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Uma resposta à “coronafobia”
Igreja Católica

Uma resposta à “coronafobia”

Uma resposta à “coronafobia”

Ao contrário do que nos querem fazer crer os meios de comunicação, não, nós não vivemos uma situação “sem precedentes”. Para os católicos, nenhuma tragédia é absolutamente nova, pois nossa própria religião nasceu no rude desconforto da Cruz.

Equipe Christo Nihil Praeponere5 de Outubro de 2020Tempo de leitura: 7 minutos
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Ao lado da pandemia do coronavírus, identificamos alguns meses atrás algo a que demos o nome de “pandemia do medo”. Um autor católico norte-americano chamou o fenômeno de “coronafobia”. Em suas palavras

O coronavírus domina as notícias em todo o mundo, provocando uma histeria raramente vista em tempos modernos. Embora o vírus ainda tenha de mostrar sua fúria de forma plena, a reação a ela tornou-se louca. Dois espetáculos estão ocorrendo: o coronavírus e o medo do coronavírus, que pode ser chamado de “coronafobia”. Neste momento, o segundo é o mais destrutivo.

Não se trata de negar a importância de tomar as medidas razoáveis para conter esse mal. Trata-se, antes, de reconhecer que o mundo, quando se afasta da em Cristo, perde igualmente a razão. Sem pretender analisar a oportunidade desta ou daquela medida prudencial, adotada seja pelas autoridades civis, seja pelas eclesiásticas, para conter a atual pandemia, o que queremos é refletir sobre a resposta que os católicos ainda podem e devem dar a tudo o que está acontecendo

E por que os católicos, de modo especial? Porque, apesar de ser esta a “primeira pandemia da era digital”, por assim dizer, a Igreja Católica tem história tanto de resistência às pestes (assim se chamavam as epidemias) quanto de sobrevivência às eras. Passaram o Império Romano e Constantinopla, a peste negra e a gripe espanhola, mas a Igreja, fundada na promessa de seu divino Fundador de que não prevaleceriam contra ela as portas do inferno, permanece firme ao longo dos séculos.

E, no entanto, os templos fechados e as Missas públicas suspensas talvez tenham dado a muitos a impressão contrária. Em muitos lugares, infelizmente, somou-se a esses fatos uma teologia que parecia não dar importância aos sacramentos e acabava transformando a Igreja num item “não essencial”, um artigo de luxo dispensável em tempos de crise. Onde esteve a Igreja quando a humanidade mais parecia precisar dela?

Sem querer negar que, visivelmente, em muitíssimos lugares ao redor do globo, sacerdotes trabalharam duro para oferecer Deus às pessoas; leigos e instituições movidas pela caridade católica se sacrificaram para minimizar os efeitos trágicos desta pandemia e de sua consequente quarentena, também não há dúvida de que essa tem sido uma hora particularmente especial para fortalecer nossos laços com a Igreja invisível, que está principalmente no Céu; hora de buscar mais a unidade vertical que a horizontal; hora de receber com ainda mais força o influxo da graça divina, que vem do alto.

Ao contrário do que nos querem fazer crer os meios de comunicação, não, nós não vivemos uma situação “sem precedentes”. Para os católicos, nenhuma tragédia é absolutamente nova, pois sua Igreja nasceu não no conforto de um escritório ou de uma sala de estar, mas no rude desconforto da Cruz

No Japão, durante muitos séculos, os católicos precisaram manter a fé numa difícil realidade: sem os sacerdotes e os sacramentos que deles dependem, só o que lhes restou foi o sacramento do Batismo e as orações que os missionários lhes haviam ensinado. Foi com muita emoção que, gerações mais tarde, quando o país finalmente readmitiu a vinda de missionários cristãos, um grupo de católicos sobreviventes acolheu um sacerdote. As cenas iniciais do filme Silêncio, de Martin Scorsese, ilustram bem do que estamos falando: católicos sedentos pelo sacramento da Penitência e pelo perdão dos pecados, pela Santa Missa e pelo sacramento da Eucaristia. 

Esse desejo que os católicos japoneses nutriam pelos sacramentos nos ensina que não devemos acostumar jamais o nosso coração a ficar longe de nossas igrejas. Que elas estivessem fechadas até há poucos dias e que, sem culpa nossa, não as pudéssemos frequentar, era uma coisa; que transformemos isso agora no “novo normal” — palavras de ordem nesses dias de trevas — é outra bem diferente. Não podemos deixar que as atuais circunstâncias nos afundem espiritualmente, tornando-nos insensíveis às coisas de Deus.

O verdadeiro normal, a norma do cristão católico deve ser uma só, com ou sem coronavírus: ritmar a própria vida com trabalhos e descansos, mas todos tendo em vista a glória de Deus. Assim como Ele criou o mundo em seis dias e no sétimo descansou, a nós cabe dedicar em todos os dias um tempo para esse sadio repouso da alma que é a oração — e honrar de modo especial o dia do Senhor, que é o domingo, ou voltando à Missa, se for possível, ou aumentando nossa sede de Eucaristia, se ainda houver restrições ao nosso redor.

De fato, nesses dias em que a Igreja visível pareceu esconder-se de algum modo, quantos não redescobriram o poder da oração silenciosa, das preces feitas em família e do serviço a Deus nos trabalhos domésticos mais humildes? Em quantas casas a tragédia do coronavírus não moveu as consciências, não despertou as pessoas para o que há de essencial na vida, não freou o ritmo frenético e irrefletido com que tantos gastavam as próprias vidas? Quantos de nós não abrimos os olhos para a sede existencial que trazemos dentro no peito: a sede de uma água que só Deus nos pode conceder? Nada disso pode ser ignorado. 

No entanto, chegado o momento de retornar a nossas igrejas e retomar o culto público a Deus, algo precisa mudar no mais íntimo de nós. Para nossa reflexão pessoal, podem muito bem servir as seguintes palavras que a mística italiana Luisa Piccarreta atribui a Nosso Senhor, em revelação privada a ela, um século atrás:

Ah, minha filha! Quando permito que as igrejas fiquem desertas; os ministros, dispersos; e as Missas, reduzidas, significa que os sacrifícios se tornaram para mim ofensa; as orações, insultos; as adorações, irreverências; e as confissões, passatempos sem fruto. Assim, não encontrando mais a minha glória, mas ofensas, nem o bem deles, não me servindo mais, eu os retiro. Mas esse apartar os ministros do meu santuário significa, ainda, que as coisas chegaram ao fundo do poço e que a diversidade dos flagelos se multiplicará. Quanto é duro o homem, quanto é duro (Libro di Cielo, v. 12, 12 fev. 1918 [34])!

Ponhamos de lado, por um instante, nossa curiosidade com essa revelação e sua destinatária, e detenhamo-nos no conteúdo de sua mensagem. Não nos deveriam inquietar essas palavras? De fato, com que desprezo temos tratado os dons de Deus e com quais abusos temos celebrado os seus sacramentos?! Em quantos lugares as Missas se transformaram em verdadeiros festivais de sacrilégios que circundam o “sacrifício perfeito e santo” de Nosso Senhor? Sim, porque não basta que as Missas sejam rezadas validamente e Cristo seja oferecido no altar, se não procuramos conformar nossas vidas ao sacrifício que celebramos… Será que nos tornamos os homens externos do Antigo Testamento, os fariseus da época de Jesus, que honram a Deus só com os lábios, estando com o coração longe de sua santíssima vontade?

Por essas e muitas outras coisas, nossa principal preocupação nesses dias atípicos deve ser tornar-nos os católicos que até aqui nos recusamos a ser. Oxalá nosso “isolamento” do mundo, ao longo de todo esse ano, se converta, ao fim e ao cabo, num verdadeiro afastamento da mundanidade. Pois de nada nos terá adiantado isolar-nos fisicamente do mundo se continuarmos com o coração nele. De nada nos terá adiantado viver esses dias difíceis para combater um vírus, se não combatermos com muito mais força e cuidado o vírus da nossa inconformidade com a vontade de Deus. Pois o coronavírus tira a vida do corpo, mas o nosso pecado mata em nós a vida da graça.

Só trava essa batalha, porém, aquele que crê. A fé católica bem crida, a fé católica bem vivida, é a única vacina efetiva para o problema que temos enfrentado ao longo de todo esse ano. Ela é o antídoto do desespero, a injeção da esperança sobrenatural. 

Enquanto o mundo literalmente se esconde de medo da morte, os católicos cantam, desde a Páscoa: “Ó morte, onde está tua vitória?” (1Cor 15, 55). Enquanto o mundo, apavorado, foge do sofrimento, nossa fé nos ensina a abraçar com alegria seja qual for a cruz que nos advenha, pois os fios de nossa cabeça estão todos contados (cf. Lc 12, 7) e Deus vela por nós com afeto verdadeiramente paterno. Enquanto o mundo se pergunta aterrorizado que ano tem sido esse, os católicos sabem que o coronavírus é só o início das dores (cf. Mt 24, 8) e, ainda assim, são capazes de se alegrar, porque foi seu Senhor quem disse: “Quando começarem a acontecer essas coisas, reanimai-vos e levantai vossas cabeças, porque se aproxima a vossa libertação” (Lc 21, 28).

Humanamente falando, tudo parece estar indo por água abaixo. Por isso mesmo, é a hora da fé, da fé sobrenatural, hora de confiarmos nas promessas de Deus, e em nada mais. Eis a nossa resposta ao coronavírus, eis a nossa resposta à “coronafobia”.

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Fátima, o Rosário e a modéstia
Espiritualidade

Fátima, o Rosário e a modéstia

Fátima, o Rosário e a modéstia

Nossa Senhora, Mãe e refúgio dos pecadores, não nos abandona. Quanto maiores a nossa miséria e malícia, tanto maior a misericórdia da Mãe do céu! Em Fátima, duas belas lições a Santíssima Virgem deixou às moças de hoje: o Rosário e a modéstia.

Mons. Ascânio Brandão2 de Outubro de 2020Tempo de leitura: 1 minutos
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Nossa Senhora, Mãe e refúgio dos pecadores, não nos abandona. Quanto maior a nossa miséria, a nossa malícia, tanto maior a misericórdia da Mãe do céu!

Lourdes e Fátima nos comovem, nos dão lições.

As aparições de 1917, num recanto de Portugal, abalam o mundo e patenteiam que Maria é sempre Mãe e Mãe de misericórdia!

Uma das videntes, Jacinta, reparou que Nossa Senhora se vestia com uma modéstia admirável. 

A Virgem paira sobre uma nuvem, envolvida desde a cabeça até a ponta dos pés num vestido de alvura puríssima. Um manto orlado de ouro cobre-lhe a cabeça e a maior parte do corpo. A túnica branca um pouco mais comprida que o manto é presa à cinta por um cordão dourado. Duas estrelas douradas adornam-lhe a majestosa túnica. Das mangas largas e levemente repregadas, sobressai a camisa que chega até o pulso. E das mãos juntas, à altura do peito, pende-lhe o rosário.

Belas lições às moças de hoje! O Rosário e a modéstia!

Que assuntos para as mais graves e sérias meditações! Jacinta, a angélica vidente, reparando na falta de modéstia dos vestidos de certas pessoas que a iam visitar no hospital quando enferma, dizia, referindo-se aos decotes e enfeites de luxo:

Para que isso? Se soubessem o que é a eternidade!

Afirmava a vidente que Nossa Senhora lhe tinha dito: — Que o pecado que leva a gente à perdição era o pecado contra a castidade; que era preciso evitar o luxo, não se obstinar no pecado e fazer penitência.

E Nossa Senhora, ao dizer isto, parecia triste, consternada… A pobrezinha Jacinta acrescentava quase chorando: — Ai! eu tenho muita pena de Nossa Senhora! Tenho muita pena!...

Ai! de nós! O brado de Nossa Senhora em Lourdes e em Fátima: Penitência! Penitência! Senão... ai! de vós!

Tomemos cuidado com a impureza. Dizia Sto. Afonso que noventa e nove por cento dos réprobos é pelo pecado da impureza que se condenaram. Façamos penitência e recitemos o Rosário da Virgem em reparação de nossos pecados! Em Lourdes e em Fátima, Nossa Senhora recomenda sempre: — Penitência! Rosário!

Referências

  • Transcrito e levemente adaptado de Meu ponto de meditação, do Padre Ascânio Brandão, Taubaté: SCJ, 1941, p. 80s.

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Nove súplicas ao Santo Anjo da Guarda
Oração

Nove súplicas
ao Santo Anjo da Guarda

Nove súplicas ao Santo Anjo da Guarda

Que estas breves invocações sirvam para inspirar-nos reverência aos nossos Santos Anjos da Guarda, infundir-nos devoção pela benevolência com que eles nos tratam, e trazer-nos confiança pela diligência com que eles nos guardam.

Pe. Augusto Ferretti2 de Outubro de 2020Tempo de leitura: 1 minutos
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I. — Ó meu bom Anjo da Guarda, ajudai-me a agradecer ao Altíssimo por vos ter destinado à minha guarda. Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege, guarda, governa e ilumina. Amém.

II. — Ó príncipe celeste, dignai-vos alcançar-me o perdão de todos os desgostos que dei a vós e a Deus, quando desprezei as vossas ameaças e os vossos conselhos. Santo Anjo do Senhor… 

III. — Ó meu amável protetor, gravai em minha alma um profundo respeito por vós, de modo que eu jamais tenha o atrevimento de fazer qualquer coisa que vos desagrade. Santo Anjo do Senhor… 

IV. — Ó piedoso médico de minha alma, ensinai-me os remédios necessários para curar-me dos meus maus hábitos e de tantas misérias que me oprimem a alma. Santo Anjo do Senhor… 

V. — Ó guia fiel, dai-me força para superar todos os obstáculos que se encontram no caminho da virtude e para sofrer com verdadeira paciência as tribulações desta vida. Santo Anjo do Senhor… 

VI. — Ó meu eficaz intercessor diante de Deus, obtende-me a graça de obedecer prontamente às vossas santas inspirações e de conformar a minha vontade em tudo à santíssima vontade de Deus. Santo Anjo do Senhor… 

VII. — Ó puríssimo espírito todo aceso em chamas de amor a Deus, impetrai-me este fogo divino e, juntamente com ele, uma verdadeira devoção à vossa augusta Rainha e minha boa Mãe, Maria. Santo Anjo do Senhor… 

VIII. — Ó meu invencível protetor, assisti-me para corresponder dignamente ao vosso amor e aos vossos benefícios e para empenhar-me com todas as minhas forças a promover o vosso culto. Santo Anjo do Senhor… 

IX. — Ó bem-aventurado ministro do Altíssimo, obtende-me de sua infinita misericórdia que eu chegue a preencher um dos lugares deixados vazios no Céu pelos anjos rebeldes. Santo Anjo do Senhor

Notas

  • Súplicas extraídas de: Pe. Augusto Ferretti, Os Santos Anjos da Guarda (trad. e adapt. de R. Vellozo). Taubaté: SCJ, 1945, pp. 194-195. O breve texto que acompanha o título, falando de reverência, devoção e confiança nos Santos Anjos, foi adaptado de uma inspiração de S. Bernardo de Claraval, em comentário ao versículo bíblico: Angelis suis mandavit de te, “Aos seus anjos ele mandou” (Sl 90, 11): “Ó admirável dignação, e dileção verdadeiramente de caridade! Pois quem mandou a quem? A que respeito? Que mandou? Que grande reverência não te deve inspirar uma tal ordem, quanta devoção infundir-te, quanta confiança trazer-te! Reverência pela sua presença, devoção pela sua benevolência, e confiança pela guarda que exerce” (In Ps. XC, Sermo 12).

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Sete orações dos santos aos Anjos da Guarda
Oração

Sete orações
dos santos aos Anjos da Guarda

Sete orações dos santos aos Anjos da Guarda

Embora mais conhecida, a oração do “Santo Anjo” não foi a única composta para invocar a intercessão de nossos Anjos custódios. Os santos da Igreja também rezavam aos seus Anjos da Guarda, e algumas das belas preces que eles faziam estão aqui.

Pe. Augusto Ferretti2 de Outubro de 2020Tempo de leitura: 7 minutos
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A oração do Santo Anjo, já amplamente conhecida, merece ser recomendada mais do que qualquer outra. Não obstante, será proveitoso conhecer também as principais orações em honra dos santos Anjos, para recitá-las em suas festividades.

1. Oração de S. Anselmo de Cantuária. — Ó Espírito angélico, a cujos próvidos cuidados entregou-me Deus, Nosso Senhor, rogo-vos que sempre queirais guardar-me e proteger-me, assistir-me e defender-me de todo assalto do demônio, quer eu esteja acordado, quer dormindo. Oh! sim, assisti-me noite e dia, a todo momento; estai sempre ao meu lado onde quer que eu me ache. Afastai para longe de mim todas as tentações de Satanás e obtende-me do misericordiosíssimo Juiz e Senhor nosso, que vos constituiu meu guarda e a vós me confiou, a graça, que de todo desmerecem os meus atos, de permanecer imune de toda culpa em minha vida. E se, por infelicidade, eu me encaminhar para a estrada do vício, reconduzi-me pela senda da virtude ao meu divino Redentor.

Quando me virdes oprimido pelo peso das angústias, fazei-me experimentar a ajuda de Deus onipotente. Peço-vos também que me reveleis, se for possível, o termo dos meus dias, e que não permitais que a minha alma, quando se desprender do corpo, seja aterrorizada pelos espíritos malignos, ou seja objeto de escárnio para eles, ou deles seja presa desesperada. Não, não me abandoneis jamais, até que me tenhais conduzido ao Céu, para gozar da vista do meu Criador e ser eternamente feliz em companhia de todos os santos. Que eu possa atingir tal felicidade mediante a vossa assistência e os merecimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo.

2. Oração de S. Sofrônio, Patriarca de Jerusalém. — É a vossa benignidade que rogo e imploro, ó bons e imaculados Anjos e Arcanjos! A vosso poder recorro, ó intemeratos espíritos! Obtende-me que pura seja a minha vida; inabalável, a minha esperança; ilibados, os meus costumes; perfeito e livre de toda ofensa, o meu amor para com Deus e para com o próximo. Ah! tomai-me pela mão, conduzi-me, guiai-me por aqueles caminhos que são aceitos por Deus e salutares para mim.

3. Protesto de S. Carlos Borromeu ao santo Anjo da Guarda, em preparação para a morte. — Em nome da SS. Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, eu, infeliz e miserável pecador, protesto em vossa presença, ó Anjo Santo de Deus, que quero absolutamente morrer na Igreja Católica, Apostólica e Romana, na qual morreram todos os santos que até agora existiram e fora da qual não há salvação. Assisti-me na hora da morte e fazei-me vencer o demônio, inimigo meu e vosso.

Protesto ainda, ó santo Anjo, que estou sob a vossa guarda e proteção: que quero partir desta vida com grande confiança em vosso socorro e com firme esperança na misericórdia do meu Deus. Desbaratai naquele último momento os inimigos de minha salvação; recebei a minha alma quando ela se separar do meu corpo; e depois da minha morte fazei que me seja propício Jesus Cristo, meu Salvador.

Protesto igualmente, ó santíssimo protetor meu, que com o mais vivo afeto desejo participar dos merecimentos de Jesus Cristo, Nosso Senhor, e que espero obter a remissão dos meus pecados, por virtude de sua Morte e Paixão. Detesto todo o mal que cometi em pensamentos, em obras e em palavras. A todos os meus inimigos perdôo, e quero morrer no amplexo da santa Cruz, para mostrar que ponho toda a minha esperança na Paixão do Salvador.

Protesto outrossim, ó amigo meu fidelíssimo, que me abandono aos vossos cuidados e afetuosa caridade no grande passo de minha morte, e que, embora seja verdade que desejo ir logo para o Céu, estou entretanto pronto para apagar com o sofrimento a enormidade de meus pecados; estou pronto para suportar qualquer gênero de castigo que a divina justiça achar conveniente impor-me, ainda que sejam as mais atrozes penas do Purgatório. Assim, também estou pronto para abandonar os meus parentes, os meus amigos, o meu próprio corpo e tudo aquilo que tenho de mais caro, a fim de mais depressa poder ir gozar da presença do meu Deus e provar-lhe o quanto me pesa tê-lo ofendido.

Declaro finalmente, ó Anjo sapientíssimo e vigilantíssimo de minha alma, que vos constituo procurador da minha última vontade e executor deste meu ato testamentário. Dizei a Jesus, meu Salvador, no momento de minha morte, o que talvez já não poderei dizer: que creio em tudo aquilo que crê e ensina a Santa Igreja; que detesto os meus pecados, porque lhe desagradam; que os deposito todos no seu misericordiosíssimo Coração e que de sua infinita bondade espero o perdão deles; que de boa vontade morro, porque assim Ele o quer, e abandono minha alma e minha salvação em suas mãos; que o amo sobre todas as criaturas e por toda a eternidade o quero amar. Amém.

“Abraão e os três anjos”, de Juan Antonio de Frías y Escalante.

4. Oração de S. Luíz Gonzaga. — Ó santos e puros Anjos, ó vós, verdadeiramente bem-aventurados, que continuamente assistis na divina presença e com tão grande júbilo estais contemplando a face daquele celeste Salomão, por quem fostes cumulados de tanta sabedoria, feitos dignos de tanta glória e ornados de tantas prerrogativas! Vós, brilhantes estrelas, que com tal felicidade resplandeceis nesse bem-aventurado Céu, infundi, eu vos peço, em minha alma as vossas bem-aventuradas inspirações. Conservai sem máculas a minha vida; firme, a minha esperança; sem culpa, os meus costumes; inteiro, o meu amor para com Deus e para com o próximo.

Rogo-vos, Anjos bem-aventurados, que com vossa ajuda vos digneis conduzir-me na estrada real da humildade, pela qual vós caminhastes primeiro, para que, depois desta vida, eu mereça ver juntamente convosco a bem-aventurada face do Pai eterno, e ser contado em vosso número também, no lugar de uma daquelas estrelas que, por sua soberba, caíram do Céu.

5. Orações de S. Afonso Maria de Ligório

I. — Ó santo Anjo de minha guarda, quantas vezes com os meus pecados não vos obriguei a cobrir a face! Rogo-vos que me perdoeis e que por eles obtenhais o perdão junto de Deus, enquanto, de minha parte, proponho jamais desgostar a Deus ou a vós com as minhas faltas. Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege, me guarda, me governa, me ilumina. Amém

II. — Quanto vos agradeço, ó Anjo de minha guarda, pelas luzes que me haveis concedido! Quem me dera vos houvesse sempre obedecido! Ai, continuai a iluminar-me, repreendei-me em minhas quedas e não me abandoneis até o último momento de minha vida. Santo Anjo do Senhor...

III. — Agradeço-vos, ó príncipe do Paraíso, Anjo meu, pois por tantos anos me assististes! Tenho-me esquecido de vós, mas não vos esquecestes de mim. Quem sabe o quanto me resta de viagem para entrar na eternidade. Ah, anjo de minha guarda, guiai-me pelo caminho do Céu e não deixeis de me assistir enquanto não me virdes eterno companheiro vosso no Reino bem-aventurado. Santo Anjo do Senhor

6. Oração de S. Pedro Canísio. — À vossa tutela me recomendo, ó santo Anjo, pois à vossa guarda me confiou a divina bondade. Sou cego, guiai-me; sou ignorante, instruí-me; sou fraco, confortai-me; sou pequeno, protegei-me; sou um caminhante extraviado, reconduzi-me à estrada real; sou preguiçoso, despertai-me; sou lento, estimulai-me a progredir no bem. E, sobretudo, fazei que aquela extrema e perigosa luta, que eu terei de sustentar contra os demônios em minha morte, tenha termo feliz, para que, passando a ser companheiro vosso no Céu, possa cantar alegremente o hino da vitória: “Laqueus contritus est, et nos liberati sumus — Rompeu-se-nos o laço e livres dali nos fomos”.

7. Oração de S. João Berchmans. — Anjo santo, amado de Deus, que por divina disposição tomastes-me sob a vossa bem-aventurada guarda desde o primeiro instante de minha vida, jamais cesseis de defender-me, de iluminar-me, de reger-me. Venero-vos como padroeiro, amo-vos como guarda, submeto-me à vossa direção e todo me dou a vós, para ser por vós governado. Peço-vos, portanto, e vos suplico pelo amor de Jesus Cristo, que, por mais que eu tenha sido ingrato para convosco e surdo a vossos avisos, não me queirais por isso abandonar; mas que vos digneis reconduzir-me ao reto caminho quando eu estiver transviado; ensinar-me na ignorância; levantar-me quando caído; consolar-me quando aflito; sustentar-me no perigo, até que me introduzais no Céu a gozar convosco a eterna felicidade. Assim seja.

Referências

  • Orações extraídas de: Pe. Augusto Ferretti, Os Santos Anjos da Guarda (trad. e adapt. de R. Vellozo). Taubaté: SCJ, 1945, pp. 187-193. Nas páginas em questão, o autor também indica as fontes de onde extraiu algumas dessas belas orações.

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