| Categoria: Doutrina

Nossa liberdade está em sermos servos da verdade

Em discurso feito ainda no início de seu pontificado, São João Paulo II encoraja os sacerdotes a serem fiéis à doutrina moral da Igreja e faz uma bela reflexão sobre a reconciliação da consciência humana com Deus.

O texto a seguir infelizmente só se encontrava no site do Vaticano em línguas italiana e francesa, mas, dadas a atualidade do assunto, a caridade e a verdade das palavras, bem como a autoridade de quem fala — um Papa santo —, demo-nos ao trabalho de vertê-lo para a língua portuguesa, a fim de tornar disponível, a todos os que nos acompanham, esta preciosidade.

Quem se pronuncia abaixo é São João Paulo II, o tema de seu discurso é a "procriação responsável" e os destinatários de sua fala são os sacerdotes. A eles, partícipes consigo "do único sacerdócio de Cristo", o Papa dirige uma palavra de encorajamento, ao mesmo tempo em que medita sobre a reconciliação da consciência humana com Deus — tema ao qual ele dedicaria, em 1993, a importantíssima encíclica Veritatis Splendor.

Discurso do Papa São João Paulo II a sacerdotes participantes de seminário sobre "A procriação responsável"
Quinta-feira, 1.º de março de 1984

Caríssimos sacerdotes!

1. Alegro-me em acolher-vos nesta audiência especial, que me permite exprimir-vos o profundo afeto que tenho por vós, partícipes comigo do único sacerdócio de Cristo, e manifestar-vos ao mesmo tempo a grande consideração que tenho pelo trabalho pastoral ao qual dedicais as vossas melhores energias.

Vós desenvolveis o vosso apostolado particularmente a serviço da família, na justa convicção de que toda ajuda oferecida a esta célula fundamental do consórcio humano comporta uma eficácia multiplicada, que se reflete em diversos componentes do núcleo familiar, ao mesmo tempo em que se perpetua no tempo, graças à obra educacional que dos pais se percebe nos filhos e, por meio destes, nos netos.

Desejo confirmar-vos nesta convicção e encorajar-vos a prosseguir a obra começada, na qual não vos pode faltar a bênção de Deus, primeiro idealizador da comunidade familiar e, "quando chega a plenitude do tempo" (Gl 4, 4), seu providente redentor.

2. Este encontro acontece por ocasião de vossa participação no congresso que o Centro de estudos e pesquisas sobre a regulação natural da fertilidade, da Universidade Católica do Sagrado Coração, e o Instituto de estudos sobre o matrimônio e a família, da Pontifícia Universidade Lateranense, oportunamente promovem sobre o importante tema da procriação responsável. Gostaria, nesta circunstância, de dizer alguma coisa sobre o assunto a partir de um ponto de vista sobretudo pastoral.

Na recente celebração do Jubileu dos sacerdotes, admoestei-os: "Abramos sempre mais largamente os olhos — o olhar da alma — para compreender melhor o que significa perdoar os pecados e reconciliar as consciências humanas com o Deus infinitamente santo, com o Deus da Verdade e do Amor" [1]. Reconciliar a consciência humana com o Deus da Verdade e do Amor; é esse o vosso ministério sempre, mas de um modo especial quando colocais o vosso sacerdócio a serviço dos esposos.

Vós quisestes, nestes dias, descobrir e aprofundar os fundamentos científicos, filosóficos e teológicos da procriação responsável: mais precisamente da doutrina da encíclica Humanae Vitae e da exortação apostólica Familiaris Consortio, a fim de reconciliar a consciência humana dos esposos com o Deus da verdade e do amor. Mas quando é que, de fato, a consciência humana é "reconciliada"? Quando passa a existir nela a paz profunda? Quando ela está na Verdade. E os dois documentos acima citados, na fidelidade à tradição da Igreja, ensinaram a verdade acerca do amor conjugal enquanto comunhão de pessoas.

O que significa "reconciliar a consciência dos esposos com a verdade do seu amor conjugal"? Quando os seus contemporâneos perguntam a Cristo se seria lícito ao marido repudiar a mulher, Ele responde reportando-se "ao princípio", isto é, ao projeto original do Criador sobre o matrimônio. Vós também, que enquanto sacerdotes operais em nome de Cristo, deveis mostrar aos esposos que tudo quanto foi ensinado pela Igreja sobre a procriação responsável não é senão o projeto original que o Criador imprimiu na humanidade do homem e da mulher que se casam, e que o Redentor veio para restabelecer. A norma moral ensinada pela Humanae Vitae e pela Familiaris Consortio é a defesa da verdade inteira do amor conjugal, porquanto exprime as exigências imprescindíveis deste amor.

Estejai certos: quando o vosso ensinamento é fiel ao magistério da Igreja, vós não ensinais algo que o homem e a mulher não possam compreender — inclusive o homem e a mulher de hoje. Esse ensinamento, de fato, que vós fazeis ressoar aos seus ouvidos, já está escrito em seus corações. O homem e a mulher devem ser ajudados a ler profundamente essa "escritura no coração". E o fato de que nesses três dias de estudo vós quisestes descobrir as razões do Magistério da Igreja, não significa porventura que quereis ter sempre mais claras as vias pelas quais conduzir os esposos à verdade profunda de si mesmos e do seu amor conjugal?

3. Reconciliar a consciência humana dos esposos com o Deus da verdade e do amor: a consciência humana dos esposos é verdadeiramente reconciliada quando eles descobrem e acolhem a verdade sobre o seu amor conjugal. De fato, como escreve Santo Agostinho, "beata quippe vita est gaudium de veritate, hoc est enim gaudium de te, qui veritas es — felicidade é gozo da verdade, o que significa gozar de ti, que és a verdade" [2].

Vós bem sabeis que, muitas vezes, a fidelidade por parte dos sacerdotes — digamos até, da própria Igreja — a essa verdade e às normas morais decorrentes (aquelas, quero dizer, ensinadas pela Humanae Vitae e pela Familiaris Consortio) custa muitas vezes um alto preço. Muitas vezes se é ridicularizado, acusado de incompreensão e de dureza, e de muitas outras coisas. É a sorte de todo testemunho da verdade, como bem sabemos. Ouçamos ainda uma página de Santo Agostinho: "No entanto, por que a verdade gera o ódio?", pergunta-se o santo doutor. "De fato", ele responde, "o amor da verdade é tal que os que amam algo diferente querem que aquilo que amam seja a verdade. Como não admitem ser enganados, detestam ser convencidos do seu erro. Assim, odeiam a verdade porque amam aquilo que supõem ser a verdade. Amam-na quando ela brilha, e a odeiam quando ela os repreende." [3]

Com simples e humilde firmeza, portanto, sede fiéis ao magistério da Igreja sobre esse ponto de importância tão decisiva para os destinos do homem.

4. Existe uma dificuldade verdadeira à reconciliação da consciência humana dos esposos com o Deus da verdade e do amor, dificuldade que é de natureza bem diferente desta há pouco indicada.

A reconciliação não acontece se os esposos somente sabem perceber a verdade do seu amor conjugal: é necessário que a sua liberdade se realize diante da verdade. A dificuldade verdadeira é que o coração do homem e da mulher é habitado pela concupiscência; e a concupiscência inclina a liberdade a não se submeter às exigências autênticas do amor conjugal.

Seria um erro gravíssimo concluir disso que a norma ensinada pela Igreja é em si própria apenas um "ideal" que deve posteriormente ser adaptado, proporcionado, graduado — dizem — às concretas possibilidades do homem: segundo um "cálculo dos vários bens em questão". Mas quais são as "concretas possibilidades do homem"? E de que homem se fala? Do homem dominado pela concupiscência ou do homem redimido por Cristo? Pois é disso que se trata: da realidade da redenção de Cristo.

Cristo nos redimiu! Isso significa que Ele nos deu a possibilidade de realizar toda a verdade do nosso ser; Ele libertou a nossa liberdade do domínio da concupiscência. E se o homem redimido ainda peca, não é devido à imperfeição do ato redentor de Cristo, mas à vontade do homem de furtar-se à graça que brota daquele ato. O mandamento de Deus é certamente proporcionado às capacidades do homem: mas às capacidades do homem a quem foi dado o Espírito Santo; do homem que, no caso de cair no pecado, sempre pode obter o perdão e gozar da presença do Espírito.

A reconciliação da consciência humana dos esposos com o Deus da Verdade e do Amor se dá pela remissão dos pecados — pelo humilde reconhecimento de que não somos adequados e comensurados, por assim dizer, à verdade e às suas exigências —, e não pela orgulhosa redução da verdade e das suas exigências àquilo que nós decidimos ser verdadeiro e bom. A nossa liberdade está em sermos servos da verdade. Como lemos na Liturgia das Horas de ontem: "Servo fiel é aquele que não espera ouvir de ti o que desejaria ouvir, mas antes deseja aquilo que ouve de ti" [4].

A nossa caridade pastoral para com os esposos consiste em sermos sempre disponíveis a oferecer-lhes o perdão dos pecados, através do sacramento da Penitência, não em diminuirmos aos seus olhos a grandeza e a dignidade do seu amor conjugal.

5. "Abramos sempre mais largamente os olhos — o olhar da alma — para compreender melhor o que significa perdoar os pecados e reconciliar as consciências humanas com o Deus infinitamente santo, com o Deus da verdade e do amor".

É desse olhar profundo de nossa alma sacerdotal que os esposos têm necessidade, que toda a Igreja tem necessidade. Para que os esposos, para que toda a Igreja louve o Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, imersa na contemplação daquele amor e daquela verdade com as quais vós reconciliais a consciência humana dos esposos.

Invocando sobre o vosso ministério a confortante efusão dos copiosos dons da sabedoria e da caridade, de coração vos concedo minha bênção apostólica.

Fonte: Santa Sé | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Homilia durante celebração conclusiva do Jubileu do Clero (23 de fevereiro de 1984), n. 4.
  2. Santo Agostinho, Confissões X, 23, 33. Trad. port. de Maria L. J. Amarante. São Paulo: Paulus, 1984, p. 292.
  3. Idem.
  4. Santo Agostinho, op. cit., X, 26, 37, p. 295.

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As lágrimas da Corredentora

Neste dia em que lembramos as aparições de Nossa Senhora em La Salette, recordemos também as lágrimas que derramou a Virgem das Dores enquanto pendia na Cruz o seu Filho muito amado.

Neste dia em que lembramos as aparições de Nossa Senhora em La Salette, recordemos também as lágrimas que derramou a Virgem das Dores " dum pendebat Filius", enquanto pendia na Cruz o seu Filho muito amado.

Ali, no madeiro bendito de que nos veio a salvação, duas almas santas se uniam em sacrifício: enquanto a carne de Cristo sofria a paixão, sua mãe padecia de compaixão; enquanto Jesus derramava propiciamente o seu sangue, Maria Santíssima deitava as suas lágrimas, chorando tudo o que nossa indiferença e dureza de coração nos tornam incapazes de chorar.

Ouçamos com atenção esta homilia do Padre Paulo Ricardo, proferida no último dia 15 de setembro, na Paróquia Cristo Rei, em Várzea Grande (MT), e aprendamos com a santíssima Mãe das Dores a chorar os nossos crimes, que tanto têm ofendido o coração de seu divino Filho.

Para fazer download deste áudio, clique aqui.

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Morre aos 91 anos o Padre Gabriele Amorth

Rezemos pelo descanso eterno dessa alma sacerdotal que tanto bem fez à Igreja com sua vida, com seu ministério e com sua doutrina.

Morreu hoje, aos 91 anos de idade, o Padre Gabriele Amorth, sacerdote da Pia Sociedade de São Paulo e um dos exorcistas mais famosos do mundo, que exercia o seu ministério na Diocese de Roma.

O sacerdote faleceu depois de ficar algumas semanas internado, devido a complicações pulmonares, no hospital da Fondazione Santa Lucia, em Roma. A notícia vem da editora italiana San Paolo, com a qual o religioso publicou numerosos livros.

Várias obras de sua autoria foram traduzidas também para o português, como "O Último Exorcista" e "O Sinal do Exorcista", da editora Ecclesiae, e "Exorcistas e Psiquiatras" e "Novos Relatos de um Exorcista", da editora Palavra e Prece.

Rezemos pelo descanso eterno dessa alma sacerdotal que tanto bem fez à Igreja com sua vida, com seu ministério e com sua doutrina. Todos os que passarem por estas linhas, ofereçam a Deus conosco uma Ave-Maria:

Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.

Requiem aeternam dona ei, Domine, et lux perpetua luceat ei. Requiescat in pace. Amen.
Dai-lhe, Senhor, o descanso eterno. E a luz perpétua o ilumine. Descanse em paz. Amém.

Com informações de ANSA.it | Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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Por que o silêncio é tão importante?

Todos os grandes santos, místicos e doutores espirituais observavam e recomendavam o silêncio como um meio seguro para a santidade. Mas por quê? O que há de tão especial na prática do silêncio?

Silêncio. Trata-se de uma palavra ao mesmo tempo atrativa e aterrorizante, capaz de sugerir, de um lado, paz e recolhimento, e de outro, medo e solidão.

Ainda que alguns considerem atrativa a ideia do silêncio, a verdade é que a maioria de nós não se dá muito bem com o recolhimento absoluto. Você já experimentou sentar-se sozinho em um cômodo só para ouvir sons nos quais nunca tinha reparado antes? O tique-taque do relógio. O barulho do ar se movendo pela tubulação. O som da geladeira ligada. Um cortador de grama trabalhando a distância. Tudo junto parece formar um quadro até mesmo um pouco irritante.

Mas talvez o que mais nos amedronte no silêncio é o fato de termos que ficar sozinhos com nossos próprios pensamentos. Ao nos recolhermos de verdade, passamos a ouvir o movimento agitado de pensamentos invadindo as nossas mentes. Nossas ansiedades e aspirações mais profundas, as questões dolorosas e situações difíceis que enfrentamos, tudo parece vir como que borbulhando para a superfície de nossa consciência, deixando-nos desconfortados.

Nós temos medo desse enfrentamento com o mais íntimo de nosso ser, dessa luta com a complexidade de nossos corações. Por isso, nossa tendência natural é abafar o silêncio com constante barulho. Quando estamos sozinhos no carro, ligamos o rádio. Em casa, deixamos a TV sempre ligada, nem tanto para assistirmos ao que está passando, só para manter uma confortante "trilha sonora" de fundo. Uma pausa no serviço ou a espera numa fila é sempre preenchida com compulsivas olhadelas no celular. Queremos tudo, menos o silêncio.

Todavia, apesar de sua natureza inquietante, são inúmeros os santos que aconselham o silêncio como uma prática necessária e indispensável para crescer na verdadeira santidade.

"No silêncio e no recolhimento progride a alma devota, e aprende os segredos das Escrituras", diz a Imitação de Cristo. "Guarda-te de falar muito", adverte São Doroteu de Gaza, "pois isso faz fugirem os pensamentos devotos e a lembrança de Deus". São Maximiliano Kolbe, por sua vez, declarava: "O silêncio é necessário, absolutamente necessário, na verdade. Onde não há silêncio, falta a graça de Deus". E muitos outros exemplos poderiam ser dados.

Ao longo dos séculos, muitas ordens religiosas colocaram esse conselho em prática, incluindo não poucas prescrições de silêncio em suas regras de vida. Talvez a mais famosa e estrita dessas ordens seja a dos Cartuxos, cuja disciplina de recolhimento é tão famosa que acabou transformada em documentário.

Não resta dúvida, portanto: todos os grandes santos, místicos e doutores espirituais prescreveram o silêncio como um meio seguro para a santidade. Mas por quê? O que há de tão especial no silêncio?

É importante entender que o silêncio, como todos os outros instrumentos da vida espiritual, não é um fim em si mesmo. Trata-se de um meio — um método para vir a conhecer Jesus Cristo. O silêncio é necessário porque nossos intelectos se encontram feridos e debilitados após a Queda. A comunhão com Deus, nosso Criador, acontecia fácil e naturalmente, assim como nos é fácil ver e ouvir. Tínhamos constantemente a consciência da sua presença. Mas o pecado rompeu essa comunhão e prejudicou nossa habilidade de conhecer a Deus no nível mais profundo de nosso ser.

Nosso intelecto débil, uma vez no controle da situação, vive agora uma tempestade caótica de pensamentos, sentimentos e emoções — assim como uma agitada nuvem de mosquitos em uma noite quente de verão. Acalmar essa tempestade espiritual e emocional é incrivelmente difícil, e a única forma de conseguir isso é encarando o problema de frente, coisa que só conseguimos fazer quando nos recolhemos o suficiente para ouvir quão perturbadas nossas almas realmente são. É verdade, isso pode ser assustador, e muitos de nós preferiríamos não fazê-lo — mas isso é absolutamente necessário para nosso progresso espiritual.

Além disso, o silêncio é necessário para escutarmos as moções do Espírito Santo e para recebermos e preservamos a graça. Deus não grita. Ele fala calma e suavemente, como o "murmúrio de uma leve brisa" (cf. 1Rs 19, 12). Os chamados do Espírito Santo jamais serão ouvidos em nossa agitação ou ativismo, mas tão somente na calmaria e no recolhimento do coração.

O silêncio também nos ajuda a preservar as graças que Deus nos manda. Assim como os mergulhadores são cuidadosos e diminuem a velocidade de seus movimentos para não desperdiçarem suas preciosas reservas de oxigênio, almas santas falam com cuidado e prudência, a fim de perservarem seu "reservatório" de graça.

Como praticar o silêncio

Agora, você deve estar se perguntando como é possível para um leigo com trabalho, e talvez até família, praticar a virtude do silêncio. Certamente sua esposa não iria gostar se, ao invés de falar com ela, você começasse a gesticular com mímicas, como se fosse um monge! Mas, ainda que a prática do silêncio para quem vive no mundo seja diferente do modo como a vive um religioso, mesmo assim ela é possível e aconselhável. Aqui vão algumas sugestões práticas.

A primeira forma de praticar o silêncio é fugir de conversas frívolas, já que "no muito falar não faltará o pecado" (Pr 10, 19). Por isso, nunca fale simplesmente por falar. As mídias sociais de modo particular encorajam o desperdício de palavras. Já vi no Facebook pessoas reclamando da cutícula, discutindo seus problemas digestivos e até postando frases enigmáticas para implorar por atenção (algo como "Eu não sei se vou aguentar mais" etc). Se você se sente tentado a começar uma coisa desse tipo, não faça. Use a boca (e os dedos, no caso) apenas quando tiver alguma coisa útil a dizer.

Segundo, o silêncio pode ser praticado freando nossas línguas quando sentimos vontade de reclamar. A reclamação é o oposto da gratidão e da ação de graças, e constitui, na verdade, um pecado. É tão fácil reclamar de uma comida, de uma pessoa rude, ou do mau tempo. Mas será que isso contribui com o bem-estar de alguém? Segure sua língua, a menos que você tenha algo louvável a dizer.

Terceiro, podemos praticar o silêncio evitando compartilhar nossa opinião sobre qualquer assunto. Sempre que alguma crise emerge no cenário nacional ou internacional, parece que todo o mundo, em todo lugar, imediatamente tem de emitir sua opinião infalível sobre o tema em questão. Mas a verdade é que muitos de nós não entendemos tão a fundo assim todos esses acontecimentos, e o mundo não tem necessidade de mais palpites. Seja sábio e guarde sua opinião para si próprio.

Quarto, podemos resistir à compulsão de preencher todo momento vago que surge com algum barulho. Se estiver dirigindo, tente deixar o rádio ou a música desligado. Se está em casa, desligue a TV. Evite ficar inconscientemente conferindo o seu celular enquanto estiver no elevador ou em alguma fila. A vida é repleta de momentos em que podemos ficar em silêncio. Abrace-os.

Finalmente, podemos manter silêncio quando sentimos vontade de criticar os outros. É muito fácil perceber os erros dos outros! Mais fácil ainda é repassar aos outros essas coisas, verdadeiras ou não, destruindo as pessoas e manchando suas reputações só para sentirmos que somos melhores. Manter o silêncio quando temos mania de criticar é difícil, mas também é muito saudável.

"A língua é um fogo, um mundo de iniquidade", diz São Tiago. Ela "está entre os nossos membros e contamina todo o corpo; e sendo inflamada pelo inferno, incendeia o curso da nossa vida" ( Tg 3, 6). Palavras têm poder, ainda que sejam ditas em voz baixa, e o que dizemos ecoará para a eternidade. Embora não sejamos monges enclausurados, podemos aprender a praticar o silêncio cada um no estado para o qual Deus o chamou, segurando nossas línguas sabiamente a fim de ouvirmos a voz de Cristo e conhecê-lO melhor.

Fonte: The Catholic Gentleman | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

| Categoria: Avisos

Adiado o programa ao vivo de hoje à noite!

Continua marcado para logo mais, às 21h, o lançamento de “O que é uma família?”, mas agora sem aula ao vivo, porque nosso sacerdote está com a voz rouca.

Inicialmente, o lançamento do curso "O que é uma família?" seria feito durante o programa ao vivo de hoje à noite, quando Padre Paulo Ricardo realizaria uma transmissão especial de direção e aconselhamento às famílias.

Um imprevisto surgiu, no entanto: o padre está com a voz rouca e falar muito, como exige uma aula, só tornaria pior a sua situação. Por isso, nosso programa de hoje foi adiado. Além de contar com a compreensão dos nossos alunos, pedimos a eles, bem como a todos os que nos visitam, que aproveitem essa ocasião para rezar pela saúde de nosso sacerdote.

De qualquer modo, continua marcada para hoje à noite a publicação do primeiro módulo de nosso projeto "Como Ser Família", que contará com as seguintes aulas:

  1. O que é uma família?
  2. Por que o homem tem família?
  3. A Redenção da família
  4. A desconstrução da família: um breve histórico
  5. Família: uma "invenção" burguesa?
  6. Sede de sentido

O lançamento de "O que é uma família?" acontecerá às 21h e essas aulas que publicaremos serão exclusivas para alunos. Faremos a divulgação desse conteúdo nas redes sociais e também na página principal de nosso site. Fique de olho!

Se você não fez ainda a sua inscrição, não perca mais tempo e venha logo ser parte ativa de nossa família!

| Categoria: Como Ser Família

A castidade não é uma repressão?

Para muita gente, ser casto é o mesmo que ser um reprimido ou um “quadrado” moralista que receia dar vazão a seus desejos. No entanto, é justamente a pureza de corpo e alma que nos permite amar com sinceridade e sermos sinceramente amados.

Ainda não é nosso aluno? Então o que está esperando? Inscreva-se agora no nosso site e venha ser família conosco!

É comum ouvir, seja da boca de médicos ou de psicólogos, que a castidade cristã é uma forma quase neurótica de repressão sexual; há quem diga ainda, sem pôr freio à língua, que se trata de algo semelhante à castração. A figura do monge casmurro, que de tanto afogar os próprios desejos vê-se obrigado a lançar-se em espinheiros ou a meter-se em banheiras de água fria, já integra hoje o imaginário algo sombrio que muitas pessoas têm a respeito dessa virtude, por assim dizer, "medieval": a santa pureza.

Os que defendem coisas tais, porém, costumam esquecer-se de que toda pessoa, ao relacionar-se com os demais, busca fundamentalmente amar e ser amada [1]. Com efeito, ao ensinar a seus filhos os caminhos que levam ao Céu e, por isso mesmo, à plena realização do homem, a Igreja Católica sempre fez questão de ressaltar que a castidade, longe de representar certa recusa ou falta de estima pela sexualidade humana [2], é justamente a expressão de uma vida sexual sadia e equilibrada; é, numa palavra, escola de amor.

Escola de amor, porque é por meio da pureza de corpo e coração que o homem, na medida em que vai aprendendo a ter domínio de si mesmo, consegue proteger "o amor dos perigos do egoísmo", estimulado pela ânsia de gozar e usar do outro, "e da agressividade" [3], fruto natural de uma vontade escravizada por suas paixões. Ser casto, nesse sentido, significa ter uma personalidade madura, que sabe relacionar-se com os outros, respeitando-lhes a dignidade e vendo neles "pessoas dignas de veneração enquanto criadas à imagem de Deus e, pela graça, filhos de Deus, novas criaturas em Cristo que 'vos chamou das trevas à sua luz admirável' (1Pd 2, 9)" [4].

Está gostando dessas reflexões? Quer saber mais sobre o que a Igreja ensina de fato sobre a castidade? Então se inscreva agora no nosso site! Tornando-se nosso aluno, você terá a oportunidade de aprender conosco #ComoSerFamília!

Referências

  1. Cf. Pedro Trevijano, Orientación Cristiana de la Sexualidad. Madrid: Voz de Papel, 2009, p. 55.
  2. Cf. João Paulo II, Encíclica "Familiaris Consortio", de 22 nov. 1981, n. 33 (AAS 74 [1982] 122).
  3. Id., ibid.; cf. Catecismo da Igreja Católica, § 2339.
  4. Conselho Pontifício para a Família, Sexualidade Humana: Verdade e Significado, de 8 dez. 1995, n. 17.

| Categoria: Como Ser Família

A partir de que idade meu filho pode namorar?

Numa época em que namoro se tornou sinônimo de “diversão”, as pessoas começam, quase que irrefletidamente, a manter relacionamentos cada vez mais jovens. Mas, afinal, com que idade é razoável permitir que os filhos iniciem um namoro?

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Uma pergunta que muitos pais se fazem diz respeito à idade em que seus filhos podem começar a namorar. Para sanar essa dúvida, é preciso, como de costume, dar um passo atrás e enfrentar um questionamento mais fundamental, mas cuja resposta nem sempre é óbvia para todos. Afinal, qual é a finalidade de um namoro? Se dissermos, seguindo a corrente do mundo, que o propósito último do namoro é divertir-se com outra pessoa, então é óbvio que não haverá problema nenhum que as crianças tenham seus namoricos desde pequenas. É o que defendem, aliás, não poucos pedagogos e psicólogos.

No entanto, a coisa muda de figura se mudarmos também a pergunta. Pois bem, a partir de que idade o meu filho deve começar a preparar-se para o casamento? Nas circunstâncias atuais, é claro que nenhum pai espera que seu filho de dez ou doze anos esteja pensando em casar-se. De fato, o mundo mudou muito de meio século para cá, de sorte que aquelas grandes famílias, em que os casais de mais idade — avós, pais, tios e tias etc. — ajudavam os casais mais novos em suas dificuldades e desafios, praticamente já não existem.

Por isso, assim como é razoável casar-se hoje em dia com certa maturidade e preparo, assim também é importante que os jovens só pensem em relacionar-se quando o casamento passa a ser um objetivo concreto de vida.

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| Categoria: Santos & Mártires

De onde vêm as críticas a Madre Teresa de Calcutá?

De onde vêm as críticas à figura de Madre Teresa de Calcutá, canonizada há poucos dias no Vaticano? Por que uma freira que passou a vida inteira servindo aos mais pobres incomoda algumas pessoas?

Sim, talvez você não soubesse, mas há quem não goste de Madre Teresa de Calcutá, a freira que estava sempre sorridente, sempre servindo aos outros e sempre falando de Deus. Embora tenha falecido há quase 20 anos, a sua figura ainda é uma "pedra no sapato" de muitas pessoas.

Por ocasião de sua canonização, realizada neste domingo pelo Papa Francisco, alguns jornais ao redor do mundo fizeram questão de ressuscitar algumas antigas polêmicas, em uma tentativa patética de desacreditar seja a santidade de Teresa, seja a idoneidade da Igreja, acusada de propor ao culto de seus fiéis personagens controversas ou moralmente duvidosas.

Mas de onde vem, afinal, o burburinho de revolta contra a religiosa de Calcutá?

Ainda que as vozes dissonantes se tenham espalhado por toda a mídia ultimamente, o crítico mais famoso de Madre Teresa já morreu. Seu nome era Christopher Hitchens e ele se encontrava, não por acaso, nas fileiras do chamado "novo ateísmo". Em 1994, três anos antes da morte da religiosa albanesa, esse jornalista produziu um documentário atribuindo-lhe o infamante título de "Anjo do Inferno" (engraçado até, para quem não acredita nem em anjos, nem em inferno).

Quando ela foi beatificada pelo Papa São João Paulo II, ainda em 2003, Hitchens voltou a soltar seus cachorros: "Nós acabamos de presenciar a elevação e consagração do dogmatismo extremista, da fé cega e o culto de uma personalidade humana medíocre", ele dizia. "Ela era uma fanática, uma fundamentalista, e uma fraude, e uma igreja que oficialmente proteja aqueles que violam os inocentes (sic) acaba de nos dar outro claro sinal de onde ela realmente se situa em questões morais e éticas".

As palavras de Hitchens são pesadas, é verdade, mas seria possível, afinal, esperarmos algo diferente de alguém que não acreditava nem em Deus, nem em santidade, nem no conceito cristão de "caridade"? Como esperar que um ateu, descrente na vida eterna, compreendesse uma mulher que se gastou completamente por isso? Como esperar que um materialista, para o qual nada havia além deste mundo, compreendesse o discurso e a obra de uma pessoa que testemunhava diariamente o Céu?

Alguém poderá dizer que essas questões não contemplam a totalidade da crítica de Hitchens. Mas, para o teólogo e escritor americano Thomas D. Williams, que consultou toda a literatura "dedicada a manchar o legado de Madre Teresa":

"Todos os argumentos contra ela, na verdade, podem ser resumidos em duas coisas que, para a esquerda, são absolutamente imperdoáveis: sua firme e intransigente oposição ao aborto e sua espiritualidade abertamente cristã que a fazia entregar-se por seus irmãos. Todas as outras razões apresentadas — que ela prestava uma assistência médica precária, que ocasionalmente se irritava com suas ajudantes, que aceitava doações de personagens moralmente ambíguas — não passam de uma máscara para cobrir essas razões que levam a esquerda ao ponto da histeria."

Trocando em miúdos, a razão por que muitos não gostavam — e ainda não gostam de Madre Teresa — é o fato de ela ser profundamente católica.

Santa Teresa de Calcutá não tinha medo de dizer, por exemplo, que "o maior inimigo da paz hoje é o aborto, porque ele é uma guerra direta, um assassínio direto feito pela própria mãe". A religiosa disse-o uma vez, quando foi premiada com o Nobel da Paz, em 1979, e voltou a falar do assunto em 1994, nos Estados Unidos: "Se nós aceitamos que uma mãe pode matar até mesmo seu próprio filho, como vamos dizer às outras pessoas para que não se matem?", ela perguntava, com destemor, a uma plateia que incluía o casal Bill e Hillary Clinton. "Com o aborto, a mãe não ensina a amar, mas mata inclusive o próprio filho para resolver seus problemas. Qualquer país que aceite o aborto está ensinando seu povo não a amar, mas a usar de qualquer violência para chegar aonde quer."

As palavras incisivas dessa humilde freira sobre o aborto, é preciso dizer, não têm nada de religiosas. Madre Teresa não invoca nenhuma revelação divina ou dogma católico para condenar o aborto e a sua legalização. Para se opor a essa prática, basta o bom senso. Mas, quando boa parte da sociedade está cega e incapaz de compreender os elementos mais básicos da lei natural, denúncias como essa inevitavelmente fazem inimigos. O próprio Hitchens não conseguia disfarçar o seu horror a esse discurso.

Outra coisa que o inquietava a respeito de Madre Teresa era o modo como ela tratava os pobres. Hitchens afirma que ela "não era uma amiga dos pobres, mas da pobreza", porque "dizia que sofrer era um presente de Deus e passou a vida toda se opondo à única cura conhecida para a pobreza (sic), que é o empoderamento das mulheres e a sua emancipação de uma vida inteira de reprodução compulsória".

Nesse ponto, porém, as acusações provêm de outra confusão elementar: congregações religiosas e instituições cristãs de caridade não são ONGs ou entidades meramente seculares; não são o Ministério da Saúde, para sair às ruas distribuindo contraceptivos, muito menos alguma sucursal do Partido Comunista ou da Teologia da Prosperidade, para ficar prometendo riquezas e felicidade neste mundo. As Missionárias da Caridade são católicas e, como tal, são regidas pela lei suprema da Igreja, que é a salvação das almas. Por isso, as irmãs de Madre Teresa não só cuidam de aliviar o sofrimento dos pobres, mas também de ministrar-lhes os sacramentos e ensinar-lhes a se unirem a Cristo crucificado; não só empenham seus esforços em trabalhar, mas principal e soberanamente em rezar; não operam somente tendo em vista o pão terreno, mas buscando em primeiro lugar o Pão do Céu.

Aqui reside, enfim, a razão central de todas as críticas a Madre Teresa de Calcutá. O que incomodava particularmente em sua vida era justamente o seu olhar dirigido ao Céu, quando todos hoje em dia insistem em manter os olhos fixos nas ninharias deste mundo. "Ela aberta e destemidamente invocava o amor de Jesus Cristo como a razão por trás de tudo o que fazia, uma prática repugnante para um mundo completamente desprovido de qualquer piedade religiosa", observa Thomas Williams, em artigo publicado no site Breitbart.

Emblemática nesse sentido é a história do jornalista americano que, desconcertado ao ver Teresa lavando um homem coberto de chagas, disse a ela: "Eu não faria isto nem por um milhão de dólares", ao que ela lhe respondeu: "Nem eu".

Era, afinal, tão somente por amor de Deus que Santa Teresa de Calcutá fazia tudo o que fazia. Se já é difícil que muitos de nós, católicos, hipnotizados que estamos pelos amores das criaturas, compreendamos e aceitemos isso, quanto mais não deve ser difícil, então, para aqueles que andam a esmo e não acreditam em Deus! Como sempre há esperança, porém, para eles e também para nós é que Teresa está no Céu. Que, pela sua intercessão, os que não crêem passem a ter fé, porque "quem não crer será condenado" (Mc 16, 16), e os que já crêem, enfim, passem a amar, uma vez que "a fé sem obras é morta" (Tg 2, 26).

Por Equipe Christo Nihil Praeponere