Padre Paulo Ricardo
CNP
Christo Nihil Præponere"A nada dar mais valor do que a Cristo"
Todos os direitos reservados a padrepauloricardo.org®
História, lendas e relíquias da Vera Cruz
História da Igreja

História, lendas
e relíquias da Vera Cruz

História, lendas e relíquias da Vera Cruz

O lenho “do qual pendeu a salvação do mundo” tem uma história, lendas ricas em simbolismo foram escritas a seu respeito e, desde a sua descoberta, no século IV, seus fragmentos estão dispersos pelo mundo inteiro.

Sandra MieselTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere14 de Setembro de 2021Tempo de leitura: 10 minutos
imprimir
Ecce lignum Crucis in quo salus mundi pependit — “Eis o lenho da Cruz, do qual pendeu a salvação do mundo”. 

Dulce lignum, dulces clavos, dulce pondus sustinet — “Doce lenho e doces cravos, que tão doce peso sustentastes” (Hino de Sexta-feira Santa).

Os seguidores de Nosso Senhor sempre prezaram pelas relíquias da Paixão. A Vera Cruz, o lenho real no qual Jesus foi crucificado, tem chamado a atenção de modo especial desde o reinado do Imperador Constantino. Depois de ter legalizado a religião cristã em 313, sua devota mãe, Helena, viajou até a Terra Santa para visitar lugares bíblicos e construir igrejas. 

Em 326, ela encontrou em Jerusalém o que julgavam ser a Cruz original, fonte de todas as relíquias de madeira do mundo. Estava enterrada profundamente sob um templo de Vênus/Afrodite, que o imperador pagão Adriano havia construído sobre o Gólgota dois séculos antes, depois da segunda rebelião dos judeus. Para homenagear o local, em 333 Constantino terminou a primeira Igreja do Santo Sepulcro, uma estrutura que abarcava a rocha do Calvário e o túmulo onde Jesus ressuscitou.

Não há nenhum registro de testemunhas oculares da escavação de Santa Helena. Eusébio, historiador da Igreja, diz apenas que Constantino ordenou que o bispo de Jerusalém procurasse a Cruz e que Santa Helena visitou o local em 326. As referências mais antigas a respeito do papel da imperatriz na escavação datam da última década do séc. IV. São elas a História Eclesiástica de Gelásio de Cesareia e a oração fúnebre para o Imperador Teodósio I, de 395.

Santa Helena, no entanto, levou para seu palácio em Roma algumas de suas descobertas. Parte desse complexo imperial tornou-se a Igreja da Santa Cruz em Jerusalém, uma das sete igrejas estacionais antigas da Igreja. Ainda há nela um letreiro de madeira que é considerado o titulus pregado acima da cabeça do Salvador crucificado. 

Alguns anos após o retorno de Santa Helena, surgiram relatos de que as relíquias da Vera Cruz estariam se espalhando pelo Império. As catequeses escritas antes de 350 por Cirilo, bispo de Jerusalém, declararam: “O mundo inteiro já está cheio de fragmentos da Cruz”. Uma mulher chamada Egéria, que fez uma peregrinação da Espanha até o Oriente Próximo (382–84), descreve os rituais solenes em Jerusalém em honra do Lenho Sagrado na Sexta-feira da Paixão e no aniversário de sua descoberta (3 de maio).

À medida que se espalhavam pela cristandade, as relíquias da Vera Cruz serviram de inspiração. Quando, em 569, o imperador bizantino enviou uma dessas relíquias ao convento de Santa Radegunda em Poitiers, o capelão do local, São Venâncio Fortunato, escreveu dois grandes hinos: Vexilla regis prodeunt e Pange, lingua, gloriosi lauream certaminis, cantados até hoje nas liturgias da Sexta-feira da Paixão. O primeiro deles foi também a canção de marcha dos cruzados medievais. Tais presentes encantavam os governantes piedosos. O rei Alfredo, o Grande, recebeu uma relíquia da Vera Cruz do Papa Martinho I, em 884. Isso pode ter levado um poeta anglo-saxão anônimo a escrever O sonho da Cruz, uma maravilhosa reconstrução da Paixão de Cristo na linguagem heroica do Norte.

O Tríptico de Stavelot.

As relíquias da Vera Cruz passaram então a precisar de relicários dignos de sua singularidade. Um glorioso exemplo é o Tríptico de Stavelot, feito no vale do rio Mosa por volta do ano de 1150, hoje propriedade valiosa da Biblioteca e Museu Morgan, na cidade de Nova Iorque. Ele mostra um pedaço do Madeiro Santo em forma de cruz, em um painel dourado decorado com gemas, prata e requintados medalhões esmaltados narrando a conversão de Constantino e a descoberta de Santa Helena. Constantino, considerado santo em Bizâncio, e Santa Helena também figuram abaixo da relíquia como as usuais imagens de Maria e São João nas cenas da crucifixão. A Cruz foi e continua a ser o emblema de Santa Helena na arte religiosa, tanto no Ocidente quanto no Oriente.

Surgiram lendas ricas em simbolismo em torno da descoberta de Santa Helena. Há uma versão recheadíssima e confusa na Legenda Áurea, de Tiago de Voragine (1260), o livro mais popular de vidas de santos e grande deleite na Idade Média. Sua principal fonte é um texto apócrifo do séc. V conhecido como Atos de Judas Ciríaco. (Algumas ilustrações dos episódios podem ser encontradas nas Horas de Catarina de Cleves, manuscrito de meados do séc. XV, atualmente na Biblioteca e Museu Morgan.)

Enquanto Adão jazia moribundo, seu virtuoso filho Set voltou ao portão do Paraíso para implorar a São Miguel Arcanjo um remédio para o pai. Miguel deu-lhe um galho da Árvore da Misericórdia (outras fontes dizem que era a Árvore do Conhecimento pela qual Adão e Eva vieram a pecar). O anjo prometeu que Adão seria curado no dia em que uma árvore nascida desse ramo frutificasse.

Mas Adão já estava morto quando Set voltou para casa, de modo que ele plantou o ramo maravilhoso na sepultura do pai. O ramo cresceu e deu origem a uma árvore esplêndida que ainda florescia milhares de anos depois, no reinado de Salomão. (Algo que está implícito aqui, mas explícito alhures, é que Adão foi sepultado sob o lugar em que posteriormente a Cruz de Cristo seria erguida, de forma que o sangue do Redentor lhe pudesse embeber os ossos. É por isso que a iconografia tradicional coloca o esqueleto de Adão aos pés da Cruz no Calvário/Gólgota, que significa “lugar da caveira”.)

Salomão queria usar a madeira da árvore na construção de seu Templo. Mas sua madeira nunca se mostrou apropriada: as tábuas ou se encolhiam ou encompridavam antes de as colocarem no lugar. Frustrado, o rei lançou a madeira sobre uma lagoa para servir de ponte. Quando a Rainha de Sabá visitou Jerusalém, teve uma visão do futuro salvífico daquele lenho e se recusou a pisá-lo. A rainha explicou a Salomão que um dia um homem penderia desse lenho e daria fim ao reino dos judeus, e o rei fez com que a madeira fosse enterrada bem fundo na terra.

Mas surgiu nesse lugar uma nascente, que alimentou a piscina de Betesda, onde curas milagrosas ocorriam uma vez ou outra, quando um anjo agitava as águas. Nesse mesmo lugar, Jesus curou um paralítico e perdoou-lhe os pecados (cf. Jo 5, 2-18). Pouco tempo depois, a madeira enterrada emergiu até a superfície da piscina. Depois de ser empregada na confecção da Cruz em que Jesus foi crucificado, ela se perdeu por três séculos.

Quando Constantino enviou Santa Helena a Jerusalém para procurar a Cruz, ninguém sabia onde ela estava, com exceção de um judeu chamado Judas. Esse homem dizia ser neto de Zaqueu e sobrinho de Santo Estevão, mas recusou-se a esclarecer a imperatriz, até ser aprisionado num poço seco e mantido ali sem comida por sete dias.

“O Sonho de Santa Helena”, por Paolo Veronese.

Quando Judas finalmente concordou em mostrar o lugar do Gólgota, uma doce fragrância encheu o ar. Depois que Santa Helena tirou o obscuro templo de Adriano do caminho, o próprio Judas cavou vinte pés abaixo e encontrou três cruzes enterradas. A Vera Cruz foi distinguida das outras duas porque, a seu toque, um jovem ressuscitou dos mortos ou ainda porque o bispo Macário de Jerusalém usou-a para curar uma nobre doente. Intimidado pelo que se passou, Judas aclamou Cristo como Salvador do mundo. Ao ser batizado, escolheu para si o nome Ciríaco e sucedeu Macário quando este morreu. 

A pedido de Santa Helena, Judas voltou ao Gólgota em busca dos cravos da crucifixão. A oração dele fez com que os cravos brotassem “como ouro da terra”. Ela colocou dois dos quatro Cravos Sagrados numa rédea para o cavalo de guerra de Constantino, pôs outro em uma estátua do imperador em Roma e jogou o último no mar Adriático para acalmar as águas. Segundo outras lendas, os Cravos teriam sido colocados no freio do cavalo de Constantino e em seu elmo. O quarto cravo supõe-se ter sido incorporado à Coroa de Ferro, outrora usada para fazer os imperadores do Sacro Império Romano reis da Itália, mas a suposta tira de ferro é, na verdade, de prata.

O bispo Ciríaco, o “anti-Judas”, foi mais tarde martirizado no reinado do sucessor de Constantino, Juliano, o Apóstata, que em vão tentou reverter o triunfo da cristandade.

Como as piedosas fantasias sobre a Vera Cruz se encaixam na história?

“Cristo na Cruz com S. João e Maria Madalena”, de um seguidor de Jacques Stella.

A crucifixão era o modo mais terrível de punir criminosos entre os romanos, até que Constantino baniu o costume. Ao contrário do que figura no imaginário tradicional, o condenado carregava apenas a trave mestra (patibulum), não a estrutura inteira, pois a estaca vertical já ficava no lugar da execução. Ele geralmente trazia uma placa (titulus) pendurada no pescoço informando seu crime, a qual era pregada no topo da cruz. A vítima desnuda era pregada pelos pulsos, não pelas mãos. Os pés eram pregados individualmente, não sobrepostos. Havia uma cavilha de apoio (sedile) sob as pernas. Se necessário, colocavam-se cordas ao redor do corpo por segurança.

A pintura mais antiga de Cristo a que tivemos acesso é um grafite feio de um homem crucificado com cabeça de asno, desenhado no muro de uma tenda militar em Roma. Data de quase um século antes da escavação de Santa Helena. Uma placa de marfim entalhada por volta de 420, que hoje está no Museu Britânico, é a mais antiga imagem cristã da crucifixão de que se tem notícia. Ela mostra Jesus vestindo uma tanga, pregado pelas mãos e apoiado em uma plataforma (suppedaneum). Mas esse objeto devocional não pode ser tomado como representação precisa do fato.

Embora houvesse um túmulo novo reservado para o corpo de Nosso Senhor, Ele não morreu em uma Cruz feita pouco antes de sua crucifixão. Antes dele, outros haviam padecido naquele lenho e ali outros padeceram depois dele. As execuções não podiam acontecer dentro da cidade, e pararam de ser feitas no Calvário depois que o rei judeu Herodes Agripa I expandiu os muros de Jerusalém para além dali, nos anos 41-42. Uma homilia escrita por São João Crisóstomo em 398 sugere que cristãos da região viram o que fora feito às cruzes descartadas e, mais tarde, as esconderam.

No livro The Quest for the True Cross [“A Busca pela Vera Cruz”], de 2000, Carsten Peter Thiede e Matthew d’Ancona sustentam que os cristãos preservaram na memória o lugar em que o Lenho Sagrado havia sido enterrado, apesar das perseguições e de duas revoltas dos judeus. Por isso, o que Santa Helena encontrou em 326 pode ter sido a verdadeira Madeira da Cruz de Cristo. Independentemente dos méritos dessa teoria, cristãos de ontem e de hoje acreditam que as relíquias são autênticas.

No entanto, a história recorda o destino de parte da trave mestra, que foi enterrada em Jerusalém. Em 614, ela foi levada, durante a invasão persa, à Terra Santa. O imperador bizantino Heráclito conseguiu recuperá-la depois de derrotar o rei persa Cosroes II em 627. Depois de mantê-la em Constantinopla por dois anos, ele devolveu o Lenho precioso a Jerusalém, levando-a ele mesmo vestido de trajes penitenciais. Esse fato ainda é comemorado na Festa da Exaltação da Santa Cruz, em 14 de setembro.

Mas entre o roubo e a restituição da Cruz a Jerusalém, Maomé fez sua Hégira (fuga), dando início ao primeiro ano do calendário islâmico em 622. Uma fatigante guerra entre Bizâncio e a Pérsia deixou o Oriente Próximo vulnerável para a conquista islâmica na geração posterior. 

A relíquia da trave de Jerusalém foi escondida quando El Hakim, o louco califa do Egito, destruiu o Santo Sepulcro em 1009. Ela foi recuperada depois da reconquista da Cidade Santa na Primeira Cruzada, em 1099. Posteriormente, cruzados levaram essa parte da Cruz em batalha como um talismã de vitória, até que a perderam definitivamente quando Saladino aniquilou um exército cristão nos Cornos de Hatim, em 1187.

Apesar de todos os riscos do tempo, lascas honradas como fragmentos da Vera Cruz continuam a “encher o mundo todo”. Uma enorme estátua de Santa Helena segurando a Cruz jaz num nicho no pilar noroeste da Basílica de São Pedro, em Roma. Uma relíquia do Lenho Sagrado que ela encontrou há dezessete séculos se encontra bem acima dela.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

Santa Helena e as relíquias sagradas
Santos & Mártires

Santa Helena
e as relíquias sagradas

Santa Helena e as relíquias sagradas

As relíquias fazem parte de nossa fé católica desde o início da Igreja. E poucas pessoas fizeram tanto pela veneração delas quanto Santa Helena: a mulher que, por impulso de seu filho, Constantino, descobriu em Jerusalém o madeiro da Cruz de Cristo.

Eric SammonsTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere13 de Setembro de 2021Tempo de leitura: 3 minutos
imprimir

As sagradas relíquias são uma marca distintiva do catolicismo. Esperaríamos ver os ossos de algum antigo mártir expostos em uma igreja evangélica local? Para a maioria dos que não são católicos, as sagradas relíquias são simplesmente estranhas. Infelizmente, mesmo entre os católicos, a veneração das sagradas relíquias muitas vezes é considerada uma prática “antiquada” — uma reminiscência quase supersticiosa da “idade das trevas”.

Porém, as sagradas relíquias são parte de nossa fé desde o início. São vínculos físicos com o sagrado. Entre elas, estão o corpo e os ossos de santos, bem como itens que pertenceram a eles ou foram tocados por eles. As relíquias permitem que nos conectemos àquelas pessoas santas que nos precederam, e que mergulhemos de forma mais profunda no mistério de suas vidas, tão semelhantes à de Cristo.

Provavelmente, ninguém fez mais para promover a veneração das relíquias sagradas do que Santa Helena, mãe do Imperador Constantino. Ele conquistou o Império Romano sob o signo da Cruz e queria que sua mãe encontrasse a Vera Cruz — a maior relíquia da fé cristã —, a fim de que ela pudesse ser cultuada e venerada por toda a Igreja. Em sua busca pela mais preciosa das relíquias, Helena viajou, então, para Jerusalém.

Ela começou perguntando aos moradores de Jerusalém se alguém sabia onde poderia estar a Cruz, mas ninguém tinha informação precisa sobre isso. Finalmente um judeu lhe disse que, segundo a crença local, a Cruz possivelmente estaria debaixo do templo de Vênus. Helena pediu que o templo fosse destruído (sem nenhum diálogo inter-religioso) e começou uma escavação. Três cruzes foram descobertas.  

Mas qual era de fato a Cruz de Nosso Senhor? O bispo de Jerusalém viu um cortejo fúnebre nas redondezas e ordenou que o cadáver fosse levado até ele. O corpo do defunto foi colocado sobre cada uma das cruzes e, quando depositado sobre a Vera Cruz, o homem ressuscitou. Fôra encontrado o instrumento da nossa salvação!

O judeu que falou com Helena pela primeira vez sobre o local da Cruz se converteu ao cristianismo e depois acabou se tornando bispo de Jerusalém.

“Santa Helena com a Vera Cruz”, de Marco Palmezzano.

Tomada de alegria, Helena deu início à missão de construir igrejas nos locais em que ocorreram os eventos da vida de Nosso Senhor e Nossa Senhora. Ela havia entendido o quanto aqueles lugares e as sagradas relíquias eram importantes para a fé, pois eles proclamam duas verdades importantes: primeiro, que o cristianismo não é um mito; segundo, que o cristianismo é fundamentalmente “encarnacional”.

O amor da Igreja Católica por essas relíquias e lugares santos nos recorda que nossa religião teve origem num tempo e local específicos. Não cremos em deuses que supostamente existiram em outra “dimensão”. Não, nós cremos num Deus que andou pelas ruas de Nazaré, no Império Romano, no início do século I. Hoje, podemos percorrer os mesmos locais e pisar a mesma terra. Uma religião que faz uma declaração tão audaciosa confia naquilo em que acredita, pois sabe que essa crença pode ser verificada, diferentemente das alegações da mitologia.

As relíquias e os lugares sagrados também nos recordam que o catolicismo é encarnacional. Deus se fez carne, algo que eleva a matéria a um novo patamar. Além disso, cada um de nós é composto de alma e corpo. Este não é um simples reservatório para a alma, mas uma parte verdadeira de nossa natureza humana, isto é, daquilo que somos. Portanto, as relíquias dos santos apontam para o verdadeiro santo, não apenas para alguma memória. Elas nos põem em contato de um modo muito real com aquele santo e sua santidade. Também nos ensinam que devemos tratar nossos corpos de modo santo, e que devemos usá-los para nos aproximar de Cristo e nos tornar santos nós mesmos. 

Santa Helena teve um profundo desejo de apresentar os aspectos físicos de nossa fé por meio da veneração das relíquias e dos lugares santos. Talvez não sejamos capazes de fazer uma peregrinação até a Terra Santa, mas sabemos que a existência desses lugares e dessas relíquias dão testemunho da realidade encarnacional de nossa fé.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

Para que existe o Brasil?
Espiritualidade

Para que existe o Brasil?

Para que existe o Brasil?

Para que existem as nações? Para que existirá o Brasil? Qual será a riqueza de que estamos incumbidos? Qual será a partitura que devemos executar no maravilhoso concerto que tem por ouvintes as hierarquias dos anjos?

Gustavo Corção7 de Setembro de 2021Tempo de leitura: 7 minutos
imprimir

Andei estes dias pensando no problema do um e do múltiplo que divide as filosofias e as mentalidades. Nas filosofias de inspiração nominalista, infensas às idéias universais, predomina a tendência de valorizar a diversidade; nas filosofias de inspiração aristotélico-tomista, ao contrário, ensina-se que a perfeição de uma coisa deve ser procurada na sua maior unidade, desde que saibamos distinguir entre unidade vista do lado da forma e uniformidade tomada do lado da matéria.

É errado, e meio tolo, atribuir à diversidade, ao pluralismo, um título de nobreza, e dizer, como diz o professor Anísio Teixeira, que uma sociedade se torna mais evoluída na medida em que se torna mais complexa e mais diferenciada. Chega a dizer que haveria vantagem, para o Brasil, se em lugar da predominância católica nós tivéssemos uma solução maior, um estoque mais variado de credos. Ora, parece-nos fácil provar a falta de consistência de tal opinião. Afirmando o que afirma, o conhecido autor de livros sobre pedagogia professa, simplesmente, um total ceticismo religioso, e deseja a diversidade dos credos como se nenhum deles pretendesse conter verdades, e de fato as contivesse. Duvidamos que o professor Anísio Teixeira desejasse para o Brasil, para o desenvolvimento, para a emancipação econômica e cultural do Brasil, um pluralismo científico, uma diversidade de opiniões a respeito do funcionamento do fígado, das causas do câncer, e das propriedades do triângulo retângulo. É claro, amigo leitor, que também nós desejamos o pluralismo no campo do direito de pesquisar, mas é claríssimo que só diremos que há progresso científico na proporção em que se unificam os conhecimentos e as opiniões.

Há entretanto certas diversidades que têm uma significação de riqueza e de perfeição, além daquela que tem o título precário de direito de pesquisa. A variedade de indivíduos concretos dentro de uma espécie, a variedade das rosas, por exemplo, é uma riqueza, é, digamos assim, um belo esforço que as existências concretas realizam para exprimir o conteúdo total de uma essência. Para conhecer um pouco o que é uma rosa, qual é o pensamento de Deus que ganha corpo na rainha das flores, é preciso ter visto muitas pétalas, muitos matizes, muitas raças diferentes do mesmo sonho divino. A diversidade aí é um discurso, é um poema que se estende para com muitas palavras dizer uma coisa. No fundo da questão, como se vê, há sempre o primado da unidade, mas no caso que tomamos como exemplo a diversidade não tem o sentido melancólico, amargo, que tem o da diversidade de opiniões toleradas enquanto não se acha a verdade única de uma coisa. E o que disse da rosa vale também para o homem. A perfeição da humanidade-essência se realiza na humanidade-existência. A riqueza da idéia “homem”, que Deus concebeu e criou, não cabe num só indivíduo, não se esgota no mais belo, no mais talentoso dos homens. Foi preciso deixar a história correr. Foi preciso deixar nascer um Mozart, um Gauss, uma Catarina de Sena, um Paulo de Tarso, um Einstein, e muitos outros exemplares mais obscuros, foi preciso deixar nascer o rapaz que dias atrás me contava que não aceitara um trabalho com o triplo de sua remuneração atual, porque precisava fazer certas coisas que sua consciência desaconselhava, foi preciso multiplicarem-se os talentos, as inclinações, as vocações, as nomeações de Deus, para que a vasta multidão, numa espécie de longo e ardoroso discurso, explicasse aos astros, aos anjos, a toda a criação, o que é este ser espantoso, absurdo, incongruente, maravilhoso, que um deles definiu como “animal racional”. A definição essencial é breve, mas a explanação, para corresponder à profundidade de tão singela definição, teve de ser extensa como a história da humanidade.

Essa diversidade, que é uma explicação, uma demonstração prática e existencial de uma natureza definida por uma fórmula universal — essa diversidade que pertence à didática de Deus, é boa, é excelente, e nem sequer representa uma tolerância, uma expectativa, um alargamento à espera de uma unidade maior. Não. A diversidade da multiplicação de indivíduos da mesma espécie, ao mesmo tempo que dilata os limites da definição, fortifica os vínculos da unidade interna da coisa. Ao contrário do que pensa o nominalista, nós sentimos ainda mais forte a unidade de natureza humana quando passeamos pelo imenso jardim onde nasceram e desabrocharam as flores da humanidade. Cada vez mais entendemos, sentimos, penetramos a idéia de um ser que pelo gênero pertence à animalidade e pela espécie pertence à racionalidade.

E o que dizemos para os homens diremos também para as nações. A variedade delas é uma riqueza, desde que seja vista naquela perspectiva que enriquece e fortifica a unidade. Para que existem as nações? Para si mesmas? Para serem poderosas potências armadas e engenhos mortíferos e enfeitadas com bandeiras e hinos? Para serem temas de discursos? Para trazerem cores diversas à cartografia, e tornarem as etapas mais agradáveis? Para que existirá o Brasil? Para o sr. Negrão de Lima ser embaixador dele em outra nação que por sua vez manda embaixadores para o Brasil? Existirá o Brasil, como nação, como pátria, para as crianças de colégio fazerem composições patrióticas, e para os construtores de Brasília se encherem de lucro à custa da mesma idéia ensinada nos colégios? Existirá para o hino, para a bandeira?

Parece-nos claro que, se fosse para tais serventias, melhor seria que houvesse um só país, falando uma só língua. A transcendental utilidade, a finalidade das nações tem de ser procurada mais alto e na mesma direção em que se explica a diversidade dos homens. Além da variedade de pessoa para pessoa, a idéia de homem, pensada e criada por Deus, precisa da variedade de grupos. Existem nações com timbres culturais diferentes, como existem instrumentos diversos da mesma sinfonia. E cada nação traz ao mundo a contribuição preciosa de um timbre, de um matiz, de um odor que compõe a grande apoteose do plano de Deus, no centro da qual está a Cruz do Salvador como grande síntese do pensamento de Deus sobre o Homem, ou melhor, do pensamento de Deus tornado Homem.

Em palavras mais frias diremos que as nações têm vocações diversas na partitura, e idênticas no objetivo final que é a glória de Deus e a exposição universal das obras e feitos do homem, que se completará no dia do juízo final. Por aí se vê que as nações, não só para as trocas imediatas de utilidades, existem, umas para outras numa grande e essencial solidariedade. E é nessa perspectiva que deveriam ser armados todos os problemas nacionais, e não na mesquinha e tola perspectiva do egoísmo coletivo que faz da nação um fim em si mesma.

“Primeira Missa no Brasil”, de Vítor Meireles.

E qual será, nessa ordem de idéias, a razão de ser do Brasil? Qual será a vocação coletiva, a vocação nacional deste povo que anda perplexo, tonto, sem saber o que fazer de seu imenso território, e sem o tipo de almas que aqui vive, trabalha, canta, chora e ri. E ri, e chora, com um sotaque espiritual diferente dos outros povos. E dança como o francês ou o russo não sabem dançar. Dizem que o Garrincha, assistindo um jogo dos russos, sorria com ar de certa superioridade, e quando lhe perguntaram se não estava com medo do treinadíssimo time soviético, respondeu: — “Não. Eles são duros de cadeiras.” E era verdade. Eles não tinham os requebros de nossa astúcia física, a flexibilidade de nossa graça felina, certamente serão duros de cadeiras em muitas outras coisas em que somos graciosos e ágeis.

A verdade manda confessar que, fora do futebol, pouca coisa trouxemos para a tal apoteose da essência humana. Qual será a riqueza de que estamos incumbidos? Qual será a partitura que devemos executar no maravilhoso concerto que tem por ouvintes as hierarquias dos anjos?

Por mais insensato que possa parecer tal idéia aos que vivem estudando os chamados problemas brasileiros, é nesta perspectiva profética, teológica, metafísica, que deveriam estar situadas todas as pesquisas. Há problemas imediatos, como o socorro devido às vítimas do nordeste, mas há o grau de problema da vocação, da direção geral, que anda esquecido, ou que está sob a ameaça de uma trágica apostasia. E aqui — deixando para outro dia a continuação desta louca conversa — ouso dizer o que penso de um Brasil que trai a sua vocação e que se desvia dos caminhos de Deus. Rasguem as vestes os fariseus do nacionalismo materialista (aliás outro não há), dêem-me os títulos que quiserem: ouso dizer que prefiro vê-lo apagado do mapa, afundado na terra, tragado pelo mar, do que vê-lo instalado num desenvolvimento que nem sequer traz a felicidade material, animal, das multidões, e que volta as costas ao chamamento de Deus e à esperança dos homens.

Notas

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

Ele foi até Fátima só para pintar a visão do inferno
Igreja Católica

Ele foi até Fátima
só para pintar a visão do inferno

Ele foi até Fátima só para pintar a visão do inferno

Muitos não sabem, mas, no auge de sua popularidade, em 1960, o pintor surrealista Salvador Dalí foi contratado para pintar a visão do inferno, tal como Lúcia, Jacinta e Francisco a tiveram em Fátima, durante uma aparição de Nossa Senhora.

Barb ErnsterTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere4 de Setembro de 2021Tempo de leitura: 7 minutos
imprimir

Essa história pode ser conhecida melhor e mais a fundo em Dalí’s Fatima Secret, título de um premiado documentário (que pode ser adquirido aqui) e de um livro homônimo escrito por Paul Perry (que pode ser adquirido aqui).


Salvador Dalí é considerado um dos maiores artistas do século XX e o mais famoso surrealista. No auge da sua popularidade, em 1960, ele foi contratado pelo chamado “Exército Azul de Nossa Senhora de Fátima” para pintar a visão do inferno, tal como Lúcia, Jacinta e Francisco a tiveram durante a aparição de 13 de julho de 1917, em Fátima. A ideia do quadro partiu de um protestante que, depois de ler sobre a visão nas Memórias da Irmã Lúcia, se converteu ao catolicismo e entrou no seminário. Pensava-se que, com esta mensagem, Dalí poderia alcançar jovens e incrédulos com muito mais eficácia que qualquer sermão numa manhã de domingo ou história a respeito dos santos. Esse encargo mudaria a vida e a obra de Dalí, tirando-o de seu ateísmo declarado e trazendo-o de volta a suas raízes católicas [1].

Dalí cresceu na Espanha, perto da fronteira com a França, na Catalunha. Seu pai era ateu e anticlerical, e sua mãe, uma devota católica romana. Nascido apenas nove meses após a morte de seu irmão homônimo, Salvador costumava ouvir de seus pais que ele era seu irmão reencarnado. Tendo de conciliar as diferentes influências que recebia, de fé em Deus e ao mesmo tempo de incredulidade, Dalí cresceu confuso e incerto, afirmando certa vez: “O céu deve se encontrar exatamente no centro do coração do homem que tem fé. Neste momento, ainda não tenho fé e temo que morrerei sem o céu”.

Salvador Dalí, em 1939.

Após sua primeira exposição nos Estados Unidos, em 1934, ele se tornou uma sensação imediata, e a fama de Dalí cresceu ao longo dos anos 1930 e 40. Sua famosa pintura A Persistência da Memória, com a imagem de relógios de bolso derretendo, ajudou a definir seu método de criatividade e surrealismo, o “método crítico-paranoico”. A criatividade de Dalí surgia de imagens que ele extraía do subconsciente enquanto caía em um estado de semivigília, ou hipnagogia.

Ao longo de sua vida, Dalí lutou com a ideia de sua própria morte, um medo que não conseguia superar. Ele estudou novas descobertas relacionadas à terceira dimensão, que o levaram a buscar o acesso à quarta dimensão e à imortalidade. Suas obras são permeadas por temas de erotismo, morte e decadência, mas também por temas religiosos e assuntos relacionados ao progresso científico.

Ele tinha 55 anos quando foi abordado pelo Exército Azul para pintar a visão do inferno. O cofundador da associação, John Haffert, recebeu uma carta do seminarista encorajando-o a apresentar a ideia ao artista. Ele também colocou as economias de sua vida para pagar por isso. Haffert encontrou-se com Dalí no hotel onde ele estava hospedado em Nova Iorque e contou-lhe sobre a missão do Exército Azul de divulgar a mensagem de Fátima. John leu para ele a história de Fátima nos escritos de Lúcia e a descrição da visão do inferno.

“Cabe a você apresentar esta visão de forma verdadeira e vívida”, disse Haffert a ele. “Você está sendo escolhido para ser o artista de Nossa Senhora. Um intérprete visual para Deus”.

Dalí ouviu com atenção e pediu um prato de escargot. Quando chegou, ele começou a espetar os caracóis com garfos de escargot, explicando a Haffert que os grandes artistas sempre usavam tridentes para representar os demônios no inferno, mas ele usaria garfos de escargot. “A alma de um pecador é como um caracol”, explicou ele. “Ela se encaracola e se esconde dentro da casca, e a única maneira de buscá-la é usando um garfo de escargot!”

Os dois acertaram os termos do contrato e assinaram o acordo em um guardanapo de papel.

Haffert decidiu tentar um encontro entre Dalí e a Irmã Lúcia, que, em 1960, era uma monja carmelita de clausura, em Coimbra, Portugal. Ele não teve nenhum sucesso, mesmo depois de escrever para ela pessoalmente. Dalí disse a Haffert que não havia problema. Ele estudaria o que ela disse sobre a visão e montaria sua própria versão dela, dizendo-lhe: “Vou pintar o que vejo”.

Detalhe de “A Persistência da Memória”, obra-prima de Dalí.

Por mais de um ano Dalí se debruçou sobre a visão do inferno, tal como descrita por Lúcia, procurando por imagens em seu subconsciente, mas tudo foi em vão. Haffert sugeriu que ele fosse a Fátima em busca de inspiração. Parte do problema de Dalí era que ele não sabia como apresentar a Santíssima Virgem Maria. Sua esposa, Gala, sempre fora o rosto das mulheres em suas pinturas.

Em Fátima, ele foi levado diretamente ao local onde a Mãe Santíssima apareceu e onde as crianças viram a terra se abrir, revelando o inferno. A chave para compreender a visão do inferno, segundo seu guia, o cônego José Galamba de Oliveira, era o apelo à conversão. E o Coração Imaculado de Maria é sinal de esperança para todos os que respondem à sua mensagem de conversão.

Durante esta viagem, por influência de Galamba, Dalí finalmente conseguiu se encontrar com a Irmã Lúcia. Ele passou algum tempo com ela, conversando através das grades do locutório. Dalí comentaria mais tarde como era especial “respirar o mesmo ar que uma futura santa”, como era estar diante de uma presença celestial. Dalí finalmente teve a inspiração para pintar a visão do inferno.

Antes de sair de Fátima, Dalí pediu ao cônego Galamba que ouvisse sua confissão. O padre contou depois a Haffert que foi “a confissão mais comovente, sincera e profunda” que ele já ouvira em suas muitas décadas como sacerdote.

Em 13 de março de 1962, Haffert recebeu a notícia de que a pintura estava terminada e o senhor Dalí queria apresentá-la. Ele todavia não pôde estar presente na ocasião, mas o monsenhor Harold Colgan, cofundador do Exército Azul junto com Haffert, foi em seu lugar. Pela expressão em seu rosto quando a pintura foi revelada, mons. Colgan ficou chocado com a visão de acordo com Dalí. Não era o que ele esperava.

“Visão do Inferno”, por Salvador Dalí.

No entanto, após um estudo e exame mais aprofundados, acredita-se que Dalí tenha retratado a si mesmo na visão, pintando a sua própria conversão. O quadro mostra uma pessoa moribunda, com sua alma vermelha e translúcida, torturada e atormentada por demônios no inferno, que o espetam com garfos de escargot, tentando extrair sua alma. Abaixo, a terra fissurada se abre para o lugar do inferno. Acima, a Santíssima Mãe, angustiada diante do horror de uma alma se perdendo, revela seu coração dolorido e amoroso. Uma figura solitária em oração segura um crucifixo apontado para o céu.

As crianças de Fátima disseram que teriam morrido de medo da visão do inferno se Maria não estivesse com elas. Ela disse às crianças: “Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores; para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção a Meu Imaculado Coração”. Durante a aparição de agosto, ela lhes implorou: “Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas”.

Ninguém sabe o que a Irmã Lúcia disse a Dalí em sua breve visita, mas ela tinha um talento especial para dizer exatamente o que alguém precisava ouvir para voltar a Deus, incluindo comunistas obstinados. Ela deve tê-lo ajudado a conhecer o amor de Deus e de sua Mãe Santíssima e a ver que seu Imaculado Coração é um refúgio para os pecadores. Na visão que pintou, Dalí não usou Gala como modelo para o rosto de Maria. Ele voltou a suas raízes católicas e à fé em Deus e enfrentou sua mortalidade.

Em 1997, quando a Irmã Lúcia finalmente viu o retrato da visão, por Dalí, ela o estudou atentamente e disse a seu intérprete: “O inferno é espiritual e não físico, e é impossível para qualquer pessoa fazer uma imagem do inferno. A pintura chega o mais humanamente possível de uma representação do inferno”.

Salvador Dalí morreu de insuficiência cardíaca no dia 23 de janeiro de 1989, aos 84 anos. Ele manteve seus sentimentos religiosos em segredo do mundo. A Irmã Lúcia certamente deve ter rezado por ele.

Sua pintura Visão do Inferno está exposta na casa de um colecionador de arte de Connecticut, que a comprou do Apostolado Mundial de Fátima em 2007.

Notas

  1. Ao menos pontualmente é possível afirmar isso, pois, como narrado no texto, enquanto procurava inspiração para pintar a sua Visão do Inferno, Salvador Dalí realmente se confessou com um sacerdote católico. Se ele se manteve ou não em estado de graça até o fim de sua vida, já é outra história. Como explicado no final deste mesmo texto, o artista “manteve seus sentimentos religiosos em segredo do mundo”. Por outro lado, não consta que muitos de seus quadros obscenos tenham sido tirados de circulação. Só nos resta, portanto, confiar a sua alma à misericórdia de Deus, oferecendo nossas orações por ele (N.T.).

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.