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A fidelidade de Álvaro del Portillo
Santos & Mártires

A fidelidade de Álvaro del Portillo

A fidelidade de Álvaro del Portillo

Como Dom Álvaro del Portillo, seguindo as pegadas de São Josemaría Escrivá, chegou “à estatura do Cristo em sua plenitude”.

Equipe Christo Nihil Praeponere26 de Setembro de 2014Tempo de leitura: 4 minutos
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A Álvaro del Portillo, o servo de Deus que será beatificado amanhã, 27 de setembro, em Madri, a Igreja aplica as palavras do Autor Sagrado: “ Vir fidelis multum laudabitur - O homem fiel será muito louvado" [1].

A beatificação deste apóstolo, que partiu para o Céu em 1994, é mais um daqueles processos rápidos, fruto da abundância e unanimidade de testemunhos em favor de sua santidade. Foi assim com São João Paulo II, foi assim com São Josemaría Escrivá… e foi assim com Monsenhor Álvaro, que, nas pegadas desses dois grandes homens, chegou “à estatura do Cristo em sua plenitude" [2].

Mas, afinal, qual o grande segredo de Álvaro para chegar ao heroísmo de uma vida santa? É impossível compreender o seu caminho sem se referir à espiritualidade do Opus Dei, uma fundação hierárquica da Igreja em que ele não só tomou parte, como colaborou ativamente, sendo eleito o sucessor de Josemaría Escrivá à frente da instituição. O carisma dessa “obra de Deus" consiste, resumidamente, em amar a Deus através dos deveres ordinários do dia a dia. “Meus filhos", insistia São Josemaría Escrivá, “aí onde estão nossos irmãos, os homens, aí onde estão as nossas aspirações, nosso trabalho, nossos amores - aí está o lugar do nosso encontro cotidiano com Cristo" [3]. Não é preciso retirar-se para o claustro ou ir ao deserto para encontrar a Deus - alguns, é verdade, são chamados a esse belo modelo de vida, mas não todos -, basta que se cumpra os deveres da própria vocação com o espírito de Cristo.

Com essa mensagem - cujo cerne não é nada mais que o anúncio do Evangelho -, o Opus Dei ganhou, literalmente, o mundo. Hoje, a instituição, que está em todos os continentes, conta com cerca de 90 mil membros, entre homens e mulheres, casados e celibatários.

Na árdua tarefa de abrir rotas de evangelização ao redor do mundo, Álvaro del Portillo foi um missionário verdadeiramente incansável. Começou por transformar em realidade o grande sonho de seu pai e amigo, que era achar uma configuração jurídica adequada para o Opus Dei dentro da Igreja: em 1982, a obra foi erigida em prelazia pessoal pelo Papa João Paulo II. Depois de fazer um grande trabalho em várias cidades da Itália, viajou para outros vinte países, dentre os quais Bolívia, Suécia, Congo, Nova Zelândia, Índia, Finlândia e Camarões.

Por onde passou, deixou a marca de sua profunda humildade. “Ao advertir a sua presença amável e discreta ao lado da dinâmica figura de Mons. Escrivá, vinha ao meu pensamento a modéstia de São José", nota o padre John O'Connor, agostiniano. Para Dom Álvaro, permanecer “à sombra" de São Josemaría significou, ao invés de uma posição subalterna, como muitos poderiam supor, uma ocasião para emular as suas virtudes e viver a obediência. O antigo porta-voz da Santa Sé, Joaquín Navarro-Valls, declara que ele “era um protagonista, mas tinha a imensa virtude de não aparecer como protagonista".

O atual prelado do Opus Dei, Javier Echevarría, dá atenção ao fato de que o seu antecessor “não desejou para si (...) êxitos pessoais ou ocasiões de poder brilhar". Em vida, ele “teve uma única ambição: ser um bom filho de Deus e um servidor fiel da Igreja, de acordo com o espírito recebido de São Josemaría e seguindo o seu exemplo". Ele também refere uma história interessante, que ilustra como Dom Álvaro se configurou ao carisma do fundador do Opus Dei:

“Em 1950, D. Álvaro sofreu um ataque de apendicite aguda com dores muito fortes e risco de vida, pelo que foi necessária uma operação cirúrgica urgente. Era o dia 26 de fevereiro. Tanto pela técnica então usada, como pela duração da cirurgia - que se complicou mais que o previsto -, os médicos decidiram aumentar a dose de anestesia; e, por este motivo, o despertar pós-operatório foi mais lento que o habitual. (...)"

“Quando já D. Álvaro estava no quarto, aproximou-se um dos médicos para controlar a evolução do pós-operatório. Ficou surpreendido quando viu que ninguém conseguia despertá-lo e começou a preocupar-se, porque se estavam a utilizar todos os meios possíveis, sem êxito. Estando nesta situação, o Fundador do Opus Dei chegou à Clínica e referiram-lhe o estado de D. Álvaro eventualmente crítico. S. Josemaría aproximou-se da cabeceira da cama e, com grande calma, sussurrou-lhe afetuosamente: 'Álvaro!' A resposta do doente foi imediata: 'Padre!' E assim começou o despertar que até àquele momento não parecia iminente. S. Josemaría concluiu com naturalidade, como se se tratasse de coisa habitual, com este comentário: 'Este filho até a dormir me obedece'." [4]

Se Josemaría apontou o “Caminho", Álvaro nada mais fez senão segui-lo e, hoje, a bem-aventurança dos dois sacerdotes confirma a grandeza das lições de Escrivá, que cumpriram o fim a que foram escritas: engendrar santos. “Qual é o segredo da perseverança? O Amor", respondia São Josemaría Escrivá. “Enamora-te, e não O deixarás" [5]. Monsenhor Álvaro - amanhã, beato - invertia a frase e acrescentava: “ Sê leal e acabarás louco de amor a Deus".

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Não existe cristianismo sem cruz
Espiritualidade

Não existe cristianismo sem cruz

Não existe cristianismo sem cruz

A tentação de apresentar um cristianismo sem cruz revela-se, aos poucos, decepcionante, porque é somente na cruz que se descobre o amor de Deus.

Equipe Christo Nihil Praeponere26 de Setembro de 2014Tempo de leitura: 5 minutos
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A cruz possui um significado inegociável para o cristianismo. É somente por meio do Cristo crucificado que se pode compreender “o poder de Deus" (cf. 1 Cor 1, 24) e a sua ação salvífica entre os homens. Por isso, na pregação evangélica de Jesus, tudo se resume a esta exortação: “Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me" (cf. Mt 16, 24). Não se trata de mera retórica, mas da apresentação de um dado incontestável: não há redenção sem cruz. O homem que quiser se salvar, deverá, necessariamente, apegar-se às cruzes do dia a dia, renunciando-se a si mesmo, tal qual o Filho do Homem fez no lenho da salvação.

Após aquele encontro fatídico na estrada para Damasco, São Paulo pôde perscrutar o significado autêntico da renúncia anunciada por Jesus. Viu que a lógica da cruz consiste num abandono confiante no “Evangelho da graça", o qual nos apresenta a salvação não como prêmio que se conquista por meio de esforços puramente humanos. É dom gratuito; Deus confunde a “sabedoria" humana ao doar-se inteiramente ao homem — “o que é tido como debilidade de Deus é mais forte que os homens" (cf. 1 Cor 1, 24). São Paulo, por sua vez, fazendo frente às tendências de sua época, não deixou de anunciar aos seus interlocutores a “loucura" e o “escândalo" do madeiro santo: “Porque a linguagem da Cruz é loucura para aqueles que se perdem; mas poder de Deus para os que se salvam, isto é, para nós" (cf. 1 Cor 1, 18-23).

Nas pegadas do Apóstolo das gentes, a Igreja sempre procurou incutir na sociedade o necessário e urgente apelo do Crucificado, sobretudo quando estes esforços sofriam oposição da mentalidade pagã e autossuficiente do período. Ela testemunhou pelo derramamento de sangue — tal qual São Pedro, que se deixou crucificar de cabeça para baixo, achando-se indigno de ter uma morte igual à de Jesus —, pela vida abastada e longe das comodidades do mundo — a exemplo dos monges eremitas e dos irmãos e irmãs do Carmelo —, como também pela atualização diária e milagrosa do próprio sacrifício de Jesus, através da celebração da Santa Eucaristia. Em poucas palavras, pode-se dizer que a pregação da Igreja se fundamentou ordinariamente neste pequeno, mas não menos verdadeiro, princípio: “Quando vires uma pobre Cruz de madeira, só, desprezível e sem valor... e sem Crucificado, não esqueças que essa Cruz é a tua Cruz" [1].

Por outro lado, grande e persistente foi a oposição sofrida pelo anúncio do Cristo crucificado ao longo da história. Algo que não surpreende, todavia. Dada a realidade do pecado original, que faz com que os homens tenham os pensamentos do mundo e não os de Deus (cf. Mt 16, 23), o ser humano “é continuamente tentado a desviar o seu olhar do Deus vivo e verdadeiro para o dirigir aos ídolos (cf. 1 Ts 1, 9), trocando 'a verdade de Deus pela mentira' (cf. Rm 1, 25)" [2]. De fato, para uma mentalidade submissa àquilo que São João chamava de “concupiscência da carne", “concupiscência dos olhos" e “soberba da vida", isto é, os ídolos que o mundo oferece, a cruz pode parecer uma realidade muito pouco atraente e sem sentido [3]. Nestes dois últimos séculos, em que não raras vezes os santos padres tiveram de lidar com propostas subversivas, dentro e fora da Igreja, cuja finalidade principal era substituir o Cristo crucificado por uma concepção cristã praticamente ateia, esse drama se revela ainda mais grave.

É particularmente notório um episódio da luta de Pio XI contra a ideologia nazista. Por ocasião da visita de Hitler a Roma, tendo se espalhado, a pedido de Mussolini, as suásticas do nacional-socialismo por toda a cidade eterna, o Papa Ratti ordenou que nenhuma bandeira fosse exposta nas sacadas do Vaticano, foi para Castel Gandolfo, e mandou escrever no L'Osservatore Romano que o ar de Roma estava irrespirável e que a ele não agradava nem um pouco ficar num lugar onde havia uma cruz que não era a de Cristo. Algo semelhante ocorreu com João Paulo II, quando da sua viagem à Nicarágua, em 1983. O governo sandinista, apoiado por padres ligados à Teologia da Libertação, havia organizado um infeliz protesto contra o papa. Na missa campal, foram colocados no altar, de propósito, cartazes de guerrilheiros em vez do crucifixo. O então secretário pessoal do santo papa, Cardeal Stanislaw Dziwisz, conta em suas memórias [4]:

[...] O Santo Padre, praticamente sozinho, enfrentou o tumulto e fez frente aos provocadores. Foi inesquecível a cena em que os sandinistas agitavam suas bandeiras rubro-negras, enquanto ele, de cima do palco, opunha-se a eles, levantando na direção do céu o báculo com o crucifixo na ponta.

Também dentro da Igreja esses confrontos contra a cruz de Cristo não faltaram. Nas sessões do Concílio Vaticano II, infelizmente, muitos foram os que sugeriram o abandono do sinal da cruz durante a liturgia, por este supostamente já não mais corresponder ao espírito do homem moderno [5]. Nas universidades de teologia, por sua vez, “a maneira blasfema como então se zombava da cruz como sendo um sadomasoquismo" era de se lamentar [6]. O então padre Joseph Ratzinger, futuro Bento XVI, escreve a respeito: “Vi o rosto horrível, sem disfarce, dessa piedade ateia; vi o terror psicológico, desenfreado, com o qual se conseguia sacrificar toda consideração moral como restante de um espírito burguês, quando se tratava da meta ideológica" [7].

Como nos tempos de São Paulo, a sociedade moderna não é simpática à mensagem da cruz de Cristo. Ao contrário, há certamente aquele número de indivíduos que, ludibriados pelas promessas ideológicas, depositam a própria esperança em obras e esforços humanos, a fim de alcançar um paraíso aqui na terra. É a tentação do neopelagianismo. Mutatis mutandis, como também não pensar nos “profetas" da técnica, verdadeiros gurus do modernismo, que, “fiando-se demasiadamente nas descobertas atuais", julgam desnecessária a mensagem evangélica, dando margem ao ceticismo e ao agnosticismo [8]? And last, but not least, que dizer das seitas e heresias que proliferam, fazendo com que o cristianismo e, por conseguinte, a Igreja deixem de ser a Mater et Magistra da sociedade, como gostava de definir São João XXIII, para se converter em uma mera instituição filantrópica ou sentimentalista?

A Igreja deve seguir o caminho do Esposo. Renegar a cruz seria como que um adultério. A tentação de apresentar um cristianismo sem cruz, no intuito de satisfazer o gosto da clientela, aos poucos, mostra-se frustrante. Sem o Cristo crucificado se perde o dom gratuito do Pai que, amando o mundo de tal maneira, entrega Seu Filho único em holocausto. É nisto que conhecemos o amor. Não há mensagem mais urgente, mais necessária, mais imprescindível para o homem que a mensagem do amor de Deus. Nenhum esforço humano, nenhuma sabedoria humana, nenhuma teologia da “libertação" ou da “prosperidade" é realmente capaz de libertar o homem e fazer com que ele progrida na santidade. É Cristo crucificado que nos traz a redenção, porque foi para isto que Ele se manifestou: “para destruir as obras do demônio" (cf. 1 Jo 3, 8).

É, pois, na morte crucificada que se encontra a verdadeira vida.

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As febres extraordinárias de São Pio de Pietrelcina
Santos & Mártires

As febres extraordinárias
de São Pio de Pietrelcina

As febres extraordinárias de São Pio de Pietrelcina

À semelhança de Cristo, que declarou ter vindo lançar fogo sobre a terra, também os santos vieram incendiar a humanidade com a chama do divino amor.

Equipe Christo Nihil Praeponere23 de Setembro de 2014Tempo de leitura: 3 minutos
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Das muitas histórias contadas em torno da figura do Padre Pio de Pietrelcina, aquelas relacionadas às suas febres ocupam páginas particularmente impressionantes. No período em que era forçado a abandonar o convento para cuidar de sua saúde em casa, o frade italiano experimentava febres altíssimas, sem registros em toda a história médica, de modo que, não fossem os relatos e as observações de profissionais, se pensaria que os testemunhos a este respeito tinham sido inventados.

O corpo de Pio chegava a temperaturas tão elevadas que os termômetros normais chegavam a arrebentar. Em carta enviada a uma de suas filhas espirituais, a 9 de Fevereiro de 1917, ele contava: “Sinto que melhorei. A febre tão alta, que não havia termômetro capaz de medi-la, deixou-me há já alguns dias". Em outra de suas cartas, ele acrescentava: “O calor da febre era tão excessivo, que fazia rebentar o termômetro".

O Padre Paolino de Casacalenda, guardião do convento de San Giovanni Rotondo, conta que, na primeira vez em que se encontrou com o Padre Pio, este estava de cama. Vendo-o “com o rosto afogueado e a respiração um pouco difícil", decidiu tirar-lhe a febre: “Qual não foi o meu espanto quando, ao retirar o termômetro, me apercebi que o mercúrio, chegado aos 42 graus e meio, ou seja, ao ponto extremo dos termômetros vulgares, tinha feito pressão e, não podendo sair, tinha quebrado o reservatório onde estava encerrado". Curioso para saber até onde ia a febre de Pio, Paolino pegou um termômetro de banho e ficou ainda mais assombrado quando viu “na coluna que o mercúrio tinha atingido os 52 graus". Naquele momento, o frade ficou convencido de que se encontrava “frente a um indivíduo fora do vulgar".

O Padre Raffaele de Sant'Elia de Pianisi, que viveu muitos anos com o Padre Pio, conta que, em 1934, quando Dom Bosco foi canonizado, o seu termômetro subiu a 53 graus de febre. “Vi-o com os meus próprios olhos. O Padre, na sua cama, parecia autêntico fogo, devido ao calor. Para lhe tirar a febre, tínhamos utilizado um termômetro de banho". Algumas pessoas que assistiram à canonização de São João Bosco contam ter visto o Padre Pio em Roma, durante a cerimônia. “Eu sei muito bem que naquele dia o Padre Pio estava de cama, e não posso dizer até que ponto tais afirmações eram verdadeiras", diz o Padre Raffaele. “De resto, tudo era possível ao Padre Pio, de quem se contavam tantos casos de bilocação".

O doutor Giorgio Festa, que cuidou por muito tempo da saúde do frade de Pietrelcina, examinou regularmente a sua temperatura, duas vezes por dia, no decorrer de várias semanas. Para tanto, levou consigo “um termômetro especial, que serve para as experiências científicas e que é de uma precisão absoluta". Os registros variavam de 36,2 graus a impressionantes 48,5 graus. “Quando era atingido por temperaturas tão elevadas," escreveu o médico, “o Padre Pio parecia sofrer muito, sendo tomado por grande agitação na cama, mas sem delirar e sem as perturbações comuns que habitualmente acompanham alterações febris significativas. Ao fim de um ou dois dias, tudo regressava ao seu estado normal."

Interessado pelo caso do Padre Pio, o doutor Festa correu atrás de investigações específicas e descobriu que, das temperaturas mais altas até então registradas pelos médicos, nenhuma passava dos 44 graus, tendo tais ocorrências recebido o nome de “agônicas" ou “pré-agônicas", pois eram fatalmente seguidas de morte.

Tantos episódios, respaldados não só pelos relatos de quem convivia com São Pio de Pietrelcina, como pela própria ciência médica, são verdadeiramente milagres. Aliás, é impossível compreender a vida deste santo sacerdote sem recorrer ao auxílio sobrenatural. Toda a sua existência nesta terra foi inteiramente devotada a uma contínua e cada vez mais profunda manifestação de Deus, pela qual o santo assumiu para si as palavras do Apóstolo: “Eu vivo, mas não eu: é Cristo que vive em mim" (Gl 2, 20).

De fato, a vida dos santos está repleta de histórias como essas, cheias de fatos extraordinários e comoventes, capazes de mexer com o coração até do cético mais obstinado. A caridade cristã realmente supera todas as medidas humanas e, à semelhança de Cristo, que declarou ter vindo lançar fogo sobre a terra (cf. Lc 12, 49), também os santos vieram incendiar a humanidade com a chama do divino amor.

Referências

  • Renzo Allegri. Padre Pio – um santo entre nós. Paulinas, Lisboa, 1999. p. 94-97

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Corte inaugura “direito à blasfêmia” na França
Sociedade

Corte inaugura
“direito à blasfêmia” na França

Corte inaugura “direito à blasfêmia” na França

Corte francesa absolve feministas que invadiram Catedral de Notre Dame e condena vigias “por violência contra as militantes”

Equipe Christo Nihil Praeponere23 de Setembro de 2014Tempo de leitura: 3 minutos
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Em fevereiro do ano passado, algumas ativistas do movimento feminista Femen, famosas por suas exibições internacionais desnudas, decidiram “comemorar" a renúncia do Papa Bento XVI invadindo a Catedral de Notre Dame, em Paris, com inscrições no corpo que diziam: “ Pope no more - Papa não mais" e “Pope Game Over". Além dos transtornos causados pela invasão do templo e pelo ultraje ao sentimento religioso dos católicos presentes, as militantes teriam danificado três sinos da igreja com bastões de madeira, segundo informações das agências internacionais.

Notícias recentes reportam que as feministas foram “absolvidas por ato na Notre Dame". A Justiça penal da França não só decidiu “inocentar nove ativistas do movimento feminista Femen", como “condenou três vigias da catedral que haviam tentado interromper a ação das militantes a multas que vão de 300 euros a 1 mil euros (...) por violência contra as militantes"!

Não, você não leu errado. É isso mesmo. As ativistas invadiram Notre Dame e saíram… impunes. Ao contrário, os vigias “malvados", que não deixaram que as militantes “expressassem o seu pensamento", foram condenados pelo tribunal a pagar multas.

Mas, o absurdo não para por aí. A Justiça francesa “considerou que não havia provas suficientes de que as ativistas haviam danificado o sino" da igreja! Ou seja, não tem problema nenhum em invadir a catedral, gritar e insultar a religião católica… contanto que os sinos da igreja permaneçam intactos. Está liberado entrar em templos religiosos e fazer o escarcéu… contanto que não se danifique nenhum móvel ou objeto do local. “Se alguém jura pelo Santuário, não vale; mas se alguém jura pelo ouro do Santuário, então vale!" (Mt 23, 16), decretam os fariseus do século XXI.

Os jornalistas que falam sobre a absolvição das jovens do Femen também estão obcecados com os sinos. “No julgamento, as militantes do Femen contestaram ter danificado o sino, alegando que haviam coberto os bastões de madeira com feltro" - “O advogado dos representantes da Notre Dame, por sua vez, disse que a proteção se descolou e que as ativistas tocaram o sino com um bastão sem proteção" - “A Justiça considerou que não havia provas suficientes de que as ativistas haviam danificado o sino". Ora, quem é que pode se preocupar com um sino, ainda que de ouro, quando o santuário está sendo profanado? “Insensatos e cegos! Que é mais importante, o ouro ou o Santuário que santifica o ouro?" (Mt 23, 17).

Mas, em uma cultura materialista, as pessoas não são capazes de enxergar nada além do que captam os seus sentidos. Veem o ouro, mas já não conseguem contemplar a beleza do santuário. O edifício da igreja já não é nada mais do que cimento e tijolos. Non est Deus (Sl 53, 1): não há Deus, nem nada sagrado e transcendente pelo qual viver.

O bárbaro da modernidade já não é capaz de elevar-se… esforça-se por esquecer que seus antepassados faziam o sinal da cruz ao passar em frente a uma capela; trabalhavam duro para conseguir o pão de cada dia para os seus filhos; e iam à Missa todos os domingos, pois tinham consciência de que, se o Senhor não construísse as suas casas e cuidassem de suas cidades, em vão trabalhariam os construtores e vigiariam as sentinelas (cf. Sl 126, 1). Então, para não mais lembrar que a Europa um dia foi cristã, eles, com uma impiedade animalesca, precisam pôr abaixo tudo o que lhes lembra este passado glorioso, quando os homens, justamente por adorarem a Deus, eram homens de verdade, de corpo e de alma.

Inna Schevchenko, uma das fundadoras do Femen, comemorou a sentença da Corte francesa. “É um bom exemplo para os outros países. Isso nos encoraja a continuarmos com nossa ação. Temos orgulho de saber que a blasfêmia é um direito e que não seremos condenadas por isso", afirmou.

O tempora, o mores! Para esta triste época, em que a impunidade é encorajada, o ateísmo é acolhido como “religião oficial" do Estado e a blasfêmia não só é praticada, como transformada em “direito", não resta senão suplicar a Cristo que suscite nos corações dos cristãos o amor a Deus e o empenho de, mais uma vez, salvar o Ocidente da barbárie.

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