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José ou João Batista: quem foi o maior, afinal?
Santos & Mártires

José ou João Batista:
quem foi o maior, afinal?

José ou João Batista: quem foi o maior, afinal?

Se Nosso Senhor mesmo afirma que São João Batista é o maior entre os nascidos de mulher, por que tantos católicos insistem em afirmar que, depois da Santíssima Virgem Maria, São José é o maior de todos os santos?

Equipe Christo Nihil Praeponere12 de Janeiro de 2021Tempo de leitura: 3 minutos
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Há alguns meses, recebemos no suporte do site a seguinte pergunta: “Recentemente, li um artigo do site sobre o ano de S. José, e algo me capturou a atenção, a saber: ‘[…] crescer em devoção a este [S. José] que é, depois de Maria, o maior de todos os santos de Deus’. No entanto, não teria nosso próprio Senhor dito em Mt 11, 11: ‘Entre os nascidos de mulher não se levantou ninguém maior do que João, o Batista’? Como resolver esse dilema?”

Resposta: Nosso Senhor não se refere em Mt 11, 11 à grandeza de João Batista em sentido absoluto, como se ele fora, de todos os homens já nascidos ou por nascer, o maior em santidade e graça, mas em sentido relativo, por comparação com os santos do Antigo Testamento. João Batista, com efeito, foi o maior dos profetas, o que se vê pelos privilégios e ofícios que Deus lhe atribuiu, dentre os quais se podem destacar os seguintes:

  1. Foi santificado, isto é, purificado do pecado original ainda no útero materno e ali mesmo começou a anunciar, por seu frêmito de alegria, a presença do Messias (cf. Lc 1, 44);
  2. Instituiu, por inspiração especial, o batismo de penitência e, por disposição divina, teve a honra de batizar a Cristo no rio Jordão (cf. Mc 1, 7-11);
  3. Foi o primeiro a pregar a proximidade do Reino dos Céus, ao qual levou e converteu muitíssimos pecadores (cf. Mc 1, 5);
  4. Foi comparado pelo profeta Malaquias a um anjo (cf. Mt 11, 10; Ml 3, 1) e representado, como em seus tipos, pelos profetas que o precederam, especialmente por Elias (cf. Mt 11, 14);
  5. Teve, além do dom de profecia, a coroa da virgindade e a palma do martírio (cf. Mc 6,14-39), o que lhe merece gloriosas auréolas no céu.

Não há dúvida de que, por todos esses títulos e pela função especialíssima que lhe confiou a divina Providência (cf. Lc 1, 15ss), João Batista pode ser considerado o ponto alto de todo o Antigo Testamento e, por conseguinte, digno da mais profunda veneração.

Mas o mesmo Jesus, que louva tão sublimes predicamentos, na mesma passagem de Mt 11, 11 afirma: “No entanto, o menor no Reino dos Céus é maior do que ele”, o que se pode entender, como nota S. Tomás de Aquino, em referência a três coisas:

  1. Quer aos beatos que estão no céu, porque é melhor ter chegado à pátria do que ainda estar em caminho. Por isso, o menor no céu é maior, isto é, está em melhor condição do que o maior santo na terra;
  2. Quer a Cristo mesmo, que, sendo mais jovem que João, é contudo maior do que ele em dignidade (cf. Jo 1, 15), por ser o próprio Verbo feito carne;
  3. Quer, enfim, a diferentes estados dentro da Igreja, porquanto é maior o mérito das virgens que o dos casados, e o dos profetas que o dos simples fiéis; mas é maior ser pai nutrício do Verbo encarnado e esposo castíssimo da Virgem Maria do que ser profeta e precursor de Cristo.

Além disso, vale lembrar que o grau de santidade se mede em função da proximidade ou união a Deus, já que dizemos ser santo justamente quem tem com Deus como que uma só vontade ou coração. Ora, é evidente que, depois de Nossa Senhora, nenhum outro santo esteve tão próximo de Cristo e se aproximou tão estreitamente quanto possível da ordem hipostática do que S. José: só a ele, e a ninguém mais, foi confiado o cuidado especial “de alimentar, educar e proteger a Deus feito homem”. A conclusão impõe-se por si mesma.

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Mulheres, não se casem com qualquer um!
Sociedade

Mulheres,
não se casem com qualquer um!

Mulheres, não se casem com qualquer um!

O medo da solidão parece estar levando muitas mulheres cristãs a abandonar suas crenças para garantir uma aliança de compromisso. Mas será que vale mesmo a pena abrir mão da própria fé, só para ficar com um homem?

Anna HitchingsTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere12 de Janeiro de 2021Tempo de leitura: 10 minutos
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Este é o testemunho de uma mulher católica, contendo impressões bastante pessoais a respeito da situação em que o mundo se encontra no que tange aos relacionamentos entre os católicos. É um relato que descreve alguns aspectos da realidade, sim, mas que não pretende esgotá-la.

Concedemos que algumas afirmações da autora podem parecer mais duras, especialmente quando ela se refere à falta de homens bons. Convidamos os homens de boa vontade, no entanto, a fazerem um sincero exame de consciência sobre tudo o que é dito abaixo, acolhendo o que há de verdadeiro neste testemunho — e rejeitando o que porventura acharem que não corresponde à verdade dos fatos.

Oportunamente, no futuro, podemos publicar o testemunho de algum homem com o título inverso, apresentando também os problemas das mulheres modernas, especialmente a sua adesão ao feminismo. De qualquer modo, já temos material abundante a esse respeito aqui. Por ora, esperamos que todos tenham a maturidade para entender que o fruto proibido não foi comido nem só por Eva, nem só por Adão.


Vivemos um período único na história. A política nunca foi tão polarizada, a sociedade de massas nunca esteve tão próxima da amoralidade (embora a Roma de Nero tenha chegado perto disso) e para as mulheres nunca foi tão difícil encontrar um homem bom

Reconheço que a última afirmação é ousada, mas permita-me desenvolvê-la. 

Nós vivemos a lamentar o estado em que se encontra a sociedade (a juventude, as universidades, a mídia etc.), que parece se envolver em situações cada vez mais difíceis, oriundas de ideias, comportamentos e políticas regressivas.

A adesão a alguma religião e a presença nas igrejas nunca foi tão baixa, especialmente entre os jovens e, de modo particular, entre os homens. O vício em pornografia é um flagelo de proporções epidêmicas entre os homens e até entre meninos de onze anos. Numa palavra, o mundo está uma bagunça.

Você ouviu falar disso antes.

Há, porém, um efeito colateral importante de tudo isso que não recebe a devida atenção: tem sido cada vez mais difícil para as mulheres (particularmente as cristãs) encontrar bons maridos nesse novo ambiente. A situação é tão terrível que, hoje, as mulheres tendem cada vez mais a abandonar suas convicções religiosas por causa de relacionamentos amorosos.

Talvez esse assunto não seja considerado tão sério quanto o aborto sob demanda ou a perda da liberdade de expressão, mas eu afirmo que ele é tão importante quanto esses temas, se não mais. O futuro de nossa sociedade depende de matrimônios, famílias e cidadãos bons e sólidos. Precisamos de famílias para gerar jovens educados e instruídos que continuarão combatendo o bom combate em todos os temas que afligem nossa sociedade.     

Mas, para alguém como eu — uma católica solteira com 32 anos —, a situação é, de fato, desoladora.

Se eu conversar com as mulheres do meu círculo social, todas elas dirão a mesma coisa: simplesmente não há homens disponíveis. Com isso queremos dizer que há uma assustadora escassez de homens entre 25 e 35 anos que frequentem a igreja, estejam solteiros e sejam maduros.  

A maioria dos homens que conheço têm duas dessas qualidades, mas muitas vezes não têm a última. Os solteiros que vão à igreja geralmente são desajeitados e carecem de habilidade social básica (um verdadeiro banho de água fria para as mulheres). Os mais mundanos não estão solteiros nem são religiosos. E ainda que não sejam religiosos, a maioria dos rapazes têm pontos de vista e valores de centro-esquerda diametralmente opostos aos nossos.

Por essa razão, é um esforço vão aventurar-nos fora do ambiente eclesial. (Sem falar na escassez de homens que estão mesmo abertos à ideia de castidade, mas esse é um assunto completamente diferente.) Não nego que haja bons rapazes solteiros por aí; é claro que há. Muitas das minhas amigas mais próximas foram afortunadas o bastante para conhecer e se casar com homens maravilhosos, inteligentes e com princípios, mas um número ainda maior de mulheres não teve a mesma sorte.  

Eu as encontro constantemente em festas e outros eventos sociais — católicas belas, inteligentes e solteiras que só querem encontrar um homem a quem amar e honrar. No entanto, esse grupo de mulheres parece crescer cada vez mais, ao passo que o número de homens devotos e casáveis está caindo rapidamente.

No início da década de 1960, 87% dos homens australianos se identificavam como cristãos. Essa porcentagem caiu para 49%. Não é necessário dizer que o número de homens que vão à igreja é ainda menor. Essa tendência tampouco existe apenas na Austrália; parece ser, antes, a norma em todo o Ocidente.

Fui a um casamento em Seattle no ano passado e conheci uma mulher que tinha mais ou menos a minha idade. Ela me perguntou se deveria se mudar para a Austrália para encontrar um marido, devido à falta de homens católicos em seu círculo social. 

O fato de ser uma experiência quase universal fala por si. Infelizmente, o crescente desespero alimentado por essa tendência começa a mostrar resultados preocupantes. Conheço pessoalmente três católicas nos seus 20 ou 30 anos que renunciaram às suas crenças para se relacionar com um homem (todos os casos ocorreram ao longo dos últimos anos). Uma delas conheceu um homem pela internet; mais tarde, descobriu que ele era casado (embora separado) e tinha filhos, mas mesmo assim ela foi em frente. 

Contrariando o conselho de seu pároco, outra delas se casou fora da Igreja com um agnóstico a quem namorou por pouco tempo. A terceira começou a sair com um ateu que havia conhecido na universidade. Um ou dois anos depois, ela abandonou a Igreja e as pessoas de quem era mais próxima para poder se casar com ele.

Não se tratava de católicas “de IBGE”. Todas eram católicas de berço, bem educadas na fé e muito ativas em suas respectivas paróquias e comunidades. Mas essas são apenas as que eu conheço pessoalmente. Com certeza há outras.

Muitas pessoas não compreendem isso. Na verdade, eu mesma me esforço para compreender a situação. Independentemente do grau de desespero para se casar, como qualquer outra coisa poderia ser mais importante do que a própria fé? 

Na história da Igreja, as mulheres foram tradicionalmente o bastião da integridade moral. Alguém já disse que, se quisermos julgar a bússola moral de uma sociedade, temos de prestar atenção em suas mulheres. Se entrarmos em qualquer igreja, com certeza veremos mais mulheres do que homens.

De acordo com quase todas as estatísticas, é mais comum que as mulheres permaneçam fiéis à religião, o que torna ainda mais surpreendente cada um dos incidentes relatados acima.

Na verdade, essas histórias são tão chocantes que uma delas bastaria para ser, há poucas décadas, a causa de um enorme escândalo para suas respectivas amigas e comunidades. Mas o novo clima social parece alimentar esse tipo especial de urgência para estar com um homem. A qualquer custo.

Sempre houve um estigma social em torno das mulheres que chegam solteiras aos 30 anos. Talvez isso seja percebido de forma mais intensa em ambientes cristãos, nos quais o casamento entre pessoas mais jovens é visto positivamente. Eu mesma comecei a entrar em pânico quando comecei a me aproximar do meu aniversário de 30 anos, por temer o julgamento daqueles que estavam ao meu redor e por sentir pavor dos rumores de que eu era muito fria ou simplesmente não era capaz de conseguir um marido. Além disso, as mulheres que chegaram aos 30 também sofrem uma pressão biológica, caso queiram ter filhos.

Entendo o pânico, o conflito e o medo, pois passei por tudo isso. Como tantas outras jovens, acreditava piamente que me casaria quando fizesse 25 anos. Minha ansiedade e minha dúvida cresceram constantemente durante todos os aniversários, enquanto meu dedo permanecia sem aliança.

Como, durante a vida inteira, estive convencida de que o matrimônio era minha vocação, foi um choque doloroso e claramente humilhante chegar aos 32 anos solteira. Por isso entendo perfeitamente o desespero que agora está levando as mulheres a iniciarem ou a se apegarem a relacionamentos, mesmo que sejam nocivos, prejudiciais ou ilícitos. 

A vida é muito mais interessante quando temos no horizonte a perspectiva de conseguir um marido. Não surpreende que às vezes as mulheres permaneçam muito tempo (ou até se casem) com homens que são claramente inapropriados para elas. É bastante real o temor de que essa pode ser a única oportunidade de se casarem, e a alternativa pode ser o retorno a uma vida entediante, imprevisível e inútil. 

Elas pensam: “Com certeza não era o que eu esperava, mas pelo menos não estou sozinha, certo?” A solidão é o verdadeiro inimigo na mente de muitas mulheres. É melhor ficar com o diabo que conhecemos do que com aquele que desconhecemos. Embora essa mentalidade sempre tenha existido, a escassez de bons rapazes em nosso mundo parece tê-la sobrecarregado. 

O medo da solidão parece estar levando as mulheres de fé a abandonar suas crenças para garantir uma aliança de compromisso. Assim como qualquer outra mulher, não quero ficar solteira pelo resto da minha vida, mas isso com certeza não quer dizer que eu ache que vale a pena abrir mão de tudo o que prezo, que me dá esperança, sentido e propósito na vida, apenas para ficar com um homem.

Nenhum homem jamais poderia substituir tais coisas, e eu nem esperaria que ele o fizesse. Por isso, preocupa-me bastante o fato de um número cada vez maior de mulheres perder de vista essa verdade axiomática. Precisamos de mais rapazes no caminho da verdade e da bondade? É claro que sim! Sou profundamente grata pela influência que pessoas como o Dr. Jordan Peterson e Ben Shapiro têm exercido sobre tantos homens, jovens e adultos.

Deveríamos fazer tudo o que estivesse ao nosso alcance para ajudar os homens a tomar a direção correta e encontrar a verdade e o sentido em sua vida. Homens guiados por bons princípios, que têm propósito e direção na vida não são apenas atraentes para as mulheres, são bens inestimáveis para a sociedade. Entretanto, muitas mulheres com quem converso acham que sua chance jamais aparecerá.

Começo agora a encarar a possibilidade de que, talvez, eu fique solteira para sempre. Eu me contorço pelo desconforto e a ansiedade gerados apenas por admiti-lo, mas preciso ser realista. No plano pessoal, a fé me ensina que, se não me casar, essa provavelmente é a vontade de Deus para mim. Posso não gostar disso, pode ser algo que talvez me encha de pavor e desespero, mas provavelmente teria me sentido assim se há dez anos alguém tivesse me dito que eu estaria solteira hoje.

Embora eu tenha realmente sofrido ao fazer 32 anos, sei que minha vida é valiosa, relevante e digna de ser vivida, apesar de não ter seguido o curso que eu imaginava. Além disso, creio que, se Deus quiser que eu permaneça solteira, então será isso que me trará mais satisfação e felicidade na vida.

Serei honesta: neste momento, isso me parece mais verdadeiro em minha mente do que em meu coração. Ainda claudico para aceitar essa circunstância porque, no fundo, não quero aceitar que um sonho alimentado por tanto tempo talvez jamais se realize.

Tenho a sensação de que aceitar essa possibilidade me prenderá a algo inevitável. 

Mas também sei, por bom senso e por experiência, que isso não é verdade; isto é, que se eu aceitar a vontade de Deus — qualquer que seja ela —, me tornarei livre. Pode ser difícil e doloroso, mas só o será a curto prazo. Também reconheço que existe uma diferença importante entre estar sozinha e ser solitária.

Suplico a outras mulheres que estão em minha situação: pensem nisso! Sei como é fácil entrar em desespero se achamos que ficaremos para sempre “na fila de espera”. Mas também sei que nenhum homem nem o matrimônio podem nos tornar realizadas na vida — eles são apenas um bônus (se você tiver sorte). Se aceitar isso, e se passar a se dedicar ao aperfeiçoamento da vida que tem hoje, em vez de buscar a vida que você idealiza, não se perderá no caminho.  

Porque onde está o seu tesouro, lá também está seu coração.

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A milagrosa escadaria de São José
Santos & Mártires

A milagrosa escadaria de São José

A milagrosa escadaria de São José

Em 1878, um carpinteiro anônimo construiu uma engenhosa escadaria num convento dos EUA. Sua identidade nunca foi descoberta por ninguém, nem pelas Irmãs de Loreto. Mas as religiosas, que têm fé, atribuem a obra de arte a ninguém menos que São José.

Pe. Donald CallowayTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere8 de Janeiro de 2021Tempo de leitura: 3 minutos
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Interessado em São José e desejoso de aumentar a sua devoção a este grande santo? Então não deixe de se inscrever para o curso do Pe. Paulo Ricardo justamente sobre o excelso Patrono da Santa Igreja Católica!


São José pegou as mãozinhas do Menino Jesus e, elevando-as para o Céu, disse: ‘Estrelas do Céu, contemplai as mãos que vos criaram; ó Sol, contemplai o braço que vos tirou do nada. — Bem-aventurado Guilherme José Chaminade

S. José é o Guardião das Virgens. E, como um bom pai, ele cuida das necessidades de cada uma delas. Um exemplo evidente dessa sua proteção paternal é o que ele fez por um grupo de irmãs religiosas no Novo México, Estados Unidos, em 1878.

Em 1873, as Irmãs de Loreto administravam uma escola secundária para meninas, em Santa Fé, no estado norte-americano do Novo México. A escola era muito bem-sucedida, de modo que as irmãs quiseram construir uma nova capela. Assim, elas contrataram um arquiteto conceituado para realizar a tarefa. A construção do prédio levou cinco anos para ser concluída. No entanto, quando a capela estava finalizada, as irmãs perceberam que não havia outro jeito de subir até a galeria do coral, que estava a seis metros de altura, senão pelo uso de uma longa escadaria. E subir por uma escada como aquela seria bastante difícil para as irmãs, cujo hábito descia até o chão. Elas também perceberam que não havia sobrado espaço suficiente para construir uma escada na área principal da capela por conta dos seus numerosos bancos; e as irmãs não poderiam contratar novamente o homem que construiu a capela, porque ele havia morrido um pouco depois de finalizá-la. O que elas fariam?

Ora, as irmãs rezaram a S. José, pedindo-lhe ajuda. Elas começaram uma novena a S. José, pedindo-lhe que enviasse um carpinteiro para ajudá-las. Extraordinariamente, no último dia da novena, um homem misterioso chegou ao convento e declarou estar interessado em construir uma escada até a galeria do coral para as irmãs. O cavalheiro tinha apenas um pedido: ele gostaria de trabalhar sozinho e a portas fechadas. As irmãs rapidamente aceitaram a proposta e o contrataram.

O homem levou três meses para construir a escada. Mas quando o projeto estava concluído, não puderam encontrar o homem. Ele simplesmente havia desaparecido da cidade. Ninguém o tinha visto partir nem sabia quem ele era. As irmãs o procuraram em todos os lugares, mas não conseguiram encontrá-lo. Elas até puseram um informativo no jornal local para tentar encontrá-lo. Mas não funcionou.

Sem sucesso, as irmãs foram até a madeireira para se informar sobre quem havia comprado a madeira para a escada, como também para pagar pelo material. Quando questionados, nenhum dos funcionários da madeireira sabia do que as irmãs estavam falando. As irmãs, então, ficaram sabendo que a madeireira nunca havia vendido material a um homem que estava construindo uma escada para uma capela.

Perplexas, as irmãs se lembraram do quanto era estranho o fato de o homem ter apenas uma régua em T, uma serra, um martelo e outras ferramentas básicas. Ainda pensando sobre isso, nenhuma das irmãs viu como a madeira havia chegado até a capela. Intrigadas, as irmãs e outros da cidade inspecionaram a escada e perceberam que o homem misterioso havia construído algo bastante único. Era uma escada em espiral que não interferia de maneira alguma nos bancos do andar principal. Ela tinha trinta degraus, nenhum suporte central ou coluna de sustentação, e parecia estar flutuando no ar. Ela também não tinha nenhum prego! A escada era uma maravilha arquitetônica. Era uma obra de arte da carpintaria!

Mas de onde veio a madeira? Bem, em 1996, foi feito um estudo por Forrest N. Easlay, um silvicultor e tecnólogo de madeira do Serviço Florestal dos Estados Unidos e do Laboratório de Pesquisa Naval dos Estados Unidos. Seu vasto estudo descobriu que a madeira da escada era abeto, mas diferente de qualquer outro abeto no mundo. Estudos adicionais foram realizados, e concluiu-se que o abeto que mais se assemelhava ao tipo utilizado na escada espiral só se encontra em Israel.

Quem era o homem misterioso que construiu a escada? As Irmãs de Loreto acreditam que era S. José. Após rezar e pedir ao seu pai espiritual que mandasse alguém para construir a escada para elas, S. José veio pessoalmente e a construiu para as virgens consagradas. A escada permanece intacta até hoje.

Notas

  • Texto extraído de: Pe. Donald H. Calloway, Consecration to St. Joseph: The Wonders of Our Spiritual Father. Stockbridge: Marian Press, 2020, p. 189s.

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Religião, simbolismo e verdade
Doutrina

Religião, simbolismo e verdade

Religião, simbolismo e verdade

Não existem símbolos religiosos simplesmente suspensos sobre o nada. Toda religião tem um credo, uma doutrina definida que seus símbolos representam e preservam. A questão, portanto, é precisamente outra: qual religião é verdadeira?

Peter KwasniewskiTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere8 de Janeiro de 2021Tempo de leitura: 6 minutos
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Foi moda durante um tempo, particularmente nos ambientes acadêmicos, defender que doutrinas e rituais religiosos podem, em última instância, reduzir-se a um conjunto de símbolos e ações simbólicas fundamentais de alcance universal e intercambiáveis entre todas as religiões — uma linguagem divina implícita.

De acordo com esse sofisticado reducionismo, todas as religiões e seus escritos sagrados representam, no fundo, o esforço (mais ou menos bem-sucedido) da imaginação humana por entender mistérios cósmicos incompreensíveis. De acordo com essa forma de pensamento, a religião é um produto da mente humana e expressa seus próprios pensamentos e desejos. Portanto, não podemos considerar uma religião verdadeira ou falsa, ou dizer que esta religião é verdadeira ou mais verdadeira do que aquela: todas seriam apenas diferentes sistemas simbólicos.  

Antes de responder a essa alegação, parece necessário insistir num ponto que já foi óbvio: a fé católica não é hostil a símbolos e ações simbólicas; ao contrário, sempre fez uso amplo e constante deles. Até as questionáveis reformas litúrgicas do século XX, que tenderam a ser acompanhadas por uma estética modernista e minimalista que enalteceu o conteúdo verbal e cerebral em detrimento de expressões mais intuitivas, subconscientes e viscerais do sagrado, o culto católico sempre foi um verdadeiro desfile de símbolos, que se alastravam pela vida cotidiana. Felizmente, boa parte dessa dimensão perdida está sendo redescoberta por jovens sedentos do sentido que só podemos acessar por meio dessa rica panóplia de sinais repletos de espiritualidade. 

Exemplos de símbolos católicos estão facilmente disponíveis em qualquer lugar: a água e o óleo do Batismo, o pão e o vinho da Eucaristia, as velas e as flores sobre o altar, o óleo usado para as unções, os anéis trocados na realização das promessas matrimoniais, as sempre verdes guirlanda de Advento e árvore de Natal, ovos de páscoa coloridos. Sempre e onde quer que floresça, a cultura cristã fica repleta de símbolos físicos de realidades celestes, sinais externos da graça e da verdade invisíveis. No coração mesmo de nosso culto estão os sete sacramentos, que são sinais perceptíveis instituídos por Deus e que têm o incrível poder de conferir a quem os recebe a graça que significam.

Consequentemente, a Igreja Católica não apenas não é inimiga do simbolismo, como ela mesma é um jardim exuberante no qual símbolos se desenvolvem com mais riqueza e variedade do que na maior parte da deslumbrante poesia da imaginação humana ou nos mais desenvolvidos ritos das religiões pagãs. Se algum dia já houve uma religião que tenha falado tanto à imaginação como ao intelecto — ou, antes, que fale ao intelecto por meio da imaginação —, com certeza esta é a fé católica. Aqueles que têm sede do sagrado, que desejam ver e escutar os sublimes mistérios do cosmos e do mundo sobrenatural, não poderiam fazer melhor escolha senão assistir a uma Missa solene em latim (a chamada forma extraordinária ou usus antiquior). Lá eles verão a Criação reunida e oferecida em sacrifício de louvor ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, o Deus transcendente cuja Palavra criou os céus e a terra e tudo o que há neles.

Retornemos porém à alegação de que a religião é puro simbolismo. Quando alguém explica o “sentido interior” dos “símbolos externos”, ele demonstra (segundo essa perspectiva) o que o catolicismo tem em comum com outras religiões e assim refuta a alegação de que ela é o único caminho de salvação. 

Um importante defensor dessa linha argumentativa, ou ao menos alguém cujas ideias são muitas vezes apresentadas para reforçá-la, é o pioneiro da psicanálise, C. G. Jung, que desenvolveu uma escola de análise dos símbolos religiosos e dos conteúdos dos sonhos como arquétipos pré-existentes com os quais a mente humana está naturalmente equipada e por meio dos quais ela compreende a realidade — uma espécie de linguagem religiosa natural que pode ser acessada, direcionada e moldada em prol da saúde psíquica do organismo. 

algo de verdadeiro na abordagem de Jung. A linguagem religiosa é natural ao homem, no sentido de que a pessoa humana busca a Deus naturalmente; está plantado no coração de cada pessoa um desejo natural pelo conhecimento da deidade e uma atitude natural de reverência àquilo que é percebido como santo ou sagrado. Ao menos em seu estado de pureza, a consciência expressa a lei moral implantada no coração por Deus. Além disso, a saúde psicológica realmente depende da tomada de consciência a respeito dessa orientação fundamental para o divino, não apenas aceitando-a, mas cultivando-a e seguindo-a para onde ela levar; jamais aceitando meias-verdades e sempre buscando a plenitude da verdade. Qualquer coisa aquém da verdade plena é indigna do homem e será uma fonte de vazio, confusão e frustração.  

Não obstante, é necessário afirmar de modo incansável que as religiões não podem ser todas igualmente verdadeiras, nem mesmo as mais antigas e mais difundidas, pois apresentam descrições das realidades definitivas incompatíveis umas com as outras — por exemplo, a natureza de Deus, a fonte e a finalidade da vida humana, o pecado e a salvação do homem, o valor (e até a realidade) do corpo, o sentido do sofrimento e da morte e outras coisas semelhantes. Nosso coração não está em paz enquanto não descobrimos um conjunto de respostas coerentes e satisfatórias para as questões mais fundamentais e não confirmamos que outras respostas possíveis são falsas ou deficientes. Não existe uma coisa genérica chamada “religião”; existe esta ou aquela determinada religião. Nós temos de escolher uma delas.

A fé católica apresenta fatos da revelação, da vida de Jesus Cristo e de seus santos — fatos que devem ser aceitos ou rejeitados. Não é uma religião baseada em símbolos genéricos ou universais, mas em intervenções de Deus na história, específicas e decisivas, intervenções que dão às coisas não somente um significado simbólico exterior, mas um poder transformador interior. 

Semelhanças no nível simbólico (às vezes notáveis) indicam que é impossível que todas as religiões sejam completamente falsas; todas elas “selecionaram” um ou outro aspecto da realidade e expressam seus insights. A questão, então, é precisamente esta: qual religião é verdadeira, isto é, qual delas oferece a verdadeira explicação da realidade como um todo — do homem, de Deus e da relação entre eles?

Não surpreende que os símbolos dessa religião também sejam os mais verdadeiros, os mais precisos, os mais profundos e os mais abrangentes; mas isso acontece porque eles expressam algo ainda mais elementar e mais fundamental do que os símbolos, a saber: as realidades das quais os símbolos são símbolos. Em última análise, não é possível que haja símbolos suspensos sobre o nada. Deve haver uma doutrina, um ensinamento definido que os símbolos representam e preservam; deve haver, em suma, um credo.

Na modernidade, devemos lembrar às pessoas que não há, nunca houve e nunca haverá alguém que viva sem um credo. Todas as pessoas têm um credo, um sistema de crenças aceitas a partir da confiança, uma “filosofia de vida” que poderia, ao menos em teoria, ser articulada de modo proposicional. A religião é inerentemente doutrinal e moral; caso contrário, não poderá existir de modo algum. A única pergunta válida é: um homem tem um credo defensável ou um credo ridículo; uma trajetória de vida boa ou má? Os símbolos que ele toma por regra de vida são densos e profundos, ou dispersos e superficiais? 

É bom contornar a falácia racionalista segundo a qual existem pessoas sem religião, ou religiões sem doutrina. Afinal, todo homem é religioso (à sua maneira), assim como toda religião é doutrinal (à sua maneira). Só existem dois tipos de pessoa: a verdadeiramente religiosa e a supersticiosa ou idólatra. A posse e a valorização dos símbolos não desempenham o papel fundamental de distinguir uns dos outros.

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