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Com o que teria sonhado a esposa de Pilatos?
Espiritualidade

Com o que teria
sonhado a esposa de Pilatos?

Com o que teria sonhado a esposa de Pilatos?

Um pequeno detalhe do Evangelho chamou a atenção dos teólogos e literatos ao longo dos séculos: um sonho da esposa de Pôncio Pilatos, a partir do qual ela tentou salvar Jesus da condenação à morte. Mas, afinal, com o que ela teria sonhado?

Stephanie MannTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere22 de Março de 2021Tempo de leitura: 6 minutos
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O Evangelho de São Mateus contém um pequeno detalhe ausente dos outros relatos da Paixão. A esposa de Pôncio Pilatos manda uma mensagem a ele pedindo que não faça nada com Jesus, porque ela tivera um sonho terrível e sofrera muito por causa dele [1]. Ela diz que Jesus é inocente (cf. Mt 27, 19).

A partir deste versículo, a tradição e a literatura desenvolveram uma grande história de conversão. Nas Igrejas orientais e etíopes, a esposa de Pilatos — chamada Cláudia ou Prócula — é venerada como santa. O Evangelho de Nicodemos (influente, apesar de apócrifo) menciona o sonho dela e a reação de Pilatos ao sonho: neste relato, ele se mostra mais preocupado do que indica o Evangelho de S. Mateus. Anás e Caifás convencem-no de que o sonho e a perturbação de sua esposa são sinais de que Jesus é um feiticeiro, e Pilatos dá sequência ao julgamento.

Segundo o ensinamento de Orígenes, um dos Padres gregos da Igreja [2], Cláudia Prócula tornou-se cristã após a Ressurreição, por causa desse sonho. As York Mystery Plays incluem como personagem a esposa de Pilatos e falam de seu sonho, mas com uma interpretação oposta: Satanás aparece para tentar a esposa de Pilatos e fazê-la impedir seu marido de condenar Jesus à morte, a fim de frustrar o propósito de Jesus de redimir e salvar-nos através de sua Cruz e Ressurreição. As York Mystery Plays eram encenadas na solenidade de Corpus Christi para contar a história da Salvação desde a criação até o Juízo final. Cada peça era organizada e dramatizada por uma guilda diferente. Elas foram suprimidas durante o reino de Elizabeth I, em 1569, mas têm sido revividas em produções modernas.

A escritora inglesa Dorothy L. Sayers.

A romancista de mistérios inglesa Dorothy L. Sayers escreveu The Man Born to Be King (“O homem nascido para ser rei”), uma série de radioteatros para a BBC durante a II Guerra Mundial. As peças, transmitidas mensalmente, contavam a história de Jesus, do Natal à Ressurreição. Foi controverso, à época, o uso pela autora do inglês coloquial, pois as pessoas estavam acostumadas com o estilo arcaico da tradução bíblica (sendo a King James a mais famosa em inglês).

Cláudia, a esposa de Pilatos, tem um papel recorrente de coadjuvante em várias das peças. Primeiro ela faz contato com uma mulher cuja filha fora curada por Jesus; depois ela testemunha Jesus proclamar: “Antes que Abraão fosse, eu sou” (em The Feast of the Tabernacles, “A Festa dos Tabernáculos”); por fim, ela e Pilatos vêem-no entrar em Jerusalém, no Domingo de Ramos (em Royal Progress, “Procissão Real”). Pilatos diz à esposa que terá de condenar Jesus à morte. Ele precisa cooperar com as autoridades judaicas a fim de manter a paz e continuar ganhando o favor de César — e ela assente, porque o marido “não deve ofender César!” (em The King’s Supper, “A Ceia do Rei”). Depois de receber a advertência dela sobre o sonho em The Princes of this World (“Os Príncipes deste Mundo”), Pilatos desiste de condenar Jesus de imediato e passa a investigar as acusações contra Ele — mas, obviamente, ele termina condenando-o à morte no fim.

Enquanto Jesus está pendente na Cruz, por volta da hora nona (às 3h da tarde), Dorothy Sayers inclui uma cena na qual Pilatos pede a Cláudia que descreva o sonho que tanto a perturbou. Ela conta que estava a bordo de um barco e que ouviu um clamor; os céus ficaram escuros e o mar Egeu, agitado. O capitão do barco diz a ela que “o grande Pã está morto” [3]. Ela pergunta ao capitão como Deus pode morrer, ao que ele responde: “Você não se lembra? Eles o crucificaram. Ele padeceu sob Pôncio Pilatos.” Então, Cláudia escuta um coro de vozes repetindo as palavras do Credo dos Apóstolos: “Padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado”, com o nome de seu esposo repetido em diferentes idiomas. Parece um mau presságio para ambos que o nome de Pilatos esteja tão ligado a esse julgamento, lembrado através dos séculos (em King of Sorrows, “Rei das Dores”).

Na última peça, The King Comes to His Own (“O Rei vem para os que são seus”), Cláudia ouve dizer que Jesus ressuscitou dos mortos. Um pouco atordoada, tanto ela quanto seu marido ficam felizes por estarem deixando Jerusalém. Como a primeira reação de Cláudia à notícia da Ressurreição é invocar o deus romano Apolo, não fica claro como, depois, ela se tornaria cristã.

Pôncio Pilatos e sua esposa, em “A Paixão de Cristo”.

Assim como Dorothy L. Sayers em The Man Born to Be King, Gertrud von le Fort, autora de The Song at the Scaffold (“A Última ao Cadafalso”, em tradução portuguesa), retrata o sonho de Cláudia em The Wife of Pilate (“O Sonho de Pilatos”) como ela escutando as palavras do Credo: “Padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado”, Crucifixus etiam pro nobis sub Pontio Pilato, passus et sepultus est.

Mas onde a versão de Dorothy Sayers vê a esposa de Pilatos ouvindo essas palavras em diferentes vozes e idiomas, a versão de Von le Fort retrata Cláudia viajando no tempo desde as catacumbas, passando por uma basílica romana, passando pelas catedrais góticas, nas quais os coros entoavam as palavras, até edifícios ainda mais irreconhecíveis (para ela), com “cortinas estranhas”. Ela ouve a polifonia da Renascença com as palavras tecidas em diferentes fios de som. Sua visão é a da Igreja ao longo dos séculos proclamando o Credo niceno na Missa

A breve história ou novela toma a forma de uma carta, escrita por uma escrava grega alforriada de Cláudia, contando os efeitos da condenação de Jesus por Pilatos na Sexta-feira Santa sobre Cláudia e o seu relacionamento com seu esposo. Cláudia procura pelos “nazarenos”, seguidores do Cristo ressuscitado, em Roma, e os ouve proclamar o Credo durante o seu culto. Ela participa de vários dos seus encontros, mas hesita em ser batizada, por causa da ação de seu esposo. Cláudia não recebe misericórdia e perdão da comunidade cristã e para de frequentá-la. Mas a perseguição de Nero aos cristãos depois do incêndio de Roma faz com que ela os procure de novo, e ela então recebe o seu batismo de sangue no Coliseu — ou seja, é martirizada. Não contarei como é o final, mas trata-se de algo assombroso, com as palavras ecoando no fundo: Crucifixus etiam pro nobis sub Pontio Pilato, passus et sepultus est

Na Vigília Pascal não se recita o Credo niceno, mas todos renovamos nossas promessas batismais, enquanto os catecúmenos fazem seus votos. Os recém-batizados fazem, então, com toda a assembleia, antes de ser confirmados e receber a Sagrada Comunhão, uma profissão de fé em tudo o que a Igreja crê e ensina como divinamente revelado. Ao longo do Triduum, porém, ao participarmos dos três maiores dias e noites do ano litúrgico da Igreja, nós estamos professando nossa fé no Credo, juntando-nos ao coro de vozes que a Cláudia de Dorothy Sayers e de Le Fort escutou num sonho de Sexta-feira Santa em Jerusalém. 

Para nós não é um sonho. Ele realmente é “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14, 6).

Notas

  1. Inúmeros Padres e escritores eclesiásticos (entre eles, Orígenes, S. Hilário, S. Jerônimo, S. Agostinho, S. Ambrósio, S. João Crisóstomo, Eutímio etc.), além de intérpretes como Teofilacto e Maldonado, opinam que este sonho foi enviado por Deus à esposa de Pilatos por mediação de um anjo: primeiro, para que Cristo desse testemunho da própria inocência pela voz de ambos os sexos, isto é, tanto por Pilatos (cf. Lc 23, 14: “Não o achei culpado”) quanto por sua esposa (cf. Mt 27, 19: “Nada faças a esse justo”), assim como os demais elementos haveriam de testemunhá-la mais tarde, quando tremesse a Terra com a morte de Cristo; segundo, porque se o sonho fosse enviado apenas a Pilatos, ele provavelmente o teria calado, mas, enviado a mulher, poderia ser revelado ao marido perante os sacerdotes e judeus reunidos no tribunal; terceiro, para manifestar que Cláudia era honesta, compassiva e piedosa, da maneira que o sonho seria um sinal de que ela acreditava em Jesus como Messias e Salvador do mundo. Além disso, como escreve S. Agostinho, “na origem do mundo, uma esposa levou o homem à morte”, isto é, Eva a Adão; “na paixão de Cristo, uma esposa provocou-o à salvação”, isto é, Cláudia a Pilatos (Serm. CXXI, de Temp.). Autores como Rábano Mauro, contudo, interpretam o sonho como uma tentação do diabo, para que Cristo fosse liberto e, assim, não resgatasse o homem do pecado: “Sabendo o diabo que, por Cristo, perderia seus despojos, pretendeu libertá-lo por uma mulher”, assim como, no princípio, levara por outra mulher o homem a tornar-se escravo (cf. Pe. Cornélio a Lapide, SJ, Commentarii, vol. 8, p. 521B. Nota da Equipe CNP).
  2. De acordo com Étienne Gilson, o título Padre da Igreja, em sentido amplo, “designa todos os escritores eclesiásticos antigos, mortos na fé cristã e na comunhão da Igreja; em sentido estrito, um Padre (ou Pai) da Igreja deve apresentar quatro características: ortodoxia doutrinal, santidade de vida, aprovação da Igreja, relativa antiguidade (até fins do século III, aproximadamente)”. Segundo essa acepção, Orígenes não poderia ser chamado Padre da Igreja nem em sentido amplo (defendeu, com efeito, doutrinas condenadas pelo Magistério) nem em sentido estrito (não brilhou pela santidade de vida nem conta com a aprovação da Igreja), mas apenas escritor eclesiástico, isto é, alguém “cuja autoridade doutrinal é muito menor e cuja ortodoxia pode, inclusive, não ser irretocável”, embora seja uma testemunha antiga e importante da tradição (A Filosofia na Idade Média. Trad. port. de Eduardo Brandão. 3.ª ed., São Paulo: Martins Fontes, 2001, p. XXI) (Nota da Equipe CNP).
  3. É através da pena do historiador grego Plutarco (46-120 d.C.), em De defectu oraculorum, que temos notícia do fim de Pã, o único deus grego a morrer. Durante o reinado do imperador Tibério César (14-37 d.C.), um navio teria passado pela ilha de Paxos e de lá se ouviu uma voz que gritava, da margem, a um marinheiro de nome Tâmus: “Quando chegares a Palodes, anuncia que o grande Pã está morto!” Transmitida a notícia, tudo em torno ressoou como um lamento de dor dos animais, árvores e rochas. Esse relato foi interpretado por G. K. Chesterton como um marco do fim da mitologia e do início da teologia (Nota da Equipe CNP).

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Uma ladainha em honra à Santa Cruz
Oração

Uma ladainha
em honra à Santa Cruz

Uma ladainha em honra à Santa Cruz

Esta meditação sobre a Cruz em forma de ladainha, com frases tiradas da Sagrada Escritura e dos Santos Padres, é um ótimo exercício de piedade não só para os dias que antecedem a Páscoa, mas para toda a nossa vida cristã.

Preces LatinaeTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere22 de Março de 2021Tempo de leitura: 3 minutos
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As duas semanas que antecedem a Páscoa do Senhor ainda são Quaresma, mas, na liturgia romana tradicional, recebem um nome especial: Tempo da Paixão. É hora de intensificarmos nossas penitências, mas agora com o olhar mais voltado para a Cruz de Cristo, o madeiro bendito de onde nos veio a salvação. 

Por isso, nesses dias mais do que em quaisquer outros, pode ser muito apropriada a oração da seguinte ladainha em honra à Santa Cruz, a qual, embora seja de uso privado, está cheia de expressões da Sagrada Escritura e das obras dos Santos Padres. A tradução abaixo foi feita por nossa equipe a partir do seu texto original em latim.


Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

Pai santo, ouvi-nos.
Pai justo, atendei-nos.

Deus Pai dos céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Cruz, espelho dos patriarcas e profetas, defendei-nos.
Coroa dos mártires, defendei-nos.
Alegria dos sacerdotes, defendei-nos.
Glória das virgens, defendei-nos.

Cruz, potência dos reis, protegei-nos.
Ornato da Igreja, protegei-nos.
Esperança dos cristãos, protegei-nos.
Penhor dos que adoram a Cristo, protegei-nos.
Glória de todos os ortodoxos, protegei-nos.

Cruz, nossa coroa, salvai-nos.
Firmamento da paz, salvai-nos.
Porta do Paraíso, salvai-nos.
Vara das maravilhas de Deus, salvai-nos.
Propugnáculo da fé, salvai-nos

Cruz, vida dos justos, ajudai-nos.
Ressurreição dos mortos, ajudai-nos.
Chave do Reino dos Céus, ajudai-nos.
Procuradora dos pobres, ajudai-nos.
Porto dos atribulados, ajudai-nos.

Cruz, selo de castidade, iluminai-nos.
Escola de santidade, iluminai-nos.
Guardiã da castidade, iluminai-nos.
Palma da imortalidade, iluminai-nos.
Tesouro de todos os bens, iluminai-nos

Cruz, consoladora dos aflitos, guardai-nos.
Salvadora dos desesperados, guardai-nos.
Destruidora das heresias, guardai-nos.
Vencedora dos inimigos, guardai-nos.

Cruz, salvação dos fiéis, amparai-nos.
Enobrecida pelo Sangue de Cristo, amparai-nos.
Santificada pelo toque do Corpo de Cristo, amparai-nos.
Sinal vivificante do Filho de Deus, amparai-nos.

Cruz, doadora de saúde, confortai-nos.
Contrato de liberdade, confortai-nos.
Altura do Céu, confortai-nos.
Profundidade da Terra, confortai-nos.
Largura do mundo, confortai-nos.

Cruz, triunfadora dos demônios, libertai-nos.
Extinção do pecado, libertai-nos.
Vitória contra o mundo, libertai-nos.
Vencedora da morte, libertai-nos.
Destruição do inferno, libertai-nos.

De todo o mal, livrai-nos, santa Cruz.
De todo pecado, livrai-nos, santa Cruz.
Do poder do diabo, livrai-nos, santa Cruz.
De toda sugestão e malefício do demônio, livrai-nos, santa Cruz.
Das insídias de todos os inimigos, livrai-nos, santa Cruz.
Da peste, da fome e da guerra, livrai-nos, santa Cruz.
De toda doença, livrai-nos, santa Cruz.
De raios e tempestades, livrai-nos, santa Cruz.
Da morte súbita e desprevenida, livrai-nos, santa Cruz.
Na hora da morte, livrai-nos, santa Cruz.

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.

Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

Pai-nosso… E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.

℣. Pelo madeiro fomos salvos.
℟. Pelo madeiro fomos redimidos.

℣. O fruto da árvore nos seduziu,
℟. O Filho de Deus nos redimiu.

℣. Pelo sinal da santa cruz,
℟. Livrai-nos, Deus, nosso Senhor, dos nossos inimigos.

℣. Senhor, escutai a minha oração.
℟. E chegue até vós o meu clamor.

Oremos. — Olhai, nós vos pedimos, Senhor, sobre esta vossa família, pela qual Nosso Senhor Jesus Cristo não duvidou entregar-se às mãos dos inimigos e sujeitar-se ao tormento da Cruz. — Guardai, Senhor, nós vos pedimos, com paz perpétua aqueles a quem vos dignastes redimir pelo madeiro da santa Cruz. — Sede-nos propício, Senhor Deus nosso, e aos que fazeis se alegrarem com honra da santa Cruz, defendei-os também com auxílios perpétuos. — Que o sinal salutar da Cruz, nós vos pedimos, Senhor, proteja o povo que a vós suplica e, uma vez purificado, dignamente o instrua; para que ele se alegre com a consolação presente em toda tribulação e, perseverando, progrida incessantemente à posse dos bens futuros. — Deus, que nos alegrais com a comemoração contínua da santa Cruz, concedei-nos, nós vos pedimos, que mereçamos no céu os prêmios da Redenção daquele cujo mistério conhecemos na terra. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo por todos os séculos dos séculos. Amém. 

℣. Senhor, escutai a minha oração.
℟. E chegue até vós o meu clamor.

℣. Bendigamos ao Senhor.
℟. Demos graças a Deus.

℣. E que as almas dos fiéis defuntos, pela misericórdia de Deus, descansem em paz.
℟. Amém.

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Uma receita para a possessão
Espiritualidade

Uma receita para a possessão

Uma receita para a possessão

“Após vários meses de exorcismo, a verdade finalmente veio à tona. Ao se sentir mais à vontade conosco, ‘Joice’ revelou que havia feito um aborto. Além disso, ela já tinha passado alguns anos envolvida com ocultismo... Naquele momento, eu entendi tudo.”

Mons. Stephen RossettiTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere21 de Março de 2021Tempo de leitura: 2 minutos
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Este texto é mais um breve relato de exorcismo acompanhado pelo Monsenhor Stephen Rossetti, que exerce a função de exorcista na Arquidiocese de Washington, capital dos Estados Unidos, há mais de 12 anos.

Algumas pessoas podem achar o registro abaixo perturbador, e outras tantas talvez até reajam com ceticismo ao que é contado por este sacerdote. Pensamos, porém, que a experiência pessoal de um padre idôneo, que lida no dia a dia com os demônios, não deve ser simplesmente “descartada” como se nada fosse

Evidentemente, ninguém é obrigado a acreditar no que ele relata. Sua história não é um “artigo de fé católica”. Na verdade, porém, de que os demônios existem, e na ilicitude do aborto provocado, todos os católicos devemos crer: é o que ensina a Igreja de dois mil anos e é o que nos dita a própria lei natural, inscrita no coração de todo ser humano.


As coisas não estavam se encaixando. Quando rezamos por “Joice”, parecia que ela estava completamente possuída. Ela reagiu fortemente às orações de exorcismo. Sua personalidade ficou em segundo plano e um olhar sarcástico e arrogante apareceu em seu rosto. Quando seguramos um crucifixo, ela disse que seus olhos ardiam só de olhar para ele. Tinha grande dificuldade de ir à Missa e engolir a hóstia consagrada. Ela dizia: “Tinha gosto de animal morto”. Quando nossas sessões de exorcismo terminaram, ela se lembrava pouco do que havia acontecido.

Mas suas informações básicas não pareciam corresponder. É verdade que ela era uma católica relapsa e que tinha se envolvido em alguns comportamentos pecaminosos. Nossa experiência, porém, mostrava que pessoas possessas normalmente tinham as “portas” mais abertas para o demônio. Por isso, sua condição não fazia sentido.

Após vários meses de exorcismo, a verdade finalmente veio à tona. Ao se sentir mais à vontade conosco, ela revelou que havia feito um aborto. Além disso, ela já tinha passado alguns anos envolvida com ocultismo, inclusive consultando médiuns, invocando espíritos e praticando adivinhação. Naquele momento, eu entendi tudo.

Esta é a combinação perfeita para a possessão. Primeiro, não praticar a fé. Viver uma vida virtuosa, tendo fé em Cristo e em sua Igreja, é a principal proteção contra a ação de Satanás. Sem isso, a pessoa fica vulnerável. Segundo, realizar atos seriamente pecaminosos, especialmente os que contribuam para mortes injustas, abusos de crianças ou pecados mortais em geral. Isso cria feridas na psique e no espírito através das quais o demônio pode entrar. Terceiro, invocar espíritos malignos, como em sessões de ocultismo ou de qualquer espiritismo da nova era. Isso convida diretamente os demônios a entrar pelas feridas e possuir a pessoa indefesa.

Ao olhar para a sociedade atual, vemos que todas essas três condições estão aumentando de forma muito rápida. Antes de melhorar, as coisas ainda vão ficar muito mais feias. Precisamos de mais exorcistas e pessoas de oração que os apoiem. Nossa pequena equipe está cada vez mais sobrecarregada com pedidos de ajuda contundentes.

Devemos olhar para Nossa Senhora... Minha bela Maria, meu amor, precisamos de ti.

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Os homens precisam de São José
Sociedade

Os homens precisam de São José

Os homens precisam de São José

Numa sociedade que ataca e ridiculariza a virilidade masculina, tachando-a de tóxica, misógina e agressiva, nunca os homens precisaram tanto de São José. Na ladainha em sua honra, temos um ótimo “manual de devoção” por onde começar.

Constance T. HullTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere18 de Março de 2021Tempo de leitura: 8 minutos
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Interessado em São José e desejoso de aumentar a sua devoção a este grande santo? Então não deixe de se inscrever para o curso do Pe. Paulo Ricardo justamente sobre o excelso Patrono da Santa Igreja Católica!


Os homens precisam de São José. As mulheres também precisam dele, mas nós vivemos numa época em que os homens estão sob ataque constante. A masculinidade é repetidamente tachada de tóxica, misógina e agressiva. A sociedade diz aos homens que eles devem ou tornar-se mais parecidos com as mulheres, ou sentar-se e ficar quietos. Eles são ridicularizados e repreendidos. Há décadas temos visto os homens serem retratados por Hollywood como crianças carentes do carinho materno de mulheres dominadoras que “sabem” mais.

Nós mesmos, dentro da Igreja, temos absorvido e até aceitado muitas das mentiras sobre os homens que são contadas por nossa cultura. Dentro de nossas paróquias, homens e mulheres são colocados uns contra os outros em disputas de poder, e as versões sentimentais da fé que são oferecidas fazem muitos homens se afastar. As mulheres queixam-se de não ter funções suficientes na Igreja e, no entanto, são elas que dominam a maior parte das equipes e ministérios nas paróquias. Os homens tomam os bancos de trás em nossas igrejas a fim de não parecermos sexistas. Às vezes, o sacerdócio cede à pressão social por não querer ser visto como parte do patriarcado corrupto que nossa cultura está constantemente nos dizendo que existe, especialmente dentro da Igreja Católica.

Após décadas de ataques aos homens e à masculinidade, a Igreja proclamou um Ano de São José — um ano para celebrar um homem, o mais santo dos homens, que foi o pai terreno de nosso Salvador, Jesus Cristo, e o esposo da mulher mais perfeita que jamais existiu, Nossa Senhora. O Espírito Santo está conduzindo a Igreja em meio aos mares tempestuosos da época presente, e Nosso Senhor está pedindo que nos voltemos a seu pai adotivo como guia. Isso é especialmente verdadeiro para os homens. Este é o momento de resgatar a autêntica masculinidade.

Nós precisamos que os homens se levantem e abracem a masculinidade que lhes foi dada por Deus. Que liderem com coração viril, ardente de zelo e amor a Deus, e ajudem a transformar nossas famílias e paróquias, a Igreja e o mundo. Essa não é uma tarefa fácil numa época em que tantos homens vêm de lares desfeitos e em que tantos deles foram ensinados, por toda a vida, a ver sua masculinidade como uma ameaça, e não como um dom portentoso dado por Deus à humanidade. 

São José é o santo para conduzir os homens no caminho da santidade e em direção a uma autêntica masculinidade, que penetre as profundezas do Sacratíssimo Coração de Jesus. Homens que se dediquem à oração, ao trabalho pesado, ao sacrifício, ao bem-estar espiritual, à verdade, ao amor e ao desejo profundo de levar almas para Cristo. São José é não apenas o intercessor de que os homens precisam para suas famílias; é também o santo viril de que nossos sacerdotes precisam para reger seu rebanho como pais espirituais chamados a entregar a vida pela Igreja.

De que modo os homens podem se aprofundar no conhecimento e no amor filial a um homem que não disse absolutamente nada na Sagrada Escritura? Como o Pe. Donald Calloway destaca em seu livro “Consagração a São José: as glórias de nosso pai espiritual”, os homens podem conhecer São José através dos títulos que ele recebeu, bem como da forma como ele agiu na Sagrada Escritura. Ao olhar para os títulos que a Igreja deu a São José, os homens podem meditar sobre as virtudes e a masculinidade que ele viveu enquanto chefe da Sagrada Família. 

São José, rogai por nós.
Ilustre filho de Davi, rogai por nós.
Luz dos Patriarcas, rogai por nós.
Esposo da Mãe de Deus, rogai por nós.
Casto guarda da Virgem, rogai por nós.
Sustentador do Filho de Deus, rogai por nós.
Zeloso defensor de Jesus Cristo, rogai por nós.
Chefe da Sagrada Família, rogai por nós.

A primeira seção de títulos de São José, presentes na ladainha em sua honra, diz-nos algo crucial a seu respeito. Toda a sua identidade estava enraizada em Cristo, na história da salvação e em Nossa Senhora. Ele era, primeiro e sobretudo, um homem de Deus. A autêntica masculinidade — assim como a autêntica feminilidade — só pode ser vivida na relação com Deus. É através de uma profunda união com Ele que os homens serão transformados nos santos de que precisamos.

Um homem que não tem Deus como o centro absoluto de sua vida não será capaz de viver plenamente essa vocação. Nossa cultura só não compreende mais a masculinidade de forma reta e ordenada porque abandonou a Deus. Quando nos separamos dele, nosso entendimento do que seja o homem e a mulher também se rompe. Os homens católicos devem ser homens de oração e penitência, desejosos de seguir a vontade de Deus, custe o que custar.

Podemos ver também que a masculinidade de São José alcançou a sua plenitude na relação com Nossa Senhora. Na Carta Apostólica Mulieris Dignitatem, S. João Paulo II explica como as mulheres moldam a masculinidade dos homens e os ajudam a viver suas vocações. A virilidade de São José foi aperfeiçoada através de sua íntima união espiritual no matrimônio com a Virgem Maria. É também por isso que os sacerdotes precisam de Nossa Senhora, bem como de santas mulheres unidas a ela, para moldar-lhes a masculinidade de uma maneira bela e profunda. A masculinidade é sempre vivida em relação com a feminilidade — espiritual e/ou naturalmente —, mas não deve jamais tornar-se efeminada. O mesmo vale para as mulheres em relação à masculinidade.

São José é o defensor e protetor da Sagrada Família. Com muita frequência esses atributos da masculinidade estão sob ataque. Desde o simples ato de abrir a porta para uma dama até o de salvar a vida de outrem, os homens são acusados de agressividade devido a seu instinto, dado por Deus, de defesa e proteção do próximo. Mas, independentemente do que diz ou deixa de dizer a nossa cultura, os homens de fato foram feitos para defender e proteger.

A ladainha continua com os seguintes títulos:

José justíssimo, rogai por nós.
José castíssimo, rogai por nós.
José prudentíssimo, rogai por nós.
José fortíssimo, rogai por nós.
José obedientíssimo, rogai por nós.
José fidelíssimo, rogai por nós.

Essa seção lista as virtudes que São José praticou ao longo da vida. Ele era justo, casto, prudente, corajoso, obediente e fiel. Os homens são chamados a ser fortes e gentis, puros e apaixonados, humildes e corajosos, e a submeter-se sempre à vontade de Deus na fé. A masculinidade não é simplesmente ou isto ou aquilo. Às vezes, um pai tem de ser ao mesmo tempo firme e gentil com seus filhos. Ao defender a verdade, os homens devem fazê-lo com coragem, mas de uma maneira amorosa também, que seja reflexo do Sacratíssimo Coração de Jesus. São José ajuda os homens a viverem esse aspecto ambivalente da masculinidade, que se tornou distorcido em nossa cultura.

Os últimos títulos presentes na ladainha são reflexos da vida de um discípulo cristão e mostram como São José quer conduzir os homens a vidas mais santas, em união com a Santíssima Trindade e no serviço ao próximo: 

Espelho de paciência, rogai por nós.
Amante da pobreza, rogai por nós.
Modelo dos trabalhadores, rogai por nós.
Honra da vida de família, rogai por nós.
Guarda das virgens, rogai por nós.
Sustentáculo das famílias, rogai por nós.
Alívio dos miseráveis, rogai por nós.
Esperança dos doentes, rogai por nós.
Patrono dos moribundos, rogai por nós.
Terror dos demônios, rogai por nós.
Protetor da Santa Igreja, rogai por nós.

Ao reunir em sua pessoa tanto o trabalho quanto a vida de família, São José mostra aos homens como ser provedores. Para uma era de materialismo e luxo, ele é um homem de paciência e pobreza. Conduz os homens de volta ao seu verdadeiro centro, através de uma vida de singela dedicação a suas famílias e comunidades, e de serviço a Deus em cada momento do dia. 

Ele também está presente àqueles homens que carregam a pesada cruz de uma doença crônica, do sofrimento e da aflição, e aos que caminham com quem está enfermo. Ele está presente na hora da morte, quando o Inimigo procura afastar as almas de Cristo por meio do medo e do desespero. Em outras palavras, São José é um amoroso pai espiritual que está com os homens em cada estágio de suas vidas e lhes ensina como estar presente junto àqueles que sofrem.

Um dos seus títulos mais apropriados para os nossos tempos é o de Terror dos demônios. Nós estamos em guerra. Vivemos uma batalha espiritual, e as almas de nossas famílias, paróquias e nações estão sob ataque. Os homens lutam e defendem na batalha. Trata-se de uma das belas e difíceis responsabilidades dos homens nesta vida: promover a guerra quando necessário. Na vida espiritual ela é necessária sempre, e nós precisamos que os sacerdotes e pais de família nos convoquem para essa luta pela salvação das almas. São José levará os homens a travar as batalhas espirituais necessárias para ganharmos almas para Cristo.

Os homens realmente precisam de São José. Nesse tempo de ataque virulento aos homens, nós, mulheres, precisamos levar os homens de nossas vidas — esposos e familiares, padres, amigos e irmãos em Cristo — a São José, a fim de que eles abracem a própria masculinidade. Não podemos continuar a envolver-nos nas disputas desordenadas de poder celebradas por nossa cultura. Nosso dever é procurar viver, lado a lado, a masculinidade e a feminilidade dadas por Deus, a fim de revelar ao mundo a complementaridade dos sexos, não apenas no Matrimônio, mas na própria humanidade. — São José, rogai por nós!

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