| Categoria: Santos & Mártires

Os milagres do corpo incorrupto de São Pascoal

Ele foi para o Céu, mas o seu corpo ficou e Deus realizou inúmeros milagres através de suas relíquias.

Estátua que abriga o corpo de São Pascoal, na cidade espanhola de Villarreal.

Por Joan Carroll Cruz | Tradução: Equipe CNP — Nascido em Torre Hermosa, no então Reino de Aragão, de uma humilde família de agricultores, Pascoal trabalhou como pastor de ovelhas dos 7 aos 24 anos. Conta-se que ele recebeu uma visão de São Francisco e de Santa Clara ordenando a ele que entrasse para a Ordem Franciscana. Em uma data futura, ele acabou sendo admitido ao mosteiro dos Franciscanos Alcantarinos de Monteforte. Como irmão religioso, ele serviu em várias funções nos mosteiros da Ordem, mas sua atividade predileta era cuidar dos pobres e doentes, pelos quais ele frequentemente derramava lágrimas de compaixão e realizava milagres de cura.

A devoção à Santa Eucaristia era o tema dominante de sua vida. Seu primeiro biógrafo, Padre João Gimenez, que era amigo pessoal do santo, registra que Pascoal passava todo o seu tempo livre diante do tabernáculo, ajoelhado no próprio assoalho, com as mãos apertadas e firmes acima do rosto. Ele também conta que o santo se deleitava em servir a várias Missas sucessivas e que várias vezes passava a noite em oração diante do sacrário.

Durante uma viagem à França em missão, ele foi chamado várias vezes para defender sua fé na Santa Eucaristia. Para um frade, usar o hábito durante aquele tempo de guerras religiosas era um convite ao desastre, e ele foi muitas vezes preso, interrogado e maltratado pelos calvinistas huguenotes. Em uma das cidades, ele chegou a ser apedrejado e sofreu um ferimento no ombro que o afligiu pelo resto da vida.

Por uma coincidência, o exato "momento da partida desse santo homem para o Céu coincidiu com o de sua entrada no mundo. Ele tinha 52 anos naquele dia, Domingo de Pentecostes, ao amanhecer" de 15 de maio de 1592 [1].

Conheça o quadro Visión de San Pascual Bailón, de Giambattista Tiepolo, que retrata uma aparição do Santíssimo Sacramento ao santo espanhol.

Devido à grande quantidade de pessoas que desejava ver os restos mortais, o seu corpo foi transportado da humilde cela em que ele morreu para uma das capelas na igreja de Nossa Senhora do Rosário. Os fiéis que passavam em fila pelo caixão ficavam impressionados com a irradiação celeste de seu semblante e com o líquido perfumado que se acumulava em sua testa desde o momento de sua morte. Durante os três dias de exposição, "o óleo milagroso que destilava dos membros do santo fluía copiosa e continuamente" [2]. Conta-se que foram necessários guardas armados para controlar as pessoas, muitas das quais foram autorizadas a coletar o dito líquido em pequenos tecidos, que depois curaram várias doenças até então sem esperança de cura.

Também se conta que muitos dos que participaram do velório puderam testar a flexibilidade do corpo e abrir as pálpebras para ver os seus olhos, que eram de um brilho e de uma claridade incomuns.

Dos grandes prodígios e milagres que aconteceram em todos os cantos, talvez o incidente mais extraordinário que ocorreu durante esse período solene foi a miraculosa abertura dos olhos do corpo, um milagre visto por muitas das pessoas que lotaram a igreja.

Eleonora Jorda y Miedes, uma testemunha ocular desse fato, que até então sentia repulsa por cadáveres, relatou em seu testemunho:

"Dirigi-me ao Irmão Pascoal como se ele estivesse vivo, beijei as suas mãos e seus pés e vi as milagrosas gotas de suor em sua fronte. No fim, estava me sentindo tão bem ao lado daquele santo homem que, a fim de permanecer o maior tempo possível com a sua bendita companhia, resolvi não deixar a capela antes do fim da Missa Solene. Devo confessar, para minha vergonha, que dava mais atenção ao que estava acontecendo ao redor do santo homem que à celebração do Santo Sacrifício. Quando o vi abrindo os olhos no momento da elevação da Hóstia, fiquei tão estarrecida que soltei um grito. 'Mamãe, mamãe! — exclamei para minha mãe, que tinha vindo comigo — Veja, veja! Irmão Pascoal está com os olhos abertos!' Ela olhou e também viu os olhos do santo abertos.

Todos os que fomos testemunhas desse milagre tínhamos em mente uma só coisa: que, com aquilo, Nosso Senhor queria recompensar a extraordinária devoção de Pascoal à Santa Eucaristia, dando a ele uma vida nova, a fim de que, mesmo do outro lado do túmulo, ele ainda tivesse a consolação de adorar Jesus no Santíssimo Sacramento do altar." [3]

Na noite do terceiro dia seguinte à sua morte, enquanto era preparado um lugar para o corpo sob o altar da Imaculada Conceição, Pascoal foi revestido de um novo hábito, já que o antigo havia sido despedaçado pelos fiéis. Antes do enterro, o vigilante cobriu o corpo com uma grossa camada de cal virgem para consumir rapidamente a carne e para produzir um material lustroso, que ele achou que poderia parecer bonito em um relicário. Ele também agiu pressupondo que a cal destruiria rapidamente a carne, impedindo assim que ela emitisse qualquer odor desagradável — um fato que chocaria as pessoas e "mancharia" a reputação adquirida pelo corpo depois de tantas maravilhas.

O corpo permaneceu imperturbável nesse agente cáustico por oito meses, até que o provincial da Ordem, Padre João Gimenez, que ficara impossibilitado de assistir ao funeral devido a uma doença, visitou a urna do santo com o propósito de exumar secretamente o corpo. Quanto a esse incidente, ele relata que, em companhia de vários frades:

"A tampa foi levantada e, quando nos aproximamos do relicário, atestamos a presença da crosta de cal que escondia o santo de nossa vista. Eu não permitiria que ninguém mais tivesse a honra de remover essa crosta. Por isso, fui retirando-a, pouco a pouco, começando com a porção que cobria o seu rosto.

Ó alegria celestial! À medida que eu tirava a máscara, as feições de nosso bem-aventurado irmão eram reveladas, cheias de ânimo e de vivacidade. Era de fato ele mesmo, milagrosamente preservado na carne, intacto da cabeça aos pés, até na ponta do nariz, que é normalmente a primeira parte a dar sinais de decomposição.

Quando levantei as pálpebras, parecia que os olhos se fixavam em nós e sorriam. Os membros estavam tão flexíveis que respondiam a cada movimento que fazíamos com eles. Nada lembrava morte, nem a presença de um cadáver: ao contrário, tudo respirava vida e trazia consolação e alegria para a alma. A linguagem humana é incapaz de retratar tal espetáculo.

De joelhos diante do relicário nós derramamos as mais doces lágrimas de nossas vidas. Tomei a mão do santo sobre a minha e, trazendo-a para perto de meus lábios, beijei-a ternamente. Um líquido cristalino como bálsamo destilou de seu rosto e de suas mãos. Quando todos os religiosos tinham satisfeito sua devoção, uma camada fresca de cal se espalhou sobre o corpo e, então, eu me dirigi ao santo nos seguintes termos:

'Aquele que por oito meses preservou-te tão milagrosamente sob esta cal, é poderoso o bastante para te preservar ainda, pelos muitos anos que hão de vir, e dar assim maior fulgor ao milagre, até chegar o tempo oportuno de transladar as tuas gloriosas relíquias a um sepulcro menos indigno de ti.'

Tendo restabelecido a urna em seu nicho, e reconstruído a pequena parede de tijolos, retiramo-nos em silêncio para preparar um registro desse primeiro reconhecimento do corpo." [4]

A segunda exumação foi realizada em 22 de julho de 1594. Os religiosos da comunidade encontraram apenas alguns pedaços de sua mortalha. O corpo, com exceção da extremidade das narinas e de alguns fragmentos de pele, continuava resistindo à corrupção, e descobriu-se que o pedaço de um ouvido e um dedo tinham sido anteriormente levados como relíquias. Também se descobriu que o corpo permaneceu sem apoio quando colocado em posição vertical.

A data da terceira exumação privada não é conhecida, mas um incidente ocorrido nessa ocasião é digno de nota. Um dos religiosos, em segredo e sem autorização, amputou ambos os pés do santo e levou-os consigo. Ao descobrirem o sacrilégio, os superiores ordenaram que os pés fossem devolvidos, sob pena de excomunhão, e eles foram imediatamente recolocados no caixão algumas horas depois. A mutilação acabou sendo vantajosa, no entanto, pois de seus pés foram retiradas numerosas relíquias.

Dezenove anos após a morte do santo, uma exumação oficial foi feita para o processo de beatificação. Na presença do bispo de Segorbe, do provincial, do postulante da causa, de alguns eminentes dignatários do país, de médicos, de cirurgiões e de um escrivão, os três cadeados do caixão foram abertos e as formalidades de costume foram observadas antes que o seu interior fosse revelado.

"Assim que a tampa foi aberta, uma fragrância agradável, parecida com um aroma de flores, emergiu do sepulcro. Com uma tesoura, o bispo começou a abrir o hábito do santo até a cintura, a fim de dar aos médicos a oportunidade de fazer uma avaliação do corpo, que já estava por dezenove anos fechado dentro do caixão. Os médicos e cirurgiões empreenderam aquele delicado procedimento com o cuidado e a reverência que eram esperados de cristãos sinceros. A tampa foi recolocada assim que eles terminaram, satisfeitos, as suas investigações. No dia seguinte, a comissão se reuniu mais uma vez para ouvir a leitura do relatório médico. A conclusão a que chegaram, baseada nos princípios da ciência médica, confirmava o estado milagroso do corpo:

'Nós, os médicos e cirurgiões abaixo assinados, afirmamos sob juramento diante de Deus e de acordo com a nossa consciência, que o corpo do irmão Pascoal Bailão é incorrupto, e que a forma de sua preservação é sobrenatural e milagrosa.'" [5]

Aos prodígios e milagres mencionados acima deve ser acrescentado outro: o dos curiosos "golpes" que procediam de seu túmulo e de suas imagens. As batidas eram interpretadas instintivamente de acordo com a sua intensidade e frequência, e eram normalmente aceitas como um aviso amigável. É desnecessário dizer que os barulhos incomuns instilavam nos corações dos agraciados uma intensa alegria religiosa e uma grande consciência da presença do santo.

Os estranhos barulhos foram escutados pela primeira vez quando um filho espiritual do santo, Antônio Pascal, começou a usar em seu pescoço um relicário contendo um pequeno fragmento de osso tirado de um dos seus pés. Primeiro, o menino sentia leves toques em seu peito, como se as relíquias estivessem vivas, e essas vibrações foram se tornando habituais. A quem quer que desconfiasse do milagre, era só o menino tirar o relicário e dizer devotamente: "Adorado seja o Santíssimo Sacramento do altar", e as batidas imediatamente se faziam ouvir.

A devoção ao Santíssimo Sacramento que Pascoal Bailão exibia tão devotamente durante a sua vida refletiu nos fenômenos e milagres realizados por ele depois de sua morte, os quais contribuíram em grande medida para um avivamento da fé e um aumento da devoção nos corações de muitos. Portanto, nada seria mais apropriado que Pascoal Bailão, canonizado em 1690, fosse declarado pelo Papa Leão XIII em 1897 padroeiro dos Congressos Eucarísticos e de todas as organizações dedicadas ao aumento do amor e da devoção à Santa Eucaristia.

Por Joan Carroll Cruz | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere
CRUZ, Joan Carroll. The Incorruptibles. Charlotte: TAN Books, 2012, pp. 180-186.

Sugestões

Referências

  1. PORRENTRUY, Louis-Antoine de. The Saint of the Eucharist (trad. de Oswald Staniforth). Londres, 1908, p. 161.
  2. Ibid., p. 168.
  3. Ibid, p. 172.
  4. Ibid., p. 183.
  5. Ibid., p. 187.

| Categoria: Espiritualidade

A inspiração de Fulton Sheen

Perguntado certa vez sobre o que motivava o seu apostolado, o bispo Fulton Sheen deu uma resposta surpreendente.

Poucos homens da história recente da Igreja exerceram tamanha influência espiritual sobre as almas quanto o bispo norte-americano Fulton Sheen. Autor de inúmeros livros e pioneiro na evangelização pela TV, as suas aulas e pregações mudaram a vida de milhões de pessoas em todo o mundo.

O que fez esse homem de Deus tão especial, além de seu intelecto afiado e de sua profunda humildade, foi a oração. Ele geralmente dizia que o segredo para o seu grande sucesso em ganhar almas para Cristo era que, todos os dias de sua vida, ele separava uma hora de adoração diante do Santíssimo Sacramento – a "Hora Santa".

Fulton Sheen chamava esse momento que tinha com Deus de "hora do poder" e o propósito de todas as suas conversas era sempre inspirar a todos, padres e leigos, a fazer uma Hora Santa diária diante de Jesus Sacramentado. Ele citava Jesus no Evangelho, dizendo que quem quer que permanecesse em uma hora de união com Ele, presente no Santíssimo Sacramento, "daria muito fruto" ( Jo 15, 5).

Ele mesmo experimentou esses frutos em sua vida apostólica. Quando pregava, todos o escutavam, mesmo quem não era católico. Sua mensagem era ao mesmo tempo cativante e transcendente.

Alguns meses antes de sua morte, ele foi entrevistado em cadeia nacional de televisão. Uma das questões que lhe fizeram foi:

"Vossa Excelência tem inspirado milhões de pessoas em todo o mundo. E o senhor? Quem o inspirou? Foi talvez um Papa?"

Surpreendemente, Fulton Sheen respondeu que quem o tinha inspirado não foi nem um Papa, nem um cardeal, nem outro bispo, nem mesmo um padre ou uma religiosa, mas uma garotinha chinesa, de nove anos de idade.

Ele explicou que, quando os comunistas tomaram o controle da China, um sacerdote foi encarcerado em sua própria casa paroquial, próxima à igreja.

Trancado, o padre se horrorizou ao olhar para o lado de fora da janela e ver os comunistas se aproximando da igreja, entrando no santuário e violando o sacrário. Em um ato de abominável profanação, eles pegaram o cibório e lançaram-no ao chão, espalhando no chão todas as Hóstias Consagradas que estavam dentro. O padre sabia exatamente quantas espécies havia no cibório: trinta e duas.

Quando os comunistas saíram, eles não perceberam (ou não prestaram atenção) que uma menininha rezava na parte de trás do templo, depois de ter presenciado tudo.

Naquela mesma noite, ela voltou. Sem que os guardas na casa paroquial a notassem, ela entrou na igreja. Ali, fez uma hora santa de oração e um ato de amor em reparação por aquele sacrilégio. Depois, entrou no santuário, ajoelhou-se, inclinou a cabeça e, com a língua, recebeu Jesus na Sagrada Comunhão. Não era permitido aos leigos, à época, tocar a Hóstia Consagrada com as mãos.

A garotinha continuou voltando todas as noites para fazer sua hora santa e receber Jesus na Sagrada Comunhão, diretamente na língua. Na trigésima segunda noite, depois de consumir a última hóstia, ela acidentalmente fez um barulho e acordou o guarda que estava dormindo. Ele correu atrás dela, capturou-a e bateu nela até a morte com a coronha do seu rifle.

Esse ato heroico de martírio foi presenciado pelo sacerdote, que assistiu a tudo, aflito, da janela de seu quarto.

Quando Sheen ouviu essa história, ele ficou tão impressionado que prometeu a Deus fazer uma hora santa de oração diante de Jesus no Santíssimo Sacramento todos os dias de sua vida. Se aquela pequena criança chinesa tinha arriscado a sua vida para expressar o seu amor por Jesus Eucarístico, com uma hora santa e uma Comunhão, então, o bispo pensou que aquilo era o mínimo que ele poderia fazer. Se aquela frágil menina tinha dado um testemunho tão maravilhoso da presença real de nosso Salvador no Santíssimo Sacramento, o bispo sentiu-se praticamente obrigado a imitá-la.


Se você não sabe quem é Fulton Sheen, assista à seguinte pregação deste bispo e evangelizador norte-americano sobre o significado da Santa Missa:


A partir de então, Fulton Sheen começou a falar publicamente sobre o amor de Deus no Santíssimo Sacramento. Seu único desejo era trazer o mundo ao Coração ardente de Jesus no sacramento da Eucaristia. A garotinha havia lhe mostrado o que realmente significavam zelo e coragem, como a fé podia superar todo medo, como o verdadeiro amor por Jesus Eucarístico deve transcender a própria vida.

O que aquela mártir anônima fez é uma versão moderna do que fez a bem-aventurada Virgem Maria, quando permaneceu com o seu amado Filho aos pés da Cruz. Ficar com Jesus no Santíssimo Sacramento hoje é o mesmo que permanecer com Ele diante da Cruz. No Calvário, Ele foi abandonado, até por Seus amigos, os Seus próprios discípulos fugiram de medo. Só a Sua mãe, o discípulo amado e Maria Madalena testemunharam a sua fé e o seu amor.

Hoje, Nossa Senhora está chamando todos os seus filhos que lhe são consagrados ao mesmo testemunho de fé e de fervorosa caridade. O seu desejo é que todos venham adorar o seu Filho, presente no Santíssimo Sacramento do altar.

A Beata Madre Teresa de Calcutá dizia que a adoração perpétua é o que vai renovar a Igreja e salvar o mundo. Quando fazemos aqui o que é feito no Céu, adorando a Deus perpetuamente, então acontecem novos céus e nova terra (cf. Ap 21, 1). Jesus foi zombado e crucificado por dizer que era Rei. Quando sua Esposa, a Igreja, finalmente proclama Seu reinado e presta-Lhe a honra que Ele merece por meio da adoração perpétua, então Ele vem e estabelece o Seu Reino no mundo.

O homem está para além de uma solução humana. O que ele precisa é de uma intervenção divina. Abram-se, pois, os nossos olhos e dobrem-se os nossos joelhos diante de tão grande mistério: Deus, que desce todos os dias aos altares, no Santíssimo Sacramento; Deus, que se faz "prisioneiro de nosso amor", em todos os sacrários do mundo inteiro; Deus, que quer Se doar às nossas almas, na Sagrada Comunhão.

Não resistamos mais ao Seu amor! "Vinde, adoremos", depressa, o Tão Sublime Sacramento!

Adaptado de The Cardinal Kung Foundation | Por Equipe CNP

| Categoria: Liturgia

Liturgia: Mistério da Salvação - Parte III

Neste terceiro artigo sobre os ensinamentos de Monsenhor Guido Marini a respeito da liturgia, o texto reflete sobre adoração e união com Deus na Santa Missa

Na adoração eucarística o homem reconhece a beleza do Senhor e tende a glorificá-lo, colocando-se de joelhos e em atitude de plena comunhão. Ali no altar reside Deus, o Santo dos Santos, que se fez carne para nutrir a alma e o coração da humanidade durante a sua peregrinação nesta terra, assim como o maná do céu nutriu o povo que caminhava no deserto. E é por isso que o Bem-aventurado João Paulo II fez questão de enfatizar na sua Encíclica Ecclesia de Eucharistia que "a Igreja vive da Eucaristia". Sem uma, a outra não pode existir.

Com efeito, complementa o mestre de cerimônias pontifícias, Monsenhor Guido Marini, "diante da beleza indizível da caridade de Deus, que toma forma no mistério do Verbo encarnado, morto e ressuscitado em nosso favor, e que encontra na liturgia a sua manifestação sacramental, não nos resta outra coisa senão permanecer em adoração". E aqui cabe lembrar aquela belíssima oração ao Cristo Eucarístico que o Anjo de Portugal ensinou aos três pastorinhos, antes da aparição da Virgem Maria em Fátima: "meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-vos. Peço-vos perdão pelos que não creem, não adoram, não esperam e não vos amam".

Sendo a Missa, portanto, o lugar do encontro com Deus nas espécies eucarísticas, é de suma importância que todos os sinais da liturgia conduzam à adoração. E isso, observa Marini, inclui "a música, o canto, o silêncio, a maneira de proclamar a Palavra de Deus e o modo de rezar, as vestes litúrgicas e objetos sagrados, como também o edifício sagrado no seu complexo". Tudo deve ser belo, pois Deus é belo. Não se trata, porém, de esteticismo ou espetáculo, mas de conceder a Deus o seu devido culto, uma vez que na liturgia deve resplandecer o mistério da beleza do amor de Deus. É o que praticaram santos como São João Maria Vianney e São Josemaria Escrivá que, não obstante à vida de pobreza e imensa caridade, sempre buscaram celebrar a Eucaristia com os melhores paramentos possíveis. Eis o que ensina também o Papa Emérito Bento XVI:

"As nossas liturgias da terra, inteiramente dedicadas a celebrar este gesto único da história, nunca conseguirão expressar totalmente a sua densidade infinita. Sem dúvida, a beleza dos ritos jamais será bastante requintada, suficientemente cuidada nem muito elaborada, porque nada é demasiado belo para Deus, que é a Beleza infinita. As nossas liturgias terrenas não poderão ser senão um pálido reflexo da liturgia que se celebra na Jerusalém do céu, ponto de chegada da nossa peregrinação na terra. Possam, porém, as nossas celebrações aproximar-se o mais possível dela, permitindo-nos antegozá-la!" (Cf. Homilia durante a celebração das Vésperas na Catedral de Notre Dame, Paris, 12 de Setembro de 2008)

É exatamente nesta perspectiva que se insere a decisão de Bento XVI de, a partir de 2008, distribuir a Sagrada Comunhão diretamente na língua dos fiéis de joelhos. Ora, o próprio Santo Agostinho advertia: "ninguém come desta carne, sem antes adorá-la". Ademais, é importante salientar que a comunhão na boca e de joelhos é um direito dos católicos assegurado pela Santa Sé: "todo fiel tem sempre direito a escolher se deseja receber a sagrada Comunhão na boca ou se, o que vai comungar, quer receber na mão o Sacramento", (nº 92; vid. ainda Missale Romanum, Institutio Generalis, nº 161). A isso também se soma a lição da Exortação apostólica pós-sinodal Sacramentum caritatis que "receber a Eucaristia significa colocar-se em atitude de adoração diante daquele que recebemos" (n. 66)

Por outro lado, algumas teologias difundiram em vários ambientes uma ideia um tanto quanto materialista acerca do Sacramento da Comunhão, como se não fosse necessário adorá-lo, somente comê-lo. Há também a acusação de que a adoração obscureceria a dimensão social da caridade. Todavia, a história dos santos mostra uma realidade totalmente diversa. Basta pensar nas horas em que Madre Teresa gastava à frente do sacrário para se desfazer esse pensamento equivocado. Na verdade, novamente explica Guido Marini, "somente através de uma renovada adoração do mistério de Deus em Cristo, mistério que toma forma no ato litúrgico, poderá brotar uma autêntica comunhão fraterna e uma nova história de caridade, conforme a fantasia e heroicidade que só a graça de Deus pode doar aos nossos pobres corações".

Neste sentido, o Papa Francisco deu um belo exemplo a toda a Igreja, quando a 2 de junho convocou uma adoração eucarística universal, na qual dioceses do mundo inteiro se reuniram para adorar o Senhor no mesmo horário que o seu vigário. Como não recordar o belíssimo hino de Santo Tomás de Aquino, Adoro te devote? Adorar a Cristo com devoção significa reconhecer Nele o bondoso pelicano, aquele que lava a sujeira do mundo com o próprio sangue, sendo uma só gota capaz de salvar todo o mundo e apagar todo pecado.

Por: Equipe Christo Nihil Praeponere

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Vaticano apresenta: Adoração eucarística e dia em defesa da vida

O evento será "uma hora de oração plena, de comunhão fraterna e sustento à fé de todos"

Realizou-se na manhã desta terça-feira, 28, na Sala de Imprensa da Santa Sé, um encontro com os jornalistas para a apresentação da 'Solene Adoração Eucarística com transmissão simultânea para todo o mundo' e o Dia da Evangelium Vitae.

Os dois eventos inserem-se nas iniciativas do Ano da Fé, às quais já aderiram mais de 4 milhões de peregrinos. A Adoração Eucarística será realizada na Basílica de São Pedro, no próximo domingo 2 de junho, das 17 às 18 horas (horário italiano - 12h no Brasil) e o Dia da Evangelium Vitae, em 15 e 16 de junho.

A TV Canção Nova fará a transmissão ao vivo da adoração com o Papa neste domingo.

O Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, Arcebispo Rino Fisichella, falou sobre o significado destes dois eventos. "A expressão que usamos para dar significado a este evento é 'Um só Senhor, uma só fé", para testemunhar o sentido de profunda unidade que caracteriza este momento. Será um evento que pela primeira vez realizar-se-á na história da Igreja e temos motivos para defini-lo como 'histórico'".

Em todas as latitudes, o povo de Deus estará sintonizado com Roma, em comunhão com o Papa. "Será uma hora de oração plena, de comunhão fraterna e sustento à fé de todos".

O Papa Francisco indicou duas intenções para este momento de oração que foram recordadas por Dom Fisichella.

Primeira: "Pela Igreja espalhada em todo o mundo e hoje em sinal de unidade, recolhida na Adoração da Santíssima Eucaristia".

Segunda: "Por todos aqueles que nas diversas partes do mundo vivem no sofrimento devido às novas formas de escravidão e são vítimas de guerras, do tráfico de pessoas, do narcotráfico e do trabalho escravo; pelas crianças e mulheres que são submetidas a qualquer tipo de violência".

O Presidente do Pontifício Conselho para a Nova Evangelização ilustrou a seguir o outro aguardado evento que será realizado nos dias 15 e 16 de junho, com o tema "Acreditando, tenham vida". "Chamamos o encontro de Evangelium Vitae para certificar toda a grande temática que se desenvolve em torno do compromisso da Igreja na promoção, respeito e defesa da dignidade da vida humana".

O calendário dos dois acontecimentos - dos quais participarão fiéis de todo o mundo -, prevê a Missa dominical, celebrada pelo Papa Francisco na Praça São Pedro, às 10h30 (horário italiano) com 'todo o povo da vida' e com todos os doentes presentes na celebração. Na manhã do sábado, as catequeses em várias línguas nas diversas igrejas de Roma e à tarde, a peregrinação ao Sepulcro de São Pedro, a Confissão e a Adoração Eucarística. Às 20h30, a caminhada com velas na Via da Conciliação para 'chamar a atenção sobre o tema da vida humana e do seu valor intangível'.

Fonte: Canção Nova