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Onde não está o Espírito de Deus, está Satanás

“Assim como nada pode ser mais ditoso que possuir o Espírito Santo em nossa alma, nada pode ser mais terrível do que estar sem esse divino Hóspede. Onde não está o Espírito de Deus, aí está Satanás.”

Segunda-feira na Oitava de Pentecostes

Da alegria de ter o Espírito Santo na alma

Consideremos, em primeiro lugar, com que ditoso hóspede se entretém a alma, quando tem dentro de si o Espírito Santo. Ele é chamado na Escritura de Paráclito ( Qui diceris Paraclitus), nome que significa, ao mesmo tempo, "consolador" e "intercessor": consolador, por causa das graças e consolações que Ele comunica à alma, tornando doces, em sua peregrinação mortal, todas as suas cruzes e trabalhos, e ajudando-a a superar todas as dificuldades e oposições; e intercessor, por suplicar para ela o espírito de oração, que Ele mesmo inspira, ensinando-a a rezar, agindo com ela e nela.

Ele é chamado o dom do Altíssimo por excelência ( altissimi donum Dei), o maior presente que Deus nos pode conceder. Afinal, o que pode Ele nos dar que seja maior do que Ele mesmo? Ele é dom que abarca, pois, todos os outros.

Ele é chamado de fonte viva ( fons vivus), ou fonte de água viva, jorrando para a vida eterna, revigorando o homem interior, amenizando o fogo da concupiscência, extinguindo toda sede pelas coisas deste mundo, e regando a alma com uma corrente perene de graças.

Ele é chamado de fogo ( ignis), pelas chamas vivas de amor com que incendeia a alma; de unção da alma (spiritalis unctio), por difundir com doçura a Si mesmo por toda a alma, dando-lhe força e vigor. Ó, que mais pode querer a alma que com um tal hóspede se entretém? Não se antecipa nela, em certa medida, a alegria do Céu, tendo dentro de si o Rei dos céus com todas as suas graças?

Consideremos, em segundo lugar, os frutos benditos que produz na alma a presença do Espírito Santo, tais como os enumera São Paulo (cf. Gl 5, 22-23) e ensina a Tradição da Igreja:

  1. A caridade — que abrange o amor de Deus, por sua própria bondade infinita, e o amor do próximo, em Deus e por Deus —, fruto tão notável nos primeiros cristãos depois que eles receberam o Espírito Santo, ao ponto de os Atos dos Apóstolos dizerem que, por seu amor a Deus, "a multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma" (At 4, 32).
  2. A alegria, provinda do testemunho de uma boa consciência (cf. 2Cor 1, 12), bem como de percebermos a presença desse divino Hóspede, e experimentarmos a sua doçura.
  3. A paz com Deus, com nosso próximo e conosco mesmos, uma paz que não é concedida aos perversos.
  4. A paciência em suportar cruzes e adversidades, as quais torna leves e suaves este Espírito celeste.
  5. A benignidade, ou gentileza, em aliviar os aflitos.
  6. A bondade, que é como uma vontade de comunicar tudo que há de bom ao nosso próximo.
  7. A longanimidade, que é a disposição de sofrer com perseverança, sem desanimar, a fim de vencer o mal com o bem.
  8. A mansidão em conter a própria cólera e suportar injúrias.
  9. A fidelidade a todos os nossos compromissos, seja com Deus seja com nosso próximo.
  10. A modéstia, moderação em todas as coisas, regulando todo movimento seja do nosso corpo seja da nossa alma.
  11. A continência, que é temperança em refrear todas as nossas inclinações desordenadas.
  12. A castidade, que preserva seja o corpo seja a alma das impurezas da luxúria.

Ó que frutos felizes são estes! E quão feliz é a alma na qual o Espírito de Deus produz todos estes frutos! Ó alma minha, traz este Espírito celeste para dentro de tua casa interior, entretém-te aí com Ele, e todos estes frutos serão teus!

Consideremos em terceiro lugar que, assim como nada pode ser mais ditoso que possuir o Espírito Santo em nossa alma, nada pode ser mais miserável do que estar sem esse divino Hóspede. Onde não está o Espírito de Deus, aí está Satanás. E, ai de nós!, pode haver miséria maior que ser possuído por Satanás? "Se alguém não tem o Espírito de Cristo", diz o Apóstolo, "não pertence a Cristo." ( Rm 8, 9). Se não pertence a Ele, a quem pertence então? Que lugar poderia ele tomar no Corpo de Cristo ou no seu Reino?

Ó, quão verdadeiro é o que a Igreja canta nestes tempos, em sua súplica ao divino Espírito: Sine tuo numine, nihil est in homine, nihil est innoxium, isto é, sem a luz da divindade, nada há no homem, nada que seja inocente (em nossa tradução litúrgica: "Sem a luz que acode, nada o homem pode, nenhum bem há nele"). Temamos, pois, a miséria de ficar sem Ele, e fujamos de todos os males que O possam afastar de nós.

Não negligenciemos, por fim, nada que esteja em nosso poder, pelo qual devemos procurar para nossa alma a alegria de ser um templo do Deus vivo e de ter aí o Espírito Santo, não apenas como um visitante, mas fazendo morada definitiva em nós, tanto no tempo como na eternidade.

Por Dom Richard Challoner — Meditations | Tradução e adaptação: Equipe CNP

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O Domingo de Pentecostes e a descida do Espírito Santo

Através da descida do Espírito Santo, os doze são “completamente transformados em outros homens” e, “de fracos e covardes que eram antes, tornam-se agora, de repente, corajosos e perfeitos”.

Nesta primeira meditação para a semana de Pentecostes, o bispo inglês Richard Challoner, do século XVIII, ajuda-nos a fazer um exame espiritual da primeira leitura de hoje, retirada dos Atos dos Apóstolos.

Através da descida do Espírito Santo, os doze são “completamente transformados em outros homens" e, “de fracos e covardes que eram antes, tornam-se agora, de repente, corajosos e perfeitos".

Domingo de Pentecostes

Da descida do Espírito Santo

Consideremos, em primeiro lugar, que na festa de Pentecostes, quando os discípulos estavam todos reunidos juntos, "de repente, veio do céu um ruído como de um vento forte, que encheu toda a casa em que se encontravam. Então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia expressar-se" ( At 2, 2-4). Assim receberam eles o Consolador prometido, com todos os seus dons e graças. Assim foram eles completamente transformados em outros homens. De fracos e covardes que eram antes, eles se tornam agora, de repente, corajosos e perfeitos. Começam a pregar com audácia, a proclamar a fé e a lei de seu Senhor crucificado, e trazem milhares de pessoas para abraçá-las.

Ó Espírito celeste, quão maravilhosas são vossas obras! Ó quando realizareis semelhante transformação em minh'alma! Cristãos, louvai e bendizei o vosso Deus por enviar dessa maneira o seu Espírito Santo sobre sua Igreja, e por todas as maravilhas que ele operou em sua primeira fundação. Os israelitas observavam a solenidade de Pentecostes como uma das três principais festas do ano, porque nesse dia a antiga lei fôra publicada, do monte Sinai, em meio a relâmpagos e trovões. Quanto mais não devem os cristãos religiosamente observar essa solenidade, já que nesse dia, do monte Sião, a nova lei da graça e do amor foi publicada, com a descida do Espírito Santo em línguas de fogo.

Consideremos, em segundo lugar, que o Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos em forma de línguas, significando que Ele veio para torná-los pregadores aptos da Palavra; veio para dotá-los com o dom de línguas, com a sabedoria celeste e a inteligência dos mistérios de Deus e de todas as verdades do Evangelho, a fim de que eles se tornassem capazes de ensinar e proclamar, por todo o mundo, a fé e a lei de Cristo!

E essas línguas eram de fogo, para mostrar como o Espírito divino age nessas almas: inflamando-as com o incêndio do divino amor; consumindo a escória de seus apegos mundanos; colocando nelas uma moção contínua de desejos e esforços sinceros por progredir, de virtude em virtude, assim como o fogo está sempre em movimento; e levando-as para o alto, em direção ao Deus dos deuses, na Sião celeste, assim como a chama está sempre se elevando para o alto. Ó fogo bendito, vinde e tomai posse de meu coração, consumi todos estes fios que o mantêm atado à terra e levai-o convosco, rumo à fornalha celeste donde viestes! Ó doce Jesus, Vós que dissestes: "Fogo eu vim lançar sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso" (Lc 12, 49), lançai este fogo dentro de minh'alma, para que aí ele fique aceso!

Consideremos, em terceiro lugar, que a vinda do Espírito Santo foi uma graça prometida não apenas aos Apóstolos e cristãos dos primeiros séculos, mas ao povo de Deus através de todas as eras. "Eu pedirei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, que ficará para sempre convosco: o Espírito da Verdade" ( Jo 16, 17). Ele foi destinado a estar para sempre: com os pastores da Igreja de Deus, conduzindo-os à plena verdade, ao ensinar o povo de Deus; e com as ovelhas de Cristo, conduzindo-as em sua fé e em sua vida, e sendo a fonte de toda graça para suas almas. Sendo assim, ainda que agora não mais devamos procurar a descida visível do Espírito em línguas de fogo, nós estamos no entanto habilitados, se sinceramente O procuramos e recorremos a Ele, a esperar uma participação em suas graças e comunicações invisíveis, e a aspirar à honra e à alegria de sermos templos dEle.

Cristãos, que alegria não é, de fato, ter o Espírito de Deus em nós! A isto nós todos devemos aspirar com todas as nossas forças! É esta a grande devoção deste tempo santo! Por isto nós devemos suplicar em todos os momentos!

Concluamos, enfim, com este humilde pedido da Igreja ao divino Espírito: "Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor", ou com aquele outro do hino sacro: "Ó vinde, Espírito Criador, as nossas almas visitai e enchei os nossos corações com vossos dons celestiais." Repitamos com frequência essas orações e outras semelhantes, e confiemos na infinita bondade dAquele que se deleita em estar entre os filhos dos homens, vindo até eles e fazendo neles a sua morada.

Por Dom Richard Challoner — Meditations | Tradução e adaptação: Equipe CNP

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A importância de Fátima na batalha pela vida e pela família

Nossa resposta à cultura perversa deste século é nossa renovação espiritual e conversão contínuas. Estamos sendo chamados à santidade.

"A mensagem de Fátima, no seu núcleo fundamental, é o chamamento à conversão e à penitência, como no Evangelho. Este chamamento foi feito nos inícios do século vinte e, portanto, foi dirigido, de um modo particular a este mesmo século. [...] O apelo à penitência é um apelo maternal; e, ao mesmo tempo, é enérgico e feito com decisão." [1]

(Papa São João Paulo II)

Por Pe. Shenan J. Bouquet — Neste ano de 2017, a Igreja celebra o Centenário dos milagrosos eventos ocorridos em Fátima, recordando a maravilhosa aparição de nossa Mãe do Céu e a mensagem de vida que Ela nos veio trazer. Considerando o significado desse acontecimento e o que ele tem a dizer ao mundo de hoje, lembro-me de algo que a Irmã Lúcia escreveu em uma carta ao Cardeal Caffarra:

" O confronto final entre o Senhor e o reino de Satanás será sobre a família e sobre o matrimônio", ela escreveu. "Não tenha medo, porque qualquer um que trabalhar pela santidade do matrimônio e da família será sempre combatido e contrariado de todos os modos, porque este é o ponto decisivo. No entanto, Nossa Senhora já lhe esmagou a sua cabeça."

Nas minhas muitas viagens, eu experimento em primeira mão as proféticas palavras da Ir. Lúcia quanto ao Matrimônio e à família. Essas instituições sagradas estão no coração da batalha porque se referem aos fundamentos mesmos da Criação, ou seja, à verdade sobre a relação entre o homem e a mulher, feitos à imagem e semelhança de Deus. Se essas instituições divinas são comprometidas, então se põe em perigo de ruir todo o edifício.

Não devemos ver a mensagem de Fátima meramente como um momento histórico, mas antes como uma mensagem viva propositadamente para os dias de hoje. A crise moral que vemos no mundo demanda de nossa parte orações, penitências e sacrifícios. Nossa resposta à cultura perversa deste século é nossa renovação espiritual e conversão contínuas. Estamos sendo chamados à santidade.

Pelo exemplo dos videntes Francisco, Jacinta e Lúcia, nós somos impelidos a oferecer atos de mortificação com virtude heroica. Do alto de suas inocências, as duas crianças mais jovens, Francisco e Jacinta, ofereceram-se como vítimas de expiação. A Ir. Lúcia, por sua vez, avisada de que teria pela frente uma longa vida, gastaria o resto de seus dias no serviço da oração e da mortificação pela salvação das almas. Tendo perguntado a Nossa Senhora, de fato, se ela os levaria para o Céu, a resposta recebida foi esta:

A Jacinta e o Francisco levo-os em breve, mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer servir-se de ti para Me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no Mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração. A quem a abraçar, prometo a salvação, e serão queridas de Deus estas almas, como flores postas por Mim a adornar o Seu trono.

— Fico cá sozinha? — disse, com tristeza [Lúcia].

— Não, filha. Eu nunca te deixarei. O Meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus. [2]

O apelo de Nossa Senhora para rezar e fazer penitência, ao qual as crianças responderam com alegria e completa obediência, também se aplica a nós. A luta pela santidade, através da mortificação dos nossos sentidos, torna-nos fervorosos na oração; dá-nos força interior para resistir às tentações; ajuda a nos desapegarmos de preocupações mundanas; e liberta o nosso coração, por fim, de vaidades terrenas. A busca da santidade aumenta a clareza de pensamento, fazendo-nos mais sensíveis ao discernimento do que é sagrado e do que é abominável aos olhos de Deus.

O inimigo também conhece o significado do Matrimônio e da família, e é por isso que os ataca — assim como atacou Adão e Eva, nossos primeiros pais. O Matrimônio é a única instituição que une os pais aos seus filhos, que reconhece o direito natural de uma criança a ter um pai e uma mãe. A família é a primeira célula da sociedade, a "Igreja doméstica", o primeiro governo, a primeira escola, o primeiro hospital, a primeira economia e a primeira instituição mediadora da sociedade. Dentro dessa escola primária, os filhos aprendem os valores da moral e do Evangelho, os quais dão forma, em última instância, às nossas culturas e sociedades. Toda a sociedade passa, afinal de contas, pela família, que é a primeira de todas as escolas.

É certo que defender a verdade sobre a vida, o Matrimônio e a família é uma tarefa custosa. As crianças de Fátima, por exemplo, sofreram bastante por causa das aparições. Familiares e amigos perseguiram-nas. Os jornais conduziram uma campanha implacável para desacreditar tanto as aparições quanto os videntes. Mesmo assim, apesar de todo o tratamento negativo, os três suportaram tudo com paciência e caridade, lembrando sempre do pedido de Nossa Senhora para que oferecessem os seus sacrifícios em favor dos pobres pecadores.

Ao entrarmos no bom combate sobre o Matrimônio e a família, entramos cientes de que também nós seremos cercados pelo ódio e pela rejeição. "Se o mundo vos odeia, sabei que primeiro odiou a mim", lembra-nos Nosso Senhor. "Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como ama o que é seu; mas, porque não sois do mundo, e porque eu vos escolhi do meio do mundo, por isso o mundo vos odeia." (Jo 15, 18-19) Estamos diante de duas visões opostas: uma enraizada no caminho da obediência e da vida, e outra no da desobediência e da morte.

Sabemos também que os ataques contra o plano divino para o Matrimônio e a família não vêm só de fora da Igreja, mas também de dentro — nascidos dos pecados a que dão origem a desobediência, a divisão e a heresia. É por isso que a Igreja, povo de Deus, precisa da mensagem de Fátima como uma lembrança constante do chamado universal à penitência, à conversão e à renovação. Somente neste espírito, renovação de coração e de alma, poderemos ser o fermento na massa de que fala o Evangelho (cf. Lc 13, 18-21). "No amor não há temor. Ao contrário, o perfeito amor lança fora o temor" (1Jo 4, 18). Nós obtemos forças e conforto de Nossa Senhora de Fátima, que lembrou à Ir. Lúcia que ela não estaria sozinha nessa grande batalha — no seu Imaculado Coração nós encontramos refúgio.

Ainda temos muito a aprender com Nossa Senhora de Fátima. A sua mensagem é um sinal de esperança para um mundo destruído pelo confronto e pela discórdia. E nossa resposta aos ataques desferidos contra o Matrimônio, a família e a sociedade é a mesma hoje como 100 anos atrás: arrepender-nos de nossos pecados e obedecer à vontade de Deus.

Nossa Senhora de Fátima,
rogai por nós!

Fonte: Human Life International | Tradução e adaptação: Equipe CNP

Referências

  1. Homilia no Santuário de Nossa Senhora do Rosário, em Fátima, 13 de maio de 1982.
  2. Luís Kondor (org.), Memórias da Irmã Lúcia. Introdução e notas de Joaquín M. Alonso. 13. ed., Fátima: Secretariado dos Pastorinhos, 2007, p. 192.

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“Os comunistas têm medo de Nossa Senhora de Fátima”

Cardeal e bispo emérito de Hong Kong fala sobre a situação da Igreja na China: “os comunistas têm medo de Nossa Senhora de Fátima”, ao ponto de impedirem que imagens suas entrem em território chinês.

A convite de Ajuda à Igreja que Sofre (ACN), o cardeal Joseph Zen Ze-kiu esteve presente ao Dia de Encontros promovido pela fundação no campo de peregrinos da cidade alemã de Kevelaer, no dia 13 de maio. O cardeal conversou com Berthold Pelter a respeito do papel da Igreja na reconstrução da sociedade chinesa e explicou por que os comunistas têm tanto medo de Nossa Senhora de Fátima.

ACN: Ao longo das últimas quatro décadas, a República Popular da China passou por uma profunda mudança social; reformas, sobretudo as econômicas, permitiram que o país se tornasse uma das maiores potências econômicas e tecnológicas do mundo. Que papel a ideologia comunista tem ainda hoje nesse processo?

Cardeal Joseph Zen Ze-kiu: Na verdade, a liderança política na China nunca levou a ideologia comunista muito a sério; pelo contrário, o comunismo chinês é uma forma velada de imperialismo. Prova disso é a corrupção desenfreada, mesmo dentro do Partido. Tudo gira em torno do poder. A única coisa que importa é a total obediência à autoridade do Estado. E devido à abertura do setor econômico e ao crescente enriquecimento as coisas só têm piorado. A riqueza alimenta a corrupção e a eleva a níveis ainda mais críticos.

ACN: Analistas políticos afirmam que, durante o governo do atual presidente, Xi Jinping, a situação dos direitos humanos agravou-se de fato. O que o sr. disse a este respeito?

Cardeal Joseph Zen Ze-kiu: No início, eu tinha grandes esperanças, porque o presidente tomara medidas contra a corrupção no governo e na sociedade; mas logo se tornou claro que ele estava apenas interessado no poder. Os que lutam pelos direitos humanos são reprimidos, perseguidos, humilhados e condenados em julgamentos favoráveis à imagem que se quer passar do governo dele.

ACN: O sr. poderia contar-nos alguma coisa sobre o atual estado das negociações entre o governo chinês e a Santa Sé?

Cardeal Joseph Zen Ze-kiu: Infelizmente, pouco se sabe dessas conversas. Existem ainda muitos outros problemas. A minha expectativa é de que as negociações demorem ainda bastante tempo. Na minha opinião, as lideranças estatais não vão aceitar nenhum acordo que não seja a submissão da Igreja à autoridade do Partido Comunista. Bispos da "igreja subterrânea", por exemplo, foram obrigados a participar de cursos de preparação política durante a Semana Santa e não puderam, por isso, celebrar a Missa com os fiéis. O Papa Bento XVI falou em 2007 sobre reconciliação em sua carta aos católicos na China, e para ele isso significa, antes de tudo, reconciliação espiritual. Mas há muito ainda por ser feito!

ACN: Isso soa bastante pessimista. O que o sr. acha que acontecerá com o cristianismo na China?

Cardeal Joseph Zen Ze-kiu: Tudo depende de que consigamos ou não viver a nossa fé de modo autêntico, sem fazer concessões. Há cristãos na China que corajosamente defendem uma sociedade melhor. Muitos deles, porém, estão presos! Se o comunismo cair um dia, então os católicos deverão estar entre os responsáveis por construir uma nova China. Em todo o caso, isso só vai funcionar se os católicos não mancharem hoje a própria credibilidade fazendo concessões medrosas aos comunistas.

ACN: Nos últimos dias, nós católicos estamos comemorando as aparições de Nossa Senhora de Fátima, ocorridas há exatos cem anos. As mensagens de Nossa Senhora de Fátima alertam-nos para a ideologia atéia do comunismo. Os católicos na China têm conhecimento delas?

Cardeal Joseph Zen Ze-kiu: Claro que sim! Todos nós já ouvimos falar das mensagens de Fátima. Até mesmo os comunistas! Elas os deixam muito preocupados. Os comunistas, na verdade, têm medo de Nossa Senhora de Fátima. A coisa toda tem-se tornado ridícula; por exemplo, os comunistas não se opõem a que alguém vindo de outro país entre na China com estampas de "Maria Imaculada" ou representações da imagem milagrosa de "Maria Auxiliadora"; imagens de "Nossa Senhora de Fátima", no entanto, estão proibidas. Eles consideram os acontecimentos de Fátima "anticomunistas", o que, é claro, não é mais do que a verdade!

ACN: Então, o governo faz distinções. E, além disso, a veneração à Maria sob o título de "Auxílio dos cristãos" tem um significado especial para a China: no dia de sua festa, 24 de maio, a Igreja Católica promove em todo o mundo um dia de oração pela igreja chinesa; foi o Papa Bento XVI quem o introduziu em 2007. Qual a relevância deste dia de oração?

Cardeal Joseph Zen Ze-kiu: A veneração a Nossa Senhora sob o título de "Auxílio dos cristãos" está profundamente enraizada na China, e isso há muito tempo. Esse título refere-se não apenas ao socorro de cada fiel em particular, mas também ao da Igreja como um todo. O principal perigo na China, hoje em dia, é o ateísmo materialista. Infelizmente, esse dia de oração, o qual vale para a Igreja Católica ao redor de todo o mundo, é muito pouco conhecido; ele não é vivido com a devida seriedade.

Fonte: ACN International | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

| Categoria: Sociedade

“Pobres filhos de uma sociedade que já não reconhece o Mal”

Da Itália, a carta aberta de “um velho bispo que ainda crê em Deus, em Cristo e na Igreja”, às vítimas do atentado terrorista de Manchester, ocorrido esta semana, na Inglaterra.

Queridos filhos,

Quero chamá-los assim, mesmo que não os conheça. Mas, nas longas horas de insônia que seguiram ao anúncio deste terrível ataque, em que muitos de vocês já morreram e muitos ficaram feridos, eu os senti ligados a mim de uma forma especial.

Vocês vieram ao mundo, muitas vezes sem ser desejados, e ninguém lhes deu as "razões adequadas para viver", como dizia o grande Bernanos a seus contemporâneos adultos. Vocês foram entregues ao mundo sob dois grandes princípios: que podiam fazer o que quisessem, pois cada desejo de vocês é um direito; e a importância de se ter o maior número possível de bens de consumo.

Vocês cresceram assim, acreditando que tivessem tudo. E quando vocês tinham algum problema existencial — antigamente se dizia assim — e o comunicavam aos seus pais, aos seus "adultos", logo tratavam de agendar um psicanalista para resolver o problema. Eles só se esqueciam de dizer a vocês que existia o Mal. E o Mal é uma pessoa, não um conjunto de forças e energias. É uma pessoa. Esta pessoa estava escondida ali, durante o concerto. E a terrível asa da morte, que a acompanha, se apoderou de vocês.

Meus filhos, vocês morreram assim, quase sem razões, do mesmo jeito como viveram. Não se preocupem, afinal ninguém os ajudou a viver; mas farão certamente um belo funeral, no qual se expressará ao máximo esta oca retórica laicista, com todas as autoridades presentes — incluindo, infelizmente, até os religiosos —, todos de pé, em silêncio. Naturalmente, será um funeral em espaço aberto, mesmo para os que têm fé, já que hoje em dia o único templo é a natureza.

Robespierre riria de tudo isso, pois nem mesmo ele teve essa fantasia. Aliás, nas igrejas não se fazem mais funerais, pois, como diz agudamente o cardeal Robert Sarah, agora nas igrejas católicas só se celebram os funerais de Deus. Os "adultos" não se esquecerão de colocar nas calçadas os seus bichinhos de pelúcia, as memórias de sua infância, de sua primeira juventude. E depois tudo será arquivado na retórica daqueles que não têm nada a dizer sobre tragédias, pois nada têm a dizer sobre a vida.

Espero que, nesse momento, pelo menos alguns destes gurus — culturais, políticos e religiosos — contenham as palavras e não nos atropelem com os discursos habituais, dizendo que "não se trata de uma guerra de religião", que "a religião é, por natureza, aberta ao diálogo e à compreensão". Espero que haja um instante silencioso de respeito. Antes de tudo, pelas suas vidas, ceifadas pelo ódio do demônio, mas também pela verdade. Pois os "adultos" deviam, antes de tudo, ter respeito pela verdade. Podem não servi-la, mas devem ter respeito por ela.

Seja como for, eu que sou um velho bispo que ainda crê em Deus, em Cristo e na Igreja, vou celebrar a missa por todos vocês no dia do seu enterro, para que do outro lado — quaisquer que tenham sido suas práticas religiosas — vocês encontrem o rosto querido de Nossa Senhora, e que, apertando vocês em seu abraço, os console desta vida desperdiçada, não por culpa de vocês, mas por culpa dos seus "adultos".

Por Dom Luigi Negri — La Nuova Bussola Quotidiana | Tradução: José Carlos Zamboni

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“O mistério da nossa Ascensão”: meditação do Pe. Divo Barsotti

“A nossa ascensão a Deus implica um escondimento de nossa parte, o nosso desaparecimento. Quanto mais o homem se dirige para Deus, tanto mais se esconde na humildade.”

O texto que tornamos disponível a seguir recolhe uma breve meditação do Padre Divo Barsotti, proferida no dia 6 de maio com o título de "O mistério da nossa Ascensão". Divo Barsotti é, sem dúvida nenhuma, um dos místicos mais significativos do século XX. Com seus ensinamentos foram saciadas muitas gerações de católicos e pessoas em busca de um sentido para a sua vida.

Estamos felizes de poder oferecer este texto numa versão eletrônica para todos aqueles que querem usufruir dele para a própria edificação. Devido à sua extensão — relativamente maior do que as matérias que estamos acostumados a publicar no Blog —, preferimos publicar o texto, na íntegra, em formato PDF. Abaixo, deixamos apenas os primeiros parágrafos desta meditação. Para acessá-lo completo, basta clicar aqui ou nas reticências entre colchetes, ao fim do excerto.

A Ascensão é um mistério muito importante na vida espiritual do cristão porque é a Festa que apresenta o objetivo da nossa própria vida e, por isso, ordena, de alguma forma, o nosso caminho.

Também a nossa vida espiritual é uma ascensão, um caminho não tanto através do deserto, não tanto uma ascensão ao Sinai, quanto uma ascensão ao Céu, com Jesus. O objetivo do nosso caminho não é mais uma terra além do Jordão, e não é mais o cume do Sinai, é o próprio Seio do Pai, é o Céu, onde Deus se manifesta, onde nós viveremos na visão de Deus.

Moisés sobe ao Sinai para falar com Deus face a face, como um amigo costuma falar com um outro amigo, diz o Livro do Êxodo. Mas para encontrar-se com Deus, deve ir além das nuvens, de um modo a tornar-se invisível e escondido aos olhos do povo. Moisés vai além da nuvem e Jesus faz o mesmo. A nossa ascensão a Deus implica um escondimento de nossa parte, o nosso desaparecimento. Quanto mais o homem se dirige para Deus, tanto mais se esconde na humildade.

Jesus está presente entre nós, a Ascensão não o deixou afastado. Eu estarei convosco até a consumação dos séculos. Jesus está conosco, e não somente como Deus, mas também como Homem. A sua Humanidade ressuscitada da morte está conosco. Ele vive com o homem, na verdade, vivendo com o homem, e vivendo com o homem na glória que lhe pertence como o Filho Unigênito. Ele permanece escondido a todo olhar: a sua Ascensão gloriosa o subtrai da nossa vista. Na medida em que esta Humanidade se torna participante da vida divina, das propriedades próprias da Divindade, esta Humanidade se esconde, torna-se invisível. Não é que Ele não viva, mas se subtrai a nós de modo a não mais viver conosco, não, Ele vive e é, pelo contrário, a vida do mundo. Ele vem e mora entre os homens, mesmo que ninguém o descubra, mesmo que ninguém o veja, escute: neste silêncio Ele vive! Em um silêncio assim Ele permanece escondido.

Assim a vida humana: quanto mais a alma se eleva, na medida em que se eleva, entra na nuvem; na medida em que a alma se eleva para Deus, subtrai-se das experiências sensíveis; na medida em que a alma entra em comunhão com Deus, ao mesmo tempo, praticamente se dissipa diante dos olhos dos homens. Quanto mais uma alma é santa, tanto menos se pode dela falar; dos maiores santos se pode dizer bem pouco. Bem pouco se pode dizer da própria Virgem Maria, a Santa dos Santos; mas pouco se pode dizer também de São João da Cruz e de Santa Teresa do Menino Jesus. Eles viveram constantemente na luz de Deus, e a luz de Deus os envolve e os esconde. A divina Presença subtrai estas almas de toda relação com as coisas: não vivem mais na superfície, mas estão mergulhadas no Abismo. Como o mar: agita-se na superfície, mas no profundo permanece imóvel. E a alma é assim também.

[...]

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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“Nossa Senhora veio aqui porque queria curar o Padre Pio”

O Padre Pio esteve uma vez severamente doente, de cama, e Nossa Senhora de Fátima fez-lhe uma visita para curá-lo.

Quase todo o mundo conhece Nossa Senhora de Fátima. Quase todo o mundo já ouviu falar de São Padre Pio. Mas quantos sabem que o Padre Pio esteve uma vez severamente doente, de cama, e Nossa Senhora de Fátima fez-lhe uma visita para curá-lo?

O evento miraculoso aconteceu em 1959. Naquela primavera, a imagem de Nossa Senhora de Fátima tinha vindo de Portugal para visitar as capitais das províncias da Itália, em várias paradas. Viajando de helicóptero, a imagem de Nossa Senhora deveria seguir para Foggia, onde o bispo Paolo Carta tinha preparado uma recepção calorosa para a Santíssima Virgem. Mas houve um desvio na rota.

Mais tarde, em 1997, como bispo emérito, ele contaria essa história à fundação Voce di Padre Pio, falando um pouco sobre o amor de longa data que o Padre Pio sempre cultivou por Nossa Senhora de Fátima:

Acho que posso afirmar que na metade de século que se seguiu, ninguém dentro da Igreja deu a Fátima uma resposta mais completa do que o Padre Pio. A ansiedade maternal do Imaculado Coração de Maria pelas almas que se precipitavam no inferno, invadiu profunda e completamente o coração do Padre Pio, que fez da sua vida inteira um grande sacrifício para que Nosso Senhor livrasse as almas da condenação eterna.

O bispo sublinhou que, em Fátima, Nossa Senhora havia pedido especialmente pela oração do Rosário. "E quem poderia contar as horas que o Padre Pio passou a rezar pela conversão e salvação dos pecadores? E com que amorosa insistência ele não recomendava o Rosário a todos como meio de atingir a salvação?"

Além disso, o bispo também apontou para os incontáveis atos de mortificação, penitências e sofrimentos praticados pelo Padre Pio para salvar as almas do inferno, em resposta ao que Nossa Senhora havia pedido. "Esta resposta heroica do Padre Pio merecia um sinal de mimo materno de Nossa Senhora — e o sinal foi maravilhoso."

Para a imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima, vinda de Portugal, estava programada uma passagem pela grande cidade de Foggia, no começo de agosto. O mosteiro de San Giovanni Rotondo pertencia à diocese de Foggia, mas o Padre Pio estava severamente doente, acamado por conta de uma pleurite, desde o dia 5 de maio. Se estava impossibilitado até de celebrar a Santa Missa, quanto mais de peregrinar até Foggia!

"Mas poderia uma Mãe com um Imaculado Coração tão sensível e delicado não visitar seu filho mais querido, o Padre Pio?", conta o bispo Paolo Carta.

Por algum motivo, o itinerário mudou. A imagem não iria mais para Foggia, e sim para San Giovanni Rotondo. A alegria tomou conta dos ares enquanto as pessoas se reuniam em volta do mosteiro. Com a ajuda de um alto-falante, o Padre Pio foi capaz de prepará-los para a chegada de sua Mãe, no dia 6 de agosto.

Naquela manhã, o Padre Pio conseguiu descer até a igreja e alcançar a imagem de Nossa Senhora — "mas teve que se sentar pois estava exausto", observou o bispo, e depois "ele deu a ela um Rosário dourado". " A imagem foi rebaixada diante do seu rosto e ele lhe deu um beijo. Foi um gesto de muito carinho."

Naquele mesmo dia, entre as duas e três da tarde, Nossa Senhora de Fátima estava mais uma vez no helicóptero, pronta para partir rumo ao seu próximo destino. Decolando da Casa Sollievo della Sofferenza — construída por ideia e inspiração do Padre Pio e inaugurada a 5 de maio de 1956 —, o helicóptero deu três voltas em torno do mosteiro antes de voar em direção à sua próxima parada. (Nem o piloto da aeronave conseguiu explicar, depois, por que se deram aquelas voltas.)

O bispo Paolo Carta descreveu ainda como, "de uma janela, o Padre Pio viu o helicóptero voar para longe, com os olhos cheios de lágrimas. Para Nossa Senhora que estava no voo, o Padre Pio lamentou com uma confiança que era própria dele: 'Minha Senhora, minha Mãe, vieste à Itália e eu fiquei doente, agora te vais embora e me deixas doente ainda.'"

Mas, enquanto o helicóptero dava voltas no ar, ele sentiu um arrepio, uma "sacudida" em todo o seu corpo. O bispo repetiu, então, aquilo que o Padre Pio diria pelo resto de sua vida: " Naquele mesmo instante eu senti um tremor nos meus ossos que me curou imediatamente." O bispo acrescentou ainda as palavras do seu diretor espiritual, para confirmar o evento: "Num momento, o padre sentiu uma força misteriosa em seu corpo e disse aos seus confrades: 'Estou curado.' Ele estava forte e saudável como nunca antes na sua vida."

No livro Padre Pio, a Personal Portrait ("Padre Pio, um retrato pessoal", sem tradução para o português), publicado originalmente em 1978 e relançado recentemente, o frei Francesco Napolitano, que trabalhou com o santo de Pietrelcina, dá o seu próprio testemunho: "Eu estava presente no momento e posso atestar que o Padre Pio nunca se sentiu tão saudável como depois da partida da imagem de Nossa Senhora de Fátima."

Quando contaram ao santo frade que um artigo, no jornal de Foggia, perguntava o por que a imagem de Nossa Senhora de Fátima tinha ido a San Giovanni Rotondo, em vez de ir ao Santuário de São Miguel, no monte Sant'Angelo, também localizado em Foggia, o bispo Paolo Carta repete aquilo que o Padre Pio costumava responder, com muita simplicidade: " Nossa Senhora veio aqui para curar o Padre Pio."

Três dias após a visita da Virgem, ele estava de volta a celebrar a Santa Missa.

Sobre o porquê de Nossa Senhora de Fátima ter visitado o Padre Pio, o bispo Paolo Carta tinha a sua própria opinião:

Gosto de acrescentar que ela veio também por causa do exemplo de devoção ardente do Padre Pio. A sua recuperação prodigiosa iria despertar na Itália e no mundo um fervoroso aumento de amor e confiança no Imaculado Coração de Maria.

E a partir deste maravilhoso episódio nós devemos fazer uma santa resolução de sempre crescer nesta devoção, com uma resposta generosa à mensagem de Fátima, recitando fervorosamente o Rosário todos os dias, rezando e oferecendo os nossos sofrimentos pela conversão dos pecadores, e recebendo a Comunhão nos primeiros sábados de cada mês, na esperança de que estas palavras consoladoras se tornem verdade para nós: 'A quem abraçar esta devoção, prometo a salvação, e serão queridas de Deus estas almas, como flores postas por Mim a adornar o Seu trono.'

A promessa da Virgem de Fátima é que as almas por ela queridas seriam como "flores". Pela resposta que deu às suas mensagens e pedidos, no entanto, o Padre Pio está mais para um ramalhete inteiro.

Por Joseph Pronechen | Fonte: N. C. Register | Tradução: Equipe CNP

| Categorias: Santos & Mártires, Espiritualidade

A oração de uma alma pela vinda do Senhor

“Aguardo-Vos, Senhor, com quietude e silêncio, com grande saudade em meu coração, com sede indomável.”

São os santos da Igreja Católica que possuem a verdadeira percepção da realidade das coisas. Quem olha para as religiosas de uma clausura, confinadas sem poderem sair, talvez tenha a impressão de que elas estão "presas", de que estão "alienadas" do mundo. A verdade, ao contrário, é que são elas umas das poucas pessoas da terra atentas para as coisas que realmente importam: a salvação da própria alma, o diálogo com Deus, a eternidade.

Elas são verdadeiramente livres! Presos estamos nós, do lado de fora, atados que estamos, muitas vezes, "às planícies desta vida". Alienados estamos nós, que quantas vezes nos esquecemos que a nossa Pátria verdadeira é o Céu…!

Santa Faustina Kowalska, apóstola da Divina Misericórdia, é uma dessas almas que compreenderam o sentido desta existência e passaram a vida esperando pela vinda do Senhor. Nesta oração, retirada de seu famoso Diário, nós nos unimos a todas essas almas que rezam no silêncio dos claustros, manifestando a Deus o desejo de vê-lO reinar também, e em primeiríssimo lugar, em nosso coração. — Vinde, Senhor Jesus!

Espera da alma pela vinda do Senhor

Não sei, Senhor, a hora em que vireis;
Portanto velo sem cessar e fico atenta
Como Vossa esposa eleita,
Porque sei que gostais de vir sem ser notado,
Mas o coração puro, de longe, Senhor, Vos perceberá.

Aguardo-Vos, Senhor, com quietude e silêncio,
Com grande saudade em meu coração,
Com sede indomável.
Sinto que meu amor para Convosco se transforma em fogo,
E como uma chama se elevará ao céu no final da vida,
E então serão satisfeitos todos os meus desejos.

Vinde logo — meu Senhor Dulcíssimo,
E levai o meu coração sedento
Lá, até Vós, a essas sublimes regiões celestes,
Onde perdura a Vossa vida eterna!

Porque a vida na Terra é contínua agonia,
Porque o meu coração sente que para as alturas foi criado.
E nada se importa com as planícies desta vida,
Porque a minha Pátria é o céu. — Creio nisto firmemente.


Diário de Santa Faustina Kowalska, n. 1589.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere