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O heroísmo que nasce na cruz
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O heroísmo que nasce na cruz

O heroísmo que nasce na cruz

O cristianismo inaugurou um novo modelo de heroísmo, transformando a cruz do dia a dia na coroa da santidade.

Equipe Christo Nihil Praeponere8 de Novembro de 2013Tempo de leitura: 3 minutos
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O heroísmo é uma categoria social antiga. Considera-se herói, segundo a definição de Paul Johnson, aquele cuja vontade se sobrepõe à opinião pública, agindo com coragem e decisão, mesmo nas situações mais adversas; independentemente das consequências. Na antiguidade, estava atrelado às personalidades austeras e habilidosas no uso da força. Compaixão, altruísmo e generosidade não faziam parte de seu itinerário. Ao contrário, os que nutriam essas virtudes eram vistos com desdém; considerados fracos. Neste panteão de heróis incluiam-se Alexandre Magno e o imperador Júlio César, verdadeiros mestres da guerra.

A tradição judaico-cristã deu nova vitalidade ao heroísmo. Com a resistência do povo hebreu, sobretudo no combate aos impérios inimigos, a civilização pôde conhecer a figura de um novo modelo de herói: o mártir. Mas foi somente no cristianismo que o martírio se tornou sinônimo de santidade, a começar pela morte de Santo Estevão - entregando sua vida com total resignação diante dos algozes que o apedrejavam - até o fuzilamento de São Maximiliano Kolbe, morto num campo de concentração nazista.

Com efeito, enquanto no paganismo o herói é desprovido de caráter, no cristianismo, é cheio de virtudes humanas e teologais. O resultado dessa mudança notabilizou-se principalmente na cultura, porquanto para o herói cristão "maneiras corteses, hospitalidade, proteção a menestréis, poetas e artesões; acima de tudo, respeito às mulheres"[1] eram características fundamentais. Essa soma de virtudes e espírito de martírio deu origem a uma plêiade de mulheres e homens santos, cujo principal combate era a conquista do céu.

Os santos são os heróis por excelência. Em cada um deles encontra-se a virtude heróica do Servo de Deus, que aponta o caminho da salvação para o resto dos homens. Em São Pedro, a humildade para arrepender-se, pedir perdão a Cristo e, de cabeça para baixo - a fim de não se comparar ao Senhor -, terminar crucificado. Em Santa Bakhita, a esperança do escravo que, apesar dos maus patrões, sabe depender exclusivamente da providência divina, testemunhando-a dia a dia, nas suas tarefas ordinárias. Em João Paulo II, a fé do pastor que, na amargura do sofrimento, consegue levar com coragem a mensagem de Deus, encarnando exemplarmente o autêntico espírito cristão. E finalmente em Maria, a simplicidade da serva do Senhor que glorificou "mais Deus pela mínima das suas obras (por exemplo: fiar na sua roca ou dar alguns pontos de costura com agulha), do que São Lourenço pelo cruel martírio que sofreu na grelha e mesmo do que todos os santos pelas suas mais heróicas ações"[2], mostrando que o verdadeiro heroísmo se constrói na vida cotidiana, não em grandes espetáculos públicos.

No cristianismo não se nasce herói, torna-se. É um processo diário, de entrega constante, desapegando-se do mundo e da vaidade que nele se encontra. Consiste em fazer-se crucificado com Cristo a qualquer momento, em qualquer lugar; não somente em ocasiões especiais. Até porque "quantos se deixariam cravar numa cruz perante o olhar atônito de milhares de espectadores, e não sabem sofrer cristãmente as alfinetadas de cada dia!"[3] Há mais heroísmo no rapaz que acorda sempre no mesmo horário, cumprindo todas as suas obrigações e normas de piedade, que no uso do cilício por alguém incapaz de estudar e realizar suas tarefas costumeiras. Nem todo martírio é de sangue!

Mas, dada essa exigência, ainda há espaço no mundo de hoje para o heroísmo cristão?

Aparentemente, não! A sociedade moderna carece de autênticas figuras heroicas, porque a virtude saiu de moda. O heroísmo foi substituído pelo mau caratismo, pela parvoíce de alguns celerados, que acham que fazem muito gritando algumas frases de efeito em frente a uma repartição pública ou coisa do gênero. O rosto estampado de um assassino como Che Guevara na camisa de um adolescente demonstra o vazio - tanto moral, quanto intelectual - desta civilização.

Mais do que nunca, "o mundo precisa de vidas limpas, de almas claras, de inteligências simples"[4], que estejam dispostas a renunciar às ideologias, apoiando-se firmemente na providência divina, para empenhar mutuamente as suas vidas, suas fortunas e a sagrada honra pela santidade cristã. O reino de Deus é dos violentos, por isso, o "cristão pode viver com a segurança de que, se tiver desejos de lutar, Deus o pegará pela mão direita"[5].

É na cruz que nascem os heróis, é no céu que habitam os santos.

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"Eu prefiro o meu pudor", diz jovem italiana
Sociedade

"Eu prefiro o meu pudor",
diz jovem italiana

"Eu prefiro o meu pudor", diz jovem italiana

Cantora italiana se recusa a contracenar seminua em peça musical. “Ao dinheiro e ao meu sonho eu prefiro o meu pudor”.

Equipe Christo Nihil Praeponere8 de Novembro de 2013Tempo de leitura: 3 minutos
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A cantora italiana María Luce Gamboni, de 18 anos de idade, teve o mérito de ser eleita para o papel de Julieta, na obra musical Romeo & Giulietta – Ama e cambia il mondo ["Romeu e Julieta – Ama e muda o mundo"]. O produtor da peça, David Zard, é considerado o maior produtor musical da Itália. O palco da primeira exibição é a Arena de Verona, o famoso anfiteatro construído no século I da era cristã. Daí, o espetáculo segue para outros grandes teatros. Sem dúvida, este poderia ser um grande passo para que esta jovem atriz alçasse uma carreira de sucesso. E, no entanto, algo deu errado.

Solicitada a contracenar seminua, María Luce não pensou duas vezes. "Ao dinheiro e ao meu sonho eu prefiro o meu pudor", respondeu ao diretor. Na cena de amor com Romeu, ela teria que usar apenas uma camisola transparente. A jovem ainda tentou negociar com a produção da peça: pediu que usasse pelo menos uma roupa por baixo do traje, mas o pedido foi negado.

Por outro lado, a resposta da moça também foi categórica. "Aceitar este traje seria negar os princípios em que creio, firmemente arraigados em minha consciência católica e de mulher", afirmou María Luce, em entrevista ao jornal Il Resto del Carlino. "Eu gosto de cantar, mas não a qualquer custo".

O testemunho desta cantora é um verdadeiro exemplo para as jovens deste tempo. "Creio que é importante ter comprovado que não aceitar compromissos é possível e dá uma grande satisfação", ressaltou. "Não tenhamos medo de impor nossas próprias ideias, pensar sempre com a própria cabeça e não se deixar levar. Em suma, ser capaz de renunciar à oportunidade, se se entende que não é adequada, justa em si mesma".

Com sua atitude, María Luce torna-se figura emblemática daquele conselho tão repetido nos últimos dias pelo Papa Francisco, de "ir contra a corrente". Se tem se tornado comum vender o corpo para ser exibido em propagandas comerciais, espetáculos teatrais e programas de televisão, brilham resplandecentes personagens como María, que dão mais valor ao pudor e à dignidade de seu próprio corpo que ao dinheiro e ao prazer.

O destemor desta jovem e de tantas outras trazem à memória algumas palavras que Dom Aquino Corrêa, arcebispo matogrossense do século XX, pronunciou em um memorável discurso às professoras de Cuiabá. Ele ensinava que "nada vale a beleza sem o pudor". "A beleza sem o pudor é o ouro no lodaçal (...) É lei natural: contrariá-la é a grande perversão do século. Outra, em verdade, não parece a tendência atual dos tempos, senão este divórcio cada vez mais desfaçado e completo" [1].

A exortação de Dom Aquino foi feita em 1930, bem antes da revolução sexual dos anos 1960, e já àquela época o corajoso bispo notava que "a tendência atual dos tempos" parecia ser justamente o despudor e a impureza. Ele não imaginava, porém, que a situação pioraria a ponto de um parlamentar brasileiro vir a público para pedir a "legalização" da prostituição [2] - a institucionalização da indecência.

Não é verdade, porém, que a decadência deste século é inevitável. Se, ouvindo as palavras do Santo Padre, os jovens tiverem a coragem de ir "contra a corrente", poderão reatar, com a graça de Deus, os laços do pudor e da beleza, há tanto tempo desfeitos. Para isto, no entanto, não poucas vezes será preciso renunciar a uma carreira afamada ou a uma promoção no trabalho. "Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. Aquele que tenta salvar a sua vida, irá perdê-la. Aquele que a perder, por minha causa, irá reencontrá-la" (Mt 10, 38-39).

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Blood Money - Aborto legalizado chega aos cinemas do Brasil
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Blood Money - Aborto legalizado
chega aos cinemas do Brasil

Blood Money - Aborto legalizado chega aos cinemas do Brasil

Documentário apresentado por sobrinha de Martin Luther King Jr revela os bastidores da indústria do aborto nos Estados Unidos

Equipe Christo Nihil Praeponere7 de Novembro de 2013Tempo de leitura: 2 minutos
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Você provavelmente não verá esse filme num comercial de TV. Muito menos num anúncio de jornal. É que ele fala sobre um assunto não muito "politicamente correto" para os dias de hoje. Ele fala sobre o aborto. Blood Money, uma produção norte-americana, dirigida por David Kyle e apresentada pela ativista do movimento de negros dos EUA, Alveda King - sobrinha de Martin Luther King Jr. -, denuncia a máquina de lucros em que se transformou a indústria abortista nos Estados Unidos, desde que a infame lei Roe vs. Wade foi aprovada. O documentário chega às salas de cinema de todo o Brasil no próximo dia 15 de novembro.

" Blood Money - Aborto legalizado" é mais uma vitória contra a cultura da morte. O mercado negro do aborto vem perdendo fôlego mundo afora, e agora muito mais, graças ao empenho do movimento pró-vida. Como registrado aqui, os Estados Unidos assistiram, no início deste ano, à maior Marcha pela vida da história daquele país. 650 mil pessoas, na sua maioria jovens, reuniram-se na frente da Corte Suprema americana, a apenas poucos dias da posse de Obama - paladino dos abortistas -, para dizer um rotundo "não" à ideologia do aborto. Na ocasião, o então papa reinante, Bento XVI, expressou seus sentimentos pelo Twitter, dizendo: "Uno-me à distância a todos os que se manifestam pela vida, e rezo para que os políticos protejam ao não-nascido e promovam a cultura da vida".

E por que perde a causa abortista? Porque mente! A cultura da morte é mentirosa desde o princípio. Mente quando nega ao nascituro o direito inalienável à vida, rebaixando-o ao nível de um sub-humano ou célula cancerígena. Mente quando manipula os números de casos de aborto, criando a impressão de que se trata de um "caso de saúde pública". E mente quando ensina à mulher que ela será livre mantando seu bebê. É óbvio que uma farsa dessa proporção, mais cedo ou mais tarde, tem de cair. O mote da campanha pró-aborto não é só um atentado contra a vida inocente, é um atentado contra toda a humanidade. Uma sociedade que começa matando seus filhos termina matando a si mesma.

Por mais que se façam malabarismos para distorcer o sentido desta palavra, o fato é que o aborto se trata, sim!, de um assassinato. Isso é inegável. Com efeito, o silêncio da mídia, ou então, a sua propaganda descarada a favor dessa ideologia traduzem claramente a cegueira e a desonestidade que imperam nas redações jornalísticas. Historicamente, as grandes ditaduras do último século contaram com o expresso apoio dos jornais, ora sacralizando seus líderes, ora fechando os olhos para seus crimes. O caso agora em debate, ou seja, o aborto, ajuda a ilustrar que o perigo das ideologias ainda não é um assunto superado.

O povo deve ir aos cinemas. Contra a mentira da indústria abortista, contra o silêncio da mídia, contra o avanço da cultura da morte: fazer de Blood Money um sucesso não é só um dever, é um ato heroico. Sim, pois, num momento em que se instala no ordenamento jurídico brasileiro um vírus de "Cavalo de Tróia" - a lei 12.845, que abre uma verdadeira auto-estrada para o aborto no Brasil -, é tarefa de todos lembrar àquelas pessoas de Brasília que elas não são deuses e que, portanto, estão lá para servir, não para ditar regras contrárias à dignidade do ser humano.

É uma questão de consciência, muito mais que de religião. Assistam a Blood Money!

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Nem o espírito ama sozinho, nem o corpo
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Nem o espírito ama
sozinho, nem o corpo

Nem o espírito ama sozinho, nem o corpo

Qualquer intento de conceituar o amor recorrendo ao “campo puramente biológico” acaba por menosprezar a sua real grandeza e dignidade

Equipe Christo Nihil Praeponere4 de Novembro de 2013Tempo de leitura: 2 minutos
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Em uma tentativa de "secularizar" o amor, os inimigos da fé se veem em polvorosa. Afinal, é possível defini-lo ou explicar sua causa sem recorrer às categorias religiosas?

Na verdade, qualquer intento de conceituar o amor que deixe de levar em conta as duas dimensões essenciais do homem – corpo e alma – acaba por menosprezar a sua real grandeza.

Combatendo uma visão dualista do homem, o Catecismo ensina que "o espírito e a matéria no homem não são duas naturezas unidas, mas a união deles forma uma única natureza". E o Papa Bento XVI lembra que "nem o espírito ama sozinho, nem o corpo: é o homem, a pessoa, que ama como criatura unitária, de que fazem parte o corpo e a alma".

A fim de mostrar às pessoas um amor baseado na visão integral do homem, o Papa emérito, no começo de sua encíclica Deus Caritas Est, fez questão de condenar os dois erros mais comuns nesta matéria: seja a solução hedonista, que, colocando em evidência a busca do prazer, transforma o ente amado pura e simplesmente em objeto; seja a solução espiritualista, que, como a heresia gnóstica, demoniza a matéria e, por consequência, a própria sexualidade humana.

Menos comum em nossos dias, mas nem por isso menos perigosa, esta visão da sexualidade humana tendente a demonizar o corpo chega a negar, em últimas instâncias, a beleza e a sacralidade do Matrimônio. O escritor C. S. Lewis, em seu Cristianismo puro e simples, recorda que "o cristianismo exaltou o casamento mais que qualquer outra religião e quase todos os grandes poemas e amor foram compostos por cristãos. Se alguém disser que o sexo, em si, é algo mau, o cristianismo refuta essa afirmativa instantaneamente."

Ao mesmo tempo, porém, fica evidente que a sexualidade humana pode se envilecer e degradar, especialmente quando nos esquecemos desta realidade chamada "alma". De fato, se os homens não têm alma, se são meros animais avançados na escala evolutiva, o que se entende por amor não passa, na verdade, dos instintos ou hormônios humanos; se não existe nada além desta vida, o fundamento último das relações humanas não é nada, senão o simples egoísmo e a busca desenfreada de prazer. Da extraordinária condição humana, que o próprio Deus assumiu para nos redimir, passamos à irracionalidade animal. Citando Bento XVI:

"O modo de exaltar o corpo, a que assistimos hoje, é enganador. O eros degradado a puro 'sexo' torna-se mercadoria, torna-se simplesmente uma 'coisa' que se pode comprar e vender; antes, o próprio homem torna-se mercadoria. (...) Na verdade, encontramo-nos diante duma degradação do corpo humano, que deixa de estar integrado no conjunto da liberdade da nossa existência, deixa de ser expressão viva da totalidade do nosso ser, acabando como que relegado para o campo puramente biológico."[1]

São baldados os esforços de alguns cientistas ateus para definir o "amor" recorrendo ao "campo puramente biológico". Afinal, por mais que queiram construir um homem a seu modo, um homem simplesmente material, sem perspectiva de eternidade e refém de uma vida sem sentido, o homem é o que é: imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1, 26).

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