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“Como cientista, posso afirmar que a homossexualidade não é inata”

Sem medo de enfrentar o “politicamente correto” e ser tachado de “homofóbico”, este especialista assegura: é possível sim a mudança de conduta daqueles que se sentem atraídos por pessoas do mesmo sexo.

O dr. Jokin de Irala, médico e investigador da Universidade de Navarra, explica que a exclusão desta conduta do manual de doenças da APA ocorreu por simples votação. Questiona o fato de que todos os que criticam o fenômeno sejam considerados homofóbicos. O médico, mestre em saúde pública e especializado em afetividade e sexualidade humana, assinala nesta entrevista a necessidade de transpor para o plano científico o debate sobre a homossexualidade. Irala afirma que a homossexualidade é um desenvolvimento inadequado da identidade sexual e assegura que é possível a mudança de conduta daqueles que se sentem atraídos por pessoas do mesmo sexo.

– Há alguma prova científica de que se nasce homossexual?

– Como cientista, diria que a homossexualidade se produz, não é inata, decididamente. Deve-se dizer que, de fato, não existe nenhuma evidência científica que apoie a teoria genética da homossexualidade ou que ela possa ser inata. Os especialistas em homossexualidade que trabalham em associações científicas como a NARTH nos EUA (Associação Nacional de Investigação e Terapia da Homossexualidade) afirmam que se trata de um desenvolvimento inadequado da identidade sexual. Por isso, deveríamos pelo menos aceitar que o debate científico sobre este tema possa continuar existindo.

– De onde vem a corrente de pensamento que afirma que é uma opção sexual normal?

– Esta ideia de que uma pessoa nasce homossexual tem a sua origem nos anos 70, quando os ativistas da homossexualidade nos EUA fizeram muito lobby para que a APA, que é a Associação Americana de Psiquiatras, excluísse o tema do manual de classificação de doenças. Assim, realizaram uma votação da qual participaram 25% dos membros e cujo resultado foi de 69% favoráveis à exclusão da homossexualidade dessa lista. Que eu saiba, este é o único caso na medicina em que foi decidido se algo é uma doença ou não por meio de uma simples votação de quem assiste a uma reunião. É como se na sociedade espanhola de endocrinologia fosse realizada uma votação para decidir, a favor ou contra, se a obesidade é um problema de saúde. Isto não tem precedentes. O que precisa ser feito é analisar o problema com estudos científicos.

– Trata-se de uma conduta que pode ser alterada?

– Há dados científicos, estudos publicados em revistas científicas que mostram que a homossexualidade pode, sim, ser alterada com uma terapia adequada, inclusive nos EUA há associações de ex-gays. Muitos deles protestam porque dizem que estes grupos de ativistas não deixam que se saiba que a mudança é possível. E não só não deixam que se saiba como não admitem que alguém possa livremente pedir ajuda. Há, por exemplo, o caso de um juiz de Lombardia (Itália) que declarou ilegal tratar a um homossexual, mesmo que ele o peça livremente. Isto é inacreditável. É um atentado contra a autonomia do paciente.

– Em que se baseiam?

– Afirmam que a terapia é quase uma tortura, traumática, com choques elétricos. No entanto, não tem nada a ver com isto. O tratamento é basicamente psicoterapia. Ora, não se pode impedir que as pessoas decidam livremente pedir ajuda. E é preciso dizer que hoje se utiliza o termo AMS para identificar a atração por pessoas do mesmo sexo, porque uma coisa é alguém se sentir atraído por pessoas do mesmo sexo, outra é que alguém, por causa dessas atrações, acabe tendo relações sexuais de tipo homossexual. O fato de que uma pessoa se sinta atraída não significa, de modo nenhum, que seja homossexual. De fato, hoje em dia, com o ambiente pró-homossexual que nos rodeia e com a cultura que existe, há muitos casos de jovens que simplesmente se sentem confusos e pedem ajuda.

– E quais seriam as causas desta conduta?

– Há diversas causas possíveis, mas parece que a maioria dos casos de homossexualidade se deve à falta de identificação dentro da família com a figura do homem ou da mulher. Tornou-se muito comum a imagem do pai autoritário, passivo, ausente da vida de um rapaz que talvez seja sensível e perfeccionista. Ou de uma mãe muito possessiva do ponto de vista emocional. Este é um dos principais caminhos que conduzem à homossexualidade.

– Há outras?

– Outro caminho, que se cruza e junta a este, é que aquele rapaz sensível, por exemplo — e não há problema nenhum em sê-lo —, é rejeitado na escola pelos outros meninos por causa dessa sensibilidade. Esta rejeição pode levar a uma diminuição de sua autoestima como homem e, por conseguinte, quando chegar à puberdade, a uma orientação homossexual. Outra causa é a conhecida ambiguidade da identidade sexual nos adolescentes. É normal que um adolescente, menino ou menina, possa ter dúvidas sobre a própria identidade sexual, mas essa ambiguidade, se bem conduzida, acaba fortalecendo a identidade masculina ou feminina dos jovens, não traz problemas, leva à heterossexualidade. O problema atual é que esta situação tem sido mal administrada e o que se diz a esse jovem é que "saia do armário".

– Existem problemas de saúde ligados à homossexualidade?

– Sim, a atividade sexual de tipo homossexual acarreta problemas de saúde, alguns dos quais são específicos. Além dos problemas associados à promiscuidade sexual e às infecções de transmissão sexual, que também ocorrem entre heterossexuais promíscuos, existem problemas associados à utilização dos órgãos sexuais sem levar em conta que, por seu próprio "desenho", eles estão orientados à complementaridade entre homem e mulher.

– Por que, apesar dos dados científicos, se continua negando o problema?

– Há muitas razões. A primeira é que há desinformação. Muitos profissionais não dispõem desses dados e apenas utilizam o manual da APA. Sem contar as ideologias, os interesses econômicos e também a realidade do medo. Há profissionais que sabem disto, mas o preço que têm de pagar por afirmá-lo é muito caro. Se na Espanha um psiquiatra anunciasse que é terapeuta da homossexualidade, o lógico seria que lhe queimassem a porta do consultório, podendo acabar sem clientes.

– Qual seria o ponto de equilíbrio?

– O equilíbrio está em reivindicar um respeito incondicional por todas as pessoas com sentimentos homossexuais. Seria necessário compatibilizar a ciência com o respeito pela liberdade; deve ser possível o debate científico sobre o tema. Deve haver a possibilidade de que eu, como cientista, possa dar a minha opinião sobre a homossexualidade sem que me acusem de homofóbico só porque tenho uma postura contrária à das organizações gays.

– Há também muito de sentimentalismo neste tema…

– Efetivamente. Por isso é preciso separar este assunto do sentimento e do afeto. Há quem diga: "O meu filho homossexual é uma boa pessoa e eu o amo". É claro que sim, está certo, mas isso não tem nada a ver com o que estamos discutindo. Não é uma questão de ser boa ou má pessoa, não é uma questão de sentimento. Pode-se amar muito a um filho homossexual; agora, isso não quer dizer que não se possa opinar que se trata de um problema e que existe, além disso, uma solução possível. É como se o debate sobre a diabete fosse sobre se os diabéticos são boas pessoas; ora, isto é levar a discussão para o campo dos sentimentos.

– No entanto, há o receio de discriminar.

– É claro que a discriminação é uma barbaridade, mas isso não quer dizer que haja o direito de adotar, por exemplo. Não se podem confundir as coisas, este é outro problema. O problema é que hoje se quer tachar de homofóbica qualquer pessoa que simplesmente não opine na linha do homossexualismo político.

Fonte: Katehon | Tradução: Senza Pagare | Adaptação: Equipe CNP

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O que os católicos devem fazer para ajudar os homossexuais?

É na Igreja dos santos, e não nas boates e festas mundanas, que os homossexuais podem viver a plena felicidade. E é dever dos católicos convencê-los disso!

O fenômeno da homossexualidade já não pode ser ignorado por nenhuma esfera da sociedade. O tema já se tornou praticamente onipresente, especialmente no mundo das artes e das comunicações, a ponto de as pessoas se sentirem quase que impelidas a aceitar a propaganda LGBT promovida pela mídia.

É verdade, a prática homossexual existe desde o pecado original. O que há de novo na contemporaneidade é a tentativa de se construir uma "cultura gay", em que a homossexualidade seja vista como uma fonte positiva de comportamento, ainda que sua prática "esteja ameaçando seriamente a vida e o bem-estar de um grande número de pessoas" [1].

São incontáveis, de fato, os testemunhos de rapazes e moças que se encontram escravos de suas próprias paixões porque adotaram ingenuamente esse estilo de vida em que o sexo se torna um deus. Joseph Sciambra é um caso notável. Em seu livro Swallowed by Satan ("Engolido por Satanás", sem tradução para o português), o ex-ator homossexual conta como a pornografia e a propaganda do movimento LGBT quase o mataram.

Aos 19 anos, Sciambra saiu à procura de experiências mais "ousadas" que aquelas que via nos filmes eróticos. Frequentando um bairro gay de São Francisco, nos Estados Unidos, o então rapaz engatou um relacionamento com um homem mais velho, que o conduziu para a indústria pornográfica. Depois de envolver-se com o ocultismo e gravações cada vez mais violentas, Sciambra desenvolveu sérios problemas de saúde e se viu às portas do inferno. Uma vez recuperado do trauma e reconciliado com a graça de Deus, o rapaz decidiu iniciar seu apostolado para ajudar outros homossexuais a lidarem de maneira sadia com a própria sexualidade, longe das promessas de felicidade da cultura LGBT. É chocante um vídeo divulgado em seu site, no qual ele elenca uma série de atores pornográficos que morreram por causa do HIV.

De maneira idêntica à narrada acima, outros tantos homossexuais estão aprisionados pela cultura gay, que os trata como objetos de prazer. E o exemplo mais triste dessa desordem é o famoso caso do "clube do carimbo", a prática de transmitir HIV propositalmente a outras pessoas — que se tornou moda nas casas noturnas dedicadas a esse público.

A resposta católica à homossexualidade

A dificuldade da maior parte dos católicos com relação a esse tema é não saber distinguir a pessoa com tendências homossexuais — esta deve ser acolhida e amada generosamente — e a "cultura gay" — uma ideologia que tem como motor as paixões e as frustrações de muitos homossexuais. Essa falta de conhecimento da moral da Igreja conduz a muitos desentendimentos. Por isso, não há nada mais urgente que uma resposta clara dos católicos à homossexualidade, a fim de que as pessoas que experimentam essa tendência não se sintam seduzidas por um estilo de vida autodestrutivo.

A grande diferença entre a perspectiva católica e a "cultura gay" é que esta última define a identidade humana a partir de seu apetite concupiscível, ao passo que aquela entende que a "pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus, não pode definir-se cabalmente por uma simples e redutiva referência à sua orientação sexual" [2]. A Igreja recusa-se "a considerar a pessoa meramente como um 'heterossexual' ou um 'homossexual'" porque sabe precisamente que a identidade fundamental de todo e qualquer homem é a de "ser criatura e, pela graça, filho de Deus, herdeiro da vida eterna" [3]. É dessa autêntica antropologia, radicada no íntimo do coração humano, que se pode desenvolver um verdadeiro serviço às pessoas com atração pelo mesmo sexo.

As pessoas com tendências homosssexuais podem, certamente, contribuir de maneira positiva para a sociedade por meio de um testemunho louvável e coerente, chegando mesmo à santidade. Não faltam exemplos de homossexuais que demonstram, e.g., um carinho imenso por seus familiares, zelando e cuidando deles no tempo da velhice. A Igreja reconhece essas virtudes, sublinhando, porém, que elas não derivam de uma vivência desordenada da sexualidade, mas procedem justamente daquela "semente divina" que está depositada no coração dos homens e por meio da qual eles são chamados à comunhão com Deus [4].

De fato, a homossexualidade é um desafio e implica uma séria renúncia. Trata-se mesmo de uma cruz. Porque a "atividade homossexual não exprime uma união complementar, capaz de transmitir a vida", as pessoas que a ela se entregam "reforçam dentro delas mesmas uma inclinação sexual desordenada, caracterizada em si mesma pela auto-complacência" [5]. E isso as impede de atingir a maturidade ideal como também torna menos eficazes as suas virtudes humanas, que poderiam evoluir mais perfeitamente se não fossem deturpadas pela perniciosidade de um comportamento desordenado. Notem que a mesma crítica é válida para heterossexuais que não vivem a vocação ao matrimônio, preferindo a masturbação e as relações efêmeras.

Neste sentido é que a fé católica defende "uma particular solicitude pastoral" para com os homossexuais, a fim de que eles não sejam "levados a crer que a realização concreta de tal tendência nas relações homossexuais seja uma opção moralmente aceitável" [6]. Os homossexuais necessitam encontrar um ambiente discreto, seguro e amoroso, onde possam compartilhar seus dramas íntimos sem o risco de serem expostos à humilhação pública ou, pior, ao isolamento.

O papel da família

Infelizmente, algumas situações de preconceito injusto e má vontade existem no seio da família e em outros ambientes sociais, de sorte que muitos jovens com atração pelo mesmo sexo acabam procurando refúgio no mundo LGBT.

A Igreja mesmo deplora "firmemente que as pessoas homossexuais tenham sido e sejam ainda hoje objeto de expressões malévolas e de ações violentas", ao mesmo tempo em que defende "um programa pastoral autêntico", por meio do qual esses jovens, sobretudo, possam ser ajudados "em todos os níveis da sua vida espiritual, mediante os sacramentos e, particularmente, a frequente e sincera confissão sacramental, como também através da oração, do testemunho, do aconselhamento e da atenção individual" [7]. É desta forma que "a comunidade cristã na sua totalidade pode chegar a reconhecer sua vocação de assistir estes seus irmãos e irmãs, evitando-lhes tanto a desilusão como o isolamento" [8]. É evidente que os pais devem favorecer o diálogo com os filhos para que eles não caiam em falsas promessas ideológicas.

Os homossexuais, assim como qualquer pessoa, são chamados a crescer no amor a Deus e ao próximo, até que estejam totalmente configurados aos sentimentos de Cristo. E isso depende também da ajuda de boas amizades, que os motivem a adquirir mais e mais virtudes humanas e sobrenaturais, de modo que o seu agir já não seja em função da carne, mas da conquista de uma coroa incorruptível. É na Igreja dos santos, não nas boates e noitadas, que os homossexuais podem viver a plena felicidade. E é dever dos católicos convencê-los disso!

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Congregação para a Doutrina da Fé, Carta aos bispos da Igreja Católica sobre o atendimento pastoral das pessoas homossexuais, 1 de out. 1986, n. 9.
  2. Ibidem, n. 16.
  3. Ibidem, n. 2.
  4. Concílio Vaticano II, Const. Past. Gaudium et Spes, 7 de dez. 1965, n. 3.
  5. Congregação para a Doutrina da Fé, op. cit., n. 7.
  6. Ibidem, n. 3.
  7. Ibidem, n. 15.
  8. Ibidem.

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O que Chesterton diria sobre o “casamento gay”?

Embora a expressão “casamento gay” seja nova, as raízes dessa ideia são muito mais antigas — e Chesterton já havia alertado para o seu perigo

Por Dale Ahlquist | Tradução: Equipe CNP — Um dos temas prementes na época de Chesterton era o "controle de natalidade". Ele não fazia objeção apenas à ideia, mas ao próprio termo, porque significava o oposto do que queria dizer. Não significava nem natalidade, nem controle. Posso supor que ele teria as mesmas objeções contra o "casamento gay". Não só a ideia, como também o nome está errado: o "casamento gay" não é gay, no sentido original do termo [1], nem é casamento.

Chesterton era sempre sensato em seus pronunciamentos e profecias porque entendia que qualquer coisa que atacasse a família era ruim para a sociedade. Foi por isso que ele falou contra a eugenia e a contracepção, contra o divórcio e o "amor livre" (outro termo que ele rejeitava por sua falsidade), mas também contra a escravidão assalariada e a educação estatal compulsória, com mães contratando outras pessoas para fazer o que elas foram designadas para fazer por si mesmas. É seguro dizer que Chesterton se levantou contra toda moda e tendência que hoje nos aflige porque cada uma dessas modas e tendências minava a família. Um Estado intervencionista ( Big Government) tenta substituir a autoridade da família, e um Mercado dominador (Big Business) tenta substituir a sua autonomia. Há uma constante pressão comercial e cultural sobre o pai, a mãe e os filhos. Eles são minimizados, marginalizados e, sim, ridicularizados. Mas, como diz Chesterton, "esse triângulo de truísmos — pai, mãe e filho — não pode ser destruído; só se destroem as civilizações que o desprezam" [2].

A legalização das uniões homossexuais não é nem o último nem o pior ataque à família, mas tem um valor impressivo, apesar do processo de dessensibilização em que nos colocaram as indústrias de informação e entretenimento ao longo dos últimos anos. Quem tenta protestar contra a normalização do anormal é recebido "ou com ataques ou com o silêncio" — assim como Chesterton, quando ele tentou argumentar contra as novas filosofias promovidas pela maior parte dos jornais de sua época. Em 1926, ele alertou: "A próxima grande heresia será um ataque à moralidade, especialmente à moral sexual" [3]. Seu aviso passou desapercebido, enquanto a moral sexual decaía progressivamente. Mas vamos nos lembrar que tudo começou com o controle da natalidade, que é uma tentativa de viver o sexo por ele mesmo, transformando um ato de amor em um ato de egoísmo. A promoção e a aceitação do sexo sem vida, estéril e egoísta evoluiu, logicamente, para a homossexualidade.

Chesterton mostra que o problema da homossexualidade como inimiga da civilização é bem antigo. Em O Homem Eterno, ele descreve que o culto à natureza e a "simples mitologia" produziram uma perversão entre os gregos. "Da mesma forma que eles se tornaram inaturais adorando a natureza, assim eles de fato se tornaram efeminados adorando o homem". Qualquer jovem, ele diz, "que teve a sorte de crescer de modo sensato e simples" sente um repúdio natural pela homossexualidade porque "ela não é verdadeira nem para a natureza humana, nem para o senso comum". Ele argumenta que, se tentarmos agir indiferentemente em relação a ela, estaremos nos enganando a nós mesmos. É "a ilusão da familiaridade" quando "uma perversão se torna uma convenção" [4].

Em Hereges, Chesterton quase faz uma profecia sobre o abuso da palavra "gay". Ele escreve sobre a "poderosa e infeliz filosofia de Oscar Wilde", "a religião do carpe diem". Carpe diem significa "aproveite o dia", faça o que quiser, sem pensar nas consequências, viva apenas pelo momento. "No entanto, a religião do carpe diem não é a religião das pessoas felizes, mas a das absolutamente infelizes" [5]. Há um desespero bem como um infortúnio ligado a isso. Quando o sexo é apenas um prazer momentâneo, quando não oferece nada além de si mesmo, ele não traz nenhuma satisfação. É literalmente sem vida. E, como Chesterton escreve em seu livro São Francisco de Assis, "no momento em que o sexo deixa de ser um servo, ele se torna um tirano" [6]. Essa é talvez a mais profunda análise do problema dos homossexuais: eles são escravos do sexo. Estão tentando "perverter o futuro e desfazer o passado". Eles precisam ser libertados.

O pecado tem consequências. Ainda assim, Chesterton sempre sustenta que devemos condenar o pecado, não o pecador. E ninguém mostra mais compaixão pelos decaídos do que ele. Sobre Oscar Wilde, que ele chama de "o chefe dos decadentes" [7], Chesterton diz que ele cometeu um "erro monstruoso", mas também sofreu monstruosamente por isso, indo para uma terrível prisão, onde ele foi esquecido por todas as pessoas que antes tinham brindado a sua rebeldia impulsiva. "A vida dele foi completa, naquele sentido inspirador em que a minha vida e a sua são incompletas, já que nós ainda não pagamos por nossos pecados. Nesse sentido, podemos chamar a vida dele de perfeita, assim como falamos de uma equação perfeita, que é neutralizada. De um lado, nós temos o saudável horror ao mal; de outro, o saudável horror à punição" [8].

Chesterton se referia ao comportamento homossexual de Wilde como um pecado "altamente civilizado", por ser uma das piores aflições entre as classes ricas e ilustradas. Era um pecado ao qual Chesterton nunca havia sido tentado, e ele diz que não é uma grande virtude nunca termos cometido um pecado ao qual não fomos tentados. Outra razão pela qual devemos tratar nossos irmãos e irmãs homossexuais com compaixão. Nós conhecemos nossos próprios pecados e fraquezas o suficiente. Fílon de Alexandria dizia: "Seja gentil, pois todos à sua volta estão lutando uma batalha terrível".

Compaixão, contudo, não significa jamais compromisso com o mal. Chesterton ressalta aquele equilíbrio pelo qual nossa verdade não deve ser desprovida de piedade, nem a nossa compaixão deve ser separada da verdade. A homossexualidade é uma desordem. É contrária à ordem. Os atos homossexuais são pecaminosos, ou seja, são contrários à ordem de Deus. Eles jamais poderão ser normais. Pior ainda, jamais sequer poderão ser vividos normalmente. Como diz o grande detetive Padre Brown: "Os homens até podem se manter em um nível razoável de bondade, mas ninguém jamais foi capaz de permanecer em um nível de maldade. Essa estrada conduz ao fundo do abismo" [9].

O matrimônio é entre um homem e uma mulher. Essa é a ordem. E a Igreja Católica ensina que essa é uma ordem sacramental, com implicações divinas. O mundo tem feito uma sátira do casamento que agora culminou com as uniões homossexuais. Mas foram os homens e as mulheres heterossexuais que pavimentaram o caminho para essa decadência. O divórcio, que é algo anormal, é agora tratado como normal. A contracepção, outra coisa anormal, é agora tratada como normal. O aborto ainda não é normal, ainda que seja legal [10]. Legalizar o "casamento" homossexual não o tornará normal, só vai aumentar ainda mais a confusão dos tempos e a decadência da nossa civilização. Mas a profecia de Chesterton permanece: não seremos capazes de destruir a família. Ao desprezá-la, o que vamos fazer é simplesmente destruir-nos a nós mesmos.

Fonte: Crisis Magazine | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

Notas e referências

  1. Antes de significar "homossexual", a palavra inglesa gay remetia simplesmente à ideia de alegria e despreocupação.
  2. CHESTERTON, G. K. The Superstition of Divorce. London: Chatto & Windus, 1920, p. 63.
  3. ______. The Next Heresy. In: The Chesterton Review 26 (3), p. 295-298 (2000).
  4. ______. O Homem Eterno (trad. de Almiro Pisetta). São Paulo: Mundo Cristão, 2010, p. 164-165.
  5. ______. Hereges (trad. de Antônio Emílio Angueth de Araújo). 3. ed. Campinas: Ecclesiae, 2012, p. 119.
  6. ______. Saint Francis of Assisi. London: Hodder and Stoughton, 1923, p. 30.
  7. ______. The Victorian Age in Literature. London: Williams and Norgate, 1913, p. 226.
  8. ______. Oscar Wilde. In: On Lying in Bed and Other Essays. Calgary: Bayeux Arts, 2000, p. 248.
  9. ______. The Flying Stars. In: A Inocência do Padre Brown. Porto Alegre: L&PM, 2011.
  10. Nos Estados Unidos, o aborto é legalizado desde a famosa decisão Roe vs. Wade, de 1973.

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Saiba por que estes três homossexuais voltaram para a Igreja Católica

Dan, Rilene e Paul participaram de um documentário para dizer que a castidade é possível para todos — inclusive para quem sofre com a atração por pessoas do mesmo sexo.

"Eu acho que a solidão é o estado de maior desolação em que o ser humano pode se encontrar. A solidão não é um estado de isolamento físico. A solidão é o sentimento de que, não importa onde você esteja, ninguém sabe quem você é. É estranho experimentar esse isolamento das pessoas mesmo quando você está cercado por elas. E então ter de simular um semblante feliz todos os dias."

As palavras são de Daniel Mattson, um dos protagonistas do documentário norte-americano Desire of the Everlasting Hills"Desejo pelas Colinas Eternas", em português. O filme é produzido pelo grupo Courage International, um apostolado católico que ajuda pessoas com atração pelo mesmo sexo (AMS) a viverem a castidade.

Clique aqui para assistir ao documentário "Desejo pelas Colinas Eternas", com legendas em português.

Apesar da autoria, a produção de uma hora não é nenhum pouco parecida com alguma homilia ou lição de Catecismo. Trata-se simplesmente do testemunho de três filhos de Deus que, assim como o filho pródigo do Evangelho, se cansaram do pecado e decidiram voltar para a casa do Pai.

Eles são Daniel Mattson, Rilene Simpson e Paul Darrow. Todos foram criados, pelo menos nominalmente, como católicos, mas as suas vidas seguiram rumos totalmente diferentes a partir disso.

Dan viveu desde cedo um conflito muito forte em relação à sua sexualidade, mas não era capaz de se abrir sobre o assunto com ninguém. No mundo virtual, ele conheceu um rapaz com quem teve o primeiro encontro sexual. Um relacionamento estável e até um breve namoro com uma mulher só aumentariam ainda mais a sua confusão, até que ele finalmente se decidisse a viver a castidade.

Com Rilene, tudo foi diferente. A homossexualidade nunca tinha sequer passado pela sua cabeça. Quando jovem, ela conta que queria realmente encontrar um homem, ter um encontro e casar-se, mas isso nunca chegou a acontecer. Foi quando ela conheceu Margo e as duas acabaram vivendo juntas por longos 25 anos, até que Rilene começasse a sentir a necessidade de algo a mais.

Paul, por sua vez, era modelo internacional durante o período de "sexo, drogas e rock n'roll" da Nova Iorque dos anos 70. Ele avalia que suas relações homossexuais chegaram à casa dos "milhares". Quando não estava trabalhando, ele aproveitava os atrativos de uma vida hedonista e selvagem, sem remorsos ou consequências. Até que um exame de HIV abriu os seus olhos e virou a sua vida de ponta-cabeça.

A história de cada um deles é única e irrepetível, mas todas têm em comum um ponto de virada, um momento de epifania que os levou de volta à Igreja Católica e à fé que há muito eles haviam abandonado.

O testemunho mais impressionante, sem dúvida, é o de Paul. Enquanto dirigia o seu carro rumo ao hospital, seguro de que seria diagnosticado como soropositivo, o seu sentimento de morte iminente foi repentinamente substituído por uma paz e uma voz consoladora que lhe dizia: "Paul, você não tem AIDS porque tem muito a fazer para reparar a vida que você tem vivido". Aquela intuição desconhecida terminou se revelando correta: o seu exame de HIV deu negativo e foi o gatilho para que ele começasse um processo de conversão. Aconselhado por uma religiosa simpática da televisão — ninguém menos que Madre Angélica, do canal católico EWTN —, ele procurou um confessionário e reconciliou-se com Deus.

"Eu percebi que precisava usar todo o tempo que me restava para expressar o meu amor a Deus e a minha gratidão por tudo o que Ele fez e por Ele nunca ter me esquecido durante todas as décadas em que eu O esqueci e me voltei contra Ele", declara Paul.

Dan hesitava em fazer o filme porque nunca tinha "saído do armário" publicamente e não queria ser ridicularizado por seus conhecidos. Mas o seu desejo de ajudar os outros fez com que ele superasse a sua vergonha. "Nós fomos feitos para coisas melhores do que aquilo com que nos conformamos", ele diz. "Por toda a minha vida, eu havia me conformado, mas não quero me conformar mais, mesmo que isso signifique viver uma vida sozinho. Eu posso fazer isso! Eu não quero voltar atrás."

Rilene, por sua vez, decidiu entrar no projeto para "reparar" a sua vida passada. No final do documentário, perguntada sobre o que a Rilene dos velhos tempos teria a dizer à Rilene católica de hoje, ela é sincera: "Ela iria rir histericamente, iria pensar que isso é ridículo". Para ela, as "coisas de igreja" eram "apenas para pessoas fracas, que não conseguem se relacionar, pessoas que são pobres, doentes e não podem administrar suas vidas". "De fato — ela brinca —, é isso mesmo, aqui estou eu!"

Paul termina o seu testemunho com um belíssimo relato de amor à Eucaristia. Ele conta que era relativamente feliz durante a sua juventude, principalmente quando convivia "com pessoas belas e famosas em coberturas com vista para o horizonte espetacular de Nova Iorque". Agora, porém, ele encontrou algo muito maior: o Santíssimo Sacramento. "Aquela euforia que durou um tempo da minha vida, não é nada, absolutamente nada, em comparação com quando eu estou recebendo o corpo e o sangue de Nosso Senhor, na igreja durante a Missa."

O emocionante "Desejo pelas Colinas Eternas" está fazendo sucesso em todo o mundo e pode ser assistido na íntegra, com legendas em várias línguas, inclusive para o português, no sítio do documentário na Internet. Assista e seja também você bem-vindo à Igreja Católica.

Com informações de National Catholic Register | Por Equipe CNP

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A conversão de Oscar Wilde

Depois de uma juventude de homossexualidade e escândalos, o escritor inglês se arrependeu ao fim da vida e morreu recebendo os sacramentos da Igreja.

Por Francesco Agnoli | Tradução: Equipe CNP — No dia 30 de novembro de 1900, morria, em Paris, o escritor Oscar Wilde, autor do famoso romance "O Retrato de Dorian Gray". A sua figura é frequentemente instrumentalizada e mal compreendida, tanto na profundidade de sua obra quanto no drama de sua vida. Por isso, pode ser útil recordar ao menos algumas coisas.

Wilde nasce em Dublin, no atual território da Irlanda, em 16 de outubro de 1854. O seu pai, sir William, é um médico de muito renome, que "muda com mais frequência de amante que de camisa". Sua mãe, Jane, "não é muito dada ao cuidado da casa, nem à educação moral dos filhos" [1].

William e Jane vivem uma relação "aberta", com todas as suas consequências. Quando Oscar nasce, a mãe, "que esperava ardentemente uma menina", fica desiludida e termina projetando sobre o filho homem os seus desejos: o pequeno Oscar é vestido como menina, "enfeitado com laços e rendas", e sofre tanto com as imposições da mãe quanto com a ausência do pai. Muitos biógrafos jogam luz sobre o fato de que Wilde tinha interiorizado uma figura negativa de pai, e isso o impediu de desenvolver plenamente a sua virilidade e o seu senso de paternidade. O escritor vai acabar procurando, em outras figuras masculinas, o pai que nunca teve, além de ser, dentro da própria família, o marido infiel e o pai ausente que ele tanto desprezava em seu pai.

Wilde logo se separa de sua família e vai para a universidade, primeiro ao Trinity College, de Dublin, e depois a Oxford. Em certos aspectos ele vai continuar sendo "uma eterna criança", incapaz de "amadurecer, pelo menos no plano afetivo".

Seu pai não é para ele objeto de admiração. De fato, Oscar não aprova "a libertinagem desenfreada do pai e não exclui que, justamente como reação aos excessos paternos, ele tenha concebido desde a adolescência uma espécie de relutância a estabelecer relações de compromisso com as mulheres". Ele se casará, amará a sua mulher, mas, assim como o seu pai, jamais conseguirá fazê-lo verdadeiramente, alternando os remorsos e o desejo de reatar o casamento com a insegurança e a instabilidade de suas múltiplas e fugazes relações com mulheres, homens e adolescentes. O vértice de sua depravação – como ele mesmo dirá – levará o escritor, depois do sucesso, à prisão, bem como a uma saúde frágil, graças ao uso prolongado de álcool... até o fim dos seus dias.

Encarcerado em 1895, depois de ser acusado de relações homossexuais com vários adolescentes e prostitutos, Wilde escreve da prisão à sua mulher, Constance: "Perdoa-me... os meus pecados têm sido tremendos e imperdoáveis". Wilde sente vergonha da sua vida passada, anela por sua regeneração, por seu renascimento, faz com que lhe dêem um Evangelho, os escritos dos cardeais Newman e Manning, a História dos Papas... e planeja escrever, uma vez fora do cárcere, alguma coisa sobre São Francisco, quase como uma reparação por sua "selvagem perseguição do prazer que torna áridos o corpo e o espírito". Em 1897, ele escreve uma carta ao seu amante, o lorde Alfred Douglas, que leva o título De profundis – as palavras iniciais do Salmo 130.

Em 30 de novembro de 1900, Oscar Wilde morre, depois de ter entrado para a Igreja Católica — da qual sempre havia sido admirador confesso — e de ter recebido o sacramento da Extrema Unção [2].

Assim como Charles Baudelaire, Paul Verlaine, Arthur Rimbaud e Joris-Karl Huysmans (que depois se tornará oblato beneditino), todos tendo passado, uns mais outros menos, por um forte relacionamento com a fé religiosa, também Wilde não pode ser compreendido senão remontando à sua pergunta: são os prazeres do mundo, os "frutos terrestres", que saciam a fome do homem, ou, ao contrário, a nossa "inquietude", para citar Agostinho, é saciada somente pelo encontro com Deus?

Reportamos abaixo algumas frases de seu livro De profundis, escrito quando o poeta já não estava mais sobre um palco, mas debaixo do pedestal sob o qual ele mesmo quis se meter, para ser, por si mesmo, o sentido da própria vida; escrito quando, no lugar dos prazeres sensuais e da dissipação, restaram apenas a dor e a solidão; quando a tentativa de construir uma vida esplêndida, para além do bem e do mal, "como se Deus não existisse" e "tudo fosse permitido", terminou se revelando um fracasso:

"Devo dizer a mim mesmo que eu me arruinei, e que ninguém, grande ou pequeno, pode ser arruinado, exceto por sua própria mão. Estou quase pronto para dizê-lo. Estou tentando dizê-lo, ainda que, no presente momento, talvez não seja o que pensem. Essa cruel acusação eu trago sem piedade contra mim mesmo. Foi terrível o que o mundo fez para mim, mas muito mais terrível foi o que eu fiz a mim mesmo. [...] Diverti-me sendo um vagabundo, um dândi, um homem da moda. Acerquei-me das naturezas mais baixas e das mentes mais mesquinhas. Tornei-me o dissipador do meu próprio gênio, e trouxe-me uma curiosa alegria desperdiçar uma eterna juventude. Cansado de ficar nas alturas, deliberadamente desci às profundezas, à procura de uma nova sensação. O que me era o paradoxo na esfera do pensamento tornou-se para mim a perversidade na esfera da paixão. O desejo, no fim das contas, era uma doença, ou uma loucura, ou os dois. Cresci sem prestar atenção às vidas dos outros. Senti prazer no que me agradava, e fui em frente. Esqueci que toda pequena ação do dia comum constrói ou destrói o caráter e que, portanto, o que alguém fez na câmara secreta um dia terá que clamar do alto dos telhados. Deixei de ser senhor de mim mesmo. Deixei de ser o capitão da minha alma, e não sabia. Permiti que o prazer me dominasse. Terminei terrivelmente desgraçado. Só me resta agora uma coisa, a humilhação absoluta."

Depois, falando de Jesus, ele escreve que:

"Piedade ele tem, é claro, pelos pobres, por aqueles que são encerrados nas prisões, pelos humildes, pelos miseráveis; mas ele tem muito mais compaixão dos ricos, dos hedonistas obstinados, daqueles que desperdiçam a sua liberdade tornando-se escravos das coisas, daqueles que usam roupas finas e vivem em casas de reis. Riquezas e prazer pareciam-lhe ser, na verdade, tragédias maiores que a pobreza ou o sofrimento. [...] No Natal consegui a posse do Novo Testamento em grego e, toda manhã, depois de limpar minha cela e polir meus metais, leio um pouco dos Evangelhos, uma dúzia de versos tomados por acaso. É uma forma agradável de começar o dia. Todo o mundo, mesmo que em uma vida turbulenta e indisciplinada, deveria fazer o mesmo."

Isto era o que esperava Oscar Wilde: que Jesus tivesse piedade também dele e de seu hedonismo desenfreado, do qual ele tinha se aproximado para construir a própria felicidade, mas que se tornou, contudo, o motivo da sua ruína.

Fonte: La Nuova Bussola Quotidiana | Tradução: Equipe Christo Nihil Præponere

Referências

  1. MEI, Francesco. Oscar Wilde (Le Vite). Milano: Rusconi, 1987.
  2. GULISANO, Paolo. Il Ritratto di Oscar Wilde. Milano: Ancora, 2009, p. 181.

| Categoria: Santos & Mártires

Mortos por não serem homossexuais

Conheça a história dos 22 mártires católicos de Uganda, que preferiram morrer a consentir nos desejos impuros do Rei Mwanga I. O seu testemunho atesta que “os prazeres mundanos e o poder terreno não dão alegria e paz duradouras”.

Papa Francisco durante visita a Uganda, 28 de novembro. Foto de L'Osservatore Romano.

Os primeiros missionários cristãos a pisarem no atual território de Uganda eram protestantes. Em 1877, eles foram acolhidos por Mutesa, o monarca de "Buganda" – como então era chamado o reino –, ficando livres para expandir a fé cristã em meio à população. A tolerância do Rei era tanta, que os missionários podiam pregar Jesus Cristo entre os próprios membros da sua corte. Mutesa mesmo, no entanto, não estava disposto a abandonar a poligamia – nem a circuncidar-se, como pedia o Islã. Apesar de aberto à pregação de todas as religiões, ele ficaria sem escolher nenhuma.

Dois anos mais tarde, em 1879, era a vez dos católicos serem acolhidos em seu reino: os Missionários da África – ou "Padres Brancos", como eram denominados – também passaram a evangelizar Uganda.

Em suas bocas, estava o discurso inflamado contra as práticas pagãs e supersticiosas dos nativos africanos. Os missionários da época não sacrificavam a fé no altar do "politicamente correto". Aderir a Cristo significava uma ruptura total com o antigo modo de vida, uma completa mudança de mentalidade e de comportamento. Ao aderir àquela "religião estrangeira", os abasomi – como eram chamados os convertidos à fé cristã – não só abandonavam as velhas tradições de suas tribos, como eram considerados "rebeldes" por seus compatriotas.

O martírio de José Mukasa

Um desses conversos, o seminarista católico José Mukasa, era particularmente importante para a evangelização em Buganda. Amigo pessoal tanto de Mutesa quanto de seu filho Mwanga, Mukasa tinha levado a fé a muitos dos jovens pajens que trabalhavam na corte real. A sua posição de influência junto do Rei confirmava ainda mais a sua liderança e eram muitos os que se faziam católicos graças à sua pregação.

No entanto, aproximava-se o dia em que o mordomo real teria de escolher entre Deus e César, entre o amor à Igreja e a lealdade ao Rei.

De fato, tão logo assumiu o trono em lugar de seu pai, Mwanga I demonstrou-se um verdadeiro inimigo da religião cristã. Os seus motivos eram manifestos. Influenciado por más amizades, Mwanga começou a praticar a homossexualidade e, não podendo suportar as críticas da moral cristã a esse comportamento, passou a perseguir sistematicamente os cristãos de Buganda – tanto anglicanos, quanto católicos. Também não lhe agradava a rejeição dos cristãos ao tráfico de escravos, o qual constituía uma importante fonte de recursos para o reino. Para que pudesse agir como bem entendesse, Mwanga tinha tomado uma firme decisão: teria que riscar o cristianismo do mapa de seu reino.

No dia 31 de janeiro de 1885, os jovens anglicanos Makko Kakumba, Yusuf Rugarama e Nuwa Sserwanga foram as primeiras vítimas do Rei. Eles foram desmembrados e queimados no povoado de Busega, ao sul do país. Não contente com a execução, em outubro do mesmo ano, Mwanga ordenou o assassinato do bispo anglicano James Hannington, alegando "más intenções" por parte do prelado, só por ele ter entrado no reino por uma rota mais curta que a tradicional.

Tamanha barbaridade suscitou a indignação de José Mukasa, que – a exemplo de Natã diante do rei Davi – reprimiu severamente Mwanga, por matar Hannington sem ao menos dar-lhe a oportunidade de defender-se. Outra crítica, todavia, fez acender de vez a cólera real: avesso à homossexualidade do monarca, Mukasa pediu a Mwanga que parasse de compelir os membros da corte às suas imoralidades. De fato, a promiscuidade do Rei era insaciável e ele não hesitava em transformar os seus súditos em "parceiros sexuais". Como reação a isso, José não apenas tinha ensinado os rapazes a resistirem, como fez questão de deixá-los longe do alcance do Rei.

Perturbado com as críticas de Mukasa, Mwanga jogou-o na prisão e, no dia 15 de novembro, mandou queimá-lo publicamente, para que servisse de exemplo a todo o povo de Uganda. Antes de morrer, disse ao seu executor: "Um cristão que dá a sua vida a Deus não tem razão para temer a morte. Diga a Mwanga que ele me condenou injustamente, mas eu o perdoo de todo o meu coração." O carrasco ficou tão impressionado que decapitou-o antes de amarrá-lo e queimar o seu corpo.

O massacre de Namugongo

Muitos outros cristãos caíram nas mãos de Mwanga, totalizando um número de 45 mártires (22 deles católicos). A perseguição da Coroa à fé cristã duraria até o dia 27 de janeiro de 1887, com a morte do católico Jean-Marie Muzeeyi. De todas as atrocidades cometidas por Mwanga, porém, a pior de todas foi o massacre de Namugongo, quando 26 cristãos, sob a liderança de São Carlos Lwanga, foram mortos de uma só vez.

Apontado pelo Rei como novo mordomo da corte, Lwanga não demoraria a causar novos problemas à Coroa. Assim como Mukasa, de fato, Carlos sabia ser "necessário antes obedecer a Deus que aos homens" ( At 5, 29). Uma de suas primeiras preocupações à frente do palácio foi justamente proteger os jovens cristãos dos desejos luxuriosos do monarca. Certa vez, um dos pajens se recusou a manter relações sexuais com o soberano. Perguntado qual era o seu motivo, ele respondeu que estava recebendo catequese de um católico. Tomado pela ira, Mwanga chamou o responsável à sua presença, tomou sua lança e decepou a sua cabeça, sem piedade. 26 de maio de 1886, Daniel Ssebuggwawo é a vítima da vez.

Ainda insatisfeito, o Rei convocou toda a corte para o dia seguinte. Carlos Lwanga, prevendo o que haveria de acontecer, deu o sacramento aos quatro catecúmenos que ainda não tinham recebido o Batismo – entre eles, uma criança de 14 anos, chamada Kizito. No outro dia, logo de manhã, Mwanga separou de sua corte todos os cristãos e, depois de pedir inutilmente que abandonassem a sua fé, condenou-os todos à morte.

"Quem dentre vocês não tiver a intenção de rezar, pode ficar aqui ao lado do trono; aqueles, porém, que quiserem rezar, reúnam-se contra aquele muro", teria dito o Rei, na ocasião. Lwanga foi o primeiro a dirigir-se ao muro, seguido por outros tantos. Mwanga, então, perguntou-lhes: "Mas vocês rezam de verdade?", ao que Carlos respondeu: "Sim, meu senhor, nós rezamos e queremos continuar até a morte".

Alguns deles foram mortos ainda naquele mês, como o católico Nowa Mawaggali, que padeceu estraçalhado por cães selvagens. A maioria, porém, estava destinada a morrer em Namugongo, no dia 3 de junho de 1886.

Era uma quinta-feira da Ascensão do Senhor e os prisioneiros, sentenciados à fogueira, estavam tranquilos e alegres diante de seu veredito. A fila de condenados partia ao lugar da execução, rezando bem alto e recitando o Catecismo pelo caminho. O pequeno Kizito simplesmente sorria, como se tudo aquilo não passasse de uma brincadeira. Testemunhas oculares relatavam a alegria e a confiança dos mártires, encorajando uns aos outros, enquanto eram amontoados em uma grande fogueira por seus carrascos.

"Invoque o seu Deus, e veja se ele pode salvá-lo", disse um deles. "Pobre louco", replicou São Carlos Lwanga. "Você está me queimando, mas é como se estivesse derramando água sobre o meu corpo."

Os outros prisioneiros estavam igualmente calmos. Das chamas ardentes, só se ouviam as suas orações e canções, que ressoavam cada vez mais alto. Quem assistiu à execução atesta nunca ter visto ninguém morrendo daquela forma.

"Semente de novos cristãos"

São Carlos Lwanga e os outros 21 mártires católicos de Uganda foram beatificados pelo Papa Bento XV, em 6 de junho de 1920, e canonizados por Paulo VI, em 18 de outubro de 1964.

Recentemente, durante viagem apostólica à África, o Papa Francisco visitou o Santuário dos Mártires de Namugongo e celebrou uma Missa em sua honra. "O testemunho dos mártires mostra a quantos, ontem e hoje, ouviram a sua história que os prazeres mundanos e o poder terreno não dão alegria e paz duradouras", disse o Santo Padre. "São a fidelidade a Deus, a honestidade e integridade da vida e uma autêntica preocupação pelo bem dos outros que nos trazem aquela paz que o mundo não pode oferecer."

Assim como em outros tempos da Igreja, o sangue desses homens valorosos foi um incentivo para a conversão de muitos outros. O reino de terror instaurado por Mwanga não teve o efeito pretendido: ao invés de diminuir, o número de cristãos só aumentou cada vez mais. Realmente, como escreve Tertuliano, "sanguis martyrum semen christianorum – o sangue dos mártires é semente de novos cristãos".

Hoje, Uganda é um país majoritariamente cristão, graças ao exemplo desses jovens mártires, que resistiram a um governo ímpio para guardar a sua fé e a sua castidade. Notoriamente, trata-se do país africano que mais avanços obteve no combate à AIDS, graças a um programa de saúde que envolve principalmente – mais do que a simples distribuição de preservativos – a abstinência e a fidelidade no casamento. O programa já foi elogiado por especialistas e apontado como o mais eficaz na contenção do vírus HIV.

A primeira-dama do país, Janet Museveni, fala abertamente aos universitários sobre a castidade. "Honrem seus corpos como templo de Deus", ela diz. "Não tomem atalhos nem ponham em perigo suas vidas, utilizando meios inventados pelo homem, como os preservativos, e indo contra o plano de Deus para suas vidas."

Para quem teve Mwanga no passado, é alentador ter uma posição tão contundente defendendo a castidade do alto dos telhados. Que São Carlos Lwanga e seus 21 companheiros mártires sigam intercedendo pela África e por todo o mundo, a fim de que a castidade que os conduziu ao martírio arda no coração dos nossos jovens e também os leve a um testemunho irrepreensível de amor a Cristo.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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“Castidade para todos”, pedem homossexuais ao Sínodo dos Bispos

Encontro promovido em Roma reuniu cardeais, palestrantes e pessoas com atração pelo mesmo sexo, todos com um único pedido: que a doutrina da Igreja sobre a castidade seja confirmada no Sínodo para as Famílias.

Na última sexta-feira (2), às vésperas do Sínodo para as Famílias, um grupo de católicos que abandonaram o estilo de vida homossexual pediu aos bispos da Igreja que defendam a doutrina da Igreja sobre a castidade para todos os seus membros.

O apelo aconteceu durante um encontro na Pontifícia Universidade Santo Tomás de Aquino (também conhecida como Angelicum), em Roma. Intitulado Living the Truth in Love ("Vivendo a verdade no amor"), o evento foi organizado pelo grupo Courage, um importante apostolado católico que oferece ajuda a homens e mulheres que sofrem com a atração por pessoas do mesmo sexo (AMS).

"Temo que a castidade poderia não ter uma voz suficientemente forte no Sínodo", afirmou Rilene Simpson, uma das palestrantes do encontro. Em declaração à ACI, ela pediu o apoio da Igreja para o combate que eles travam contra o pecado.

"Estamos falando de castidade para todos. Estamos falando de castidade para as pessoas com atração pelo mesmo sexo. Estamos falando da castidade dentro do matrimônio e da castidade para quem se divorciou e voltou a casar-se", disse. "Essa é uma bonita virtude, uma graça de Deus e uma forma de nos aproximarmos d'Ele."

Rilene se converteu à Igreja em 2009, depois de viver um longo período de sua vida adulta em um relacionamento homossexual. Seu testemunho – bem como o de outros dois membros do apostolado Courage – está documentado no ótimo filme Desire of the Everlasting Hills ("Desejo das Colinas Eternas"), que foi exibido durante o evento em Roma.

Outro interlocutor do evento foi o terapeuta católico David Prosen, da Universidade Franciscana de Steubenville. Tendo vivido no estilo de vida homossexual antes de aceitar os ensinamentos da Igreja sobre a castidade, ele contou à ACI que, certa vez, um sacerdote lhe disse que "estava tudo bem ter relações sexuais como um homem, desde que ele o amasse".

"Isso é muito prejudicial. Então, o que espero do Sínodo é que os padres sinodais realmente vejam a verdade do que somos, todos nós, homens e mulheres, com dons que Deus nos deu, porque somos criados à sua imagem e semelhança e porque somos seus filhos e filhas, e não por causa daqueles por quem nos sentímos atraídos".

A apresentação de Prosen, com o título "Não sou gay, sou David", mostrou as diversas lutas por que ele passou, até conhecer o Courage e entrar em um círculo virtuoso de amizades na Igreja. "Há profunda paz e alegria em uma vida casta", ele assegurou.

David é um dos vários protagonistas de outro documentário católico sobre o mesmo tema. The Third Way: Homosexuality and the Catholic Church ("A Terceira Via: Homossexualidade e a Igreja Católica") é uma produção da Blackstone Films e também pode ser assistido na íntegra pela Internet:

Pelo menos dois padres sinodais participaram do evento: o africano Robert Sarah, prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, e o australiano George Pell, Prefeito da Secretaria de Economia. Falando aos jornalistas ao fim do encontro, o Cardeal Pell disse que a Igreja ajuda as pessoas com atração do mesmo sexo há muito tempo. "Nenhuma ONG oferece mais ajuda e acompanhamento para, por exemplo, pessoas com HIV, que as paróquias, as comunidades, como o Courage, e as famílias cristãs. Estamos obrigados a isso, porque somos cristãos", ele ressaltou.

A conferência também surgiu em resposta ao Sínodo da Família de 2014, no qual as pessoas que sofrem de atração pelo mesmo sexo não tiveram uma participação adequada, conforme indicaram os organizadores. "O que espero dos padres sinodais é que possam ver a verdade e não se deixem enganar por mentiras", concluiu David Prosen.

Os testemunhos e declarações dos membros do apostolado Courage estão em plena comunhão com a doutrina e a prática pastoral da Igreja sobre a homossexualidade, expostas tanto no Catecismo (§ 2357-2359), quanto nos vários documentos católicos que já foram emitidos sobre o assunto.

Em um desses textos, assinado pelo então Cardeal Joseph Ratzinger e endereçado aos bispos, afirma-se que "a pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus, não pode definir-se cabalmente por uma simples e redutiva referência à sua orientação sexual". De fato, a verdade que a Igreja ensina aos seus filhos – tenham eles ou não atração pelo mesmo sexo – é, sobretudo, uma doutrina de amor:

"Toda e qualquer pessoa que vive sobre a face da terra conhece problemas e dificuldades pessoais, mas possui também oportunidades de crescimento, recursos, talentos e dons próprios. A Igreja oferece ao atendimento da pessoa humana aquele contexto de que hoje se sente a exigência extrema, e o faz exatamente quando se recusa a considerar a pessoa meramente como um 'heterossexual' ou um 'homossexual', sublinhando que todos têm uma mesma identidade fundamental: ser criatura e, pela graça, filho de Deus, herdeiro da vida eterna."

Eis a verdade que todos – independentemente de onde estejam e do que tenham enfrentado em suas vidas – são chamados a encontrar. Eis a luz de Cristo, que ilumina as trevas mais profundas da angústia e solidão humanas. Se você está lendo este texto e sofre com o drama da atração por pessoas do mesmo sexo, deixe-se tocar pela graça divina e descubra, no coração da Igreja, a sua vocação ao amor e verdadeira identidade de filho de Deus! Entre já na desafiadora aventura de amar e descubra a "profunda paz e alegria" que existem em levar uma vida casta e conforme a vontade do Pai!

Com informações de ACI Prensa | Por Equipe CNP

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Orgulho Gay ou Manipulação?

O Movimento LGBT é um movimento de fachada. A fachada é a defesa dos direitos das minorias; a agenda oculta é a implantação da ideologia de gênero e a destruição da família natural.

Aconteceu de novo. Em sua última edição, a Parada Gay de São Paulo voltou a ridicularizar símbolos religiosos cristãos, sob o pretexto de combater a "homofobia". A triste imagem de um transexual crucificado, parodiando o Cristo, resume tudo.

Ao protesto indignado dos cristãos, o Movimento LGBT já sabe como responder: incentivar o vitimismo nas pessoas com tendência homossexual. E de fato estas pessoas são vítimas, mas não dos cristãos. São vítimas do próprio Movimento LGBT.

O Movimento LGBT é um movimento de fachada. A fachada é a defesa dos direitos das minorias; a agenda oculta, porém, é a implantação da ideologia de gênero e a consequente destruição da família natural.

É como numa caçada. Usa-se um chamariz para que o animal caia na armadilha. Mas se você usar a isca errada, a coisa não funciona. Ora, não existe realidade que atrai mais um bom cristão do que a compaixão e a misericórdia. Ao alimentar o vitimismo das pessoas com tendência homossexual, a ideologia gayzista usa estas pessoas como isca, apostando na possibilidade de dominar a população cristã por meio de um complexo de culpa paralisante.

Por que a Passeata Gay não usa símbolos e personagens religiosos não cristãos? Por que não incluir na algazarra Maomé, Buda ou os Orixás? A resposta é simples, eles ainda não acharam uma isca adequada para essas religiões. A combinação de vitimismo e falsa compaixão só funciona com cristãos. Se eles profanassem as outras, estariam arriscando receber milhares de processos judiciais ou, quem sabe até, violentos protestos.

Convido as pessoas de boa vontade que carregam a cruz da tendência homossexual [1] a estudarem a verdadeira história da ideologia de gênero. Temos no nosso site uma pequena introdução. Vocês verão que estão sendo manipulados!

É verdade, lamento profundamente a profanação dos símbolos cristãos. Aliás, tenho feito orações para reparar estas ofensas feitas a Nosso Senhor. Mas acho que devemos também lamentar a manipulação de pessoas (homossexuais ou não) que estão sendo usadas para a destruição de nossas famílias e a implantação de um regime de intimidação que amordaça as verdadeiras liberdades.

A eliminação do cristianismo não irá ajudar em nada, nem a ninguém. Os milhares de homossexuais que morreram no "paredón" de Cuba e nos gulags da União Soviética são testemunha disto.

Por Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior

Referências

  1. Cf. Catecismo da Igreja Católica, 2358.