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A Igreja Anglicana “sai do armário” e caminha para a extinção

Quanto mais se esforça para adaptar-se ao mundo e ao politicamente correto, mais fiéis perde a Igreja Anglicana. Quanto mais relativismo, menos adeptos.

O relativismo moral foi o solvente mais corrosivo para a Igreja Anglicana, que perdeu nas últimas décadas a metade de seus fiéis. A gota d'água tem sido a ideologia de gênero: quanto mais ela "sai do armário", menor é o número de seus fiéis. E é chamativo o fato de que muitos deles se convertam ao catolicismo. O que ocorre é que, quanto mais o anglicanismo se esforça por adaptar-se ao mundo e ao politicamente correto, mais fiéis o abandonam. Quanto mais relativismo, menos adeptos. E o coroamento deste processo é a ideologia de gênero.

A única serventia da ordenação de "bispas" ou de serviços religiosos para transsexuais tem sido afugentar muitos fiéis. Em 30 anos, a comunidade fundada no século XVI pelo impudico Henrique VIII perdeu a metade de seus fiéis. E o vazamento continua…

A hierarquia anglicana, em todo o caso, exigiu que Governo do Reino Unido proibisse as terapias para quem deseja modificar uma atração homossexual indesejada.

Os líderes anglicanos consideram que "não há espaço no mundo moderno" para que uma pessoa procure voluntariamente ajuda profissional para deixar de ser homossexual. O arcebispo anglicano de York, John Sentamu, manifestou-se de maneira clara a favor da proibição: "Só poderei dormir tranquilamente quando proibirem esta prática." O bispo de Liverpool, Paul Bayes, afirmou que a orientação LGBTI não é nem crime nem pecado: "Não precisamos levar as pessoas para terapia se elas não estão doentes."

A proposta foi finalmente aprovada por 298 votos a favor, 74 contra e 26 abstenções provenientes dos três "estados", formados por bispos, clérigos e leigos, do sínodo da Igreja da Inglaterra.

Serviços religiosos especiais para transsexuais

O sínodo geral da Igreja Anglicana exigiu ainda, por uma ampla maioria de 285 votos a 78, que os bispos proporcionem serviços religiosos específicos para as pessoas transsexuais.

A proposta consiste em elaborar "materiais litúrgicos" que possam ser utilizados com o propósito de "reafirmar o seu longo, angustiante e muitas vezes complexo processo de transição".

De acordo com o jornal The Guardian, ao longo dos 75 minutos em que foi debatida a questão, nenhum dos presente expressou a ideia de que o sexo é determinado biologicamente.

Antecedentes

Longe, porém, de atenuar o êxodo de fiéis, o que a ideologia de gênero faz é acentuá-lo. Com efeito, a Igreja Anglicana vem tomando há várias décadas uma série de decisões que, além chocar-se com a tradição cristã em geral, parecem cada vez mais alinhadas aos preceitos do relativismo.

Por isso, os anglicanos permitem desde 1995 que as mulheres exerçam a função de "sacerdotisas"; desde 2000, que os divorciados celebrem novas núpcias religiosas; e desde 2004 que as sacerdotisas ocupem o cargo de "bispas". Em 2003, seus irmãos episcopais dos Estados Unidos ordenaram o primeiro bispo abertamente homossexual da comunidade anglicana.

Êxodo para o catolicismo

Não deixa de ser significativo que uma parte expressiva dos anglicanos que abandonam essa religião volte para Roma. O número de comunidades anglicanas que solicitaram em 2005 plena comunhão com a Igreja Católica Romana não foi pequeno: representava por volta de 400.000 fiéis.

O pedido foi feito por meio dos chamados Ordinariatos Anglocatólicos, que se formalizaram com a Constituição Apostólica " Anglicanorum Cœtibus", de Bento XVI.

A uma geração da extinção

Lorde Carey, arcebispo de Canterbury entre 1991 e 2002, já tinha advertido em 2015 que "a Igreja da Inglaterra encontra-se a uma geração da extinção".

Em 1983, havia no Reino Unido 16,5 milhões de anglicanos. Esta cifra reduziu-se à metade em apenas 30 anos e a assistência semanal aos serviços religiosos caiu para menos de um milhão de pessoas, ou seja, por volta de 1,4% da população.

Por Nicolás de Cárdenas | Fonte: Actuall | Tradução: Equipe CNP

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Não deixem morrer a memória de Charlie Gard

A batalha pela vida de Charlie Gard está chegando ao fim. Mas a guerra que já agora precisamos travar, enquanto família, para resistir à intromissão estatal em nossas casas, só está começando.

Se o bebê Charlie Gard tivesse recebido mais cedo o tratamento para sua doença, ele teria o potencial para crescer como um garoto normal e saudável.

Em linhas gerais, foi o que afirmaram ontem Chris Gard e Connie Yates, os pais do pequeno Charlie Gard, que há quase um ano batalhavam na Justiça pelo direito de tentarem um tratamento especial para seu filho, acometido por uma doença genética rara. Com base na recente avaliação feita por um especialista norte-americano, segundo a qual os músculos da criança já se tinham deteriorado de modo irreversível, os pais chegaram ontem, dia 24 de julho, à difícil decisão de deixar o seu filho partir.

A declaração dos pais de Charlie Gard já correu o mundo e é realmente, como disseram algumas matérias em inglês, "de cortar o coração" ( heartbreaking). Quem quer que se comova, porém, com a voz embargada do pai e o desconsolo da mãe, devastados por terem que ver o seu filho morrer, não se esqueça o que provocou essa dor. Não foi simplesmente uma enfermidade grave que lhe tornou inviável a vida. Antes que a sua condição piorasse, um grupo de burocratas — médicos e juízes, em grande parte — arrogou para si o direito de decidir o futuro de Charlie, impedindo que ele saísse do hospital em que se encontrava e atropelando a vontade de seus pais de lutar pela vida e pela saúde de seu filho.

Por isso, neste início de semana, o mundo assiste não só à morte de uma criança, mas também à triste vitória do Estado contra a família; à triste vitória da "cultura da morte", em última instância, contra a própria dignidade humana.

Esses pais que perderam o seu filho, infelizmente, não foram nem serão os primeiros. Há um movimento global se aproveitando da crise em que vivem muitas de nossas famílias para enfraquecer o pátrio poder, quando não para extingui-lo por completo. Nesse caso em particular, a intervenção descabida do Estado provocou a morte de Charlie. Na Noruega, porém, já há algum tempo, famílias estão perdendo sem mais nem menos a guarda de seus filhos e, em outros tantos lugares do mundo, quantos pais já não perderam as suas crianças, por exemplo, para a educação sexual permissiva que lhes é ministrada nas escolas!

A batalha pela vida dessa criança específica, Charlie Gard, está chegando ao fim. Mas a guerra que já agora precisamos travar, enquanto família, para resistir à intromissão estatal em nossas casas, essa só está começando.

Por isso, não deixem a memória de Charlie Gard morrer. Que o seu exemplo sirva para nos lembrar os sacrifícios que precisaremos fazer, no mundo moderno, pela sobrevivência e salvação eterna de nossos filhos.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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Pais dão fim a batalha legal por tratamento de Charlie Gard

Nesta segunda-feira, pais do bebê Charlie Gard deram por encerrada batalha legal para que filho recebesse tratamento experimental contra doença genética.

Pais do bebê Charlie Gard chegam ao tribunal em Londres (Foto: REUTERS/Peter Nicholls)

Por G1 — Os pais do bebê britânico Charlie Gard vão discutir com o Great Ormond Street Hospital como e quando as máquinas que mantêm a criança viva serão desligadas. Nesta segunda-feira (24), o casal Chris Gard e Connie Yates retiraram seu apelo às autoridades judiciais britânicas para que o bebê fosse mantido vivo com a ajuda de aparelhos e para que sua transferência aos EUA — onde ele seria submetido a um tratamento experimental — fosse autorizada.

O bebê sofre de miopatia mitocondrial, uma síndrome genética raríssima e incurável que provoca a perda da força muscular e danos cerebrais. Há poucas perspectivas de tratamento para a enfermidade. Falando na Suprema Corte, o advogado da família, Grant Armstrong, afirmou que os exames mostram que o dano sofrido pela criança é irreversível. "Para Charlie, é muito tarde, o tempo acabou. Ele sofreu danos musculares irreversíveis, e o tratamento não pode mais ser bem-sucedido."

" Charlie esperou pacientemente pelo tratamento. Por causa do atraso, essa janela de oportunidade foi perdida", criticou. A mãe do bebê disse que ele poderia ter tido uma vida normal, caso o tratamento tivesse sido autorizado antes. "Nós decidimos deixá-lo ir. Ele tinha uma chance real de melhorar. Agora, nós nunca saberemos o que aconteceria se ele fosse tratado", disse Connie Yates na saída do julgamento.


Entenda o caso do bebê Charlie Gard à luz da moral católica, assistindo à aula do Padre Paulo Ricardo sobre o assunto.


O julgamento desta segunda reuniu manifestantes em Londres, com balões e cartazes de apoio à família de Charlie.

O caso de Charlie atraiu atenção internacional depois que a Corte Europeia de Direitos Humanos (CEDH) apoiou a decisão de instâncias inferiores no Reino Unido e determinou que os aparelhos que mantêm Charlie vivo deveriam ser desligados, mesmo contra a vontade de seus pais.

O Papa Francisco fez apelos sobre o caso, e o presidente dos EUA, Donald Trump, chegou a afirmar que os EUA ficariam felizes em ajudar Charlie e sua família. Na semana passada, um comitê do Congresso americano chegou a aprovar uma emenda para conceder o status de residente permanente para a criança e sua família, para que ela pudesse receber o tratamento no país.

| Categoria: Espiritualidade

Aprenda a rezar a Coroa do Preciosíssimo Sangue de Cristo

Nesta devoção, acompanhamos Nosso Senhor da circuncisão até a Cruz, meditando sobre cada uma das sete principais efusões de seu Preciosíssimo Sangue.

Esta devoção consiste em sete mistérios, durante os quais se medita sobre as sete principais efusões do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

É possível acrescentar livremente, ao fim de cada mistério, Pai-nossos, Ave-Marias e outras jaculatórias piedosas ( como as que constam na Ladainha do Preciosíssimo Sangue). Assim como na recitação do Santo Rosário, porém, só o que não se deve perder de vista é a contemplação das verdades eternas contidas em cada mistério. Através desse conhecimento, somos chamados a aumentar o nosso amor ao Sangue bendito que nos conquistou a salvação.

A versão da Coroa que tornamos disponível abaixo foi retirada, ipsis litteris, de um pequeno devocionário publicado pela editora Canção Nova, cuja aquisição recomendamos a todos.

— Iniciar rezando um Creio, um Pai-nosso, e um Glória.

1. Pai de misericórdia, eu vos ofereço os méritos do Preciosíssimo Sangue que Jesus, vosso amadíssimo Filho e nosso Redentor, derramou na circuncisão.
Bendito e adorado para sempre seja Jesus, que nos salvou com seu Preciosíssimo Sangue. Bendito e exaltado seja o Sangue de Jesus, agora e sempre e por toda a eternidade (repetir 7 vezes).
Glória ao Pai…

2. Pai de misericórdia, eu vos ofereço os méritos do Preciosíssimo Sangue que Jesus, vosso amadíssimo Filho e nosso Redentor, derramou na agonia no Horto das Oliveiras (repetir 7 vezes).
Glória ao Pai…

3. Pai de misericórdia, eu vos ofereço os méritos do Preciosíssimo Sangue que Jesus, vosso amadíssimo Filho e nosso Redentor, derramou na flagelação (repetir 7 vezes).
Glória ao Pai…

4. Pai de misericórdia, eu vos ofereço os méritos do Preciosíssimo Sangue que Jesus, vosso amadíssimo Filho e nosso Redentor, derramou na coroação de espinhos (repetir 7 vezes).
Glória ao Pai…

5. Pai de misericórdia, eu vos ofereço os méritos do Preciosíssimo Sangue que Jesus, vosso amadíssimo Filho e nosso Redentor, derramou no caminho do Calvário (repetir 7 vezes).
Glória ao Pai…

6. Pai de misericórdia, eu vos ofereço os méritos do Preciosíssimo Sangue que Jesus, vosso amadíssimo Filho e nosso Redentor, derramou pregado à cruz (repetir 7 vezes).
Glória ao Pai…

7. Pai de misericórdia, eu vos ofereço os méritos do Preciosíssimo Sangue que Jesus, vosso amadíssimo Filho e nosso Redentor, derramou da ferida de seu lado (repetir 7 vezes).
Glória ao Pai…

Ao final, rezar uma Salve Rainha.

Do "Devocionário ao Preciosíssimo Sangue de Jesus",
Ed. Canção Nova, São Paulo, 2007, pp. 56-58.

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Evitar filhos para... conter o “aquecimento global”?

“Ter menos filhos para conter o aquecimento global”, como sugere a chamada de um periódico, é tão ridículo quanto deixar as pessoas morrerem de fome, para salvar a vida dos bois, dos porcos e das galinhas.

A moda agora, senhoras e senhores, é o antinatalismo com fins ecológicos.

Quem anuncia a nova tendência é a Folha de São Paulo. " Ter menos filhos", diz uma reportagem recente do jornal, "pode ser uma das soluções para conter o aquecimento global." O título da matéria, porém, é escrito em tom imperativo: "Tenha menos filhos". Isso salvará o planeta. Quem dá a boa-nova, obviamente, não é o jornalista. Para emprestar um ar de autoridade à ideia, nada melhor do que chamar "pesquisadores", "estudiosos", "cientistas" — pessoas entendidas que, você supõe, não diriam qualquer bobagem.

À parte, porém, o argumentum ad auctoritatem, qualquer um com o mínimo de bom senso é capaz de enxergar a ideologia por trás dessa proposta. Disto que vai escrito na Folha até o pedido expresso de que o homem, quem sabe, migre para Marte, vai uma distância realmente muito curta.

O silogismo de Seth Wynes e Kimberly Nicholas, a dupla sueco-canadense responsável pelo estudo, parece muito simples. Primeiro, parte-se da premissa, já duvidosa, de que o aquecimento global é causado pelo ser humano; este não vai deixar de desejar "um padrão de vida semelhante ao padrão de consumo intenso dos países ricos"; logo, melhor que não tenhamos seres humanos, pelo menos no futuro.

A partir dessa metodologia, os cálculos mostraram que ter um filho a menos (digamos, um casal que decide ter só dois filhos, em vez de três) reduziria as emissões per capita em quase 60 toneladas de gás carbônico por ano. [...] Uma única família americana que decidir ter um filho a menos será capaz de evitar a mesma quantidade de emissões que quase 700 pessoas que passarem a reciclar todo o seu lixo.

Bom, em primeiro lugar, é evidente que as pessoas não precisam de um motivo assim para evitar filhos. A ideia é interessante, no entanto, para atribuir um ar de certa "nobreza moral" à causa dos que não gostam de crianças (ou simplesmente não as querem): não é que eles só pensem no próprio umbigo; a preocupação deles é com o bem do planeta ("do planeta", grife-se, porque a expressão "bem da humanidade" já está evidentemente ultrapassada).

Em segundo lugar, assumindo que essa fosse realmente uma estratégia "genial", quem poderia tê-la, senão um ser humano? Galhos de árvores não folheiam livros, nem escrevem em papel (ainda que o papel venha delas); tampouco os chimpanzés, tidos como o ápice da evolução, são capazes de produzir pesquisas sobre mudanças climáticas. Se o planeta estivesse realmente correndo perigo, quem poderia articular uma estratégia para salvá-lo, a não ser os Homo sapiens sapiens?

Com isso, chegamos ao terceiro ponto, e o mais importante de todos. O grande problema dessa pesquisa é o pressuposto do qual ela parte: o de que, numa escala de interesses a ser tutelados, o planeta estaria acima do ser humano. A velha história de preservar o planeta "para as futuras gerações" finalmente cai por terra. O problema não é conservar o que temos para nossos filhos e netos; o problema são os nossos próprios filhos e netos! Se não os evitarmos, a natureza tratará de os eliminar, num futuro "apocalipse ecológico", como se eles fossem "células cancerígenas".

Sim, alguém já disse isso e, hoje, são muitos os indivíduos no mundo acadêmico que pensam deste modo. No Direito Ambiental, por exemplo, matéria obrigatória em nossas faculdades jurídicas, os seres humanos não são tratados mais como os únicos "sujeitos de direito"; não é simplesmente para ordenar as suas relações que existe o Direito; não é para servir ao homem que existem os animais, os vegetais e tudo quanto há. Não, isso faria parte de uma visão de mundo antropocêntrica. O que conta pontos agora é ser "ecocêntrico"; é defender a natureza por si mesma; é defender igualmente todas as formas de vida!

Os promotores dessa ideologia, no entanto, nem sempre levam até o fim as consequências dessa forma de pensar. Continuam a se alimentar da carne de animais, sem lhes pedir o consentimento; continuam a pisotear baratas e formigas, sem nenhum escrúpulo; e nesse processo predatório e opressor, não poupam nem mesmo as alfaces, perturbando a absoluta tranquilidade que reina entre os vegetais.

Pode parecer brincadeira, mas a verdade sobre as coisas é esta. Sempre que alguém coloca um bife de carne animal na boca, está admitindo que a natureza pode, sim, servir aos interesses do homem. Sempre que assistimos a um documentário animal, em que um leão é visto atacando uma girafa, por exemplo, e não nos revoltamos pelos "direitos" da girafa, é porque sabemos que existe uma hierarquia nas coisas criadas. E esse não é o tipo de coisa que se possa modificar ou abolir simplesmente por uma "lei" ou por uma nova forma de pensar. Nossas ideias, afinal, só valem alguma coisa se estiverem em conformidade com o mundo real. Caso contrário, o único lugar para o qual elas devem ir é a lata de lixo.

"Ter menos filhos para conter o aquecimento global" é tão ridículo quanto dizer que se devem matar todos os leões para salvar a vida das girafas; ou deixar as pessoas morrer de fome, para salvar a vida dos bois, dos porcos e das galinhas. Se você é capaz de entender isso, parabéns! Mais do que um cérebro, você possui uma faculdade chamada inteligência. Use-a para algo útil, povoe o mundo de seres iguais a você e, se possível, ajude a resgatar o jornalismo e as outras ciências humanas da fossa em que há muito tempo elas se encontram.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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Precisamos falar sobre censura no Facebook

Saiba como a maior comunidade virtual do mundo está se alinhando ao globalismo e por que cristãos e conservadores podem estar com os dias contados no Facebook.

No dia 18 de julho de 2017, sem apresentar nenhuma explicação, o Facebook simplesmente tirou do ar mais de 20 páginas católicas de sua comunidade. E, do mesmo modo como foram desativadas, assim também elas voltaram, sem mais nem menos. Um verdadeiro "apagão". Dentre as páginas atingidas por esse corte repentino, estão algumas de grande expressão, como "Papa Francisco Brasil", com 3,8 milhões, e "Nossa Senhora cuida de mim", com 3,1 milhões de seguidores.

O Brasil não foi o único país afetado pela medida. Algumas páginas católicas dos Estados Unidos também foram removidas, e o bloqueio chegou a ser noticiado inclusive pela agência Fox News.

O grupo ACI falou com o Facebook e, de acordo com um porta-voz da rede, "o incidente foi ocasionado acidentalmente por um mecanismo de detecção de spam na plataforma". O deputado Flavinho garante que entrou em contato com o diretor central da plataforma no Brasil, segundo o qual tudo não passou de um "erro técnico". A informação repassada pelo parlamentar, no início da tarde de ontem (19), é que "o que gerou todo este bloqueio foi a palavra Amém". O uso excessivo da expressão, especialmente nos comentários das páginas católicas, teria sido identificado como atividade suspeita, gerando o "apagão" de dois dias atrás.

Verdadeira ou não a explicação que corre até o momento sobre este caso, a censura no Facebook é um tema premente. Precisamos falar sobre este assunto para entender não só os padrões dessa comunidade virtual, mas também a situação política para a qual caminhamos e o lugar que nós, cristãos, temos neste "admirável mundo novo" que querem construir.

Os Padrões da Comunidade de Mark Zuckerberg

Antes de mais nada, o Facebook é uma comunidade que, como qualquer outra, é regida por algumas normas, políticas de conduta que devem ser aceitas por todos os que nela ingressam. São os chamados "Padrões da Comunidade", que ajudam "a entender os tipos de compartilhamentos permitidos no Facebook e os tipos de conteúdos que podem ser denunciados e removidos". Entre estes últimos, alguns são proibidos por razões muito evidentes: é o caso de postagens relacionadas a "atividades criminosas" ou "exploração e violência sexual", e também de materiais que exibam "nudez" ou "violência e conteúdo gráfico". (Ainda que, nós sabemos, muitos absurdos ainda passem pelo crivo dos censores, sem maiores problemas.)

Outro item importante, porém, e que está gerando bastante discussão ultimamente, é o chamado "discurso de ódio". Segundo o próprio Facebook:

O Facebook remove discursos de ódio, o que inclui conteúdos que ataquem diretamente as pessoas com base em: raça, etnia, nacionalidade, religião, orientação sexual, gênero ou identidade de gênero, ou deficiências graves ou doenças.

Organizações e pessoas dedicadas a promover o ódio contra grupos protegidos não têm a presença permitida no Facebook. Levando em conta nossos padrões, precisamos que a nossa comunidade denuncie esse tipo de conteúdo para nós.

Os que estão acostumados com nosso conteúdo começam a enxergar já aqui o problema que os cristãos poderão ter com essas diretrizes claramente ideológicas do Facebook: no mundo fictício de Mark Zuckerberg, as categorias "orientação sexual" e "identidade de gênero" são perfeitamente válidas para caracterizar um discurso de ódio. (Não há tempo para explicar em detalhes o perigo dessas expressões, mas em nosso site nós possuímos abundante material sobre o assunto. A aula Sexo ou gênero? pode ser uma ótima introdução a esse respeito.)

O que aconteceria, então, cabe perguntar, se alguém publicasse em sua linha do tempo, por exemplo, que "os libertinos, idólatras, adúlteros, efeminados, sodomitas, [...] ninguém desses terá parte no Reino de Deus" ( 1Cor 6, 10)? Ou que, de acordo com o Catecismo da Igreja Católica, "os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados" e "não podem, em caso algum, ser aprovados" (§ 2357)? Essa orientação moral, que critica abertamente certas "orientações sexuais", poderia ser qualificada como "discurso de ódio"?

Quanto à "identidade de gênero", como o Facebook lidaria com a figura de um Walt Heyer, por exemplo — dois de cujos textos já traduzimos aqui neste espaço —, que abandonou o transgenderismo para viver de acordo com o seu sexo biológico e, agora, escreve ajudando as pessoas justamente a saírem deste mundo? Atitudes assim também poderiam ser interpretadas como "discurso de ódio"?

Enfim, como serão tratados os compartilhamentos de vídeos e textos, que temos aos montes, afirmando categoricamente que "a teoria de gênero é uma farsa"? Com que régua serão medidas essas publicações que põem em xeque as próprias políticas da comunidade zuckerberguiana?

Quem decide o que é "discurso de ódio"?

A essas perguntas muito simples se somam ainda muitas outras interrogações, dentre as quais destacamos as seguintes, muito oportunas, feitas pelo ensaísta conservador Bernardo Pires Küster:

No meio da documentação que é apresentada por Bernardo neste vídeo, há um texto, publicado pelo próprio Facebook, no qual um diretor da rede tenta responder "quem deve decidir o que é discurso de ódio em uma comunidade global online".

Neste texto, fica bem claro que o Facebook tem ciência de que certas restrições podem parecer uma "censura". Justamente por isso, a rede de Zuckerberg está fazendo grandes investimentos na análise de conteúdo. "Ao longo do próximo ano", eles garantem, "acrescentaremos 3 mil pessoas ao time de operações de nossa comunidade ao redor do mundo, além das 4,5 mil que possuímos atualmente."

A grande preocupação com relação a essas medidas, porém, tem a ver não tanto com a quantidade de pessoas trabalhando na área, mas com a qualidade do serviço a ser prestado. Ao mesmo tempo em que o Facebook se compromete, por exemplo, "a confrontar o preconceito (bias, em inglês) onde quer que ele exista", os funcionários da rede sem nenhum pudor recomendam, para este debate sobre liberdade de expressão, dois sites financiados por ninguém menos que o metacapitalista George Soros e a fundação internacional MacArthur — esta última notória defensora da causa do aborto na América Latina. Os sites se chamam Free Speech Debate e Dangerous Speech Project, e essa informação é pública (basta acessar aqui e aqui).

Trocando em miúdos, é com grupos alinhados à esquerda mundial que o Facebook pretende definir os contornos do chamado "discurso de ódio". Odioso será o que os movimentos feministas, LGBTs e ambientalistas considerarem como tal. Por esse motivo, cristãos e conservadores de um modo geral estão com os dias contados no Facebook. Escrever "Amém" nos comentários de publicações católicas será, em questão de pouco tempo, o menor de nossos problemas.

Uma estratégia para silenciar cristãos

Entender isso é importante, como já dito, não só para sobrevivermos no Facebook. Desde agora, na verdade, antes mesmo que alguma medida mais drástica seja tomada em relação a nós, precisamos articular novos meios de manter contato com as pessoas, de fornecer informações a elas e de promover nossos apostolados virtuais.

Por isso, a todos que estamos excessivamente dependentes, de um modo ou de outro, desta ferramenta, está na hora de começar a pensar em outras alternativas: um bom começo pode ser fortalecer nossas listas de e-mails, investir na criação de redes independentes e forçar os usuários a visitarem as nossas próprias plataformas. O conhecido site católico norte-americano Church Militant começou a fazer isso há um tempo, e está tendo sucesso.

Ninguém se iluda pensando, no entanto, que só na Internet tentarão calar-nos a boca. A comunidade global do Facebook é apenas um instrumento do movimento globalista, a serviço da implantação sistemática de uma Nova Ordem Mundial, com novas leis, novos valores e novos comportamentos a serem estabelecidos, à revelia dos verdadeiros interesses das pessoas comuns. Neste mundo que eles planejam fundar — do qual, novamente, o Facebook não passa de "miniatura" —, o lugar de os cristãos expressarem livremente as suas opiniões é tão-somente a sacristia de suas igrejas. No espaço público, ao contrário, suas posições morais poderão facilmente ser qualificadas como "discurso de ódio".

Em um mundo cada vez mais avesso não só aos verdadeiros ensinamentos de Jesus Cristo, mas até mesmo aos princípios mais básicos da lei natural, não poderia ser diferente. A própria existência dos cristãos é um incômodo tremendo, praticamente intolerável, pois a verdade é que somos os únicos a resistir, com a fé e com nossos velhos hábitos, à ditadura do discurso único que destroça tanto as soberanias nacionais quanto — o que é ainda pior — as consciências dos que vivem à nossa volta.

Não é que todos estejam de acordo com o que querem impor um Mark Zuckerberg, um George Soros ou uma Organização das Nações Unidas. No Brasil, por exemplo, a maior parte da população é relativamente conservadora em temas morais. No fundo, o brasileiro médio ainda é religioso e, se tiver a oportunidade de dizer o que pensa, sem coação, sobre o aborto e o "casamento" gay, por exemplo, são poucos os que se manifestarão favoráveis a essas pautas progressistas. O problema é acharmos que simplesmente não temos opção; que todas essas revoluções morais são "inevitáveis". As pessoas olham para a grande mídia, para os seus professores universitários, e pensam consigo: ou eu aceito e fico bem com todos, ou então serei perseguido e ostracizado. E é assim que bilionários sem moral, do conforto burguês de seus escritórios, têm o mundo inteiro em suas mãos e dizem a todos tranquilamente o que pensar, o que querer e como agir.

A história recente da humanidade, com tantas revoluções promovidas por pequenos grupos — insignificantes numericamente, mas poderosos econômica e culturalmente —, só confirma o que disse certa vez o grande jurista brasileiro José Pedro Galvão de Sousa: o que estamos presenciando não é a "rebelião das massas"; é a rebelião, isso sim, das minorias.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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Roupas rasgadas de propósito: algum problema?

Se você quer se afirmar como indivíduo hoje, vista-se devida e modestamente. Não tem certeza do que é modesto nestes tempos? Então, evite ao menos aquilo que não é. Resistir à mania "descolada" das roupas esfarrapadas pode ser um ótimo começo.

Talvez um dos assuntos particulares mais sensíveis que podemos levantar com as pessoas é o do vestuário. O modo como nos devemos vestir tornou-se uma questão puramente subjetiva. Cada um deveria resolver o que é ou não apropriado usar.

Existem, é claro, alguns limites. A maior parte dos (bons) católicos admitirá, em teoria, que certos modos de vestir-se devem ser classificados como "imorais ou imodestos". Seria o caso de roupas (ou a falta delas) que cobrem o corpo insuficientemente, tornando-se por isso moral e socialmente inaceitáveis.

Para além desse extremos, no entanto, a maioria pensa aparentemente que pode usar qualquer coisa, em qualquer lugar e a qualquer hora, sem que haja quaisquer consequências. As roupas não têm mais que ser arrumadas. As pessoas podem usar trajes deliberadamente rasgados, manchados e cheios de buracos, sem medo de serem rejeitadas. Roupas sequer precisam ser roupas mais. Elas podem muito bem ser trapos esfarrapados; quanto mais sombrios, melhor.

Essas roupas são chamadas de "descoladas" e estão ficando cada vez mais na moda. Não se trata apenas de amadores rasgando jeans desbotados ao acaso, ou de comerciantes lançando tendências aleatórias. A coisa está se tornando convencional.

O mundo fashion agora abraçou o vestuário "descolado" como algo chique. Os estilistas estão usando nova tecnologia e contratando técnicos em efeitos especiais para conseguir uma aparência naturalmente corroída e desgastada, que passa a impressão de a pessoa já estar usando a roupa há vinte anos. Os especialistas se servem de maçaricos, pistolas de ar, lasers e lixadeiras para afrouxar fios, desbotar tecidos e abrir buracos. A empresa Nordstrom, por exemplo, está vendendo um par de jeans coberto de barro por 425 dólares. (A peça já se encontra esgotada, a propósito.)

Roupas rasgadas tornaram-se sinônimo de descontração, extroversão e autossuficiência. Ironicamente, essas pessoas supostamente "independentes" submetem-se às modas como um rebanho, na pressa de simplesmente se parecerem com todo o mundo. Sem falar do fato de que estão sendo passadas para trás, já que as roupas esfarrapadas de marca — geralmente mais vendidas que as normais — vêm com um preço muito maior.

Explicando o óbvio

O mundo está louco. Ninguém pode dizê-lo?

Não deveríamos ter que explicar o porquê de não se usar roupas rasgadas. Isso é algo que as mães devem ensinar aos filhos desde a mais tenra idade. Qualquer mãe cuidaria de costurar os rasgões no exato momento em que os visse. Se encontrasse um buraco em uma compra, ela faria o filho devolver as tais roupas à loja e pedir um reembolso.

Os tempos infelizmente mudaram, e as mães também. Um monte de mães "na moda" podem agora ser encontradas usando shorts retalhados e camisetas com furos personalizados. Fazer uma revisão do básico talvez ajude a tornar claro o porquê de isso ser errado. Não importa o quão politicamente incorreto soe, é preciso dizer que trajes rasgados não são modestos e não devem ser usados.

Comecemos dizendo, em primeiro lugar, que uma veste rasgada não é modesta porque sequer é uma roupa de verdade. Essa afirmação pode muito bem acirrar os ânimos, mas, desde uma perspectiva puramente metafísica, é preciso admitir que tais vestes falham em cumprir o seu propósito.

"Ainda se trata de uma roupa — muitos responderiam —, só que de um estilo diferente, mais confortável e que, por isso, deixa as pessoas mais felizes. As pessoas devem fazer, afinal, o que as torna mais felizes. Portanto, que usem roupas rasgadas, sem se preocuparem com a aparência ou com a sua condição. O que importa é o conforto."

Embora as roupas que vestimos devam ser confortáveis, o propósito a que servem não é o conforto, mas a proteção. As roupas existem para proteger e adornar o corpo da pessoa. Alegar que é o conforto o propósito de se vestir é como dizer que é o sabor, não a nutrição, o propósito de se alimentar; ou que é o prazer do sono, não o descanso físico, o propósito de dormir.

Quando um estilista cuidadosamente produz uma veste, então, com um buraco onde este naturalmente apareceria com o tempo, o que ele está fazendo é colocar em risco, de modo deliberado, os lugares do corpo que mais precisam de proteção. Quando esse mesmo estilista deixa buracos em lugares sexualmente sugestivos, mais uma vez, ele está trabalhando contra o propósito das roupas de proteger a modéstia.

Trajes deliberadamente rasgados, portanto, contrariam o propósito das roupas; são "caricaturas" do que uma roupa deveria ser. Longe de adornar o corpo, o processo de rasgadura transforma aquilo que deveria ser forte, belo e ordenado em uma coisa frágil, feia e desgastada. Vestes esfarrapadas são desordenadas e, por isso, não se deveria usá-las.

Uma noção de modéstia que se perdeu

A segunda razão pela qual roupas rasgadas não deveriam ser usadas é que elas são imodestas.

Novamente, uma afirmação assim levanta objeções. "A menos que os farrapos ultrapassem os limites do que é considerado moral e socialmente aceitável — muitos argumentariam —, não se pode dizer que são imodestos."

E aqui reside o cerne do problema. As pessoas perderam completamente a noção do que seja modéstia e de como ela se manifesta. Falta-lhes até mesmo uma definição catequética dessa virtude. Muitos terminam por confundi-la com a castidade, ligando-a tão-somente ao que é sensual.

A modéstia tem, é claro, um papel fundamental na conservação da castidade, mas é muito mais do que isso; e, embora seja frequentemente associada às vestes femininas, aplica-se aos homens também. De modo geral, trata-se da virtude que salvaguarda a dignidade de uma pessoa no contato com as outras. Traz benefícios tanto para o indivíduo quanto para a sociedade, porque governa a aparência e o comportamento exteriores da pessoa, ajudando a tornar a sociedade, assim, mais civilizada e harmoniosa.

Além do modo de se vestir, a modéstia diz respeito à maneira de se falar, à postura, aos gestos e à apresentação geral da pessoa, convidando as pessoas a se comportarem bem com as outras e a se conformarem aos padrões de decência e de decoro, presentes nos costumes sadios de uma sociedade ordenada. É modesto, portanto, quem se apresenta adequadamente diante dos outros, ou quem sabe controlar-se externamente em sociedade; e é imodesto quem age de modo extravagante, bem como quem fala de maneira a ofender ou desprezar os outros.

Em questão de vestuário "católico", isso significa vestir-se de acordo com a dignidade de nosso corpo, templo do Espírito Santo, e de acordo com a nossa identidade no mundo. Adultos se vestem como adultos; crianças, como crianças; e autoridades, de acordo com o seu respectivo ofício.

Significa, também, que não devemos nos vestir de modo descuidado. Santo Tomás de Aquino afirma ser imodesto, por exemplo, quem age de maneira excessivamente negligente em sua aparência, deixando de se apresentar conforme seu estado de vida, assim como quem procura, com isso, atrair atenções para si mesmo (cf. S. Th. II-II, q. 169, a. 1).

Roupas imorais e reveladoras são claramente imodestas, mas roupas impróprias, manchadas e rasgadas, para ambos os sexos, também o são; não se adequam à nossa dignidade de pessoas, feitas à imagem e semelhança de Deus. Quando Nossa Senhora falou em Fátima contra modas que ofenderiam muito a Nosso Senhor, ela estava se referindo igualmente a esse tipo de vestuário.

Lutando contra a imodéstia hoje

A virtude da modéstia costumava ser determinada por noções estabelecidas de decoro e de decência, que variavam de cultura para cultura. O problema hoje é que há poucas normas de decência ainda vigentes. Na verdade, a indecência se transformou em padrão.

Em uma sociedade relativista, consumida pela intemperança frenética da vida moderna, somos "ensinados" a ter tudo agora, instantaneamente e sem nenhum esforço, não importando quais sejam as consequências. Somos estimulados à imodéstia nos modos, no falar e no vestir. Não surpreende, por isso, que a sociedade esteja tão incivilizada em nossos dias e que se fale tanto da perda da dignidade humana.

Dada a falta de padrões, é difícil saber por onde iniciar o retorno à ordem. Talvez se deva começar desmascarando a propaganda mercadológica, que nos pressiona a agir imodestamente. A aceitação das tais roupas "descoladas" em todos os lugares é uma expressão não de individualidade, mas de submissão. Ao aceitá-las, você se torna um escravo da moda, não uma mente independente.

Por isso, se você quer se afirmar como indivíduo hoje, vista-se devida e modestamente. Não tem certeza do que é modesto nestes tempos? Então, evite ao menos aquilo que não é. Resistir à mania "descolada" das roupas esfarrapadas pode ser um ótimo começo.

Por John Horvat II — Crisis Magazine | Tradução e adaptação: Equipe CNP

| Categoria: Espiritualidade

Podemos adorar o Preciosíssimo Sangue de Cristo?

É correto adorar o Sangue de Cristo? Em que se baseiam os católicos para honrar algo tão “estranho”, ao menos à mentalidade atual, como o sangue de um homem?

Podemos adorar o Preciosíssimo Sangue de Cristo?

A pergunta pode parecer ociosa a quem tenha fé católica, mas oferece-nos, em todo o caso, a oportunidade de esclarecer alguns mal-entendidos que hoje circulam, mesmo entre os fiéis, a respeito desta e de outras práticas devocionais tão caras ao povo cristão. A pergunta adquire ainda maior interesse se abordada neste mês de julho, em que a Igreja procura estimular no coração de seus filhos o culto ao Sangue do Redentor, cuja propagação experimentou fortes incrementos a partir da primeira metade do século XVIII. Para responder-lhe na ordem adequada e, desse modo, acordar em nosso ânimo a honra e estima em que devemos ter o culto ao caríssimo preço da nossa Redenção, convém repassar em primeiro lugar o que a fé católica nos ensina sobre a adoração devida a Cristo [1].

1.º) É ponto pacífico que devem adorar-se com a mesma adoração tanto a humanidade quanto a divindade de Nosso Senhor. Trata-se de uma verdade revelada e definida pela autoridade da Igreja em mais de uma ocasião [2].

A razão teológica que a corrobora é bastante clara. De fato, a honra em que consiste a adoração é dirigida própria e primariamente à totalidade da pessoa, e não a seus pés e mãos, por exemplo, a não ser na medida em que por tais membros ela é honrada como um todo. Ora, em Cristo há uma única pessoa, na qual se encontram unidas duas naturezas. Portanto, a ele deve tributar-se uma só adoração. Mas como a pessoa do Verbo encarnado subsiste em duas naturezas, inseparáveis e indivisas, a causa desta única adoração é dupla: de um lado, a divindade tem de ser adorada em si e por si mesma; a humanidade, de outro, por encontrar-se hipostaticamente unida ao Verbo divino. Eis porque decretou o II Concílio de Constantinopla:

Se alguém diz que Cristo é adorado em duas naturezas, introduzindo com isto duas adorações […], sem venerar com única adoração o Deus Verbo encarnado junto com a sua carne, como a Igreja de Deus recebeu por tradição desde o início: seja anátema. [3]

2.º) Disto se segue que a humanidade de Cristo pode e deve ser adorada com adoração de latria, consistente num ato da virtude da religião pelo qual manifestamos a Deus, em sinal de submissão, a honra e a reverência que ele merece em razão de sua infinita excelência como Senhor e Criador de todas as coisas.

A razão disso, como dissemos acima, é que a honra da adoração se dirige à pessoa como um todo. Ora, visto que a pessoa a que está unida a humanidade de Cristo é divina, também a essa humanidade se deve a mesma adoração com que é honrado o Verbo que a assumiu. Nesse sentido, "adorar a carne de Cristo nada mais é do que adorar o Verbo de Deus encarnado" [4]. Há que ter em mente, contudo, que este culto latrêutico é prestado à humanidade do Senhor em razão, não de si mesma, mas da divindade a que ela está unida. É por isso que diz São João Damasceno: "Tendo-se encarnado o Deus Verbo, adora-se a carne de Cristo, não por si mesma, mas por ter-se unido a ela segundo a hipóstase o Verbo de Deus" [5].

3.º) Nada disso impede — antes, pelo contrário, autoriza-o — que prestemos o mesmo culto de adoração com que honramos a pessoa do Filho de Deus encarnado tanto às suas imagens quanto às partes de sua nobilíssima natureza humana. Não porque esse culto nelas se encerre e termine, mas porque por meio delas se dirige e chega à própria pessoa do Verbo: nas imagens, tendendo ao objeto por elas representado; nas partes do corpo do Senhor, adorando ao Deus que delas se serviu para nos redimir.

É por esse motivo que a Igreja sempre teve em alta conta a devoção ao Sacratíssimo Coração de Jesus, que, por "estar unido hipostaticamente à pessoa do Verbo de Deus" e ser "o índice natural […] da sua imensa caridade para com o gênero humano", merece que lhe seja tributado o culto de adoração a que têm direito todos os "membros adoráveis do corpo" de Nosso Senhor [6].

Fica assim patente que, do mesmo modo que a partir "do elemento corpóreo que é o Coração de Jesus Cristo e do seu natural simbolismo" [7] é legítimo adorar a excelentíssima caridade do Filho de Deus feito homem, assim também é verdadeiro, santo, oportuno e piedoso o costume tantas vezes secular de oferecer as devidas homenagens de adoração ao Preciosíssimo Sangue que o Verbo encarnado foi impelido a derramar por amor a nós, "desde o oitavo dia do seu nascimento, e depois, com superabundância, na agonia do horto (cf. Lc 22, 43), na flagelação e na coroação de espinhos, na subida ao Calvário e na crucifixão, e, enfim, da ampla ferida do seu lado" [8], da qual nasceu a Igreja e manaram os sacramentos da Nova Aliança. Porque se o objeto deste culto é, efetivamente, o Sangue físico e material do Salvador, enquanto inseparavelmente unido à divina pessoa do Filho encarnado e preço sensível do nosso resgate, o seu motivo não é senão a infinita dignidade do Verbo divino a que este Sangue se encontra unido segundo a hipóstase, além do valor inestimável de sua vida, entregue em holocausto de amor para reparar a justiça divina, ultrajada pelo pecado, e resgatar da sujeição à morte eterna todos quantos haviam de deixar-se alvejar pela Seiva adorável sem a qual não pode haver Redenção.

Que ao longo deste mês de julho possamos dar ouvidos à paternal advertência de São Pedro, que nos manda viver "com temor durante o tempo da vossa peregrinação. Porque vós sabeis que não é por bens perecíveis, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados da vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais, mas pelo precioso sangue de Cristo, o Cordeiro imaculado e sem defeito algum" (1Pd 1, 17ss).

Deixando-nos reformar intimamente pela graça que nos foi conquistada ao preço da vida do Homem-Deus, glorifiquemos ao Senhor no nosso corpo (cf. 1Cor 6, 20) e lhe tributemos todos os dias o preito de nossa devoção e gratidão, a ele que nos remiu por seu Sangue adorável e vive e reina à direita do Pai pelos séculos dos séculos. Amém.

Recomendações

Referências

  1. As explicações aqui apresentadas baseiam-se em Tomás de Aquino, S. Th. III, q. 25, aa. 1-2 e R. Garrigou-Lagrange, De Christo Salvatore. Turim: Pontificium Institutum "Angelicum", 1945, pp. 379-382.
  2. Cf., por exemplo, Concílio de Éfeso, Carta "Τοῦ σωτῆρος ἡμῶν" (= 3.ª carta de Cirilo de Alexandria a Nestório), de nov. 430, n. 8 (DH 259); Vigílio, Constituição "Inter innumeras sollicitudines", de 14. mai. 553, n. 5 (DH 420); Pio VI, Constituição "Auctorem fidei", de 28 ago. 1764, nn. 61․63 (DH 2661․2663).
  3. II Concílio de Constantinopla, 8.ª sessão, de 2 jun. 553, cân. 9 (DH 431).
  4. Tomás de Aquino, S. Th. III, q. 25, a. 2, resp. (v. também S. Th. III, q. 58, a. 3, ad 1; III Sent., d. 9, q. 1, a. 2, ql. 1․4, ad 1; Ad Galatas, c. 4, l. 4.). Trad. port. coordenada por Carlos-Josaphat P. de Oliveira. 2.ª ed., São Paulo: Loyola, 2002, p. 386.
  5. De fide. orth., 4․3 (PG 94, 1105B).
  6. Pio XII, Encíclica "Haurietis Aquas", de 15 mai. 1956, n. 12 (AAS 48 [1956] 316). Trad. port. da Poliglota Vaticana. São Paulo: Paulus, 1998 (col. "Documentos da Igreja", vol. 5), p. 749.
  7. Id., n. 58 (AAS 48 [1956] 343), p. 780.
  8. João XXIII, Carta Apostólica "Inde a primis", de 30 jun. 1960, n. 10 (AAS 52 [1960] 548).