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Os cristãos que sofrem no Egito
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Os cristãos que sofrem no Egito

Os cristãos que sofrem no Egito

Massacre e perseguição religiosa no Egito: mais de 600 pessoas mortas e inúmeras igrejas e instituições cristãs saqueadas e incendiadas por radicais islâmicos

Equipe Christo Nihil Praeponere16 de Agosto de 2013
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Os conflitos políticos se acirraram no Egito e levaram o país a decretar estado de emergência, ainda na tarde desta quarta-feira, dia 14 de agosto. Houve confrontos armados entre as forças de segurança do governo e defensores do ex-presidente Mohamed Morsi, ligado à Irmandade Muçulmana e deposto no começo do último mês. Até o momento, calcula-se que cerca de 600 pessoas morreram e quase 4000 ficaram feridas.

A cidade de Cairo, capital do país, se tornou um verdadeiro cenário de guerra: na praça Rabaa al-Adawiya, onde os partidários de Morsi se reuniam desde o dia 3 de julho, a destruição foi completa e, só ali, pelo menos 200 pessoas foram mortas; no distrito de Nasr, uma viatura foi lançada da ponte Seis de Outubro e o corpo de um policial foi agredido e arrastado por apoiadores do presidente deposto.

O Papa Francisco fez menção, ontem, durante a oração do Angelus, a "notícias dolorosas" vindas do Egito. "Desejo assegurar minha oração a todas as vítimas e a seus familiares, pelos feridos e pelos que sofrem. Rezemos juntos pela paz, pelo diálogo e pela reconciliação naquela terra querida e no mundo inteiro."
Na homilia por ocasião da solenidade da Assunção de Maria, o Santo Padre recordou a virtude da esperança expressa no cântico do Magnificat e disse que "este cântico é particularmente intenso, onde o Corpo de Cristo hoje está sofrendo a Paixão". Embora não tenha feito aqui uma referência explícita ao Egito, a situação dos cristãos coptas no país ilustra com exatidão esta Paixão que sofre "o Corpo de Cristo hoje".

A comunidade cristã no Egito é relativamente pequena: apenas 10% dos 80 milhões de habitantes se declaram cristãos. No entanto, o pequeno número de fiéis tem sofrido nas mãos de grupos islâmicos extremistas. A ofensiva desta semana era tragicamente prevista, já que há mais de um mês os cristãos coptas vêm sendo acusados de complô político para depor Morsi pelas emissoras da Irmandade Muçulmana. Estima-se que mais de 40 igrejas foram saqueadas desde a última quarta-feira em todo o território egípcio.

Ainda na manhã do dia 14, começaram a circular na Internet inúmeras imagens de um incêndio na igreja de São Jorge, o principal templo copta em Sohag, norte do Egito. Outra igreja dedicada ao mesmo santo foi saqueada na região do Assiut. As imagens do vilipêndio foram registradas e colocadas no YouTube:

De acordo com o jornalista Giorgio Bernardelli, outros incêndios tomaram a igreja de São Teodoro, em Mynia, uma das províncias com a maior concentração de cristãos no país, e a igreja de Arish, no Sinai, na qual exercia seu ministério o padre Mina Abdul, sacerdote copta assassinado há um mês. No nordeste do Egito, em Fayoum, uma multidão destruiu as cruzes de uma igreja dedicada a Nossa Senhora e o templo de Amir Tadros foi completamente incendiado.

A violência não afeta só a Igreja Ortodoxa, mas todas as confissões cristãs. Uma igreja greco-ortodoxa foi destruída no leste do país, em Suez. Na mesma região, uma paróquia e uma escola católicas foram saqueadas e incendiadas. O temor é tão grande que Sua Beatitude, o patriarca da Igreja Católica Copta, Ibrahim Sidrak, decidiu cancelar todas as missas da solenidade da Assunção, previstas para ontem.

"Também nós, católicos, como os coptas e os protestantes, preferimos manter fechadas as igrejas e os lugares de culto para evitar incidentes", disse o padre Paul Annis, superior da Congregação dos Combonianos, no Cairo.

A perseguição religiosa no Oriente Médio faz do Cristianismo a religião mais perseguida do mundo hoje. Embora haja uma "conspiração do silêncio" em torno do tema, sabe-se que, em 2012, pelo menos 100 mil cristãos foram mortos por motivo de religião, de acordo com o Observatório de Liberdade Religiosa da Itália. Ao lado da intolerância muçulmana, a ideologia comunista – tome-se como exemplo a Coreia do Norte – é responsável por grande quota deste morticínio.

Junto com o Santo Padre, o Papa Francisco, os católicos do mundo inteiro são chamados a oferecer orações e sacrifícios pelo Oriente Médio, especialmente no Egito, onde, mais uma vez, os cristãos têm pagado o preço da situação política dramática de seu país.

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25 mil reais para quem tirar Deus do hino nacional da Suíça
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25 mil reais para quem tirar
Deus do hino nacional da Suíça

25 mil reais para quem tirar Deus do hino nacional da Suíça

Uma entidade secularista estuda alterar o hino nacional da Suíça. O motivo: a canção atual fala muito de Deus

Equipe Christo Nihil Praeponere16 de Agosto de 2013
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O hino Schweizerpsalm ("Salmo Suíço") foi composto na metade do século XIX e o povo suíço sempre conviveu muito bem com a letra da música, chegando a adotá-la, em 1981, como canção oficial da nação.

Mesmo tendo sido objeto de deliberação parlamentar na década de 60 – e, portanto, legitimamente escolhido - o atual hino nacional está ameaçado. De fato, o termo "salmo" não é sem motivo: nas quatro versões já feitas da canção, há inúmeras referências ao Criador. Pede-se ao povo suíço que eleve orações a Deus, que O adore, O exalte e O contemple nas coisas criadas: "no surgir da manhã esplendorosa", "no vir da noite fulgurosa", "no pousar da névoa densa", "na neblina" e "no ocorrer da tempestade feroz", por exemplo.

Ainda que muitos não vejam problemas nisto – afinal, como ensina o Concílio Vaticano I, Deus "pode ser conhecido com certeza pela luz natural da razão humana, por meio das coisas criadas" –, há quem se incomode.

Lukas Niederberger, membro da Sociedade Suíça para Utilidade Pública (SGG, na sigla em alemão), quer que o Estado suíço adote um novo hino[1]. A entidade vai oferecer à melhor composição uma recompensa estimada em 25 mil reais. Para Niederberger, "o grande problema é acima de tudo a letra". "Oficialmente, o hino é um salmo, uma oração, mas claro que temos uma sociedade aberta, religiosamente neutra. Nós temos ateus, não temos um único Deus, então este hino é uma dificuldade", afirmou.

A fala de Niederberger é reveladora. A princípio, se parece com mais uma simples lição de tolerância, mas, olhando de perto, é uma confissão. "Nós temos ateus", diz ele, "não temos um único Deus". O gato se escondeu e deixou o rabo de fora: na tentativa de não assumir para si nenhuma convicção religiosa, Niederberger revela seu ateísmo. Ele crê que "não temos um único Deus". No entanto, ao contrário da fé no Deus único, "intolerável" para o hino nacional da Suíça, o seu ateísmo cabe muito bem no lugar.

Não se trata de defender que a religiosidade de um povo se mede pelo número de referências religiosas de uma canção popular. O hino nacional brasileiro não fala de Deus um momento sequer e, no entanto, nossa nação está fortemente ligada à fé em um Deus único, que cria o universo e o assiste providentemente. A grande questão é o que esta proposta representa: a abolição da religião, a intolerância com os valores cristãos que moldaram nossa Civilização, a tentativa de tirar Deus dos ambientes e elementos públicos. Para os laicistas intolerantes, Deus não só não cabe em um hino, como deve ser excluído das escolas, das repartições públicas, dos diplomas legais e, se fosse possível, da própria alma dos povos.

O Papa Bento XVI estava certo: "A tolerância que, por assim dizer, admite Deus como opinião particular, mas que lhe rejeita o domínio público, a realidade do mundo e da nossa vida, não é tolerância mas hipocrisia"[2]. Os homens precisam aprender a reconhecer o primado de Deus no mundo. Caso contrário, "em vão trabalharão seus construtores" (Sl 126, 1).

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Liturgia: mistério da salvação - Parte II
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Liturgia: mistério da salvação - Parte II

Liturgia: mistério da salvação - Parte II

Neste segundo artigo sobre o trabalho do mestre de cerimônias pontifícias, Monsenhor Guido Marini, o blog faz uma reflexão a respeito da orientação da oração litúrgica

Equipe Christo Nihil Praeponere13 de Agosto de 2013
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A pessoa a quem o cristão se dirige quando reza é Deus. Pense-se, por exemplo, no diálogo introduzido pelo prefácio, no momento da liturgia eucarística, quando o sacerdote se volta para o povo e diz: "corações ao alto" e a assembleia responde: "o nosso coração está em Deus". É o tempo no qual pastor e rebanho se recolhem e olham juntos para o céu à procura da luz que emana de Cristo. É uma ação sobretudo interior, mas que através da sabedoria da Igreja, ganhou sinais exteriores de modo a indicar a correta atitude espiritual do fiel.

A disposição arquitetônica das igrejas e os espaços litúrgicos foram alguns dos elementos que buscaram simbolizar - ao longo da história - a maneira como os cristãos rezam. Tradicionalmente, a chamada oração voltada para o oriente também foi um desses sinais. Conforme explica o mestre de cerimônias pontifícias, Monsenhor Guido Marini, entende-se por oração voltada para o oriente o "coração orante orientado para Cristo, do qual provém a salvação e para o qual todos tendem como Princípio e Termo da história". Mas por que para o oriente? Porque é onde nasce o Sol, e sendo ele símbolo de Cristo, a Tradição achou por bem acolher na Liturgia o que é dito de maneira simples no Evangelho de São Lucas: "O sol que surge no Oriente vem nos visitar" (Cf. Lc 1, 78).

Posto isso, não é difícil de entender o quão equivocadas são certas críticas à maneira como a Igreja celebrava a Santa Missa antes da reforma litúrgica de Paulo VI. Afirmar que o sacerdote rezava de costas para o povo é, no mínimo, injusto. Pelo contrário, a posição do celebrante indicava que tanto ele quanto o resto da assembleia estavam direcionados para o verdadeiro protagonista da Celebração Eucarística: Jesus Cristo. E mesmo no Missal de 1969, no qual o ministro celebra de frente para a assembleia, é a Deus que as orações se dirigem, pois como explica Marini, a expressão celebrar voltado para o povo não tem significado teológico, sendo apenas uma descrição topográfica. Ademais, "a missa, teologicamente falando, está voltada para Deus, através de Cristo nosso Senhor, e seria um grave erro imaginar que a orientação principal da ação sacrifical fosse a comunidade", ensina Marini.

Na Liturgia, indica o Concílio Vaticano II, "os sinais sensíveis significam e, cada um à sua maneira, realizam a santificação dos homens" (Cf. Sacrosanctum Concilium, n. 7). Nisso se insere a proposta de Bento XVI, radicada naquilo que se convencionou chamar arranjo beneditino. Trata-se, explica o Santo Padre, de "não buscar novas transformações, mas colocar simplesmente a cruz no centro do altar, para a qual sacerdote e fiéis possam juntos olhar, para deixarem guiar de tal maneira voltados para o Senhor, a quem oramos todos unidos" (Introdução ao espírito da liturgia, p. 70-80). Uma vez que não é para o celebrante que o fiel deve olhar durante esse momento litúrgico, mas para o Senhor, a cruz - lembra Guido Marini - "não impede a visão; ao contrário, lhe abre o horizonte para o mundo de Deus, e a faz contemplar o mistério, a introduz no céu, de onde provém a única luz capaz de dar sentido à vida neste mundo".

O ponto central da Santa Missa é onde se encontra o Senhor, e por isso a presença do crucifixo no altar ajuda a comunidade e o celebrante a lembrarem o mistério que ali acontece. Com efeito, recorda o Catecismo da Igreja Católica, "a liturgia, pela qual, principalmente no divino sacrifício da Eucaristia, 'se exerce a obra de nossa redenção', contribui de modo mais excelente para que os fiéis, em sua vida, exprimam e manifestem aos outros o mistério de Cristo e a genuína natureza da verdadeira Igreja", (Cf. CIC 1068).

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A fé, fundamento de nossa existência
EspiritualidadeSantos & Mártires

A fé, fundamento de nossa existência

A fé, fundamento de nossa existência

A coragem dos mártires e o destemor dos missionários são o maior exemplo de como a fé, longe de ser "o ópio do povo", é capaz de conferir à vida "um novo fundamento"

Equipe Christo Nihil Praeponere10 de Agosto de 2013
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O autor da Carta aos Hebreus concebe a fé como "substância das coisas que se esperam; prova das coisas que não se veem" (11, 1). É uma definição que destoa muito das formulações modernas, tendentes a olhar para a fé como para um ato irracional, meramente subjetivo, fruto do sentimentalismo ou das instabilidades humanas – ou mesmo para um mero ato da vontade, sem alteração concreta em nossa vida ou transformação efetiva das realidades sociais.

Ao contrário, Santo Tomás de Aquino, confirmando as palavras da Escritura, explica que "o começo das coisas que esperamos está em nós pelo assentimento de fé, que encerra em sua substância todas as coisas esperadas. Esperamos, de fato, ser felizes pela visão imediata da verdade, à qual nós aderimos agora pela fé" (Summa Theologiae, II-IIae., q. 4, a. 1). O Papa Bento XVI, comentando este ensinamento do Doutor Angélico, afirma, em sua encíclica Spe Salvi, que "a fé não é só uma inclinação da pessoa para realidades que hão de vir, mas estão ainda totalmente ausentes; ela dá-nos algo".

A fé dá-nos algo. A esperança de fruir das coisas que não se veem "derrama-se" na história, diz o Papa. O maior exemplo disto é o testemunho de fidelidade dos mártires e a coragem incansável dos missionários, que não pouparam - e não poupam - esforços para atravessar grandes porções de terra e cumprir o mandato de Cristo: anunciar a Palavra a todos os povos (cf. Mt 28, 19). Eles são fortificados pela fé que não esmorece e pela esperança que não decepciona: a estrutura de suas vidas é completamente modificada pelo Evangelho, a ponto de, por ele, não temerem derramar seu próprio sangue ou renunciar a todos os confortos de uma vida abastada.

Neste sentido, a relação que se estabelece entre a esperança cristã e a nossa vida é precisamente o contrário do que pensava Karl Marx. Para este, a "superestrutura" – as ideias e princípios morais que regem a sociedade – seria apenas uma invenção para legitimar condições socioeconômicas injustas – o que ele chamou de "infraestrutura". Daqui a relativização da verdade - que seria concebida unicamente para enganar ou, para usar um termo marxista, "alienar" as pessoas - e a crítica à religião como sendo "o ópio do povo". Ao contrário, Bento XVI indica que, na vida dos cristãos, o alicerce é a fé e esta, por sua vez, modifica total e profundamente sua existência. "A fé confere à vida uma nova base, um novo fundamento, sobre o qual o homem pode se apoiar, e, consequentemente, o fundamento habitual, ou seja, a confiança na riqueza material, relativiza-se".

Para quem crê em Jesus e está incorporado na Igreja, o materialismo histórico não é só uma resposta insuficiente, mas também profundamente falsa. Se fosse verdadeiro, toda a história do Cristianismo, com seus apóstolos, mártires e santos, não faria sentido algum. E a nossa fé e esperança seriam vãs.

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