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Amor: matar ou morrer?
Espiritualidade

Amor: matar ou morrer?

Amor: matar ou morrer?

A identidade do amor autêntico está estampada na Cruz: quando se ama, não se mata, mas, verdadeiramente, se morre

Equipe Christo Nihil Praeponere17 de Março de 2014Tempo de leitura: 3 minutos
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O amor entre o homem e a mulher, firmado desde o princípio como união indissolúvel[1] e antes de ser elevado por Cristo à dignidade de sacramento, foi, de algum modo, perturbado pelo pecado original. As consequências da desobediência do homem afetaram profundamente a comunhão conjugal. "Multiplicarei os sofrimentos de teu parto; darás à luz com dores, teus desejos te impelirão para o teu marido e tu estarás sob o seu domínio"[2], diz Deus à primeira mulher. Assim, "sua atração mútua, dom do próprio Criador, transforma-se em relações de dominação e cobiça"[3] e aquele projeto primeiro do Criador, ainda subsistente, encontrou um inimigo na própria carne, deformada pelo mal.

A simples observação da realidade faz notar que as desordens entre homem e mulher "parecem ter um caráter universal"[4]. A literatura bíblica oferece o exemplo de Susana, que, coagida por dois anciãos, foi vítima de falso testemunho e quase morreu injustamente. O escritor sagrado diz que "os dois anciãos, que a observavam (...), puseram-se a desejá-la", "perverteram assim a sua mente e desviaram seus próprios olhos, de modo a não olharem para o Céu e não se lembrarem dos seus justos julgamentos"[5].

Na peça "Titus Andronicus", de William Shakespeare, os corações de outros dois homens – Demetrius e Chiron – também são corrompidos pelo desejo de dominação. Ao revelar o seu plano de possuir Lavínia, Demetrius diz os seguintes versos: " She is a woman, therefore may be woo'd; / She is a woman, therefore may be won; / She is Lavinia, therefore must be loved. – Ela é mulher, deve ser cortejada; / Ela é mulher, deve ser conquistada; / Ela é Lavínia, e deve ser amada"[6]. A verdade de que a mulher deve ser "cortejada, conquistada, amada" serve, aqui, de pretexto para a defesa de um amor egoísta e cruel, como se vê ao longo da tragédia. Após estuprar Lavínia, os dois godos cortam-lhe a língua e as mãos, mostrando que "a aparente exaltação do corpo pode bem depressa converter-se em ódio à corporeidade", como indica o Papa Bento XVI:

"O eros degradado a puro 'sexo' torna-se mercadoria, torna-se simplesmente uma 'coisa' que se pode comprar e vender; antes, o próprio homem torna-se mercadoria. Na realidade, para o homem, isto não constitui propriamente uma grande afirmação do seu corpo. Pelo contrário, agora considera o corpo e a sexualidade como a parte meramente material de si mesmo a usar e explorar com proveito. Uma parte, aliás, que ele não vê como um âmbito da sua liberdade, mas antes como algo que, a seu modo, procura tornar simultaneamente agradável e inócuo. Na verdade, encontramo-nos diante duma degradação do corpo humano, que deixa de estar integrado no conjunto da liberdade da nossa existência, deixa de ser expressão viva da totalidade do nosso ser, acabando como que relegado para o campo puramente biológico."[7]

Ao contrário do que sucedeu a Lavínia – e quase aconteceu a Susana –, a mulher não deve ser subjugada, mas verdadeiramente amada, em sua integridade e liberdade. O esposo do Cântico dos Cânticos, por exemplo, refere-se à sua esposa como a um "jardim fechado", uma "fonte lacrada"[8]. O bem-aventurado João Paulo II, ao comentar esse trecho das Escrituras, escreve que essas metáforas indicam que o homem está disposto a receber sua mulher como "dona de seu próprio mistério"[9]. "Se o amante quer entrar nesse 'jardim' e participar do mistério da mulher, não pode invadi-lo à força ou tentar arrombar a porta"[10], como fizeram os dois anciãos do livro de Daniel[11], mas, esperar o "sim", imagem do consentimento matrimonial, dado livremente pela mulher: "Eu sou do meu amado"[12].

O amor que Deus tem pelo homem, respeitando a sua liberdade, esperando com paciência o seu "sim", é a imagem da comunhão que deve existir entre o homem e a mulher. A partir da redenção de Cristo, este amor chega ao grande sacrifício da Cruz, no qual está estampada a identidade do autêntico "amor livre": quando se ama, não se mata, mas, verdadeiramente, se morre.

Os relatos trágicos de "amores" humanos advindos de uma liberdade mutilada demonstram até onde o homem pode chegar, fechando-se em si mesmo; ao contrário, o retrato de até onde ele pode chegar, com Deus, não se encontra frequentemente na literatura comum, senão na vida dos santos. É no exemplo de suas vidas que se manifesta o excelso modelo do matrimônio: o amor esponsal de Cristo por Sua Igreja.

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O castelo de nossas almas
Espiritualidade

O castelo de nossas almas

O castelo de nossas almas

Se não tivermos e não procurarmos a paz em nossa própria casa, não a encontraremos em casas alheias.

Equipe Christo Nihil Praeponere8 de Março de 2014Tempo de leitura: 3 minutos
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A analogia de Santa Teresa de Ávila, em suas "Moradas", comparando a alma a um grande castelo, é uma dessas intuições geniais que se podem dizer, sem medo, inspiradas por Deus.

Quem nunca ficou admirado, ao tomar contato com imagens do passado, com os belíssimos castelos medievais, a majestosa arquitetura antiga, ou nunca se imaginou morando em um desses lugares fantásticos, cheios de longas escadarias e obras de arte portentosas? Pois bem, não é grande tolice que nos detenhamos a contemplar essas belas obras humanas ou que nos fixemos demasiadamente naquilo que é material e ignoremos o tão elevado castelo que é a nossa própria alma? Como indica a própria Teresa, "sabemos muito por alto que nossa alma existe, porque assim ouvimos dizer e a fé nos ensina", mas raramente consideramos "as riquezas que há nesta alma, seu grande valor, quem nela habita"[1].

Em sua obra, Teresa convida suas irmãs carmelitas a adentrarem nos castelos de suas almas. Diferentemente dos castelos comuns, para os quais uma breve visita significaria ter de juntar altas somas de dinheiro, percorrer longas distâncias ou, talvez, até atravessar oceanos, para adentrar no castelo de nossas almas, podendo aí permanecer por muito tempo, basta colocar-se à porta: "Pelo que entendo, a porta para entrar neste castelo é a oração"[2]. Porém, ainda que seja simples entrar neste castelo, são poucos os que verdadeiramente abrem a sua porta e entram em si mesmos, por assim dizer.

Mas, por que entrar nesse castelo? Para quê, afinal? Primeiramente, para ganhar a salvação, pois "é desatino pensar que havemos de entrar no céu sem primeiro entrar em nós mesmos"[3]. Não à toa Santo Afonso de Ligório dizia que "quem reza, se salva; quem não reza, se condena": o primeiro santuário no qual todo homem deve entrar é o de si mesmo; aí, além de sua miséria e de sua condição de criatura, ele encontrará o seu Criador, como aconteceu a Santo Agostinho: "Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora!"[4].

Depois, sem recolhermo-nos em nós mesmos, é impossível que nos santifiquemos. Infelizmente, tomados por uma mentalidade mesquinha, temos oferecido a Deus o nosso "mínimo", muitas vezes "nos arrastando à força e cumprindo nossas obrigações somente para evitar pecados"[5]. Ao contrário, se quisermos de fato amar a Deus sobre todas as coisas e corresponder à "vocação universal à santidade"[6], devemos ser generosos, determinando-nos a conformar nossa vontade com a do Senhor e agradá-Lo em tudo.

Por fim, não pode haver verdadeira paz senão no interior: "Haverá maior mal do que não podermos estar em nossa própria casa? Se em nosso próprio lar não achamos sossego, que esperança teremos de encontrá-lo em casas alheias?"[7], pergunta Santa Teresa. Uma filha sua que experimentou a fundo essa verdade foi Santa Teresinha do Menino Jesus. Descrevendo a viagem que fez pela Europa, um ano antes de sua tomada de hábito, ela escreve:

"Durante toda a viagem, hospedamo-nos em hotéis principescos; jamais estive cercada de tanto luxo. É mesmo o caso de dizer que a riqueza não traz a felicidade, pois teria-me sentido mais feliz sob o teto de uma choupana e com a esperança do Carmelo, do que entre lambris dourados, escadas de mármore branco, tapetes de seda e com a amargura no coração... Ah! Eu bem o sentia: a alegria não se acha nos objetos que nos cercam; encontram-se no mais íntimo da alma, pode-se possuí-la do mesmo modo numa prisão ou num palácio. A prova é que sou mais feliz no Carmelo, mesmo no meio de provações interiores e exteriores, do que no mundo, cercada das comodidades da vida e, sobretudo, das ternuras do lar paterno!..."[8]

Como a Teresa do século XVI, a Teresa do século XIX tinha aprendido a grande lição: "Se não tivermos e não procurarmos a paz em nossa casa, não a encontraremos nas alheias"[9].

Referências

  1. Santa Teresa de Jesus. Castelo Interior ou Moradas, Primeiras Moradas, capítulo 1, n. 2. In: São Paulo: Paulus, 2014.
  2. Idem, Primeiras Moradas, capítulo 1, n. 7
  3. Idem, Segundas Moradas, n. 11
  4. Santo Agostinho. Confissões, Livro X, n. 38. In:20ª. ed. São Paulo: Paulus, 2008
  5. Castelo Interior, Quintas Moradas, capítulo 3, n. 6
  6. Cf. Concílio Vaticano II, Constituição dogmática Lumen Gentium, 21 de novembro de 1964, n. 32
  7. Castelo Interior, Segundas Moradas, n. 9
  8. Santa Teresa do Menino Jesus. História de uma alma: Manuscrito A, 65r. In: Obras completas escritos e últimos colóquios. São Paulo: Paulus, 2002
  9. Castelo Interior, Segundas Moradas, n. 9

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Amar, uma tarefa diária para todo cristão
Espiritualidade

Amar, uma tarefa
diária para todo cristão

Amar, uma tarefa diária para todo cristão

O amor é um ato de determinação; requer-se uma vontade deliberada de amar.

Equipe Christo Nihil Praeponere5 de Março de 2014Tempo de leitura: 3 minutos
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O chamado de Jesus consiste unicamente no amor, de modo que as palavras dirigidas a Mateus – “Segue-me" (Cfr. Mt 9, 9) – podem também significar o imperativo do verbo amar: ame! Seguir Jesus é amar. A vocação cristã, portanto, se resume nessa atitude de doação, que só um coração contrito e apaixonado por Deus é capaz de ofertar aos outros.

O Catecismo da Igreja Católica, aprofundando um pouco mais neste mistério, explica que somos vocacionados do amor, porque fomos “criados à imagem e semelhança de Deus"[1]. Visto que Deus é amor, como narra São João, também nós somos predestinados a tomar parte nesta natureza, tornando-nos, em Cristo, filhos de Deus e, por conseguinte, membros de seu Corpo. Nesse sentido, que belo exemplo nos dá a Virgem Maria, como modelo de perfeição, ao acolher com total obediência – “eis aqui a escrava do Senhor" (Cfr. Lc 1, 38) – o propósito divino para sua história. Ela escolheu a melhor parte.

Por outro lado, lembra-nos o livro de Gênesis (Cfr. Gn 3, 10) a vocação do homem ao amor foi abalada a partir do momento em que – assistido pelos conselhos perniciosos da serpente – ele optou por ser um deus sem Deus. Com efeito, o amor ao Criador e suas criaturas, que era antes doação, converteu-se em amor próprio: amo-me acima de todas as coisas. Esse amor doentio (filáucia), que os padres da Igreja consideram a mãe de todas as doenças espirituais, permeia todo o orbe católico, até mesmo os lugares onde se exala certa piedade e zelo apostólico[2]. As liturgias impecáveis, a oração do terço, a opção preferencial pelos pobres, por sua vez, podem muitas vezes esconder um teatro com aparência de santidade. Diz o Papa Pio XII[3]:

[...] Sabeis, veneráveis irmãos, que o divino Mestre considera indignos do templo sagrado e expulsa dele os que crêem honrar a Deus somente com o som de bem construídas palavras e com atitudes teatrais e estão persuadidos de poder prover de modo adequado à sua salvação sem arrancar da alma os vícios inveterados.

O cristianismo não é uma religião de formalismo sem fundamento e sem conteúdo. Quando São Josemaria Escrivá pede que tenhamos uma oração litúrgica, nada mais faz do que obedecer à lei de Deus, exortando-nos a conhecer “a genuína natureza da verdadeira Igreja"[4]. Na liturgia, celebramos o mistério pascal, com o qual Cristo nos redimiu e tornou-nos coerdeiros das graças divinas. Mas essa celebração deve estar acompanhada por uma atitude interior de entrega e amor a Deus, de sorte que o homem respire a beleza de uma vida em comunhão com o Senhor. Ensina o Catecismo da Igreja Católica: “a liturgia é o ápice para o qual tende a ação da Igreja, e ao mesmo tempo é a fonte donde emana toda a sua força"[5]. Mas sem o amor, torna-se pouco eficaz, pois, com a liturgia – insiste oportunamente Pio XII –, a Igreja “quer que todos os fiéis se prostrem aos pés do Redentor para professar-lhe o seu amor e a sua veneração"[6].

Pelo contrário, se este propósito não estiver em todo coração católico, por mais belas que sejam as casulas e os ornamentos do altar, a celebração não passará de um monólogo: uma conversa comigo mesmo, em cujo cerne se encontra apenas a minha própria vontade. Analisando muitas atitudes ao nosso redor – e até mesmo a nossa – perceberemos que infelizmente não estamos muito distantes disso.

O amor é um ato de determinação; requer-se uma vontade deliberada de amar. Não se trata de um sentimento, mas de uma resposta à ação de Deus, bebendo “incessantemente da fonte primeira e originária que é Jesus Cristo"[7]. Recorda-nos Bento XVI, na sua encíclica Deus Caritas Est, que “quem quer dar amor, deve ele mesmo recebê-lo em dom"[8]. A esse respeito, une-se à voz do Santo Padre a “pequena via" de Santa Teresinha[9]:

[...] Oh! Como eu gostaria de ser hipnotizada por Nosso Senhor! Foi o primeiro pensamento que me veio quando acordei. Com que doçura eu lhe entregaria a minha vontade! Sim, eu quero que ele se apodere de minhas faculdades de tal modo que não faça mais ações humanas e pessoais, mas, ações divinas, inspiradas e dirigidas pelo Espírito de Amor!

Quando posto à prova pelos fariseus em relação ao maior de todos os mandamentos, Cristo não hesitou em dizer: “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo" (Cfr. Mt, 22, 37-39). Esta é a nossa única tarefa diária: amar, amar, amar!

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A lei suprema da Igreja é a salvação das almas
Igreja Católica

A lei suprema da Igreja
é a salvação das almas

A lei suprema da Igreja é a salvação das almas

A presença da Igreja no mundo foi a forma querida por Deus para conter o avanço do inferno na Terra. E é por isso que, quer se queira quer não, ela continuará a "perdoar e exorcizar" as almas dos filhos de Adão.

Equipe Christo Nihil Praeponere3 de Março de 2014Tempo de leitura: 3 minutos
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A parusia, dia em que se aguarda a segunda vinda de Jesus à Terra, marca o fim do tempo para o príncipe deste mundo. É a época da história na qual Cristo faz a colheita do trigo, lançando ao fogo as sementes do joio. Deus une-se à humanidade por meio de Seu Corpo Místico, que habita na Igreja Católica[1], “coluna e sustentáculo da verdade" (Cf. Tm 3, 15). Neste dia, céus e terras serão testemunhas da glória do Senhor, entoando cânticos de louvor e adoração até os confins do universo.

Porém, antes que isso aconteça, o homem deve passar ainda pelo tempo da economia sacramental, cuja fonte não se encontra em outro lugar, senão na Igreja [2]. É dela que podemos haurir as graças necessárias para uma vida conforme os planos de Deus. Cristo age em nossa história – perdoando pecados e expulsando demônios – por meio de Sua Esposa. Naturalmente, como nos dias do ministério público de Jesus, a ação de “perdoar e exorcizar", ao mesmo tempo em que motiva os homens a crer, também impele os “incrédulos" a grasnar contra a Palavra de Deus. Com efeito, do mesmo modo que a multidão se reuniu para suplicar a Cristo que “deixasse aquela região" (Cfr. Mt 8, 34) também nos dias de hoje há quem se reúna para pedir o banimento da Igreja.

Para algumas mentes incautas – e outras não tão incautas assim –, a existência de uma instituição fiel à promessa de Cristo significa o “atraso" da sociedade, um resquício de épocas passadas, das quais deveríamos nos envergonhar. Isso explica o porquê de muitos rasgarem as vestes todas as vezes em que alguma pessoa ousa repetir o que está no Magistério da Igreja, sobretudo em questões controversas, não importando se o que se disse é verdade ou mentira. Para todos os efeitos, o que vem da boca de um católico – no linguajar mundano – é sempre “medieval" ou “obscurantista". Quando a Organização das Nações Unidas, por exemplo, aproveita-se da chaga da pedofilia para exigir do Papa que ele mude a posição católica quanto ao aborto e ao homossexualismo, ela não está a pregar a defesa das crianças. Muito pelo contrário, seu intuito é precisamente a destruição de tudo o que lembre a presença de Deus, posto que a família – formada necessariamente por um homem, uma mulher e a prole – é o reflexo da Santíssima Trindade. Que isto fique claro: para os arautos do pecado, a existência da Igreja é uma profecia insuportável!

Todavia, a Igreja não é o carrinho de doces da esquina nem o povo é o bicho de estimação, para receber somente afagos e carícias na cabeça. Salus animarum suprema Lexa salvação das almas é a lei suprema da Igreja, dizem os santos padres. Sendo a mãe dos filhos de Deus, é seu dever avivar a consciência dos homens, para que, cientes da necessidade de uma vida santa, vivam conforme as máximas do Evangelho. Quando muitos querem fazer desta vida uma eterna quaresma sem páscoa, faz-se imperioso que os cristãos anunciem a alegria da Boa-Nova, mostrando aos homens deste século que nenhum avanço técnico ou descoberta científica é capaz de trazer a felicidade eterna, tal qual a que nos é ofertada por Deus em Seu Filho Jesus. A alegria, conta-nos G.K. Chesterton, sempre foi a marca registrada do cristão, porque se vive na certeza de um Deus íntimo e pessoal, que se revela a si mesmo e torna “conhecido o mistério de sua vontade, pelo qual os homens, por intermédio de Cristo, Verbo feito carne, no Espírito Santo, têm acesso ao Pai e se tornam participantes da natureza divina"[3].

A presença da Igreja no mundo, portanto, foi a forma querida por Deus para conter o avanço do inferno na Terra. E é por isso que, quer se queira quer não, ela continuará a “perdoar e exorcizar" as almas dos filhos de Adão.

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