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Mulher, um ícone da graça
SociedadeVirgem Maria

Mulher, um ícone da graça

Mulher, um ícone da graça

Que a exemplo de Maria, as mulheres e os homens se recordem da figura feminina como um ícone da graça e da beleza divina

Equipe Christo Nihil Praeponere8 de Março de 2013
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Uma das acusações preferidas dos detratores da Igreja reside na velha questão sobre a não admissão de mulheres ao sacerdócio. Não basta à mulher ser a escolhida para Mãe de Deus, não basta à mulher ser a primeira a anunciar a ressurreição de Cristo. Para eles, a humildade da Igreja de reconhecer a impossibilidade do sacerdócio feminino é autoritarismo e misoginia, enquanto que a arrogância da ideologia de gênero em modificar a própria natureza humana por claros fins ideológicos é vista como progresso e justiça. Não é preciso muito esforço para se perceber a falsidade ideológica desses discursos, mas, por outro lado, há ainda quem lhes dê atenção.

A lista dos postulantes da ordenação feminina é imensa. Versa desde os simples leigos aos teólogos, e, às vezes, até mesmo clérigos mais respeitados, sobretudo pela mídia liberal. Após a renúncia do papa, então, a balbúrdia em torno do assunto ganhou contornos há tempos não vistos. Tudo alavancado pela imprensa na ânsia de, possivelmente, arrancar do novo pontífice o indulto para suas pretensões. A coisa ficou ainda mais estapafúrdia depois de a polícia italiana - corretamente, vale frisar - ter detido uma "sacerdotisa" excomungada que protestava na Praça de São Pedro, nesta quinta-feira, 07/03, pelo "direito" das mulheres serem ordenadas.

Não é preciso dizer que a discussão sobre a ordenação de mulheres é um caso encerrado para a Igreja Católica. O Beato João Paulo II, durante uma das cerimônias mais solenes de seu pontificado, foi muito incisivo quando afirmou "que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja". As pessoas que ainda insistem em discutir essa questão não devem ser levadas a sério. Ainda mais quando se observa que esses clamores vêm precisamente de grupos que estão mais ligados a ideologias e partidarismos políticos que a própria fé cristã.

Mas, se ainda resta alguma dúvida quanto ao assunto, nada mais oportuno que recordar a Carta Apostólica Mulieris Dignitatem de João Paulo II sobre a dignidade e a posição da mulher dentro da Igreja. O beato lembra que um dos grandes escândalos de Jesus para os fariseus era, justamente, a sua forma de relacionar-se com as mulheres. "Ficaram admirados por estar ele a conversar com uma mulher" (Jo 4, 27). Isso é o suficiente para fazer cair por terra a hipótese surreal de que Cristo não teria conferido a ordenação para as mulheres por ter se adaptado aos costumes da época. Não se adaptar aos costumes farisaicos foi justamente o que rendeu a Cristo a sua crucificação. Ora, se fosse do Seu intuito criar o sacerdócio feminino Ele o teria feito.

Um outro aspecto importante a ser ressaltado é a maneira como alguns grupos feministas, os quais, se dizendo defensores dos direitos das mulheres pretendem ser os porta-vozes de todas. Será que as mulheres se vêem representadas por esses grupos? A resposta é não. Eles, de maneira alguma representam os anseios, a moralidade e os costumes da maioria das mulheres espalhadas pelo Brasil e pelo mundo. Seu modo de agir, sua forma de protestar também não. Ou alguém ousará dizer que uma mulher que sai à rua seminua com faixas escandalosas nas quais ela mesma se define como "vadia" está defendendo a dignidade feminina?

O feminismo extremista, radicado nos últimos anos nas despudoradas "Marchas das Vadias", não só deturpou a imagem da mulher, como também a do homem. O resultado disso pode ser visto em cenas degradantes como as ocorridas na Universidade de São Paulo recentemente, em que mulheres e rapazes nus se enfrentavam por causa de uma festa para calouros. Através da ideologia de gênero, a dignidade de ambos os sexos é posta abaixo de qualquer padrão de decência, ao mesmo tempo em que relações sem vínculos definitivos, promiscuidade e orgias são elevadas ao grau das grandes virtudes, as quais todos devem almejar. Sem mencionar ainda as indefensáveis bandeiras pelas quais esses grupos lutam, como por exemplo, a legalização do aborto e o controle da natalidade.

A teologia católica, por outro lado, sempre viu na mulher o tesouro da pureza e da santidade, da qual podia-se haurir o genuíno significado da dignidade humana. Não é por menos que a Igreja durante séculos incentivou o uso do véu, pois os cristãos cobrem aquilo que é santo. Santa Joana D´Arc, Santa Gianna Beretta, Santa Catarina de Sena e Santa Terezinha do Menino Jesus são alguns modelos da coragem, piedade e docilidade feminina, virtudes tão belas e ao mesmo tempo, tão difíceis de se encontrar, sobretudo nos últimos decênios.

Soma-se a tudo isso, a figura da Virgem Santíssima, a reunião de todas as graças em uma só criatura. Ela que é o espelho da justiça e o refúgio dos pecadores. A mãe de misericórdia que tem os olhos voltados para todos, sem distinção. A ave estrela do mar, a porta do céu. Aquela que avança como aurora e que traz aos cegos a luz. Mãe e Virgem destemida. Bem-aventurada por todas as gerações. Quem ousará dizer que nela não habita a verdeira liberdade e dignidade da mulher? Quem poderá lhe imputar a chaga da opressão? Quem se atreverá a levantar contra ela os horrores de uma vida infeliz por sua dócil e, não menos corajosa, submissão à vontade do Pai? Quem dirá que ela é menor perante Deus por não trazer no corpo o manto negro de uma veste sacerdotal? Quem?

Que a exemplo de Maria, as mulheres e os homens se recordem da figura feminina como um ícone da graça e da beleza divina.

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O falso Concílio dos teólogos liberais e as suas desastrosas consequências
Igreja Católica

O falso Concílio dos teólogos liberais
e as suas desastrosas consequências

O falso Concílio dos teólogos liberais e as suas desastrosas consequências

Bento XVI, em sua autobiografia, afirmou que a crise pela qual a Igreja passa hoje "é causada em grande parte pela decadência da liturgia".

Equipe Christo Nihil Praeponere6 de Março de 2013
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A renúncia do Papa Bento XVI iniciou um processo de reflexão sobre a situação da Igreja no mundo. O Santo Padre, no seu discurso ao clero da Diocese de Roma[01], lamentou os resultados de uma "hermenêutica da ruptura" sobre os textos do Concílio Vaticano II, interpretação essa que contou com o apoio dos meios de comunicação para se difundir. O efeito de tal pensamento foi catastrófico. Nas palavras do Papa Emérito, os frutos foram estes: "seminários fechados, conventos fechados, liturgia banalizada..." De fato, essa não era a intenção do Concílio, mas ao invés da primavera que se anunciava após o seu término, o que veio foi a nebulosa "fumaça de satanás" denunciada por Paulo VI.

Neste sentido, o Ano da Fé proclamado por Bento XVI é uma oportunidade ímpar para se pensar a respeito do que realmente propôs o Concílio Vaticano II. Expressar a continuidade do Magistério da Igreja e contemplar o passado para recolher dele as bases da nova ação evangelizadora. Era mais ou menos com essas palavras que o Beato João XXIII abria o Concílio há 50 anos. Palavras que, sem sombra de dúvida, representam um ideal bem distante do elucubrado pelos ideólogos do "Espírito do Concílio", um espírito que em última instância se comporta como um anti-concílio.

Por conseguinte, a questão principal a se entender neste tema é que esse "Espírito do Concílio" é um movimento criado por teólogos liberais e pela imprensa. Nada tem a ver com a verdadeira letra do Concílio Vaticano II. Na verdade, sua expressão é a de um humanismo sem Deus, no qual a transcendência cristã é quase que posta de lado e substituída por alguns espasmos espirituais. Em tese, é a total aliança do homem com a mentalidade moderna e anti-cristã. Aliança, vale lembrar, duramente criticada por teólogos que tiveram grande peso durante o Concílio como Hans Urs von Balthasar.

No entanto, apesar da sua verve revolucionária e notoriamente anti-católica, foi o "Espírito do Concílio" que obteve a primazia sobre a opinião pública, mesmo dentro da Igreja. Isso se explica, sobretudo, pelo fato do Concílio dos meios de comunicação ter sido o mais acessível a todos. Portanto, como ressaltou Bento XVI, "acabou por ser o predominante, o mais eficiente, tendo criado tantas calamidades, tantos problemas, realmente tanta miséria".

Por outro lado, debitar na conta do "Espírito do Concílio" todos os males surgidos dentro da Igreja nesses últimos anos também seria exagerado, embora, a sua contribuição para o processo de desfiguração do rosto do cristianismo diante da sociedade tenha sido decisiva. Basta se observar a atual situação das nações de antiga tradição católica para se ter uma noção do estrago. A título de exemplo, veja-se os casos de vendas de antigas catedrais para se tornarem "hotéis" ou "casas de show", como tem ocorrido na França e em outros países europeus. Ou então a implosão demográfica pela qual está passando a Europa como um todo, devido às suas políticas de controle da natalidade. Ou, sem ir muito longe, aqui mesmo no Brasil, onde a falta de zelo pastoral e o sequestro da liturgia para transformá-la em propaganda política ou espetáculos circenses tem aberto cada vez mais espaço para o avanço das seitas.

Bento XVI, em sua autobiografia, afirmou que a crise pela qual a Igreja passa hoje "é causada em grande parte pela decadência da liturgia". O Papa Emérito criticava o modo como se é celebrado a Missa em tantos lugares, que é quase como se Deus não existisse. O seu diagnóstico é de uma precisão quase cirúrgica: a grande tragédia da Igreja e do mundo é o abandono de Deus. Não obstante, ao mesmo tempo em que o "Espírito do Concílio" fez tantos estragos, ele mesmo se encontra hoje em um processo de franca decadência: "passados cinquenta anos do Concílio, vemos como este Concílio virtual se desfaz em pedaços e desaparece, enquanto se afirma o verdadeiro Concílio com toda a sua força espiritual" (Cf. Discurso de Bento XVI à Diocese de Roma).

Sob essa ótica, os oito anos de pontificado de Bento XVI foram realmente providenciais, pois despertaram nos fiéis aqueles típicos sentimentos católicos: a devoção mariana, o amor à Eucaristia e a fidelidade ao Santo Padre. Embora ainda seja um movimento tímido, esse grupo de fiéis que tem buscado viver a fé católica de forma plena é vigoroso e está em ascensão. Ademais, é majoritariamente constituído por vocações jovens, ao passo que as instituições progressistas agonizam. Os escombros das revoluções e o fracasso de uma espiritualidade vazia, na qual o homem é quem está no centro, foram o suficiente para iluminar a visão dessa nova geração quanto à falsidade do tal "Espírito do Concílio". Bento XVI convocou o seu clero - e, consequentemente, a todos os católicos - para que neste Ano da Fé o verdadeiro Concílio Vaticano II fosse aplicado e se tornasse realidade viva dentro da Igreja. Aos poucos, essa resposta já está sendo dada.

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A Guarda do Papa
Igreja Católica

A Guarda do Papa

A Guarda do Papa

Esta é a missão da Guarda Suíça Pontifícia: dar a própria vida, se necessário for, para proteger a do Sumo Pontífice.

Equipe Christo Nihil Praeponere3 de Março de 2013
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O encerramento do pontificado de Bento XVI foi marcado por um ato que pôs em evidência um dos muitos personagens do Vaticano: a Guarda Suíça Pontifícia. Coube a ela cerrar as portas do Palácio Apostólico de verão, em Castel Gandolfo, onde o agora Papa Emérito passará os próximos dois meses. Após esse gesto, depôs as armas e foi substituída pela Gendarmaria (Corpo de Polícia do Estado do Vaticano). Mas, uma pergunta ficou no ar: quem são esses homens cuja função é cuidar da segurança do Papa?

Por volta de 1505, o então Papa Julio II pediu ao monarca da Suíça que lhe mandasse um grupo de homens para fazer a sua segurança pessoal. Em 22 de janeiro de 1506, 150 homens suíços, comandados pelo Capitão Kaspar von Silenem, escolhidos entre os mais fortes, robustos e nobres representantes dos cantões de Uri, Zurique e Lucerna, adentraram ao Vaticano e atravessaram a Praça do Povo, onde foram abençoados por aquele Pontífice.

Encarregados de garantir a segurança do Papa, enfrentaram em 06 de maio de 1527 a mais sangrenta batalha, quando Roma foi invadida por cerca de dezoito mil homens pertencentes ao exército de Carlos V, o qual guerreava contra Francisco I. Naquele dia, um grupo de mil homens do exército inimigo batalhou contra a Guarda do Papa, em frente à Basílica de São Pedro. Os suíços lutaram bravamente e 108 deles morreram no combate, mas, para comprovar sua coragem e dedicação, das fileiras contrárias tombaram 800 dos mil invasores. Além disso, fizeram uma espécie de cordão de isolamento em torno do Papa Clemente VII, levando-o em segurança até o Castelo de Santo Ângelo.

Recruta levanta os três dedos da mão, símbolo da Santíssima Trindade, durante a cerimônia de juramento.

Esta é a missão da Guarda Suíça Pontifícia: dar a própria vida, se necessário for, para proteger a do Sumo Pontífice. Assim, é evidente que para ser admitido ao corpo da Guarda é necessário que o candidato passe por um rigoroso processo de seleção. Os principais requisitos são:

  1. Ser católico: dado que a pessoa a ser protegida é ninguém menos que a autoridade máxima temporal da Igreja Católica Apostólica. Além disso, é dever do Guarda Suíço velar pelos peregrinos católicos, pela Cúria Romana e pelo próprio Túmulo do Príncipe dos Apóstolos. Por fim, ele deve participar cotidianamente das diversas celebrações litúrgicas no Vaticano. Nada mais justo, portanto, que professe a fé católica.
  2. Ter cidadania suíça: em honra aos 108 suíços que tombaram gloriosamente na batalha ocorrida em 1527, somente são admitidos homens dessa nacionalidade no corpo de segurança pontifício.
  3. Ter boa saúde: os candidatos passam por uma rigorosa bateria de exames físicos e psicológicos.
  4. Ser solteiro: exceção feita somente aos oficiais, sargentos e cabos. É proibido que durmam fora do Vaticano.
  5. Ter concluído o curso básico de preparação: ministrado pelo exército suíço. Além disso, devem obter um certificado de aptidão.
  6. Ter boa conduta: como a pessoa irá servir diretamente ao Papa, deve ter uma conduta irreprovável.
  7. Ter formação profissional: é desejável que o candidato tenha uma boa formação, além da vontade e eficiência. É esperado que ele demonstre capacidade de aprendizagem e um certo nível de maturidade.
  8. Idade: Para ser admitido, o candidato deve ter entre 19 e 30 anos de idade.

A Guarda Suíça tem diversas atribuições, dentre elas, prestar segurança às inúmeras autoridades estrangeiras que visitam oficialmente o Vaticano, assistir o Papa durante as suas viagens apostólicas e também em suas aparições públicas na Praça de São Pedro. Por isso, nem sempre estão trajados com o uniforme pelo qual são reconhecidos. Muitas vezes estão à paisana, como guarda-costas e misturam-se à multidão, utilizando equipamentos de segurança de última geração. Tudo para garantir a segurança do Pontífice. Hoje ela é composta por 109 membros, sendo cinco oficiais, 26 sargentos e cabos e 78 soldados.

O uniforme é outro aspecto interessante da Guarda Suíça e pelo qual são reconhecidos. Imputa-se o seu desenho original a Michelangelo, mas o modelo atual foi redesenhado por Jules Répond, então Capitão da Guarda. Elaborado em malha de cetim, nas cores azul-real, amarelo-ouro e vermelho-sangue, é composto de meias que aderem às pernas e são presas na altura do joelho por uma liga dourada e a parte superior também apresenta um corte inusitado. O capacete é ornado com uma pluma de cor vermelha e as luvas são brancas.

Trata-se de um uniforme bastante elegante, que simboliza a nobreza e o orgulho de servir ao Sumo Pontífice. Embora, de maneira inegável, seja curioso para os tempos atuais. Por causa disso, chama a atenção dos peregrinos católicos que visitam o Vaticano. No site oficial da Guarda Suíça Pontifícia existe um campo para que os peregrinos enviem suas fotos tiradas com os guardas na Praça de São Pedro. No dia 06 de maio de 2006, o Papa Emérito Bento XVI, presidiu uma Missa Solene celebrando os 500 anos da Guarda Suíça Pontíficia. Em sua homilia afirmou:

"Entre as numerosas expressões da presença dos leigos na Igreja católica, encontra-se também a da Guarda Suíça Pontíficia, que é muito singular porque se trata de jovens que, motivados pelo amor a Cristo e à Igreja, se põem ao serviço do Sucessor de Pedro.
Para alguns deles a pertença a este Corpo de Guarda limita-se a um período de tempo, para outros prolonga-se até se tornar opção para toda a vida. Para alguns, e digo-o com profundo prazer, o serviço no Vaticano contribuiu para maturar a resposta à vocação sacerdotal ou religiosa. Mas para todos, ser Guardas Suíços significa aderir sem limites a Cristo e à Igreja, prontos por isso a dar a vida. O serviço efetivo pode terminar, mas dentro permanece-se sempre Guardas Suíços."

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Bento XVI, o Papa Emérito
Bento XVI

Bento XVI, o Papa Emérito

Bento XVI, o Papa Emérito

Chega ao fim o papado de Bento XVI, o papa teólogo

Equipe Christo Nihil Praeponere1 de Março de 2013
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Ontem, 20 horas em Roma, os portões da residência papal de Castel Gandolfo se fecham, a Guarda Suíça se retira. Chega ao fim o papado de Bento XVI, o papa teólogo. Ao toque dos sinos, a multidão de fiéis aglomerada na frente dos aposentos do Santo Padre dá seu último adeus aquele que esteve à frente da Barca de Pedro por quase uma década. É um momento histórico que, mesmo registrado pelas centenas de câmeras dos jornalistas, não pode ser esmiuçado, contado, explicado, apenas meditado. É o adeus de um pai.

Bento XVI deixou o Vaticano por volta das 17h07min (horário local). Acompanhado por seu secretário, Dom Georg Gäenwein, o agora Papa Emérito se dirigiu para Castel Gandolfo, onde ficará até o término das reformas de sua nova residência, o antigo convento Mater Ecclesiae. A partida do Papa foi marcada por momentos de profunda comoção e lágrimas. No caminho para o heliporto, outro momento de profunda emoção: o chofer que o serviu durante anos não conseguiu segurar as lágrimas. Também na Praça de São Pedro se podia ver muitas pessoas emocionadas, algumas chorando.

Durante o trajeto, Bento XVI sobrevoou a Basílica de São Pedro, enquanto centenas de católicos assistiam a sua despedida pelos telões espalhados na praça. Uma multidão de fiéis também o aguardava na frente da residência papal em Castel Gandolfo para sua última aparição pública como romano pontífice. Na mensagem dirigida aos peregrinos, já na sacada de sua atual residência, Bento XVI disse que, em poucas horas, não seria mais o papa, "mas um simples peregrino encerrando seu caminho nesta terra".

O Papa agradeceu aos fiéis pela presença e lhes deu uma mensagem de confiança e de fé. "Sinto-me muito apoiado pela vossa simpatia. Vamos para a frente juntos com o Senhor para o bem da Igreja e do mundo", insistiu. O Santo Padre reforçou que não vai abandonar o serviço a Cristo, mas que pretende continuar trabalhando para Deus com todo o seu coração. "Gostaria ainda, de trabalhar, com o meu coração, com o meu amor, com a minha oração, com a minha reflexão, com todas as minhas forças interiores, para o bem comum e o bem da Igreja, da humanidade", declarou.

Hoje, 01/03, o Cardeal Decano Ângelo Sodano convocou formalmente os Cardeais eleitores para início das Congregações Gerais, nas quais se decidirá a data de abertura Conclave. Enquanto não se elege um novo papa, os assuntos da Igreja ficam sob a responsabilidade do Cardeal Tarcísio Bertone, o Camerlengo. Devido às alterações no Motu Proprio Normas Nonnullas feitas por Bento XVI, o início da eleição do novo pontífice deve ser mais cedo que o habitual.

O Papa Bento termina seu pontificado e apesar das inúmeras dificuldades, classificadas por ele como "águas turbulentas", soube imprimir sua marca na Igreja, deixando nela um legado de fé, amor e sobretudo humildade. O Papa Emérito ensinou aos católicos uma verdade há muito esquecida, devido ao processo de relativismo no qual muitos estão inseridos: "ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo" (Deus caritas est). Bento XVI ajudou a humanidade a encontrar uma pessoa: Cristo!

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