| Categoria: Sociedade

Contracepção: uma lucrativa estrada para o aborto

A indústria de contraceptivos é um dos negócios mais rentáveis do mundo. Isso explica a campanha que existe contra a castidade.

SIECUS. É a sigla em inglês para Conselho de Informação e Educação Sexual dos Estados Unidos, fundado em 1964 pela dra. Mary S. Calderone. A organização é uma das responsáveis pela implantação da chamada "educação sexual" nos currículos escolares. Dra. Calderone, que por vários anos havia exercido o cargo de diretora médica da Federação Internacional de Paternidade Planejada (IPPF), decidiu criar a instituição a partir de sua experiência com os programas de controle da natalidade. Na visão da médica, era preciso dar um passo além da mera prevenção da gravidez.

A "educação sexual" consiste basicamente na formação de adolescentes por meio de palestras sobre masturbação, relações sexuais, homossexualismo etc., como também na distribuição gratuita de preservativos e outros métodos contraceptivos artificiais. A apologia é clara. Na cartilha "Carderno das coisas importantes", idealizada pela Unicef, lê-se, entre outros absurdos, a seguinte nota para masturbação: "É normal e permite um maior conhecimento do corpo". A página oficial da SIECUS, por sua vez, empreende uma raivosa campanha contra o financiamento de programas voltados para a abstinência até o casamento. Ela protesta: "Defendemos o fim do financiamento federal desses projetos, e ajudamos educadores e pais a manter esses programas nocivos fora de suas escolas". Não importa se Edward Green, diretor do projeto de pesquisa e prevenção da AIDS da Escola de Saúde Pública de Harvard, deu razão ao Papa Bento XVI no combate contra as doenças sexualmente transmissíveis [1]. Não importa se Uganda conseguiu diminuir consideravelmente o número de soropositivos no país graças ao incentivo à abstinência e à fidelidade conjugal [2]. Eles querem sexo.

Duas coisas explicam essa atitude. A indústria dos contraceptivos é altamente lucrativa. O laboratório farmacêutico Schering-Ploug, uma das maiores indústrias de contraceptivos do mundo, teve, em 2008, uma receita líquida de 291 milhões de dólares. O Método de Ovulação Billings não tem custo. Ademais, a disseminação dos anticoncepcionais, sob a falsa ideia de "sexo seguro", faz com que o número de pessoas sexualmente ativas aumente, sobretudo entre os jovens. Dados do IBGE revelam que a porcentagem de adolescentes grávidas subiu ano após ano, na década de 1990, tendo uma leve queda recentemente [3]. Foi precisamente na década de 1990 que se iniciaram os programas de "educação sexual". Todo mundo sabe que a camisinha não é cem por cento segura. Todo mundo sabe que sexo tem a ver com gravidez. Todo mundo sabe que, para os paladinos da anticoncepção, gravidez tem a ver com aborto. Dra. Mary S. Calderone foi a diretora médica da IPPF, a multinacional do aborto, antes de fundar a SIECUS. O círculo é vicioso e bastante rentável.

Em 2009, durante o voo que o levaria para Camarões, o Papa Bento XVI teve de responder à espinhosa pergunta sobre o combate à aids na África [4]. Eis a resposta:

Penso que a realidade mais eficiente, mais presente em primeira linha na luta contra a SIDA é precisamente a Igreja Católica, com os seus movimentos, com as suas diversas realidades. Penso na Comunidade de Santo Egídio que faz tanto, de modo visível e invisível também, na luta contra a SIDA, nos Camilianos, em muitas outras realidades, em todas as irmãs que estão à disposição dos doentes... Diria que não se pode superar este problema da SIDA só com dinheiro, mesmo se necessário; mas, se não há a alma, se os africanos não ajudam (assumindo a responsabilidade pessoal), não se pode superá-lo com a distribuição de preservativos: ao contrário, aumentam o problema. A solução pode vir apenas da conjugação de dois factores: o primeiro, uma humanização da sexualidade, isto é, uma renovação espiritual e humana que inclua um novo modo de comportar-se um com o outro; o segundo, uma verdadeira amizade também e sobretudo pelas pessoas que sofrem, a disponibilidade à custa até de sacrifícios, de renúncias pessoais, para estar ao lado dos doentes. E estes são os fatores que ajudam e proporcionam progressos visíveis. Diria, pois, que esta nossa dupla força de renovar o homem interiormente, de dar força espiritual e humana para um comportamento justo em relação ao próprio corpo e ao do outro, e esta capacidade de sofrer com os doentes, de permanecer presente nas situações de prova. Parece-me que esta é a resposta justa, e a Igreja faz isto e deste modo presta uma grandíssima e importante contribuição. Agradecemos a todos aqueles que o fazem.

Foi o fim do mundo! A tão alardeada defesa do diálogo e do pluralismo de ideias sumiu do mapa. A Organização das Nações Unidas reclamou: "O preservativo é essencial na prevenção" [5]. A este posicionamento somaram-se os governos da França, Espanha e Bélgica. A senhora Europa que, devido à aderência a essa política de controle da natalidade, padece a pior implosão demográfica do planeta. Mas o lucro vale mais que a verdade. Agora, colhem-se os frutos.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências:

  1. Reinaldo Azevedo, Um dos maiores especialistas do mundo… Veja (26 de março de 2009).
  2. Reinaldo Azevedo, Uganda é bem-sucedida no combate à aids… Veja (06 de julho de 2008).
  3. Estatísticas do Registro Civel 2002.
  4. Entrevista concedida pelo Santo Padre Bento XVI aos jornalistas durante a viagem aérea para a África.
  5. Preservativo põe ONU contra o Papa.

| Categoria: Igreja Católica

Quem vai pedir explicações à ONU?

As organizações que atacam a Igreja por causa do crime da pedofilia são as mesmas que defendem a chamada "educação sexual".

Os jornais publicam pomposamente: "ONU cobra explicações do Vaticano sobre casos de pedofilia". A acusação é a mesma de sempre. Segundo a investigadora que integra o Comitê de Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas (ONU), a Santa Sé estaria dificultando os trabalhos de investigação, pondo o interesse do clero acima do das vítimas. A declaração foi feita durante a sabatina com um representante da Igreja, monsenhor Silvano Tomasi, na quinta-feira passada (16), em Genebra, na Suíça. Do lado de fora, em frente ao quartel-general do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU, onde acontecia o encontro, um senhor empunhava um cartaz em tom de protesto: "Vaticano protege pedófilos".

As manchetes não surpreendem. Desde que a chaga da pedofilia se insurgiu dentro da Igreja, a mídia tem feito do caso o seu cavalo de batalha predileto. A técnica é a mesma usada em épocas passadas, quando da criação da imprensa01. Trata-se de desacreditar a moral cristã através de uma campanha ostensiva de calúnias, em que se publica qualquer assunto referente a um escândalo ou corrupção eclesiásticos, ao mesmo tempo em que se faz silêncio mórbido quanto aos esclarecimentos e à verdade dos fatos. A regra é uma só: acusação em letras garrafais; resposta da Igreja em notas de rodapé. Não importa tanto a veracidade da notícia, tampouco a reputação e o interesse dos envolvidos. Desde que isso contribua para o achincalhamento público da fé católica, vale tudo. Foi assim que se criou a lenda negra da Inquisição Espanhola02, a ideia segundo a qual a Igreja seria contra a ciência, o mito sobre Galileu Galilei03, a mentira sobre a relação de Pio XII com o nazismo04 e outras estultices repetidas ad nauseam por professores universitários e outros desavisados que creem cegamente em tudo o que sai nos jornais.

É claro que não se está a negar os crimes de pedofilia e outros tantos erros cometidos por maus cristãos nestes dois mil anos de história. De fato, a sucessão de Judas Iscariotes ainda vigora entre as fileiras dos discípulos de Cristo. Os escândalos são inevitáveis -- diz o evangelista --, "mas ai do homem que os causa" (Cf. Mt 18, 7). Os casos de abuso de menores por padres, sem sombra de dúvida, "causaram grande sofrimento e prejudicaram o testemunho da Igreja"05. "Estes agravos" -- advertiu Bento XVI, durante a Jornada Mundial da Juventude de Sidney -- "que constituem tão grave traição da confiança, devem ser condenados de modo inequívoco."06 Exatamente por isso que o Vaticano mantém uma página em seu site chamada "Abuso de menores: a resposta da Igreja", na qual se encontra um calhamaço de documentos e informações acerca do que a Santa Sé tem feito para combater esse crime hediondo07. Ainda esta semana, o respeitado site italiano VaticanInsider informava que, sob as ordens do então Papa Bento XVI, mais de 400 clérigos envolvidos em escândalos sexuais haviam sido removidos de suas funções entre os anos de 2008 e 201208. A Igreja Católica sabe muito bem que não se pode "servir a dois senhores" (Cf. Mt 6, 24). É preciso dizer "sim" ao que "sim" e "não" ao que é "não" (Cf. Mt 5, 37). Todavia, há-de se concordar que "se não se é permitido calar-se diante do mal na Igreja, tampouco se deve silenciar o rastro luminoso de bondade e pureza que a fé cristã traçou no decurso dos séculos."09

Não se julga a história da arquitetura pelos prédios que caíram. A Igreja Católica, a bem da verdade, é o berço de todo o patrimônio cultural e moral do Ocidente110. Deve-se a ela a ideia de direitos humanos, a noção de caridade, o desenvolvimento da ciência moderna, a construção das universidades, a grandiosidade da arquitetura de Bernini e a beleza da pintura de Michelangelo. Negar esses fatos equivale a amputar a própria identidade. Os franciscanos estavam socorrendo os mendigos enquanto as guilhotinas de Robispierre ceifavam vidas. Retire a Igreja Católica do mundo e o que nos resta é a violência da Revolução Francesa. Não nos custa lembrar a acertada repreensão de Santo Agostinho àqueles tantos filósofos e políticos que criticavam a presença cristã entre a sociedade11:

"Os que dizem que a doutrina de Cristo é contrária ao bem do Estado dêem-nos um exército de soldados tais como os faz a doutrina de Cristo, dêem-nos tais governadores de províncias, tais maridos, tais esposas, tais pais, tais filhos, tais mestres, tais servos, tais reis, tais juízes, tais contribuintes, enfim, e agentes do fisco tais como os quer a doutrina cristã! E então ousem ainda dizer que ela é contrária ao Estado! Muito antes, porém, não hesitem em confessar que ela é uma grande salvaguarda para o Estado quando é seguida"

O crime de pedofilia dentro da Igreja, por conseguinte, não é mais ou menos pior do que o que acontece lá fora, no mundo laico. Ambos padecem da mesma gravidade. Ademais, como demonstrou o respeitado sociólogo italiano Massimo Introvigne, o número de sacerdotes envolvidos em abusos de menores é baixíssimo se comparado com o de outras comunidades12. A título de exemplo, vejam-se estes dois casos: na Itália, entre um período de várias décadas, o número de sacerdotes denunciados e condenados pelo crime de pedofilia foi de apenas cem, ao passo que seis mil professores de Educação Física receberam a mesma condenação. A Alemanha, por sua vez, amargou 210 mil denúncias de abusos, desde 1995, sendo que deste número, apenas 300 eram relacionados ao clero, o que equivale a menos de 0,2%.

Certamente, isso não nos dá conforto. Seria absurdo pensar que a pedofilia dentro da Igreja pudesse ser justificada pelo que ocorre no meio secular. Ora, a Igreja é mais uma das vítimas! Mas é curioso perceber o interesse da imprensa pelo que ela chama de "pedofilia epidêmica" do clero; enquanto ela silencia sobre outros casos comprovadamente maiores em termos estatísticos. Isso nos leva a suspeitar de nossos interlocutores, sobretudo quando estes mesmos indivíduos, que julgam-se os paladinos dos direitos das crianças, não têm o mínimo pudor de expô-las a programas "infantis" apresentados por moças em trajes de banho ou de se omitir durante anos a fio diante da pedofilia de suas estrelas13. Ainda mais, a própria ONU, com suas cartilhas de (des)educação sexual14 -- na qual se ensina impunemente a masturbação e o sexo pré-matrimonial como saudáveis -- carece de credibilidade para acusar a Igreja de pouca transparência. E os escândalos de "exploração sexual infantil" no Congo, em 2006, envolvendo os soldados da missão de paz da organização, não nos deixam mentir15.

A ONU pede explicações à Igreja, mas quem vai pedir explicações à ONU?

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Sobre esse assunto, recomenda-se que se assista à segunda aula do Curso de História da Igreja. Para que a Revolução Francesa fosse levada a cabo, era necessário destruir o ancien régime, no qual se incluía a Igreja Católica como uma das pilastras mais importantes. Por isso, baseados nas técnicas desenvolvidas por Friedrich Nicolai nas chamadas feiras de livros, os intelectuais iluministas engendraram uma campanha de difamação da Igreja, que ainda hoje faz-se sentir os seus efeitos sobre a mentalidade social
  2. Documentário: O Mito da Inquisição Espanhola. Via YouTube
  3. WOODS JÚNIOR, Thomas E. Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental. São Paulo: Quadrante, 2008, 249 p.
  4. Padre Paulo Ricardo, A difamação contra Pio XII, Parresia n. 49
  5. Bento XVI, Homilia do Santo Padre na Celebração Eucarística com os Bispos, Seminaristas, Noviços e Noviças, por ocasião da XXIII Jornada Mundial da Juventude (19 de Julho de 2008)
  6. Ibidem
  7. Abuso de menores: a resposta da Igreja
  8. Pope Benedict defrocked 384 priests for abuse of minors in last two years. Via VaticanInsider
  9. Fé e razão: Bento XVI responde a um cientista ateu. Via Fratres in unum
  10. WOODS JÚNIOR, Thomas E. Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental. São Paulo: Quadrante, 2008, 249 p.
  11. Leão XIII, Carta Enc. Immortale Dei (1º de novembro de 1885), n. 27
  12. Carlos Alberto de Franco. Igreja, uma megacobertura. Via Estadão
  13. Vítimas de apresentador dizem que quadrilha pedófila agiu em TV inglesa. Via G1
  14. Jornada Mundial da Juventude e a mídia abortista
  15. Escândalo sexual no Congo envolve tropas da ONU. Via BBC Brasil

| Categoria: Sociedade

O projeto anti-cristão da agenda gay

A inversão de valores propagada pela mídia revela um projeto incisivo de destruição da moral cristã

Os noticiários não falam de outra coisa. O liberalismo sexual, no qual se inclui a causa gay, ganhou de vez as manchetes dos principais jornais do país, numa avalanche que parece não ter mais freio. A unanimidade da imprensa em decretar o novo padrão de moralidade é tão eloquente que os mais desavisados sentem-se quase que impelidos a concordar com ele, mesmo que a contragosto. Mas enganam-se aqueles que, ingenuamente, atribuem essas movimentações ao curso natural da história. Trata-se, pelo contrário, de uma agenda compacta, determinada e amplamente financiada, cuja única meta é: minar os fundamentos da sociedade ocidental - o direito romano, a filosofia grega e a moral judaico-cristã - e, em última análise, a natureza humana.

Não é mais segredo para ninguém a hostilidade com que inúmeras nações se referem ao cristianismo. Praticamente todos os programas de governos atuais têm por política o combate aos últimos resquícios de fé católica que ainda restam na sociedade. E essa agenda ideológica encontra eco sobretudo nas Organizações das Nações Unidas, logicamente, a mais interessada na chamada "Nova Ordem Mundial". Essa perseguição sistemática à religião cristã e, mais especificamente à Igreja Católica, se explica pelo fato de ela ser única a levantar a bandeira da lei natural, que é a pedra no sapato dos interesses globalistas.

Em linhas gerais, o direito natural refere-se ao que está inscrito no próprio ser da pessoa. Isso supõe uma ponte de acesso a uma moral humana já pré-estabelecida, com direitos e deveres naturais, conforme a ordem da criação. Não corresponde a um direito revelado, mas a uma verdade originária do ser humano, que através da razão indica aquilo que é justo ou não. Essa defesa do direito natural foi o grande diferencial do cristianismo em relação às demais religiões no início do primeiro milênio, como assinala o Papa Emérito Bento XVI ao Parlamento Alemão, em um dos discursos mais importantes de seu pontificado:

"Ao contrário doutras grandes religiões, o cristianismo nunca impôs ao Estado e à sociedade um direito revelado, nunca impôs um ordenamento jurídico derivado duma revelação. Mas apelou para a natureza e a razão como verdadeiras fontes do direito; apelou para a harmonia entre razão objectiva e subjectiva, mas uma harmonia que pressupõe serem as duas esferas fundadas na Razão criadora de Deus", (Cf. Bento XVI ao Parlamento Federal da Alemanha em 2011).

A partir do último meio século, ressalta o Santo Padre, o direito natural passou a ser menosprezado, em grande parte, devido à razão positivista. Passou-se a considerá-lo como "uma doutrina católica bastante singular, sobre a qual não valeria a pena discutir fora do âmbito católico, de tal modo que quase se tem vergonha mesmo só de mencionar o termo". Com efeito, para o teórico positivista Hans Kelsen, a ética deveria ser posta no âmbito do subjetivismo e, por conseguinte, o conceito de justiça.

Criou-se, portanto, uma situação perigosa da qual o próprio Kelsen foi vítima posteriormente, quando perseguido pelo regime nazista por ser judeu. A justiça e a ética caíram no relativismo. Cada um julga-se a si mesmo, julga-se o conhecedor do bem e do mal. E "quando a lei natural e as responsabilidades que implica são negadas, - alerta outra vez Bento XVI em uma catequese sobre Santo Tomás de Aquino - abre-se dramaticamente o caminho para o relativismo ético no plano individual e ao totalitarismo de Estado no plano político". Como condenar os regimes nazistas, fascistas e comunistas por suas atrocidades se a justiça é um conceito relativo a cada um?

A Igreja condena a perversidade do relativismo justamente por essa falsa sensação de liberdade propagandeada por ele. É a mesma liberdade oferecida pela serpente do Éden à Eva, a falsa beleza que, na verdade, é escravidão. Quando exposta em termos claros e diretos, a lei natural se torna evidente e com ela, todo o arcabouço que a sustenta: o direito romano, a filosofia grega e a moral judaico-cristã. A lei natural encontra apelo no ser humano justamente por ser verdade e estar de acordo com a razão criadora, o Creator Spiritus. O Magistério Católico é, neste sentido, um dos únicos baluartes da justiça e da dignidade da pessoa humana, por falar quase que solitário em defesa da lei natural.

O trabalho da elite globalista - diga-se ONU, imprensa, ONGs esquerdistas e etc - consiste, neste sentido, única e exclusivamente na destruição desses pilares da lei natural. Assim, sepultam-na numa espiral do silêncio, enquanto reproduzem na mídia uma moral totalmente avessa e contrária à família. Desse modo, abrem espaço para a educação das crianças pelo Estado conforme a cartilha ideológica que defendem. É um programa totalmente voltado para a subversão e o controle comportamental que está sendo colocado em prática, descaradamente, por países como Estados Unidos, França, Suécia, Holanda e até mesmo o Brasil.

Neste momento, em que a Igreja vê-se atacada por todos os lados e se joga com a vida humana como se fosse algo qualquer e sem valor, urge o despertar de pessoas santas, imbuídas por uma verdadeira paixão à Verdade. Todas as grandes crises pelas quais a Igreja passou nos últimos séculos foram enfrentadas por santos de grande valor: São Luís Maria Grignion de Montfort, São João Maria Vianney, Santa Catarina de Sena, São Pio X... E essa crise atual requer a mesma fibra, o mesmo destemor e parresia com os quais aqueles santos estavam dispostos a entregar suas vidas, suas fortunas e até mesmo os seus nomes, sem medo da humilhação, firmes na Providência Divina e na certeza de que no alvorecer do novo dia será de Deus a última e definitiva palavra.

Por: Equipe Christo Nihil Praeponere

Links

  1. Visita ao Parlamento Federal - Discurso do Papa Bento XVI

| Categoria: Sociedade

Amparo, ex-revolucionária e funcionária da ONU: “Meu trabalho era destruir a fé dos católicos”

Após anos de trabalho para a ONU, ex-agente denuncia estratégia da organização para minar a fé católica e implantar o aborto em todos os países do mundo.

Amparo Medina, ex-revolucionária e funcionária da ONU.

Amparo entendeu claramente. Era a Virgem Maria quem lhe falava. Tudo aconteceu quando ela recebeu um disparo da polícia em plena batalha. Quando despertou no hospital, decidiu que sua vida devia mudar radicalmente.

Sua vida "lamacenta" devia dar uma guinada de 180 graus e deixar de lado o seu servilismo político e sua vida de pecado, e dedicar-se às mulheres e às crianças, buscando seu autêntico bem.

Um avô católico

Ela havia nascido em uma família muito normal do Equador. Sua fé era tradicional, de Missa dominical e pouco mais. A exceção da regra foi seu avô, que vivia uma autêntica vida cristã.

Em certa ocasião, sendo Amparo adolescente e a caminho do ateísmo, seu avô lhe disse umas palavras que não haveria de esquecer nunca. Estavam entrando em uma igreja, e diante de uma imagem da Virgem lhe disse: "Olhe para os seus olhos. Ela é a única que vai te salvar e a que vai te levar à fé". A coisa parou por aí.

O resto foi uma queda livre: foi expulsa do colégio por brigar com uma freira, e um encontro com evangélicos acabou por arrematar seu caminho rebelde e ateu.

A revolução e as esquerdas

Eram os anos 70 e 80, e a oferta social que Amparo encontrou fora da Igreja era a dos movimentos revolucionários, a teologia da liberação marxista, Che Guevara, os movimentos feministas, abortistas, o indigenismo e esse grande etcétera. Ela se meteu de cabeça nisso tudo.

Se há algo que não se pode reprovar em Amparo é dizer que ela não foi uma pessoa coerente com os seus princípios. Ela tomou todas as bandeiras, as abraçou e se dedicou a elas. Ora a encontrávamos em uma confrontação armada ou em uma manifestação antigovernamental, ou ainda em uma campanha a favor dos direitos reprodutivos das mulheres, ou seja, promovendo os contraceptivos e o aborto.

Se radicaliza na Espanha

Como a situação política no Equador se complicou, seu pai a enviou à Espanha para estudar Pedagogia Social. Neste país ela obteve seu título universitário, porém, também sua radicalização política e o contato com outros movimentos revolucionários, ateus e anticlericais. Sua mentalidade feminista coincidia com a da ONU.

Já de volta ao Equador, sua visão feminista e de esquerda combinava perfeitamente bem com as políticas que a ONU levava a cabo na América Latina e, graças a ela e a sua formação, chegou a ser responsável no Equador do programa da UNFPA, isto é, do Fundo de População das Nações Unidas, de onde contava com todos os milhões de dólares que necessitasse para cumprir, ou melhor dizendo, impor os programas contrários à natalidade, a favor do aborto e da anticoncepção.

Meu trabalho: retirar a fé dos católicos

Amparo explicou na rede católica de televisão EWTN que "os grupos comunistas e socialistas sabem que a única instituição que pode romper as suas mentiras é a Igreja Católica. Então – confessou — a primeira coisa que buscam são argumentos que possam destruir a pouca fé que os católicos têm. Veja as notícias ou vá atrás desse sacerdote que não está vivendo a sua vida na graça com Deus… Publique-os e os lance na imprensa… E – concluiu — é preciso omitir que no Equador, 60% das obras de ajuda às pessoas pobres estão nas mãos da Igreja, pois isso se silencia".

Destruir a Igreja desde dentro

O grande problema dos sacerdotes é a sua solidão: "Nós íamos em busca dos sacerdotes abandonados nos povoados e nas montanhas para dizer-lhes que se Deus existia, então por que permitia a pobreza? 'A única maneira é a revolução. Una-se a nós, e nós vamos te ajudar'. Havia sacerdotes – lamenta agora — que cediam e que pensavam que teriam um grupo que lhe ajudaria, que lhe apoiaria, que estaria com ele… Em certas ocasionesoferecíamos dinheiro aos sacerdotes e às religiosas para que pudessem reconstruir, melhorar seus centros educativos com a única condição de que nos deixassem dar aulas de educação sexual e reprodutiva em seus colégios".

Afastando-se ainda mais de Deus…

Em Amparo se cumpre aquela citação de Chesterton que "quando se deixa de crer em Deus, logo se crê em qualquer coisa".

Imersa no ateísmo, não deixada de buscar algum resquício de espiritualidade na leitura de cartas, reiki, yoga…: "Como a vida na luta de esquerda era uma vida de pecado, você não podia se livrar das consequências do pecado. É a morte espiritual. São como pequenos pactos com o demônio. O demônio os cobra – adverte. Assim, comecei a sofrer por conta do dinheiro".

"Alguém me recomendou que eu fizesse uma limpeza de ambiente. Tinha meus próprios mantras… que agora, que pude traduzi-los, dizem 'eu pertenço a Satanás'. Fiz os mantras nos Estados Unidos e, inclusive, levei meus filhos ao xamã que era um mestre elevado da Religião Universal".

… embora Deus não estivesse distante

Em certa ocasião, estando em uma comunidade, Amparo desafiou a Deus. Havia uma mulher rezando, porém, ela começou a repreendê-la severamente e chamá-la de louca. Até o ponto em que acabou rasgando uma imagenzinha que a pobre senhora segurava.

À época, sua prepotência de revolucionária não lhe fornecia muitas outras soluções. Pouco depois veio o passo seguinte até a sua conversão.

Ferida por uma bala da polícia

Amparo havia participando de todo tipo de manifestações e lutas contra o governo. Em ocasiões mobilizando os indígenas e facilitando que estes acorressem armados com lanças. Porém, certo dia, estando em uma delas, foi atingida por uma bala. Quando sentiu o impacto, Amparo recorda de duas coisas: por um lado, seu marido e seus filhos e, por outro lado, uma paz inexplicável, total. Não tinha medo de partir. Tudo era alegria, gozo, paz…

Nisso, escutou uma voz que lhe cantava: " Vi uns olhos maravilhosos. Vi o amor. Eram os olhos da Virgem. Eram justamente os olhos da estampa que eu havia rasgado! A estampa da Virgem Milagrosa. Eu a vi como uma adolescente de 15 anos. Com roupas brancas…".

Enquanto ela sangrava, a única coisa que sentia era paz, alegria… Nesse momento a Virgem lhe disse: "Minha pequena, eu te amo". E lhe pediu que deixasse todas as causas que ela levava e que assumisse a causa de seu Filho. Também se deu conta de que por trás da Virgem havia um senhor mais idoso: era seu avô.

E seu marido pensou que ela estivesse louca

Quando acordou, narrou toda a experiência a seu marido, Javier. Ele pensou que ela estivesse louca, e não era para menos. Uma ateia convicta, militante anticatólica, e despertando daqueles sonhos…

Em seguida, levaram-na para que os altos mestres, psicólogos e peritos da Nova Era a examinassem e a convencessem de que aquelas experiências eram fruto de suas alucinações e dos ferimentos. Sem dúvida, "ninguém podia tirar da minha cabeça que era Deus".

Primeiramente, confessar-se

"A primeira coisa que precisava era um sacerdote. Precisava me confessar. A primeira coisa, em primeiro lugar, era a confissão. Eu pedia a Deus que não morresse no caminho, indo para casa, porque iria para o inferno. Na confissão estavam todos os pecados. Os mais horríveis".

Era uma nova etapa, e havia de começar desde o princípio, fazendo tudo bem feito. Assim, a primeira coisa que fiz foi aprender a amar Jesus, a amar os sacerdotes, a amar a Igreja, amar os sacramentos".

Amparo se sentia totalmente enlameada e também convidada a uma nova revolução: "O único que transforma o mundo é Deus. Eu não sou digna. É tão grande o amor de Deus…"

A conversão de seu marido

Amparo rezou e convidou seu marido Javier à conversão. Com o passar do tempo, Javier, revolucionário como ela, começou a dar provas de mudança por amor a Amparo.

Devia ser uma experiência dramática em si mesma pelo único fato de ter que romper com toda uma vida de convicções e luta comprometida. Amparo explica isso dessa maneira: "Meu marido aceitou crer em Deus e na Virgem, porém, não acreditava no sacramento. Todavia, Deus colocou um sacerdote santo em nosso caminho. Por fim, ele se confessou e sua confissão levou horas. Ao sair, sentiu que havia se livrado de toneladas de coisas".

Agora era hora de denunciar as mentiras da ONU

A conversão das pessoas, na maioria das vezes, é um processo longo e em etapas. Amparo estava a caminho, mas ainda não renunciara a toda sua vida de pecado. Necessitava de parte dela, pois seu salário das Nações Unidas era uma fonte necessária para a família e seu ritmo de despesas.

Tudo aconteceu quando uma amiga sua lhe pediu informações sobre a distribuição da pílula do dia seguinte por parte das Nações Unidas no Equador. Amparo era responsável pela sua importação e distribuição no país.

De fato, sua agência das Nações Unidas havia vendido ao Equador 400.000 (quatrocentas mil) doses da pílula do dia seguinte. A ONU em Nova York, a UNFPA no Equador: "Eles nos vendem a 25 centavos de dólar, e nós as vendemos entre 9 e 14 dólares. É um negocio e tanto".

No Equador houve um julgamento em que as Nações Unidas perderam a ação devido à distribuição da pílula e os pró-vidas ganharam, visto que tiveram que reconhecer que ela não é um método contraceptivo, mas sim anti-nidatório, ou seja, abortivo, e que se utiliza quando os métodos contraceptivos falham.

O ápice de sua decisão de converter-se e dar um passo definitivo até Deus aconteceu a caminho do tribunal nesse julgamento em que a ONU perdeu: "Quando estávamos levando a informação ao Tribunal, um jornalista me fez uma pergunta que pensei que era Deus quem me a fazia – estás com Deus ou estás com o demônio? –. A pergunta foi: O que eu pensava da pílula do dia seguinte? E, claro, eu continuava trabalhando para as Nações Unidas e apoiava todas as organizações pró-aborto. Nesse momento me dei conta de que era o momento de dizer a verdade e deixar de mentir a mim mesma. Era uma incoerência ser católica e ao mesmo tempo, por dinheiro, continuar apoiando uma organização que vai contra os meus valores. E, claro, disse a verdade e as Nações Unidas me despediram".

O que existe por trás das Nações Unidas?

Por trás dos projetos da ONU, atrás das palavras bonitas que usam quando falam de saúde reprodutiva, na realidade, há toda uma promoção do aborto e dos contraceptivos. É o único objetivo para toda América Latina.

Na entrevista de Amparo à cadeia de televisão norte-americana EWTN, denunciava que no livro "Cuerpos, tambores y huellas", editado pelas próprias Nações Unidas, se reconhece a promoção das relações sexuais com crianças desde os 10 anos. E que nele se explica claramente três coisas:

  1. que os pais não devem ser informados da educação sexual que seus filhos recebem;
  2. - que as escolas devem distribuir contraceptivos a seus alunos sem o conhecimento e consentimento dos pais;
  3. - e que se um professor ou médico chegasse a informar aos pais de que seus filhos estão usando contraceptivos, esse professor ou médico deve ser expulso de seu trabalho por romper o sigilo profissional.

Amparo, e não só ela, denuncia a existência de um todo um negócio em que não se desperdiça nada: promove-se as relações sexuais entre crianças e adolescentes, e se lhes vendem preservativos. Como estes falham, então se lhes oferece o aborto ou a pílula do dia seguinte. Como o aborto produz restos humanos, estes servem bem para a experimentação ou bem para extrair algumas sustâncias que depois se usam em cremes, xampus, etc. Negócio completo.

Assistam a uma conferência de Amparo Medina a seguir:

E agora na luta pela vida

A realidade foi mais dura do que o previsto em um primeiro momento. O casal perdeu tudo quando saiu da revolução. Eles tiveram que renunciar a muitas coisas, as primeiras foram os bens materiais. Porém, foi "bonito encontrar juntos o amor de Deus e eliminar os mitos relativos aos sacerdotes, à Virgem, à Igreja…"

Amparo Medina e seu marido Javier Salazar são pais de três filhos. Ela é Diretora executiva de Ação Pró-vida Equadore, além disso, colabora e assessora outros organismos.

Agora também luta pela família, mulheres e crianças, mas a partir da verdade integral das pessoas, e não a partir do negócio econômico.

Ameaças de morte

Um novo enfoque, sim, mas não isento de perigos. Assim, Amparo tem sofrido ameaças de morte como a que recebeu não faz muito tempo em uma caixa de sapatos, dentro da qual havia uma ratazana morta com a mensagem"morte aos pró-vidas" e "lembre-se que os acidentes existem, lembre-se que as mortes acidentais são o dia a dia deste país, NÃO PROSSIGA COM SUA CAMPANHA ANTI MULHER E HOMOFÓBICA…Morte aos traidores, morte aos anti Pátria, MORTE OU REVOLUÇÃO".

Amparo não se assusta. E continua com sua luta confiante que tem em mãos a possibilidade de defender milhares de vidas humanas.

Por: Religión en Libertad | Tradução: Fratres in Unum.com