhora, não temamos recebê-la por Mãe e consagrar-nos a Cristo por suas mãos.

Referências

  1. Orígenes apud Santo Tomás de Aquino, Catena Aurea in Matthaeum, 1, 10
  2. Suma Teológica, II-II, q. 25, a. 12

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Seis dicas para um casamento feliz
Sociedade

Seis dicas para um casamento feliz

Seis dicas para um casamento feliz

À luz da história, é possível dizer que o casamento “nasceu” em crise. Cristo, no entanto, veio redimir o homem — e também o matrimônio.

Equipe Christo Nihil Praeponere4 de Outubro de 2014Tempo de leitura: 10 minutos
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Não há dúvidas de que a família está em crise. À luz da história, no entanto, é mais exato dizer que a família nasceu em crise. O plano primordial do Criador para o homem e a mulher - que vivessem o amor, como imagem do amor com que Deus os criou -, infelizmente, foi perturbado pelo pecado original. O Catecismo da Igreja Católica destaca que, “desde sempre, a união de ambos foi ameaçada pela discórdia, pelo espírito de dominação, pela infidelidade, pelo ciúme e por conflitos que podem chegar ao ódio e à ruptura" [1].

Mas, como é verdade que “Deus todo-poderoso (...), sendo soberanamente bom, nunca permitiria que qualquer mal existisse nas suas obras se não fosse suficientemente poderoso e bom para do próprio mal, fazer surgir o bem" [2], Ele mesmo enviou, na plenitude dos tempos, o seu Filho, para redimir não só o homem, mas também todas as suas relações, de que se sobressai a união entre o homem e a mulher. Elevando o matrimônio à dignidade de sacramento, Nosso Senhor fez da aliança conjugal um sinal de Seu amor pela Igreja e um meio para a santificação e o crescimento mútuo dos esposos.

Se o seu casamento começou do jeito certo, com a graça do sacramento e a bênção da Igreja, meio caminho já foi andado. Agora, é preciso conformar-se ao dom recebido e educar-se a partir da moral católica e da cartilha dos santos, para transformar a sua família em uma autêntica Igreja doméstica. Seguem, abaixo, algumas breves dicas para continuar bem o caminho ou, quem sabe, colocar o seu relacionamento no eixo. São palavras da sabedoria de dois mil anos da Igreja, que com certeza ajudarão na construção do seu lar.

1. Ninguém pode saciar plenamente o seu coração

A primeira advertência pode parecer desalentadora, mas é, sem dúvida, a mais importante de todas: ninguém - absolutamente ninguém - pode saciar o seu coração. Muitas pessoas hoje se casam para “serem felizes", com a esperança de que os seus esposos e as suas esposas as completem e montem para elas um “pequeno paraíso" nesta terra. Após um tempo, quando elas caem em si e percebem que o paraíso prometido não veio - e nem virá -, bate o desespero e a desilusão: afinal, o que deu errado?

O casal que entra nessa crise deve entender que nenhuma criatura pode saciar a sede de infinito do homem. Este só se realiza plenamente quando encontra o único Outro que o transcende: Deus.

“Fizestes-nos para Vós, Senhor, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em Vós" [3], reza Santo Agostinho. Mais do que ser companheiro para uma pessoa do sexo oposto, o ser humano foi “constituído à altura de 'companheiro do Absoluto'" [4], como ensinou São João Paulo II. Mais do que um pacto matrimonial, o homem foi feito para uma aliança eterna com Deus.

2. Homens e mulheres são real e profundamente diferentes

Nenhuma ideologia pode obscurecer este fato inscrito na natureza humana: homens e mulheres são real e profundamente diferentes.

Para explicar a diferença entre os sexos, o escritor norte-americano John Gray chegou a colocar homens e mulheres em planetas diferentes. Em seu famoso best-seller “Os Homens São de Marte, as Mulheres São de Vênus", ele conta que “marcianos" e “venusianas" viveram por muito tempo em paz, até que “os efeitos da atmosfera da Terra assumiram o controle, e certa manhã todos acordaram com (...) amnésia" [5]: tinham esquecido que vieram de planetas diferentes e, por isso, passaram a viver constantemente em conflito.

Pela história da Criação, nós sabemos que Deus criou o homem e a mulher no mesmo planeta, mas com as suas diferenças, e que a “amnésia" que iniciou o referido conflito nada mais é do que o pecado original, que “teve como primeira consequência a ruptura da comunhão original do homem e da mulher" [6].

Não se pode, porém, restaurar a harmonia entre o casal negando as diferenças evidentes entre os sexos, como em uma atitude de rebeldia contra o Criador. Mais do que uma história dos contos de fadas, o cavaleiro que, com sua armadura reluzente, mata o dragão e liberta a princesa do alto do castelo, é uma bela imagem de como o homem, por exemplo, é chamado à bravura. Na vida ordinária, isso significa enfrentar o mundo, trabalhando e provendo o sustento da casa e a segurança da família.

Para a mulher, a figura de mãe não é menos heróica. Significa a doação de amor para que os seus filhos vivam e recebam uma boa educação. Infelizmente, o feminismo tem introjetado na cabeça das mulheres que ser mãe é uma desgraça e que elas só serão felizes quando forem “iguais" aos homens. A realidade, porém, é que, após o tão sonhado “empoderamento" das mulheres, estas não encontraram a felicidade, mas tão somente a desilusão e a frustração de uma vida reduzida ao serviço do mercado e do próprio egoísmo. Como disse G. K. Chesterton, “o feminismo trouxe a ideia confusa de que as mulheres são livres quando servem aos seus empregadores, mas são escravas quando ajudam os seus maridos" [7].

3. Ame o seu cônjuge como Cristo amou a Igreja

Em sua Carta aos Efésios, São Paulo exorta os maridos a amarem as suas esposas como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela [8]. Com isso, demonstra que o amor não é um “sentimentalismo barato", baseado no fundamento instável das emoções, mas uma determinação viril, baseada na rocha sólida da vontade. O pacto matrimonial é uma aliança de sangue, pela qual os esposos dizem um para o outro: “Eu derramo o meu sangue, mas não desisto de você". Não sem razão o autor do Cântico dos Cânticos canta que “o amor é forte como a morte" [9].

De fato, o próprio Deus, no ato mais extremo de amor, morreu pelos nossos pecados. Seguindo o seu modelo, todo casal que sobe ao altar deve pensar que está subindo o Calvário, a fim de oferecer a Deus o sacrifício de si mesmo, pela salvação do outro. Para o bem da pessoa amada, na verdade, tanto o homem quanto a mulher devem fazer o que for preciso, mesmo que a isso custe fazer o que não se quer. Muitas contendas entre os casais começam justamente porque um não é capaz de “dar o braço a torcer" em favor do outro. Sacrificam-se, então, a paz e a harmonia entre os dois, para satisfazer as próprias veleidades, ao invés de se sacrificar a própria vontade em favor do outro.

Também para o casamento vale o chamado de Nosso Senhor: “Quem quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz, cada dia, e siga-me" [10].

4. Deus deve ser o centro de suas vidas e de seus dias

Não adianta morrer um pelo outro se, primeiro, não se ama a Deus. Por isso, Ele deve ser o centro de suas vidas e de seus dias.

Para amar alguém, primeiro, é preciso conhecê-lo. O que se diria de um casal de noivos que, estando prestes a se casar, não soubessem nada um do outro e não fizessem o mínimo esforço para se conhecerem? Com razão se poderia chamá-los de loucos, pois querem permanecer unidos até o fim da vida a quem nem mesmo conhecem. Ora, se para o casamento terreno, que finda com a morte, é preciso preparar-se com cuidado e empenho, quanto mais para o encontro com Deus, a quem estaremos unidos não por um dia ou uma vida, mas por toda a eternidade!

Por isso, é importante estudar as verdades de nossa fé, contidas principalmente no Catecismo da Igreja Católica e nos Evangelhos, sem jamais descuidar da oração, pela qual o próprio Deus Se revela e Se comunica a nós.

Uma vez conhecido o grande amor com que Deus nos amou, então, é preciso que o casal O ame de volta, mudando toda a sua rotina e a sua vida para colocá-Lo no primeiro lugar de tudo. Se de manhã se acordava correndo para ir ao trabalho, urge levantar um pouco mais cedo, para oferecer a Deus o que dia que começa - e, quem sabe, até participar da Santa Missa. Se à noite a família se reunia para assistir à TV e acabava vendo programas que não prestam - como são as novelas -, por que não começar a rezar o Santo Terço em família? Se o domingo tem sido tão somente o “feriado", com passeios e viagens, está na hora de transformá-lo realmente em “dia do Senhor", levando toda a família para um encontro com a melhor de todas as famílias, que é a Igreja.

Lembrem-se sempre que a sua aliança matrimonial é, antes de tudo, um compromisso com Deus. Dois sozinhos não são capazes de levar adiante um casamento; ao contrário, “a corda tripla não se arrebenta facilmente" [11].

5. O sexo não é um parque de diversões

A Igreja, ao mesmo tempo em que valoriza a sexualidade como um dom precioso do Criador, reconhece que “a sexualidade é fonte de alegria e prazer". Com isso, ela não pretende dar aos seus filhos uma autorização para que, depois de casados, façam o que bem entenderem um com o outro, mas que vivam o sexo de forma equilibrada, mantendo-se, na expressão do Papa Pio XII, “dentro dos limites duma justa moderação" [12].

Infelizmente, em nosso mundo supersexualizado, o que deveria ser uma expressão de amor tem degenerado na busca do próprio egoísmo. É muito comum, por exemplo, que, saturados por múltiplas experiências com pornografia e masturbação, os homens queiram trazer o chiqueiro do mundo para o seu leito conjugal, transformando a mulher em um objeto de satisfação sexual, ao invés de amá-la e respeitá-la como pessoa e companheira. Por outro lado, as mulheres, em troca de compensação afetiva, acabam aceitando ser transformadas em “coisas" e usadas como objetos. Ao fim, o que deveria ser uma “aliança de amor" acaba se tornando um “consórcio de egoísmos".

Para consertar as coisas, é preciso desmascarar a ideia, que alcançou sucesso com a Revolução Sexual, de que o sexo seria como um parque de diversões, o qual se buscaria tão somente para o prazer próprio e para a satisfação dos próprios caprichos. Isso não é o sexo, mas a sua perversão. A relação sexual foi concebida por Deus para unir os esposos, mas também para gerar vidas. Por isso, sexo significa, antes de qualquer coisa, família.

De fato, na família, todos vivem - ou deveriam viver - como em uma “ilha de paz": a menina, por exemplo, pode andar tranquilamente por sua casa, consciente de que não será cobiçada por seu pai ou por seus irmãos. Para afastar do pensamento o adultério do coração [13], de que fala Nosso Senhor, seria sadio que os homens olhassem para as mulheres como se fossem suas “irmãs", e vice-versa. Afinal, é nesse estado que todos os seres humanos se encontram, desde que nasceram, e que se encontrarão principalmente no fim de suas vidas, quando estiverem face a face com Deus.

Quando seu cônjuge envelhecer, por exemplo, vão-se embora com o tempo não só o vigor da juventude, como também os atrativos físicos do outro. Se seu relacionamento está baseado só no sexo, essa é uma péssima notícia. Se desde o começo, no entanto, você foi treinado para amar - e como diz o Apóstolo, “o amor tudo suporta" [14]-, você chegará à velhice feliz por ter sido casto e fiel.

6. Estejam sempre abertos ao dom dos filhos

Esta dica é indissociável da anterior: estejam sempre abertos ao dom dos filhos. Quando um casal deliberadamente se fecha à transmissão da vida, inicia um círculo de egoísmo e morte que destrói pouco a pouco a si mesmo.

Para entender a imperiosidade deste ensinamento, basta olhar para a natureza do ato sexual, que foi concebido pelo Criador tanto para unir os esposos quanto para torná-los participantes de Seu poder criador, na geração dos filhos. Se separar essas duas dimensões fora do matrimônio significa falta de compromisso, separá-las dentro do próprio casamento não deixa de ser uma manifestação “mais refinada", por assim dizer, de egoísmo e falta de amor. Por isso a Igreja condena os métodos contraceptivos, que vão contra a própria verdade do sexo. Como ensina São João Paulo II, “o ato conjugal destituído da sua verdade interior, porque privado artificialmente da sua capacidade procriadora, deixa também de ser ato de amor" [15].

Todo casal deveria perguntar com sinceridade se a sua decisão de evitar filhos não vem mais de uma atitude de egoísmo por parte dos dois do que de uma razão realmente grave e justa. E, para quem argumenta que “filho dá despesa", o Catecismo da Igreja Católica responde dizendo que “o filho não é uma dívida, é uma dádiva" [16]. Basta lançar um olhar às numerosas famílias de alguns anos atrás, que, embora não vivessem imersas em luxo, eram muito mais felizes que as minúsculas e egoístas famílias de hoje.

O salmista diz que “os filhos são a bênção do Senhor" [17]. Mesmo que a sociedade de hoje os veja como uma maldição, as palavras do Espírito Santo permanecem. Continua valendo a pena esperar de Deus o número de filhos que Ele quiser, ao invés de reduzirmos o número de crianças à medida do nosso comodismo.

Referências

  1. Catecismo da Igreja Católica, 1606
  2. Santo Agostinho, Enchiridion de fide, spe et caritate. 3. 11: CCL 46, 53 (PL 40, 236)
  3. Confissões, I, 1: PL 32
  4. Audiência geral, 24 de outubro de 1979, 2
  5. John Gray, Homens são de Marte, mulheres são de Vênus, Rio de Janeiro: Rocco, 1995, p. 19
  6. Catecismo da Igreja Católica, 1607
  7. G. K. Chesterton, Social Reform versus Birth Control, 1927
  8. Ef 5, 25
  9. Ct 8, 6
  10. Lc 9, 23
  11. Ecl 4, 12
  12. Catecismo da Igreja Católica, 2362
  13. Cf. Mt 5, 28
  14. 1 Cor 13, 7
  15. Audiencia general, 22 de agosto de 1984, 6
  16. Catecismo da Igreja Católica, 2378
  17. Sl 127, 3

Notas

  • As dicas acima pretendem ser alguns curtos conselhos. Mas, não custa nada lembrar, de novo, que a plena felicidade o ser humano só alcançará no Céu, quando celebrar o matrimônio com o único e verdadeiro Esposo de nossas almas: o próprio Deus.

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