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Devoção: o que ajuda e o que atrapalha?
Espiritualidade

Devoção:
o que ajuda e o que atrapalha?

Devoção: o que ajuda e o que atrapalha?

A devoção é quase o mesmo que o fervor da caridade: ela dá ao homem prontidão e alento para agir bem, tornando-o apto para toda virtude, e muitas são as coisas que a ajudam. Mas, também, são muitas as coisas que a impedem...

São Pedro de AlcântaraTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere13 de Novembro de 2020Tempo de leitura: 5 minutos
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Nove coisas que ajudam a alcançar a devoção. — Muitas são, pois, as coisas que ajudam a devoção; porque primeiramente vem muito ao caso tomar estes santos exercícios muito à vera e muito a peito, com um coração muito determinado e oferecido a tudo o que for necessário para conseguir esta pérola preciosa, por árduo e dificultoso que seja, porque é certo nenhuma coisa grande haver que não seja dificultosa, e assim também o é esta, ao menos a princípio.

Ajuda também a guarda do coração, de todo gênero de pensamentos ociosos e vãos, de todos os afetos e amores peregrinos, e de todas as perturbações e movimentos apaixonados, pois está claro que todas estas coisas impedem a devoção, e que convém ter o coração afinado para orar e meditar mais do que a viola para tanger.

Ajuda também a guarda dos sentidos, especialmente dos olhos, e dos ouvidos, e da língua, porque pela língua se derrama o coração, e pelos olhos e ouvidos se enche de diversas imaginações, de coisas com que se perturba a paz e sossego da alma. Por onde com razão se diz que o contemplativo há de ser surdo, cego e mudo, porque quanto menos se derramar por fora, tanto mais recolhido estará por dentro

Ajuda a isto mesmo a solidão, porque não só tira aos sentidos as ocasiões de distração e ao coração as ocasiões dos pecados, como também convida o homem a que more dentro de si mesmo e trate com Deus e consigo, movido pela oportunidade do lugar, que não admite outra companhia senão esta.

Ajuda, outrossim, a leitura dos livros espirituais e devotos, porque dão matéria de consideração, e recolhem o coração, e despertam a devoção, e fazem que o homem pense com gosto naquilo que docemente passou a saber; mas antes sempre se representa à memória o que abunda no coração. 

Ajuda a lembrança contínua de Deus, e o andar sempre em sua presença, e o uso daquelas breves orações a que Santo Agostinho chama jaculatórias, porque estas guardam a casa do coração e conservam o calor da devoção, como acima se disse. E assim se acha o homem, a cada instante, pronto para se achegar à oração. Este é um dos principais documentos da vida espiritual, e um dos maiores remédios para aqueles que não têm tempo nem lugar para se dar à oração, e o que tiver sempre este cuidado, em pouco tempo muito aproveitará.

Ajudam também a continuidade e perseverança nos bons exercícios em seus tempos e lugares ordenados, principalmente à noite ou de madrugada, que são os tempos mais convenientes para a oração, como toda a Escritura nos ensina.

Ajudam as asperezas e abstinências corporais: a mesa pobre, a cama dura, o cilício, a disciplina e outras coisas semelhantes, porque todas estas coisas, assim como nascem da devoção, assim também despertam, conservam e aumentam a raiz de onde nascem. 

Ajudam, finalmente, as obras de misericórdia, porque nos dão confiança para padecer diante de Deus, acompanham nossas orações com serviços — para que não se lhes chamem súplicas de todo secas — e fazem merecer que a oração seja misericordiosamente recebida, porque procedente de um coração misericordioso.

Dez coisas que impedem a devoção. — E, assim como há coisas que ajudam a devoção, assim também há coisas que a impedem, entre as quais a primeira são os pecados, não só os mortais, mas também os veniais, porque estes, ainda que não tirem a caridade, tiram o fervor da caridade, que é quase o mesmo que a devoção; por onde convém evitá-los com todo cuidado, já que, não fosse pelo mal que nos fazem, ao menos um grande bem nos impedem.

São Pedro de Alcântara, retratado por Luis Tristán.

Impede também o remorso da consciência, que procede dos mesmos pecados (quando é demasiado), porque deixa a alma inquieta, caída, desfalecida e fraca para todo bom exercício. 

Impedem também os escrúpulos, pela mesma causa, porque são como espinhos, e não deixam a consciência repousar e sossegar em Deus e gozar da verdadeira paz.

Impede também qualquer amargura e desgosto do coração e tristeza desordenada, porque com isto muito mal se pode compadecer o gosto e suavidade da boa consciência e da alegria espiritual.

Impedem, outrossim, os cuidados demasiados, os quais são aqueles mosquitos do Egito que inquietam a alma e não a deixam dormir esse sono espiritual que se dorme na oração; antes, ali mais do que alhures, a inquietam e divertem com seu exercício.

Impedem também as ocupações excessivas, porque ocupam o tempo e afogam o espírito, e assim deixam o homem sem tempo e sem coração para se dedicar a Deus.

Impedem os prazeres e consolações sensuais (quando o homem é excessivo nelas), porque quem muito se dá às consolações do mundo não merece as do Espírito Santo, como diz São Bernardo.

Impede o prazer no excessivo comer e beber, principalmente as ceias longas, porque estas fazem muito má cama aos exercícios espirituais e às vigílias sagradas, porque, com o corpo pesado e farto de alimento, muito mal aparelhada está a alma para voar às alturas.

Impede o vício da curiosidade, tanto dos sentidos como do entendimento, que é querer ouvir e ver e saber muitas coisas, e desejar coisas polidas, curiosas e bem trabalhadas, porque tudo isso ocupa o tempo, embaraça os sentidos, inquieta a alma e a derrama em muitas partes, e assim impede a devoção.

Impede, finalmente, a interrupção de todos estes santos exercícios — a menos que sejam deixados por causa de alguma necessidade piedosa ou justa —, porque (como diz um doutor) é muito delicado o espírito da devoção, de modo que, havendo ido embora, ou não volta, ou o faz com muita dificuldade. E por isso, assim como as árvores e os corpos humanos querem suas regaduras e alimentos ordinários, e faltando isso logo desfalecem e murcham, assim também o faz a devoção quando lhe falta a água e o alimento da consideração. 

Tudo isso foi dito assim sumariamente, para que melhor se pudesse ter na memória, e a sua confirmação poderá ver quem quiser, com o exercício e longa experiência.

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Um profeta em nossa época
Sociedade

Um profeta em nossa época

Um profeta em nossa época

Haveria algum profeta mais recente, que nos preceda não por séculos, mas por alguns anos? Alguém que tenha previsto com exatidão nosso atual estado de anarquia e seu caos moral e sexual, racial e social? Bem, houve Chesterton…

Dale AhlquistTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere12 de Novembro de 2020Tempo de leitura: 4 minutos
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O mundo nunca se esforçou muito para escutar profetas.

Os profetas do Antigo Testamento não foram muito bem-sucedidos ao longo da história de Israel. Eles apareciam com regularidade e alertavam as pessoas para que se arrependessem. Muitos deles foram mortos por apedrejamento por causa dos problemas que causavam, e muitos foram tratados com rispidez. Mas o povo de Israel só se lembrou daquilo que os profetas tentaram lhe contar quando viu seu reino ser destruído e teve de fugir nu, escravizado e completamente humilhado. Os poderosos foram derrubados. Foi um contraste absoluto com a vida que tinham conhecido quando se acomodaram pelo luxo, negligenciaram os pobres e se envolveram em divisões políticas. Eles ficaram orgulhosos e se deixaram consumir por distrações e mentiras. Perderam tudo quando deixaram de dar ouvidos a Deus, fizeram pouco caso das coisas divinas e ignoraram suas palavras enviadas por seus mensageiros, os profetas.

O único caso famoso de um povo que prestou atenção às palavras de um profeta e se arrependeu é o da história de Jonas e da cidade de Nínive. Mas essa história é mais conhecida por causa do profeta relutante do que pelo povo arrependido. É ainda mais interessante o fato de a história não ter um final feliz. Não estou falando de Jonas, que reclama com Deus. Falo de Nínive. Se você conhecesse o Antigo Testamento (mas não o conhece), e se conhecesse a história do profeta Naum (mas não a conhece), saberia que alguns anos depois de Jonas ter conseguido levar Nínive ao arrependimento e voltar ao caminho correto, a cidade retomou a vida pecaminosa e sem Deus; saberia que o profeta Naum foi enviado para alertar a cidade sobre sua iminente destruição e que ela não lhe deu ouvidos. A cidade de mercadores foi destruída: “Cadáveres sem-número, nos quais se tropeça” (Na 3, 3).

Acontece que o arrependimento é algo que você talvez tenha de fazer mais de uma vez. Eu sei: é difícil imaginar. 

A razão que as pessoas mais apresentam para não ler os profetas é que não os compreendem. É claro que a verdadeira razão é justamente o contrário disso. Não os lemos porque sabemos exatamente do que eles estão falando. As descrições são terrivelmente claras e familiares, e percebemos que somos nós os destinatários da mensagem que pede arrependimento. Nossa resposta é uma “análise crítica” do texto antigo, à luz de questões que tratam da integridade da transmissão dos manuscritos originais e sua “evidente corrupção” por meio de “constructos patriarcais opressores” e “interpolações de monges”.

Mas sobre os profetas antigos já falamos o bastante. Haveria algum mais recente, que nos preceda não por vinte ou trinta séculos, mas apenas por um? Alguém que tenha previsto com exatidão nosso atual estado de anarquia e seu caos moral, sexual, racial e social?

Bem, houve G. K. Chesterton.

Em sua novela O homem que era Quinta-feira, publicada em 1908, um grupo de anarquistas, inspirado por uma filosofia que odeia a propriedade, o matrimônio e a própria vida, tenta solapar energicamente tudo o que é normal na civilização.

Ele previu que a “marcha do progresso humano” seria a contracepção seguida do aborto e do infanticídio.

Ele disse que o resultado do divórcio leviano seria o matrimônio leviano.

Ele disse que o sexo exagerado levaria à assexualidade, e que um dos problemas do mundo moderno é que cada sexo está tentando ser os dois sexos ao mesmo tempo.

Ele disse que o controle de natalidade, que foi promulgado pela primeira vez sob o manto da eugenia, era racista: uma tentativa de impedir os “indesejáveis” de ter filhos. 

Ele disse que a América sempre pagaria um alto preço pela importação e escravização de africanos, e que a escravidão sempre seria o “crime e a catástrofe da história americana”. Ele ainda alertou: “As pessoas estão sempre prontas para falar bobagens sobre raça”.

Ele alertou sobre um culto à natureza que nos tornaria artificiais, um culto à saúde que nos tornaria doentios e um culto ao homem que nos tornaria desumanos.

Ele alertou que o mundo moderno corria o risco de viver sob uma tirania do Estado forte e dos grandes negócios, e que o homem comum perderia cada uma de suas liberdades. Alertou que seríamos escravos de nossas máquinas, do prazer, da agitação e da ciência. Alertou que a educação pública ampliaria o poder do Estado e reduziria a autoridade dos pais e da Igreja. Disse ele: “Elimine Deus, e o governo se tornará deus”.

Ele disse que nós perdemos nossa ideia de arrependimento.

Embora os profetas não sejam muito populares (especialmente em nível local e porque só se comprova que eles estão certos mais tarde), ainda há quem os siga enquanto estão vivos, que obedeça à Palavra de Deus, que mantenha os santos sacrifícios de Deus e se importe com os párias porque eles mesmos são uns párias. Elias pensou que estivesse sozinho, mas não estava. Chesterton é ignorado pelo mundo, mas há uns poucos que se lembram do que ele disse e sabem que ele estava — e ainda está — certo. Os poucos fiéis podem crescer em número, inclusive de forma rápida e discreta. O mundo não é feito apenas de ervas daninhas; o trigo cresce em meio ao joio.

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Aproveite a promoção!
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Prepare-se para o Natal não só “em grande estilo”, mas também com conteúdo sólido! Neste mês de promoções, o Plano Global de nosso site, que dá acesso a todos os nossos cursos, está saindo por um valor muitíssimo abaixo do normal!

Equipe Christo Nihil Praeponere10 de Novembro de 2020Tempo de leitura: 1 minutos
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Ao longo de todo o mês de novembro, em preparação para as festas natalinas, é muito comum que as pessoas vão às compras. Os comerciantes aproveitam o momento para fazer promoções, vender mais, e é daí que vêm as conhecidas expressões Black November, Black Week e Black Friday — que vamos ver muito por esses dias.

Pois bem! Nós, aqui no site do Padre Paulo Ricardo, embora não sejamos propriamente uma “loja”, também queremos aproveitar essa época especial para oferecer a você um desconto considerável em nossa assinatura

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Nosso Black November consistirá em quase 3 semanas de promoção exclusiva e funcionará da seguinte maneira:

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  • Entre os dias 23 e 30 de novembro, você poderá adquirir o Plano Global por até R$ 574,90 à vista (20% off) ou R$ 646,90, parcelados em até 12x no cartão de crédito (10% off).

Chamamos a atenção de todos para o seguinte: nossa promoção se encerra, sem mais, no dia 30 de novembro de 2020 — praticamente com o fim do ano litúrgico. Ou seja, você começa o tempo do Advento, se preparando para a grande solenidade do Natal, não só “em grande estilo”, mas também com conteúdo sólido: estudando e se aprofundando nas coisas de Deus!

Não perca essa chance de se unir a nossa família espiritual, e não deixe de avisar também seus amigos e familiares para que aproveitem essa oportunidade!

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Elevação à Santíssima Trindade
Oração

Elevação à Santíssima Trindade

Elevação à Santíssima Trindade

“Ó meu Deus, Trindade que adoro, ajudai-me a esquecer-me inteiramente de mim mesma para fixar-me em vós, imóvel e pacífica, como se minha alma já estivesse na eternidade.”

Santa Elisabete da Trindade7 de Novembro de 2020Tempo de leitura: 2 minutos
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Esta oração de Santa Elisabete da Trindade, de tão bela, já foi transformada até mesmo em canção. 

Aqui, no entanto, nós a apresentamos a nossos leitores simplesmente para que a recitem com devoção e possam ganhar, neste dia em que a Igreja faz memória dessa grande santa carmelita (8 de novembro), mais graças para a vida de união com o Pai, o Filho e o Espírito Santo.


S. Elisabete da Trindade.

Ó meu Deus, Trindade que adoro, ajudai-me a esquecer-me inteiramente de mim mesma para fixar-me em vós, imóvel e pacífica, como se minha alma já estivesse na eternidade. Que nada possa perturbar-me a paz nem me fazer sair de vós, ó meu imutável, mas que a cada minuto eu adentre mais a profundidade de vosso mistério. Pacificai minha alma, fazei dela vosso céu, vossa morada preferida e o lugar do vosso repouso. Que eu jamais vos deixe só, mas que aí esteja toda inteira, totalmente desperta em minha fé, toda em adoração, entregue inteiramente à vossa ação criadora.

Ó meu Cristo amado, crucificado por amor, quisera ser uma esposa para o vosso coração, quisera cobrir-vos de glória, amar-vos… até morrer de amor! Sinto, porém, minha impotência e peço-vos “revestir-me de vós mesmo”, identificar a minha alma com todos os movimentos da vossa, submergir-me, invadir-me, substituir-vos a mim, para que a minha vida seja uma verdadeira irradiação da vossa. Vinde a mim como Adorador, como Reparador e como Salvador.

Ó Verbo eterno, Palavra de meu Deus, quero passar minha vida a escutar-vos, quero ser de uma docilidade absoluta, para tudo aprender de vós. Depois, através de todas as noites, todos os vazios, todas as impotências, quero ter sempre meus olhos fixos em vós e ficar sob a vossa grande luz. Ó meu astro amado, fascinai-me a fim de que não me seja mais possível sair de vossa irradiação.

Ó fogo devorador, Espírito de amor, “vinde a mim” para que se opere em minha alma como que uma encarnação do Verbo: que eu seja para ele uma humanidade de acréscimo na qual ele renove todo o seu mistério. E vós, ó Pai, inclinai-vos sobre vossa pequena e pobre criatura, “cobri-a com vossa sombra”, vendo nela só o Bem-Amado no qual puseste toda a vossa complacência.

Ó meus “Três”, meu Tudo, minha Beatitude, Solidão infinita, Imensidade onde me perco, entrego-me a vós qual uma presa. Sepultai-vos em mim para que eu me sepulte em vós, enquanto espero ir contemplar em vossa luz o abismo de vossas grandezas.

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